sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
A SOMBRA DO VENTO
Além de hoje ser um dia diferente, afinal, ele só existe a cada quatro anos, resolvemos fazer algo também diferente. Renan e eu decidimos convidar um colega nosso a postar uma crítica, como “convidado especial”. O Antonio estuda com a gente (SENAI) e compartilha conosco o mesmo gosto pela leitura e por filmes, sendo portanto uma pessoa adequada para uma participação no nosso BLOG. Agradecemos pelo interesse em compatilhar com os leitores do Blog Literatura e Cinema a sua opinião sobre o livro em questão.
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La Sombra Del Vento - Carlos Ruiz Zafón, 2006, 399 páginas.
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O livro trata, resumidamente, da história de um menino, Daniel Sempere, que ao esquecer do rosto de sua mãe, vai, junto com seu pai, conhecer o Cemitério dos Livros Esquecidos. Lá, existe um “ritual” de que a pessoa novata adota um livro e jamais poderá se esquecer do mesmo. Ao escolher, Daniel pega “A Sombra do Vento” e se fascina com a qualidade do texto e com o escritor. Logo, gostando da obra, quer conhecer outras, mas alguém vem as queimando, perdendo o rastro, assim, do autor Julián Carax. Ele corre atrás de toda história envolvendo o autor, se envolvendo até mais do que o esperado e sua vida parece caminhar para o mesmo rumo da do autor, desde a maneira dos acontecimentos amorosos aos mais importunos.
Sobre a história, devo admitir que é muito bem escrita, com palavras que exigem um conhecimento mais aprofundado da língua. Ela se desenvolve com linearidade, mas sempre há um momento de reflexão, de lembrança de um ato já descrito capítulos antes.
O final é surpreendente. Ao terminar de ler o “trecho” em que Nuria Monfort deixa um manuscrito explicando tudo a Daniel, você já tem todos os dados possíveis, como quem queima os livros (este chega a fazer contato com Daniel, exigindo que lhe entregue o livro, mas não o consegue. Se intitula Laín Coubert, que Daniel reconhece ser um personagem do livro de Julián), quem é o grande vilão da história e as causas disso tudo.
Spoiler: Quem queima os livros é o próprio Julián, ao descobrir que sua amada Penépole havia morrido com um filho dele (que nasceu natimorto), mas não chega a saber a verdade: que ela é sua irmã. O inspetor Fumero é quem trama todo o jogo. Quando adolescente, ele também a amava, mas viu Julián a beijando, o que causou um ódio profundo. Ele não havia capturado Julián ainda, mas esperava o momento certo, e ao descobrir que Daniel o estava procurando, tratou logo de se adiantar e fazer com que ele desenrolasse todo aquele novelo, chegando ao fim, no paradeiro do escritor. Fim do spoiler.
Uma obra fantástica, com muitos personagens, já que alguns contribuem para que a história seja revelada. Alguns detalhes que você achará ínfimo, como uma simples bala, serão lembrados mais adiante.
Há uma descrição com muita riqueza de detalhes, o que faz, às vezes, você reler e reler tentando visualizar como seriam os pequenos detalhes do ambiente. Como a história se passa em Barcelona, conhecemos muitas ruas e lugares. É uma leitura que se compõe de vários gêneros: romance, suspense e até situações que nos divertem. Ao passo que vamos aprofundando na história, queremos continuar a ler para ver o que acontece, por se tratar de mistérios sem solução.
Aspectos negativos: Alguns relatos escritos em itálico são enormes e eu, pessoalmente, não gosto desse tipo de letra.
Muitas coisas acontecem no mesmo dia, fazendo com que, ao final do capítulo, seja necessária uma recapitulação rápida dos fatos (ressalto que não são todos os dias em que se precise fazê-la).
Antonio
criado por Luís/Renan
12:54:00 — Arquivado em: 









