Literatura e Cinema

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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

DESPEDIDA

[música de fundo: Don't Cry for Me, Argentina; versão instrumental]

- Em fevereiro de 2008, surgiu a idéia de criarmos um blog que falasse especificamente sobre livros e filmes, pois ler e ir ao cinema - conferir a sétima arte, de um modo geral, são os nossos maiores hobbies. Começamos com poucas expectitativas, nos divertindo com o que fazíamos. Recentemente - ainda que o Literatura e Cinema estivesse há muito tempo no ar -, nós realmente começamos a inteagir com a blogosfera e acabamos conhecendo alguns outros autores do blogs muito competentes na arte de escrever sobre filmes e entreter quem lê seus posts. Gostaria de dizer seus nomes um a um a fim de agradecê-los, mas assim, entre lágrimas, sei que não vou conseguir; então, eu os agradeço todos. Quero que saibam que apreciamos muito estarmos aqui junto com vocês, caros companheiros. Por um ano e oito meses, nós ficamos nos esforçando para trazer resenhas sobre filmes e livros, para que fôssemos lidos e que pudéssemos ajudar aqueles que procuram por opiniões sobre obras antes de conferi-las; agora, no entanto, já não podemos mais continuar. Os diversos problemas com o servidou não têm nos incentivado - apesar de sabermos que estar aqui é prazeroso, não podemos mais continuar a lutar contra um sistema que desrespeita não somente os admintradores do blog (limites de imagens e poucos recursos) como também ofende aos nossos queridos leitores, que constantemente têm problemas ao comentar! Não quero me prolongar, apenas quero me despedir, em meu nome e no nome do Renan. Quero, por fim, dizer que estamos realmente gratos.
[choro descontrolado]

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Galera, aqui vai a explicação de verdade. Um pouco do que eu disse acima está correto: estamos realmente nos despedindo porque já não aguentamos mais os problemas que temos tido. Meu surto dramático serviu só pra dar um clima tenso de desconsolo, porque realmente gostávamos daqui. Mas agora nossas expectativas são maiores, então, incentivados por alguns blogueiros (especialmente o Cristiano, do Apimentário), nós resolvemos mudar para o blogger, onde encontramos melhores recursos e onde estruturaremos o Literatura e Cinema a partir de agora. Pedimos aos nossos favoritos que adicionem o novo endereço, que eu disponibilizarei nessa página e que eu também mandarei por e-mail mais tarde.

O fato é que estamos recomeçando numa outra página e esperamos que desta vez não tenhamos mais problemas. Abaixo, segue o link do novo LeC. Aproveito para pedir que, aqueles que nos têm adicionados aos favoritos, substituam o link velho (desse blog) pelo link do novo. Obrigado, pessoal.

Link para o NOVO LITERATURA E CINEMA.

:D

criado por Luís/Renan    09:23:13 — Arquivado em: Outros

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

AVALIAÇÃO DE FILMES (SETEMBRO)

Logo ao começar esse post, preciso dar duas explicações. Quando o Renan iniciou outubro apresentando os temas que debateríamos ao longo do mês, nós dividimos os filmes em dois grupos: os filmes que originaram franquias, comentados entre o dia 2 e o dia 14; os filmes clássicos, exibidos nas duas semanas seguintes. Totalizariam 14 filmes comentados, segundo este post. Nós, no entanto, não contávamos com o imprevisto de que não encontraríamos um dos filmes - infelizmente, um que desejávamos muito conferir. Isso fez com que a data de hoje, reservada especificamente a Aconteceu Naquela Noite, ficasse vazia. No final do mês anterior, nós fizemos um pequeno ranking de alguns filmes que haviam sido conferidos até aquela data; hoje nós decidimos disponibilizar a avaliação completa de todos os filmes vistos durante o mês de setembro.

Segue abaixo o quadro que contém o filme analisado e as notas específicas - minha e do Renan.

Se concodarem com nossas notas ou discordarem delas, comentem para que saibamos!

:D

criado por Luís/Renan    00:00:49 — Arquivado em: Outros

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

DOUTOR JIVAGO

Ganhador de 5 Academy Award’s sendo eles: Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção de Arte - A Cores, Melhor Fotografia - A Cores, Melhor Figurino - A Cores e Melhor Trilha Sonora.

Dr. Zhivago, 1965, 201 minutos, Épico

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Ouvi sobre esse filme diversas vezes em aulas do ensino médio e nunca tive muita vontade de assisti-lo (mais pelo professor que dava a aula do que por outra coisa), e quando decidimos coloca-lo na nossa lista, confesso que achei que não iria  gostar do filme, mas seria uma chance de enfim conferi-lo. Depois de suas 3h 21min percebi que por muito tempo me privei de assistir uma obra prima.

A Revolução Russa é pano de fundo para a história de amor entre Yuri e Lara que durante essa época se encontram e desencontram. Esse é um resumo bem básico mesmo, e quem conferi-lo terá chances de ver um filme que encanta. O longa se desenvolve devagar no começo, mas depois de um tempo engata e quem assiste não se cansa nem um pouco. Talvez o melhor do filme seja a atuação de Omar Sharif como Yuri, e depois de terminar de assistir o filme ainda estou com dúvida se prefiro ele ou Humphrey Bogart de Casablanca. Sua atuação é impecável, sua cenas são densas, romanticas e seus olhos expressivos o ajudam ainda mais. Julie Christie também não fica muito atrás e prende a atenção do telespectador com sua beleza e com seus belos olhos azuis e seus cabelos loiros. Lara, sua personagem, passa a idéia de uma mulher forte e que luta contra todos os empecilhos do período de guerra para viver seu amor e é dela uma das melhores cenas do filme é a que Lara atira em Victor Komarovsky no meio de um salão lotado na noite do natal. Completam o núcleo principal Rod Steiger como Komarovsky, personagem que nutrimos uma grande antipatia e Geraldine Chaplin como Tonya que me suprendeu por sua atuação também.

Durante a exibição, temos cenários maravilhosos, uma fotografia clara belíssima e uma trilha sonora , além de conhecida, bem bonita e um final de prender a respiração. O filme traz também um método de filmagem que não vi em nenhum dos outros clássicos. Uma filmagem subjetiva como as flores murchando aos poucos, ou a filmagem  atrás da janela congelada, mas que tem uma vela por trás, e o calor da vela vai derretendo o gelo e transformando a imagem nítida aos poucos que aliada ao resto do conjunto torna Doutor Jivago um filme tão bom e tão recomendável.

Renan

criado por Luís/Renan    00:10:33 — Arquivado em: Filmes

sábado, 24 de outubro de 2009

CLEÓPATRA

Cleopatra. EUA, 1963, 248 minutos. Épico.

Indicado a 9 Academy Awards. Ganhou pelas categorias Melhor Figurino, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte.

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Curioso como certas características precedem alguns filmes: antes mesmo de conhecer a qualidade de uma obra, as pessoas já se assustam pela dureção dela. Uma produção tão longa como essa jamais é exibida nos cinemas e, nas locadoras, fica esquecida numa prateleira no canto. Considerando que é um dos filmes mais caros da história e que foi ele quem primeiro concedeu o gigantesco - para a época - cachê de 1 milhão de dólares a uma atriz, eu e o Renan decidimos incuí-lo em nossa lista de clássicos.

