Literatura e Cinema

“Sem correr no corredor, Nancy” - Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

HAIRSPRAY

Clique aqui para ver o trailer (sem legendas) do filme.

Hairspray, 2007, 117 minutos. Musical.

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Assim que esse musical foi lançado, eu fiquei com um pé atrás em relação a assistir-lhe. Achei que o pôster colorido demais, a presença de Zac Efron e John Travolta travestido servia apenas para fazer desse musical algo bastante zoado. Optei, então, por não conferir, o que acabei fazendo dois anos depois de seu lançamento. Surpreendentemente, na primeira cena do filme, cheguei à conclusão de que cometi um grande erro ao julgá-lo antes de vê-lo, pois o filme é bom e vale a pena!

Em 1962, o sonho de todo adolescente é aparecer no “The Corny Collins Show”, o programa de dança mais famoso da TV. Tracy Turnblad é uma jovem gordinha que tem paixão pela dança e, ao fazer um teste, ela impressiona os juízes e, desta forma, conquista um lugar no programa. Logo ela alcança o sucesso, ameaçando o reinado de Amber Von Tussle no programa. As duas passam também a disputar o amor de Link Larkin, enquanto duelam pela coroa de Miss Auto Show. No entanto os conceitos de Tracy mudam quando ela descobre o preconceito racial existente na TV, decidindo usar sua fama para promover a integração.

O elenco do filme conta com atores de peso - sem trocadilhos em relação ao fato de o enredo trazer como personagem garotas gordinhas. Estão presentes John Travolta, ícone de filmes como Nos Embalos de Sábado À Noite e Grease - Nos Tempos da Brilhantina; Queen Latifah, que participou de outros musicais, como Chicago; Michelle Pfeifer, de Stardust; Zac Efron, de High School Musical; além de Christopher Walken, de Domino, James Marsden, de X-Men, e Amanda Bynes, das porcarias Ela É o Cara, Ela e os Caras, etc. E todos estão em perfeita sincronia, tano nos números musicais quanto nas outras cenas que o filme parece bem melhor do que talvez seja. A estreante Nikki Blonski inicia o filme com uma canção, já preparando o espectador para o que verá: a estória de uma menina sonhadora. Então, logo nos primeiros minutos somos apresentados à canção Good Morning Baltimore. Foi nesse momento, aos 3 minutos de filme, que eu percebi que já deveria ter assisto a esse filme (várias vezes) antes. Não há dúvidas de que há inúmeros pontos altos durante Hairspray; ainda que seja um musical e que muitas pessoas lhe assistem apenas por querer ver dancinhas, esse filme se mostra também eficiente no quesito atuação, já que nenhum ator destoa dos demais.

Aqui vou abrir espaço para um comentário: fico impressionado como os filmes musicais, que deveriam primar pelas coreografias, músicas e cenografias, se destacam a respeito à atuação. Se repararmos nos musicais, não somente nos antigos, como principalmente nos recentes, perceberemos que há grande empenho do elenco em entregar-se totalmente à obra que estão a realizar e o resultado disso são as diversas indicações a prêmios importantes, como o Golden Globe, os prêmios da Academia, além de inúmeros outros. Tomando como exemplo o Oscar, vários atores presentes em filmes musicais foram agraciados com uma indicação ao prêmio ou até mesmo venceram, como John Travolta, Nicole Kidman, Renée Zellweger e Queen Latiffah, por, respectivamente, Nos Embalos de Sábado À Noite, Moulin Rouge e Chicago, e Catherine Zeta-Jones, que consquistou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, por Chicago, que concorreu e venceu por Melhor Filme. Embora tenha sido indicado a três Globo de Ouro e não ter ganhado nenhum, esse filme certamente mostra um elenco disposto a nos mostrar bastante. Até mesmo Zac Efron, que eu pensava não ser capaz de sair do limitado Troy, mostrou-se compentente e até criou um charme que jamais exibiu em High School Musical. Michelle Pfeiffer e Christopher Walken, que eu não imaginava que participariam de um musical, também estão à vontade com seus personagens. A atriz, inclusive, pediu que o diretor incluísse a reprise da música Big, Blonde and Beautiful, numa cena em que John Travolta e ela a cantam, para que ela tivesse a oportunidade de cantar em cena, já que no seu momento de mais destaque, ela praticamente narra um pouco de sua história em vez de cantá-la. De tal forma, a composição do elenco é plenamente satisfatória, criando bons momentos, sejam eles dramáticos ou cômicos.

