Literatura e Cinema

“Sem correr no corredor, Nancy” - Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo.

domingo, 30 de agosto de 2009

AMANHECER

Breaking Dawn  - Stephenie Meyer, 2009, 464 páginas (Editora Intrínseca), Romance.

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Enfim chegamos ao fim de mais uma serie muito bem sucedida. Com Amanhecer, Stephenie Meyer poe fim a estória de Bella e Edward que agradou pessoas em todo o mundo. Aqui estará cheio de SPOILERS, então se você não leu ou pretende ler, sugiro que o faça primeiro.

No ultimo volume, temos muitas expectativas preenchidas. Bella fica com Edward, nada mais natural, pois mesmo gostando de Jacob sempre quis que ela ficasse com Edward, mas Jacob não fica tão de lado assim. O livro é dividido em três partes, sendo que a primeira e a ultima como de costume, são do ponto de vista de Bella, e a parte do meio do ponto de vista de Jacob, uma mudança legal, é interessante ver como Jacob se sente vendo Bella na sua atual situação, além disso, o livro de Jacob é cheio de piadinhas sobre Rosalie, com humor negro, e os nomes dos capítulos da sua parte da estória são bem interessantes. Voltando… Bella se casa com Edward, e essa é uma das passagens mais legais do livro, não que aconteça nada de surpreendente ai, apenas é legal…Ela tem uma filha dele. Sim. Bella engravida de Edward. O Rene explicou uma vez sua teoria sobre isso, sobre o corpo da vampira mudar quando se transforma, por isso ela não pode dar a luz, mas o do vampiro não, ainda assim achei estranho. Mas o problema é que a criança que ela espera não é compatível com o seu corpo, por isso temos a impressão que Renesmee (Esse é o nome da criança, por sinal muito tosco, seria a junção de Renné e Esme) suga tudo de sua futura mãe, deixando-a fraca. Esse é um ponto novo para a estória, nele vemos Bella quase morrendo e Edward não pode fazer nada já que sua esposa deseja muito a criança e com ainda tem a ajuda de Rosalie, já que essa, como foi mostrado em Eclipse era louca pra ter um bebê.

Não falarei o final, mas comentarei sobre ele. Achei extremamente broxante toda aquela preparação que em partes me lembrou quase um X-Men, cheio de personagens novos, para ajudar a proteger a Família Cullen não dar em nada. Uma conversinha aqui, outra ali. E pronto, todos são amigos de novo. Não quis dizer que foi mal fundamentada, pois tudo que se precisa esta ali, mas estava me acostumando a ler um `pedacinho` de brigas, como James e Edward em Crepúsculo, Os Volturi (embora esse também não acabe em nada, é legal, pois introduz na estória personagens novos e importantes) em Lua Nova, Victoria contra os lobos em Eclipse. Mas nesse, nada. Alem disso, ela finalmente consegue se tornar uma vampira depois de quase ser morta por sua filha, e tenho que confessar que nessa hora o romance perde muito (não que eu ache que ela deveria continuar humana, pois assim, daria muita margem para continuações) já que estamos acostumados a ver Bella como o ponto fraco e daí nasce a necessidade de Edward. Com ela transformada, não há a necessidade do cuidado extremo de Edward, e eram essas as melhores partes do livro.

No geral, gostei do livro, embora prefira outros da série.Certamente é recomendável para quem acompanha a serie, alem disso, o filme parece ter sido confirmado também, portanto agora só nos resta esperar.

Renan

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Eu realmente acho que o Renan exagerou na crítica dele. Embora, na minha opinião, Amanhecer retome um pouco do charme de Crepúsculo - pois houve uma notável perda dele nos livros seguintes da série -, o livro deixa a desejar em alguns pontos, principalmente porque a autora insiste em termos já repetidos nos outros livros e que, por isso, estão meio desgastados. Porém, ainda assim, na minha opinião, numa ordem de preferência, este vem à frente dos dois livros que o precederam. Não acredito que seja possível fazer um bom resumo da sinopse sem enchê-lo de spoilers, então, optarei por não fazê-lo. Vou dividir a minha opinião segundo os aspectos positivos e os negativos, pois acho que ficará mais fácil comentá-los assim.

Aspectos negativos: 1) sem dúvida, a persistência em manter elementos utilizados à exaustão não me agradou; um ótimo exemplo disso, é a aversão entre Jacob e os vampiros. Embora já tenham trabalhado juntos no livro anterior - no que deveria ter sido uma luta epopéica entre lobisomens e vampiros -, Jacob permanece com uma relutância absurda em aceitar que Bella não pertence a ele, mas sim ao Edward; todos, aliás, sabemos disso, pois desde o segundo livro isso foi deixado extremamente claro. 2) a instabilidade psicológica de Jacob se tornou absurdamente irritante, já que muda de opinião a respeito do relacionamento entre Edward e Bella a cada três minutos, uma hora querendo protegê-la do marido, outra hora achando que ele é o melhor para ela, depois achando que os dois estão bem conforme sempre quiseram estar; acredito que esse temperamento é um recurso do qual a autora se utilizou para poder escrever e reescrever sobre o que disse no primeiro aspecto negativo, logo, acredito que isso demonstre a limitação da obra que ela mesma compôs. 3) Bella, já casada, deveria compreender que seus desejos não são favoráveis a ninguém dentro do relacionamento aberto no qual ela acredita estar: Edward não é feliz ao vê-la querendo Jacob, que, por sua vez, não é feliz vendo-a amar Edward, que, consequentemente, não é feliz vendo-a ficar longe de Jacob. Poderia continuar isso interminavelmente, pois é um ciclo assim que Bella cria, como se não pudesse conter suas vontades a fim de não magoar os outros, já que não magoá-los é exatamente o que ela quer ou talvez o que ela queira seja uma trepada a três, ela no meio, entre um cachorrão e uma estátua. 4) O desvínculo entre Jacob e a matilha de Sam me soou meio forçada, como se a autora simplesmente acrescentasse esse elemento sem que ele jamais tivesse sido citado antes, somente para poder dar continuidade à história conforme ela queria. 5) Três quartos do último livro dedicados ao mistério acerca da vinda dos Volturi e simplesmente uma ausência de clima como aquele? Só não achei quase pior do que o clímax - de meia página - de Eclipse, porque eu realmente já não esperava por um momento realmente demolidor. 6) Será que Stephenie Meyer pensa no Brasil se fala espanhol? Se as Amazonas vieram da Amazônia, como eu tive a impressão, por que caracterizá-las como gorilas selvagens? Pelas descrições que Bella faz sobre Zafrina, Senna e Kachiri, eu pensei tratar-se de uma alusão a Planeta dos Macacos.

Aspectos positivos: 1) Achei extremamente válido ver a história sendo finalmente contada sobre outra perspectiva que não a de Bella. A divisão pela qual a autora escolheu foi interessante e deu a Jacob um pouco mais de espaço, embora ele tenha se tornado, na minha opinião, uma pedra no sapatos nos últimos dois livros. Achei bom também que tenha limitado Amanhecer a apenas duas perspectivas, pois acho que se mais alguém resolvesse contar a história, ia ficar meio problemático e, talvez, tudo pareceria escrito pela mesma pessoa. 2) Devo ressaltar que, se em dois terços do livro, Jacob é dispensável devido ao seu problema em conviver com os vampiros, no terço final ele readquire a simpatia que tinha em Crepúsculo, livro no qual era apenas um personagem secundário. Não vou escrever aqui o motivo pela mudança comportamental e embora eu realmente esperasse - torcia fervorosamente, é o que quero dizer - que essa mudança acontecesse, fiquei agradavelmente surpreso pela maneira como tudo se desencadeou. 3) Gostei bastante da introdução de outros vampiros importantes à história, como as amazonas, os irlandeses, etc. Embora sua função seja praticamente nula, devido à falta de vontade que Stephenie Meyer em criar uma final realmente atrativo, é interessante vê-los demonstrando seus poderes e auxiliando Bella na tentativa de amadurecer suas técnicas de guerra.

