Literatura e Cinema

“Sem correr no corredor, Nancy” - Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O EXORCISTA

The Exorcist, 1973, 123 minutos. Terror.

Vencedor do Academy Awards de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Som.

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Parecer haver tanto a falar sobre esse filme, mas, agora, ao começar a digitar, sinto que qualquer coisa que escreva não vai servir para definir o quão bom esse filme é. Na longínqua década de 70, esse filme foi lançado. É claro que já havia se estabelecido o gênero terror e que muitos deles assutavam as pessoas; na década anterior, havia sido lançado A Noite dos Mortos-Vivos, de Romero, que introduzia o pavor às pessoas. Mas foi somente cinco anos depois que as pessoas realmente sentiram medo ao assistir a um filme, pois O Exorcista instaurou o terror nos espectadores, por todos os sues aspectos técnicos e também pela estória que conta. Diferentemente dos filmes classe B, essa obra conta com uma produção totalmente perfeccionista, com um elenco de destaque, encabeçado pela ótima Ellen Burstyn; a estória presente é realmente capaz de fazer o mais incrédulo espectador repensar seus conceitos quanto à religiosidade.

O grande feito desse filme, na minha opinião, é reunir o melhor dentre os aspectos importantes para a composição de uma obra cinematográfica. Ao o assistirmos, produzido numa época em que computação gráfica era um sonho, vemos quanto são reais algumas cenas (sendo que algumas delas de fato são reais!). O Exorcista é o típico filme que não envelhece: assustou a sociedade de 1970, fascinou as gerações posteriores e, ainda hoje, 36 anos após o seu lançamento oficial, consegue paralisar quem lhe assiste com suas cenas densas e, às vezes, cruas. O filme é baseado no livro homônimo publicado em 1971, que por sua vez foi baseado em eventos possivelmente reais, acontecido na década de 40, quando se arquivaram registros de um garoto possuído. O autor, Willian Peter Blatty, fez adaptações a respeito dos personagens que inseriria no seu livro que, embora seja baseado, não é exatamente como o caso acontecido. Tendo feito todo o sucesso possível entre os leitores, tomou uma grandiosidade ainda maior ao ser passado para as telas, pelas mãos do eficiente Willian Friedkim, que chegou a pedir que um padre exorcisasse os sets de filmagem, o que não foi feito a fim de não promover medos nos atores.

Nos primeiros dez minutos, somos apresentados às escavações das quais Padre Merrin participa; lá temos uma visão sutil de uma antiga igreja que estava sob a terra e que pode esconder males imcompreendidos. Cortando para Georgetown, vemos a relação entre Chris e Regan, respectivamente mãe e filha. Aos poucos, Chris MacNeil começa a perceber sutis mudanças no comportamento da filha, principalmente quando esta diz que conversa com Capitão Howdy (usando uma tábua ouija) e que sua cama treme, não a deixando dormir. Depois de inúmeros eventos estranhos, como a real constatação de que a cama se chacoalha, Chris leva a filha a vários especialistas, que tentam descobrir o que há de errado com ela, que tem demonstrado força estranhamente sobrenatural além de violentos espasmos, levando-os a sugerir que, já que a medicina não foi capaz de ver lógica nos eventos, talvez um exorcista conseguisse. A mãe, então desesperada, recorre a um padre que, após conferir a situação da menina e crer que ela de fato poderia estar possuída pelo demônio, começa a recolher provas para confirmar a possessão e garantir a autorização da Igreja para que seja realizado o exorcismo.

Dentres todas as cenas, a mais famosa é aquela em que o Padre Merrin chega à casa em Georgetown e entra, nos permitindo vê-lo sob a luz de um poste, distanciado da câmera e envolto pela neblina do inverno. A fotografia é realmente impressionante, embora o espectador já a veja imponente durante quase todo o filme. Ainda que o título seja O Exorcista e que a cena mais famosa seja a que eu citei acima, o exorcismo realmente só começa no último quarto do filme; durante uma hora e meia temos o desenvolvimento das situações - muito boas, por sinal - que levariam ao exorcismo nos últimos trinta minutos. A respeito dos efeitos, não podemos dizê-los ruins, pois não o são. Mesmo que tenha sido lançado há mais de trinta anos, quando definitivamente os efeitos não eram facilmente criados e tecnologia computadorizada não existia. Ainda assim, com métodos meio que medievais, conseguiram impactar o espectador com as boas cenas mostradas, exibindo efeitos de qualidade. Para exemplificar o quão difícil era criar algo impactante, em uma das cenas - aquela em que Regan se masturba com um crucifixo - tiveram que amarrar uma corda ao corpo da atriz Ellen Burstyn, puxando-apara trás logo que a menina lhe desse um tapa no rosto, a fim de mostrar a força exagerada da garota quando possuída. De tal forma, a cena foi realizada, com vários homens escondidos puxando A atriz com força pra trás, o que resultou numa queda, em que a atriz bateu o cóccix na cama e gritou de dor. Devido à realidade presente - porque de fato era real - a cena foi mantida e pode ser vista no filme. O que dizermos então da rotação de 360º que Regan faz com a cabeça, o momento em que desce as escadas como uma aranha e quando levita diante dos olhos dos padres? São tantas cenas boas e impactes que eu citaria todas se fosse dizer quais são as melhores!

Já comentei sobre a fotografia, mas devo enfatizar que ela é realmente boa, acrescentando muita qualidade ao filme. Além dos bons closes que dão em Regan, alguns enquadros são essencias para que percebamos a grandiosidade dos movimentos da garota possuída, como quando Chris chama dois médicos para que vejam os espasmos e quando a menina se retorce toda e desce as escadas. Aliás, acho que as melhores imagens são aquelas em que as escadas são mostradas, dando um clima tão padronizado à casa e causando contraste entre as aparências e a situação que é vivida pelos personagens. Outro grande acerto é a trilha sonora, que, composta tão eficientemente, causa arrepios a quem vê o filme, principalmente pela oposição de tons usados em relação ao que vimos. O tom instrumental sempre insere um elemento místico aos momentos do filme, mesmo quando a situação é deveras comum, como quando Chris MacNeil caminha pelas ruas ao som de Tubular Bells. As atuações são bastante reais, não fazendo o espectador descrer de que tudo que acontece ali é verdade. Ellen Burstyn conduz bem sua personagem ao passo que Linda Blair também não deixou a desejar ao interpretar a endemoniada Regan. É claro que eu dou muito mais crédito à interpretação da primeira, pois esta utilizou-se apenas de sua capacidade de atuar enquanto Blair foi mascarada por uma densa maquiagem, que por si só é extremamente expressiva, e ainda contou com dezenas de efeitos para acrescentar drama à sua condição de possuída. Ainda assim, haja coragem para passar por tudo que ela passou durante as gravações. Tanto é que no segundo filme da série - que eu recomendo que vocês não assistam - a atriz se recusou a maquiar-se como fizera nesse primeiro.

