Literatura e Cinema

“Sem correr no corredor, Nancy” - Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo.

domingo, 16 de novembro de 2008

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

Blindness, 120 minutos, 2008. Drama.

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Não sei exatamente o que me chamou a atenção para esse filme. Não me lembro se primeiro vi o livro e me interessei pelo livro, optando por lê-lo antes, ou se primeiro li sobre o filme e me interessei pelo livro. Mas independente de qual tenha sido a situação, foi em válida, pois tanto um quanto o outro é muito bom.

O filme, baseado no livro homônimo, conta a estória de pessoas que subitamente ficam cegas, com os olhos cobertos por uma névoa leitosa, primeiro caso conhecido em que a cegueira é descrita como branca, não negra. Aos poucos, toda a nação está contaminada e na medidado possível as pessoas vão sendo jogadas em um manicômio a fim de que não entrem em contato com quem ainda não está cego. Uma única pessoa fica fica imune a isso: a mulher do médico, que praticamente se torna repsonsável por todos os outros.

Um ponto interessantissimo do filme foi a escalação dos atores, que são muito bons. Cada um à sua maneira traz à produção um toque daquilo que foi necessário para a construção do clima do filme; o mais surpreendente é o realismo descabido existente nas cenas e talvez isso se deva mais ao perfil dos atores do que à forma como o filme foi dirigido ou como o roteiro foi feito. Não é tão comum ver em cenas atores de etnias e aparências físicas tão diferentes. Neste, há japoneses, espanhóis, brasileiros, brancos, negros, magros, gordos, etc. Isso ajuda tanto para descaracterizar um determinado país, já que pela sua população não podemos defini-lo com exatidão e também se deve ao pedido do autor para que o efeito de "país desconhecido" fosse conseguido.

Outra coisa boa no filme é a escolha pela cor branca, que faz referência o tempo todo à cegueira com a qual todos ali convivem. Às vezes, durante uma cena ou outra, vemos através de vidros, o que faz ficar meio embaçado; há também cenas em que a luz é usada em abundância, fazendo com quem assista se incomode, relacionando essa sensação à dos cegos trancados. As cena claras e escuras foram muito bem realizadas e muito bem postas: as primeiras nos remetem à sensação do incômodo e as outras à sensação de dor edesespero, como nas cenas em que as mulheres são forçadas a se relacionar com os outros cegos em troca da comida.

O grande destaque, no entanto, é Julianne Moore, que está muito boa nessa produção. O cuidado com o qual atua, respeitando sempre os limites da personagem criada por Saramago é brilhante. Não vemos uma mulher magnífica, mas a vemos humana e vamos nos apegando a ela de tal forma que no final do filme, quase sentimos uma leveza no espírito quando a vemos sorrindo feliz. Li num artigo sobre uma possível indicação de Julianne aoOscar de Melhor Atriz. Acho justa a indicação, principalmente pelo desenvolvimento que deu à sua personagem, já bastante trabalhada no roteiro e também no livro do autor.

Recomendo esse filme. Algumas cenas têm forte teor dramático e outras foram modificadas em relação ao livro, mas a adaptação é boa e o filme vale a pena ser visto. Ótimos trabalhos das atrizes Julianne Moore e Alice Braga, uma brasileira que merece mais destaque no mercado cinematográfico internacional, devido ao seu talento já vistos em outros filmes.

Luís

criado por Luís/Renan    10:52:23 — Arquivado em: Filmes

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