Literatura e Cinema

“Sem correr no corredor, Nancy” - Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O NEVOEIRO

The Mist, 2007, 125 minutos, Terror.

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Gostei bastante desse filme, embora não seja muito fã de suspenses em que envolvam seres de outros planetas e de outras dimensões, como é o caso deste filme, prefiro com pessoas…mortas ou vivas.
Tenho que concordar com o que o Luís disse no cinema: "Esse é um dos filmes mais pessimistas que existem", tudo isso por causa do final que é surpreendente e terrivelmente triste, não sei o que faria se eu fosse o David, provavelmente me jogaria na frente daqueles tanques.

Todo o filme é muito bem elaborado, os efeitos especiais estão na medida certa (exceto quando eles focam mais de perto um dos bichos, meio besta), e as atuações são realmente boas, embora os personagens principais fiquem escondidos quando entra a Sra Commody pois ela rouba totalmente a cena, seja causando raiva (como no meu caso) ou cativando de um modo estranho (como no caso do Luís), [SPOILER ]e acho que todos, pelo menos no cinema, se sentiram recompensados quando o carinha do mercado deu os tiros nela [FIM DO SPOILER]. A velhinha é outra que garante seu lugar no filme, principalmente na cena da ervilha, que leva um pequeno tom de humor ao filme.
O jeito como as pessoas ficam "mumificadas" naquelas teias também ficou muito legal, e a parte em que mostra aquela mocinha com aquele pescoço inchado e estranho ficou muito bem feita
O título condiz bastante com o filme, embora eu não tenha gostado (pois aqui em Rio Claro, um dos candidatos a prefeito chama Nevoeiro) =D
Lembrando que é baseado em um livro do Stephen King

Recomendável

Renan

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Ao assistir esse filme comparei-o com o também bom A Dança da Morte, baseado em outra obra de Stephen King. Quando descubro uma nova produção baseada numa obra de SK, o primeiro pensamento é de que seja ruim, pois a maioria das adaptações não conseguem ser fiéis ao livro queas originou e, no fim, ficam entre o razoável e o abominável. Felizmente, esta produção foge à tendência dos filmes medianos.

Quanto ao roteiro do filme, é muito bom. Há uma linearidade que permite que o espectador compreenda cada acontecimento no filme, se se perder em flashbacks ou flashforwards. O filme tem uma estrutura interessante na caracterização dos personagens, principalmentese comparado a outras obras do autor. Não pude deixar de comparar com A Danaça da Morte. Pode parecer incoerente, mas apesar das diferenças, o filme em sua essência é praticamente igual. Em ambos os filmes, temos um grupo de pessoas que se vêem presos à uma situação da qual não podem escapar: em A Dança da Morte, as pessoas que sobreviveram ao um vírus perigosíssimo se dividem em dois os grupos, aqueles que vão ficar com a representante de Deus e os que ficarão com o representante do Diabo. Em O Nevoeiro, o mesmo acontece. Num grupo grande de pessoas reunidas num mesmo local, é comum haver uma variedade de personalidades, e é isso que ocorre nos dois filmes. Há o bom samaritano, a mocinha, o pai de família, a senhora simpática, a religiosa, o fortão, etc. E também o que há no nevoeiro é muito similar àquilo que já vimos em O Apanhador de Sonhos, também do SK, mas nenhuma estória limita a outra.

O grande diferencial das duas obras é o ponto de apoio que cada personagem toma. Em A Dança da Morte, a religiosa é a representação de Deus e todos querem estar ao seu lado; já em O Nevoeiro ela é a representação da loucura, insanidade e obsessão. Há, no entanto, aqueles que caem em tentação, e conforme o tempo passa e os personagens se vêem cada vez mais confinados àquele supermercado, alguns acabam se juntando à religiosa. Importante também notar que personagem semelhante à da atriz Marcia Gay Harden já foiv ista em outra estóra do autor, Carrie, mas cada personagem é diferente à sua maneira nas estórias. [SPOILER] O que achei mais interessante na narrativa é a forma como a estória brinca o espectador, fazendo com que fiquemos cada vez mais ao lado de David, o mocinho, e contra a religiosa fanática, que passa metade do filme proferindo palavras assustadoras e proféticas e ainda induz seus "seguidores" a atos violentos contra aqueles que não estão do seu lado. E após tudo isso, após ouviros tudo o que ela tem a dizer e sabermos que ela é louca, o final do livro nos faz perceber que nem sempre devemos deixar de dar ouvidos à insanidade, porque, às vezes, por mais horrendo que soa uma determinada afirmação, devemos ouvi-la com atenção. E o final revela exatamente o que mais temíamos: o mal tinha a razão.[SPOILER]

A atuação dos atores é boa, embora não ache que alguma delas seja digna de Oscar ou qualquer outro prêmio. A personagem que mais se aproxima da perfeição, num misto de insanidade e irritabilidade, é a religiosa que insiste em dizer que aquele é o juízo final e que a morte espera por eles. Mesmo assim, apesar do trabalho de Harden, nada no filme é premiável. Eu vi poucos finais tão perturbadores quanto esse. O filme tem quase dus horas de duração, mas isso parece passar tão rápido (ou será que era devido ao eu ter conversado durante parte do filme).

Recomendo que o assistam. Há cenas muito boas, dentre elas eu destaco três: 1) a cena em que uma mulher diz que deixou os filhos em casa e não poderia ficar no supermercado, pois a filha pequena não conseguiria cuidar do irmão menor. Sem saber ao certo o que enfrentará ao entrar no nevoeiro, a mulher some ao sair do supermercado e caminhar ir direção à sua casa. 2) a velha professora atira uma lata de ervilha na cabeça da religosa, quando essa proferia suas palavras ofensivas e 3) a cena final, com a câmera mostrando o carro e as luzes iluminando o interior do carro. O filme é um ótimo entretenimento; sugiro que o assistam acompanhados, à noite, numa chuva. Vale a ena.

Luís

criado por Luís/Renan    00:24:17 — Arquivado em: Filmes

1 Comentário »

  1. Comentário por Nathalie — segunda-feira, 13 de outubro de 2008 @ 10:54:56

    Gostei bastante do filme. Muito bem produzido, prende a atenção o tempo todo, e nao cansa. Os atores muito bem preparados e muito esteriotipados davam a sensação de realidade.
    E aquele final, oh meu Deus, que final.
    O final não-hollywoodano foi a grande surpresa.O fato dele sacrificar seu proprio filho para que ele nao sofra mostra a fragilidade humana perante as dificuldades.É muito bom, recomendo!

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