É claro que essa sequência de elogios que estou fazendo ao filme não é desnecessário. Quem lhe assiste percebe o que singificou para o cinema a produção de uma obra tão convincente como O Exorcista. Uma prova disso são as oito indicações ao Oscar que o filme recebeu, em diversas categorias, sendo, inclusive, o primeiro e único filme de terror a ser indicado à categoria de Melhor Filme. Como disse no primeiro parágrafo, acho que não fui suficientemente claro ao descrever a excelência desse filme, mas é o máximo que eu vou conseguir… Se chegaram até aqui, certamente sabem que eu recomendo absurdamente a que assistam a esse filme. Até porque nenhuma pessoa que diz gostar de filme pode se considerar assim se não tiver assistido a pelo menos uma vez na vida a essa magnífica obra!

Luís

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quarta-feira, 29 de julho de 2009

O PECADOR

The Sinner, 2006, 364 páginas. Suspense / Policial.

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Esse livro faz parte da mesma série na qual estão inclusos os títulos Dublê de Corpo e Desaparecidas. Os eventos narrados aqui são anteriores aos que são mostrados nos outros livros. Ainda que a ordem de publicação determine a ordem cronológica, eu comecei a ler na ordem inversa (pois não sabia tratar-se uma série) pelo livro Desaparecidas. Coincidentemente, tenho regressado, vendo a estória exatamente de trás para a frente e não intercalada: no primeiro livro que li - o último a ser publicado - Jane Rizzoli teve a sua filha; no segundo - penúltima publicação - , ela estava grávida; e nesse ela descobriu sua gravidez. Isso certamente não é um problema, já que consigo ordenar os acontecimentos normalmente.

Como imaginava, Jane Rizzoli e a Dr. Maura Isles são as personagens centrais desse livro, que nos apresenta três crimes distintos acontecidos: duas freiras, mortas no convento em que vivem; uma mulher que não pode ser identificada, devido ao corte das mãos, dos pés e da face; e um vice-presidente de uma famosa firma. Detetives diferentes investigam esses crimes, que ocorreram de cenários bem distintos, mas aos poucos, parece surgir uma sutil conexão, relacionando um com o outro. Com se isso ainda não bastasse, mais uma revelação assustadora: Camille, uma das freiras mortas a golpes furiosos contra a cabeça, deu à luz recentemente, contrapondo os seus votos religiosos. As investigações têm início e, aos poucos, inúmeras peças do quebra-cabeça vão se encaixando, construindo uma linha instigante e assustadora, na qual todos podem se tornar vítimas da pessoa misteriosa responsável pelos crimes.

Tal como nos livros anteriores - ou posteriores, se preferirem - Tess Gerritsen mostra sua fluência ao narrar tais situações, que por vezes situam o leitor facilmente no cenário proposto. Lê-la, portanto, é uma viagem bem interessante em meio a cenário muito bemd escritivos, a cenas apavorantes e, principalmente, a uma estrutura narrativa extremamente eficiente quanto a apresentar ao leitor elementos fundamentais para o gênero suspense. Como se não fosse suficientemente interessante o livro, com toda a agilidade de acontecimentos mostrados, impedindo que o leitor se canse, há ainda a inclusão de tramas paralelas, como relacionamentos amorosos, dúvidas quanto ao futuro e a melhor decisão a tomar e, como o próprio título do livro sugere, o que é e o que não é pecado. A narrativa é tão atrativa, principalmente conduzida pelo parto da freira Camille, que quando começamos a lê-lo, não paramos. Eu demorei mais de três semanas para ler Túneis, porém apenas três dias para ler O Pecador.

A autora não perde tempo com temas indiferentes às situações que nos apresenta com o decorrer do livro. Tudo que vimos é, de alguma forma, conectado com o tópico principal do capítulo e colabora para conduzir a um desfecho bastante inteligente, no qual Tess ata todos os pontos descritos na sua narrativa. O momento mais surpreendente, na minha opinião, é uma das últimas constatações de Maura, quando ela analisa uma foto com bastante atenção e constata que os pássaros estão mortos. O leitor que estiver acompanhando atento aos diálogos, compreenderá muito com essa simples informação. As construções dos personagens Maura e Jane continuam impecáveis, detalhando-nos bastante sobre a vida delas e a forma como agem em relação aos mais diversos assuntos, sejam eles pessoais ou profissionais. Resta-me, portato, recomendar esse livro, pois sempre sombra de dúvida vale a pena conferi-lo. A minha única ressalva é: tentem lê-lo na ordem cronológica correta, começando pelos livros que, até a data da publicação dessa crítica, ainda não foram lidos por mim.

Luís

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Em “O Pecador”, Tess Gerritsen traz de volta Jane Rizzoli, a policial que tende a ganhar o afeto do leitor por seu lado, pode se dizer mais masculino (Acho que masculino é a palavra errada, mas não achei outra melhor) e Maura Isles, a médica legista, essa mais fria por fora, mas que nesse romance demontra seu lado mais sentimental, assim como Jane. As duas se unem para desvendar um caso em um convento, onde duas freiras sofreram um ataque, sendo que uma delas morreu (Camille) e a outra ficou seriamente ferida (Irmã Úrsula).

Particularmente acho que há dois fatores óbvios que influenciam nas obras da autora, fazendo que seus livros sejam tão prazerosos de serem lidos, o primeiro são os personagens, pois mesmo tendo a estória principal, claramente os personagens mais importantes são Jane e Maura, não importa se há freiras morrendo em “O Pecador”, ou imigrantes ilegais em “Desaparecidas”, ou um complexo sistema para roubar bebês das mães em “Duble de Corpo”, a estória sempre será das duas, tanto que temos passagens da vida pessoal delas, como o natal na casa de Jane ou os pensamentos pecaminosos de Maura com o padre. O outro fator é a estória, mais especificamente a capacidade da autora de fazer reviravoltas incriveis em poucas páginas, tornando, por exemplo Camille, personagem que mantemos toda a atenção, em apenas uma estória triste no meio de tudo (Uma das melhores passagens do livro é quando Rizzoli encontra Randall pela segunda vez, e no final diz a enfermeira para por uma foto de Camille, pois acha que ele sente falta da filha)e tornando a Irmã Úrsula, pra quem nem ligamos muito em uma personagem muito importante, e quando o leitor começa a fazer suposições pode se descobrir totalmente enganado. Eu por exemplo apostava no Padre Brophy como culpado, mas o Dr. Sutcliffe não me enganou também. Outro ponto a favor dos livros são os prólogos…nos três livros que li dela, todos os começos são bons (Com mérito maior para “Duble de Corpo”) e fazem com que o leitor se sinta motivado desde o começo da narrativa.

Esse, como os outros livros que li de Tess Gerritsen são muito recomendáveis, nele sobra ação, há uma estória boa com várias ramificaçõe, há romance também (pouco, mas há), e até um pouco de suspense no final com a invasão à casa de Maura no final do livro.

Renan

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segunda-feira, 27 de julho de 2009

RÉQUIEM PARA UM SONHO

Requiem for a dream, 2000, 102 minutos. Drama.

Indicado ao Academy Awards na categoria Melhor Atriz (Ellen Burstyn).

