Literatura e Cinema

“Sem correr no corredor, Nancy” - Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo.

domingo, 29 de março de 2009

HARRY POTTER E O CÁLICE DE FOGO

Harry Potter and the Goblet of Fire, 2005, 157 minutos, Aventura

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Mais uma vez temos um filme diferente graças a mudança de diretor, novamente. Dessa vez sai Cuaron e entra Mike Newton.

Esse é o terceiro maior livro da série e novamente temos que relevar certos fatos, pois seria praticamente impossivel mostrar tudo em tão pouco tempo. Mas com certeza ele teve muitos acertos, embora o filme todo seja muito rápido. Por exemplo: a primeira cena, na casa do Riddle foi um ótimo começo, bem sombrio, bem adaptado, e muito fiel ao livro, mas mesmo sendo tudo isso, foi muito rápido. Não houve tempo para apreciarmos a cena. Logo depois, Harry já acorda pronto para a Copa Mundial de Quadribol na casa dos Weasley. Tudo bem que era um desperdicio de tempo mostrar ele na Rua do Alfeneiros, e depois leva-lo para a Toca. Não gostei também do fato de não terem colocado o jogo na Copa, embora mais uma vez inutil, e o que o diretor fez foi muito satisfatorio.

Bom…é nesse volume que temos a maior mudança em Hogwarts, já que a escola sediara o Torneio Tribruxo, onde um campeão de cada escola (Durmstrang, Beauxbatons e Hogwarts) disputam 3 provas. Só que um erro é cometido e mais um aluno de Hogwarts é escolhido e nem precisa ser muito inteligente para saber quem foi. É nessas três provas que eles mais investiram em efeitos. O dragão da primeira prova ficou realmente bem feito, embora a cena que ele sai voando atras de Harry não existe no livro. A segunda tarefa também ficou muito boa, tudo muito bem feito e quanto a tarefa do Labirinto acho que aquele tamanho foi um exagero, no livro, o tamanho é o mesmo do campo de Quadribol, e a falta das criaturas descritas no livro tambem foi um erro. Falando em exagero…as distancias percorridas nesse filme foram enormes. Sempre imaginei o corujal dentro do castel, e não a 3km de distancia, e do campo de Quadribol até o castelo parece ser uma vida de caminhada.

Mais uma vez os pesonagens mudam um pouco seu visual, e novos personagens importantes são adicionados (os três campeões), mas uma atriz que fez seu trabalho bem feito foi a interprete de Rita Skeeter. Realmente muito bom.

Não é o melhor filme da série, mas é bom assim mesmo

Renan
 

criado por Luís/Renan    01:44:27 — Arquivado em: Filmes

sexta-feira, 27 de março de 2009

OS NORMAIS

Pepinos

Os Normais - O Filme, 2003, 88 minutos. Comédia nacional.

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Eu era um tremendo fã do seriado; acho inclusive que foi um dos melhores seriados nacionais que já assisti. Gosto do humor inteligente com o qual o seriado era guiado e também das perfomances bastantes realistas - e bem-humoradas! - dos atores principais. O seriado teve (apenas) 72 episódios, mas certamente todos fram bem engraçadas e eficientes na sua intenção de divertir o público. Então, em 2003, surge o filme que narra os acontecimentos anteriores ao noivado de Rui e Vani, interpretados pelos bons Luís Fernando Guimarães e Fernanda Torres.

O filme começa de trás para a frente, com os personagens indo à igreja onde se casaram e pedindo para o padre que faça o cancelamento da cerimônia ralizada no dia anterior. A partir de então começa um flash-back, interessantemente enitulado “mini flash-back gigante“, pois tomará praticamente todo o filme, mostrando o desenrolar das situações que levaram os dois - Rui e Vani - a querer se separar dos seus cônjuges, respectivamente Martha e Sérgio, interpretados por Marisa Orth e Evandro Mesquita; essa, já experiente em seriados, uma vez que já havia participado de outros, como Sai de Baixo e, portanto, está muito bem à vontade ao interpretar uma Martha hipócrita, que por vezes é fria e por vezes é interesseira. Evandro Mesquita está meio exagerado, mas acho que minha opinião não é muito imparcial, porque já não gosto do ator e num filme onde todos os outros estão nivelados, ele parece absurdamente fora de tom em relação aos outros, que dão um show.

O filme não economiza nos palavrões, mas ao contrário do que acontece com a maioria dos filmes nacionais, o excesso de palavrões apenas acentua o humor que eles querem criar e, embora baixos e batante vulgares, eles só nos fazem rir ainda mais. Certamente, o filme não deve ser assistido por crianças e muito menos em família, caso ela seja muito conservadora e rígida. Para os padrões cinematográficos, eu consideraria esse filme como um episódio extendido, uma vez que as estruturas são as mesmas e tudo acontece conforme aconteceria num episódio; nada realmente diferente nem nada surpreendemente incomum. Por ser um filme, é inclusive bastante simples.

Certamente eu recomendo esse filme para todos aqueles que quiserem se divertir e dar boas risadas com os inúmeros absurdos que são ditos no filme além das mais variadas divagações apresentadas. A melhor, sem dúvida, é quando Vani diz que teve um “piripaque”, o padre com o qual Vani e Rui estão conversando não entendem e cada um tenta explicar o significado da palavra - ele dizendo que é “peripaque”, porque vem d tupi e significa “ataque de Peri” e ela dizendo que é “pitypack”, porque vem do inglês e significa “pacote de pena”. É simplesmente absurdo de tão engraçado! Inúmeros outos momentos também são demais, como o resultado do moderador de apetite que Martha dá pra Vani dizendo que é um calmante; Vani completamente louca exigindo verdades e destruindo metade a sala do apartamento no qual ela e Sérgio vão morar e, é claro!, as clássicas cenas do arroz (que os convidados não param de jogar) e Vani sendo chamada de “piranha” enquanto atravessa a avenida numa carruagem. Assistam, sim! Vale a pena. :D

Luís

criado por Luís/Renan    08:02:14 — Arquivado em: Filmes

quinta-feira, 26 de março de 2009

EU SEI O QUE VOCÊS FIZERAM NO VERÃO PASSADO

I Know What You Did Last Summer, 1997, 101 minutos. Terror.