Não acredito que eu deva escrever uma sinopse, pois, como o próprio título diz, a história narrada é a da famosa rainha do Egito, Cleópatra. A minha primeira afirmação a respeito dessa obra é: tratá-lo com indiferença por ser “muito longo” é uma atitude extremamente desrespeitosa! Embora as quatro horas e oito minutos de filme possa parecer um problema, há outros quesitos que tornam o filme completamente assistível e, salvo alguns pequenos defeitos no roteiro, muito bom. Já que comecei a falar sobre o roteiro… Interessante como, embora dê título ao filme, a personagem Cleópatra é praticamente coadjuvante. O enfoque é voltado para os homens, tanto na primeira quanto na segunda parte do filme, repectivamente Júlio César e Marco Antônio. Devido à longa duração, o filme vem dividido em dois DVDs; propositalmente ou não, cada um deles determina um ato: primeiro a ascensão e o relacionamento com Júlio César, o que promove a aliança entre Egito e Roma e depois, na parte 2, o envolvimento com Marco Antônio e os vários conflitos que culminaram na queda da rainha. Não sei o quão verídica essa história é, mas gostei muito da maneira como abordaram o enredo, pois, mesmo que seja irreal, fizeram-no parecer plenamente histórico. Se optassem por mostrar pela perspectiva de Cleópatra, talvez se tornasse uma obra menos fatídica e mais impressionável, como é Maria Antonieta. A imparcialidade com sobre a qual embasaram Cleópatra é fundamental para que não passemos o filme a julgar os personagens, conferindo-lhes títulos de bons ou maus.

Se a narrativa é bem construída, há um problema no roteiro que impede que gostemos totalmente do filme. O primeiro ato é realmente bonito e encantador, com agilidade no desenrolar, nos mostrando de maneira eficiente como Cleópatra soube crescer dentro de uma prisão que lhe é conferida no começo. As duas horas passam rapidamente e nós sentimos que, se o filme parasse ali, estaríamos completamente satisfeitos, porque a idéia de começo, meio e fim fica extremamente perceptível. Com o início do segundo ato, percebemos que o que vimos irá se repetir - a repetição, no entanto, não é o problema. Nesse segundo momento, a agilidade se perdeu em parte e o espectador começa a se cansar em alguns momentos, já que temos a impressão de  o objetivo de nos contar a vida da rainha se tornou em apresentações de alguns monólogos bem cansativos além de incursões sobre guerras. Foi nesse segundo momento que me senti tentado a adiantar algumas partes que julguei sem importância.

Elizabeth Taylor está realmente muito bem. Em nenhum momento duvidei de sua interpretação, que achei realmente densa. Um quê de exagero em apenas duas cenas - quando se releva pela primeira vez, rolando sem parar pelo chão, e quando leva um tapa de Marco Antônio. Fora esses dois momentos, está realmente irrepreensível. Rex Harrison, como Júlio César, se destaca bem mais do que Richard Burton, Marco Antônio. Talvez não tenha gostado tanto do segundo pelo momento em que ele aparece: muito repetitivo em suas ações e por vezes incoerente, não consegui simpatizar com o personagem. A fotografia e a direção são realmente impressionantes; a primeira, sobretudo. O filme realmente fez jus ao quanto custou, afinal, em todas as cenas somos presenteados como ótimos elementos que compõem o cenário, muito brilho, muita cor, muito dourado.

Particularmente, acho esse filme totalmente recomendável. Se há pequenos defeitos, estes não estragam muito dessa produção, que é extremamente válida e merece ser conferida, pelo menos para que os espectadores conheçam um pouco da beleza daquela época - e também da beleza de Liz Taylor, belíssima!

Luís

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Talvez o que mais chame a atenção em Cleópatra é o tamanho do filme com suas 4 horas de duração. Digo isso, pois diferente dos outros clássicos que eu e o Luís escolhemos para comentar Cleópatra é o menos cercado de admiração. Não posso dizer que odiei o filme, ao contrário, em algumas partes o longa se torna interessante, e por isso não posso deixar de recomendá-lo, mas como entretenimento, o filme deixa um pouco a desejar.

Tenho que começar a minha análise citando o cenário do filme. Em nenhum dos outros filmes há tamanha perfeição e realismo nas locações em que Cleópatra foi rodado. Não sei muito sobre como o filme foi produzido e etc., mas me recuso a acreditar que eles usaram algum tipo de efeito. No decorrer do filme, vemos com precisão e detalhes Egito e Roma de (segundo pesquisas próprias) mais ou menos 50 a.C. Como disse, os dois principais cenários (Roma e Egito) são muito reais com estátuas enormes, com barcos gigantescos, com uma batalha entre os dois países e assim por diante e pessoalmente, dei atenção especial aos belíssimos palácios egípcios. Outro fator que chama a atenção é o figurino, muito, mas muito bonito com roupas clássicas que podem ser vistas (em menor qualidade) em bailes a fantasia e outras bem exageradas, mas que combinam com o momento, como a roupa dourada que Cleópatra veste. Há também a iluminação e a fotografia que aliadas ao figurino já citado passam a idéia de quente (no caso do Egito), com cores vivas, como o laranja.

Quanto as atuações tenho que dizer que gostei delas também. Claro que em Elizabeth Taylor falta o glamour de Bette Davis ou Audrey Hapburn, mas ela passa bem o lado sentimental de sua personagem, principalmente, pelo modo de olhar (que é ajudado pela maquiagem), passa também um gênio forte, mas ao mesmo tempo romântico. As melhores cenas que notei ficam por conta dela. A primeira é quando a empregada se desculpa pela bebida.
“-Me perdoe” - Diz a empregada
“-Eu perdôo, agora beba” - responde Cleópatra.
A outra cena é quando Cleópatra é avisada do casamento de estado entre a irmã de César e Antonio. Quanto ao lado masculino, não gostei nada de Rex Harrison (César). Achei o personagem bem sem graça para falar a verdade, o que não ocorreu com Richard Burton (Antonio). Particularmente, preferi bem mais a segunda parte da história que fica por conta de Cleópatra e Antonio. Os dois atores tem química e combinam muito mais que o outro casal: Cleópatra e César.

Como disse acima, o maior problema do filme é o entretenimento que fica perdido durante a exibição. Em pouco tempo me senti cansado. Comecei a mudar de posição, mas nada. Acho que se a história fosse mais compacta, tudo ficaria melhor, já que Cleópatra tem bons ingredientes, mas parecem ser mal misturados.

Renan

criado por Luís/Renan    01:15:23 — Arquivado em: Filmes

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O PECADO MORA AO LADO

The Seven Year Itch. EUA, 1955, 103 minutos. Comédia.

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O cinema é marcado por imagens e cenas icônicas: às vezes, uma simples cena - que inclui uma bela imagem, um diálogo marcante - se torna lembrada por vários anos. Algumas vezes, chega a alcançar a categoria inesquecível. Eu realmente não podia deixar de começar a minha resenha sem escrever isso, afinal é neste filme em que está a famosa cena na qual o vestido de Marilyn Monroe levanta. Alguns filmes, embora sejam bastante velhos - com A Malvada, o qual já comentamos aqui - são atemporais; eu acredito não ser possível dizer o mesmo sobre O Pecado Mora ao Lado, uma vez que vemos demonstrações claras dos 54 anos que o filme tem.

Richard Sherman ficará em casa sozinho durante o verão, já que a esposa e o filho estarão fora. Há sete anos casado, Richard começa a se interessar pela vizinha do andar de cima, que ocupará a casa dos seus vizinhos enquanto eles estiverem fora. Enquanto emplaca um jogo de sedução com a vizinha, Richard se culpa pela potencial traição à esposa.