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O primeiro conselho que quero dar é: se virem esse filme nas prateleiras da locadora e acharem o título estranho, não lhe dêem as costas, pois fazê-lo seria abrir mão de assistir a uma obra que choca a quem o vê! O choque a que me refiro é extremamente positivo, principalmente se considerarmos a forma crua como o tema desse filme é abordado.

Como o próprio nome do filme sugere, o tema central são os sonhos - aqui sinônimos para ideais. Harry Golfarb e Marion Silver são um casal apaixonado, que sonha em ter uma loja própria e ficar bem; no entanto, devido ao vício dos dois em heroína, inúmeros problemas surge entre eles e Harry constantemente penhora a televisão da mãe, sem que essa consista. Sara Goldfarb, a mãe, por sua vez, gasta horas em frente à TV assistindo o seu programa preferido; ao ser convivada para participar do programa, ela começa a imaginar-se contando sobre a sua vida e a do filho, de quem tem tanto orgulho, mas deseja usar o vestido vermelho, o seu preferido, que já não entra mais devido ao ganho de massa desde a última vez em que o usou. Decidida a usá-lo, ela submete-se a uma dieta a base de pílulas, o que por fim a torna uma viciada em medicamentos para emagrecer. O filme narra paralelamente os eventos em torno desses três personagens e foca a maneira como cada um reage à sua necessidade, adentrando com considerável desespero num mundo que não conhece.

As características do filme já mostram a que tipo de viagem presenciaremos: as imagens são mostradas muitas vezes com rapidez, extremamente velozes, outras tantas vezes desconexas, expondo pupilas dilatando, holofotes, dinheiros, heroína, mãos tremendo. Portanto, nos primeiros minutos já sabemos que ao assistir a Réquiem Para Um Sonho estaremos prestes a ver uma narração frenética, na qual vários temas serão mostrados de maneira efusiva e dramática. Os momentos mostrados em split-screen realçam ainda mais a amplitude da cena, já que o mesmo incidente é visto por diferentes ângulos, às vezes, por diferentes perspectivas, como na cena inicial em que Harry rouba a TV da mãe, que está trancada; de tal maneira, podemos avaliar o filme todo como uma grande tela dividida: ainda que os problemas e vícios que os personagens tem sejam diferentes, todos estão envolvidos da mesma maneira no conflito interno ao qual estão submetidos e cabe ao espectador analisar todas essas nuances de cada um e compreender o porquê de cada ação deles. Na minha opinião, o roteiro aborda muito bem o desapego que cada um tem para consigo mesmo, ainda que crêem fazer sempre o bem, e os motivos particulares para insistirem em continuar, mesmo que não haja motivo racional para isso. O roteiro do filme sucede plenamente ao nos mostrar Harry, Marion e Sara principalmente por dentro e não por fora - assim, nós conhecemos o íntimo deles, seus desejos e o jeito simplório como transformam suas atitudes em subterfúgios para justificar a caminhada até os seus sonhos.

Para mim, o grande destaque do filme é Ellen Burstyn, que conduz sua personagem de maneira irreprensível e sem sombras de dúvida merecia o Oscar ao qual ela foi indicada, que lhe foi tomado das mãos por Julia Roberts, cuja interpretação em Erin Brockovich, na minha opinião, não supera a de Burtyns por esse filme! A atriz mostra absurda expressividade durante as cenas em que aparece e ainda faz com que qualquer coisa ao seu redor se torne um personagem tão importante quanto ela. À medida que começa a ingerir mais e mais comprimidos, o que passa a afetar sua capacidade de discernimento, começa a temer a geladeira de tal forma que a vê atentando contra a sua pessoa; ao mesmo tempo, sua obsessão pelo vestido vermelho, aquele de que ela tanto gosta, parece bobagem no começo, mas depois percebemos que seus sentimentos são tão profundos que ela encontrou no vestido uma maneira de apegar-se às lembranças e ao que ela sente em relação ao filho e ao marido, o que é mostrado numa belíssima cena em que Sara e Harry conversam na mesa da cozinha, quando ele descobre as pílulas que foram receitadas à mãe. Outra grande oportunidade dada ao espectador é ver a personagem de Burstyn conforme o seu físico e o seu mental- se antes o vestido não lhe cabia no corpo e ela era sã, torna-se tão magra que o vestido parece murcho com ela dentro dele e ainda vemos, através da perspectiva de Sara, o porquê de ficar tão aflita por estar perto da geladeira. A visão de sua personagem delirante é uma imagem que insiste em permanecer na cabeça de quem assiste a essa obra; ainda hoje, alguns dias após ver o filme, me recordo bem de uma das cenas finais, quando todos os personagens encaminham-se para o grand finale e, sem sombras de dúvida, estão por um triz, Sara delira enquanto diz incessantemente que não podem impedi-la de ir ao programa ao qual ela foi convidada; então é possível concluir - caso se saiba as indicadas e a vencedora ao 73º Academy Awards  - que o prêmio deveria ter sido entregue a magnífica interpretação de Ellen Burstyn.

Não acompanho a carreira de Jared Leto, intérprete de Harry, mas é possível perceber que o ator se empenhou para a composição do personagem, tal qual o fez Jennifer Connely. Esta - que no ano seguinte seria indicada ao Oscar como Melhor Atriz Coadjuvante por Uma Mente Brilhante - está muito bem nesse filme e temos a oportunidade de vê-la suja, moralmente falando: tão apegada ao dinheiro, que sua cena final choca quem vê o filme por causa da crueldade como é mostrada; torna-se ainda mais agressiva se pensarmos no porquê daquilo. Marlon Wayans, uma das “branquelas”, está presente no filme, mas em momento algum o estraga. Como estou acostumado a vê-lo em filmes que não tem densidade nenhuma, quando o vi aqui pensei logo que destruiria as cenas das quais participassem, porém ele não o faz e sua participação é estável durante todo o filme.

Este certamente não é um filme para se assistir esperando dar risadas - talvez uma única cena provoque o riso. Réquiem Para Um Sonho é uma obra complexa, que narra um história aparentemente simples, mas que se enrola complicadamente, transformado-se num intrincado arame farpado. Não há outra maneira de conduzir quem lê essa crítica a vê-lo senão dizendo: este é um filme que todo apreciador de ótimos dramas deve ver! Não posso terminar sem dizer que a trilha sonora adere perfeitamente a cada grande cena, nos convidando a imaginar todos os tipos de desgraças para os personagens; a cada nova cena, uma tragédia diferente passa pela nossa cabeça enquanto aquele som simpático - réquiem, para quem não sabe, é aquela música típica de velório - toma conta da cena, embalando os personagens num ritmo de desenfreada desarmonia. Minha sugestão, provinda de um comentário do Ivan, a quem devo agredecer por mostrar-me o filme, é que atentem para os momentos finais, quando cada personagem torna para si mesmo e, em posse daquilo que almejavam desde o início, procura conforto. Inegavelmente, um filme fantástico!