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Vamos fazer uma rápida análise da década de 90: mais ou menos na metade, a partir de 1995, começaram a aparecer alguns filmes que resgatavam o assassino mascarado dos anos 70 e 80. A diferença é que esses assassinos estavam inseridos num contexto humano, no qual podem morrer (mas curiosamente nunca morrem) e estão dispostos a vingarem a si mesmos ou a outros por causa de um ato que uma pessoa ou um grupo de pessoas cometeu no passado. Aí podemos citar filmes como Pânico, Eu Sei o Que…, Lenda Urbana, etc. Quatro jovens atropelam um homem na estrada no 4 de Julho; sem saber o que fazer, eles decidem jogar o corpo no mar. Um ano depois começam a receber cartas ameaçadoras, falando sobre o que eles fizeram no verão passado. E como se não bastasse, ainda começam a ser perseguidos e mortos por um homem misterioso, vestindo capa e usando um gancho como arma. Basicamente é essa a sinopse.

O elenco é composto por atores que eram conhecidos do público, mas certamente ainda não eram grandes astros de Hollywood, como Sarah Michelle Gellar (Buffy, a Caça-Vampiros), Freddie Prinze Jr. (Scooby Doo), Jennifer Love Hewitt (Melinda, de Ghost Whisperer), Ryan Philipe (Crash - No Limite). Acho que eles representam muito bem o estereótipo do adolescente estúpido e todos parecem estar em sincronia em relação a isso. É claro que existe uma diferença brutal na qualidade do filme se nós o assistirmos hoje! Não  falta de cuidados técnicos como podemos ver que não foi feita uma análise muito eficiente a respeito do comportamento em filme de terror, já que praticamente nenhum personagem convence o espectador do medo ou desespero que sente. A coisa fica ainda mais tenebrosa quando os personagens têm um insight e encontram uma maneira de fugir do assassino, o que obviamente resulta em nada, uma vez que sempre param num beco sem saída, no último andar do edifício ou eles próprio se matam caindo numa armadilha que o assassino criou premeditando que a vítima faria exatamente aquilo que ele pensa que eles fariam. Eu acredito que uma boa olhada nos filmes Halloween e uma suave inspiração em Jamie Lee Curtis seria extremamente aceitável.

O roteiro obviamente dá destaque às peripécias dos personagens em sua fuga. Também não foge dos clichês, que costumam estragar o gênero - mocinha que cai, vilão que anda mais rápido do que o mocinho, que está correndo, o personagem vendo o assassino maar o outro enquanto ninguém mais vê, assassino-espírito que estra na casa de qualquer vítima sem que ninguém na casa perceba. E é claro que não dá pra falar tudo o que nós estamos sempre acostumados! Numa comparação, embora ambos os filmes sejam do mesmo gênero, Pânico é muito melhor do que Eu Sei o Que Vocês… Algumas coisa soam incoerentes na trama e conforme o filme vai chegando ao final, essas incoerências vão aumentando até que simplesmente o roteiro ousa ao criar um “assassino inimaginável”. Não posso me esquecer também do final clichê no qual os personagens sobreviventes (pois nunca é um só) ficam cercados, num ambiente que tenta causar uma sensação de incômodo no espectador, já que os personagens não têm pra onde ir e acaba ocorrendo lutas fabulosas, entre o mais bobão das vitimas e o assassino, que termina numa pseudo-morte.

Eu não recomendo esse filme. Ele é tão frustrante que deixa o espectador meio chateado quando termina. Isso sem contar que no final ainda tem aquelas brechas para futuras contiuações, que podem ser duas, como no caso dessa franquia ou nove, como em Sexta-Feira 13. Não se pode ignorar também o fato de o segundo filme se chama Eu Ainda Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado, sendo que há passagem de dois anos entre o atropelamento e o segundo filme. Verão Passado? Quanta bobagem… Curioso também que Sarah Michelle Gellar morreu duas vezes no mesmo ano em dois anos diferentes: no primeiro filme dessa série e no segundo filme da série Pânico. Em ambos, ela corre bastante, mas no segundo, sua morte é bem mais interessante! Enfim, optem por um filme melhor, algo mais inteligente, menos infame…

Luís

criado por Luís/Renan    14:06:56 — Arquivado em: Filmes

terça-feira, 17 de março de 2009

AS RUÍNAS

The Ruins, 2008, 91 minutos. Terror.

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Quando o filme chegou até mim, sendo ele da Débora, que o emprestou ao Renan, eu o assisti vorazmente, afoito para saber o motivo de algumas pessoas estarem confundindo o filme com algum baseado na obra de Stephen King. A própria Débora havia me dito que era do SK! Ao assisti-lo, não pude deixar de notar semelhanças com uma obra que realmente é do Stephen King e que chegou a ser adaptada para o cinema. Mas falemos disso mais tarde…

Quatro jovens americanos estão de férias no México e lá encontram um outro rapaz e um grupo de amigos dele;  esse rapaz então propõe que eles visitem umas ruínas que estavam sendo exploradas pelo irmão dele, que já deveria ter voltado, mas que ainda estava lá. Considerando as aventuras às quais podiam se entregar e também a emoção de ver parte do passado, os turistas decidem ir conhecer aquela regiao maia. A trilha até as ruínas é meio confusa e escondida e quando finalmente chegam ao lugar, um grupo de pessoas chega perto deles e o diálogo se torna impraticável, já que eles nao falam a mesma língua; esses homens não deixam que eles saiam do lugar e quando um dos “desbravadores” tenta se aproximar, é morto com uma flechada e um tiro. Os outros cinco, sem opções, sobem até o topo do templo e lá tentam encontrar uma maneira de sair, mas acabam descobrindo, da pior maneira, que os homens lá embaixo não são o único problema que eles terão que enfrentar.

