Literatura e Cinema

“Sem correr no corredor, Nancy” - Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo.

sábado, 22 de novembro de 2008

UM SEGREDO ENTRE NÓS

Fireflies in the Garden, 99 minutos, 2008, drama.

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 Não há como negar que esse filme foi uma grane surpresa para mim. Quando fui assisti-lo, pensei a princípio tratar-se de um filme relativamente comum; depois pensei que fosse um filme forte, como Erin Brockovich. O mais surpreendente é que o filme é um misto dos dois, embora ainda assim, seja muito maior do que qualquer um deles.

O filme começa com umacena no passado, em que percebemos o relacionamento conturbado do pai e filho e a forma como a mãe tenta amenizar os ânimos entre eles. Vinte anos mais tarde, um acidente faz com que Lisa, a mãe da cena incial, morra; todaa família se une para o seu enterro e aí surgem situações extremamente complicadas com as quais eles têm que lidar. Acho que o grande positivo do filme é o roteiro, que mostra um pouco do passado e um pouco do presente, tecendo assim uma história infinitamente emocionante; quando vemos as atitudes dos personagens nos dias atuais, chegamos a achar um pouco esquisitas, mas o passado faz com que entendamos o porquê de cada atitude. As sequências de flashbacks foram muitobem construídas e tão bem encaixadas na produção que tudo flui sem qualquer perda de emoção por parte do espectador e a cmpreenao acontece naturalmente. Ao contrário do que possa parecer, aquilo que sentimos durante a projeção do filme não corresponde somente à cena que acabamos de ver; ela corresponde a tudo aquilo que vem sendo mostrado desde a primeira cena, que, embora não traga um choque emocional muito grande, vai introduzindo as nossas primeiras impressões sobre o filme.

Insisto que o grande trunfo do filme é o roteiro, que segue uma linha narrativa que mexe com o espectador e faz com que ele queira que o filme dure mais. O mais importante e positivo na obra é o jeito que os sentimentos de cada personagem é tratado no filme. O que choca o espectador é a forma cruel, porém absurdamente realista, como o filme retrata a vida diante de situações complicadas, como o garoto que deve conviver com a culpa de ter sido o responsável pela morte da própria tia, o filho de Lisa, morta no acidente de carro, que tenta mostrar ao primo que as oisas nem sempre são como parecem. Entre outros, há o desagrado da tia, que durante a adolescência morou na casa da irmã, que agora recebe o cunhado em sua casa. As relações humanas são priorizadas nesse filme e toda ação tem característica muito singular de cada personagem envolvida.

Quanto às atuações, eu diria que beiram o brilhantismo. Cada ator mergulhou de cabeça no perfil de seu personagem e não há como negar que eles fizeram um excelente trabalho. Julia Roberts, apesar de ser o foco do filme, não participa ativamente dele; de 99 minutos, ela aparece em uns 20 minutos. Mas mesmo assim, sua participação é realmente marcante. Para mim, os líderes do elenco são Ryan Reynolds e Emily Watson, que roubam a cena interpretando tia e sorinho numa relação incomum, que ora beira uma amizade gigantesca, ora beira o incestuoso. Inquestionavelmente, a afinidade entre os atores faz com que eles se sintam bem em cena e passe essa naturalidade para o espectador, que tenta descobrir o que há com o passado deles. Cabe aos intérpretes desses mesmos personagens quando jovens uma das cenas mais interessantes, que envolve um ato solidário de Jane, a tia, que tenta fazer o sobrinho comer. Gostei muito de ver Hayden Pannetiere em um personagem mais denso do que Claire, de Heroes. E uma grande revelação, para mim, foi Carrie-Anne Moss, a já conhecida atriz que interpretou Trinity na trilogia Matrix. Embora sua participação seja quase tão breve durante a projeção como a de Julia Roberts, a atriz se mostrou muito mais bem cuidadosa como um ex-alcoólica apaixonada do que como uma lutadora do mundo virtual. Os atores mirins també têm peso importante para a trama e destaco três cenas muito inteligentes: Michael (Ryan Reynolds) conversando com sua prima sobre a morte; o garoto chorando e correndo pela estrada e o jovem Michael, depois de agredir o pai. Eu realmente acho que esse filme pode ser um ganhador em potencial de um Oscar nas categorias Melhor Ator e Melhor Atriz Coadjuvante, para Ryan Reynolds e Emily Watson, respectivamente.

Vocês devem assistir esse filme! O filme é todo muito bom, bem pensado e há sempre um conectivo que traz uma situação complicada. não posso deixar de dizer que o filme não vai responder a todas as suas perguntas, mas é a dúvida que faz da produção tão inteligente. É esse ato de mostrar sem deixar claro, de fazer com que fique subentendido… Quanto ao título nacional, achei muito bem escolhido e a cena em que mostra Michael e seus dois primos, filho de sua tia Jane, brincando no jardim enquanto os vaga-lumes voam é uma ótima referência ao título original. Se sombras de dúvidas, é recomendável!

Luís

criado por Luís/Renan    17:41:17 — Arquivado em: Filmes

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