Luís

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Tenho duas descrições para esse filme: Perturbador e Excelente. Pode-se dizer que o tema central são as drogas envolvendo a vida de quatro pessoas interligadas. Sara Goldfard (Ellen burstyn) que é mãe de Harry (Jared Leto) que é namorado de Marion (Jennifer connelly) e amigo de Tyrone (Marlon Wayans). É um dos melhores filmes que já vi, pois não consegui achar pontos fracos nele. As atuações dos quatro são impecáveis, as cenas são bem feitas, o uso da música é ótimo, e as alucinações (nessas temos que focalizar as da Sr. Goldfarb) são perfeitas.

O filme nos seus ²/3 se revela um filme bom, mas é na parte final que tudo melhora exponencialmente, é nessa parte em que todos estão meio ferrados…Dois estão no hospital, outro está preso e a outra, está…hmmm…você verá. Quando o diretor mistura todas as cenas, com aquele “Consegue me ver? Consegue me ouvir? Está aprovado para o trabalho” tudo fica muito bom, quase hipnótico, fato esse que ocorre com aquele “Nós temos uma vencedora, Nós temos uma vencedora…”

Não há como negar que Ellen Burstyn é a melhor atriz ali. O Luis me disse que ela perdeu o Oscar para Julia Roberts..não vi seu filme, mas ela tem que estar muito bem para alcançar a Sr Goldfarb. Nela vemos uma senhora pacata que assiste seu programa de TV comendo doces (achei muito bonita a cena em que ela come os doces, quase com uma devoção) e que recebe uma ligação dizendo que ela foi escolhida para participar de um programa de TV. Ali vemos todo o lado psicológico. Claramente este é o sonho dela, tanto que no final ela diz: Não quero os premios”. E para aparecer na TV ela quer vestir o vestido vermelho que usou na formatura de Harry e para isso, precisa emagrecer. Dentre todas as cenas de alucinações dela a melhor é a que ela e o apresentador saem da TV, além de ser uma cena conturbada, foi bem feita com aquele efeito de televisão.

Recomendaria muito esse filme. Ele é inovador (como nas cenas em que ele “divide” a tela no meio, embora mostrando a mesma cena), é bem feito, tem conteúdo, e é esplendido.

Renan

criado por Luís/Renan    00:56:08 — Arquivado em: Filmes

sábado, 25 de julho de 2009

A PROPOSTA

The Proposal, 2009, 110 minutos. Comédia Romântica.

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Sandra Bullock, uma atriz veterana em comédia românticas e romances, está de volta em mais um filme do gênero. Depois de anos atuando em vários filmes com essa temática, Bullock adquiriu certos conhecimentos que se tornou capaz de mudar a cada nova produção, divertindo o espectador com a caracterização da personagem. Pela primeira vez, eu a vejo como uma mulher má.

Margaret Tate é uma editora canadense que trabalha numa das maiores e melhores empresas estadunidense. Ela é odiada por todos os seus funcionários, pois promove o caos com as suas frequentes indisposições, agindo sempre de maneira altiva e não tão educada. Quando lhe é dito que o seu visto foi negado, ela chantageia um de seus funcionários para que ele se case com ela, a fim de impedir que ela seja deportada. Devido a uma entrevista que será feita para que haja comprovação de que o casamento não é somente uma fraude, Margaret e Andrew vão pro Alasca, para a comemoração de 90 anos da avó dele e terão três dias para se conhecerem melhor.

A primeira coisa que gostaria de ressaltar é a eficiência do casal principal. Eu realmente não imaginava Sandra Bullock e Ryan Reynolds juntos, ainda mais envolvidos num relacionamento amoroso; é até estranho vê-los assim, mesmo depois de ver o filme. Mas eles parebem bem, funcionando em harmonia, ela mostrando experiência de uma longa carreira e ele tão expressivo, com olhares e expressões eficazes. E eu ainda achei que os dois formam um belo casal, ambos são bonitos, parecem pertencer ao mesmo nível quanto à atuação e esbanjam charme durante o filme inteiro, sem deixar o espectador insatisfeito com as suas atuações. Quando ao roteiro, acredito que não haja muito o que falar, pois é a típica comédia romântica na qual os dois se detestam, aí são obrigados a passar algum tempo juntos e começam a desenvolver alguma afeição pelo outro até que, por fim, descobrem-se completamente apaixonados. Não há qualquer indício de criatividade durante a projeção e o desenvolvimento do filme cai num lugar-comum. Mas, no fundo mesmo, os fãs desse gênero gostam da previsibilidade e vão ao cinema já sabendo o final; aqueles que não são tão fãs, vão esperando bons momentos, o que esse filme proporciona.

Fazia tempo que eu não ria ao assistir uma comédia romântica. Mas A Proposta contém cenas bastante interessantes, ainda que algumas bastante ridículas, como a oferenda do cachorro que Margaret faz à águia e a dança em torno da fogueira - esta, ainda que engraçada, não tem motivo nenhum para estar ali. Próximo ao final do filme, há uma cena que consiste no maior despropósito do longa-metragem, que é o pseudo-ataque cardíaco de Annie, avó de 90 anos de Andrew. Não somente é um disparate como lhe falta humor e é ausente de qualquer sentimento dramático que tenta passar, somente servindo para retomar a mal desenvolvida desestruturação familiar entre pai e filho que é sugerida ao longo do filme. O pior é que algumas pessoas na sala riram, como se fosse, de alguma maneira, cômica! O filme não é perdido por causa de uma ou outra cena boba, pela contrário. Acho que as atuações do casal principal equilibra bem o decorrer da história. Repetindo, Ryan Reynolds se mostra bastante expressivo que o seu humor provém das expressões faciais e das suas frases quase sempre inacabadas ou, quando completas, cheias de ironia. Margaret, personagem de Bullock, é bem defendida pela intérprete, desde os momentos iniciais, quando é o tipo de mulher desagradável, até o final, quando se torna gentil.

Enfim, considerando todos os aspectos, eu recomendo esse filme. Não é nenhum superprodução, não será indicado aos prêmios mais cobiçados, mas certamente é uma obra agradável, que arranca algumas risadas do espectador, sem, porém, entediá-lo em outros momentos. Logo, sugiro que o confiram, pois ainda que falta criatividade e a direção seja meia-boca, os atores principais valem o ingresso e ver Sandra Bullock dançando funk é uma oportunidade não muito comum… A acrescentar, quero dizer que gostei bastante do pôster do filme, achei que, embora muito simples, chama a atenção.

:D

Luís

criado por Luís/Renan    00:09:39 — Arquivado em: Filmes

quinta-feira, 23 de julho de 2009

HAIRSPRAY

Clique aqui para ver o trailer (sem legendas) do filme.

Hairspray, 2007, 117 minutos. Musical.

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Assim que esse musical foi lançado, eu fiquei com um pé atrás em relação a assistir-lhe. Achei que o pôster colorido demais, a presença de Zac Efron e John Travolta travestido servia apenas para fazer desse musical algo bastante zoado. Optei, então, por não conferir, o que acabei fazendo dois anos depois de seu lançamento. Surpreendentemente, na primeira cena do filme, cheguei à conclusão de que cometi um grande erro ao julgá-lo antes de vê-lo, pois o filme é bom e vale a pena!