O filme é bastante simples: todos os acontecimentos estão praticamente descritos na sinopse acima. Todo o desenrolar da história se dá basicamente num único cenário, com exceção de dois ou três momentos quando os personagens estão fora de casa e durante as divagações de Richard, que começa a imaginar coisas. O Pecado Mora ao Lado dedica grande atenção a Richard, que conversa consigo mesmo em grande parte da película; tal como se estivesse um outro personagem em cena, há várias falas ressaltando a preocupação que o personagem tem com o respeito à sua esposa. Acredito que esse recurso tenha sido usado um pouco demais, o que deixa o filme com um tom repetitivo e um pouco superficial. As dispersões de Richard são bastantes e a reação do personagem a elas apenas traz maior sensação de inverossimilhança. Logo nos primeiros vinte minutos, somos apresentados à personagem de Marilyn Monroe, cujo nomes desconhecemos e, por causa disso, vou chamá-la de “a garota do andar de cima”. A relação que surge entre ela e Richard é muito instantânea, deveras incomum e os dois nunca estão em perfeita sintonia: ela é muito ingênua e age o tempo todo com inocência; ele, por sua vez, é bastante direto. O que ele fala em tom de sedução, ela entende como brincadeira e mesmo quando entende que não é uma brincadeira, age como tal.

Quando disse que o filme demonstra sinais de sua idade, me referia mais especificamente à atuação de Marilyn Monroe e à posição em que o roteiro a coloca: a garota do andar de cima é extremamente boba e seus trejeitos infantis - como aquela voz! - obrigam a atriz a se limitar. A maneira como o relacionamento foi abordado fez com que fosse delimitado pelo tempo. Se assistirmos a esse filme hoje, teremos certeza de que foi concebido há muitos anos, principalmente por sabermos que o humor está inserido em monólogos e a pose que pin-up que Marilyn tem ao longo do filme é característico da época. Tom Ewell não tem grande destaque na história, assim como não o tem Marilyn Monroe. Ambos estão apenas dentro de seus personagens, sem diminuí-los nem engrandecê-los e, portanto, atuação não é um fator ao qual não dei grande importância. Retomando aquilo que disse no primeiro parágrafo, eu realmente não acho que a cena presente no filme justifique tamanho alvoroço: bastante curta, nem sequer mostra Marilyn por completo, diferentemente das várias imagens que encontramos se usarmos algum site de busca.

Embora para a época tenha sido realmente engraçado, eu não consegui achar nada tão humorístico assim. Esbocei um ou outro sorriso, mas não cheguei a rir. O único motivo pelo qual eu realmente indicaria o filme é para conhecer um pouco o trabalho de Monroe, porque a obra deixa a desejar em vários aspectos. Você não sofrerá para assistir, mas duvido que veja nesse filme uma grande obra, digna de estar presente num top 10. O título nacional escolhido é realmente idiota: pecado faz alusão à tentação que o personagem Richard sente pela vizinha; ao lado tenta dar idéia de proximidade, mas essa ideia se torna estúpida quando pensamos que a vizinha mora acima e não literalmente ao lado do apartamento dele. Não vou me prolongar mais, acredito que o que escrevi resuma bem o que achei do filme.

Luís

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Rick dizendo: “Nós sempre teremos Paris”. Don cantando “Singin`in the rain” agarrado em um poste. E (porque não ?) Rose dizendo: “Eu estou voando Jack”. São cenas como essas que ficam marcadas na mente de pessoas que as vezes nunca assistiram os filmes citados (Casablanca, Cantando na Chuva e Titanic). O Pecado Mora ao Lado também também possui uma cena dessa. Quem nunca viu a cena em que o clássico vestido branco de Marilyn Monroe se levanta? Pois é…mesmo me sentido meio ludibriado porque eu não vi a cena que esperava (eu pensei que a veria de corpo inteiro como nas fotos, mas isso não acontece), quando vi a cena percebi a beleza dela e a razão para ser uma cena clássica.

Em comparação com os outros filmes postados aqui, acho que esse foi o mais fraco. Talvez o que levante mesmo o filme seja a atuação de Marilyn Monroe ( mesmo sendo mediana perto de outras atrizes como Ingrid Bergman, Audrey Hapburn e Bette Davis) alavanca o filme com uma beleza e luxo indiscutiveis. Sua personagem é interessante, pois ao mesmo tempo que emana sensualidade com suas roupas chiques e seu cabelo loiro-quase-branco  ela também passa uma inocência incrível. E a melhor cena do filme também fica por conta (quase exclusivamente) dela, que é na qual ela diz que faz uma propaganda de creme dental e diz ficar 14 segundo naquela posição com a boca aberta. Do outro lado há o ator principal Tom Ewell que interpreta Richard. O problema é que se vista hoje, sua atuação é meio forçada. Imagino que para a época, seus delírios paranóicos deveriam ser bem engraçados mas os olhos como vemos esses delírios mudaram bastante. Dentre esses, tenho que citar um que achei bem engraçado que é quando (supostamente) Richar e a melhor amiga de Helen se beijam na praia. O modo como ele sai correndo é extremamente tosco, causando o riso em quem assiste.
Tirando os dois principais, não restam muitos coadjuvantes. Temos Evelyn Keyes como Helen a mulher de Richar que vai viajar deixando seu marido sozinho em casa, mas ela aparece tão pouco que nem temos tempo de simpatizar com ela. A única cena que ela aparece efetivamente é nos delírios de Richar nos quais, enquanto ele os conta, ela fica rindo (uma risada engraçada diga-se de passagem) da imaginação do marido.


De tudo isso, atualmente sobrou de O Pecado Mora ao Lado, um roteiro meio ultrapassado, uma atuação meia boca de Tom Ewell e uma Marylin Monroe linda que levanta praticamente sozinha o filme. Considero esse filme recomendável pois com certeza ele foi muito importante para sua época, além de contem uma atuação muito boa de Marylin.

Renan

criado por Luís/Renan    00:30:02 — Arquivado em: Filmes

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A MALVADA

All About Eve. EUA, 1950, 138 minutos. Drama.

Indicado a 14 Academy Awards, venceu por Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro, Melhor Ator Coadjuvante (George Sanders), Melhor Som e Melhor Figurino.

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Permitam-me começar essa resenha com a seguinte frase: A Malvada é um dos melhores filmes lançados no século passado! Demorei bastante para vê-lo e quando fui assistir, esperava um filme bom, que me entretivesse e do qual eu gostaria. No final, concluí que o filme é ótimo e que poucas vezes achei uma obra tão boa. Lançado há 59 anos, o filme é brilhantemente atemporal, característica sobre a qual comentarei mais adiante.

Margo Channing é uma famosa e importante atriz do teatro que descobre em Eve Harrington uma grande fã. Conheceu-a bastante humilde e desprotegida, o que fez com que decidisse abrigar Eve em sua casa. Rapidamente, a jovem garota tornou-se não somente uma boa amiga, mas também uma assistente eficiente e fiel. Usando Margo como estratégia para chegar ao estrelato, Eve interpõe-se entre seu ídolo e todos que a cercam, criando uma acirrada disputa pessoal.

