Literatura e Cinema

“[...] tudo o que sabiam era que os filmes os transportava para um mundo novo, onde tudo acontecia.”

3 de julho de 2009

DOMINO - A CAÇADORA DE RECOMPENSAS

Clique aqui para ver o trailer do filme (sem legendas).

Domino, 2005, 127 minutos. Suspense.

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Poderia começar de outra maneira, mas prefiro ir direto ao ponto: esse filme é totalmente dispensável. Eu normalmente costumo achar interessante os filmes “baseados em histórias reais”, mas esse realmente é meio difícil se o considerarmos em sua totalidade. Existem no elenco atores famosos, como Mickey Rourke, Lucy Liu e Keira Knightely, protagonista do filme; isso não faz do filme melhor nem pior, pois o grande defeito não está nos atores. Vemos a história de Domino Harvey sendo contada em primeira pessoa; ela narra algumas das situações pelas quais passou até se tornar uma caçadora de recompensas: a opção da mãe pelo estilo rico ao tentar recriar para ela e a filha a vida retratada em 90210, a sua ida a faculdade, a maneira como evitou as outras pessoas até agrupar-se a Ed e Choco para aventurar-se e ser presa por causa de um suposto crime.

 O filme já se inicia com Domino  sendo interrogada Taryn Miles, do FBI, a respeito do roubo de 10 milhões de dólares. A partir desse momento, a vida dela é sendo contada paralelamente às cenas em que depõe e conta o que sabe à agente. Sua história é contada toda em flashback, embora não esteja numa ordem linear. No começo, é mostrado os momentos anteriores ao acidente que culminou na prisão de Domino; o acidente, porém, só será mostrado no final do filme. Entre esse período de tempo (o início e o fim) são mostrados os eventos que desecandearam toda a trama. É interessante a forma como são separadas as cenas e a forma como ficaram após a edição, na qual as cenas de interrogatório tem uma iluminação bem diferente das cenas que mostram Domino antes de ser uma caçadora; já essas cenas também têm iluminação diferente, normalmente mais escuras, em relação às cenas posteriores à sua inserção no submundo dos que trabalham na área.

O filme tem altos e baixos. Certamente o grande problema do filme é a exibição de cenas que nada acrescentam à história: não tem efeito valorativo nem estético. Se fosse em outro filme, talvez somente fizessem do filme um pouco mais longo, mas em Domino também atrapalham o espectador, que não compreende bem as informações que as cenas tentam expor. Como se não bastasse, tramas paralelas sendo contadas fora de ordem linear incomodam muito, mas se espera que elas se encaixem ao final do filme, o que não acontece. Esse é o grande defeito do filme. Quanto ao roteiro, não acredito que possa chamá-lo de clichê ou criativo, afinal narra uma história real e para adaptar um filme é necessário manter muitos dos acontecimentos. Acerca da atuação, acredito que os únicos atores que são satisfatórios são Mickey Rourke e Lucy Liu, sendo que esta é quase uma participação especial, considerando o quanto aparece. Keira Knightely certamente foi um erro nesse filme, principalmente porque as falas já não são boas e a atriz ainda fica forçando um sotaque! Ela também se esqueceu de que estava num filme, não num show de mímica e acabou fazendos tantas caras e bocas (que se unem tristemente ao sotaque inapropriado) que toda vez que ela entra em cena (98% do filme) o espectador já se sente sutilmente desanimado. E só para variar um pouco, Keira teve que ficar pelada nesse filme, numa das cenas mais incoerentes, em que dois caçadores - Choco e Domino - transam no meio do deserto após um acidente de carro que os deixa empacados por horas.

O grande problema do filme está na inclusão de personagens desnecessários e tramas paralelas que confudem. Num determinado momento, quem assiste o filme já não tem certeza se o entendeu mesmo a história; eu realmente deduzi o que tenha acontecido, porque não consegui depreender o conteúdo que o filme mostrou. Sem contar que algumas indas e vindas, como flashbacks e flashforwards numa cassete, tornam algumas cenas que poderiam ser interessantes em cenas deveras cansativas. Dentre as várias maneiras de se fazer um filme, escolheram uma história regular e optaram pela maneira mais complicada de contá-la; logo, não se pode esperar grandes triunfos. Diferentemente de outros filme, como Kill Bill e 21 Gramas, ambos contados sem linearidade cronológica, Domino tende à confusão, impedindo, portanto, que o espectador desfrute do que poderia ser um bom filme. Também acredito que o filme não deva ser catalogado como suspense, uma vez que as poucas cenas que remetem a essa categoria, ainda que não estejam nela, são aquelas em que Domino conversa com Taryn, personagem de Liu (essas cenas, no entanto, tem tanto humor que também estão bem longe do suspense). Há um misto de tantos temas, que não saberia como classificá-lo, mas optaria por ação, já que fala sobre roubo, máfia, morte, perseguição, etc.

De uma maneira geral, esse é só mais um filme. Poderia passar despercebido se não fosse a ilusória presença dos atores famosos que citei - isso, porém, não define qualidade. É um filme vago, confuso e, com se não bastasse, longo! As únicas características válidas são a fotografia, de que eu gostei, e as referências a filmes e seriados antigo, como ênfase excessiva em Barrados no Baile. Mas se puderem, assistam a outro filme melhor, porque este eu não recomendo.

Luís

criado por Luís/Renan    1:34 — Arquivado em: Filmes

1 de julho de 2009

ULTRAVIOLETA

Clique aqui para ver o trailer do filme.

Ultraviolet, 2006, 88 minutos. Ficção Científica/Ação.

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Filmes de ficção científica não costumam ser a minha primeira escolha para assistir, mas a sinopse desse me chamou a atenção, principalmente pela sugestão de que haveria uma mulher obstinada lutando contra um determinado grupo. Temas como esse rendem bons filmes, como Kill Bill, de Quentin Tarantino. E como também já havia assistido a alguns filmes com Milla Jovovich e, portanto, sei que as obras em que atua são, no mínimo, interessante, resolvi conferir Ultravioleta, que fala sobre Violet, uma hematófaga que tenta a qualquer custo impedir que uma arma biológica seja usada com os vampiros, que surgiram após mutações genéticas de um vírus experimental.