Basicamente, resume-se o filme a isso. O outro problema que eles enfrentarão é uma espécie maluca de planta, algo como um trepadeira, que tem uma tendência a comer carne. Podemos perceber que o problema está naquelas plantas logo no começo do filme, quando Amy está pisando sobre ela e fotografando os mexicanos enfurecidos. Assim que Dimitri pega a câmera da mão dela - pisando nas plantas também - e se aproxima para entregar aos homens, eles o matam. Percebemos então que tem algo a ver com aquilo, pois embora a moça também estivesse tocando nas vinhas, ela não fez menção d se aproximar. O que é realmente interessante no filme é a forma como foi conduzido: as plantas não são simplesmente devoradoras de carne, há algo a mais nelas e definitivamente há algo a mais na forma como as pessoas enxergam essas plantas. É quase religiosa a maneira como os mexicanos veem aquilo que cresce em torno das ruínas! Meu pai, depois de assistir o filme, comentou que seria muito mais fácil eles incendiarem aquelas vinhas em vez de ficar matando todo mundo que as toca; o problema é que ele (o meu pai) não entendeu a essência das plantas: elas são malignas! Em vez de ser como as outras plantas, aquelas podem ser heterótrofas, o que biologicamente transformaria os acontecimentos vistos em reais e racionais, mas aos nossos olhos as plantas são tidas como a encarnação de algum mal, logo quem iria atentar contra o mal que está contido naquelas plantas? Essa é a essência, por isso seria irracional tentar queimar ou destruir as plantas.

Outro aspecto positivo do filme é a eficiênca em provocar sensações incômodas no espectador. É angustiante assistir ao filme, principalmente se nos pusermos no lugar do personagens e as situações pelas quais eles passam. As cenas iniciais, quando Henrich cai da corda e quebra a coluna e as duas moças têm que descer para ajudá-lo causa uma sensação claustrofóbica no espectador. Outro momento bastante intenso no quesito sensações desagradáveis é quando as duas moças estão sendo cercadas por paredes daquela planta, logo após elas teremd escoberto o corpo putrefado do irmão do rapaz que quebrou a coluna. Os atores do filme não são rostos conhecidos do cinema e isso poderia resultar numa caricatura patética de situações já bem batidas; felizmente os atores são competentes em suas funções e representam muito bem cada situação pela qual eles passam, o que certamente constitui mais um elemento positivo para o filme. Mais um ponto para a produção: o diretor não teve medo de mostrar cenas de forte impacto, como quando um deles tem a perna decepada por uma pedra e logo depois cauterizada por uma frigideira e também cenas onde uma moça tem pernas e costas cortadas para retirar um caule da vinha que invadiu seu corpo através de um corte na perna. E também retratam bem o americano estúpido, assim como foi feito em O Albergue; em As Ruínas, um rapaz comenta que “quatro americanos em férias não podem sumir misteriosamente”. Há de se considerar essa auto-retrato (o diretor é americano) como um aspecto bem interessante.

Quando disse que senti uma semelhança entre esse e um filme baseado numa obra do King, me referia ao filme Creepshow, no qual são mostrados três contos, sendo que o segundo deles foi escrito por SK. No conto chamado A Balsa, quatro jovens pegam  uma balsa e no meio da travessia, desobrem uma estranha mancha na água. Não tarda para que a tal mahca devore um deles, deixando os outros desesperados para sair da balsa o mais rápido possível. No fundo, as situações se equivalem: tanto em um filme quanto em outro, os jovens estão cercados por um agente perigoso (as plntas e a mancha) e encontram dificuldade para sair do lugar vivo (os mexicanos enraivecidos e o imenso mar que separa o ponto onde a balsa está e a praia). As semelhanças são essas, assim como as sensações também se assemleham, mas são obras diferentes, de autores diferentes. Aliás, o próprio autor do livro que oiriginou o filme As Ruínas escreveu o roteiro, mudando coisas de seu próprio livro! Curioso, hein?

Não há como não recomendar o filme, pois realmente vale a pena. Certamente não é nenhuma obra-prima do medo, mas rende bons momentos e desperta emoções conflitantes em quem o assiste. Eu mesmo me senti nauseado e

criado por Luís/Renan    01:07:32 — Arquivado em: Filmes

domingo, 15 de março de 2009

CORRIDA MORTAL

Death Race, 2008, 105 minutos. Ação.

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Sabe o que realmente me deixou interessado nesse filme? Quando eu vi uma série de entrevista sobre filme recentes na TV e Joan Allen, intérprete de Hannessey, comentava sobre o que a levou a aceitar participar do filme, os desafios que o personagem a proporcionou, etc. Então, pensei: “Uma atriz do porte de Allen está no filme; a produção no mínimo deve ser ousada”. Pensamento que obviamente não faz sentido, uma vez que conheço inúmeros casos de atrizes/atores ganhadores do Academy que acabaram se envolvendo em verdadeiros absurdos cinematográficos.

Um homem é condenado à prisão depois que sua esposa é assassinada e a culpa é atribuída a ele que coincidentemente foi m ex-piloto, o que é extremamente conveiente à Hennessey, diretora do presídio, que organiza corridas no qual só o vencedor sai vivo. O filme acontece em 2012, uma época em que as prisões foram privatizadas, a barbárie dominou a sociedade, fazendo com que o índice de criminalidade aumentasse muito. Isso é dito no começo do filme, numa introdução bastante interessante, que mostra um tom apocalíptico da sociedade na qual estão inseridos os personagens. Todo esse prólogo interessante e as possíveis direções que tal situação poderia fazer com que surgisse são simplesmente ignoradas e o filme. O filme, aliás, é um remake do original de 1975, chamado Corrida Mortal -Ano 2000. Cheguei no começo a pensar que podria haver algo de novo ali, mas parece que Hollywood desistiu das novidades e estão apostando cada vez mais nas adaptações e remakes!

Esse é o típico filme de ação que os pais - homens de meia-idade cuja adolescência foi representada por ícones da selvageria, como Stallone em séries como Rambo - gostam, pois não há desenvolvimento de nada; apenas explosões, tiros, carros capotam, velocidade ao extremo e luta! Como eu disse, o tom apocalíptico é totalmente ignorado e nada é completamente desenvolvido a não ser as cenas que definem bem o gênero ação. Jason Statham, que interpreta Jensen Ames, está bem à vontade no papel do injustiçado e batalhador prisioneiro, até porque é difícil assimilá-lo a outro gênero que não a ação. Joan Allen tambem está bem, embora obviamente não haja grande desenvolvimento de sua personagem, que se limita a usar um tom de voz que é extremamente conveniente para o perfil austero da personagem. Sua caracterização é bastante eficiente, pois não há como não se sentir levemente intimidado pela mulher que Hennessey representa. Há algumas personagens se que é se pode chamá-las assim femininas, mas essas não significam nada, afinal, só aparecem naquelas passagens que os diretores adoram: câmera lenta, vento agitando os cabelos, salto alto, decote generoso, bunda empinadinha, etc. Isso claro que não acrescenta nada ao filme, mas certaente é curtição para homens que vivem batendo punheta de filminhos quaisquer e adolescentes que batem mais punheta ainda viciados em filminhos pornôs.