Antes de dar continuidade ao que vou escrever sobre o filme, gostaria de perguntar se a sinopse que fiz acima fez com que vocês se lembrassem de alguma novela. Para aqueles que se lembram bem, o mesmo que escrevi acima poderia ser usado para resumir a novela Celebridade, cuja história se baseou claramente no roteiro de A Malvada. Laura Prudente da Costa foi uma versão menos escrupulosa de Eve Harrington e Maria Clara Diniz é um vinte avos do que Margo Channing foi. De qualquer maneira, a intertextualidade apresentada foi bem válida e eu gostei do resultado desse roteiro na dramaturgia. Retomando a resenha, disse que o filme era atemporal e de fato é: se não fosse pelo tom em preto e branco - que dificilmente é usado nos dias de hoje -, pensaríamos tratar-se de um filme bem recente, pois não há nada nele que indique a idade que tem.

O roteiro nos traz uma história básica, sem grandes enfeites, mas que ganhou proporções divinas nas mãos de Joseph L. Mankiewicz, o diretor - que também é o responsável pelo roteiro. Não é raro vermos situações em que a mesma pessoa que escreve o filme também o dirige, embora a qualidade fique aquém do desejado. Não posso dizer isso sobre a direção de Mankiewicz , que é impecável e nos traz uma obra inesquecível. Acho importante realçar também o quão bela é a fotografia: os enquadramentos são devras bonitos, nos permitindo ver com grandiosidade os pequenos momentos do filme. Aproveitando, gostaria que, quando forem assistir à obra, atentassem para a excelente cena na qual, já bêbada e irritada, Margo Channing sobe as escadas dizendo que vai se deitar, mesmo antes de a festa que está dando acabar. Diante das reações, ela aproveita para lnaçar uma venenosa crítica a Eve. Acredito que esta cena mostra muito bem o cuidado com a fotografia, pois tudo nela funciona bem: Margo está centralizada, no alto da escada - acima de todos -, e Eve, embaixo, a olha com suprema condescendência; a cena se mostra uma clara metáfora ao relacionamento dos personagens, já que é através da aparente fidelidade que Eve deseja chegar ao topo, onde está Margo.

Sinto que entro num território perigoso, pois agora falarei sobre as atuações. Incapaz de adjetivá-las corretamente - de tão grandiosas que são -, tentarei ser o mais fiel possível à minha opinião. Definitivamente, não há ator no filme que esteja aquém de qualquer expectativa, pois todos desenvolvem excelentemente seus personagens. George Sander, ganhador do Oscar pela sua intepretação no filme, Hugh Marlowe e Gary Merril, intérpretes respectivamente de Addison, Lloyd e Bill alicerçam o lado masculino da trama, que, embora tenha importância, está mais à parte, pois o grande destaque são as mulheres. Celeste Holm, no papel de Karen Richards, está muito bem; sua bondade é tamanha que quase acreditamos tratar-se uma personagem inexistente na vida real. Thelma Ritter, intérprete de Birdie, assistente de Margo, também fez bem seu papel, embora apareça bem pouco; acredito que ela seja aquilo de que toda estrela exagerada como Margo precisa, pois é um contraponto do temperamento da patroa.

Chego, por fim, as duas grandes estrelas da obra: Anne Baxter e Bette Davis. Excelentes, absolutas e inquestionáveis, suas interpretações são imensamente ótimas e - ouso dizer - incomparáveis. Anne Baxter soube trazer o misto de dedicação e veneno necessários à sua personagem sem se fazer caricata. De uma maneira brilhante, tememos a sua personagem desde o momento em que percebemos que há muito mais do admiração e que tudo o que ela quer, defnitivamente, é ser Margo Channing. Gostaria de ressaltar uma cena na qual temos o primeiro contato com os sentimentos de Eve: ela se oferece para levar o vestido que seu ídolo usou durante a apresentação para ser lavado; Margo sai à procura de Eve, para dizer que é melhor deixar a camareira fazer isso e se depara com Eve a olhar-se diante do espelho, imitando-a com a roupa sobre a sua, tentando reproduzir o que Margo fez durante a peça. Baxter compõe uma personagem que assusta. Embora deteste comparar personagens únicos, ela, de alguma maneira, é como Hannibal Lecter; apenas uma versão mais sutil e feminina - talvez iminentemente mais perigosa, por causa da máscara de bondade que cobre suas intenções. Bette Davis, extremamente expressiva e muito bonita, está perfeita! Não há que eu possa dizer a respeito de seu trabalho a não ser que está magnífica. Mesmo quieta, seus olhos são absurdamente vibrante e ela nos diz com olhares tudo aquilo de que precisamos saber. Margo Channing é tudo aquilo que muitas mulheres gostariam de ser: cobiçada, poderosa, irredutível - e como se não bastasse há ainda a personalidade forte e marcante, o que é capaz de criar amigos e, principalmente, inimigos, que podem inclusive esconder-se sobre o teto de sua casa. Embora queira escrever muito mais sobre Bette Davis e sua inesquecível Margo, não vejo com continuar sem ser repetitivo.

Curiosamente, devido à fama de intolerante que Bette Davis teve, muitos pensam que ela é “a malvada” a que o título - péssimo, por sinal - se refere. Tudo Sobre Eve, uma tradução literal, faria com que o espectador rapidamente identificasse quem é o personagem central da obra, além, logicamente, de possuir muito mais charme do que “A Malvada”, que, aliás, não é a característica mais marcante de Eve. Se considerarmos que seu único objetivo é alcançar o topo - mesmo que para isso tenha que incomodar algumas pessoas -, diríamos que ela é muito ambiciosa, mas não malvada, como o título nacional sugere que ela seja.

Como disse no primeiro parágrafo, esse é um dos melhores filmes lançados no século passado! É totalmente crível, suas características fortes são extremamente positivas e as negativas, se existem, são minúsculas. Muitos assistem a bons filmes, mas acabam por criticá-los por ser “velhos” - na verdade, consideram-no assim apenas por ser em preto e branco. Às pessoas que não gostam de filmes em P/B, recomendo que não assistam A Malvada, pois, é um filme cuja qualidade tem proporções gigantes e certamente não merece ser criticado pelo simples fato de não gostarem do tom usado. Acredito, no entanto, que esse seja um filme capaz de agradar a todos os espectadores, desde os menos exigentes até os mais exigentes, como eu. O figurino do filme é excelente, o que nos agrada; as interpretações são magistrais, o que é ótimo; o roteiro é eficiente, a direção é impecável, o filme, como um todo, é uma obra-prima!

Luís

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Dentre os clássicos que assisti até agora, em Bonequinha de Luxo a melhor atuação feminina, e Casablanca possui o melhor casal da história. E mesmo com tudo isso, A Malvada foi o filme que eu mais me entretive, pois acho que ele tem o melhor conjunto em termos de melhor enredo, melhores atuações, melhor direção, e etc..

