Literatura e Cinema

“Sem correr no corredor, Nancy” - Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo.

terça-feira, 7 de julho de 2009

KILL BILL - VOLUME 2

Para comentar esse filme comigo, chamei a Luiza que, junto comigo, assistiu ao filme e gostou dele. Considerando-a deveras especial, uma vez que partilhamos do gosto por filmes bons (e eventualmente ruins, quem sabe), chamei-a para ser convidada especial e dar a sua opinião a respeito da obra que dá continuidade à estória mostrada em Kill Bill - volume 1. Aproveito para dizer que espero chamá-la para mais participações aqui, principalmente se considerarmos que teremos uma longa jornada de filmes para assistir! :)

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Clique aqui para ver o trailer (sem legendas) do filme.

Kill Bill - volume 2, 2004, 134 minutos. Ação.

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A fama do diretor Quenti Tarantino e do próprio filme já criam enormes expectativas. Em minha humilde opinião, estas foram correspondidas. O filme sacia a sede de grandes lutas, vingança, poder e até de beleza cultivado por reles mortais. Mais do que uma continuação, o segundo volume de Kill Bill é a conclusão da árdua da tarefa da Mamba Negra: matar Budd, Sidewinder; Elle, a Cobra Californiana; Bill, o Encantador de Cobras - daí o nome do filme,para os mais lerdinhos ;D . As cenas de intensas lutas dão lugar à história da Noiva e a algumas surpresas.

Para compreender o filme e deixar de afirmar que é ruim pelo simples fato de não entendê-lo é preciso o mínimo de atenção. A ordem cronológica dos fatos não é respeitada, portanto, há digressões a qualquer momento. Finalmente, conhecemos o Pai Mei – aquele mestre desgraçado com tique na barba – e todo treinamento de nossa Noiva e também nos surpreendemos com a descoberta de que a filha da Mamba Negra não está morta. Ela está com quatro anos – e pra quem perdeu a noção de quanto tempo a Mamba ficou em coma fica a dica ;D – e foi criada por Bill de forma pouco convencional…

Mamba Negra não suja suas mãos com todos de suas lista macabra. Ironicamente Budd é morto pela Mamba Negra – a cobra propriamente dita – levada até ele pelas mãos de Elle – a do tapa olho – que por sua vez, não é realmente morta, apenas perde seu outro olho –lembrando que o primeiro foi sutilmente retirado por Pai Mei, o qual foi morto por Elle. E para nosso delírio, Mamba aplica o golpe dos cinco pontos que explodem o coração em Bill, encerrando assim, a trajetória de “Beatrix Kiddo” nos deixando um “gostinho de quero mais”.

Enfim, recomendo assistir Kill Bill em sua totalidade mantendo atenção e aproveitando sua trilha sonora, que é no mínimo encantadora.

Luiza

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Continuação de Kill Bill - volume 1, esse filme, diferentemente do anterior, dá mais ênfase na história de Mamba Negra, mostrando as suas experiências anteriores ao extermínio provocado pelos membros do Esquadrão das Víboras Mortais, incluindo um capítulo todo dedicada aos momentos imediatamente anteriores ao massacre. Para os que não se lembram da história do filme: depois de quatro anos em coma, uma mulher acorda; lembrando-se da injustiça a que foi submetida, quando os assassinos de uma organização da qual ela fazia parte tentam matá-la, provocando uma chacina, ela opta por se vingar de cada um deles - eliminando os cinco um a um - pelo que eles lhe provocaram, que resultou na morte da filha.

Sendo uma continuação direta do primeiro filme, dois nomes já estão riscados de sua lista: O-Ren Ishii e Vernita Green, respectivamente Boca-de-algodão e Cabeça-de-cobre. Restam portanto três pessoas para que A Noiva (como é denominada no primeiro volume) cumpra sua vingança: Budd, Sidewinder; Elle, a Cobra Californiana; e, por fim, Bill, o Encantador de Cobras. Também é preciso lembrar de que haverá agradáveis surpresas ao longo dessa trama, afinal desobrimos no final do filme anterior que, diferentemente do que a Mamba Negra pensava, sua filha não está morta. Existem três tipos de espectadores: os que gostaram do primeiro filme pelo excesso de violência, os que nem gostaram do primeiro filme e os que adoram a história como um todo. Pois os primeiros e, obviamente, os segundos, não vão se satisfazer plenamente ao assistir esse filme, uma vez que aqui há predomínio de longas narrativas, muitos diálogos; tal como antes, as duas horas e dez minutos de filme são divididas em cinco capítulos, que mostram, respectivamente, o massacre na igreja durante o ensaio; a tentativa d’A Noiva de assassinar Budd; a cruel tutelagem de Pai Mei;o confronto entre Elle Driver e a Noiva; e, por fim, o confronto entre ela e Bill. É importante ressaltar ainda que, embora não haja tanta ação quanto no primeiro volume, há cenas realmente surpreendentes nesse filme, como o enterro da noiva, os severos ensinamentos de Pai Mei e a fabulosa luta entre a Cobra Californiana e a Mamba Negra, que chegou a ganhar o MTV Movie Awards de Melhor Luta!