Primeiramente, gostaria de dizer que se há uma mulher habilidosa cheia de raiva, obviamente o filme está repleto de cenas de luta; essas, porém, não são como as vistas em filmes como os do Van-Damme ou Jet Li. Em Ultraviolet há algumas preocupações que não visam somente o entretenimento do espectador, mas também outros aspectos, como a estética, a fotografia, etc. Logo, eu digo que a primeira coisa que chama a atenção desde o começo do filme é o visual escolhido: bastantes cores, principalmente na caracterização de Violet (que, como o próprio nome sugere, não poderia deixar de vestir violeta numa parte da obra), cujas roupas mudam de cores, do branco pro vermelho, do preto pro púrpura. Outro fator também interessante é o contraste causado pelas cores dos personagens com o cenário, normalmente em tons cinzas, muito assépticos. Os efeitos visuais são bons, não deixam a desejar e não criam excessos durante as cenas, então conforme a narrativa vai mostrando os acontecimentos, o espectador vai compreendo tudo sem se cansar ou sem ficar confuso diante de exageros.

Quanto ao roteiro, não há como dizê-lo criativo, porque não é. Havia inúmeras maneiras de se contar a história, mas buscaram atingir o público que vê o conteúdo sem se esforçar muito para entender, logo tudo segue de maneira bem clichê. Logicamente sabemos que Violet destruirá muitas pessoas e, no fim do filme, se não se sair completamente bem, pelo menos conseguirá parte do que queria. Ainda que eu não seja fã de filmes não-densos, não acredito que um grande drama bem elaborado fosse combinar com a hora e meia de luta, que quase se assimila a alguns jogos de videogame. A respeito das atuações, a única que é realmente importante é a de Milla Jovovich e talvez seja por isso que temos a impressão de que somente ela atua bem; os outros, se não são meros coadjuvantes, são patéticos se comparados à atriz principal e à necessidade de que atuassem bem. Até mesmo Cameron Bright, intérprete de Six, é absurdamente infame para o papel que lhe foi concecido. Como não acredito que ele tenha sido o melhor ator que encontraram para o papel, acredito que sua partipação no elenco do filme se deve ao simples nepotismo.

Ainda que as atuações em sua totalidade seja precárias e ao roteiro que segue sem grandes surpresas, Ultravioleta conta com cenas bastante interessantes e diálogos de extremo impacto. Acredito que dos filmes que assisti seja esse um dos que mais mostram cenas fortes. Não me refiro a um conteúdo de violência, mas sim de um misto de humor, ironia e criatividade. Em uma das cenas, por exemplo, Violeta está à procura da arma que entregou a Nerva, hematófago que se encarregou de destruí-la; ao se aproximar de onde ele está escondido, ela escontra dois outros hematófagos, dispostos ali a fim de impedi-la de chegar a Nerva. Então, dizem a ela:
Hem. 1: - Somos tão fortes quanto você…
Hem. 2: - Somos tão rápidos quanto você…
Violet: - É, mas vocês sentem um décimo da raiva que eu sinto?
Então, ela acaba matando os dois num momento curioso, quase uma dança, em menos de trinta segundos. Já em outros momento, Daxus, humano que deseja a arma que Violet tenta proteger, diz a ela:
Daxus: - Estou aqui junto com 300 homens. O que você acha que pode fazer?
Violet: - Eu posso matar todos eles.
E há muitas cenas que mostram situações realmente complicadas que Violet encara com extrema simplicidade e ainda se sai bem da maioria delas. As cenas são, pelo menos, impactantes, devido à forma simples como são mostradas.Em especial, gosto de uma cena que mostra o que toda pessoa que cospe no rosto dos outros merece. Quem assistiu ao filme sabe de que cena eu falo e os que o assistirem também saberão.

De uma forma geral, o filme é recomendável. O espectador, porém, deve estar alerta e saber que é um entretenimento puro, assim como inúmeros outros filmes. É uma diversão momentânea, sem grandes conflitos sendo mostrados nem temas muito densos sendo abordados; o máximo de profundidade que o filme alcança é um rápido divagar sobre o passado de Violet. Mas, de qualquer forma, se o que quiserem for entretenimento, garanto que vão gostar desse filme.

Luís

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Um pequeno resumo: No futuro surge uma nova raça de humanos, esses geneticamente modificados, tornando-os vampiros. Os humanos tentaram e quase conseguiram exterminá-los e para terminar o trabalho criaram uma arma para destrui-los. E é assim que entra Violet, a encarregada por destruir a arma.

Visualmente o filme é bem bonito, bem bonito mesmo, me parece ser no estilo de Sin City (Parece, pois nunca assisti Sin City), as lutas, as mortes e as frases de efeito (que o Luís citou acima) realmente são o que chamam a atenção no filme.

Começaremos pelo lado bom. Achei muito boas certas cenas, entre elas estão duas cenas acho, que vem um bando de carinhas em circulo  em torno de Violet e no segundo seguinte todos caem, em círculo obviamente, então ficamos com aquela dúvida: “O que ela fez?”. Outra cena que acontece isso, é na luta entre Daxus e Nerva, em que Nerva apaga as luzes, ouvem-se sons e só, resumiu bastante, além de se tornar um diferencial para o filme. Ao todo, o filme nos remete um pouco a Matrix, já que Violet faz coisas incríveis com uma espada e uma arma. Quanto as mortes, a que mais me chamou a atenção pela originalidade é quando ela mata três caras seguidos, na ordem daqueles macaquinhos (Surdo, cego, mudo), bem legal mesmo.

O ponto fraco do filme, é que quando não há lutas, o filme fica chato, a atriz não convence como uma mãe que perdeu o bebê e proucura em Six, o filho perdido por ter contraído a “doença” e ter se tornado em uma “vampira”. A parte mais tosca do filme é quando se deixa sub-entendido que Violet salvou Six com o amor (Teria J.K Rowling visto esse filme? =D)

Ao todo o filme é bom, não que seja “Oh Meu Deus, tenho que que assistir de novo”. Há outro ponto também: O filme é curto, cabe a você achar se isso é bom ou ruim.

