sexta-feira, 31 de julho de 2009
O EXORCISTA
The Exorcist, 1973, 123 minutos. Terror.
Vencedor do Academy Awards de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Som.
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Parecer haver tanto a falar sobre esse filme, mas, agora, ao começar a digitar, sinto que qualquer coisa que escreva não vai servir para definir o quão bom esse filme é. Na longínqua década de 70, esse filme foi lançado. É claro que já havia se estabelecido o gênero terror e que muitos deles assutavam as pessoas; na década anterior, havia sido lançado A Noite dos Mortos-Vivos, de Romero, que introduzia o pavor às pessoas. Mas foi somente cinco anos depois que as pessoas realmente sentiram medo ao assistir a um filme, pois O Exorcista instaurou o terror nos espectadores, por todos os sues aspectos técnicos e também pela estória que conta. Diferentemente dos filmes classe B, essa obra conta com uma produção totalmente perfeccionista, com um elenco de destaque, encabeçado pela ótima Ellen Burstyn; a estória presente é realmente capaz de fazer o mais incrédulo espectador repensar seus conceitos quanto à religiosidade.
O grande feito desse filme, na minha opinião, é reunir o melhor dentre os aspectos importantes para a composição de uma obra cinematográfica. Ao o assistirmos, produzido numa época em que computação gráfica era um sonho, vemos quanto são reais algumas cenas (sendo que algumas delas de fato são reais!). O Exorcista é o típico filme que não envelhece: assustou a sociedade de 1970, fascinou as gerações posteriores e, ainda hoje, 36 anos após o seu lançamento oficial, consegue paralisar quem lhe assiste com suas cenas densas e, às vezes, cruas. O filme é baseado no livro homônimo publicado em 1971, que por sua vez foi baseado em eventos possivelmente reais, acontecido na década de 40, quando se arquivaram registros de um garoto possuído. O autor, Willian Peter Blatty, fez adaptações a respeito dos personagens que inseriria no seu livro que, embora seja baseado, não é exatamente como o caso acontecido. Tendo feito todo o sucesso possível entre os leitores, tomou uma grandiosidade ainda maior ao ser passado para as telas, pelas mãos do eficiente Willian Friedkim, que chegou a pedir que um padre exorcisasse os sets de filmagem, o que não foi feito a fim de não promover medos nos atores.
Nos primeiros dez minutos, somos apresentados às escavações das quais Padre Merrin participa; lá temos uma visão sutil de uma antiga igreja que estava sob a terra e que pode esconder males imcompreendidos. Cortando para Georgetown, vemos a relação entre Chris e Regan, respectivamente mãe e filha. Aos poucos, Chris MacNeil começa a perceber sutis mudanças no comportamento da filha, principalmente quando esta diz que conversa com Capitão Howdy (usando uma tábua ouija) e que sua cama treme, não a deixando dormir. Depois de inúmeros eventos estranhos, como a real constatação de que a cama se chacoalha, Chris leva a filha a vários especialistas, que tentam descobrir o que há de errado com ela, que tem demonstrado força estranhamente sobrenatural além de violentos espasmos, levando-os a sugerir que, já que a medicina não foi capaz de ver lógica nos eventos, talvez um exorcista conseguisse. A mãe, então desesperada, recorre a um padre que, após conferir a situação da menina e crer que ela de fato poderia estar possuída pelo demônio, começa a recolher provas para confirmar a possessão e garantir a autorização da Igreja para que seja realizado o exorcismo.