Voltando ao filme, talvez o que mais chame a atenção no longa é a atuação de Bette Davis. O olhar desprezo com aquele olho meio fechado que ela lança a todos na maioria do filme é incrível demonstrando, só pelo olhar, o tamanho da capacidade de sua atuação. Sua personagem (Margo) é a melhor atriz de teatro em sua geração. Nem preciso dizer que ela é extremamente famosa e isso traz a personagem um tom ácido para com os outros, que fica dez vezes melhor com a atuação de Bette. Outra que chama a atenção é Anne Baxter  (Eve) que idolatra Margo acima de tudo, e depois que tem uma chance, torna-se indispensável para a vida desta, já que ela é uma espécie de secretária particular de Margo que organiza toda a vida dela. O problema é que aos poucos Eve vem tomando o lugar dela, até chegar ao ápice de sua carreira, e é nesse momento que o filme começa. Anne Baxter  nos passa uma sensação de inocência e pureza incríveis, fazendo o telespectador sentir, ao mesmo tempo, compaixão pela pobre garota que vai a busca de seu sonho e também receio pelo que uma mulher em busca de seu sonho pode fazer, pois apesar de gostarmos muito de Eve, em nenhum momento Anne  supera a atuação de Bette Davis. Temos também outros nomes famosos no filme como Marylin Monroe que ficaria muito mais conhecida mais tarde em O Pecado Mora ao Lado, entre outras atuações boas como Celeste Holm como Karen, que é uma das ludibriadas pelo encanto de Eve, fazendo-a tramar contra a própria amiga Margo. Há também Addison De Wit que se torna importante no final colocando Eve no seu lugar além descobrimos um personagem tão ambicioso e mau caráter quanto ela. Tenho que citar ainda que o ator que menos convence em seu papel é o que tem um envolvimento com Margo e que mais tarde sofre a tentativa de sedução por parte de Eve, mas acho que isso se deve por ele ficar entre as grandes atrizes do filme, Bette Davis e Anne Baxter, e assim, acaba ficando bem apagado no filme. Espero que entendam que quando adjetivo as atuações, faço em comparação com as melhores do mesmo filme, pois seria idiotice falar desmerecer qualquer ponto de um filme como esse.

Outro ponto que acrescenta no filme é o roteiro muito bem escrito, desenvolvido, além de atual, pois como o Luís disse, a estória é praticamente a mesma da novela global Celebridade. A direção junto com o roteiro torna o filme muito agradável, fazendo quem assiste nem perceber às 2h e 18minutos. Além disso, tudo há o charme do preto e branco que nos remete a uma época de classe e luxo do cinema.

Com tudo isso, não há como não recomendar A Malvada
(mesmo que o título possa parecer um pouco enganador, já que não há maldade, mas sim ambição), pois garanto que quem gosta do cinema clássico se divertirá muito vendo esse filme
.

Renan

criado por Luís/Renan    00:55:47 — Arquivado em: Filmes

domingo, 18 de outubro de 2009

BONEQUINHA DE LUXO

Breakfast at Tiffany’s, 121 minutos, 1961. Drama.

 

Ganhador dos Academy Awards de Melhor Canção  (Moon River) e de de Melhor Trilha Sonora e Indicado a Melhor Atriz  (Audrey Hepburn), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Direção de Arte

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Em Bonequinha de Luxo está uma das melhores atuações femininas que eu já vi. Tudo, mas tudo mesmo, desde o enredo até os outros personagens ficam apagados pela atuação de Audrey Hepburn

Holly é uma acompanhante de homens em troca de dinheiro (não a considero uma prostituta, pois em nenhum momento fica clara a relação sexual) que mora sozinha em seu apartamento tendo como companhia apenas o seu gato.  É aí que chega Paul, um escritor que é sustentado por uma mulher e que logo se apaixona por Holly. Esse seria um resumo bem básico, mas já podemos notar algumas características que os aproximam, como o fato de serem sustentados por parceiros que buscam companhia. No decorrer do filme descobrimos também, que ambos estão meio perdidos na vida sem saber o que querem; a diferença é que, depois que ele descobre a paixão por ela, este desta se aproximar dela, enquanto ela o repele até o último momento.

 

Bonequinha de Luxo não tem o glamour do P/B, mas a classe emana de outras características do filme como o luxo da riqueza propriamente dita mostrada até no título original do filme (Breakfast at Tiffany’s seria algo como “Café da manha na Tiffany’s”) já que Tiffany é uma das lojas de jóias mais conhecidas (e devido a isso uma das mais caras, imagino) do mundo. Holly não faz questão de esconder que gosta da riqueza, mas o mais interessante é que isso não faz dela uma mulher esnobe, pelo contrário, essa característica torna a personagem ainda mais carismática, principalmente depois de descobrirmos que ela tem origem humilde. Outro ponto interessante, e que se torna agradável é o desapego material que ela tem algo estranho se formos pensar em pessoas ricas atualmente. Seu apartamento quase não tem mobília e seus pertences ficam jogados pelo chão. A última característica que gostaria de citar da personagem de Audrey é a inocência que ela parece ter, o que com a sua beleza incomparável, torna a personagem exponencialmente mais interessante.

 

Como disse acima, Audrey Hepburn esconde qualquer atuação quando está em cena, fazendo os olhos do telespectador se voltar exclusivamente para ela. George Peppard faz bem seu papel como o escritor Paul e até nos simpatizamos com ele, mas tenho que reforçar que sua atuação não chega nem aos pés de Audrey. Os outros personagens aparecem tão pouco que nem temos tempo para descobrirmos se gostamos deles ou não. Com tudo isso, Bonequinha de Luxo torna-se, certamente recomendável.

 

Além de tudo isso, podemos ver também uma pequena interação com o Brasil já Holly pretende se casar com o José da Silva Pereira (o mesmo que sai da festa junto com o Paul pela janela, antes que a polícia chegue), um brasileiro rico, e em uma das cenas ela ouve uma gravações com frases em português. Tudo bem que não é nada de útil, mas particularmente gosto de ver o Brasil citado em filmes estrangeiros.

 

Renan

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Lendo a resenha que o Renan fez, concluí que tenho pouco a acrescentar e algumas coisas para discordar. Não vou resumir o filme, porque o Renan já fez isso em seu primeiro parágrafo, sobre o qual discorrerei agora. Eu realmente não entendi o porquê de o Renan não ter entendido que ela é uma prostituta. Acredito que isso fique bastante claro ao longo da obra, e há várias alusões à sua profissão, como as “idas ao toalete por 50 dólares”, os “26 homens com quem jantara no último mês”, etc. A minha opinião é de que ela realmente seja uma prostituta, bastante sofisticada e charmosa.

 

Gostei bastante do roteiro, pois ele consegue envolver o espectador na história de Holly e Paul. A história dos dois é envolvente e o principal acerto é mostrar os personagens sendo bastante inocentes apesar de seus objetivos. É impossível não simpatizar com Holly, porque ela é extremamente simpática, mesmo que pense em dinheiro e aja em função dele o tempo todo. Ambos os personagens são extremamente carismáticos: ela possui uma delicadeza impressionante e ele é muito charmoso. Juntos, exaltam a beleza do quase-romance que vivem. Diferentemente do que o Renan disse, não acho que em cena Audrey Hepburn rouba a atenção. Não questiono sua capacidade como atriz, porque ela é realmente muito boa. O que quero dizer é que tanto Hepburn quanto Peppard estão em sincronia, ambos muito próprios em seus personagens. Embora seja dela a atuação de destaque, ele não fica muito aquém a ponto de “nem chegar aos pés dela”, como disse o Renan.

 

A simplicidade da personagem, que deveria contradizer seu gosto pela riqueza, apenas acrescenta mais simpatia a ela. Paul, também sustentado pela amante - e, portanto, estando na mesma posição que Holly - , a compreende perfeitamente e assim os dois se unem num princípio de amizade e carinho. O relacionamento deles é abordado de maneira inteligente: não vemos um amor tórrido, mas mais companheirismo. Apenas no final nós somos apresentados àquela cena de amor que fecha as comédias românticas. A canção que embala o filme é muito boa e fica ainda melhor na voz de Audrey Hepburn. Uma curiosidade interessante é que a música foi composta especialmente para que ela cantasse e, uma vez que não tinha treinamento como cantora, os tons de voz exigidos tinha que ser razoáveis, nada exagerado. Hepburn - cantando ou atuando - é muito boa.