Em 1962, o sonho de todo adolescente é aparecer no “The Corny Collins Show”, o programa de dança mais famoso da TV. Tracy Turnblad é uma jovem gordinha que tem paixão pela dança e, ao fazer um teste, ela impressiona os juízes e, desta forma, conquista um lugar no programa. Logo ela alcança o sucesso, ameaçando o reinado de Amber Von Tussle no programa. As duas passam também a disputar o amor de Link Larkin, enquanto duelam pela coroa de Miss Auto Show. No entanto os conceitos de Tracy mudam quando ela descobre o preconceito racial existente na TV, decidindo usar sua fama para promover a integração.

O elenco do filme conta com atores de peso - sem trocadilhos em relação ao fato de o enredo trazer como personagem garotas gordinhas. Estão presentes John Travolta, ícone de filmes como Nos Embalos de Sábado À Noite e Grease - Nos Tempos da Brilhantina; Queen Latifah, que participou de outros musicais, como Chicago; Michelle Pfeifer, de Stardust; Zac Efron, de High School Musical; além de Christopher Walken, de Domino, James Marsden, de X-Men, e Amanda Bynes, das porcarias Ela É o Cara, Ela e os Caras, etc. E todos estão em perfeita sincronia, tano nos números musicais quanto nas outras cenas que o filme parece bem melhor do que talvez seja. A estreante Nikki Blonski inicia o filme com uma canção, já preparando o espectador para o que verá: a estória de uma menina sonhadora. Então, logo nos primeiros minutos somos apresentados à canção Good Morning Baltimore. Foi nesse momento, aos 3 minutos de filme, que eu percebi que já deveria ter assisto a esse filme (várias vezes) antes. Não há dúvidas de que há inúmeros pontos altos durante Hairspray; ainda que seja um musical e que muitas pessoas lhe assistem apenas por querer ver dancinhas, esse filme se mostra também eficiente no quesito atuação, já que nenhum ator destoa dos demais.

Aqui vou abrir espaço para um comentário: fico impressionado como os filmes musicais, que deveriam primar pelas coreografias, músicas e cenografias, se destacam a respeito à atuação. Se repararmos nos musicais, não somente nos antigos, como principalmente nos recentes, perceberemos que há grande empenho do elenco em entregar-se totalmente à obra que estão a realizar e o resultado disso são as diversas indicações a prêmios importantes, como o Golden Globe, os prêmios da Academia, além de inúmeros outros. Tomando como exemplo o Oscar, vários atores presentes em filmes musicais foram agraciados com uma indicação ao prêmio ou até mesmo venceram, como John Travolta, Nicole Kidman, Renée Zellweger e Queen Latiffah, por, respectivamente, Nos Embalos de Sábado À Noite, Moulin Rouge e Chicago, e Catherine Zeta-Jones, que consquistou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, por Chicago, que concorreu e venceu por Melhor Filme. Embora tenha sido indicado a três Globo de Ouro e não ter ganhado nenhum, esse filme certamente mostra um elenco disposto a nos mostrar bastante. Até mesmo Zac Efron, que eu pensava não ser capaz de sair do limitado Troy, mostrou-se compentente e até criou um charme que jamais exibiu em High School Musical. Michelle Pfeiffer e Christopher Walken, que eu não imaginava que participariam de um musical, também estão à vontade com seus personagens. A atriz, inclusive, pediu que o diretor incluísse a reprise da música Big, Blonde and Beautiful, numa cena em que John Travolta e ela a cantam, para que ela tivesse a oportunidade de cantar em cena, já que no seu momento de mais destaque, ela praticamente narra um pouco de sua história em vez de cantá-la. De tal forma, a composição do elenco é plenamente satisfatória, criando bons momentos, sejam eles dramáticos ou cômicos.

A escolha das músicas não poderia ser mais certa: tal como o visual colorido do filme, as músicas insinuam a mesma vivacidades das cores do pôster e dos figurinos dos personagens. A única música triste do filmese situa na busca dos negros pela igualdade e no apoio de Tracy para que a integração realmente ocorra, criando, então, um momento realmente interessante, no qual os negros caminham com placas erguidas enquanto Queen Latiffah quanta I Know Where I’ve Been. Aproveitando a descrição que fiz, vou me aprofundar e elogiar a atriz: pertence a ela os melhores vocais, com timbres fortes e afinação maravilhosa. Tal com em Chicago, aqui a atriz aproveitou sua experiência no ramo musical para nos expor ao seu vozeirão; certamente fez bem! Todo mundo tem a oportunidade de cantar em algum momento. O que achei uma pena foi a pouca exploração de Pfeiffer e Bynes, que poderiam ter cantado mais; enquanto a primeira divide uma música, a segunda canta alguns trechos junto com outros atores. Nikki Blowski acrescenta bastante ao musical com sua boa interpretação e sua boa voz; isso para não dizer que é extremamente engraçado os momentos em que ela dança junto com o povo da sala de detenção e, posteriormente, quando começa a dançar no salão, enquanto todos a olham impressionados.

De uma maneira geral, esse filme é extremamente divertido, com ótimos números musicais, boas atuações, cenários fantásticos, figurino bem escolhido, além da partipação de John Travolta, como Edna, mãe de Tracy; destacando a cena em que, junto com Velma, personagem de Pfeiffer, canta “Big, Blonde and Beautiful”. Foi uma grande surpresa para mim achá-lo tão bom quanto é, pois eu realmente não acreditava que fosse. Depois de dito isso, não me resta nada a não ser recomendá-lo. Então, se quiser se entreter com um filme divertido, peguem esse. Vejam-no, pois certamente é bom e você vai gostar. Como se não bastasse, ainda mostra ao final uma bonita mensagem (que talvez seja melhor mostrada em filmes de drama, mas considerando que esse é um musical, ele a mostra bem!), sugerindo a integração. Eis um filme para se assistir umas três ou quatro vezes… sem se cansar!

Luís

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terça-feira, 21 de julho de 2009

HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE

Harry Potter and the Half-Blood Prince, 2009, 160 minutos. Aventura.

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Em novembro do ano passado, estávamos prontos para assistir o sexto capítulo da saga Harry Potter, eis que a Warner Bros. adia para julho desse ano. Demorou mais chegou. Acho que particularmente, esse foi o problema: Muita expectativa por um filme que valeria a pena, e não foi isso que aconteceu.

Não há como negar que há pontos bons. Os efeitos especiais estão muito legais, a ponte Millenium caindo é fantástico, mas achei que as pessoas chegaram muito rápido do outro lado… Umas tinham que ter caído ali. Além do efeito dessa cena, mostra-se também os trouxas e a relação deles com esse novo período que passa a mundo mágico, sem dúvida, um acerto do diretor. Há também a cena da caverna, do ataque a Toca (que eu não lembro de ter lido no livro), do quadribol (que finalmente volta) e etc. Quanto a atuação, um dos acertos foi a escolha de ambos os Tom Riddle, os dois são muito sombrios e atuaram excepcionalmente bem nas cenas em que aparecem, e outro eu diria foi dar mais espaço a Draco Malfoy (espaço esse justo, já que no sexto livro ele é muito importante). Tom Felton se mostrou muito capaz como ator, muito mais que Daniel Radcliff, e a cena da “discussão” do Malfoy com Dumbledore (bem no final) foi muito boa, não pensei ver boas atuações em Harry Potter e sim efeitos.