Acredito que esses sejam os pontos mais gritantes que eu gostaria de ressaltar, embora, claro!, haja muitos outros quesitos a se incorporados a um dos dois grupos que defini acima. Ao final de Eclipse, eu cheguei à conclusão de que não leria tão cedo Amanhecer, a fim de me recuperar da decepção mediana que tive ao temrinar a leitura do terceiro episódio da série; porém, o Renan praticamente impôs Amanhecer, trazendo-o à minha casa, e comecei a lê-lo, por fim. Ainda que, como vocês viram, eu tenha encontrado grandes defeitos, eu li rapidamente, chegando a ler mais de oitenta páginas por noite. Acho que o li com mais voracidade do que o primeiro da série, Crepúsculo, porque realmente gostei do rumo que a série tomou e gostaria muito que simplesmente parasse aí. Ah, gostaria de acrescentar que achei o final sem sangue - tão contraditório à temática vampírica - um lugar-comum bem grande, mas, afinal, é uma série de romance, não terror, logo, o final é cabível. Se leram até o terceiro, por que não continuar lendo? Sugiro que o leiam, pois, diferentemente do livro anterior, Amanhecer é interessante.

Luís

criado por Luís/Renan    01:26:03 — Arquivado em: Livros

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

NOIVAS EM GUERRA

Bride Wars, 2009, 89 minutos. Comédia.

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Anne Hathaway é uma das atrizes que têm se destacado no univerno cinematográfico ultimamente. Ano passado esteve no elenco de três filmes e por um deles  - O Casamento de Rachel - recebeu uma indicação ao Academy Award. Kate Hudson, de A Chave Mestra, indicada em 2000 por Quase Famosos, é a outra protagonista de Noivas em Guerra. A junção de duas atrizes assim deveria resultar num filme interessante, certo?

A sinopse fala de duas amigas que desde a infância são extremamente unidas. Por engano, porém, seus casamentos são marcados no mesmo dia, obrigando uma delas a ceder em favor a outra. No entanto, o pequeno impasse se torna imenso quando elas decidem não abrir mão de casar-se no Plaza Hotel, local onde sempre sonharam estar para celebração do casamento. Então, uma começa a tentar sabotar o casamento da outra de maneiras não muito simpáticas. Pois bem, lendo essa premissa, já podemos perceber que Noivas em Guerra não vai escapar dos famosos clichês das comédias-com-final-feliz, porque sabemos, desde o primeiro minuto, que tudo terminará bem. Logicamente esperamos que haja bastante humor, já que o desenrolar do conteúdo nós já conhecemos. O roteirof az questão de nos mostrar três etapas bastante claras acerca do comportamento de Liv (Hudson) e Emma (Hathaway), que são o companheirismo, nos primeiros vinte minutos,das acusações aos atentados, na segunda parte, e por fim, a aceitação. Confesso que achei interessante o primeiro ato, por mostrar de uma mais sutil a diferença de personalidade entre as duas e ainda assim nos permitir vê-las unidas. Pouco antes de o segundo ato começar, eu fiquei imaginando como seria se, em vez de uma comédia, fosse um drama; realmente acredito que entreteria muito mais, mas vou desconsiderar esse meu comentário, porque sou fã mesmo de dramas!

O grande defeito desse filme é o fato de não entreter. Não vi nele uma obra medíocre, que não vale a pena ser vista; mas falta o charme das comédias, o humor sutil e persistente, que podemos encontrar disfarçado nas cenas. O roteiro prima o exagero e, por vezes, o vulgar: duvido que alguém ria por causa de um cabelo azul! Aliás, vejo nisso um grande furo, pois bastava Liv descolorir e repintar o cabelo para que aquilo sumisse, sem maiores problemas. Isso, contudo, é mostrado como se fosse um empecilho impossibilitador, o que definitivamente não é. Eu tenho a impressão de que Kate Hudson interpretou a si mesma, pois nunca vi tamanha apatia numa atuação. O Renan disse que ela parecia fisicamente com a Jennifer Lopez; eu acredito que ela imitou a Jennifer Lopez e por isso conseguiu se limitar tanto. E eu sempre acho que a voz dela não condiz com sua aparência; eu sempre espero uma voz mais fina, com acento nas vogais, prologando-as. Já Anne Hathaway a supera em todos os momentos, mesmo naqueles em que se pensa que não é possível uma atuação um pouco mais digna. Percebam como ela consegue ser dramática, como suas expressões parecem sempre verdadeiras. Ainda assim, ela não salva o filme.

Eu compararia Noivas em Guerra com Duplex, embora as reações que esses filmes me causaram foram bem diferentes. Em Noivas em Guerra eu esbocei risadas ao longo do filme; já em Duplex, eu ri muito uma única vez. Mas no fundo ambos são filmes que deixam a desejar e não entretém tanto quanto imaginado. Noivas em Guerra não é ruim, mas falta muito para ser bom. É razoável! Eu sugiro que procurem outros filmes de comédia; aliás, optem pelas comédias românticas, que são as mais interessantes - embora não fujam do clichê -, como A Proposta. Mas se querem ver Anne Hathaway e/ou Kate Hudson, sugerio que vejam os filmes que eu citei no primeiro parágrafo ou Agente 86. Certamente gostarão mais.  

Luís

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Estava na locadora em dúvida se alugava Dúvida ou Noivas em Guerra, não que eu ache que Noivas em Guerra seria melhor, mas como estou “trabalhando” no perfil da Anne Hathaway, peguei esse. No final do filme, bateu aquela sensação de dinheiro gasto à toa.

 

Ao longo do filme somos apresentados a Liv (Kate Hudson) e Emma (Anne Hataway), que são melhores amigas desde a infância, época em que assistiram a um casamento no famoso Plaza e onde projetaram o sonho de suas vidas: o de um dia se casarem lá também. A amizade das duas é a base para todo o filme todo, já que elas são como unha e carne. O problema acontece quando à consultora de casamentos da cidade agenda as datas dos dois casamentos para o mesmo dia, fato esse que vai leva a descoberta de novas personalidades de cada uma das duas, obviamente isso e leva uma à outra a criarem planos, ora engraçados ora previsíveis, para sabotarem o casamento uma da outra e conseguir a atenção toda para si mesma. Para Liv, isso acontece naturalmente, já que é fria, calculista e agressiva, enquanto para Emma, que se mostrou passiva durante a vida, surge como algo novo.

 

As atuações são satisfatórias, já que o gênero não exige muito. Kate Hudson faz bem seu papel, sendo até grossa, mas esse perfil combinou com ela…bem diferente de ver sua personagem mais feminina, porém não menos fraca em Como Perder um Homem em 10 Dias . Alguém mais achou ela com a cara da Jennifer Lopes nesse filme? Quanto a Anne Hathaway, tenho que confessar que dos filmes que vi dela, esse foi o mais fraco, até Agente 86, que não tinha achado tão bom é melhor. A diferença fica mais evidente depois que vemos O Casamento de Rachel. Não pensem porem, que estou comparando os filmes, pois sei diferenciar os gêneros, e que esse filme foi feito apenas para diversão. O ponto mais interessante é ver a diferença das duas, que é mostrada desde a infância, com Liv sempre sendo a noiva nas brincadeiras. Há partes boas no filme, mas essas podem ser vistas no trailer, como Liv de cabelo azul e Emma com um bronzeado extremamente artificial, isso tudo as vésperas do casamento.

