Literatura e Cinema

“Sem correr no corredor, Nancy” - Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O MORRO DOS VENTOS UIVANTES

Wuthering Hieghts, 1847, 390 páginas. Drama.

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O primeiro que quero dizer, antes de começar a falar sobre a obra é: não se detenham a ler o livro somente por causa da data em que foi publicado. Emily Brönte criou não somente uma obra que representa fielmente características humanas que devem existir desde que Adão e Eva foram expulsos do paraíso, mas foi além, limitando qualquer outra obra romântica escrita depois dessa a simplesmente copiar a grandeza de sentimentos que ela, a autora, foi capaz de descrever em seus personagens. Ler esse livro não é como ler um dos romances que somos obrigados a ler quando estamos no colégio, como Senhora, Iracema, Amor de Perdição…

Se pudesse classificar com poucas palavras esse livro, eu diria que é “uma história de amor excepcionalmente cruel”. A história fala sobre a entrada do órfão Heathcliff na vida dos Earnshaw, o que causou alegria à pequena Catherine e incômodo no irmão dela, Hindley. Cada vez mais próximos, Heathcliff e Catherine descobriram-se apaixonados um pelo outro. Ela, no entanto, começou a passar mais tempo com Edgar Linton e sua irmã, Isabel Linton. Entre indas e vindas e também grandes mudanças comportamentais, Catherine acabou casando-se com Edgar, provocando a ira de Heathcliff, que fugiu disposto a voltar para fazê-los se arrepender. Anos depois, com imensa fortuna, retorna à Tempetuosa, casa em habitava junto com Catherine, que agora mora na Granja da Cruz dos Tordos.O irmão de Catherine, Hindley, tornou-se proprietário da casa depois da morte de seu pai e tão logo que sua esposa morreu, caiu no vício do jogo e dedicou-se a bebida, deixando à deriva a criança de seu filho Hareton e tornando a vida de todos que residiam na casa um inferno. Com a volta de Heathcliff, as coisas pioram, já que este “devolve” todas as más gentilezas que Hindley lhe dispusera durante a infância, chegando inclusive a transformar o pobre Hareton Earnshaw num criado. A partir daí, dedica sua vingança a quem realmente quer atingir: Catherine e Edgar Linton.

Não encontro palavras para definir com excelência o que esse livro singifica. Incrível, porém, é pensar que esta é a única obra da inglesa Emily Brönte; escreveu um único livro, que hoje é considerado um clássico da literatura, junto com os livros de Shakespeare! Os seus personagens todos são bem delineados, possuem formas quase humanas, que muitas vezes durante a leitura quase chegam a transpôr às páginas. A caracterização do amor que sentem um personagem pelo outro também é muito boa, ainda que o resultado desse amo não seja bom. Tudo que fazem os personagens, fazem por amor, mas isso chega a ser quase destrutível. Tanto Catherine provoca a dor em Hathcliff como a recíproca também é verdadeira; amam-se mas não se permitem estar juntos: ela por respeito a condição que escolheu (de esposa de outro) e ele por obstinação em vingar-se dos dois que supõe tê-lo traído. Ainda que a ame, não lhe poupa o mal capaz de causar; quanto a Edgar Linton, sua vingança é mais cruel e prologada. A autora não limita sua história a três personagens e isso faz com que leiamos quase um épico: vemos o passar das gerações, vemos os que vieram depois de Heathcliff e Catherine, e ainda acompanhamos a vingança desesperada daquele que foi traído. A passagem do tempo está diretamente associada à perversidade do personagem principal, que num determinado momento já busca destruir a vida de Edgar Linton, Catherine, Hindley, Hareton e Isabel; não obstante, também destrói a vida Linton, seu filho, e Cathy, filha de Catherine.

A história toda é narrada para o Sr. Lockwood pela sra. Ellen Dean, que foi governanta da Tempestuosa quando todos eram crianças e mudou-se com Catherine quando esta se casou para Granja da Cruz dos Tordos. Outro ponto é que a história toda é mostrada pela narrativa de outra personagem que, embora parece dizer somente a verdade, pode aumentar ou diminuir bastante enquanto relata os acontecimentos. Quando o livro começa, é bastante difícil compreender quem é quem com a descrição feita pela autora, mas aos poucos cada personagem ocupa seu lugar no espaço e tempo, permitindo que o leitor não fique perdido ao ler o romance. A edição do que livro que peguei era bastante antiga, provavelmente anterior à decada de 60 e isso fez com que inicialmente eu me espantasse com algumas palavras escrita conforme a grafia regente na época; há no livro, protanto, bastante mesóclises e também há muitas combinações de pronome. Em vez de complicar, eu achei, no entanto, que realçou as característica do livro, que se passa no final do século XVIII. A noção de tempo na história, às vezes, fica meio perdida, já que ao leitor complica tentar colocar os acontecimentos numa linha cronológica, mas, depois, por meio de algumas frases e comentários de Ellen Dean, podemos situar o acontecimento a um determinado ano ou, pelo menos, saber quanto tempo se passou desde que outro evento aconteceteu.

Se puderem ler esse livro, eu realmente recomendo que leiam-no. Não retrata bem somente a sociedade da época, mas limita o espaço geográfico no qual acontecem os eventos, forçando o leitor a estar quase lado a lado com toda a fúria de Heahtcliff, a melancolia de Catherine, o horror de Edgar Linton, as ilusões de Isabel; a proximidade que a autora conseguiu criar é imensa e considerar seu livro como uma obra-prima não é exagero. Acredito que o livro engloba tanto em tão poucas páginas, são tantos sentimentos, tantos acontecimentos, que até me sinto meio vazio depois de lê-lo. Não é à toa que Isabella Swan, da série Crepúsculo, lê tanto esse livro. Não há como negar o quão bom esse livro é nem como parar de lê-lo. E a obra é tão boa que já recebeu quatro adaptações para as telas de cinema entre os anos de 1939 e 1992.

Luís

criado por Luís/Renan    10:50:33 — Arquivado em: Livros

2 Comentários »

  1. Comentário por ciça — quarta-feira, 10 de junho de 2009 @ 21:40:29

    eu quero lerrrrrrrrrrrrrr

  2. Comentário por Júlia — quinta-feira, 6 de agosto de 2009 @ 13:28:56

    Luis, finalmente consegui o livro e terminei de ler…
    eu não consigo nem dizer como o livro é INCRÍVEL! A história dura de uma forma que nunca alguém poderá fazer o mesmo!
    Eu praticamente me sentia dentro da Thrushcross Grange e em Ventos Uivantes!

    Emily Bronte conseguiu fazer o que ninguém conseguirá.

    Obrigada pela indicação, gostei muito mesmo.
    Agora vou voltar a ler Orgulho e Preconceito, de Jane Austen.

    :]

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