sábado, 7 de março de 2009
BATMAN
- Batman, 1989, 126 minutos.
- Batman - O Retorno, 1992, 126 minutos.
- Batman Eternamente, 1995, 122 minutos.
- Batman e Robin, 1997, 130 minutos.Â
    Eis a primeira versão do famoso morcego-herói, por vezes confundido como vilão, que nós conhecemos. No não tão longÃquo ano de 1989, vinte anos atrás, surgiu o filme com grandes nomes, que hoje já não estão mais frequentes nas telas, como Michael Keaton e Kim Basinger. O primeiro veio de um único filme anterior e também participou da sequência do blockbuster que Batman se tornou; já Basinger era uma atriz conhecida, principalmente ao protagonizar o dicionário erótico cinematográfico chamado 9 e 1/2 Semanas de Amor, no exibia suas belas curvas e também fazia exibições extremamente sensuais na cama, no chão, na rua e na chuva com Mikey Rourke. E como se não bastasse, Batman, sob o comando do diretor Tim Burton, foi um dos filmes que iniciaram a liberação de grandes verbas para a produção do filme.
    Divagando mais um pouco, os vinte anos não fazem de um velho tampouco o deixam indigno de ser assistido. Muitas obras são velhÃssimas e ainda assim são grandes clássicos do cinema e são obras que não conseguiram ser substituidas ou repostas por remakes; os clássicos, esses nem sequer são cogitados para remakes, pois uma atualização da obra levaria a uma perda da qualidade estutural que foi usada no original, como A Malvada e Aconteceu Naquela Noite. Ambas as obras, dois clássicos do cinema, jamais foram recriadas pois não há dúvidas de que seria um erro; um erro tão grande quanto tentar recriar o filme Titanic. Outras produções receberam remakes recentes, como O Massacre da Serra Elétrica, que foi lançado originalmente em 1974 e contava com uma verba baixÃssima; sua atualização, lançada há cerca de 4 anos, equiparou-se ao original e ainda apresentou as novidades que a tecnologia da época (década de 70) não permitia. Outros filmes simplesmente recebem continuações, que se tornam infindáveis e, na maioria das vezes, abaixo da qualidade do filme original, como é o caso das sequências de Sexta-feira 13, A Hora do Pesadelo e, inclusive!, o próprio Batman, cuja quarta sequência, entitulada Batman e Robin (só para se ter uma ideia, o filme foi indicado em 10 categorias do Framboesa de Ouro!) foi um verdadeiro fracasso. Então, em 2005, veio um remake desse filme. O filme recebeu uma atualização, foi estrelado por novos atores, um desenvolvimento diferente para alguns pontos na história… Mais para frente vocês compreenderão o porquê dessas minhas palavras.
    Há exatos 20 anos, surgiu o primeiro de uma série que renderia 4 filmes e o surgimento de uma franquia que daria um fim à história começada em 1989 e recomeçaria tudo a partir do ponto zero. Além dos astros já citados no primeiro parágrafo, há também outro ator de grande importância e, curiosamente, o que mais funciona nesse filme: Jack Nicholson, que interpreta o sádico Curinga. O filme rendeu bastante dinheiro, embora eu não saiba a que creditar todo esse mérito, uma vez que o filme está longe deser uma grande obra, como a história de outros super-heróis viriam a se tornar. Esse primeiro filme é um aglomerado de falhas e inexpressividades, assim como mal aproveitamento dos atores. Para começar, já é destoante o perfil de Michael Keaton para o papel do morcego, considerando que Keaton é praticamente um anti-Batman, considerando todos os seus trejeitos, expressões e caracterÃticas; a aparência, para que comecemos simpatizando com o personagem é fundamental, e o ator que dá vida ao herói é tão fosco que se torna muito difÃcil acreditar que o seu alter-ego seja defensor de Gotham City. A acerca da caracterização de Gotham, não se pode negar que, para um filme da década de 80, a cidade foi muito bem definida e nós realmente temos a impressão sombria a respeito da cidade, a iluminação escura também ajuda bastante no clima do filme, principalmente ao contrastar com as tomadas bem claras, como as do escritório em que Knox e Vale trabalham. Vicky Vale, personagem de Kim Basinger, é a amostra clara de que um roteiro que desenvolve mal um personagem impede completamente o ator de torná-lo carismático: Vale só da gritinhos, faz poses, anda pra lá e pra cá, é perseguida pelo Curinga e salva pelo Batman. Em duas horas de filme, isso é tudo que Basinger faz (e nem sequer fica nua, para relembrar os saudosistas da sua maratona sexual com Rourke). Como disse anteriormente, o destaque fica por conta da boa interpretação de Nicholson, que desenvolveu bem o seu Curinga. As piadas são de extremo humor negro, assim como as suas atitudes, mas isso também acaba comprometido por causa do roteiro, que mostra algumas situações bem estranhas e incabÃveis, como o fato de o assassinato dos pais de Wayne ter sido cometido pelo Curinga e também a explicação bem ridÃcula que eles dão para explicar a maquiagem do personagem. Outro grande problema do filme, é a ausência de realidade na maioria das cenas. Algumas são extremamente patéticas de tão exageradas e falsas, como quando o Curinga frita literalmente um homem após cumprimentá-lo com um aperto de mão. Enfim: o roteiro é cheio de furos, os coadjuvantes nem sequer chegam a ser coadjuvantes, o Batman é um anti-Batman e nada, com exceção do corpo de Kim Basinger, consegue provocar a simpatia do espectador.