Renan

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12 de junho de 2009

ENTREVISTA COM O VAMPIRO

Interview with the Vampire: The Vampire Chronicles, 122 minutos, 1994, Suspense

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Esse com certeza é um filme que eu recomendaria, embora há partes meio cansativas no filme, isso não chega nem perto de te fazer querer parar de assistir. O filme já começa bem, quando vemos naqueles créditos de abertura os nomes dos atores principais. São eles Tom Cruise (Lestat), Brad Pitt (Louis), Kirsten Dunst (Cláudia) e Antonio Banderas (esse não conta tanto, já que não aparece tanto).

O ator principal claramente é o Brad Pitt, mas o incrivel é que perto de Tom Cruise e Kirsten Dunst, sua atuação é extremamente cansativa. Fiquei extasiado em ver Kirsten Dunst, nesse filme ainda criança, com uma atuação muito, mas muito boa, é uma pena que esse exemplo de atuação seja escondido em blockbusters atuais como O Homem Aranha, um dos motivos que recomendo esse filme é ve-la atuando como uma vampira criança, mas que se torna adulta em suas discuções, com aquela ironia. Falando em ironia, que show de ironia dá Tom Cruise nesse filme, ele faz com que seu personagem seja extremamente carismático sendo ironico, e o final do filme então: “Sempre reclamando  Louis…”
Fantástico.

Um ponto interessante é ver o desejo de Lestat formar uma família, mesmo sendo traído e rejeitado por Louis e Cláudia, ou também o desejo de Louis de ser “um vampiro bom” tentando sobreviver de sangue de animais, como a interessante cena que ele “come” pombas ou ratos. (Isso te lembra Crepúsculo ?)

Outras cena muito interessante é quando Louis e Cláudia vão ao teatro, onde há aquela peça um tanto quanto macabra, porém real, interessante é ver a reação do público.

Não li o livro homonimo ao filme para saber se é bem adaptado, mas mesmo não sendo, é um filme bom, com certeza recomendável, tanto pela estória, quanto pela atuação, que com certeza supera muitas que eu vi.

Renan

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Já faz muito tempo que assisti a esse filme, mas me lembro muito bem. Acho que não somente é um marco nas histórias vampirescas em relação à adaptação, mas também quanto à propagação do tema para que escritores os descrevam em seus livros e contos. Baseado num romance de Anne Rice, eu aposto que esse filme levou muitas pessoas a imitá-lo.  O Renan disse na crítica dele que esse filme remetia a Crepúsculo. Mas na verdade, Crepúsculo remete a esse filme e não o contrário, já que podemos ver claramente que o segundo copia em muitos aspectos o primeiro.

Eis um filme em que todos os atores estão bem em seus personagens. Brad Pitt mostra que sabe atuar, não é só um rosto bonito casado com uma boca famosa; no papel de Louis, mostra o quão talentoso é e como incorporou bem o complexo de sua existência, a qual considera maldita. Grandes momentos de seu personagem são aqueles em que nega o máximo possível o ser em que se tornou, optando por não alimentar-se de humanos. Temos então, uma das melhores cenas, que é a que ele mata os cães de uma nobre, que começa a gritar incansavelmente, até ser morta por Lestat. Quanto ao personagem de Tom Cruise, vemos a paradoxal ação de Lestat: transformar um homem em um ser igual a fim de ter uma família, ainda que isso signifique desgraçar a existência que não pertence a ele. Curiosamente, muitos não acreditavam na capacidade de Tom Cruise para interpretar o tão complexo Lestar: a própria autora do livro, Anne Rice, disse que desaprovava totalmente a escolha pelo ator. Depois de ver o filme completo, desculpou-se e admitiu publicamente o quanto gostara da interpretação do ator. Mas para mim o grande destaque é Kristen Dunst, a famosa Mary Jane. É tão incrível ver o quão boa ela era desde pequena; ainda que esteja tão boa hoje, não podemos ver todo o seu talento, pois, uma vez em blockbusters (onde o que mais conta é efeito especial), não há um completo desenvolvimento de eprsonagens. Ao interpretar Claudia, Kristen eleva o filme ao ápice. Embora criança, a maturidade da personagem é bem real, produzindo o efeito positivo que permite mostrar o passar dos anos para os vampiros sem que isso se reflita na aparência.

Ao contrário do que o Renan disse, não acho que haja momentos cansativos no filme. Há uma linearidade bastante eficiente quanto à agradabilidade: não nos cansamos de ver o desenrolar e somos sempre surpreendidos por uma ou outra surpresa, o que torna o filme ainda mais interessante. Grandes cenas podem ser destacadas, como a que já citei; a morte de Lestat, que, posteriormente, descobrimos não estar morto; as cenas em que Claudia corta os cabelos, porque não os quer mais daquele jeito, descobrindo que não pode mudar-se e a cena em que é exposta ao sol, junto com a vampira que assume o papel de mãe da pequena. A cena final, então, dá um gostinho de continuação que, ainda bem!, não veio.

Assistir a esse filme é apreciar uma obra bastante criativa e envolvente, portanto, sugiro que o façam. Acredito que dentre os cinco melhores filmes dos atores que integram o elenco, Entrevista com o Vampiro certamente ocupará uma das vagas dentre os cinco. Brad Pitt, Tom Cruise e Kristen Dunst estão fabulosos, num roteiro impecável. Também não li o livro que orignou o filme, mas acredito que tenha sido bem adaptado, considerando que a própria Anne Rice aprovou a versão final. Sugiro que o vejam.

Luís

criado por Luís/Renan    15:49 — Arquivado em: Filmes

10 de junho de 2009

HUCKABEES - A VIDA É UMA COMÉDIA

I Heart Huckabees, 2004, 105 minutos. Comédia.

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Ao ver esse filme, pensei que seria um filme interessante. Principalmente ao ler a sinopse, temos a impressão de que há uma história de humor bem construída e, por causa desse pensamento, eu o loquei. O filme fala sobre um poeta de coração mole que decide contratar dois detetives, Bernard (Dustin Hoffman) e Vivian (Lily Tomlin), para investigar três coincidências que, segundo ele, podem ser o segredo da vida. A investigação logo envolve outros clientes da dupla, como o vulnerável bombeiro Tommy Corn (Mark Wahlberg), o executivo de vendas Brad Stand (Jude Law) e a modelo Dawn Campbell (Naomi Watts), que está em crise de identidade. A situação se complica quando a sedutora Caterine Vauban (Isabelle Huppert), inimiga da dupla de detetive, passa a seduzir Albert e Tommy na intenção de que eles passem a ver a vida sob o seu ponto de vista.