De uma maneira geral, há bastante entretenimento no filme, porque é possível ao espectador curtir a estória que o filme mostra. Nada espetacular, nenhuma obra-prima e um filme totalmente esquecível, mas que entretém enquanto está sendo visto. Mas rende bons momentos enqanto nós  assistimos. Eu recomendo esse filme, sim, porque vale a pena, são momentos interessantes de diversão.

Luís

criado por Luís/Renan    18:15:48 — Arquivado em: Filmes — Tags:

sábado, 14 de março de 2009

AUTO DA BARCA DO INFERNO

Auto da barca do inferno,  1517,  45 páginas,  Teatro.

Literatura obrigatória na FUVEST e UNICAMP

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O livro trata de diversas pessoas que morrem e tem que “partir”, e é esse o grande problema, já que há duas opções:  a Barca do Diabo (onde vai também seu ajudante) e a Barca do Anjo. Antes de entrar, eles são julagados pelo que fizeram em vida.

O primeiro a aparecer é o Fidalgo (Homem Nobre), que como todos pergunta ao Diabo para onde aquela barca vai e quando tem a resposta fica indignado e vai a proucurar do Anjo, implorando um lugar. Numa passagem muito boa, o Fidalgo diz: que sua mulher vai querer ve-lo na proxima vida e o Diabo zomba com ele, dizendo que as lagrimas dela eram de alegrias e as “lastimas que dizia” foi “sua mãe que lhe ensinou”. Por fim, convencido, ele entra na barca do Diabo:
“Entraremos, pois assim é.
 Ó barco, como és ardente!
 Maldito quem em ti vai”

>>A sentença desse personagem é a condenação da frivolidade, da soberba e da tirania

O segundo a aparecer é o Onzeneiro (Agiota), que pergunta ao Diabo qual o destino da barca, e quando sua pergunta é respondida diz:
“Não vou eu em tal barca
 Estoutra tem avantagem”
Dirigi-se a barca do Anjo, e é rejeitado pelo próprio, que diz que que a ambição é feia, e é filha da maldição. Por fim, rendido, entra na barca do Inferno.
>>A sentença do Onzeneiro é a condenação da usura, da ganância e da avareza

O terceiro é o Parvo (Bobo), que quando tem a resposta a pergunta que os dois primeiros fizeram ao Diabo, insulta o Diabo de diversas expressões depreciativas (”Furta-cebolas, Excomungado nas igrejas, Filho da grande aleivosa), e quando vai a barca do Anjo,  é o primeiro a ter uma resposta positiva. O Anjo diz:
“Tu passarás, se quiseres
 porque em todos teus fazeres
 por malícia não erraste”

>>A sentença do Parvo é a glorificação da modéstia e da humanidade

O quarto é o Sapateiro, que reclama muito, quando o Diabo diz que não tem escolha se não a de entrar em sua barca. O Sapateiro diz:
“Quantas missas eu ouvi,
 que me hão-de elas prestar?
 (…)E as ofertas, que darão?
 E as horas dos finados?”
Indignado, ele vai ao Anjo, e recebe dele mais uma resposta negativa. Vencido, volta ao Diabo e entra em sua barca, dizendo: “…e levai-me àquele fogo!”
>>A sentença do sapateiro é a condenação da má fé no comércio e da hipocrisia religiosa.

O quarto personagem é o Frade (Padre), que já chega acompanhado de uma namorada chamada Florença. Ele chega cantando e dançando, trazendo também uma espada de esgrima. Como era um religioso, quando houve a proposta do Diabo fica  indignado e vai a barca do Anjo, onde conversa com o Parvo, que diz ao Frade que ele não chegou em uma boa hora. Convencido, ele e Florença vão a barca do Inferno. O frade até diz: “Vamos onde havemos de ir”.
>>A sentença do Frade é a condenação do falso moralismo religioso.

A quinta personagem é uma cafetina, que também se revela feiticeira chamada Brísida Vaz. Mais uma vez, o Diabo faz o convite e ela o recusa, indo na direção do Anjo e tenta convence-lo de que merece ir na barca Celestial, até diz:
“Eu sou apostolada
 angelada e martelada
 e fiz coisas mui divinas”

Rejeitada pelo Anjo, ela se volta ao Diabo e aceita ir na barca dos Renegados.
>>A condenação de Brísida é a prostituição.

O sexto personagem é um Judeu, que chega carregando um bode (simbolo do judaismo). Inicialmente até o Diabo o rejeita, dizendo que não levará nenhum bode em sua barca e o Judeu diz:
“Porque não irá o judeu
 onde vai Brísida Vaz?”

Vai até a barca do Anjo, onde também é rejeitado pelo Parvo. O Judeu volta ao Diabo, e esse o aceita, contudo terá que levar o bode na coleira.
>> A condenação do Judeu é ir contra os principios católicos.

O sétimo e o oitavo personagem é o Corregedor (Juiz), e o Procurador (Advogado), respectivamente. Eles se misturam depois da chegada do Procurador, pois em vida trabalhavam junto. O Procurador até diz ao Corregedor: “Beijo-vo-las mãos, juiz!”. Os dois tentam convencer o Diabo e o Anjo que merecem ir ao Paraiso, e pra isso usam diversas frases em latim. Os dois são criticados pelo Parvo e renegados pelo Anjo, até que só sobra a opção da barca do Inferno para os dois.
>>A sentença dos dois é a condenação da burocracia corrupta e uso do poder em proveito próprio.

O nono personagem é um enforcado. Ele era escrivão em vida  e acusado de ser testa-de-ferro no trabalho. Ele ainda vem com a corda com a qual se matou. Ele discuti com o diabo, defendendo a sua idéia de que deve ir para a barca do  Paraíso. Mas o diabo o convence de que não merece o Paraíso, e o enforcado entra na barca do Diabo, dizendo:
“Entremos, pois que assim vai”
>> A sentença do Enforcado é praticamente a mesma que a so Corregedor e do Procurador.

Por fim, o décimo conjunto de personagem são os 4 cavaleiros que morreram nas Cruzadas em uma região da África. Eles chegam cantando e não perguntam ao Diabo para onde aquela barca vai, o que o espanta. Eles vão direto para a barca do Anjo onde são bem recebidos. O Anjo até diz:
“Ó cavaleiro de Deus
 a vós estou esperando”

>>A sentença deles é a glorificação do ideal das Cruzadas e do ideal do Cristianismo puro.