 

Sou obrigado a recomendar esse filme, pois é um dos melhores a que assisti recentemente. Aqui há uma junção de boa trilha sonora, boas interpretações, bom roteiro e o resultado é um film bastante prazeroso de se assistir. E eu - que implico tanto com os títulos - gosto tanto do original quanto do título nacional; acredito que ambos sirvam perfeitamente para o filme. Não posso terminar sem ressaltar que, mesmo Hepburn estando ótima nesse filme, Bette Davis, em A Malvada, ainda é a minha favorita!

 

Luís

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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

CASABLANCA

Casablanca, 1942, 103 minutos. Drama.

Ganhador de 3 Academy Awards nas categorias Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro.

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“Louis, eu acho que esse é o início de uma bela amizade”. - Rick Blaine.

Esse é um daqueles filmes que tem fazem analisar cada cena com o máximo de atenção possível. Não porque o enredo seja complexo ou porque há tantos elementos em cena que o espectador possa se confundir. O enredo é muito básico e as cenas tem o visual suficientemente necessário para dar o tom certo; toda a nossa atenção se volta para a excelência dos atores em cena, para absorver cada segundo de suas interpretações e para tentar buscar o passado pouco mencionado nas falas de Humphrey Bogart e Ingrid Bergman.

Casablanca - já ouvi pessoas com diversas explicações sobre o título do filme - é uma cidade do Marrocos. Lá, em pleno avanço alemão na Segunda Guerra Mundial, entra o famoso Lazlo, um homem que é perseguido aonde quer que vá pelos alemães. Em Casablanca acontecem transações, falsicações de vistos, transportes de pessoas para fugir do domínio que há de se estabelecer na região. Nesse cenário, encontram-se, ou melhor, reencontram-se duas pessoas: Rick, dono de um bar muito famoso da região, e Ilsa, esposa de Victor Lazlo.

O filme tem um charme que se torna ainda mais acentuado por ser em preto e branco. Fui tomado por um saudosismo - se é que posso chamar assim, já que não sou da época dos filmes em P/B -, que me fez querer que muitos filmes fossem rodados daquela maneira. Como se não bastasse a fotografia, que é muito boa, captando bem os diversos aspectos do cenários, dando os contornos necessários para que nossa imaginação possa ir além do que é mostrado em cena. O roteiro, em parceira com o casal de protagonistas, nos proporciona uma deliciosa viagem. Ainda que não saibamos exatamente qual o passado dos personagens, o elo que os unira de tal maneira, conhecemos os sentimentos que nutrem um pelo outro e sabemos que isso é grande demais para que se permitam machucar um ao outro; porém, contradioriamente, querem estar próximos, fazer-se felizes, de alguma maneira. O acréscimo de um terceiro personagem à trama se tornaria um drama possivelmente excessivo embasado no ciúmes e na destruição do relacionamento entre os personagens. Em Casablanca isso não ocorre: embora haja insegurança a princípio, os personagens são suficientemente inteligentes para conseguir ater-se à posição que ocupam na vida do outro sem grandes desavneças. Certamente existem cenas com conteúdo dramática, mas é um drama de qualidade, sem apelações nem exageros, praticamente ideal - se é que o ideal existe.

Casablanca consegue reunir grandes momentos e muitas frases de efeito, do tipo que são lembradas meses - talvez, anos depois - de ter conferido a obra. As frases, porém, não ficam soltas nem são pronunciadas a fim de soar como uma martelada na cara do espectador; ao contrário, elas são totalmente coerentes à cena e, ainda que marquem definitivamente a memória de quem assiste, elas são pronunciadas sempre suavemente. Pouquíssimas produções conseguem unir tão bem o elenco, o roteiro, a trilha sonora. Hoje em dia, os filmes têm um enfoque muito diferente e a ênfase se dá de outras maneiras, nos obrigando a olhar para todo o cenário. Aqui, olhamos principalmente para os atores, e também acompanhamos os estilos de figurino, os objetos em cena, mas nossos olhos se mantêm na belíssima atuação de Bergman e Bogart. Meu elogio maior se dirige à Bogart, impecável como Rick Blaine, todo cheio de charme, com um tom de indiferença que seduz a quem assiste. Vi pouquíssimas atuações em que o ator consegue encantar mesmo com palavras duras. Aqui gostaria de permitir-me uma comparação: Bogart tem aquilo que Marlon Brando também tem. Ambos são dois atores que conseguem nos fazer ficar aos seus lados, independentemente do que façam seus personagens em cena. Nem acredito que seja o roteiro que proporciona isso. Penso que seja os atores mesmo. Eles, como homens, têm uma imponência incrível, algo que provavelmente se tinha nas décadas anteriores, mas que hoje se tornou sinônimo de braços fortes, corpo lindo, atitude exagerada.

Como disse antes, esse filme reúne o que há de melhor no cinema. A composição de Casablanca é realmente fantástica e, também como disse, nos provoca uma nostalgia duradoura. A beleza - com exceção da cena em que Ingrid Bergman está de perfil - é inquestionável e nos entretemos tanto que quando percebemos, já acabou. O bom cinéfilo não furta de si mesmo a oportunidade de ver esse filme.

Luís

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“- Nós sempre teremos Paris”

 

Todo mundo que gosta pelo menos um pouco de cinema já ouviu essa frase, e é de um dos maiores clássicos do cinema mundial que ela vem: Casablanca. Nessa obra prima temos o desenrolar da estória entre Rick, dono de um bar em Casablanca no Marrocos, cidade alvo das pessoas que querem fugir da Europa por conta da II Guerra Mundial, pois de lá, alguns conseguem seguir até Lisboa e fugir do caos. O problema é quando Ilsa, seu grande amor do passado juntamente com Victor Laszlo, uma importante figura de luta contra os nazistas e (marido de Ilsa) chegam a Casablanca com a intenção de fugir. E aí…o que você faria se seu grande amor aparecesse precisando de sua ajuda para fugir com o marido, ajudaria ou não?

 

Casablanca, além de seu enredo envolvente tem ao seu lado o charme e luxo do preto e branco que, para quem está acostumado aos filmes atuais é uma belíssima surpresa, e o que fica mais marcado é a capacidade desse filme nos transmitir as cores sem que elas estejam presentes. Outro ponto que ajuda na estória é o constante uso da ironia que aliado aos personagens que a usam, as tornam melhores. Como exemplo disso temos o próprio Rick, com a sua cara de homem-que-nunca-mais-será-feliz quando se depara com perguntas como:

“-Você me despreza não é” – Ele olha e responde.

“-Se eu pensasse em você, provavelmente desprezaria”.

 

É esse tom, que eu já percebi em Bonequinha de Luxo, que torna Casablanca tão bom. O filme parece carregar um tom de superioridade com uma classe indiscutível, e em todas as cenas nos maravilhamos em ver algo tão bom. Junto com isso, vêm as atuações que tornam o filme ainda melhor.  Considero Ingrid Bergman a melhor do trio principal, já que ela carrega o sentimento de amor tanto pelo seu passado com Rick quanto pelo seu presente e futuro com Victor. Tudo é tão bem feito que não temos dúvida nenhuma que aquele sentimento é real. Sua beleza dos anos 40 também impressiona tornando-a indispensável para o filme. Quanto ao Humphrey Bogart também tenho que dizer que ele está ótimo como Rick, um homem traído pelo qual temos imensa compaixão. Dos três, o que menos me agradou foi Paul Henreid (não pensem que estou criticando sua atuação, pois isso seria uma blasfêmia) pois ele fica escondido atrás do casal principal.

