quinta-feira, 9 de julho de 2009
O CLUBE DO FILME
The Film Club, 230 páginas, 2009.
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A primeira coisa que quero que reparem é na beleza da capa, pois foi ela quem me chamou a atenção para o livro. Olhei-o atento, senti o revelo do tÃtulo e, por fim, li as orelhas: diante das dificuldades com as notas e o crônico desinteresse pela escola, Jesse Gilmour ouve uma proposta bastante tentadora do pai, na qual ele poderia deixar de ir à escola, desde que os dois assistissem juntos a três filmes por semana. Estabelecido tal acordo, o garoto, aos 15 anos, não precisaria pagar aluguel e poderia fazer o que mais quisesse, desde que respeitasse algumas poucas regras.
À primeira vista, pode parecer apenas um relato comum sobre um pai e um filho e a relação existente entre eles, mas o livro muito bem além disso. Não somente é uma amostra cinematográfica como narra com extrema eficiência os problemas pelos quais passam um adulto que não consegue emprego e um adolescente com problemas sentimentais. Logo no primeiro capÃtulo do livro somos apresentados à objetiva proposta do pai, que rapidamente é aceita por Jesse; nas primeiras páginas já é exibido o primeiro filme, aquele que daria inÃcio à jornada de três anos sentados em frente à TV, acomodados em poltronas e no sofá, assistindo aos melhores e, eventualmente, piores filmes já realizados. Para os que tem um bom conhecimento cinematográfico e que tem um pouco de noção sobre o contexto de cada filme, sabendo o que representam (considerando a época em que foram concebidos), já se surpreendem com o segundo filme ao qual David e Jesse assistem: Instinto Selvagem. E o livro todo é assim, uma agradável surpresa.
Em meio à s sessões de filmes, há também o problema financeiro de David, devido à crise de desemprego, que não é sanada por boa parte do livro; Jesse, extremamente propenso aos relacionamentos aos quais se entrega densamente, sofre com as diversas experiências românticas, como o namoro com uma garota que consegue seduzir a qualquer um e que ainda o provoca perigosamente. Como se isso tudo não fosse suficiente, há ainda relatos de conversas profundas entre pai e filho, com descrições de certos assuntos e também narrativas a respeito dos problemas que à s vezes Jesse criava. Como são narrados três anos, então são muitas as situações narradas nesse livro, como o envolvimento de Jesse com drogas, novas namoradas, a sua inclusão no mundo musical, etc. Mas acredito que haja predomÃnio dos filmes. São tão bem retratadas algumas cenas de alguns filmes, que se percebe a excelência da arte de assistir a um filme; as descrições feita são à s vezes tão detalhadas que pode influenciar aqueles que (ainda) não assistiram à s obras citadas, tamanha a precisão que David usa para defini-las. Acho que, sobretudo, esse é um livro dedicado à crÃtica de filmes, e, se classificado assim, resulta numa obra quase irrepreensÃvel.Â
É claro que esse está longe de ser um livro perfeito; ainda que eu goste de relatos de casos reais como esse (porém não como Marley e Eu), ainda mais se somados a outro tópico que também gosto (cinema), não os vejo com a mesma intensidade com a qual vejo os romances. E, em alguns momentos do livro, há passagens meio chatas, que parecem perdidas ali e que poderiam ter sido omitidas; isso, no entanto, não transforma esse livro em algo mediano; tais “erros” não interferem tanto, então o livro, na minha opinião, é muito satisfatório e deve ser lido. Insisto que os melhores momentos são os extremamente descritivos, nos quais David analisa com ênfase as cenas mais impactantes de alguns filmes, acrescentando inclusive diálogos do filme ao livro, como o que vemos logo no inÃcio, entre Catherine Trammel (Sharon Stone) e o detetive de Basic Instinct. Não é surpresa imaginar que partes boas como essas haveriam por todo o livro, ainda mais se considerarmos que David exercia a profissão de crÃtico de cinema para um jornal de grande circulação. O Clube do Filme é agradavelmente surpreendente porque é um misto de documentário sobre cinema, com a inclusão de notas a respeito de algumas obras e suas traduções e uma filmografia no final, com relatos da vida dos personagens reais David, Jesse, Tina, Maggie, etc. Certamente vale a pena lê-lo.
LuÃs
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criado por LuÃs/Renan
02:20:33 — Arquivado em: 

Comentário por Júlia — sexta-feira, 10 de julho de 2009 @ 20:20:01
achei muito legal o que você disse, e me deu vontade de ler o livro.
IncrÃvel ter tantos detalhes em tão poucas páginas!
To morrendo de vontade de ler! rs
beijos
Comentário por Brean — sábado, 11 de julho de 2009 @ 02:26:23
Nao conhecia esse livro, mais vamos deixar o mesmode lado parfalar de algo q……a dane-se, Michael Jackson, vcs nao falar nada dele por aqui??
uahuhauhuhauhauhahuauahuahuahuahuauh
e pra finalizar, uma sugestao q nunca deixo de fazer qnd comento aki, pq vcs nao falam alguma coisa sobre Iliada, eu to querendo le esse livro, e todo mundo fala muito bem dele…
Bom, fico por aqui
Abraços e até mais
Comentário por Munick — domingo, 9 de agosto de 2009 @ 12:55:52
Ganhei de presente do meu pai. Li em um dia. Simplesmente fantástico. Mesmo um pouco nostálgico, a relçao estabelecida entre pai e filho é o que muitas familias nao conhecem. Esse livro está marcando uma nova fase da minha vida. Estou saindo de casa pra estudar cinema. E mesmo feliz. Estamos todos com o coraçao apertado. Livro incrivel pra ganhar de um pai.
Recomendo para todos tambem. E nao esquecam de fazer sua lista de filmes, e colocar na porta da geladeira.
A minha já está pronta!
Comentário por Joice — sábado, 15 de agosto de 2009 @ 20:05:36
Altamente recomendável. Depois que a gente termina, fica com aquela desagradável sensação de nunca ter assistido nada que preste.