 

O filme não é ruim, mas há filmes no gênero melhores, e há filmes com as atrizes melhores também. É valido assisti-lo quando não houver muita coisa pra se fazer.

 

Renan

criado por Luís/Renan    00:09:03 — Arquivado em: Filmes

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

GILBERT GRAPE - APRENDIZ DE SONHADOR

What’s Eating Gilbert Grape?, 1993, 125 minutos. Drama.

Indicado ao Academy Awards na categoria Melhor Ator Coadjuvante (Leonardo DiCaprio).

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Essa foi a “semana Johnny Depp” na minha casa: assisti a três filmes com ele, que foram já comentados aqui. Entre os filmes em que o ator já atuou, está essa pequena grande obra, que deve estar desconhecida de muitos espectadores e até mesmo de alguns fãs do ator. Lançado há quinze anos, as mais de duas horas dessa obra contêm uma capacidade eficiente de nos fazer pensar sobre o filme e ainda mostrar a já muito boa qualidade de Johnny Depp.

O filme retrata o cotidiano de Gilbert, o filho mais velho de uma família complicada. Sua mãe tornou-se de tal maneira obesa após o suicídio do marido que passa todos os seus dias em frente ao TV, onde fica sentada no sofá. Ele é responsável pelo cuidado do irmão Arnie, um doente mental que é extremamente apegado a Gilbert, mas que sempre causa problemas, devido à sua repetitiva vontade de subir na caixa d’água. Sempre é assediado por uma cliente do supermercado em que trabalha e, paralelamente a isso, sua vida se transforma com a chegada de Becky, uma moça que viaja pelos lugares em companhia da avó. Então, aos poucos, vamos conhecendo a rotina do rapaz, que certamente é sobrecarregado pelos deveres para com a família e com o trabalho, ao mesmo tempo em que tenta enxergar tudo com olhos abrangentes, procurando humor no que vê e acrescentando romance à sua vida.

Eu acho que esse é um filme que se assemelha a Antes do Amanhecer no que se refere ao objetivo: mostrar um simples evento, sem momentos específicos muito densos. Das atuações, logicamente que as mais destacáveis são a de Johnny Depp, muito bem como um personagem distante, que aparenta tamanho distanciamento do seu próprio mundo e, paradoxalmente, está enterrado nele, e a de Leonardo DiCaprio, aos 19 anos, interpretando uma doente mental que, embora amado, é um peso para o irmão mais velho. Juliette Lewis compõe o trio de atores de maior importância na trama, mas na minha opinião, sua atuação fica muito aquém das expectativas e acaba engolida por quaisquer outros elementos que estejam em cena ao mesmo tempo, desde elemento figurativos, como o cenário, como outros atores coadjuvantes. O filme recebeu uma única indicação ao Oscar, na categoria Melhor Ator Coadjuvante. Eu concordei plenamente com a indicação, uma vez que DiCaprio compôs seu personagem Arnie com tamanha maestria e perfeição que qualquer leigo acreditaria tratar-se realmente de um ator deficiente. Cada gesto, cada fala do ator impõe ao público a mesma sensação que provavelmente causa em Gilbert: um amor incondicional, a necessidade de receber carinho e dá-lo e também uma responsabilidade imensa, que nem sempre pode ser controlada.

O roteiro conduz o espectador a uma busca pela harmonia, que a família Grape certamente não encontra; cada um à sua maneira, eles tentam esquivar-se dos problemas, mas ao mesmo tempo resolvê-los, o que os leva a atitudes extremas em alguns momentos. Aos poucos, as cenas vão tomando um ar mais sutil conforme o aniversário de 18 anos de Arnie se aproxima, aquela sensação de pesar, de tristeza; em contrapartida, a felicidade bucólica que vemos, dá um equilíbrio interessante, levando a uma conclusão cabal dos sentimentos dos personagens. Grande destaque para as cenas finais e, principalmente, para a mudança comportamental do personagem Gilbert, que decide não permitir que caçoem uma última vez da mãe.

Eu recomendo esse filme, pois contém cenas impactantes e ao mesmo tempo mostra tudo com tamanho simplicidade que o espectador se entretém com a história de Gilbert. O único problema é esse subtítulo pavoroso, que nada acrescenta e ainda deturpa a ideia que quem vai assistir pode ter do filme; isso, no entanto, não é um defeito do filme, e sim dos escrotos que traduzem. Não é uma maravilha no quesito atuação, mas tem uma fotografia bem bonita e nos permite ver o início da carreira de dois dos mais promissores atores da atualidade: Johnny Depp e Leonardo DiCaprio, ambos já indicados três vezes ao Oscar sem vencer ainda…

Luís

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Provavelmente se você estiver na locadora, esse filme com esse titulo não chamará sua atenção, o que seria compreensível devido ao subtítulo “Aprendiz de Sonhador” que é bem tosco e não se encaixa tanto no filme o que seria a melhor desculpa para colocá-lo, e sem ela só podemos culpar os tradutores por terem um péssimo gosto, particularmente quando fui vê-lo, fui com muita má vontade, mas como diz o ditado: não se deve julgar um livro pela capa. Já no começo ficamos felizes com a escolha de seguir em frente, pois na primeira cena vemos Johnny Depp e Leonardo DiCaprio juntos. No decorrer do filme descobrimos a estória de Gilbert (Johnny Depp), o filho mais velho de uma família extremamente problemática, já que seu pai suicidou-se, a mãe virou uma baleia (Deus, olhem o tamanho daquela mulher!) e o irmão mais novo tem problemas mentais.

 

Durante todo o filme não cansamos de nos surpreender com a atuação de Leonardo DiCaprio (Arnie), na época com 19 anos, porque de longe ele é o melhor ator do filme, os gritinhos que oscilam entre o grosso e o fino, os ‘tiques’ que ele tem, como passar a mão no nariz, as cenas em que ele sussurra sozinho são perfeitas,  e convence quem assiste de sua deficiência, não que Depp fique muito atrás, ao contrário, eles se completam em cena como irmãos de verdade, mas quando ele é o protagonista sozinho ele fica meio apagado por trás de um sorriso tímido (que talvez sejam características do personagem levando em conta o seu meio familiar), e quando ele se junta com a atriz que interpreta Beck tudo fica ainda mais apagado, não por causa dele, mas sim por ela que tem cara de sonsa e ainda nem é bonita, o que quero dizer é que falta química ali , e as cenas dele sem DiCaprio só ficam interessante quando ele se junta com a moradora da pequena cidade que é casada. Alias a cena em que ela faz um oral nele quando ele está no telefone com o marido dela ficou bem legal, e de quebra ainda vemos o pai de John Locke de Lost.

 

Gostei tanto da atuação do Leonardo DiCaprio, que em muitas horas gostaria que Arnie morresse , pois assim, os problemas que sua limitação acarretam seriam cessados e quando Ellen (a irmã mais nova) o puxa daquela torre e puxa seus cabelos nos sentimos recompensados, sensação que se repete quando Gilbert dá um soco e dois tapas bem dados em Arnie, pois mesmo sabendo que isso não adiantará, nossa mente diz que ele precisa apanhar e, quando Arnie dá dois tapas em Gilbert em sua festa, vemos que ao  mesmo tempo que aquilo o marcou profundamente, ele se livrou daquilo naquela hora. Outros pontos interessantes são as cenas com certa ‘poluição sonora’ como a em que eles estão jantando e Arnie fica dizendo “Papai está morto” e a outra quando Ellen toca o trompete e Arnie fica repetindo sem parar uma frase, cenas essas que pode demonstrar o quanto Gilbert se sente perdido no ambiente familiar. Levando em conta todo o filme, diria que é muito válido assisti-lo.