Comentarei agora sobre a “novidade” do filme. O Romance. Em nenhum filme houve a interação romântica efetiva dos personagens, apenas olhares, insinuações e aquele beijo (praticamente um selinho) de Harry e Cho no 5º filme, mas nesse tudo fica explícito. O que fica mais claro ali é o Rony com Lilá, mas seguido dele há o ciúmes de Hermione (Com a cena desnecessária em que ela chora com aquela música triste de fundo) e a tentativa de vingança usando Córmaco (A cena em que ele lambe os dedos olhando para Hermione ficou boa). No meio, acanhado tem Harry e Gina, que no livro dão uns beijos mais animados. O uso do romance deu uma aliviada no clima e esse, acho que foi o maior problema: Aliviou demais. O espectador está todo no clima na cena em que Rony está na área hospitalar, descobrimos que a cereveja amanteigada envenenada era pra Dumbledore…E aí vem a Lilá com toda aquela cena e joga um balde de água fria, e para terminar a cena há aquele comentário escroto de Dumbledore sobre a juventude. Por fim há o Príncipe Mestiço, que fica perdido ali, mas aparece com seu livro ajudando Harry e com uma explicação no finalzinho.

É um filme recomendável, mas sei lá…faltou algo ali, o suspense, as lembranças, a história do Voldemort, em troca disso temos cenas de romance, que parecem brotar em lugares inesperados, ou uma Hermione “alegrinha” com a bebida, um Rony apaixonado por alguém que nunca viu, ou até um Harry que parece ficar bêbado com a poção que toma, ou seja algo que talvez o fã encontre no próximo filme que virá, que será dividido em duas partes.

Renan

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Li a crítica do Renan e concordo em partes com o que ele disse. No primeiro parágrafo, por exemplo, ele disse uma frase certa: muita expectativa por um filme que valeria a pena. Não que Harry Potter e o Enigma do Príncipe não seja válido com filme, porque, na minha opinião, continua com a mesma qualidade técnica dos outros filmes da série. Mas existe uma terrível sensação, que somente os que leram o livro sabem, de que algo sempre está faltando nas cenas.

O sexto livro da série é basicamente centrado nas excursões que Harry faz junto com Dumbledore às lembranças do passado de Lord Voldemort. Nesse filme, tal fator de sucesso no livro, que é a apresentação da maneira como Tom Riddle tornou-se o pior de todos os bruxos, foi simplesmente deixada para segundo - ou terceiro - plano. Há apenas três cenas bastante rápidas na qual tal situação é mostrada, deixando o leitor-espectador meio frustrado. As cenas iniciais são muito boas, principalmente aquela que mostra a capacidade de destruição que os bruxos têm sobre o mundo trouxa. Os efeitos especiais estão certamente excepcionais, assim como nos filmes anteriores, mas acredito que nesse eles estejam mais eficientes e usados somente quando necessários, sem amostras bobas de efeitos CGI. Destaque para as cenas do ataque à Toca (que eu também não me lembro de existir no livro) e um dos momentos finais, quando Dumbledore e Potter pegaram uma das horcruxes de Voldemort.

No entanto, pela primeira vez, eu senti que o filme estava no tom certo. A fotografia quase sempre sombria, os cenários sempre favoráveis a manter essa noção de escuridão; os personagens silenciam enquanto escutam conversas em corredores escuros, o que torna ainda mais grandiosa a construção das cenas. Harry Potter já cresceu faz tempo, não havia por que permanecer com aquele tom sutilmente enegrecido durante a maioria do filme. No sexto filme, não restam dúvidas ao espectador de que tudo realmente é tão perigoso quanto eles dizem ser, afinal as forças negras dominaram tudo. As cenas externas, como na que o Prof. Flitwick enfeitiça os portões do castelo ou quando comensais tentam invadir, têm um poder muito grande de persuasão, convencendo-nos de que o desespero é iminente ede que todos estão sujeitos ao risco. Pela primeira vez também, vemos o romance. Particularmente, eu achei incoerente, porque vimos os personagens anteriormente mais sutis, talvez tão infantes quanto ao amor que agora soa desajustado vê-los se beijando. Ainda mais no caso de Lilá Brown e Rony, pois o garoto era tímido e ela nem era figurante; de repente, a cada duas cenas ela aparecia e ele se tornou rapidamente extrovertido.  Eu preferia que isso tivesse sido mostrado com maior sutileza, como foi feito com o relacionamento de Harry e Gina - que soa escroto para mim, já que, na minha opinião, ele devia ficar com a Hermione (e esta deveria logicamente gostar dele em retribuição).

Diferentemente do que o Renan disse, eu não vi grandes atuações. Vi Daniel Radcliffe como sempre estava: nenhum grandioso ator, porém satisfatório e mais maduro, conduzindo bem o seu personagem; vi Rupert Grint, nas mesmas características que o primeiro que citei. Emma Watson, que talvez desde o segundo filme supera os parceiros de trabalho em atuação, está bem mal aproveitada nesse filme, tendo pouquíssimos momentos aproveitáveis. Aliás, quase todos os atores foram designados como meros coadjuvantes, já que Harry Potter é o único personagem centrado, como se no livro ele fosse o único a aparecer quase sempre. Atores bons, com Allan Rickman e Maggie Smith, intérpretes de Severo Snape e Minerva MacGonagall foram simplesmente soterrados pelas exageradas e repetitivas cenas em que Lilá dá em cima de Rony.

O filme vale a pena ser visto. Os que leram o livro certamente se decepcionarão um pouco, mas o filme é bom, de qualquer forma. Eu realmente espero que mantenham os acertos e corrijam os erros e assim teremos o grand finale magistroso que o último filme aparenta que se tornará. Esperemos para ver, então.

Luís

criado por Luís/Renan    01:45:01 — Arquivado em: Filmes

domingo, 19 de julho de 2009

TÚNEIS

Tunnels, 2009, 478 páginas. Aventura.

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Comecei a ler Túneis porque não tinha nenhum livro que desejava conferir; então, optei por lê-lo e agradeço ao Rene, que me emprestou o livro, que narra a história de Will Burrows, um garoto de 12 anos que se envolve em inúmeras aventuras subterrâneas a fim de encontrar artefatos interessantes. Tendo adquirido o gosto por escavações do pai, o dr. Burrows, Will, junto com seu amigo Chester, encontram um túnel no porão de sua casa, por onde ele acredita que o pai desapareceu. Decidido a encontrá-lo, os dois garotos acabam por encontrar uma sociedade que vive bem abaixo, dentro da Terra.

