domingo, 12 de abril de 2009
A CASA DO LAGO
Clique aqui para ver o trailer original do filme (com legendas).
The Lake House, 2006, 105 minutos. Romance.
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Quando vejo que Sandra Bullock é atriz principal de um filme já sinto um suave desconforto e também uma pequena ponta de felicidade. O desconforto se deve ao fato de eu pensar que ela é uma atriz talentosa quase sempre mal aproveitada nas mãos de diretores medÃocres e estrelando obras cujo roteiro é apenas mais uma cópia de inúmeros outros existentes e que definitivamente não acrescentam nada à vida de quem gasta uma hora e meia em frente a uma TV assistindo ao filme; paradoxamente, a alegria é baseada nas caracterÃsticas desses filmes e na própria atriz, que parece ter sido feita para filmes e personagens como os que ela interpreta. Infelizmente, ela interpreta bem as mocinhas insossas do cinema. O pôster me deixou levemente desconfortável: somado a Sandra Bullock, Keanu Reeves também faz parte do elenco. Particularmente, eu o acho um ator bastante inexpressivo e não conheço grandes filmes nos quais a interpretação dele seja realmente marcante. Há outra questão interessante a respeito desse filme: ele marca o reencontro da atriz com o ator, após 12 anos desde o sucesso Velocidade Máxima, absurdamente exibido na Sessão da Tarde.Â
Kate é uma médica que acaba de sair da casa em que morava, que ficava num lago, para ir morar num apartamento; ao sair, deixa uma carta na caixa de correio, informando ao próximo morador da casa sobre algumas pequenas coisas, como marcas de patas na ponte que leva à casa e sobre um possÃvel erro nas próximas correspondências dela, que podem acabar sendo enviadas à casa do lago. Alex, um arquiteto, pega a carta de Kate e a responde, falando sobre pequenas incoerências por parte dela, como as marcas de patas, que não existem. Ela percebe então a data nas carta: ele vive dois anos antes que ela, no ano de 2004. Pensando tratar-se de uma brincadeira, os dois insistem nas cartas e percebem que realmente há um lapso de tempo que os separa. Acabam se apaixonando um pelo outro.
Vamos a uma análise do elenco: Sandra Bullock e Keanu Reeves estão extremamente bem nesse filme. Enganei-me ao pensar que ele estragaria o filme com sua inexpressividade; ao contrário, os dois parecem se completar magnificamente na obra. Ela interpreta uma jovem médica, embora já tivesse passado dos 40 quando o filme foi produzido; porém, isso não soa incoerente, já que Sandra Bullock realmente parece jovem e os cortes de cabelo apenas ajudam a realçar isso. Keanu Reeves parece bem à vontade ao lado dela, interpretando Alex com a serenidade e beleza necessárias para compor o seu personagem. Não há exageros nas interpretações desses atores, que praticamente estão presentes em todos os momentos. Acredito que os dois realmente tenham muito afinidade, pois não é fácil encontrar filmes nos quais os personagens parecem tão entrosados como é retratado nesse. Aproveitando que estou falando sobre entrosamento, a trilha sonora do filme influencia muito nas cenas que vemos e isso apenas as torna ainda mais bonitas e carismáticas. Música suaves, assim como muitas das cenas, que impressionam pela beleza subjetiva que representam e não exatamente pelo que se espera que seja mostrado.