Renan

 

criado por Luís/Renan    01:30:26 — Arquivado em: Filmes

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

KATE WINSLET

Queria escrever sobre um ator ou uma atriz, mas não sabia com quem era melhor começar. Pensei em comentar sobre aqueles cujas carreiras contêm poucas obras, de fácil análise e que a maioria das pessoas assistem aos filmes dos quais participam. Mas o trabalho seria realmente satisfatório se eu fizesse um artigo sobre uma estrela de quem eu realmente gosto e que, como se não bastasse, é extremamente talentosa. Acredito que eu a escolhi merecidamente para estrear os perfis de atores/atrizes.

Ainda que esse artigo seja dedicado principalmente à crítica acerca da qualidade da atriz, segue-se um pouco sobre a vida de Kate Winslet. Nasceu no dia 05/10/1975 em Reading, Berkshire, Inglaterra, Kate Elizabeth Winslet, que parecia fadada à profissão que seguiria, já que o pai, o tio, o avô já haviam sido atores. Desde pequena dedicou-se à atuação, participando de peças de teatro, tendo interpretado a Virgem Maria ao cinco anos de idade. Aos 11 anos, entrou para uma escola de teatro, que foi paga pela avó e dois anos mais tarde participou de um comercial de cereal na TV. Engordou durante a adolescência, o que lhe rendeu um apelido desagradável: Blubber, que significa “geléia”. Depois, participou de produções para a TV britânica, onde conheceu o roteirista e diretor Stephen Trede, com quem se relacionou por cinco anos. Aos 17 anos, já independente e morando sozinha em Londres, venceu outras 175 garotas e conquistou o papel de Juliet Hulme, no filme Almas Gêmeas. Um ano e meio depois, Kate foi chamada para um pequeno papel em Razão e Sensibilidade, roteirizado pela também atriz Emma Thompson; falou tanto sobre outro papel, o de Marianne, que acabou convencendo a produtora a ceder-lhe o papel. A partir de então, conhecemos a magnífica atriz que ela se tornaria…

Dos cerca de 20 filmes de que Kate participou, eis a lista daqueles a que eu já assisti (em itálico estão as obras por quais ela recebeu uma indicação ao Academy Awards e o asterisco representa as obras pelas quais ganhou):

  1. Razão e Sensibilidade (2005)
  2. Hamlet (1996)
  3. Paixão Proibida (1996)
  4. Titanic (1997)
  5. Contos Proibidos do Marquês de Sade (2000)
  6. Íris (2000)
  7. A Vida de David Gale (2003)
  8. Em Busca da Terra do Nunca (2004)
  9. Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2004)
  10. O Amor Não Tira Férias (2006)
  11. Pecados Íntimos (2006)
  12. O Leitor (2008) *
  13. Foi Apenas Um Sonho (2008)

Vendo os seus filmes, o espectador tem certeza de uma coisa: Kate Winslet é uma das melhores atrizes de sua geração! Ela não somente compõe um personagem com gigante habilidade, mas também nos consegue colocar lado a lado em relação a ele. Pouquíssimas atrizes têm essa capacidade interativa, de incluir quem assiste aos filmes nas diversas cenas. Kate o faz muito bem, não deixa a desejar. Felizmente, ela dificilmente exagera na atuação, não há grandes deslizes em cena e quase sempre nos fazer acreditar na solidez de sua interpretação. Eis uma atriz que não tem medo da nudez. Já declarou inclusive que isso não a incomoda, desde que dê verossimilhança à cena, sem ser vulgar; porém já disse que a partir de agora não fará mais cenas assim, porque as pessoas já viram demais. Já conheci quem a julgasse má atriz por suas cenas sem roupa, mas inegavelmente existe uma diferença esmagadora entre o que ela faz e o que outras atrizes fazem. Para exemplificar, posso citar Demi Moore em Striptease, filme que deturpa qualquer cena sensual. Winslet, num dos primeiros filmes de sua carreira, ousou a aparecer numa crua cena contendo nu frontal; contudo, a essa atuação - e a todo o filme - só tenho elogios.

Embora, como eu disse acima, ela seja capaz das mais variadas personagens, eu acredito que ela tenha sido fadada às mulheres de época. Das suas indicações ao Oscar, duas delas são por personagens contemporâneas e as outras quatro são por personagens de séculos anteriores. Por muito tempo, pensei que a Academia fosse subjulgá-la, limitando-a a indicações, sem nunca conceder-lhe a bela estatueta. Em 2009, todavia, em sua sexta indicação, Kate recebeu o troféu dourado pela sua atuação em O Leitor. Já não era sem tempo, afinal, Helen Hunt tirou-lhe das mãos o prêmio quando Kate concorreu por Titanic; dois anos antes, Miro Sorvino, de Poderosa Afrodite, impediu que Kate ganhasse por Razão e Senbilidade. Três anos depois de sua Rose Dewitt Bukarter ter sido preterida, veio sua terceira indicação, ao interpretar a escritora Íris Murdoch, quando era jovem. Perdeu para Jennifer Connely, de Uma Mente Brilhante. Em 2004, contracenou com Johnny Depp e com Jim Carrey nos filmes Em Busca da Terra do Nunca e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, respectivamente. Viu Depp sendo indicado como Melhor Ator e se viu indicada como Melhor Atriz, mas por sua parceria com Jim Carrey. Perdeu, merecidamente na minha opinião, para Hilary Sawnk, de Menina de Ouro. Em sua quinta indicação, em 2007, concorreu com a veterana Meryl Streep e com Judi Dench, que também integrara o elenco de Íris, mas acabou perdendo o prêmio mais uma vez, já que a eleita Melhor Atriz foi Helen Mirren, por A Rainha. Na 81ª Edição do Academy Awards, em 2009, Kate mais uma vez concorreu, disputando com as ótimas Angelina Jolie (A Troca), Anne Hathway (O Casamento de Rachel) e disputou mais uma vez com Meryl Streep. Finalmente, conquistou a tão cobiçada estátua. E como se não bastasse, ainda ganhou os prêmios do Globo de Ouro a que fora indicada; chorando enquanto lhe saudavam vencedora, apressou em dizer quando retomou a fala: “desculpem-me, não estou acostumada a ganhar prêmios!”. Uma declaração bastante franca, que indica certas falhas no mundo cinematográfico… Acho, porém, que ocorreu um pequeno equívoco quanto à escolha que a Academia fez ao indicá-la; deveriam-na ter indicado como Melhor Atriz em 2009 pelo filme Foi Apenas um Sonho e, talvez, como Melhor Atriz Coadjuvante por O Leitor, já que o seu desempenho no primeiro supera o segundo.

Eu pretendo ainda ver as obras das quais ela integra o elenco, pois nunca vi uma produção em que ela não estivesse bem. Logicamente, há atuações mais mornas, mas na maioria das vezes, ela consegue nos impressionar, porque é realmente hábil ao compor a personagem, caracteriza cada mínimo detalhe, sabe nos deixar embargados de emoção nas horas certas. Ainda que,  na minha opinião, seja uma atriz que mais se assimila à alegria do que à tristeza,os diretores gostam de vê-la sofredora e, quando isso não é o suficiente, gostam de matá-la. Não citarei aqui em quais filmes isso aconteceu, para não estragar a surpresa de quem for assistir aos filmes dela. No fundo acredito que ela realmente se destaca mais ao interpretar papéis assim, em que o sofrimento e o pesar se fundem, moldando as atitudes. Se me disserem que uma produção é cheia de efeitos especiais, ou conta uma história interessante, ou tem cenas extremamente fortes e chocantes, talvez eu não me interesse. Porém, se me disserem que Kate Winslet está no elenco, a probabilidade de eu querer vê-la é imensa!