    Curiosamente, o filme fez muito sucesso, rendendo uma continuação três anos depois e com a inserção de novos personagens para confrontar o morcego. Na primeira sequência, temos a Mulher-Gato, magnificamente interpretada por Michelle Pfeifer e Pinguim, um ser deformado que foi abandonado nos boeiros e vive no esgoto. No papel principal, mais uma vez Michael Keaton em sua mesma performance razoável do primeiro filme, que felizmente conta com uma presença feminina de extrema força e carisma. Os aspectos técnicos continuam os mesmos do filme anterior e eu diria inclusive que os filmes se equiparam bastante, pois, embora haja uma personagem com quem simpatizamos (Mulher-Gato), há todos os outros para que nós nos cansemos de vê-los em suas interpretações, principalmente Danny DeVitto, como Pinguim, um ser bastante medÃocre que não causa nenhum sentimento nos espectadores a não ser cansaço. Já Christopher Walken, intérprete de Max Shrek, é extremamente irritante. O que quero dizer é que sua interpretação é irritante e não que havia necessidade de que seu personagem o fosse. Considerando tudo o que acontece no filme, não se pode deixar de elogiar a caracterização perfeita de Michelle Pfeifer, irrepreensÃvel naquela roupa apertada e em suas falas deliciosas. O que salva o leitor do cansaço em alguns momentos é a aparição divertida da Mulher-Gato, com toda a sua flexibilidade, agilidade e também sensualidade. Cabe à Michelle Pfeifer duas das melhores cenas do filme, sendo que uma delas a realidade é incrÃvel; são elas: o empurrão, seguido de queda, na meia hora inicial e a destruição do seu próprio apartamento, momentos depois de sobreviver à queda e momentos antes de vira a felina bandida. Esse filme deu carreira solo à gata, que doze anos depois ganharia o seu próprio filme, entitulado Mulher-Gato; ironicamente, o péssimo filme é interpretado pela ótima Halle Berry e a história da felina é um pouco modificada. Os personagens do primeiro filme não são resgatados nesse segundo, logo Kim Basinger e Jack Nicholson não reaparecem; a primeira simplesmente some dessa continuação e o segundo morreu no filme anterior, justificando assim a sua ausência. O filme, embora razoavelmente mais interessante do que o primeiro, ainda se perde em situações pra lá de maçantes, diálogos inúteis e personagens que parecem não ter finalidade alguma e, no caso de alguns, realmente não têm! Mesmo assim, veio a segunda continuação da série e o terceiro filme com o personagem Batman…
    Depois de dois filmes, o Batman recebeu um intérprete mais adequado: Val Kilmer. Talvez ele tenha sido o ator que mais combina com o personagem da antiga cronologia. O filme, no entanto, perdeu todo o chame que poderia ter, pois em vez de abordar a relação complicada entre Batman e Gothan, que não sabe se o considera um herói um um vilão, e resolveu dar uma caracterÃstica mais humorÃstica a todos os vilões, sem que se mantivesse a essência ruim deles. O resultado é no mÃnimo broxante, pois Jim Carrey, O Charada, atua como se estivesse em um de seus filmes de comédia, e Tommy Lee Jones está insurportalvemente patético como o Duas Caras; outra fato curioso é a forma como eles ignoraram “detalhes” dos filmes anteriores e o Harvey Dent Duas Caras não é mais negro, como no primeiro filme, ele agora é branco! Branco e púrpura! E