O filme, no entanto, tem um humor muito duvidoso e uma edição extremamente confusa. Nos cinco primeiros minutos, eu me confundi bastante. Retornei um pouco e recomecei a assistir, percebendo então que o problema está na forma como o filme foi concebido. Não somente as cenas soam estranhas como muitos diálogos estão perdidos e são sem finalidades. Como se o filme todo já não fosse suficientemente escroto, existem efeitos patéticos durante as cenas, como pedaços do rosto da pessoa que está falando que saem flutuando pela tela, como se fossem peças de quebra-cabeça sendo tiradas da imagem que formam. Os sons, às vezes, parecem incompatíveis com as cenas que são mostradas e definitivamente o humor é escasso, quase inexistente.

Quanto à atuação dos atores, são bastante patéticas. Naomi Watts, que considero uma boa atriz, é uma reles coadjuvante, junto com todos os outros personagens do filme. Inquestionavelmente, os atores não foram bem aproveitados nessa obra. Mark Whalberg, já indicado ao Oscar, tem a mesma função que a parede, os vidros, o cenário: um mero enfeite. Jude Law já esteve muito melhor nos inúmeros outros filmes em que atuou, mas ainda assim é o ator, juntamente com Jason Schwartzman, que mais tem falas e mais aparece; isso, no entanto, não significa ter uma função definitivamente útil. As cenas são realmente estranhas, como o processo de “estar dentro do saco fechado”; parece que elas não querem dizer nada.

Definitivamente, eu não recomendo esse filme. Não há humor em nenhum momento - o subtítulo nacional simplesmente induz o espectador a pensar que realmente vá se divertir ao assistir a isso. Ledo engano: não somente é incondizente com o próprio elenco, já que se espera algo bem maior e melhor, como também é meio ofensivo no sentido de que nada mostra a quem lhe assiste. Watts, Walhberg, Law, são bons atores apenas perdidos em meio à confusão que esse filme é. Optem por coisas melhores.

Luís

criado por Luís/Renan    13:25 — Arquivado em: Filmes

8 de junho de 2009

PAIXÃO PROIBIDA

Jude, 1996, 123 minutos. Drama.

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Fiquei em dúvida entre pegá-lo ou não, quando vi esse filme na prateleira da locadora. Nunca tinha ouvido falar sobre, mas ao ver a imagem de Kate Winslet e ler a sinopse interessante atrás, acabei convencido a levá-lo.Mais tarde, ao chegar em casa, eu procurei na internet por comentários e críticas sobre o filme e descobri que o filme é baseado num romance homônimo (Jude), que narra a história de um homem, Jude, que é incentivado a ir para Milchester e se graduar, a fim de ser um acadêmico. Quando finalmente chega à faculdade, vê dificuldades em ser aceito; mas acaba se estabelecendo lá com a ajuda da prima, Sue, que estuda na universidade enquanto busca uma maneira de começar um estágio. Jude então a apresenta ao homem que o incentivou a ir para lá, levando-a a casa dele, que fica dentro da universidade. Jude, porém, não esperava que a prima fosse se relacionar com o outro. Surge entre eles o impasse, ainda que não saibam exatamente o que fazer: Jude tem que lidar com a não-aceitação na universidade, com a situação civil, já que é oficialmente casado e não como agir em relação a Sue, que sabe do sentimento que um tem pelo outro e foge disso, casando-se com outro. No entanto, não há como se separarem e acabam sempre a se cruzar.

Eu fiquei realmente impressionado com o filme. Imaginei que fosse uma produção mediana e por isso não muito comentada; o motivo não seria por cauda da época em que foi lançado o filme, já que outras produções do mesmo ano com a mesma atriz são sempre lembradas. O filme tem uma história muito interessante e quase tudo no filme é bem certo: o roteiro, a direção, a trilha sonora, as atuações, a fotografia. Acredito que a única exceção quanto às características ruins do filme se deve à escolha do elenco principal, já que Kate Winslet, ainda no início da carreira, se mostra uma atriz de extremo talento, fazendo com que o personagem principal, Jude, acabe à sombra de sua personagem, Sue. O que quero dizer é que ela é boa demais, não que ele seja ruim. A interpretação de todos os vai gradualmente aumentando a nossa simpatia por eles e compreendo o porquê de cada ato; dos principais aos coadjuvantes, não há exagero ou limitação na atuação. Não preciso dizer que a melhor atriz, na minha opinião, é Kate Winslet; mas também não posso deixar de citar Rachel Griffiths, no papel de Arabella, esposa de Jude. Ainda que seu papel seja secundário, é de extrema importância para o desenrolar da história.

O tema abordado no filme é muito interessante: o relacionamento entre pessoas com grau de parentesco e a forma como a sociedade enxerga as pessoas que não são oficialmente casadas. Considerando que o filme se passa no século XVIII, podemos inclusive ver que muito do que é mostrado no filme não mudou totalmente ainda nos dias de hoje. A forma como o romance entre os dois surge é mostrada com tamanha sutileza que no início acreditamos ser mais uma grande amizade acentuada do que um romance provindo de uma amizade. É tão carismática a aproximação dos dois, que o espectador torce o tempo todo para que fiquem juntos como amigos ou como amantes. Não há, aliás, como não torcer por qualquer personagem. Dois grandes acertos do filme são o fato de mostrarem um preconceito implícito, porém esmagador sobre Jude e Sue, impedindo-os de ser uma família comum, ainda que insistam nisso e a forma paradoxal, porém simbólica, da perspectitva de Sue em dois momentos do filme: primeiro, ao se deparar com o romance potencial entre ela e Jude, ela se afasta, casando-se com outro, sem nunca se distanciar dele, chegando inclusive a ser expulsa do colégio por ter dormido na casa do primo; posteriormente, sob o preceito de serem livres e terem livre-arbítrio, os dois se unem, sem que ela evite dizer que não são casados, mesmo isso desfavorecendo a a socialização deles. Duas cenas que mostram com bastante eficiência o drama no qual os personagens estão inseridos é quando Jude e Sue estão a restaurar as pinturas de uma igreja enquanto o filho de Jude com Arabella cuida da irmã menor e quando o casal ouve duas vezes, uma na igreja e outra num hotelzinho, que terão de partir porque são muitos (quando na verdade, eles tem que sair por não serem realmente casados).