Kate, típica atriz-camaleoa, funciona bem com qualquer parceiro em cena. Embora já em 1995 ela tenha se destacado ao lado de Emma Thompson, foi somente dois anos depois, ao lado de Leonardo DiCaprio, que ela começou a ser notada pelo grande público. Já esteve junto com Kevin Spacey, Johnny Depp, Jim Carrey, Patrick Wilson, Geofrey Rush e em nenhum momento ela se apagou notavelmente em relação ao parceiro. Não posso me esquecer de dizer que ela e DiCaprio formaram um dos casais mais famosos do cinema, Jack e Rose, no filme Titanic, que eu acredito ser um clássico. Anos depois, reencontraram-se numa atuação que causa ainda mais prazer nos espectadores. Dias atrás, numa conversa no msn com o grupo da comunidade Filme Dublado É Filme Morto, falávamos sobre essa atriz e eu a comparei com Meryl Streep, gerando algumas discórdias. Acho que é só uma questão de tempo até que Kate se aproxime da qualidade de Streep. Talvez venha a ser a nova recordista de indicações, afinal em 30 anos, Streep conseguiu quinze indicações; em 15 anos, Kate já conseguiu seis!

Eu realmente não consigo escolher um filme entre os que ela fez, pois vejo beleza em cada nova atuação. Ela não se repete, não atua tal como atuara num filme anterior: sempre tem algo novo a mostrar, algo que ainda não vimos, nem mesmo na atuação de outras atrizes. Muitos não gostam dela, não sei por que: linda, talentosa e, aparentemente, simpática. Espero um dia conhecê-la pessoalmente, apertar-lhe a mão, dar-lhe um abraço e dizer: Kate, eu sou seu fã! Contudo, quem sabe isso demore mais do que eu imagino, então, por enquanto, me contento em apreciá-la no cinema, lugar a que definitivamente pertence.

Luís

criado por Luís/Renan    00:29:58 — Arquivado em: Perfis

domingo, 23 de agosto de 2009

OUTRO BLOG QUE RECOMDAMOS

Em nossas andanças pela blogosfera, eu e o Renan acabamos encontrando mais um Blog que - devido à eficiência e dedicação do autor - acabou superando as nossas expectatitvas, ainda mais ao considerar que o Blog é praticamente recém-criado!

O que queremos dizer é: conheçam o Cinemótica. Lá vocês encontraram listas interessantes sobre alguns temas, como um Top 10 sobre Obsessão, resenhas de filmes mais recentes e também de filmes mais antigos, além de ótimas relações entre filmes e livros. A respeito disso, recomendo uma lida no post And Then There Were None, que fala ao mesmo tempo sobre o filme e o livro homônimos. Sugerimos que vocês não somente entrem e leiam, como também comentem, pois acredito que Cetreus Nominal, o dono do Cinemótica, concorda comigo a respeito disso: todo blogueiro gosta de ser lido e a melhor maneira de saber que isso aconteceu é lendo um comentário!

Gostaríamos de parabenizá-lo pelo Blog que ele tem dirigido e esperamos que ele continue nos visitando, pois nós certamente o visitaremos sempre que pudermos. Para terminar, insisto mais uma vez: leitores, confiram o Cinemótica!

criado por Luís/Renan    18:43:38 — Arquivado em: Outros

sábado, 22 de agosto de 2009

CEM ANOS DE SOLIDÃO

Cien Años de Soledad, 1967. 394 páginas (Editora Record). Drama. 

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Já tinha ouvido falar desse livro, mas nunca me interessei em lê-lo. Considerada uma das mais importantes obras da literatura latino-espânica, Cem Anos de Solidão é um dos livros mais lidos e mais traduzidos. Cerca de 30 milhões de cópias foram vendidas e a tradução já foi feita em 35 línguas. Eu, por muitos anos, dei as costas a esse magnífico livro, tendo o lido apenas recentemente. Se por um lado demorei a conhecê-lo, por outro acredito que o li no momento certo, absorvendo-o tanto quanto possível.

Cem Anos de Solidão narra a longa história da família Buendía, traçando uma linha cronológica que perdura sete gerações. Tem início com a criação de Macondo, uma pequena aldeia afastado de todos os lugares, quase infiltrada no pântano, onde vão morar José Arcadio Buendía e Ursula Iguarán, que são primos um do outro. Assim, ocorre a fundação da aldeia que viria a se tornar uma vila, posteriormente uma cidade, até ser reconhecida internacionalmente; tal como a evolução do lugar, há a passagem das gerações, sendo substituídas aos poucos, sempre com novas idealizações.

Logo nas primeiras páginas, já começamos a perceber o caráter épico do livro pela maneira sutil como o autor usa o futuro do pretérito, costurando o meio do livro ao começo, fazendo alusões  a partes que ainda estão por vir; isso deixa o leitor curioso, esperando ansiosamente por saber que caminho toma o personagem até chegar à citação que o autor faz. O apego à essa ferramenta literária impressiona o leitor, que traça dois planos diferentes: o presente e o futuro. Paralelamente, porém ainda no começo, ocorre um flashback contando o que levou o casal de primos a ir para aquele lugar desolado e como surgiu a fundação de Macondo. É extremamente importante compreender que o livro é dotado de um realismo fantástico incrível e que por causa disso muitas passagens podem parecer completamente irreais - como às vezes relamente são. Mas o caráter inventivo dado à determinados momentos da obra acrescentam um valor ainda mais denso a tudo que ela mostra, desenvolvendo diversos temas, como o amor, a religião, as crenças e costumes, etc.

Acredito que o ponto que mais me fascinou no livro é a escolha dos personagens: a família toda é protagonista do enredo. Conforme os anos passam e novos membros se somam à família já consolidada, esses se tornam também principais, tendo a sua história contada e participando dos eventos que acontecem. O título já faz alusão à vida de todos, pois em algum momento, eles acabam tomados pela solidão, que perdura tristemente e o alaga até a morte. Gabriel Garcia Márquez aborda com uma eficácia extrema a solidão em seu livro e consegue mostrá-la de diversas maneiras, conforme o personagem que a sente. Uma das características de maior impacto é a forma como isso aos poucos transforma um personagem rancoroso em bondoso, a maneira paulatina como eles se entregam intensamente a tal sentimento a fim de se redimir de tudo o que fizeram quando mais novos. Isso fica muito visível com duas personagens, que são Fernanda, que se humanizou na solidão, e Amaranta, que usou uma atadura negra na mão até o dia de sua morte para punir-se com as lembranças do passado. Aqui quero comentar quão fortes são as mulheres desse romance: elas são dotadas de carinho e servidão; não se submete, porém, aos seus maridos, mas servem os seus próprios caprichos e vontades, tornando os seus desejos reais. Parelalamente, são capazes de aguentar os desaforos da vida, como um casamento fadado à destruição, já que se supõe que seja blasfemo, ou aguentam as peripécias de uma marido adúltero; ou ainda a ira de uma família que se nega a compreender que o amor é insensato às vezes. Eu realmente sugiro que absorvam o máximo possível das ações de Amaranta e da muito coadjuvante Petra Cortes, amante de Aureliano Segundo; perceberão nas entrelinhas atitudes extremamente desesperadas, ainda que sejam extremamente cabais quanto ao amor.

