quinta-feira, 4 de junho de 2009
O ELEVADOR DA MORTE
Down, 2001, 107 minutos. Terror.
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É curioso como as pessoas gostam de se envolver em projetos que narram a vida de objetos inanimados. Gostam de transformar brinquedos em assassinos, mostram geladeiras diabólicas, carros com personalidade humanas; não tardaria para que um elevador também fosse alvo da criatividade em exagero (e quase sempre mal direcionada) dos produtores que querem lançar um filme escroto a cada ano. Ao ver a biografia de Naomi Watts, me deparei com esse filme e busquei crÃticas a respeito: encontrei uma, que dizia que se tratar de uma obra interessante. Conferi.
Mal sei definir do que se trata O Elevador da Morte. Pelo que se deduz, obviamente fala sobre um elevador que mata; mas isso fica tão perdido durante o filme que para mim não há um assunto principal. Logo no começo, somos apresentados ao EdifÃcio Millenium, no qual estão os Elevadores Expressos; pouco depois, percebemos que há algo estranho, já que os equipamentos parecem ter vontade própria. Uma série de acontecimentos estranhos leva uma jornalista de matérias fúteis a investigar os eventos, unindo-se a um mecânico responsável pela manutenção dos expressos. Pronto, acabou aà qualquer sinopse. Queria deixar bem claro que se o filme todo fosse estruturada conforme a minha descrição, talvez tivesse funcionado. Mas, como disse anteriormente, tudo é tão perdido que não se sabe a finalidade de cada coisa.
Eu duvido que tenham contratados pessoas de verdade para fazer o roteiro, porque, por mais desorganizada que uma pessoa seja, não conseguiria dispersas tanto a ponto de se esquecer de mostrar a que o filme veio. Os personagens são muitos para uma história que não comporta tanta gente: uns aparecem e morrem, outros tem um momento pseudo-dramático (e morrem), os figurantes que tem fala morrem e os que não tem fala também morrem. Ainda que o resumo dê a entender que a participação da jornalista e do mecânico seja fundamental, os dois passam a aparecer efetivamente a parte do terço final do filme. Quanto ao personagem “elevador”, não conseguimos identificar exatamente o que faz com que ele seja daquele jeito. Nem sequer quando o filme acaba conseguimos compreender, tamanho o absurdo e o descaso com os quais o tema todo é abordado. Por um lado, eu fiquei muito feliz que não tenham ido além e exagerado (ainda mais) na criatividade. A falta de explicação certamente é melhor do que a presença dela. As atuações são absurdamente decepcionantes; jamais poderia imaginar que no mesmo ano Naomi Watts esteve presente no satisfatório O Chamado e que dois anos depois seria indicada ao prêmio da Academia como melhor atriz. Mas não há como culpá-la, pois num filme há entretenimento ainda que os atores sejam inexpressivos; o que falta aqui é mão firme da direção que peca com ângulos, trejeitos, maneirismos, e desse roteiro que tenta contar uma história sem dizer nada.
O mais broxante de um filme de terror é quando não há clima algum de suspense. O Elevador da Morte consegue ser exatamente assim. Diferentemente de outros “seres inanimados que são vivos”, com o Brinquedo Assassino, que se tornou um Ãcone na década de 90 e que ainda hoje assusta as criancinhas, esta obra não consegue te fazer criar expectativas. Passados 30 minutos, é tão fácil cair no sono… Quando o filme chega ao final, depois de algumas descobertas patéticas quanto ao que pode estar comandando o elevador, chegamos à triste conclusão de que nada de mais inútil e escroto pode acontecer: então, somos apresentados ao coração do elevador. Não falo metaforicamente; quando digo coração, é literalmente. O elevador é uma espécie de “bio-robô”, criação de um sujeito maluco que subitamente é introduzido na história (pressupondo que o espectador já tivesse conhecido dele). A história desanada desde o começo, quando os acontecimentos começam, depois quando os crimes se inciam e posteriormente, quando o roteirista nos leva ao que pode ser uma conclusão, mesmo que não conclua nada.
Não preciso dizer que assistir a esse filme é uma extrema perda de tempo! Não somente as situações propostas são ruins como todo o desenrolar do filme não satisfaz ao menos exigentes dos espectadores. Nem sequer sei como cheguei ao final disso. Talvez tenha sido somente pelo respeito à atriz, que eu considero bastante talentosa e merecedora de prêmios como os da Academia. Certamente, ele integrou o elenco do filme porque estava retribuindo um favor ao diretor ou a quem estúpida que escreveu o roteiro. Caso se deparem com esse filme, afaste-se dele. Caso queira ver Naomi Watts atuando, opte por filmes melhores como 21 Gramas (que certamente é muito bom!) ou King Kong, que é interessante também.Â
LuÃs

criado por LuÃs/Renan
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