É mais ou menos esse o enredo do livro, que conta com bons momentos, mas que também tem momentos extremamente cansativos e longos. Até a primeira metade do livro, tive a impressão de tratar-se uma versão um pouco mais adulta da série Vaga-lume; conforme continuei lendo, concluí que a narrativa fica mais bem escrita, sendo direcionada para um final bastante descritivo e interessante. O problema é que, nos momentos iniciais, a obra parecia tão infanto-juvenil, com pretensões de ser mais do que parecia ser, que acabei dispersando muito, demorando absurdos para ler algo que eu normalmente leria em uma semana; acabei demorando um mês! O assunto abordado no livro pode ser tema de grandes teorias da conspiração, tal qual eventos nunca ocorridos, etc. Eu, particularmente, acredito haver cidades que foram construídas sob os nossos pé e que, talvez, possam ainda ser habitadas secretamente. E isso é mostrado bastante em Túneis, já que boa parte da ação acontece na Colônia, uma sociedade imensa sob a Crosta.

A descrição do lugar é certamente convincente, conseguimos imaginar com eficiência as ruas, prédios, o cenário, de uma maneira geral. O que eu acho que não é muito realista - não querendo afirmar que a obra tenha conteúdo real - é a forma como são descritos os Styx, agentes máximos da segurança da Colônia, que são sempre temidos e usam de métodos cruéis a fim de obter respostas às suas perguntas. Considerando que os Styx tem a mesma metodologia da Crosta, por que descrevê-los de maneira tão estranha, como se seus olhos fossem bolas de gude e a estrutura corporal fosse desengonçada? Mas, de qualquer maneira, isso não interfere tanto no livro. O que parece um pouco exagerado aqui é a descrição das aventuras dos protagonistas. Talvez, se eles fossem mais velhos um pouco, tudo seria mais verossímil e seria mais fácil acreditar que Will realmente passou por tudo aquilo.

O livro tem altos e baixos; o começo, na minha opinião, é quase todo cheio de bobagens, que nada acrescetam à estória. A partir do meio, no entanto, a narrativa fica bastante ágil, dando novo fôlego e captando novamente a atenção do leitor. Eu recomendo que o leiam sem expectativas e apenas se não tiver outro livro na lista de leitura. Como muitos dos livros lançados ultimamente, este faz parte de uma série e, ainda que a estória seja suficientemente finalizada ao final desse, a próxima aventura dará continuidade, narrando o passo seguinte dos aventureiros. Talvez eu leia…

Luís

criado por Luís/Renan    07:41:31 — Arquivado em: Livros

sexta-feira, 17 de julho de 2009

ELEFANTE

Elephant, 2003, 81 minutos. Drama.

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Esse filme, dirigido pelo estadunidense Gus Van Sant, responsável pelas obras indicadas aos prêmios da Academia Gênio Indomável e Milk - A Voz da Igualdade, é um dos melhores trabalhos que vi ultimamente. Não o vejo como uma obra-prima, mas é certamente um filme que deveria ser visto, pois é, de uma maneira geral, bastante curioso e mostra tudo de uma maneira bem específica, fazendo alusões interessantes e criando clima durante quase toda a projeção.

Elefante narra a história do massacre de Columbine, escola na qual dois jovens estudantes entraram e, fazendo uso de armas - duas cacaçdeiras, uma semi-automática e um rifle 9mm - , começaram a atirar em diversas pessoas, fossem elas professoras ou alunas. O que torna esse filme realmente mais prazeroso de se assistir é que ele não é uma amostra grátis da chacina; esta, aliás, é quase um evento coadjuvante, porque a maioria dos eventos narrados são momentos anteriores ao tiroteio. Pouco a pouco, Gus Van Sant vai construindo com cuidado seus personagens, nos permitindo ver as coisas pelas quais eles passam, a forma como interagem uns com os outros, para então mostrar como aquela manhã terminou.

Na minha opinião, dois dos fatores que mais promoveram o sucesso do filme é a opção do diretor por mostrar vários momentos por perspectivas diferentes e a maneira como conduz a câmera quando há transição de cenários. Quanto ao primeiro fator, ao longo do filme vemos várias vezes uma determinada cena no corredor, porém em cada vemos algo de diferente, uma motivação diferente para o personagem estar ali. Sobre o segundo fator, há inúmeras tomadas em que o personagem anda, seja da quadra para o vestiário, do pátio para o refeitório, e a câmera o acompanha; por vezes, não há diálogos, há somente uma caminhada, que parece sempre ser longa. Acredito que isso seja uma grande alusão ao fato de que todos tiveram que, de alguma forma, enfrentar muito para chegar onde estão; a teoria fica ainda mais clara se pensarmos na atitude dos matadores e as considerarmos de acordo com suas características e situações subentendidas ao longo do filme, como o fato de serem meio rejeitados, terem tendência à violência, etc. A composição dos personagens também é curiosa, já que não há um central; todos são igualmente importantes, ainda que uns apareçam mais e outros menos. Há divisões durante o filme, identificamos pelo nome o personagem sobre o qual o filme falará nos minutos seguintes, construindo assim uma espécie de rotina escolar, a qual esses estudantes mostrados estão submetidos.

Em meio a essa rotina, existem pequenas amostras dos motivos possíveis pelos quais Alex e Eric optaram pela chacina; esses são dois alunos que certamente se destacam dos outros durante as cenas. Os contrastes mostrados são impactantes: enquanto Alex toca Für Elise, o amigo, Eric, jogado na cama, joga um game de tiros; pouco depois, irritado, Alex desiste de tocar, fazendo que sua última nota musical soasse estrondosa. E, pouco antes de se dirigirem para a escola, preocupam-se com um beijo, ato de carinho, quando pretendem atirar em várias pessoas impiedosamente. Os alvos deles são também enfatizados durante o filme: os atletas, grupo do qual Alex e Eric não fazem parte, mostrado pela figura do popular que Britanny, Carrie e Nicole encaram. A maneira como a escola é mostrada acrescenta densidade às cenas; os corredores não são claros, como normalmente são nas escolas. Eles acabam dando uma sensação de vazio bem grande, como se, somados às longas caminhadas, não quisessem dizer nada e fossem simplesmente mais um elemento em cena, mas percebemos que toda esse cenário é significativo e está relacionado à forma como os personagens se sentem: um tem o pai bêbado, o outro tem problemas familiares, as garotas se submetem à indução do vômito para se sentir melhor, uma é rejeitada, etc.

Eu recomendo esse filme! Como eu disse anteriormente, é um dos recentes bons filmes a que assisti. Durante uma hora e vinte minutos, o espectador vê cenas bastante complexas e outros bastante simples, embora a complexidade por trás seja a mesma. Alguns podem não entender o porquê do nome do filme; eu mesmo não encontrei nada explícito na obra que remeta ao curioso título. Peço, então, permissão ao Ivan para fazer das palavras dele as minhas e explicar o porquê: é uma alusão ao “elefante na loja de cristais”, que é um fato inesperado e, devido às proporções e características, pode ser deveras devastador, tal como a vingança de Alex e Eric. Esta é uma obra pela qual o espectador exigente deve procurar, uma vez que certamente o deixará satisfeito e com uma sutil sensação de peso ao final, quando há enfoque em um dos assassinos e este, de maneira bastante infantil, provoca suspense psicológico antes de dar o último tiro. Vale a pena conferir.

