Literatura e Cinema

“Sem correr no corredor, Nancy” - Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo.

domingo, 25 de janeiro de 2009

A CABANA

The Shack, 2008, 240 páginas.

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Esse livro tem sido um fenômeno de vendas e todo mundo nos últimos meses parece já ter lido. Aonde quer que você vá, há pessoas comentando sobre como esse livro mudou a percepção em relação às coisas que acontecem; a própria vendedora da livraria sugere esse livro sob tais alegações. O livro se tornou modinha - coisa que eu detesto - , e talvez por isso mesmo resolvi lê-lo. Okay, eu admito que estava bastante curioso também.

William P. Young conta a história de Mackenzie, um homem cuja filha de 6 anos foi sequestrada e morta por um maníaco, que deixou vestígios dos últimos momentos de Missy numa velha cabana - uma mancha imensa de sangue no chão. Três anos depois, Mack vive sob o peso da culpa e aquilo que ele chama de A Grande Tristeza toma conta de sua vida. Recebe então uma carta assinada por Papai, nome carinhoso que a esposa Nan usa para nomear Deus; pensa tratar-se de uma brincadeira de mau gosto, mas mesmo assim vai para a cabana descobrir o que está por vir. Segundo Mackenzie, a história é real e ele mesmo pediu a William - chamado carinhosamente por ele de Willie - para escrever os acontecimentos pelos quais ele passou durante os supostos três dias em que passou com Deus.

Confesso que fiquei confuso após terminar de ler esse livro. Para fazer essa crítica parti do princípio de que os fatos realmente aconteceram, mas simplesmente não creio que tenham acontecido literalmente. Talvez um sonho bem realista… As primeiras 50 páginas do livro são parecidas com narrativas fictícias, como vários livros já comentados aqui. A partir daí, o livro ruma para um estilo auto-ajuda que me incomoda, sempre parecendo me convencer a pensar com um positivismo forçado. Não nego, porém, que o livro tenha mudado a minha forma de pensar: cada vez que penso que algo coisa não saiu como eu queria, penso que talvez eu esteja sendo injusto. Mas acredito que seja só uma fase pós-livro. Abordando o livro todo como fictício, eu tenho a dizer que gostei bastante da caracterização de Deus, já que todos O imaginamos um senhor barbado e de ar severo e no livro é mostrado primeiramente como uma mulher negra de aspectos sensuais, bem humorada e feliz. Além disso, há a descrição de que Deus não é apenas Deus, mas também Hesus e o Espírito Santo; nós sempre vemos a santa trindade, como o próprio nome sugere, como três seres distintos e cada um com sua função específica. No livro, os três são mostrados como um único - o que “realmente” é.

O grande problema do livro - e o problema nem sequer é do livro - é ser muito auto-ajuda. Não gosto desse estilo nem da forma como pareço induzido a pensar a todo instante que estou lendo. Sem contar que o livro se torna repetitivo a partir do momento em que Mack se encontra com Deus e juntos, os dois - ou os quatro - passam a interagir, sempre buscando a verdade soberana. Acho que o livro é mais um fonte religiosa do que auto-ajuda e, embora eu não seja tipicamente relogioso, o tema religião me agrada e houve momentos que gostei do livro, [SPOILER] como quando Mack é ensinado a agir como pensa que Deus age e a ele é dada a tarefa de escolher três dos seus filhos para ir para o céu e dois deles para ir para o inferno - já que ele pensa que é fácil para Deus escolher entre os Seus filhos - e quando Deus comenta sobre o pensamento humano de que recorrem a Jesus para as coisas boas e a Ele quando esperamos que alguém seja punido.

O livro, na minha opinião, é bom, mas eu não sou o leitor ideal para ele. Portanto, aos que gostam de leitura como essa, que envolve auto-ajuda e religião, o livro pode ser bom, mas definitivamente não será interessante para aqueles que, assim como eu, preferem uma boa ficção repleta de sentimentos, ação e mistério. Eu definitivamente não troco meus Stephen Kings da estante por livros do mesmo gênero que A Cabana.

Luís

criado por Luís/Renan    18:00:12 — Arquivado em: Livros

2 Comentários »

  1. Comentário por Rafael — terça-feira, 27 de janeiro de 2009 @ 23:23:50

    Eu li o segredo.
    Não gosto de auto ajuda.

  2. Comentário por Nivea — quinta-feira, 9 de abril de 2009 @ 11:46:54

    Ah, eu gostei do livro…faz vc mudar um pouco seu ponto de vista.Mas eu também não sou fã de livros do tipo auto-ajuda.Outras pessoas que também leram disseram que choraram (assim como eu).

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