Literatura e Cinema

“Sem correr no corredor, Nancy” - Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

MARIA ANTONIETA

Clique aqui para ver o trailer original (sem legendas).

Maire Antoinette, 2006, 123 minutos. Drama.

Vencedor do Oscar de Melhor Figurino.

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Kirsten Dunst é uma atriz que já passou por várias performances diferentes: já foi vampira, ao lado de Tom Cruise e Brad Pitt; foi uma líder de torcida; viveu em séculos anteriores; suicidou-se, mas certamente é mais conhecida como Mary Jane, a namorada do Homem-Aranha. Em Maria Antonieta, ela vive uma das rainhas mais temperamentais e turbulentas que a França já viu; nessa obra de Sofia Coppola, ganhadora do Oscar pelo roteiro original de Enconstros e Desencontros, a vida de Maria Antonieta é retratada de maneira bastante humana e sensível.

A austríaca Maria Antonieta é mandada para a França para casar-se com Luís Augusto. Chegando lá, a jovem acaba se surpreendendo com os aspectos da corte, embora nem sempre positivamente. A vida na França traz inúmeros despropósitos que passam a entediar a jovem: o marido parece interessar-se apenas por chaves e cadeados, as fofocas parecem não acabar e personagens vulgares estão inseridos no ambiente cortês. Como fuga, a jovem que logo se torna rainha, cria um mundo à parte, no qual vive suas fantasias e se sente feliz, parecendo alheia ao que acontece no país. Basicamente, é esse o resumo do filme. Kirsten Dunst que desde pequena já trabalha com filmes de época faz um ótimo trabalho caracterizando a rainha. Primeiramente, ela parece confusa com todos os tratamentos que recebe, ficando depois entretida com tudo. No entanto, conforme o tempo passa, Maria Antonieta percebe o quão monótona é a vida na corte e precisa mudar as coisas, transformá-las para que fiquem do seu jeito.

A primeira amostra disso é quando ela bate palmas parabenizando os oradores durante um recital; a ela é avisado que não se permite aplausos, mas mesmo assim ela insiste e todos passam a acompanhá-la, evidenciando que ela acaba de quebrar uma barreira. Luís Augusto, o seu marido, demonstra total falta de interesse por ela enquanto a mãe da jovem faz pressão, reforçando que ela somente terá elos com a família real francesa quando gerar uma criança que seja do mesmo sangue; paralelamente, o conflito torna-se mais pesado pois se espera que ela, esposa do homem que sucederá o rei, dê a luz a uma criança logo, o que acaba não acontecendo. Já rainha, ganha o Petit Trianon, uma espécie de corte particular, onde fica durante as horas vagas com os filhos que tem posteriormente com o rei e com as damas de companhia. Chega inclusive a envolver-se com outro homem, o Tenente Fersen e torna-se a Rainha Má, como é dito pela população pobre que nem ao menos tem pão para comer.

É importantíssimo ressaltar que o filme é uma obra artística somente. Não é um retrato histórico da época nem da personalidade de Maria Antonieta; já que tudo é mostrado com muita sutileza e extrema falta de escala, comparando-se o que é mostrado com fatos históricos. Historicamente, a austríaca foi para a França aos 14 anos para casar-se; aos 18 foi rainha, deu a luz a dois filhos, agiu de maneira superior, ignorando certos problemas sociais; reinou por 20 anos até a população invadir o castelo, promover a desordem e acabar condenando o rei e a rainha à morte; então, aos 38 anos, Maria Antonieta foi guilhotinada. Embora sejam fatos, Sofia Coppola optou por mostrar o lado humano da personagem, inserindo num contexto que não lhe traz prazer e expondo o seu lado sensível. É impossível acreditar que haja passagem de tempo no filme conforme mostra a realidade: Kirsten Dunst está igual desde o começo do filme até o final, sem que ao menos percebamos o efeito do tempo; logo fica confuso para quem não conhece muito sobre esse período compreender os diversos fatores que levaram aquilo que é mostrado no final (que não mostra a morte da rainha).

Uma característica interessante do filme é a trilha sonora e a ambientação. Embora tudo ocorra no século XVIII, persebemos a inserção de inúmeros elementos da época atual, como as características de certas pessoas na corte, alguns diálogos entre personagens. Mas a trilha sonora parece fugir do tema “século XVIII”; é tão atual que chega a ser conflitante com as cenas que vemos. O mais incrível disso é que acabam ficam ótimas, como na cena inicial em que mostra Maria Antonieta deitada enquanto toca um rock divertido. A fotografia do filme também é bonita, com destaque para os diversos tons de rosa utilizado, destacando bem a feminilidade existe no filme. Das cenas, acredito que a melhor seja aquela na qual simulam a “Rainha Má”; os pobres reclamam que não há pão para comer e Maria Antonieta diz, com descaso, enquanto toma banho: “Deixe-os comer brioche”.

Eu recomendo o filme, embora tenha me frustrado parcialmente com a obra. Esperava uma visão mais crítica e histórica, nada tão suave quanto é mostrado. Esperava ao menos ver o final de verdade e não um ponto qualquer antes da guilhotina. Outro fator que incomoda um pouco é a lentidão com a qual o filme é narrado e a aparentável falta de objetividade, já que por várias vezes parecemos não entender o que a diretora quer que vejamos. Mas, de uma maneira geral, o filme é bom e vale a pena ser assistido. Se não valer pela aula de história, valerá para ver Kirsten Dunst num papel menos broxante do que Mary Jane.

Luís

criado por Luís/Renan    10:10:20 — Arquivado em: Filmes

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