Outro grande acerto do filme é mostrar a forma como os sonhos se perderam devido às situações pelas quais passaram e como eles tentam dar a volta por cima, ainda que sofrendo preconceito e sendo discriminados. Tudo entre eles só começou pela tentativa de Jude a se formar; anos depois, ele não somente não se formou como está ainda mais longe disso. Sue, que lecionou por um tempo, ao admitir o amor por Jude, teve que largar tudo e “dar um jeito” para que os dois pudessem se sustentar. Então, de estudioso e professora, tornaram-se escritores de lápide, pintores, etc. E uma das cenas de maior impacto do filme, mostra o quão dramática pode ser a presença do preconceito na vida de alguém. Jude e Sue percebem tardiamente que “eram demais”. Então, mais um paradoxo: se antes eram livres e podiam tomar decisões para o futuro deles, embora isso estivesse em desacordo com o resto da sociedade, após perceberem que não funcionava exatamente assim o sistema, há a concepção do “castigo de Deus”. Isso fica evidente em Sue, que tem um desenvolvimento psicológico muito maior que o de Jude com o decorrer da história. E o final do filme, numa cena cuja fotografia retrata com exatidão o relacionamento dos personagens, não há como o espectador deixar de se incomodar com o rumo que a vida deu a Sue e Jude.

As duas horas de filme passam rápido, porque o espectador fica focado no desenrolar da história, observando atento a cada acontecimento, torcendo para que os personagens se dêem bem. Kate Winslet, como já disse anteriormente, dá um show de atuação; compreendemos logo que há motivos para as cinco indicações posteriores a esse filme e a indicação anterior que a atriz recebeu. Eu recomendo totalmente esse filme, porque é o tipo de obra que deve ser vista. Ainda que não seja nenhuma obra-prima, é um filme bastante satisfatório e quem o assiste não se arrepende. Vejam-no.

Luís

criado por Luís/Renan    11:16 — Arquivado em: Filmes

6 de junho de 2009

O MORRO DOS VENTOS UIVANTES

Wuthering Heights, 2003, 90 minutos. Musical.

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Eis uma idéia audaciosa: tomar como base um livro clássico lançado há 150 anos, adaptá-lo caracterizando-o conforme os dias atuais, acrescentar musicalidade e torná-lo um musical. Pode parecer um pouco estranho se pensarmos que veremos o Bentinho cantando suas angústias sobre Capitu enquanto dirige seu carrão a 120km/h? Soa estranho, mas não há como dizer que não dará certo. E nessa versão do livro de Emily Brönte é mais ou menos o que acontece: uma modernização musical; no entanto, o filme não faz jus à composição excelente do livro e, ainda que entretenha, deixa a desejar.

A narrativa é a mesma do livro, então, sugiro que dêem uma conferida na crítica da obra original. O grande defeito do filme, na minha opinião, não é a transformação que fizeram e a mudança de gênero (de drama para musical); o grande problema é a falta de caracterização dos atores, que não conseguem se manter sob a vestimenta do personagem. Em alguns momentos, eu cheguei a acreditar que a Cate estivesse bem, conforme é no livro, mas depois a atriz começa a se mostrar instável, por vezes frágil demais para se comparada a Caterine Earnshaw e por outras vezes estranha demais para ser comparada a qualquer personagem do livro. O Edgar Linton dessa versão (que foi produzida pela MTV) é absurdamente diferente do rapaz bom mostrado no livro de Brönte; eu até acredito que deram o script errado para o ator e ele acabou pensando que era Heathcliff. Os que melhores se situam no filme são os intérpretes de Heathcliff, que curisamente nunca é chamado pelo nome completo durante toda a projeção do filme, e Isabel, irmã de Edgar Linton. Ainda assim, há alguns problemas quanto à personalidade dos personagens. Heath é tão insignificante comparado ao do livro que é quase incoerente.

Quanto a sequência de eventos, o filme conduz bem e mostra quase tudo o que acontece no livro. Ocorrem algumas modificações, logicamente devido à mudança de época. Também  achei bem interessante a opção de explicar a maneira como Heath enriqueceu, embora isso não seja mostrado no livro. Interessante também a maneira como Isabel e Heath se juntam e como tudo termina. Dou destaque para uma cena bem inteligente, que mostra Heath cantando e dedicando uma música para Cate enquanto Isabel está na platéia observando-o. Não entendi o porquê de certas mudanças, como o nome de Hindley, que virou Hendrix no filme. Algumas músicas também são legais e dão um certo charme ao filme, mas em alguns momentos em repetem em excesso. O filme se encerra no que seria o meio do livro, quando Cate dá a luz à garota a quem seria dado o nome Caterine por Edgar Linton e que viria a se casar com Linton, filho de Heathcliff com Isabel. No filme, após dar a luz e morrer, o filme termina numa cena que poderia ser excluída sem prejuízo algum.

Vamos pesar as partes agora: a atuação dos atores em muitos momentos é sofrível, o que é um ponto negativíssimo para a obra; as modernização e alguns trechos adaptados fizeram o filme perder o conteúdo do livro, parecendo mais um filmezinho qualquer, como há tantos por aí. A seu favor, há a trilha sonora e atores com rostos bonitos. Se não o compararmos ao livro que o originou, certamente é um filme regular (ainda que a atriz principal tenha síndrome de Jennifer Lopez e não consiga se expressar conforme pede a cena). No entanto, ao compará-lo à obra original, é absurdamente decepcionante. Minhas sugestões quanto a esse filme são essas: 1) se nunca leu o livro e quer lê-lo, opte primeiro pela leitura e depois de ver a 4ª adaptação, veja essa; 2) se nunca leu o livro e não quer lê-lo, assista a esse filme; 3) se já leu o livro e espera uma obra com conteúdo, veja a 4ª adaptação, com Ralph Finnes e Juliete Binoche; 4) se já leu o livro e, assim como eu, não se exigir muito do filme, ainda sabendo que poderia ser muito melhor, então o assista. Fica a dica!

Luís

criado por Luís/Renan    13:32 — Arquivado em: Filmes

4 de junho de 2009

O ELEVADOR DA MORTE

Down, 2001, 107 minutos. Terror.