“E assim, embarcam.”

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Gil Vicente (1465 — 1536) é geralmente considerado o primeiro grande dramaturgo português, além de poeta de renome. A obra vicentina é tida como reflexo da mudança dos tempos e da passagem da Idade Média para o Renascimento, fazendo-se o balanço de uma época onde as hierarquias e a ordem social eram regidas por regras inflexíveis, para uma nova sociedade onde se começa a subverter a ordem instituída, ao questioná-la. Foi, o principal representante da literatura renascentista portuguesa, anterior a Camões, incorporando elementos populares na sua escrita que influenciou, por sua vez, a cultura popular portuguesa.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Gil_Vicente

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Como livro, esse vale a pena, apesar de ser uma leitura extremamente curta, ela é bem cansativa. Recomendo a série “Ler é Aprender” do Estadão, de onde tirei muitas informações aqui presentes. No final do livro há um bom resumo do livro.

criado por Luís/Renan    15:45:33 — Arquivado em: Livros

quarta-feira, 11 de março de 2009

ABISMO DO MEDO

The Descent, 2005, 99 minutos. Terror.

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Eis um filme de terror que poderia facilmente passar despercebido e acabar caindo no esquecimento nas locadoras; sorte que o assisti antes que isso pudesse vir a acontecer. O filme narra a história de seis mulheres que se reúnem um ano apos um trágico acidente envolvendo uma delas, no qual seu marido e filho morreram; juntas, elas vão exlorar uma caverna, mas uma das entradas pela qual elas passam acaba fechada após um desmoronamento, obrigando-as a procurar outro meio para sair ao mesmo tempo em que descobrem que não são as únicas dentro da caverna.

Muitos filmes de terror simlesmente escolhem um ponto qualquer da ciência ou mesmo da imaginação e transforma em uma hora e meia de lenga-lenga e chatice, incomodando o espectador, que acaba por se sentir ofendido com tamanha bobagem sendo exibida. Nesse filme, felizmente, tudo é conduzido de maneira racional e extremamente crível (mais tarde exlicarei o porque dessa minha opinião). O roteiro e sua linearidade deixa o filme bastante simles, portanto o espectador apenas tem que assisti-lo e compreender as situações pelas quais passam as personagens. As atrizes são desconhecidas, embora todas sejam bastante eficientes em suas interpretações com destaque a personagem Juno, muito bem conduzida. Aliás, Juno é a personagem mais bem desenvolvida de todo o elenco, embora ela não seja a principal. Não é só uma personagem física, cuja função é correr de um lado pro outro gritando sem parar. A personagem tem um ótimo desenvolvimento psicológico e suas ações derivam da sua maneira de pensar e da sua forma impulsiva de agir, o que resulta em grande momentos nesse filme. O melhor de tudo é o efeito de ação e reação que é mostrado.

Sabe aqueles filmes de terror em que o personagem caminha numa pseudo-escuridão? O espectador enxerga tudo, mas o personagem parece estar misteriosamente envolto por um breu apocalíptico! E não há como não dizer que isso não seja irritante! Nesse filmes, esses aspectos patéticos e infames que os filmes gostam de nos mostrar são completamete ignorados, assim como aquela infinita sucessão de sustos fáceis (que acontecem com a elevação exagerada do som ou um grito de outro personagem). Nesse filme, o espectador se sente envolvido pelo clima e (quase) se sente no filme. Nada de muita luz e atores fingindo que não enxergam, há escuridão mesmo! E isso é muito bom, porque permite que quem esteja assistindo possa imaginar muito do que realmente acontece. Outro coisa bem elaborada foi a caracterização dos seres que vivem dentro da caverna. Achei realmente inteligente criarem espécies humanóides cegas, porém bem desenvolvidas.

Há um único ponto do filme que eu realmente não gostei, pois não gosto dessas tentativas falhas e irritantes de enganar o espectador com um falso final, para depois descobrirmos que aquilo que vimos não é exatamente o que aconteceu. Mas, de uma maneira geral, o filme é bem interessante e entretem a quem o assiste. O resultado final certamente é positivo…

Luís

criado por Luís/Renan    00:51:08 — Arquivado em: Filmes

segunda-feira, 9 de março de 2009

MARLEY & EU

Marley & Me, 120 minutos, 2008, Comédia.

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Quando soube da adaptação do do livro Marley & Eu, fiquei animado. Gostei muito do livro. E a minha expectativa não foi em vão, o filme realmente é tão bom quanto o livro. O filme nos leva ao mundo do casal Grogan, onde Jenny (Aniston) quer ter um filho, mas John (Wilson) fica inseguro e aceita a ideia de seu amigo Sebastian a comprar um cachorro, e é ai que começa toda a aventura do filme. Achei Jennifer Aniston bem no papel de Jenny, e quando soube que era Owen Wilson, no papel de John, confesso que não gostei muito, mas ele se provou muito satisfatório e pode parecer ironia, mas não é, os cachorros se provaram extremamente competentes como animais-atores.

Quanto ao genero, eu o classificaria como uma comédia-dramatica (nem sei se isso existe), pois mais para o final do filme não se ve nenhuma risada no filme e sim várias lagrimas (eu inclusive tive que segurar as minhas), toda a capacidade do diretor de fazer um filme tão leve, se transforma de repente. Pontos que seriam apenas mais um motivo de risada (como exemplo o colar) são retomados e deixam o filme com um toque bem denso, algo comum em dramas, apesar disso ser claro no livro, visto, ficou bem melhor que a minha imaginação. E todos os desejos de ter um cachorro se reforçam (o meu pelo menos), com o laço que é demonstrado entre cão e dono, laço que nem o nascimento dos filhos deixou de existir, e afetou a familia como um parente perdido. [SPOILER] Não há como citar apenas uma cena boa, mas acho que o contexto final (a morte, o enterro, a última “conversa” entre os dois) ficou muito muito boa. [FIM DO SPOILER]. A única coisa que não gostei do filme foi aquela passagem super rápida, que sintetiza a passagem do tempo, porém faz o espectador que lê mais devagar, se perder. Acho que esse é o único ponto ruim, excluido, é claro, o nariz de Owen Wilson.