 

Espero ter dado a entender o quanto Casablanca é bom e extremamente recomendável, com suas atuações impecáveis e com seus diálogos marcantes, e certamente não poderia ficar de fora da lista dos clássicos.

Renan

criado por Luís/Renan    06:01:51 — Arquivado em: Filmes

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

VELOZES E FURIOSOS

The Fast and The Furious. EUA, 2001, 110 minutos. Aventura.

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Não quero começar com uma frase esteotipada, mas todos sabemos qual é o resultado de um filme encabeçado por Vin Diesel, que é o nome mais conhecido de Velozes e Furiosos. De cara, já saberemos que o filme possui roteiro extremamente mínimo - às vezes, inexistente - e que o objetivo básico é entreter pelo que vemos, não pelo que podemos compreender. Aqueles mais ligados no cinema e que conhecem os outros nomes - Paul Walker, Michelle Rodriguez e Jordana Brewster -, apenas confirmarão a suspeita inicial de que o filme é apenas mais um.

Caminhões têm sido assaltados com frequência. Os ladrões, dirigindo carros potentes e executando manobras radicais, chama a atenção da polícia para as gangues que tiram rachas nas ruas de Los Angeles. Como o principal suspeito é Toretto, o oficial Brian Spindler é escalado para se infiltrar na gangue dele a fim de descobrir os responsáveis pelos roubos dos equipamentos eletrônicos.

Embora a premissa indique certo enfoque policial, isso não acontece em nenhum momento do filme. Não há de fato uma investigação policial sendo claramente mostrada. A ênfase é única e exclusivamente voltada para as corridas de carro, sempre velozes, sempre muito exuberantes e que - não nego - chamam a atenção do espectador por causa de umas cenas bem realizadas. O título não engana: a abordagem do filme estabelece uma correlação entre o universo das corridas e a bandidagem. Uso essa palavra porque o roteiro não especifica com exatidão o porquê de todos aqueles roubos, dando a impressão de que fazem aquilo somente porque querem fazer. Sem justificativa, tornam-se apenas bandidos. Há um espaço para um relacionamento entre Brian e Mia, irmã de Domenic Toretto; de tão pequeno, o espaço não permite que a história dos dois se desenvolva e fica meio difícil acreditar no tom romântico de algumas cenas. O roteiro, bastante superficial, faz com que a narrativa se torne meio precipitada: vemos uma briga, uma disputa inicial entre Toretto e Brian e, em seguida, já vemos Brian se tornando membro da gangue. Não se pode argumentar contra o fato de não há desenvolvimento em nenhum momento desse filme: tudo é simplesmente mostrado, exposto rapidamente, sem aberturas para análises.

Vin Diesel é um dos atores mais medíocres da atualidade: só faz filmes nos quais seus personagens não se permitam evoluir, porque, afinal, o ator não tem capacidade de variar. Como nessa produção ele está interpretando a si mesmo, ele quase nos convence de que é o cara mau, que é superprotetor, mas que, no fundo - bem lá no fundo, bem lá dentro, onde mal conseguimos enxergar - ele é um cara legal. Jordana Brewster, pobrezinha!, tem função de falar umas frases escrotas, jogar o cabelo pra cá e pra lá, dirigir um carro tunado e mais nada. Nem posso avaliar sua atuação. Posso apenas dizer que ela é um rosto bonitinho - no diminutivo mesmo. Paul Walker, um ator mais alternativo - mas que também não faz nada que presta - convence como o cara legal, tentando se agregar a um grupo, mas querer que nós acreditemos que ele seja um policial é forçar muito a barra. Michelle Rodriguez, que debutou em Boa de Briga, tem repetido a mesma personagem desde então: sempre faz a garota desajustada com a sociedade, com trejeitos masculinizados, agressiva, sem muitas palavras. Se isso é um fator positivo ou negativo, deixo que vocês decidam. O fato é que ela é a única que nos convence sempre da sua personalidade, seja nesse ou seja em outro filme.

Velozes e Furiosos é um filme que entretém, não nego. Não posso dizer que é um filme com grandes defeitos, porque, dentro da concepção na qual o filme foi criado, a única coisa importante é mostrar carros bonitos e cenas mais radicais; isso o filme faz. Eu diria que esse é o tipo de filme feito para homens marombados que sentem a necessidade de olhar para os personagens e admirá-los incondicionalmente, esperando um dia estar no lugar deles a fim de impressionar as garotas semiprostituídas que ficam em volta desses marmanjos. O resto dos espectadores podem gostar ou não gostar. Eu, particuarlmente, não vejo apenas ruindade. Se - e somente se - visto sem expectativas, garante uma hora e meia de entretemento.

Luís

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Taí um filme bom, com atuações, no mínimo, decentes e que não se precisa de muita inteligência ou vontade de pensar para assistir. Quem gosta de velocidade (e quem não gosta também) tem todos os motivos para gostar do filme, pois é agitado, vemos super carros e nos divertimos durante o todo o tempo de exibição do filme. Particularmente gosto desse filme por me remeter às longas horas que e ficava jogando Need for Speed Underground 2.

Depois de assistir dois filmes com a Michelle Rodriguez em menos de uma semana, começo a me simpatizar com ela, não que eu confie em sua atuação, pois ainda acho que ela é atriz de um papel só, e realmente duvido que eu a verei em uma cena de drama; mas mesmo assim, ela está boa em seu papel mais feminino e consegue tirar do expectador um pouco de simpatia, principalmente nas cenas em que ela está com Vin Diesel ou na cena do acidente, aliás, o que foi o Vin Diesel pegando na bunda dela? Falando desse, Vin Diesel está muito bem no seu papel de fortão, e por incrível que pareça, seu personagem é o mais carismático do filme de modo que torcemos durante o filme, para que no final, ele se de bem. Quando está fora dos carros, seu personagem Dom se mostra uma pessoa com fortes vínculos familiares e que está sempre disposto a oferecer ajuda a mais um amigo. Enquanto isso Paul Walker (Brian) fica escondido atrás das atuações de seus colegas de cena como um policial disfarçado apático e sem graça. Até a sua namoradinha Mia é mais interessante que ele. Mas a graça do filme não estão nas atuações e sim nas máquinas que enchem os olhos até de quem não é muito ligado ao automobilismo como eu. Percebemos também a quantidade de propaganda de marcas que o filme faz como a NOS e a PIRELLI.

Outro ponto que acho positivo é a trilha sonora, bem diferente do que estamos acostumados a ouvir. Geralmente, pelo gênero do filme, ouvimos músicas orquestradas; em Velozes e Furiosos espere ouvir muito rap americano que combina muito bem com o estilo do filme, dando a ele um caráter mais real e ainda mais divertido.

Como dei a entender acima, recomendo Velozes e Furiosos, pois é ideal quando se quer ver um filme leve, sem forçar os neurônios e ainda assim ver um filme que se revela, se não ao todo, parcialmente bom.

Renan

criado por Luís/Renan    09:41:01 — Arquivado em: Filmes

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA

Raiders of the Lost Ark. EUA, 1981, 115 minutos.