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É curioso como as pessoas gostam de se envolver em projetos que narram a vida de objetos inanimados.  Gostam de transformar brinquedos em assassinos, mostram geladeiras diabólicas, carros com personalidade humanas; não tardaria para que um elevador também fosse alvo da criatividade em exagero (e quase sempre mal direcionada) dos produtores que querem lançar um filme escroto a cada ano. Ao ver a biografia de Naomi Watts, me deparei com esse filme e busquei críticas a respeito: encontrei uma, que dizia que se tratar de uma obra interessante. Conferi.

Mal sei definir do que se trata O Elevador da Morte. Pelo que se deduz, obviamente fala sobre um elevador que mata; mas isso fica tão perdido durante o filme que para mim não há um assunto principal. Logo no começo, somos apresentados ao Edifício Millenium, no qual estão os Elevadores Expressos; pouco depois, percebemos que há algo estranho, já que os equipamentos parecem ter vontade própria. Uma série de acontecimentos estranhos leva uma jornalista de matérias fúteis a investigar os eventos, unindo-se a um mecânico responsável pela manutenção dos expressos. Pronto, acabou aí qualquer sinopse. Queria deixar bem claro que se o filme todo fosse estruturada conforme a minha descrição, talvez tivesse funcionado. Mas, como disse anteriormente, tudo é tão perdido que não se sabe a finalidade de cada coisa.

Eu duvido que tenham contratados pessoas de verdade para fazer o roteiro, porque, por mais desorganizada que uma pessoa seja, não conseguiria dispersas tanto a ponto de se esquecer de mostrar a que o filme veio. Os personagens são muitos para uma história que não comporta tanta gente: uns aparecem e morrem, outros tem um momento pseudo-dramático (e morrem), os figurantes que tem fala morrem e os que não tem fala também morrem. Ainda que o resumo dê a entender que a participação da jornalista e do mecânico seja fundamental, os dois passam a aparecer efetivamente a parte do terço final do filme. Quanto ao personagem “elevador”, não conseguimos identificar exatamente o que faz com que ele seja daquele jeito. Nem sequer quando o filme acaba conseguimos compreender, tamanho o absurdo e o descaso com os quais o tema todo é abordado. Por um lado, eu fiquei muito feliz que não tenham ido além e exagerado (ainda mais) na criatividade. A falta de explicação certamente é melhor do que a presença dela. As atuações são absurdamente decepcionantes; jamais poderia imaginar que no mesmo ano Naomi Watts esteve presente no satisfatório O Chamado e que dois anos depois seria indicada ao prêmio da Academia como melhor atriz. Mas não há como culpá-la, pois num filme há entretenimento ainda que os atores sejam inexpressivos; o que falta aqui é mão firme da direção que peca com ângulos, trejeitos, maneirismos, e desse roteiro que tenta contar uma história sem dizer nada.

O mais broxante de um filme de terror é quando não há clima algum de suspense. O Elevador da Morte consegue ser exatamente assim. Diferentemente de outros “seres inanimados que são vivos”, com o Brinquedo Assassino, que se tornou um ícone na década de 90 e que ainda hoje assusta as criancinhas, esta obra não consegue te fazer criar expectativas. Passados 30 minutos, é tão fácil cair no sono… Quando o filme chega ao final, depois de algumas descobertas patéticas quanto ao que pode estar comandando o elevador, chegamos à triste conclusão de que nada de mais inútil e escroto pode acontecer: então, somos apresentados ao coração do elevador. Não falo metaforicamente; quando digo coração, é literalmente. O elevador é uma espécie de “bio-robô”, criação de um sujeito maluco que subitamente é introduzido na história (pressupondo que o espectador já tivesse conhecido dele). A história desanada desde o começo, quando os acontecimentos começam, depois quando os crimes se inciam e posteriormente, quando o roteirista nos leva ao que pode ser uma conclusão, mesmo que não conclua nada.

Não preciso dizer que assistir a esse filme é uma extrema perda de tempo! Não somente as situações propostas são ruins como todo o desenrolar do filme não satisfaz ao menos exigentes dos espectadores. Nem sequer sei como cheguei ao final disso. Talvez tenha sido somente pelo respeito à atriz, que eu considero bastante talentosa e merecedora de prêmios como os da Academia. Certamente, ele integrou o elenco do filme porque estava retribuindo um favor ao diretor ou a quem estúpida que escreveu o roteiro. Caso se deparem com esse filme, afaste-se dele. Caso queira ver Naomi Watts atuando, opte por filmes melhores como 21 Gramas (que certamente é muito bom!) ou King Kong, que é interessante também. 

Luís

criado por Luís/Renan    17:08 — Arquivado em: Filmes

2 de junho de 2009

HARRY POTTER E A ORDEM DA FENIX

Harry Potter and the Order of the Phoenix, 2007, 138 minutos, Aventura

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Último filme da série lançado,e para mim, o melhor. Como tem acontecido na série, novamente muda o diretor. Dessa vez sai Mike Newton e entra David Yates. O diretor fez um ótimo trabalho tanto que foi confirmado para dirigir o sexto e o sétimo filme que tem data de estreia prevista para julho/2009 e 2010/2011 respectivamente. Esse é o maior livro da série, e nele vemos Harry mais rebelde por vários motivos como a entrada da adolescencia pelo qual todos passamos (bem representado em suas crises), além do obvio: Voldemort retonou efetivamente no final do quarto livro.

Considero que os atores principais melhoraram suas atuações, pincipalmente Daniel Radcliffe que conseguiu trazer o minimo de emoção em certas cenas, mas claro que há muito o que melhorar. Gostei muito da melhora do Rony do Cálice de Fogo, que irritava muito com suas caretas, fazendo o personagem parecer um bundão. Quanto a Emma Watson (Hermione) continua bem, e provavelmente salvando o trio.  Nesse filme vemos também o começo de uma participação mais adulta de Gina Weasley (Bonnie Wright) que terá grande importancia para a vida pessoal de Harry na sexta parte da estória e já se vem provando uma atriz mais capaz que Radcliffe, já que conseguimos perceber suas intenções sem que ela tenha que sair esgoelando pela escola, isso em poucas cenas. E por ultimo temos Luna Lovegood (Evanna Lynch), uma atriz nova para a série, que com certeza caiu nas graças dos fãs por sua ótima interpretação (logicamente três vezes melhor que Radcliffe)

Nesse volume o que mais chama a atenção são os efeitos especiais, mais efetivos e mais bem feitos que os outros volumes, como por exemplo a batalha entre Dumbledore e Voldemort, que ficou muito, muito boa, e bem representada pelo fogo e pela água. Também temos cena da Armada de Dumbledore (com os Patronos que ficaram bem legais),um grupo de alunos que tenta aprender magia por conta propria já que  Profº Umbridge (Imelda, que dá um show de atuação) não os ensina.

