quarta-feira, 7 de maio de 2008
Menina de Ouro

Million Dollar Baby, 2004, 137 minutos.
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Escolhi postar hoje, data do meu aniversário, esse filme. Logo vocês podem imaginar que haja um motivo especial para isso; e há. Esse é, definitivamente, meu filme preferido. Menina de Ouro não foi feito para tornar-se um megasucesso como Matrix ou Titanic; ao assisti-lo, temos a impressão de que há apenas a intensão de mostrar aos fãs desse gênero de filme (drama) uma história qualquer, de uma pessoa qualquer.
A história de Maggie é comovente. Ela quer ser uma lutadora de boxe e tenta convencer Frankie a treiná-la. Ele nega diversas vezes, até que surge entre eles um relacionamento inesperado. Meio chiclê, não é? Mas não se atenham às sinopses, porque esse filme não segue a linha Rocky - O Lutador nem se torna um mar de lugares-comuns. É uma história simples, porém muito emocionante. Durante todo o filme, nós ficamos refletindo sobre todas as situações mostradas, pensando se seríamos capazes de fazer o mesmo que a personagem, que tem um sonho e não cansa de persegui-lo, independentemente das dificuldades que aparecem à sua frente.
Algumas cenas são absurdamente chocantes, embora sejam muito simples. A cena em que Maggie guarda o resto de comida de um cliente num papel alumínio para comer mais tarde é triste. Pensa-se que ela não tenha dinheiro para se alimentar, mas a verdade é outra: ou ela compra comida ou guarda dinheiro para comprar todos os equipamentos que precisa para treinar boxe. Quando o cliente olha com cara de estranheza, ela rapidamente explica que é para o cachorro e, então, segue-se a cena em que ela come o resto do bife no escuro do apartamento enquanto conta quanto dinheiro tem. Como se não bastasse suas tentativas frustradas, há ainda o fator preconceito, que é abordado no começo do filme e, ainda bem!, é deixado de lado depois. Há uma seqüência interminável de cenas desesperadoras, mas isso não faz do filme algo trágico e depressivo.
Ao ser comunicada de que é velha demais para o boxe e de que não está preparada, Maggie faz um discurso digno de aplausos: desde os treze anos, ela serve mesas e junta dinheiro, o boxe é a única coisa que ela realmente gosta de fazer e é que dá sentido à sua vida; se está velha demais para isso, então não lhe resta nada. Posteriormente, é mostrada a mudança do relacionamento entre Frankie e Maggie, e percebemos que não são só treinador e aprendiz; tornam-se amigos, tornam-se a família um do outro. Diante de todo o mundo de dificuldades que Maggie e Frankie encontram, eles ainda encontram motivos por quais sorrir, já que os dois dão suporte um ao outro e fazem de sua amizade algo inviolável. Cena por cena, o filme se desenvolve e nos encaminha para algumas perguntas: seríamos capazes de tudo aquilo por um sonho? Enxergaríamos a vida com os mesmos olhos de Maggie, apesar de todos os problemas? Seríamos felizes, mesmo quando já não há mais nada o que fazer?
Ganhador de 4 Oscar, Menina de Ouro é um filme brilhante. Quando fizemos a crítica de Meninos Não Choram, disse que Hilary era uma atriz muito boa e este filme serve para reforçar isso. Hilary Swank se mostrou mais uma vez expecional como atriz e seu segundo Oscar de Melhor Atriz foi mais do que merecido. Swank transforma sua Maggie em uma personagem batalhadora, porém sensível, com uma visão positiva das situações cruéis que a cercam. A direção do filme é muito boa, também ganhadora do Oscar. Clint Eastwood não se perde em divagações, não prolonga mais que o essencial nem faz da vida de Maggie um circo dos horrores; esse filme, em minha opinião, é sua obra-prima. Apesar de forma lenta como conduz o filme, não permite que o espectador caia no sono ou se desanime. Morgan Freeman narra com a calma de quem não espera por nada e esse seu tom de condolência e admiração engrandecem o filme. Há personagens detestáveis, que auxiliam para a construção da narrativa.
Quando o filme terminou, eu estava chorando. Esse foi o único filme em que chorei, portanto, vocês já devem imaginar que o final não seja assim tão feliz. Mas o que eu tenho a dizer é: o final é simplesmente belo, assim como todo o filme. Para aqueles que puderem compreender o filme, verão que a seqüência interminável de cenas tristes e chocantes servem para transformar esse filme em uma referência filosófica às pessoas que insistem em desistir de seus ideiais e se imaginar no fundo do poço. Eu o recomendo.
Luís
criado por LuÃs/Renan
22:56:13 — Arquivado em: 

Comentário por Camila — domingo, 18 de maio de 2008 @ 00:17:58
NOSSA! O Luis, coração de pedra, chorou…=0
Mas esse filme deve ser magnifico, tbm com uma critica dessa…
Luis, me empresta?hauahuahuhauha
feliz niver de novo…o/