É um filmaço pra toda família, contendo cenas que induzem ao sexo, porém “recatadas” quando se comparadas a algumas cenas de novelas, porém não sei se seria recomendado deixar crianças assitirem, como vários pais fizeram.

Renan

criado por Luís/Renan    07:00:07 — Arquivado em: Filmes — Tags:

sábado, 7 de março de 2009

BATMAN

  1. Batman, 1989, 126 minutos.
  2. Batman - O Retorno, 1992, 126 minutos.
  3. Batman Eternamente, 1995, 122 minutos.
  4. Batman e Robin, 1997, 130 minutos. 

 

     Eis a primeira versão do famoso morcego-herói, por vezes confundido como vilão, que nós conhecemos. No não tão longíquo ano de 1989, vinte anos atrás, surgiu o filme com grandes nomes, que hoje já não estão mais frequentes nas telas, como Michael Keaton e Kim Basinger. O primeiro veio de um único filme anterior e também participou da sequência do blockbuster que Batman se tornou; já Basinger era uma atriz conhecida, principalmente ao protagonizar o dicionário erótico cinematográfico chamado 9 e 1/2 Semanas de Amor, no exibia suas belas curvas e também fazia exibições extremamente sensuais na cama, no chão, na rua e na chuva com Mikey Rourke. E como se não bastasse, Batman, sob o comando do diretor Tim Burton, foi um dos filmes que iniciaram a liberação de grandes verbas para a produção do filme.

     Divagando mais um pouco, os vinte anos não fazem de um velho tampouco o deixam indigno de ser assistido. Muitas obras são velhíssimas e ainda assim são grandes clássicos do cinema e são obras que não conseguiram ser substituidas ou repostas por remakes; os clássicos, esses nem sequer são cogitados para remakes, pois uma atualização da obra levaria a uma perda da qualidade estutural que foi usada no original, como A Malvada Aconteceu Naquela Noite. Ambas as obras, dois clássicos do cinema, jamais foram recriadas pois não há dúvidas de que seria um erro; um erro tão grande quanto tentar recriar o filme Titanic. Outras produções receberam remakes recentes, como O Massacre da Serra Elétrica, que foi lançado originalmente em 1974 e contava com uma verba baixíssima; sua atualização, lançada há cerca de 4 anos, equiparou-se ao original e ainda apresentou as novidades que a tecnologia da época (década de 70) não permitia. Outros filmes simplesmente recebem continuações, que se tornam infindáveis e, na maioria das vezes, abaixo da qualidade do filme original, como é o caso das sequências de Sexta-feira 13, A Hora do Pesadelo e, inclusive!, o próprio Batman, cuja quarta sequência, entitulada Batman e Robin (só para se ter uma ideia, o filme foi indicado em 10 categorias do Framboesa de Ouro!) foi um verdadeiro fracasso. Então, em 2005, veio um remake desse filme. O filme recebeu uma atualização, foi estrelado por novos atores, um desenvolvimento diferente para alguns pontos na história… Mais para frente vocês compreenderão o porquê dessas minhas palavras.

 

     Há exatos 20 anos, surgiu o primeiro de uma série que renderia 4 filmes e o surgimento de uma franquia que daria um fim à história começada em 1989 e recomeçaria tudo a partir do ponto zero. Além dos astros já citados no primeiro parágrafo, há também outro ator de grande importância e, curiosamente, o que mais funciona nesse filme: Jack Nicholson, que interpreta o sádico Curinga. O filme rendeu bastante dinheiro, embora eu não saiba a que creditar todo esse mérito, uma vez que o filme está longe deser uma grande obra, como a história de outros super-heróis viriam a se tornar. Esse primeiro filme é um aglomerado de falhas e inexpressividades, assim como mal aproveitamento dos atores. Para começar, já é destoante o perfil de Michael Keaton para o papel do morcego, considerando que Keaton é praticamente um anti-Batman, considerando todos os seus trejeitos, expressões e caracteríticas; a aparência, para que comecemos simpatizando com o personagem é fundamental, e o ator que dá vida ao herói é tão fosco que se torna muito difícil acreditar que o seu alter-ego seja defensor de Gotham City. A acerca da caracterização de Gotham, não se pode negar que, para um filme da década de 80, a cidade foi muito bem definida e nós realmente temos a impressão sombria a respeito da cidade, a iluminação escura também ajuda bastante no clima do filme, principalmente ao contrastar com as tomadas bem claras, como as do escritório em que Knox e Vale trabalham. Vicky Vale, personagem de Kim Basinger, é a amostra clara de que um roteiro que desenvolve mal um personagem impede completamente o ator de torná-lo carismático: Vale só da gritinhos, faz poses, anda pra lá e pra cá, é perseguida pelo Curinga e salva pelo Batman. Em duas horas de filme, isso é tudo que Basinger faz (e nem sequer fica nua, para relembrar os saudosistas da sua maratona sexual com Rourke). Como disse anteriormente, o destaque fica por conta da boa interpretação de Nicholson, que desenvolveu bem o seu Curinga. As piadas são de extremo humor negro, assim como as suas atitudes, mas isso também acaba comprometido por causa do roteiro, que mostra algumas situações bem estranhas e incabíveis, como o fato de o assassinato dos pais de Wayne ter sido cometido pelo Curinga e também a explicação bem ridícula que eles dão para explicar a maquiagem do personagem. Outro grande problema do filme, é a ausência de realidade na maioria das cenas. Algumas são extremamente patéticas de tão exageradas e falsas, como quando o Curinga frita literalmente um homem após cumprimentá-lo com um aperto de mão. Enfim: o roteiro é cheio de furos, os coadjuvantes nem sequer chegam a ser coadjuvantes, o Batman é um anti-Batman e nada, com exceção do corpo de Kim Basinger, consegue provocar a simpatia do espectador.