O que pode confundir o leitor é a intrincada árvore genealógica, que, como bem demonstrado por Úrsula, tende a se repetir conforme surgem novas gerações. Assim, o livro é um emaranhado de José Arcadios, Arcadios, Aurelianos, Úrsulas, Amarantes, Remédios, etc. Os nomes vão tornando a surgir, dando a impressão de um ciclo, uma revolução de pessoas exatamente iguais entre si que se relacionam com outras também iguais entre elas. O leitor menos atento pode se perder na trama, não compreendendo exatamente quem é quem; é claro que o fato de os personagens pertencerem a gerações diferentes auxilia na condução da linha narrativa, mas, eu admito, que às vezes é difícil se lembrar deles com eficiência. Eu mesmo tive que recorrer a um resumão do livro na internet para me lembrar do que aconteceu a um personagem, que eu tive a impressão de simplesmente sumir no meio da história.

Esse é um livro que todos amantes da literatura devem ler, nem que seja o último livro que venham a ler! Mas eu realmente sugiro que o façam no momento certo, quandoe stiverem completamente abertos às diversas - e criativas - possibilidades de enredo. É um livro de proporções grandes, seja no peso do que é mostrado quanto em algumas características por si próprias. Se começarem a lê-lo e não se interessante por ele até o fim do primeiro capítulo, fechem-no e tentem de novo um mês mais tarde. Insistam caso o desinteresse persistir; num determinado momento, o livro há de te entreter: será esse o momento certo para lê-lo. Mesmo que o marasmo perdure por muito tempo, não desista e sempre inicie a leitura outra vez, porque realmente vale a pena!

Luís

criado por Luís/Renan    01:02:56 — Arquivado em: Livros

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

V DE VINGANÇA

Clique para ver o trailer (com legendas).

V for Vendetta, 2006, 132 minutos. Drama / Ficção Científica.

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O filme se baseia na graphic novel publicada originalmente nos anos de 1982 e 1983, em preto e branco, e ficou inconcluso até 1988, quando Alam Moore e David Lloyd, respectivamente escritor e desenhista, retomaram a série, dando-lhe um final. No mesmo ano do lançamento do filme, foi publicado no Brasil um volume único da série, em cores e com material extra.

Como todas as adaptações, há algumas sutis diferenças em relação à obra original. Nesse caso, o filme se passa em 2065 enquanto a história original acontece em 1997; ambos os anos, porém, se situam no futuro. Outras pequenas mudanças foram criadas, como o nome do ditador Adam Sutler - a fim de se assemelhar a Adolf Hitler? -, que no original é Adam James Susan. Há ainda inúmeras outras insinuações a características nazistas ao longo das cenas. Isso, porém, não interfere em nada no filme, que, na minha humilde opinião, é excelente. Numa Inglaterra completamente totalitária, onde as pessoas são governadas com mãos de ferro, sujeitas a todo tipo de perseguição e punição, Evey (Natalie Portman) é salva dos homens-dedo, espécie de polícia secreta, por V, um homem que usa a máscara do famoso Guy Fawkes, que tentou explodir o Parlamento britânico há 400 anos. Ele a convida para partilhar de um momento de beleza, que significa a explosão de um monumento histórico. Pouco depois se reencontram numa situação de risco e Evey retribui o favor que V fez a ela, salvando-o de um policial que ia atirar nele. Tornando-se uma fugitiva, V opta pro esconder Evey em sua casa, fazendo-a sua prisioneira, embora não seja exatamente essa a condição em que ela se encontra.

O principal fator de interesse quanto a V de Vingança está nos ótimos diálogos criados para o personagem principal. Hugo Weaving mantém a máscara cobrindo o rosto durante todo o filme, então, devido a inesxistência da expressão, a ênfase é realizada através de excelentes colocações verbais, ótimo uso de figuras de linguagem e um tom impecável de voz; esse conjunto nos faz absorver o máximo possível do que é dito pelo personagem, sempre absoluto quanto às informações que nos passa. Não há como dizer que V é um personagem cuja atuação é limitada, pois eu acredito que ele seja muito mais expressivo do que muitos outros super-heróis que existem no mundo cinematográfico. Aproveitando o comentário, quero dizer por que acho que V é um dos melhores personagens mascarados: ele não é o herói, mas sim o anti-herói. Ele não abre mão de certos prazeres, como matar aqueles que acha que merecem ser mortos só por causa do seu ideal maior de libertação; atinge a todos que considera necessário e age com extrema naturalidade, sendo o precursor tanto das perspectivas liberais como do caos entre os políticos. Já Natalie Portman está belíssima nesse filme e sua atuação não deixa a desejar em nenhum momento. Durante todo o tempo em que está em cema, o seu sotaque inglês soa tão bonito, mesmo nas cenas mais dramáticas ou nos tons revoltados de sua voz. Tão logo que o filme terminou, eu me perguntei: será que ela não merecia uma indicação como Melhor Atriz Coadjuvante? Talvez até tenha chegado perto disso, pois certamente sua atuação não ficou aquém de nenhuma expectativa nem deixa o espectador desacreditar em tudo aquilo pelo que ela passa.

O roteiro conduz bem cada passagem do filme, dando enfoque a todos os elementos que são de fato importante para a trama. Embora saibamos pouquíssimo a respeito de V, ao final do filme temos a impressão de que o conhecemos de inúmeros outros filme e que sabemos sobre ele o suficiente para cultuá-lo. Afinal, ele não é somente um homem, mas sim ideias por trás de uma máscara; logo, não pode simplesmente morrer. James McTeigue, diretor do filme, não peca durante a direção e com habilidade primorosa dá um excelente rumo às cenas, que são fabulosas quanto à fotografia. Os ambientes escuros caracterizam Londres de maneira a torná-la um grande cela disfarçada e as nuances claras e iluminadas na casa de V ajudam a construir a imagem de que ele se situa em plena liberdade. Essa antítese usada compõem a maioria dos elementos do filme, mostrando sempre opostos; V fica às claras e deseja a liberdade, já o sistema governamental, às escuras, representa a opressão. Inegavelmente, os diálogos de V ficam melhores as cenas escuras, pois ele também adota o caráter sombrio e faz de suas falas memoráveis monólogos. A trilha sonora e as várias referências a obras clássicas, como o filme preferido de V e as citações literárias que ele faz, ajudam a construir um personagem sólido e culto, do qual não duvidamos quando ele diz conhecer o meio de terminar com aquele regime doentio de governo.

V de Vingança é um filme para ser visto e apreciado! As mais de duas horas não cansam o espectador; este apenas se encanta com ótimos diálogos, fotografia muito boa, atuações fabulosas, direção impecável. Não sugiro, porém, que assistam com muitos amigos; vejam-no apenas com aqueles que realmente gostam de obras cinematográficas, para que o clima não seja deturpado por comentários bobos e possíveis indagações estúpidas. Hugo Weaving, mesmo sob uma máscara, consegue ser muito mais expressivo do que inúmeros outros heróis do cinema. Só por isso já vale o filme!

Luís

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V de Vingança é um filme realmente bom, inicialmente achei que seria mais um lenga lenga sobre um herói, mas, felizmente me enganei. V tem um ideal, e não pensa duas vezes antes de segui-lo, sendo assim, não se importa de matar constantemente para que esse ideal seja alcançado. Ao longo de todo o filme, não nos cansamos de vê-lo, pois tudo conspira para um bom filme.

