segunda-feira, 8 de junho de 2009
PAIXÃO PROIBIDA
Jude, 1996, 123 minutos. Drama.
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Fiquei em dúvida entre pegá-lo ou não, quando vi esse filme na prateleira da locadora. Nunca tinha ouvido falar sobre, mas ao ver a imagem de Kate Winslet e ler a sinopse interessante atrás, acabei convencido a levá-lo.Mais tarde, ao chegar em casa, eu procurei na internet por comentários e crÃticas sobre o filme e descobri que o filme é baseado num romance homônimo (Jude), que narra a história de um homem, Jude, que é incentivado a ir para Milchester e se graduar, a fim de ser um acadêmico. Quando finalmente chega à faculdade, vê dificuldades em ser aceito; mas acaba se estabelecendo lá com a ajuda da prima, Sue, que estuda na universidade enquanto busca uma maneira de começar um estágio. Jude então a apresenta ao homem que o incentivou a ir para lá, levando-a a casa dele, que fica dentro da universidade. Jude, porém, não esperava que a prima fosse se relacionar com o outro. Surge entre eles o impasse, ainda que não saibam exatamente o que fazer: Jude tem que lidar com a não-aceitação na universidade, com a situação civil, já que é oficialmente casado e não como agir em relação a Sue, que sabe do sentimento que um tem pelo outro e foge disso, casando-se com outro. No entanto, não há como se separarem e acabam sempre a se cruzar.
Eu fiquei realmente impressionado com o filme. Imaginei que fosse uma produção mediana e por isso não muito comentada; o motivo não seria por cauda da época em que foi lançado o filme, já que outras produções do mesmo ano com a mesma atriz são sempre lembradas. O filme tem uma história muito interessante e quase tudo no filme é bem certo: o roteiro, a direção, a trilha sonora, as atuações, a fotografia. Acredito que a única exceção quanto à s caracterÃsticas ruins do filme se deve à escolha do elenco principal, já que Kate Winslet, ainda no inÃcio da carreira, se mostra uma atriz de extremo talento, fazendo com que o personagem principal, Jude, acabe à sombra de sua personagem, Sue. O que quero dizer é que ela é boa demais, não que ele seja ruim. A interpretação de todos os vai gradualmente aumentando a nossa simpatia por eles e compreendo o porquê de cada ato; dos principais aos coadjuvantes, não há exagero ou limitação na atuação. Não preciso dizer que a melhor atriz, na minha opinião, é Kate Winslet; mas também não posso deixar de citar Rachel Griffiths, no papel de Arabella, esposa de Jude. Ainda que seu papel seja secundário, é de extrema importância para o desenrolar da história.
O tema abordado no filme é muito interessante: o relacionamento entre pessoas com grau de parentesco e a forma como a sociedade enxerga as pessoas que não são oficialmente casadas. Considerando que o filme se passa no século XVIII, podemos inclusive ver que muito do que é mostrado no filme não mudou totalmente ainda nos dias de hoje. A forma como o romance entre os dois surge é mostrada com tamanha sutileza que no inÃcio acreditamos ser mais uma grande amizade acentuada do que um romance provindo de uma amizade. É tão carismática a aproximação dos dois, que o espectador torce o tempo todo para que fiquem juntos como amigos ou como amantes. Não há, aliás, como não torcer por qualquer personagem. Dois grandes acertos do filme são o fato de mostrarem um preconceito implÃcito, porém esmagador sobre Jude e Sue, impedindo-os de ser uma famÃlia comum, ainda que insistam nisso e a forma paradoxal, porém simbólica, da perspectitva de Sue em dois momentos do filme: primeiro, ao se deparar com o romance potencial entre ela e Jude, ela se afasta, casando-se com outro, sem nunca se distanciar dele, chegando inclusive a ser expulsa do colégio por ter dormido na casa do primo; posteriormente, sob o preceito de serem livres e terem livre-arbÃtrio, os dois se unem, sem que ela evite dizer que não são casados, mesmo isso desfavorecendo a a socialização deles. Duas cenas que mostram com bastante eficiência o drama no qual os personagens estão inseridos é quando Jude e Sue estão a restaurar as pinturas de uma igreja enquanto o filho de Jude com Arabella cuida da irmã menor e quando o casal ouve duas vezes, uma na igreja e outra num hotelzinho, que terão de partir porque são muitos (quando na verdade, eles tem que sair por não serem realmente casados).
Outro grande acerto do filme é mostrar a forma como os sonhos se perderam devido à s situações pelas quais passaram e como eles tentam dar a volta por cima, ainda que sofrendo preconceito e sendo discriminados. Tudo entre eles só começou pela tentativa de Jude a se formar; anos depois, ele não somente não se formou como está ainda mais longe disso. Sue, que lecionou por um tempo, ao admitir o amor por Jude, teve que largar tudo e “dar um jeito” para que os dois pudessem se sustentar. Então, de estudioso e professora, tornaram-se escritores de lápide, pintores, etc. E uma das cenas de maior impacto do filme, mostra o quão dramática pode ser a presença do preconceito na vida de alguém. Jude e Sue percebem tardiamente que “eram demais”. Então, mais um paradoxo: se antes eram livres e podiam tomar decisões para o futuro deles, embora isso estivesse em desacordo com o resto da sociedade, após perceberem que não funcionava exatamente assim o sistema, há a concepção do “castigo de Deus”. Isso fica evidente em Sue, que tem um desenvolvimento psicológico muito maior que o de Jude com o decorrer da história. E o final do filme, numa cena cuja fotografia retrata com exatidão o relacionamento dos personagens, não há como o espectador deixar de se incomodar com o rumo que a vida deu a Sue e Jude.
As duas horas de filme passam rápido, porque o espectador fica focado no desenrolar da história, observando atento a cada acontecimento, torcendo para que os personagens se dêem bem. Kate Winslet, como já disse anteriormente, dá um show de atuação; compreendemos logo que há motivos para as cinco indicações posteriores a esse filme e a indicação anterior que a atriz recebeu. Eu recomendo totalmente esse filme, porque é o tipo de obra que deve ser vista. Ainda que não seja nenhuma obra-prima, é um filme bastante satisfatório e quem o assiste não se arrepende. Vejam-no.
LuÃs

criado por LuÃs/Renan
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