Pra quem segue a série, vale a pena.

Renan

criado por Luís/Renan    21:07 — Arquivado em: Filmes

31 de maio de 2009

BRINQUEDO ASSASSINO

Child’s Play, 1988, 88 minutos. Terror.

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Não raramente, quando eu ouço comentários a respeito desse filme, vejo as pessoas torcendo o nariz e o reprovando sob a justificativa de que é um filme sem noção, bastante ultrapassado, etc. Obviamente se percebe que quem diz isso são pessoas que nunca assistiram ao filme e que somente tem por base as recentes e ridículas sequências que foram dadas à obra original, de 21 anos atrás.

O filme narra uma perseguição policial que termina com o assassino mortalmente ferido e que, antes de morrer, passa sua alma para o corpo de um boneco qualquer, já que estão dentro de uma loja. Como o Boneco Bonzinho é a sensação do momento, o pequeno Andy Barclay quer um. Por azar, a mãe acaba dando ao menino o boneco que ela comprou mais barato de um camelô e que é justamente aquele em cujo corpo está a alma do serial killer. Após morrer a melhor amiga da mãe de Andy, a polícia, incluindo o policial que matou Charles Lee Ray, o Chucky, começa uma investigação e Andy diz que Chucky não é somente um boneco, mas ninguém acredita nele até que mais mortes misteriosas acontecem.

Precisamos considerar diversos aspectos e também situar o filme na época à qual pertence para dizermos se é bom ou não, e não somente ir julgando por causa das atitudes extravagantes de produtores que querem a qualquer preço uma continuação, mesmo que esta não apresente qualidade. Quanto ao roteiro do filme, é realmente bom, já que a história é conduzida de maneira satisfatória, sem deixar pontas soltas nem exagerar em informações, que às vezes não são necessárias, nem deixar de mostrá-las. O espectador, como aconteceu comigo, pode se perder um pouco na linha cronológica e acreditar o tempo passado desde a criança ter ganhado o brinquedo até o final do filme é muito tempo, mas na verdade o tempo passado fica bastante claro pelas falas dos personagens. Os atores são bons também e há cenas bem interessantes, ainda que algumas sejam bem estranhas. Em relação às legais, há a cena em que a mãe, demonstrando desconfiança, se senta diante do brinquedo e tenta conversar com ele, logo chegando a conclusão de que havia um tom cômico naquilo, e quase crê que o filho estivesse mesmo fora de si; pouco depois, descobre que o boneco tem funcionado sem pilhas; é irreprensível a cena, com o tom de pavor no rosto da atriz e o ambiente enclausurado no qual ela se encontra. O constraste entre o primeiro momento, aquele em que ela pensa que tudo é loucura, e o segundo, em que a loucura parece estar ainda mais acentuada, é fantástico. Se no primeiro ela riu, no segundo seus olhos quase gritam de pavor. Para completar a cena, ela segura o boneco e confirma a ausência de pilhas ao mesmo tempo em que a cabeça do boneco gira 180° e ele diz uma das frases programadas (“Oi, eu sou o Chucky. Quer brincar?”). Como se a cena já não estivesse suficientemente boa, a mulher acende a laleira e ameaça jogar o boneco no fogo se ele não falar com ela: então, temos a primeira amostra do quão vivo o brinquedo está!

Se considerarmos o ano em que foi produzido, 1988, o resultado certamente é bom, pois há muitos filmes atuais que utilizam efeitos bastante ruins e nem chegam à metade do que Brinquedo Assassino é. Como curiosidade, é realmente um boneco utilizado em cena, sendo que fios o seguram e o locomovem, como uma marionete. Somente num cena um anão interpretou o boneco, pois não havia como filmar se fosse de outra maneira. Quantos aos aspectos técnicos, não há como reprender os criadores, pois o tempo todo cremos que é mesmo um boneco o causador de todas as mortes; as expressões no rosto do boneco são absurdamente realistas, muito bem trabalhadas. O único problema quanto a caracterização do boneco se encontra no fato de a boca não se mexer conforme a voz em muitas vez, o que causa um efeito estranho. Devemos também ressaltar que há um homem preso ao corpo de um boneco, portanto, a força do brinquedo corresponde a de um homem adulto, o que permite ao boneco lutar com as suas vítimas e apresentar força semelhante a delas. Então, podemos compreender o porquê da dificuldade dos personagens de lutar contra Chucky. Há, no entanto, um pequeno defeito nas filmagens: percebe-se claramente que os atores estão fingindo receber a força do boneco, pois são bastante falsas as lutas em alguns momentos, mas não é nada que interfere drasticamente no resultado final.

Outra curiosidade a respeito do filme é a composição do nome do serial killer: Charles Lee Ray. O primeiro, Charles Manson, o segundo Lee Harvey Oswald e o terceiro James Earl Ray; os três são famosos assassinos da história americana. Existem algumas falhas no filme, mas está muito longe de ser o que A Noiva e O Filho de Chucky se tornaram; aqui não há humor negro nem tons cômicos durante toda a projeção. O filme segue uma linha séria do princípio ao fim, sem se perder em divagações e coisas que acrescentam estética à quase hora e meia de duração. No final, ficam algumas perguntinhas na cabeça, como “haverá continuação?” e “que porra de escola é essa da qual a criança simplesmente sai sem que ninguém veja?” (em relação a uma cena em que Andy sai “escondido” com o seu boneco). Não creio que a tradução do filme seja adequada, é tão óbvia que estraga parte da graça. O título original nos revela um “brinquedo de criança”; o título também não é bom o suficiente, mas pelo menos nçao tem um subtítulo explicativo. Se ouvirem alguém falando mal do filme e se sentirem tentados a não assiti-lo por causa disso, ignorem a sensação e confiram, porque o filme, ainda que não seja nenhuma obra-prima, também não é indigno de ser visto, como a 4ª continuação é! Pois bem… assistam-no, pela menos uma vez. E quanto à pergunta “haverá continuação?”: sim, infelizmente houve.