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Já havia visto esse filme uma vez, há algum tempo. A princípio, não dei muita importância a ele e nem sequer o achei muito interessante. Para ser sincero, fiquei deveras aborrecido e acabei desistindo de vê-lo. Depois, vi fragmentos dele enquanto meu pai assistia ao filme, sempre fazendo bons elogios. Quando eu e o Renan decidimos organizar esse mês temático, me senti praticamente obrigado a incuí-lo na lista dos que comentaríamos aqui. O primeiro passo estava pronto: agregá-lo à lista; bastava concluir o segundo: assistir a ele.

Os nazistas estão em busca da Arca Perdida, que supostamente trará invencibilidade àqueles que a possuírem. Para evitar que isso ocorra, Indiana Jones é contratado para impedir que a Arca seja tomada pelas mãos do próprio Hitler. A sinopse é bem simples e é fácil resumi-la. O filme, no entanto, é bem elaborado e não é apenas mais uma obra no cinema. Indiana Jones se tornou um personagem icônico e provavelmente deu origem a muitos outros caçadores aventureiros; nas mãos de Spielberg, o que poderia ser um filminho, virou uma obra respeitável, que rendeu mais três continuações, sendo que a última delas foi lançada ano passado e é, portanto, bem recente.

Indiana Jones não é o professor fragilizado que conhece muito a teoria e pouco a prática. Primeiro nós o conhecemos como aventureiro, para depois conhecer a calmaria de sua sala de aula.  Isso já nos faz simpatizar mais com o personagem: percebemos que é um homem de grande conhecimento que gosta de repassá-lo sempre se embasando em experiências anteriores. Logo no início, já conhecemos aquela famosa cena na qual Jones escapa de uma bola gigante - de tão famosa, tornou-se inclusive atrativo de programas da televisão brasileira, como aquele apresentado pelo Silvio Santos (lembram?). Se já no começou vemos uma cena tão inspirada, esperamos que o resto do filme tenha o mesmo ritmo ágil. Spielberg não falha e, embora a produção toda tenha praticamente duas horas, ele nos traz bastante velocidade e ânimo, o que entretém o espectador. Indiana Jones é o cara que ninguém quer encontrar pelo caminho: persistente, ele não pára enquanto tiver capacidade de continuar. Isso implica em roubos de carro, tiros, explosões, lutas e cobras - muitas cobras. Ainda sobre o roteiro, é importante ressaltar que há um certo exagero em relação a Jones, afinal, o homem é quase indestrutível, apesar de passar por grandes apuros. Mas isso é bastante comum nos filmes em que o personagem central está sendo perseguido por alguém ou está à procura de algo. A presença feminina de Marion traz um charme a mais para o filme, cujo elenco é predominantemente masculino. Uma característica positiva é mostrar que os personagens têm medo de certas coisas, embora pareçam incapazes de morrer. Fiquei feliz por não mostrarem o Führer, afinal, poderia ser demasiadamente caricato. Eu, particularmente, já achei meio forçado a ideia de que os nazistas estivessem à procura de uma arca; preocupados em dominar o mundo, duvido que acreditassem em algo que mais provavelmente fosse mito do que verdade.

Harrison Ford está bastante confortável no papel. Não há exageros, não há morbidez e realmente o temos como o perfil do aventureira, porque ele de fato transparece isso. Dirigido de maneira bem eficiente, Ford até hoje é lembrado como Indiana Jones, um personagem que acredito se tornar eterno na história do cinema. Karen Allen, intéprete de Marion, embora em participação menor que a de Ford, não some diante do parceiro. Sua atuação é notável e, assim como o ator principal, não exagera em nenhum momento. Mas o principal destaque do filme é a direção de Spielberg, que conseguiu juntar um pouco de ação, romance, humor, história, teologia, misticismo e, como se não bastasse, conduz seus atores com as mãos firmes de quem sabe fazer cinema. Os enquadramentos utilizados pelo diretor são bem interessantes, como quando Jones persegue a cavalo os nazistas que estão levando a arca num caminhão ou na cena em que o arqueólogo finalmente descobre o local onde está escondida a arca. A boa nota que dei ao filme se deve em grande parte pelo punho firme do diretor, que não deixa a desejar

Demorou um pouco para que eu soubesse que o filme é bom; acredito que devo recomendá-lo, pois é bem interessante. Harrison Ford está muito bem e Spielberg conduz o filme de maneira muito satisfatória. Praticamente um personagem histórico, Indiana Jones marcou uma época e ainda hoje é um nome muito conhecido. Dentre as séries, essa não é uma das minhas favoritas, mas certamente é tida com carinho por muitos fãs…

Luís

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Me surpreendi muito vendo  o primeiro filme do famoso Indiana Jones, porque nunca dei muita bola pra série, alegando que era ultrapassada e não tinha nada de bom para mostrar. Quando terminei de ver o filme não conseguia parar de assoviar a música tema do filme, que está entre as mais famosas músicas de filmes da história. Os Caçadores da Arca Perdida se mostrou um filme divertido e emocionante e certamente recomendável.

Indy é um arqueólogo apaixonado por sua profissão que encara todos os perigos dela, e como prova disso, já no começo temos algumas seqüências de cenas de tirar o fôlego, na qual inclui uma das cenas mais famosas do cinema que é quando Indiana tem que correr para escapar de uma enorme bola de pedra que vem ao seu encontro. Nessa parte podemos ver que Os Caçadores da Arca Perdida não é um filme que pretende abusar dos efeitos especiais (graças a Deus) e por isso se torna as cenas as mais reais possíveis. Esse realismo dura grande parte do filme e só no final é quebrada (infelizmente) mas falo disso depois.

Quanto às atuações, Harrison Ford está ótimo como Indiana com seu jeito viril e forte que provavelmente conquistou várias mulheres. Seu personagem é interessante por ter defeitos e qualidades, e sendo assim, não é aquele homem perfeito. Indy, acima de tudo, ama a história e por isso é incapaz de destruí-la, mesmo quando a sua vida e a de pessoas que ele ama estão em perigo. Fora isso Ford consegue passar ao telespectador toda a emoção das cenas em que há ação e com isso, conquistando todo o público. Karen Allen também faz muito bem seu papel, mesmo sendo coadjuvante. Sua personagem Marion nos mostra uma mulher muito bonita, mas acima de tudo, forte e mesmo com tantos motivos para odiar Indy, ainda assim o ama. Sua personagem também é muito carismática e algumas das cenas mais legais é ela a estrela, aqui estou citando as partes que ela faz um “desafio” com o homem do outro lado da mesa para ver quem agüenta mais álcool. O resto do elenco é bem coadjuvante mesmo, e não há grandes coisas a citar, mas acho que todos fizeram bem seus papeis, pois nenhum chama tanto a atenção. Outro ponto que eu gostaria de citar é que mesmo tendo a luta contra os nazistas Os Caçadores da Arca Perdida não tem nada em comum com filmes que estamos acostumados a ver sobre a Segunda Guerra Mundial, eles só estão ali para perderem do mocinho, Indy.

Citei acima que só no final o filme usa efeitos especiais como recurso, e particularmente achei um grande erro, não só porque, naturalmente, os efeitos não eram tão bons na época, mas por tirarem o tom real do filme e misturar com algo divino. Esqueci de citar que a arca perdida que dá nome ao filme é relacionada aos 10 mandamentos cristãos que foram recebidos por Moisés por ordem de Deus. Ou seja, o final do longa deixa um pouco a desejar, mas não chega nem perto de atrapalhar todo o ótimo filme que vemos ao longo de  seus 115 minutos

Renan

criado por Luís/Renan    00:08:20 — Arquivado em: Filmes
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