extremamente caricato! Mas quanto a isso, todos os personagens são. Nem mesmo a pobre Nicole Kidman, absurdamente bonita, consegue dar um ar mais digno ao filme, que certamente não é de todo ruim, mas está longe de ser o Batman que a maioria dos espectadores espera ver. É na terceira produção envolvendo o herói que conhecemos o parceiro que participaria de maneira efetiva e também estaria presente no tÃtulo: Robin. São, portanto, dois heróis combatendo dois vilões. E os quatro não acrescentam ao filme; se Nicole Kidman ou Drew Barrymore talvez, tivessem ficado nuas… Val Kilmer, aliás, usa uma roupa que é mais apertada do que a roupa da Mulher-Gato no filme anterior! E, como se não bastasse, esse filme ainda usa um artifÃcio que definitivamente não combina com as histórias do morcego: o tom colorido. Morcegos não combinam com azul, vermelho, amarelo, discoteca, holofotes, etc. Combina com escuridão. Uma curiosidade é que Carrey quebrou parte da mobÃla do trailer treinando o rodopio d’O Charada; eu simplesmente não enxerguei esse rodopio! Nunca o vi, aposto que devo ter piscado - provavelmente em todas as cenas que O Charada aparecia. Não resta dúvidas de que o Batman, que já não era grande coisa em 1989, havia declinado bastante 6 anos depois. Mas a bomba ainda estaria por vir.

    Em 1997, para desespero dos fãs, surge Batman e Robin, ilme que enterraria por quase dez anos o morcego, o seu fiel ajudante e toda a galera que vilões que se reunia para destruir o herói. Curiosamente, não só é o pior como também o maior filme! Essa obra que eu poderia chamar de fossa reúne todos os erros dos três primeiros filmes: os vilões são extremamente caricatos, excesso de cores em todas as tomadas, a enorme quantidade de furos no roteiro, a maneira desesperadora como Joel Schumacher dirige, o acréscimo de mais uma heroÃna, enfim tudo é falho nesse filme. Principalmente se considerarmos que seja um filme do Batman! Não me surpreende quetena recebido praticamente todas as possÃveis indicações para o Framboesa de Ouro. E quem achou que George Clooney seria bom para o papel? Não nego que ele tenha charme, mas não como o morcego! Temos que convir que somente num filme ruim da sessão da tarde poderÃamos ter a seguinte junção : Arnold Schwarzenegger com vilão, árvores que crescem com um pedido, um monstro musculoso e sem cérebro, Alicia Silverstone (sim, essa mesma… uma das Patricinhas de Beverly Hills) no mesmo nÃvel do Batman. Nem há muito o que comentar a respeito desse filme, porque comentá-lo certamente é mais desrespeitoso do que assisti-lo. O resultado final: Batman some das telas por oito anos.
    Depois de se revear um belo fracasso de bilheterias e também frustar muitos fãs do herói, que esperavam ver algo bem melhor, não havia outra solução senão matar definitivamente toda a velha série e dar inÃcio a uma nova. Não fazendo do novo film um remake do antigo, mas sim desenvolvendo um novo projeto, trabalhando nele para que pudesse ter ao mesmo tempo o melhor em questão de tecnologia e também os acertos (que foram poucos) da cronologia antiga. O surpreendente resultado veio em 2005, num filme que daria inÃcio e novo fôlego à s produções do herói. Adota-se atualmente a seguinte cronologia:
- Batman Begins, 2005, 134 minutos.
- Batman - O Cavaleiro das Trevas, 2008, Â 142 minutos.