Luís

criado por Luís/Renan    14:35 — Arquivado em: Filmes

29 de maio de 2009

O MORRO DOS VENTOS UIVANTES

Wuthering Hieghts, 1847, 390 páginas. Drama.

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O primeiro que quero dizer, antes de começar a falar sobre a obra é: não se detenham a ler o livro somente por causa da data em que foi publicado. Emily Brönte criou não somente uma obra que representa fielmente características humanas que devem existir desde que Adão e Eva foram expulsos do paraíso, mas foi além, limitando qualquer outra obra romântica escrita depois dessa a simplesmente copiar a grandeza de sentimentos que ela, a autora, foi capaz de descrever em seus personagens. Ler esse livro não é como ler um dos romances que somos obrigados a ler quando estamos no colégio, como Senhora, Iracema, Amor de Perdição…

Se pudesse classificar com poucas palavras esse livro, eu diria que é “uma história de amor excepcionalmente cruel”. A história fala sobre a entrada do órfão Heathcliff na vida dos Earnshaw, o que causou alegria à pequena Catherine e incômodo no irmão dela, Hindley. Cada vez mais próximos, Heathcliff e Catherine descobriram-se apaixonados um pelo outro. Ela, no entanto, começou a passar mais tempo com Edgar Linton e sua irmã, Isabel Linton. Entre indas e vindas e também grandes mudanças comportamentais, Catherine acabou casando-se com Edgar, provocando a ira de Heathcliff, que fugiu disposto a voltar para fazê-los se arrepender. Anos depois, com imensa fortuna, retorna à Tempetuosa, casa em habitava junto com Catherine, que agora mora na Granja da Cruz dos Tordos.O irmão de Catherine, Hindley, tornou-se proprietário da casa depois da morte de seu pai e tão logo que sua esposa morreu, caiu no vício do jogo e dedicou-se a bebida, deixando à deriva a criança de seu filho Hareton e tornando a vida de todos que residiam na casa um inferno. Com a volta de Heathcliff, as coisas pioram, já que este “devolve” todas as más gentilezas que Hindley lhe dispusera durante a infância, chegando inclusive a transformar o pobre Hareton Earnshaw num criado. A partir daí, dedica sua vingança a quem realmente quer atingir: Catherine e Edgar Linton.

Não encontro palavras para definir com excelência o que esse livro singifica. Incrível, porém, é pensar que esta é a única obra da inglesa Emily Brönte; escreveu um único livro, que hoje é considerado um clássico da literatura, junto com os livros de Shakespeare! Os seus personagens todos são bem delineados, possuem formas quase humanas, que muitas vezes durante a leitura quase chegam a transpôr às páginas. A caracterização do amor que sentem um personagem pelo outro também é muito boa, ainda que o resultado desse amo não seja bom. Tudo que fazem os personagens, fazem por amor, mas isso chega a ser quase destrutível. Tanto Catherine provoca a dor em Hathcliff como a recíproca também é verdadeira; amam-se mas não se permitem estar juntos: ela por respeito a condição que escolheu (de esposa de outro) e ele por obstinação em vingar-se dos dois que supõe tê-lo traído. Ainda que a ame, não lhe poupa o mal capaz de causar; quanto a Edgar Linton, sua vingança é mais cruel e prologada. A autora não limita sua história a três personagens e isso faz com que leiamos quase um épico: vemos o passar das gerações, vemos os que vieram depois de Heathcliff e Catherine, e ainda acompanhamos a vingança desesperada daquele que foi traído. A passagem do tempo está diretamente associada à perversidade do personagem principal, que num determinado momento já busca destruir a vida de Edgar Linton, Catherine, Hindley, Hareton e Isabel; não obstante, também destrói a vida Linton, seu filho, e Cathy, filha de Catherine.

A história toda é narrada para o Sr. Lockwood pela sra. Ellen Dean, que foi governanta da Tempestuosa quando todos eram crianças e mudou-se com Catherine quando esta se casou para Granja da Cruz dos Tordos. Outro ponto é que a história toda é mostrada pela narrativa de outra personagem que, embora parece dizer somente a verdade, pode aumentar ou diminuir bastante enquanto relata os acontecimentos. Quando o livro começa, é bastante difícil compreender quem é quem com a descrição feita pela autora, mas aos poucos cada personagem ocupa seu lugar no espaço e tempo, permitindo que o leitor não fique perdido ao ler o romance. A edição do que livro que peguei era bastante antiga, provavelmente anterior à decada de 60 e isso fez com que inicialmente eu me espantasse com algumas palavras escrita conforme a grafia regente na época; há no livro, protanto, bastante mesóclises e também há muitas combinações de pronome. Em vez de complicar, eu achei, no entanto, que realçou as característica do livro, que se passa no final do século XVIII. A noção de tempo na história, às vezes, fica meio perdida, já que ao leitor complica tentar colocar os acontecimentos numa linha cronológica, mas, depois, por meio de algumas frases e comentários de Ellen Dean, podemos situar o acontecimento a um determinado ano ou, pelo menos, saber quanto tempo se passou desde que outro evento aconteceteu.

Se puderem ler esse livro, eu realmente recomendo que leiam-no. Não retrata bem somente a sociedade da época, mas limita o espaço geográfico no qual acontecem os eventos, forçando o leitor a estar quase lado a lado com toda a fúria de Heahtcliff, a melancolia de Catherine, o horror de Edgar Linton, as ilusões de Isabel; a proximidade que a autora conseguiu criar é imensa e considerar seu livro como uma obra-prima não é exagero. Acredito que o livro engloba tanto em tão poucas páginas, são tantos sentimentos, tantos acontecimentos, que até me sinto meio vazio depois de lê-lo. Não é à toa que Isabella Swan, da série Crepúsculo, lê tanto esse livro. Não há como negar o quão bom esse livro é nem como parar de lê-lo. E a obra é tão boa que já recebeu quatro adaptações para as telas de cinema entre os anos de 1939 e 1992.

Luís

criado por Luís/Renan    10:50 — Arquivado em: Livros
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