 

     Curiosamente, o filme fez muito sucesso, rendendo uma continuação três anos depois e com a inserção de novos personagens para confrontar o morcego. Na primeira sequência, temos a Mulher-Gato, magnificamente interpretada por Michelle Pfeifer e Pinguim, um ser deformado que foi abandonado nos boeiros e vive no esgoto. No papel principal, mais uma vez Michael Keaton em sua mesma performance razoável do primeiro filme, que felizmente conta com uma presença feminina de extrema força e carisma. Os aspectos técnicos continuam os mesmos do filme anterior e eu diria inclusive que os filmes se equiparam bastante, pois, embora haja uma personagem com quem simpatizamos (Mulher-Gato), há todos os outros para que nós nos cansemos de vê-los em suas interpretações, principalmente Danny DeVitto, como Pinguim, um ser bastante medíocre que não causa nenhum sentimento nos espectadores a não ser cansaço. Já Christopher Walken, intérprete de Max Shrek, é extremamente irritante. O que quero dizer é que sua interpretação é irritante e não que havia necessidade de que seu personagem o fosse. Considerando tudo o que acontece no filme, não se pode deixar de elogiar a caracterização perfeita de Michelle Pfeifer, irrepreensível naquela roupa apertada e em suas falas deliciosas. O que salva o leitor do cansaço em alguns momentos é a aparição divertida da Mulher-Gato, com toda a sua flexibilidade, agilidade e também sensualidade. Cabe à Michelle Pfeifer duas das melhores cenas do filme, sendo que uma delas a realidade é incrível; são elas: o empurrão, seguido de queda, na meia hora inicial e a destruição do seu próprio apartamento, momentos depois de sobreviver à queda e momentos antes de vira a felina bandida. Esse filme deu carreira solo à gata, que doze anos depois ganharia o seu próprio filme, entitulado Mulher-Gato; ironicamente, o péssimo filme é interpretado pela ótima Halle Berry e a história da felina é um pouco modificada. Os personagens do primeiro filme não são resgatados nesse segundo, logo Kim Basinger e Jack Nicholson não reaparecem; a primeira simplesmente some dessa continuação e o segundo morreu no filme anterior, justificando assim a sua ausência. O filme, embora razoavelmente mais interessante do que o primeiro, ainda se perde em situações pra lá de maçantes, diálogos inúteis e personagens que parecem não ter finalidade alguma e, no caso de alguns, realmente não têm! Mesmo assim, veio a segunda continuação da série e o terceiro filme com o personagem Batman…

   

     Depois de dois filmes, o Batman recebeu um intérprete mais adequado: Val Kilmer. Talvez ele tenha sido o ator que mais combina com o personagem da antiga cronologia. O filme, no entanto, perdeu todo o chame que poderia ter, pois em vez de abordar a relação complicada entre Batman e Gothan, que não sabe se o considera um herói um um vilão, e resolveu dar uma característica mais humorística a todos os vilões, sem que se mantivesse a essência ruim deles. O resultado é no mínimo broxante, pois Jim Carrey, O Charada, atua como se estivesse em um de seus filmes de comédia, e Tommy Lee Jones está insurportalvemente patético como o Duas Caras; outra fato curioso é a forma como eles ignoraram “detalhes” dos filmes anteriores e o Harvey Dent Duas Caras não é mais negro, como no primeiro filme, ele agora é branco! Branco e púrpura! E extremamente caricato! Mas quanto a isso, todos os personagens são. Nem mesmo a pobre Nicole Kidman, absurdamente bonita, consegue dar um ar mais digno ao filme, que certamente não é de todo ruim, mas está longe de ser o Batman que a maioria dos espectadores espera ver. É na terceira produção envolvendo o herói que conhecemos o parceiro que participaria de maneira efetiva e também estaria presente no título: Robin. São, portanto, dois heróis combatendo dois vilões. E os quatro não acrescentam ao filme; se Nicole Kidman ou Drew Barrymore talvez, tivessem ficado nuas… Val Kilmer, aliás, usa uma roupa que é mais apertada do que a roupa da Mulher-Gato no filme anterior! E, como se não bastasse, esse filme ainda usa um artifício que definitivamente não combina com as histórias do morcego: o tom colorido.  Morcegos não combinam com azul, vermelho, amarelo, discoteca, holofotes, etc. Combina com escuridão. Uma curiosidade é que Carrey quebrou parte da mobíla do trailer treinando o rodopio d’O Charada; eu simplesmente não enxerguei esse rodopio! Nunca o vi, aposto que devo ter piscado - provavelmente em todas as cenas que O Charada aparecia. Não resta dúvidas de que o Batman, que já não era grande coisa em 1989, havia declinado bastante 6 anos depois. Mas a bomba ainda estaria por vir.

     Em 1997, para desespero dos fãs, surge Batman e Robin, ilme que enterraria por quase dez anos o morcego, o seu fiel ajudante e toda a galera que vilões que se reunia para destruir o herói. Curiosamente, não só é o pior como também o maior filme! Essa obra que eu poderia chamar de fossa reúne todos os erros dos três primeiros filmes: os vilões são extremamente caricatos, excesso de cores em todas as tomadas, a enorme quantidade de furos no roteiro, a maneira desesperadora como Joel Schumacher dirige, o acréscimo de mais uma heroína, enfim tudo é falho nesse filme. Principalmente se considerarmos que seja um filme do Batman! Não me surpreende quetena recebido praticamente todas as possíveis indicações para o Framboesa de Ouro. E quem achou que George Clooney seria bom para o papel? Não nego que ele tenha charme, mas não como o morcego! Temos que convir que somente num filme ruim da sessão da tarde poderíamos ter a seguinte junção : Arnold Schwarzenegger com vilão, árvores que crescem com um pedido, um monstro musculoso e sem cérebro, Alicia Silverstone (sim, essa mesma… uma das Patricinhas de Beverly Hills) no mesmo nível do Batman. Nem há muito o que comentar a respeito desse filme, porque comentá-lo certamente é mais desrespeitoso do que assisti-lo. O resultado final: Batman some das telas por oito anos.