    Batman, pela primeira vez, é mostrado como um anti-herói e não como a rapazinho simpático e cheio de virtudes como em todos os filmes da cronologia anterior. Aqui ele comete erros, faz burradas e, o mais interessante, não submete as suas vontades ao que é justo! Pois bem, nós conhecemos como foi a formação do Batman e compreendemos cada processo que o levou a ser o que é em vez de simplesmente vê-lo já pronto, preparado para lutar. Aliás, parte do primeiro filme é dedicada exclusivamente ao desenvolvimento dos conhecimentos do personagem e também dedicada a estrutura do caráter de Bruce antes de virar Batman, o que não podemos ver na cronologia estrelado pelos atores Keaton/Kilmer/Clooney. Gotham City é uma cidade sombria, perigosa e definitivamente não tem todo o “charme” que existe na mesma cidade dos filmes anteriores; os personagens, todos em sua maioria, sao bem interpretados por atores que estão seguros em seus papéis. Acho que as principais modificações foram: 1) as caracterÃsticas na personalidade do Batman, que inclusive parou de ter uma namoradinha por filme, 2) a fotografia escura e sombria da cidade e, por fim, 3) os vilões, que estão definitivamente mais insanos, cruéis, realistas e também divertidos. A diversão, no entanto, não é o tipo que danifica o filme, transformando em comédia o que deveria ser eletrizante; é a diversão que causa a simpatia do espectador por algum personagem em especÃfico, como é o caso do Curinga, que faz de sua instabilidade psicológica um fator extremamente útil ao filme.
    É óbvio que novos personagens ainda serão acrescentados ao elenco assim como outro abandonarão a série, como já vimos, num momento bem triste do segundo filme, esse acontecimento. Curiosamente, Katie Holmes, intérprete de Rachel no primeiro filme, preferiu não continuar no blockbuster, fazendo, então, com que Maggie Gyllenhall fosse contratada, assumindo a personagem no segundo e último filme dela; é claro que posteriormente poderá reaparecer em flashbacks, mas de maneira efetiva Rachel Dawes está fora dos próximos filmes. O Curinga de Heath Ledger sem sombras de dúvida superou o de Jack Nicholson e não há como negar isso! Embora o segundo seja um gênio da interpretação, o primeiro equiparou-se à sua qualidade técnica e o superou no carisma usado para compor o personagem. Agora, precisamos esperar para ver quais serão os próximos acontecimentos na vida do herói: ainda tem a Mulher-Gato, Pinguim, Charada… E felizmente o filme tem se mantido fiel à própria ordem cronológica de forma que personagens antes brancos não se tornem negros, figuras antes sorridentes não fiquem subitamente estranhas sem motivo, etc. Espero também que Christian Bale seja o personaem-titulo até o final, pois de longe é o mais eficiente e convincente. Acredito que o Batman deva ser o personagem dos quadrinhos que mais mereça respeito, porque convenhamos: o cara vai na raça. E para aqueles que discordam, vamos analisar. O Homem-Aranha usa seus poderes, lança teias, sobe nas paredes; o SuperMan, como é bem explicado por Bill no segundo volume de Kill Bill, já nasceu com poderes e é o Homem de Aço; a Mulher-Gato reviveu por intermédio de forças sobrenaturais; os X-Men dispensam comentários. Mas o Batman é um homem com habilidades e equipamentos que lhe proporcionam capacidade de lutar contra o crime! Merece ou não respeito?Â
Para finalizar este post, por que não tomar emprestadas as palavras de um grande personagem? Pois o farei:
“Por que tão sério? Vamos pôr um sorriso nesse rosto…”.
E é exatamente com um belo sorriso que se deve assistir ao Herói Mascarado!
LuÃs


 











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Comentário por Rafael — terça-feira, 10 de março de 2009 @ 12:23:24
Muito bom mesmo, dá vontade de ler pros amigos na sessão batman fim de semana, se fosse ter uma sessão batman fim de semana, obviamente.
Creio que os primeiros filmes estavam muito vinculados às HQs, por isso o estilo freak.
Nos últimos, como todas as adaptações, eles estão mais..er..adaptados.
Mas posso estar falando bullshit, como sempre.
Comentário por Inez — sábado, 8 de agosto de 2009 @ 00:50:31
Assisti só o primeiro, apesar de ter gostado não tive paciências para assistir aos demais.
Reconheço que todos são bons.
Comentário por Rubens — sábado, 8 de agosto de 2009 @ 10:40:22
Sempre curti o Batman, mas a série que mais curti dele foi a dele gordinho das antigas, era maluca demais.
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