Quanto ao roteiro, eu fiquei bastante impressionado com a forma com a qual tudo é desenvolvido. Imaginei inúmeros furos e trechos sem explicações, mas se prestarmos bastante atenção, veremos que muito do que está ali é explicado durante as cenas mais simples. Eu gosto de filmes que mostram esses lapsos de tempo e esse representa muito bem a situação dos personagens. Como se não bastasse, há ainda um elemento interessante para acentuar o relacionamento entre Kate e Alex: o livro Persuasão, de Jane Austen, que é o preferido de Kate e que narra uma história sobre a espera, sobre dois personagens que se amam, mas que precisam conviver com a separação e, então, tem uma chance de consumar o amor. Tal qual o relacionamento dos personagens do filme. Eu realmente achei interessante a citação. A única parte que não fica muito bem esclarecida é como as cartas de Kate chegam ao passado, uma vez que elas viajam dois anos até chegar onde Alex está. Mas isso podemos subentender de diversas maneiras, podendo, inclusive, admitir que as cartas apenas serviram para aproximá-los de uma maneira propÃcia a se consumar; tanto é que, se analisarmos com atenção, perceberemos que tudo o que aconteceu na vida de Kate foi resultado de tudo o que ela mesmo disse a Alex. [SPOILER] Isso fica claro durante muitos trechos do filme, como no inÃcio quando ela faz referência sobre as pegadas na ponte, que só viriam a acontecer depois de Alex já estar morando na casa; quando ela comenta sobre a caixa no sótão, a caixa não existia em 2004, sendo posta lá somente quando Alex se muda, deixando-a lá. O acidente no qual Kate presencia um homem morrendo no começo do filme só aconteceu porque dois anos antes Alex sabia que ela estaria naquele lugar [FIM DO SPOILER]. Dessa forma, as linhas vão se unindo, tecendo de maneira extremamente lógica a situação dos dois. Quando digo “lógica”, não me refiro aos dois anos que separam os dois, mas sim à maneira como tudo se conecta.
Acho que há apenas uma coisa um pouco frustrante no filme. Em algumas cenas, o diretor opta por mostrar os personagens juntos, embora sem contato, como nas vezes em que eles estão na mesma praça conversando através de cartas e quando estão num mesmo ambiente, ainda que saibamos que eles não se encontram efetivamente. Isso quebra um pouco da emoção do final do filme, quando o futuro de Alex se junta com o presente de Kate e os dois finalmente podem ficar juntos. Isso, no entanto, não é um grande problema, até porque nós sabemos como será o final no momento em que os dois se descobrem apaixonados.
Não posso deixar de dizer que este é certamente um dos melhores filmes de Sandra Bullock, no qual ela pode mostrar um pouco mais de sua competência como atriz em vez de ficar fazendo macaquices como em Miss Simpatia. A forma como o filme é conduzido, as atuações do casal principal, a trilha sonora, a fotografia, a sutileza presente na maioria das cenas estão perfeitamente cabÃveis com o que o filme pretende mostrar, o que resulta numa obra que deveria ser vista por fãs do gênero romance e também por aqueles que se interessam por filmes leves e com uma bonita mensagem. Esperemos que Bullock faça algum filme de verdade que lhe renda uma indicação ao Oscar…
LuÃs

criado por LuÃs/Renan
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Comentário por Nivea — quinta-feira, 16 de abril de 2009 @ 14:13:34
“…desde o sucesso Velocidade Máxima, absurdamente exibido na Sessão da Tarde. ”
Hahaha
Bom,esse é um dos melhores filmes que eu me lembre de ter assistido…essa coisa de tempo é meio complexa,mas eu achei que foi bem feito.
Comentário por Nivea — quinta-feira, 16 de abril de 2009 @ 14:22:11
Esse é um dos melhores filmes que eu me lembre de ter assistido…
Tomara que faça tanto sucesso na sessão da terde quanto Velocidade Máxima.
Comentário por Débora — quinta-feira, 16 de julho de 2009 @ 15:17:52
Na verdade o final desse filme me decepcionou!Tendo prestado atenção em Alex, representado por Keanu Reeves, notei ansiedade, Ãmpeto, pressa, até certa irracionalidade gerada pelo desejo de encontrar Kate, como na cena na qual ele marca um jantar para dois anos depois!Isso, somado ao acidente que ocorre no inÃcio do filme me trouxeram a firme certeza que Alex morreria no fim do filme, o que não acontece!