Literatura e Cinema

“Sem correr no corredor, Nancy” - Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

FIM

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Tentarei fazer uma crítica impessoal do trabalho apresentado. Embora o nosso Blog seja voltado para filmes e livros, o teatro também é uma forma de tornar-se mais culto e também é uma arte que aprecio bastante, por isso acho que devemos dar espaço para comentários a respeito. Nunca havia vito nenhuma peça pessoalmente do Grupo de Teatro Incômodo, mas estudo com uma garota que integra o elenco do grupo Incômodo, que roteirizaram e apresentaram a peça intitulada FIM.

Com devem ter lido ao clicar na fotografia do convite, a peça enfoca uma situação que não parece cabível para o nosso mundo tão bem estruturado, tão tecnológico: e se o mundo acabasse? Como seria a reação das pessoas se fose hoje o último dia de vida? Enfim, a peça mostra situações que são cabíveis ao nosso cotidiano, o que me fez gostar ainda mais. Os personagens têm a oportunidade de fazer aquilo que querem sem se preocupar com as consequências, pois pelo que sabem o mundo terminará no dia seguinte. Nenhum personagem, no entanto, se esforça pra tentar chegar à lua; eles fazem o que é cabível à situação em qu vivem. Podem dar um último abraçar, rever um ente querido, dizer o que vem sendo sufocado, etc. Eis um dos pontos fortes da peça, embora nem de longe seja o melhor!

Sobre os atores, alguns apareceram mais que outros, mas isso em comum em uma peça de teatro. Acho que o grande acerto foi misturar humor com drama; apostando que todo o público fosse atingindo de alguma forma, alguns pelo risos, outros pelo choro. Costumo não achar graça em peças cômicas, porque o humor costuma ser muito parco; nessa peça, no entanto, o humor aconteceu na medida certa, sem grandes extravgâncias e sem muitas piadinhas internas e isso com certeza fez com que eugostasse mais ainda da peça. Vale realçar também o quanto foi engraçado os palhaços imitando a cena anterior, interpretada por um casal. A alternância entre o cômico e o trágico foi importante pra manter um clima equilibrado e suave, assim o público não se sente entorpecido por uma carga excessiva por muito tempo.

Quando disse sobre o grande ponto forte do espetáculo, me referia ao que vou comentar a seguir. Acho que o que mais me surpreendeu foi a última cena da peça, em que uma mulher se abraça a camisa do homem que ama e chora o fato de ele ter partido. Pela primeira vez em toda a peça, vemos “o fim do mundo” de uma forma muito subjetiva, o que, na minha opinião, fez de tudo muito mais legal. Nessa cena, o mundo não termina quando a vida toda na Terra deixa literalmente de existir, mas sim quando algo dentro de nós, aquilo que há de mais explêndido, desaparece. Esse é o fim do mundo da personagem, numa das cenas que achei mais bem trabalhadas durante o teatro e também a mais emocionante. [SPOILER] Outro ponto muito positivo é o fato de o fim do mundo sendo noticiado ser apenas um engano. Logo, quando percebem que o mundo não acabou, que podem fazer os personagens senão se questionar sobre aquilo que fizeram um dia antes, como o caso dos amigos que confessara se amar num dia para no outro sentirem vrgonha da confissão? [SPOILER] Depois de tudo que nós vemos, ficamos com uma dúvida que a peça sugere indiretamente: e se fizermos algo hoje e o amanhã incerto trazer consigo o peso das conseqüêncas desse nosso ato? Mas e se não fizermos hoje e o amanhã não existir?!

Eis o ponto negativo agora. Não é uma crítica à peça, mas sim ao público que insiste em se comportar inadequadamente durante a apresentação, como na cena em que os dois amigos confessam amar um o outro e alguns seres desprezíveis na platéia de manisfestaram de maneira imprópria, fazend barulho, dizendo ofensas, ruídos, etc. Qualquer pessoa que vá ver uma exibição desse nível intelectual deve estar com a mente aberta para as possíveis cenas que o tema possa sugerir e mesmo se acher desnecessário uma determinada cena, o que se deve fazer é manter-s calado, sem manifestações idiotas que atrapalham quem quer ouvir e principalmente quem está no palco atuando. O único momento em que o público tem direito à manifestação é no final, pra aplaudir enquanto os atores reverenciam. Enfim, de uma maneira geral, a peça é muito boa, sim. Pena que não vá sair pra exibição em outras cidades, porque tenho certeza de que muitos iriam gostar.

Luís

criado por Luís/Renan    21:08:45 — Arquivado em: Outros, Teatro

1 Comentário »

  1. Comentário por Monique — quarta-feira, 7 de outubro de 2009 @ 20:33:21

    Passeando pelo blog não pude deixar de notar esta maravilhosa crítica à peça O Fim.
    Eu assisti ao teatro,e como o Luís fiquei encantada!!.Um maravilhoso roteiro, e atores exelentes;principalmente os 3 palhaços.

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