Há grandes acertos nesse filme, mesmo que muitos o considerem um pouco cansativo. A minha sugestão é que quando quiserem assistir a esse filme, vejam-no logo após ver o primeiro, pois compreenderão tudo como uma única obra e não fragmentado da forma que é. A última vez que assisti a esse filme, junto com a Luiza, ela fez um comentário extremamente pertinente: muitas pessoas só conseguem compreender o porquê do título do filme (Mate o Bill) na cena de abertura do filme, filmada em preto e branco, numa ótima sequências, quando a noiva diz: “Pensaram que eu morri, não é? Não morri. Mas não por falta de tentativa. A última bala do Bill me deixou em coma por quatro anos. Quando  acordei, me lancei no que os anúncios dos filmes chamam de ‘um furor violento de vingança’. Eu me vinguei, com violência, até ficar satisfeita. Matei muita gente para chegar até aqui, mas ainda falta mais um. O último. Estou dirigindo até ele agora. O único que falta. E quando eu chegar ao meu destino, eu vou matar o Bill”. Para dar mais charme ainda, como eu já disse, essa é a cena de abertura, logo constatamos que os outros dois nomes (Budd e Elle) já foram riscados de sua lista de mortes, colocando tal cena (a primeira que vimos) como um das últimas, mantendo a mesma falta de linearidade que há no primeiro e no segundo filme. A respeito da lineridade, é importante que tal como antes, ela não segue a ordem em que é mostrada. Tanto é que o oitavo capítulo, The Cruel Tutelage of Pai Mei, é o primeiro de todos os outros capítulos, antes mesmo dos que são mostrado na obra anterior. Eu tenho certa preferência por filmes cuja ordem cronológica não é mostrada linearmente, pois têm um certo charme e obrigam o espectador a ir colocando as cenas vistas numa linha temporal, montando assim um “quebra-cabeça”.

[SPOILER] Se há algo que sabemos desde a primeira cena do primeiro filme é que a (efeito sonoro)* cumpriria sua vingança, e, cedo ou tarde, chegaria até Bill e o mataria. Então, numa das últimas cenas, após a exposição bastante interessante de uma teoria de Bill a respeito de super-heróis e seus alter-egos e como isso se aplica a Noiva, eles partem finalmente aos chamados “assuntos inacabados”. O espectador então espera por uma cena demasiadamente longa, na qual A Noiva torture o homem que a pôs em coma e a privou de acompanhar o crescimento da filha; o que se segue são dois minutos de expectativas, apenas. Aplicando a famosa Técnica dos 5 Pontos que Explodem o Coração, a Noiva interrompe a luta, surpreendendo a Bill e aos espectadores, que descobrem que Pai Mei repassou a ela uma técnica que jamais havia ensinado a nenhum outro aprendiz (o irônico detalhe é que, segundo Bill, Pai Mei não gosta de caucasianos, nem de americanos e simplesmente despreza as mulheres!). Ao invés de uma cena longa e complexa, há brevidade e simplicidade, o que intensifica ainda mais a vingança dela, que por fim se concretiza. [FIM DO SPOILER]

Como eu já disse anteriormente, acredito que devam assistindo aos dois filmes seguidamente. Acho, inclusive, um erro pensá-los como dois filmes, porque na verdade são um só; e não me refiro a isso de tal maneira porque um é continuação direta do outro, mas sim porque a história é única. Eu nem sequer vejo Kill Bill dividido em volumes: vejo-o único, uma ótima obra de quatro horas de duração.  A minha única sugestão para que se possa assistir com prazer é: compreenda o filme. Não o julgue desnecessariamente; não acredite que é desnecessário o excesso de sangue nem aponte como absurdas algumas cenas. Deve-se depreender que todas possibilidades mostradas (sangue em excesso, habilidades monstruosas etc.) são coerentes no universo do filme e que, portanto, ainda que não aconteça no nosso mundo, é comum no contexto da obra. Assisti-lo analisando o que citei é como assistir a Matrix para depois chamá-lo de irreal. Portanto, vejam-no, admirem-no, absorvam-no; atentem como esse filme soa como um épico, mostrando-nos a saga de uma mulher que busca vingança. Mas não gastem seus tempos procurando realidade e irrealidade.

Luís

* o termo entre parênteses é uma alusão ao efeito sonoro utilizado no filme para impedir que o espectador saiba o nome real da Mamba Negra até que ele seja por fim mostrado.

criado por Luís/Renan    07:14:28 — Arquivado em: Críticas Especiais, Filmes

2 Comentários »

  1. Comentário por Carlos Alberto — quarta-feira, 22 de julho de 2009 @ 12:47:32

    Esse é um dos filmes mais legais que eu assisti, embora muitos critiquem, ele é perfeito! Assist os dois!!! :) Duas vezes cada um.

  2. Comentário por Wander Veroni — sábado, 8 de agosto de 2009 @ 16:56:05

    Olá! Parabéns pela crítica. Confesso que não assisti ao filme ainda, mas pelo o que vcs escreveram deu vontade de ver para acompanhar de perto a história.

    Abraço

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