 

     Depois de se revear um belo fracasso de bilheterias e também frustar muitos fãs do herói, que esperavam ver algo bem melhor, não havia outra solução senão matar definitivamente toda a velha série e dar início a uma nova. Não fazendo do novo film um remake do antigo, mas sim desenvolvendo um novo projeto, trabalhando nele para que pudesse ter ao mesmo tempo o melhor em questão de tecnologia e também os acertos (que foram poucos) da cronologia antiga. O surpreendente resultado veio em 2005, num filme que daria início e novo fôlego às produções do herói. Adota-se atualmente a seguinte cronologia:

  1. Batman Begins, 2005, 134 minutos.
  2. Batman - O Cavaleiro das Trevas, 2008,  142 minutos.

  

     Batman, pela primeira vez, é mostrado como um anti-herói e não como a rapazinho simpático e cheio de virtudes como em todos os filmes da cronologia anterior. Aqui ele comete erros, faz burradas e, o mais interessante, não submete as suas vontades ao que é justo! Pois bem, nós conhecemos como foi a formação do Batman e compreendemos cada processo que o levou a ser o que é em vez de simplesmente vê-lo já pronto, preparado para lutar. Aliás, parte do primeiro filme é dedicada exclusivamente ao desenvolvimento dos conhecimentos do personagem e também dedicada a estrutura do caráter de Bruce antes de virar Batman, o que não podemos ver na cronologia estrelado pelos atores Keaton/Kilmer/Clooney. Gotham City é uma cidade sombria, perigosa e definitivamente não tem todo o “charme” que existe na mesma cidade dos filmes anteriores; os personagens, todos em sua maioria, sao bem interpretados por atores que estão seguros em seus papéis. Acho que as principais modificações foram: 1) as características na personalidade do Batman, que inclusive parou de ter uma namoradinha por filme, 2) a fotografia escura e sombria da cidade e, por fim, 3) os vilões, que estão definitivamente mais insanos, cruéis, realistas e também divertidos. A diversão, no entanto, não é o tipo que danifica o filme, transformando em comédia o que deveria ser eletrizante; é a diversão que causa a simpatia do espectador por algum personagem em específico, como é o caso do Curinga, que faz de sua instabilidade psicológica um fator extremamente útil ao filme.

 

     É óbvio que novos personagens ainda serão acrescentados ao elenco assim como outro abandonarão a série, como já vimos, num momento bem triste do segundo filme, esse acontecimento. Curiosamente, Katie Holmes, intérprete de Rachel no primeiro filme, preferiu não continuar no blockbuster, fazendo, então, com que Maggie Gyllenhall fosse contratada, assumindo a personagem no segundo e último filme dela; é claro que posteriormente poderá reaparecer em flashbacks, mas de maneira efetiva Rachel Dawes está fora dos próximos filmes. O Curinga de Heath Ledger sem sombras de dúvida superou o de Jack Nicholson e não há como negar isso! Embora o segundo seja um gênio da interpretação, o primeiro equiparou-se à sua qualidade técnica e o superou no carisma usado para compor o personagem. Agora, precisamos esperar para ver quais serão os próximos acontecimentos na vida do herói: ainda tem a Mulher-Gato, Pinguim, Charada… E felizmente o filme tem se mantido fiel à própria ordem cronológica de forma que personagens antes brancos não se tornem negros, figuras antes sorridentes não fiquem subitamente estranhas sem motivo, etc. Espero também que Christian Bale seja o personaem-titulo até o final, pois de longe é o mais eficiente e convincente. Acredito que o Batman deva ser o personagem dos quadrinhos que mais mereça respeito, porque convenhamos: o cara vai na raça. E para aqueles que discordam, vamos analisar. O Homem-Aranha usa seus poderes, lança teias, sobe nas paredes; o SuperMan, como é bem explicado por Bill no segundo volume de Kill Bill, já nasceu com poderes e é o Homem de Aço; a Mulher-Gato reviveu por intermédio de forças sobrenaturais; os X-Men dispensam comentários. Mas o Batman é um homem com habilidades e equipamentos que lhe proporcionam capacidade de lutar contra o crime! Merece ou não respeito? 

Para finalizar este post, por que não tomar emprestadas as palavras de um grande personagem? Pois o farei:
“Por que tão sério? Vamos pôr um sorriso nesse rosto…”.
E é exatamente com um belo sorriso que se deve assistir ao Herói Mascarado!

Luís

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quinta-feira, 5 de março de 2009

CONVITE PARA UM HOMICÍDIO

A Murder is Announced, 1950, 250 páginas. Romance policial.

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Não tenho dúvidas de que algumas pessoas nasceram para a literatura. Agatha Christie, sem sombras de dúvida, nasceu para escrever romances policiais com intrincadas situações que são belamente solucionadas no final pelos seus eficazes personagens Poirot ou Miss Jane Marple, sendo que essa é a participante desse livro. O que você faria se no jornal local fosse noticiado um convite para que todos os moradores do bairro apareçam em sua casa para participarem de um homicídio? É exatamente isso que acontece e, pensando tratar-se de um brincadeira, Letitia Blacklog recebe alguns de seus vizinhos em sua casa para o tal homicídio. O que era para ser uma brincadeira, no entanto, acaba com dois tiros disparados contra a dona da casa e também a morte do assaltante. s tentativas de assassinato, porém, não param…

É nesse rede de suspeitas que os personagens se encontram e se confrontam. A dúvida paira sobre todos e inclusive sobre os mais fortes, que insistem em permanecer calmos e inalterados. Nunca fui fã de Jane Marple, prefiro muito mais as células cinzentas de Poirot. A velhinha simpática, apesar de muito inteligente, parece sumir junto com os oturos personagens e, preconceito ou não, acho que ela não tem o perfil de velhas que se aventuram em crimes. Enfim, apesar disso, esse é um livro muito bom! Principalmente pelas reviravoltas que surgem conforme a estória vai se desenrolando e mais fatos são apresentados. Há a possível tentativa de matar Letty assim como a possibilidade de ela não ter sido o alvo; depois surge o fato de ela estar prestes a receber uma herança e mais tarde surge a história sobre os gêmeos que receberiam a herança caso Letty morresse. O mais vantajoso de ler esse livro é que ele realmente permite que o leitor treine as suas “capacidades detetivescas”, pois todas as informações contidas na história são fundamentais para o resultado final, sem que nada escape ou surjam furos.

O que há de mais esperto no livro é a forma como pequenos detalhes, que às vezes pensamos serem erros, são de grande importância para que cheguemos às conclusões finais de maneira eficaz. É claro que Agatha Christie não é o tipo de literatura a qual adultos se dedicam; eles preferem coisas mais “cultas”, mas eu ainda acho que AC é o tipo de autora que deixa o leitor mais inteligente e com uma visão mais ampla dos acontecimentos, de uma maneira geral. Aos que duvidam, sugiro que leiam esse livro. E vão descobrir que não reconhecer uma pessoa assim que a vê, pode ser perigoso. Tanto quanto receber visitas em casa, lubrificar portas, gostar de flores…

Eu recomendo totalmente esse livro para aqueles que gostam de aventuras policiais cheias de aventura e suspense e que estão preparados para se surpreender com o final de uma história que começa absurda e termina de maneira bem coerente.

Luís

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