 

As atuações são muito boas. Natalie Portman  e Hugo Weaving conseguem passar bem o que seus personagens requerem. Temos também claramente a evolução da personagem de Portman. No começo Evey era indefesa, mas no decorrer do longa ela passa a ser uma pessoa forte, independente e que (graças a Deus) dá continuidade aos planos de V, pois sabe que ele estava certo e ela mesmo já sofreu as conseqüências de um tirano no poder quando criança. Essa mudança se torna clara depois que ela sai daquela prisão. Quanto ao Hugo Weaving , tenho que dizer que ele parece conseguir passar emoções através da máscara que usa. Isso se deve muito a capacidade de interpretação do ator, não com as feições, pois obviamente elas estão cobertas, mas com a entonação certa da voz, a cena, e a interação dele com o outro personagem em cena, sua máscara ganha um riso espontâneo ou irônico. Fiquei feliz também com a evolução do policial Finch, pois pensei que ele ia ficar oculto no papel do policial-que-tem-que-prender-o-bandido, e no final ele se mostra um personagem bastante humano, que parece entender o porque de Evey puxar a alavanca do metrô.

 

Tenho que citar 3 cenas que me chamaram bastante a atenção no filme. A primeira é o longo monólogo que V faz a Evey na primeira vez em que eles se encontram com inúmeras palavras começadas em ‘V’, a primeira vista me pareceu cansativo, mas depois que a vemos, percebemos a riqueza do roteiro e nessa cena está inserida uma frase bem interessante, a mesma que está no cabeçalho do Blog: “É um contra-senso perguntar a um homem mascarado que ele é”, pois as pessoas nos filmes tem a mania de perguntar quem os heróis mascarados são e, se são mascarados, é para as pessoas não saberem mesmo. A segunda e a terceira são das explosões no começo e no final do filme respectivamente, ficou bem bonito o contraste da fotografia entre o escuro da cidade e os fogos de artifícios e a terceira ainda trás um bônus: toda aquela multidão com a máscara do V. É um filme muitíssimo recomendável.

Renan

criado por Luís/Renan    03:12:32 — Arquivado em: Filmes

terça-feira, 18 de agosto de 2009

EM BUSCA DA TERRA DO NUNCA

Finding Neverland, 2004, 106 minutos. Drama.

Indicado a seis Academy Awards, incluindo Melhor Ator (Johnny Depp)

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Esse é um filme para provar três coisas aos espectadores. Primeiro: Johnny não é um ator bom somente quando dirigido por Tim Burton; segundo: Kate Winslet é capaz de se tornar coadjuvante, ainda que seja brilhante; e terceiro: histórias que reúnem fantasia e realidade são fascinantes. Acabei assistindo a esse filme por causa de uma busca frustrada na locadora; como não encontrei os filmes que queria, peguei esse para completar a quantidade necessária de locações. O resultado é que me surpreendi bastante.

Sabem a famosa história do Peter Pan? Aqui nos é narrada a maneira como J.M. Barrie, autor da história, encontrou inspiração para escrevê-la. Acostumado a ir à praça escrever suas peças, um dia ele se depara com quatro crianças que bricavam; depois de interagir com elas, Barrie conheceu Sylvia, mãe das crianças cujas aventuras seriam relatadas posteriormente. Assim, nos minutos iniciais, nós vemos uma apresentação frustrada e as expectativas quanto à apresentação de uma obra melhor que cercam J.M Barrie - que virá a ser a narrativa envolvendo Peter Pan. Em menos de 30 minutos, já estamos totalmente dentro do que nos é mostrado.

Como estou acostumado a ver Johnny Depp meio extravagante, seja com mãos de tesoura, cabelos rebeldes, pele extremamente pálida ou humor pra lá de negro, com o decorrer da projeção eu fiquei pasmo ao ver a naturalidade com a qual o ator consegue passar tão bem a impressão de que é normal. Vê-lo em cena junto a Kate Winslet brincando com todas aquelas crianças não nos permite conter a sensação de que formam a família perfeita. Kate Winslet e Depp formam um belo casal, ainda que nesse romance seus personagens não o sejam, assim como não o foram na vida real. Mas a atuação dos atores é prendada de tanto charme que logicamente um deles seria indicado e este foi Depp, em sua segunda indicação. Em contraste a toda a harmonia dos personagens principais, surgem as figuras etéreas da esposa de Barrie, Mary, e a mãe de Sylvia, Emma. Uma cria uma realidade à parte, insinuando que o relacionamento entre Barrie e Sylvia é mais do que amziade, enquanto a outra tenta impedir que tal relacionamento se torna mais do que amizade. As interpretações de Radha Mitchel e Julie Christie, ainda que não apareçam muito, são importantes para a configuração que nos é mostrado, principalmente na caracterização dos outros personagens. Para exemplificar, a forma como Barrie busca na família Davies aquilo que não encontra na sua própria casa e a maneira como Emma faz com que suas atitudes extremamente protetoras amadureçam seus netos mais rapidamente.

Ao comentar o elenco, não posso me esquecer das magníficas interpretações das crianças, que dão um ar especial à densidade do que nos é mostrado e alegram mais a produção. Percebemos isso claramente quando muitas cenas das brincadeiras são mostradas através da imaginação daquelas que brincam, criando circos, navios, westerns etc. Quando Barrie conta à Sylvia sobre a Terra do Nunca, onde as pessoas não envelhecem e tudo é sempre bonito, há uma grandiosidade dramática tão notável que só por aquela cena eu já recomendaria o filme. Posteriormente, quando Sylvia cobra a promessa que ele lhe fizera sobre levá-la lá, acontece um dos desfechos metafóricos mais bonitos que eu já vi, e todos os personagens, até mesmo o espectador, são entregues à comoção. Quero destacar a cena em que fazem a apresentação na casa dos Davies e a mudança brusca no comportamento de Emma; tal cena é fantástica e mostra o poder que uma estória encantadora tem sobre uma pessoa.

Recomendo que vejam esse filme, porque realmente vale a pena. Johnny Depp não se mostra caricaturizado - no bom sentido, é claro! -, Winslet continua ótima como sempre, os efeitos visuais são bárbaros, a o figurino é excelente e o roteiro tão bom quanto tudo que citei. Não vê-lo é um desperdício! Se virem esse filme nas locadoras, peguem-no. Se tiverem a oportunidade, assistam-no e se não tiverem a oportunidade, criem-na. Não se arrependerão. Até a tradução foi quase literal e não é algo absurdo, o que mostra que nenhuma invenção nacional substituiria com eficiência o título original.

:P

Luís

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Diria que esse filme une todos os pontos para transformá-lo em uma obra prima: o roteirista que soube fazer bem seu papel. Alguns diálogos são tão simples e parecem transmitir tanto, que quando vemos o filme ficamos paralisados diante da beleza do filme. Uma das partes que mais gostei é quando o filho mais velho diz que não quer que nada de ruim aconteça a sua mãe e James apenas diz: “É incrível o fim da infância, nesses 30 segundos você cresceu”. A fotografia que oscila entre pontos mais escuros (como a casa de James, os ternos e vestidos escuros que ele e sua mulher vestem respectivamente) e pontos de clareza (a maioria das cenas em que ele está com Sylvia e os irmãos Darven) transmitindo a quem assiste como é obvio onde ele está mais feliz. O figurino, que se mostra bom tanto nas vestes comuns dos personagens como nas fantasias que eles usam. O diretor que soube unir tudo isso. E, claro, os atores. Todos, sem exceção, fizeram bem seus papeis. Kate Winslet e Johnny Depp estavam incríveis ali. O enredo também ajuda bastante. Quer algo mais original do que contar como surgiu uma história?