Luís

criado por Luís/Renan    02:16:55 — Arquivado em: Filmes

quinta-feira, 16 de julho de 2009

PROVA DE FOGO

Fireproof, 2008, 118 minutos. Drama

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Minha mãe me chamou para assistir a esse filme com ela; sentamo-nos para vê-lo e em pouco tempo eu já tinha previsto a sequência de eventos que teria durante o filme. Eu dei uma rápida olhada em algumas críticas por aí sobre Prova de Fogo e parece que quem o assistiu - provavelmente todos evangélicos - gostaram bastante. Realmente não enxerguei tanto quanto eles e achei o filme bastante insosso, e talvez dispensável.

A história fala sobre um casal que vive em conflitos. Ela reclama de que ele não lhescruite dá atenção necessária, ele alega que ela não o respeita; os dois, então, estão prestes a se separar, quando Caleb recorre ao pai, que lhe propõe esperar 40 dias. Durante esse período de tempo, ele seguiria fielmente às instruções escritas em uma agenda que o pai lhe deu: seria gentil, amigável, ajudaria com a casa, e, principalmente, se entregaria a Deus, para que Este o auxilie ainda mais. Logo no começo do filme já somos apresentados às discussões do casal, que têm caráter real, embora a atuação dos atores não nos permita acreditar que estejam ao menos irritados um com o outro. Conforme as cenas são exibidas, vários temas são abordados, como a religião, o amor, o companheirismo, a bondade, etc.

De uma maneira geral, eu acredito que o filme é muito bom para aqueles que procuram algo que mostre afloramento de valores morais por intermédio da religiosidade. Então, há diálogos bastante enfáticos a respeito do quão importante é ter Deus no coração; a maioria das cenas nas quais o tema é abordado apresenta um cenário bastante bucólico ao fundo, quase nos obrigando a associar religião e simplicidade, o que é dito no filme muitas vezes. Na minha opinião, essas são as cenas mais cansativas de todo o filme. Como a minha concepção de religião e crença não é compatível àquilo que considero exagerado no filme, achei-as deveras desnecessárias. Não pelo que é dito a respeito de Deus e a fé, mas pela maneira excessivas como os personagens conversam sobre. Ao assistir o filme, somente os religiosos fervorosos conseguirão acreditar naquelas cenas, pois a última coisa que analisarão são os atores, que não conseguem deixar claras suas opiniões quanto a esse assunto. É também abordado a humildade, mas desta vez com a famosa cena clichê em que duas pessoas se desafiam - uma humilde e uma orgulhosa - e a segunda perde o desafio, tendo que se admitir não tão boa quanto dizia ser.

Eu acho que seria uma ótima comédia romântica caso tudo fosse mostrado com mais humor. As cenas entre Caleb e sua esposa seriam satisfatórias se não fosse tão pretensiosas; a transformação pela qual ele passa a fim de reaviver o casamento é interessante, mas acredito que é abordado de uma maneira estranha nesse filme. Um relacionamento mais denso entre a esposa de Caleb e o médico do hospital poderia ter sido explorado a fim de acrescentar informações densas com o decorrer da trama, no entanto, isso não acontece. Como disse anteriormente: os religosos gostam; mas aqueles que querem um filme com densidade, cujo conteúdo não se limita a um tema mostrado na forma de clichê. Ao ver o filme, me desinteressei em muitos momentos, mas me mantive atento em alguns outros. De uma maneira geral, o filme é assistível, principalmente se não houver outra coisa para se fazer. Mas é claro que se listássemos os filmes bons, teríamos muitos a frente desse. Considero-o, então, um filme para ser visto sempre como segunda opção. Nada mais do que isso.

Luís

criado por Luís/Renan    01:23:40 — Arquivado em: Filmes

quarta-feira, 15 de julho de 2009

A BELA E A FERA

Beauty and the Beast, 1991, 84 minutos. Animação.

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Pela primeira vez em nosso Blog há uma crítica a respeito de um desenho animado. Tal como inúmeros outros filmes produzidos pela Walt Disney, este concorreu ao Oscar na categoria Melhor Filme além de outras cinco categorias. Dentre essas, venceu por Melhor Som e Melhor Canção Original, o que é uma característica comum dos filmes da Disney.

Quanto à sinopse, eis aqui: Bela é uma jovem que sente não pertencer à província em que mora; todos acreditam que seu pai é louco e consideram-na diferente das outras pessoas. O pai dela, ao tomar um caminho errado para ir à cidade, acaba parando na mansão da Fera, que é assim desde que uma feiticeira lhe lançou uma maldição para que não mais desprezasse os pobres e feios. Feito prisioneiro, Bela vai ao encontro do pai e propõe à Fera que a tome em lugar do Maurice, o pai. Deixando-o ir, a Fera e a Bela passam a morar na mansão e começam, pouco a pouco, a se descobrir.

Diferentemente de todos os outros contos de fadas que conhecemos, este tem um característica bem interessante: o reino muito distante é na França, aos arredores de Paris. Então, já podemos localizar com mais precisão o contexto geográfico no qual estão inseridos os personagens. Há inúmeros aspectos muito bons quanto a esse filme. Vemos o quão incomum (em relação ao povo da província) Bela é enquanto ela anda, indiferente aos outros, ignorando quaisquer eventos que aconteçam. Sempre focada em seus livros, ela não gasta seu tempo a observar vida alheia, como os outros fazem. Outra característica interessante: ela é a única a usar a cor azul nas roupas. Não sei se prestei atenção suficiente para afirmar isso, mas realmente não vi quaisquer personagens além dela a usar essa cor. A forma como os personagens interagem é bastante simplória, o que dá maior densidade ao filme, já que não esperamos ver grandes conflitos entre personagens por quem logo simnpatizamos. Não há dúvidas de que o auge do filme é a famosa dança entre Bela e a Fera, ao som de Tale as Old as Time; valsam tão belamente, a Bela em seu vestido radiante e a Fera, contraditória a sua própria aparência animalesca, mostrando-se tão gentil. O bule - que na verdade é uma das empregadas - canta de maneira tão graciosa e envolvente que o espectador sente-se a fim de bailar com os personagens. Quando digo isso, não exagero: aos 18 anos, assisto a um filme teoricamente infantil; que mais me falta senão me divertir totalmente? Aos poucos, todos se envolvem numa relação tão simpática que queremos - ainda que saibamos que será assim - que o famoso “felizes para sempre” venha logo.

Se há algo de que não duvidamos no filme é de que ele cumpre sua missão. Não somente entretém quem o assiste como também propõe excelentes valores morais durante a sua projeção. Ao educar uma criança, uma exibição desse filme seria bastante eficiente para fazê-la compreender que o que realmente importa são os modos de se portar, a bondade e a gentileza para com outra pessoa e não a aparência, que não deve ser tomada como único fator relevante - que nem sequer deveria ser tomada como fator para estabelecer conexão entre duas pessoas. De um modo geral, é um excelente filme. Mas eu realmente prefiro que o príncipe seja a Fera, pois ele parece muito mais simpático sendo daquele jeito.

Luís

criado por Luís/Renan    08:42:59 — Arquivado em: Filmes
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