Dentres todas as cenas, a mais famosa é aquela em que o Padre Merrin chega à casa em Georgetown e entra, nos permitindo vê-lo sob a luz de um poste, distanciado da câmera e envolto pela neblina do inverno. A fotografia é realmente impressionante, embora o espectador já a veja imponente durante quase todo o filme. Ainda que o título seja O Exorcista e que a cena mais famosa seja a que eu citei acima, o exorcismo realmente só começa no último quarto do filme; durante uma hora e meia temos o desenvolvimento das situações - muito boas, por sinal - que levariam ao exorcismo nos últimos trinta minutos. A respeito dos efeitos, não podemos dizê-los ruins, pois não o são. Mesmo que tenha sido lançado há mais de trinta anos, quando definitivamente os efeitos não eram facilmente criados e tecnologia computadorizada não existia. Ainda assim, com métodos meio que medievais, conseguiram impactar o espectador com as boas cenas mostradas, exibindo efeitos de qualidade. Para exemplificar o quão difícil era criar algo impactante, em uma das cenas - aquela em que Regan se masturba com um crucifixo - tiveram que amarrar uma corda ao corpo da atriz Ellen Burstyn, puxando-apara trás logo que a menina lhe desse um tapa no rosto, a fim de mostrar a força exagerada da garota quando possuída. De tal forma, a cena foi realizada, com vários homens escondidos puxando A atriz com força pra trás, o que resultou numa queda, em que a atriz bateu o cóccix na cama e gritou de dor. Devido à realidade presente - porque de fato era real - a cena foi mantida e pode ser vista no filme. O que dizermos então da rotação de 360º que Regan faz com a cabeça, o momento em que desce as escadas como uma aranha e quando levita diante dos olhos dos padres? São tantas cenas boas e impactes que eu citaria todas se fosse dizer quais são as melhores!
Já comentei sobre a fotografia, mas devo enfatizar que ela é realmente boa, acrescentando muita qualidade ao filme. Além dos bons closes que dão em Regan, alguns enquadros são essencias para que percebamos a grandiosidade dos movimentos da garota possuída, como quando Chris chama dois médicos para que vejam os espasmos e quando a menina se retorce toda e desce as escadas. Aliás, acho que as melhores imagens são aquelas em que as escadas são mostradas, dando um clima tão padronizado à casa e causando contraste entre as aparências e a situação que é vivida pelos personagens. Outro grande acerto é a trilha sonora, que, composta tão eficientemente, causa arrepios a quem vê o filme, principalmente pela oposição de tons usados em relação ao que vimos. O tom instrumental sempre insere um elemento místico aos momentos do filme, mesmo quando a situação é deveras comum, como quando Chris MacNeil caminha pelas ruas ao som de Tubular Bells. As atuações são bastante reais, não fazendo o espectador descrer de que tudo que acontece ali é verdade. Ellen Burstyn conduz bem sua personagem ao passo que Linda Blair também não deixou a desejar ao interpretar a endemoniada Regan. É claro que eu dou muito mais crédito à interpretação da primeira, pois esta utilizou-se apenas de sua capacidade de atuar enquanto Blair foi mascarada por uma densa maquiagem, que por si só é extremamente expressiva, e ainda contou com dezenas de efeitos para acrescentar drama à sua condição de possuída. Ainda assim, haja coragem para passar por tudo que ela passou durante as gravações. Tanto é que no segundo filme da série - que eu recomendo que vocês não assistam - a atriz se recusou a maquiar-se como fizera nesse primeiro.
É claro que essa sequência de elogios que estou fazendo ao filme não é desnecessário. Quem lhe assiste percebe o que singificou para o cinema a produção de uma obra tão convincente como O Exorcista. Uma prova disso são as oito indicações ao Oscar que o filme recebeu, em diversas categorias, sendo, inclusive, o primeiro e único filme de terror a ser indicado à categoria de Melhor Filme. Como disse no primeiro parágrafo, acho que não fui suficientemente claro ao descrever a excelência desse filme, mas é o máximo que eu vou conseguir… Se chegaram até aqui, certamente sabem que eu recomendo absurdamente a que assistam a esse filme. Até porque nenhuma pessoa que diz gostar de filme pode se considerar assim se não tiver assistido a pelo menos uma vez na vida a essa magnífica obra!
Luís
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criado por Luís/Renan
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