 

Outro ponto que achei legal foi como eles transformaram a própria peça que James escreve em algo tão bonito, é como se o telespectador estivesse lá no teatro. Quando Peter Pan ensina os irmãos a voar vemos nos rostos dos figurantes (acho que nunca a expressão dos figurantes foram tão importantes) toda a emoção que nós mesmo sentiríamos, e quando todos voam juntos, a cena fica muito bonita. Outra cena do teatro que ficou muito boa é aquela que Peter Pan salva a vida de Wendy dizendo “Morrer será uma grande aventura”

 

O final eu realmente esperava, quando começaram as tosses pensei que alguém estava pra morrer e, geralmente eu gosto que alguém morra, traz uma carga emotiva forte para o filme, mas nesse caso foi diferente. Torci para tudo dar certo, e mesmo com uma morte, a equipe conseguiu fazer uma cena belíssima, que é a que James diz a Peter que ele pode ver a mãe quando ele quiser, pois ela estará na Terra do Nunca, e então Peter olhando para o horizonte diz: “Eu estou vendo a mamãe”

 

Lendo o que eu escrevi agora, vi que não foi nem perto de dizer o quanto o filme é bom. É bonito, de certa maneira simples, e por ai vai. Recomendaria muito “Em busca da Terra do Nunca”, pois esse é um filme que acho difícil alguém não gostar.

 

Renan

criado por Luís/Renan    09:01:47 — Arquivado em: Filmes

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

UM BLOG QUE VALE A PENA VER

O Luís descobriu o Blog Parada Obrigatória a pouco tempo, pois não faz muito que começamos a “interagir” com outros. E nesse período descobrimos blogs muito bons que logo foram para a nossa pequena lista de “Blogs que Recomendamos”, e o Parada Obrigatória é um exemplo disso, e ficamos felizes que o Literatura e Cinema esteja na lista dele também, então esse é um post para a apresentação formal de mais um blog para as pessoas que não conhecem.

Quem está a frente do projeto é o Leonardo, e faz bem seu papel como dono. O Blog é bastante interativo, há várias opções como perfis de personalidades reconhecidas como Meryl Streep e Richard Gere em “De A à Z”, há atividades bem interessantes no Cine Game (espero que eu tenha acertado em “Máscaras”), há o “Top Top”, indicando filmes com um tema específico, ou seja, esse Blog tem tudo para quem acessa ficar um bom tempo lá, além disso é bastante acessado, prova disso é o número regular de comentários.

Pra finalizar, eu e o Luís esperamos realmente que possamos trocar visitas por um bom tempo, e reforçamos: quem nos visita, deve dar uma conferida no Parada Obrigatória, pois tenho certeza de que valerá a pena!

Renan

criado por Luís/Renan    17:00:22 — Arquivado em: Outros

domingo, 16 de agosto de 2009

VERONIKA DECIDE MORRER

Veronika Decide Morrer, 1998, 215 páginas. Drama.

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Esse é um momento daqueles em que nós somos obrigados a dar o braço a torcer. Com o lançamento do filme baseado nesse livro, estrelando Sarah Michelle Gellar (sim, o filme é internacional!), eu me senti obrigado a lê-lo antes a fim de, posteriormente, comparar as duas obras, a original e a adaptada. Eu nunca fui fã de Paulo Coelho, não acho que ele realmente mereça todo o crédito que dão a ele e acredito que, considerando todos os bons escritores da atualidade, chamá-lo de mago é uma blasfêmia. Nessa crítica, portanto, não esperem elogios ao autor.

O livro conta a história de Veronika, uma jovem eslovena, que não aceita a idéia de viver uma vida sem sentido, decidindo se matar com uma overdose de calmantes. O suicídio fracassa e Veronika é internada em um asilo para loucos. Atendida pelo médico, é informada que não terá mais que sete dias de vida, e provavelmente, morrerá internada. A partir de então, a jovem passa seus dias a esperar morte, mas como isso é demasiadamente doentio, ela busca conforto fazendo aquilo que ela sempre quis, mas nunca teve coragem de fazer; aos poucos, percebe que tem sentido vontade de viver.

Admito que gostei bastante do livro. A história é interessante proque é extremamente capaz de fazer o leitor entrar no mundo da personagem principal e conhecer com ela todos os medos e sensações que ela passa a experimentar enclausurada no hospício. A construção dos personagens também é muito boa, porque, ainda que sejamos apresentados à Veronika como personagem principal, a história de outros internos também é narrada, nos mostrando os problemas que eles tinham antes de chegar a Villete. O desenvolvimento da trama é necessária paralelamente à maneira como conhecemos os coadjuvantes porque ao longo do enredo nós entendemos o que leva cada pessoa a se influenciar pelo desejo repentino de viver que surgiu em Verônika; assim, tendo consciência do passado deles, o leitor acaba se entretendo bastante com os porquês de cada um. Também gostei da maneira como os “loucos” são tratados: alguns nem sequer são loucos, mas preferem chamar-se assim e ficar seguros no asilo a enfrentar o mundo devorador que existe lá fora e que não lhes é capaz de dar uma nova oportunidade. Logo, o que mais tem num asilo para loucos são pessoas racionais!

Existe uns momentos realmente maçantes no livro e que eu considerei completamente desnecessários, que são as descrições que Paulo Coelho faz sobre viagens espirituais. Não somente não mostram anda como ainda tiram a linha racional que o livro tem; por um instante, eu pensei em fechar o livro, imaginando que haveria mais de um capítulo contendo aquela lengalenga. Ainda bem que eu sou persistente. Constrastando a esse momento, há muitas mensagens durante todo o livro, que nos fazem pensar um pouco a respeito das nossas expectativas quanto à vida. São bastante eficientes e escolhidas com palavras bem cuidadas a fim de que o leitor veja a imensidão que significam no contexto do livro. Destaco dois momentos: aquele em que o Dr. Igor, médico que está elaborando uma tese sobre a Amargura, conta a fábula do reino em que todos ficaram loucos e uma das passagens finais, quando em poucas linhas, percebemos o quão preciosa a vida se tornou para alguém que vive sempre o último dia como um milagre.

 Bem pouco divulgado, o filme já foi filmado e sua estreia nacional deve ser em 14 de Agosto de 2009. No papel principal está a jovem Sarah Michelle Gellar, vinda de outras produções não tão sérias como Scooby Doo, no qual interpreta Daphne, O Grito, no papel central, além de filmes como o péssimo Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado e o bom, ainda que superficial, Segundas Intenções. Todos os fãs da atriz e críticos de cinema consideram que este é o primeiro filme realmente sério no qual ela está presente e devido às boas impressões que tem dado quanto à sua atuação, surgiu sutis rumores de que talvez possa ser uma das cinco indicadas ao Academy Awards 2010 como Melhor Atriz. Se sua interpretação for tão boa quanto no desenvolver do livro, certamente há chances de que isso se torne verdade. Esperemos para ver.

Voltando ao livro, eu recomendo que o leiam. Não que eu tenha virado fã do Paulo Coelho, mas descobri que lê-lo não é tão ruim quanto eu pensava, ainda que haja dois momentos patéticos no livro - um que eu já citei e outro no qual o autor relata pequenos trechos de sua vida chamando-se pela terceira pessoa, como se não fosse ele quem escrevesse o livro. De uma forma geral, é bastante válido e funciona se a intenção era nos fazer pensar. Não acho que seja um livro do qual o leitor se lembrará depois de um ano que o leu, mas ainda assim… pensemos no presente e vivamos como se fosse o último dia. É isso!

Luís

criado por Luís/Renan    08:51:35 — Arquivado em: Livros
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