A escolha das músicas não poderia ser mais certa: tal como o visual colorido do filme, as músicas insinuam a mesma vivacidades das cores do pôster e dos figurinos dos personagens. A única música triste do filmese situa na busca dos negros pela igualdade e no apoio de Tracy para que a integração realmente ocorra, criando, então, um momento realmente interessante, no qual os negros caminham com placas erguidas enquanto Queen Latiffah quanta I Know Where I’ve Been. Aproveitando a descrição que fiz, vou me aprofundar e elogiar a atriz: pertence a ela os melhores vocais, com timbres fortes e afinação maravilhosa. Tal com em Chicago, aqui a atriz aproveitou sua experiência no ramo musical para nos expor ao seu vozeirão; certamente fez bem! Todo mundo tem a oportunidade de cantar em algum momento. O que achei uma pena foi a pouca exploração de Pfeiffer e Bynes, que poderiam ter cantado mais; enquanto a primeira divide uma música, a segunda canta alguns trechos junto com outros atores. Nikki Blowski acrescenta bastante ao musical com sua boa interpretação e sua boa voz; isso para não dizer que é extremamente engraçado os momentos em que ela dança junto com o povo da sala de detenção e, posteriormente, quando começa a dançar no salão, enquanto todos a olham impressionados.

De uma maneira geral, esse filme é extremamente divertido, com ótimos números musicais, boas atuações, cenários fantásticos, figurino bem escolhido, além da partipação de John Travolta, como Edna, mãe de Tracy; destacando a cena em que, junto com Velma, personagem de Pfeiffer, canta “Big, Blonde and Beautiful”. Foi uma grande surpresa para mim achá-lo tão bom quanto é, pois eu realmente não acreditava que fosse. Depois de dito isso, não me resta nada a não ser recomendá-lo. Então, se quiser se entreter com um filme divertido, peguem esse. Vejam-no, pois certamente é bom e você vai gostar. Como se não bastasse, ainda mostra ao final uma bonita mensagem (que talvez seja melhor mostrada em filmes de drama, mas considerando que esse é um musical, ele a mostra bem!), sugerindo a integração. Eis um filme para se assistir umas três ou quatro vezes… sem se cansar!

Luís

criado por Luís/Renan    08:46:12 — Arquivado em: Filmes

6 Comentários »

  1. Comentário por Carlos — quinta-feira, 23 de julho de 2009 @ 09:36:23

    Muito Bom!!!

  2. Comentário por Franklim — quinta-feira, 23 de julho de 2009 @ 18:38:29

    Realmente Hairspray foi ótimo, porém de todos os músicais atuais, Chicago é o melhor!

  3. Comentário por Bruno — quinta-feira, 23 de julho de 2009 @ 22:55:10

    Concordo em partes com vc Luis.
    Gostei muito desse musical.
    Concordo que o elenco esta muito bom, até me surpreendi queando vi q a personagem pricipal é uma gordinha, mas ela é muito boa e dança muito bem.
    Agora, nao concordo quando diz que Zac Efron está mais carismatico pois acredito que o potencial dele é bem maior que o personagem Link até mesmo que Troy, deixaram ele um pouco apagado, embora que naquela época o mesmo estava no começo de sua promissora carreira artística.
    Falndo de John Travolta, sem comentarios ele realmente está otimo, ele desenvolveu muito bem um papel realmente desafiador, não podiamos esperar menos de um ator como ele.
    Enfim, é um filme bom, com uma ótima mensagem. de “integração” a fim de entretê-lo por algumas horas

    E Luis, parabéns por esse blog, aqui é um ótimo lugar para expressar oq achamos sobre filmes

    Obrigado

    Luís/Renan

    Luís/Renan Reply:

    Na verdade, eu acho que o ator tem que se mostrar capaz de atuar no tempo em que disponibilizaram para ele em cena. Assim, o espectador vai querer vê-lo mais uma vez, esperando que o ator supere a sua atuação daquele filme que originou as expectativas. Zac Efron, na minha opinião, é novato e ainda não é tão capaz de discernir bem o quão necessária é a expressividade numa determinada cena e se tivessem dado mais espaço a ele nesse filme, talvez não teria feito tão bem quanto fez nos poucos minutos em que aparece. Eu acho que ele irá melhorar e, quem sabe, vir a fazer ótimas tramas, boas comédias, suspenses e, provavelmente, outras musicais. Mas é bom não superestimá-lo, porque é só mais um broto da Disney…

  4. Comentário por Anderson — domingo, 26 de julho de 2009 @ 00:08:32

    simplismente sensacional
    adoro esse filme/musical!

  5. Comentário por PEDRO — sábado, 22 de agosto de 2009 @ 01:23:59

    o que é mais chato do q um filme de que as pessoas ficam cantando sem parar, sem nenhum dialogo, só musica, musica e musica..

    musica é bom na trilha sonora só

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