sábado, 22 de agosto de 2009
CEM ANOS DE SOLIDÃO
Cien Años de Soledad, 1967. 394 páginas (Editora Record). Drama.Â
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Já tinha ouvido falar desse livro, mas nunca me interessei em lê-lo. Considerada uma das mais importantes obras da literatura latino-espânica, Cem Anos de Solidão é um dos livros mais lidos e mais traduzidos. Cerca de 30 milhões de cópias foram vendidas e a tradução já foi feita em 35 lÃnguas. Eu, por muitos anos, dei as costas a esse magnÃfico livro, tendo o lido apenas recentemente. Se por um lado demorei a conhecê-lo, por outro acredito que o li no momento certo, absorvendo-o tanto quanto possÃvel.
Cem Anos de Solidão narra a longa história da famÃlia BuendÃa, traçando uma linha cronológica que perdura sete gerações. Tem inÃcio com a criação de Macondo, uma pequena aldeia afastado de todos os lugares, quase infiltrada no pântano, onde vão morar José Arcadio BuendÃa e Ursula Iguarán, que são primos um do outro. Assim, ocorre a fundação da aldeia que viria a se tornar uma vila, posteriormente uma cidade, até ser reconhecida internacionalmente; tal como a evolução do lugar, há a passagem das gerações, sendo substituÃdas aos poucos, sempre com novas idealizações.
Logo nas primeiras páginas, já começamos a perceber o caráter épico do livro pela maneira sutil como o autor usa o futuro do pretérito, costurando o meio do livro ao começo, fazendo alusões a partes que ainda estão por vir; isso deixa o leitor curioso, esperando ansiosamente por saber que caminho toma o personagem até chegar à citação que o autor faz. O apego à essa ferramenta literária impressiona o leitor, que traça dois planos diferentes: o presente e o futuro. Paralelamente, porém ainda no começo, ocorre um flashback contando o que levou o casal de primos a ir para aquele lugar desolado e como surgiu a fundação de Macondo. É extremamente importante compreender que o livro é dotado de um realismo fantástico incrÃvel e que por causa disso muitas passagens podem parecer completamente irreais - como à s vezes relamente são. Mas o caráter inventivo dado à determinados momentos da obra acrescentam um valor ainda mais denso a tudo que ela mostra, desenvolvendo diversos temas, como o amor, a religião, as crenças e costumes, etc.
Acredito que o ponto que mais me fascinou no livro é a escolha dos personagens: a famÃlia toda é protagonista do enredo. Conforme os anos passam e novos membros se somam à famÃlia já consolidada, esses se tornam também principais, tendo a sua história contada e participando dos eventos que acontecem. O tÃtulo já faz alusão à vida de todos, pois em algum momento, eles acabam tomados pela solidão, que perdura tristemente e o alaga até a morte. Gabriel Garcia Márquez aborda com uma eficácia extrema a solidão em seu livro e consegue mostrá-la de diversas maneiras, conforme o personagem que a sente. Uma das caracterÃsticas de maior impacto é a forma como isso aos poucos transforma um personagem rancoroso em bondoso, a maneira paulatina como eles se entregam intensamente a tal sentimento a fim de se redimir de tudo o que fizeram quando mais novos. Isso fica muito visÃvel com duas personagens, que são Fernanda, que se humanizou na solidão, e Amaranta, que usou uma atadura negra na mão até o dia de sua morte para punir-se com as lembranças do passado. Aqui quero comentar quão fortes são as mulheres desse romance: elas são dotadas de carinho e servidão; não se submete, porém, aos seus maridos, mas servem os seus próprios caprichos e vontades, tornando os seus desejos reais. Parelalamente, são capazes de aguentar os desaforos da vida, como um casamento fadado à destruição, já que se supõe que seja blasfemo, ou aguentam as peripécias de uma marido adúltero; ou ainda a ira de uma famÃlia que se nega a compreender que o amor é insensato à s vezes. Eu realmente sugiro que absorvam o máximo possÃvel das ações de Amaranta e da muito coadjuvante Petra Cortes, amante de Aureliano Segundo; perceberão nas entrelinhas atitudes extremamente desesperadas, ainda que sejam extremamente cabais quanto ao amor.
O que pode confundir o leitor é a intrincada árvore genealógica, que, como bem demonstrado por Úrsula, tende a se repetir conforme surgem novas gerações. Assim, o livro é um emaranhado de José Arcadios, Arcadios, Aurelianos, Úrsulas, Amarantes, Remédios, etc. Os nomes vão tornando a surgir, dando a impressão de um ciclo, uma revolução de pessoas exatamente iguais entre si que se relacionam com outras também iguais entre elas. O leitor menos atento pode se perder na trama, não compreendendo exatamente quem é quem; é claro que o fato de os personagens pertencerem a gerações diferentes auxilia na condução da linha narrativa, mas, eu admito, que à s vezes é difÃcil se lembrar deles com eficiência. Eu mesmo tive que recorrer a um resumão do livro na internet para me lembrar do que aconteceu a um personagem, que eu tive a impressão de simplesmente sumir no meio da história.
Esse é um livro que todos amantes da literatura devem ler, nem que seja o último livro que venham a ler! Mas eu realmente sugiro que o façam no momento certo, quandoe stiverem completamente abertos à s diversas - e criativas - possibilidades de enredo. É um livro de proporções grandes, seja no peso do que é mostrado quanto em algumas caracterÃsticas por si próprias. Se começarem a lê-lo e não se interessante por ele até o fim do primeiro capÃtulo, fechem-no e tentem de novo um mês mais tarde. Insistam caso o desinteresse persistir; num determinado momento, o livro há de te entreter: será esse o momento certo para lê-lo. Mesmo que o marasmo perdure por muito tempo, não desista e sempre inicie a leitura outra vez, porque realmente vale a pena!
LuÃs

criado por LuÃs/Renan
01:02:56 — Arquivado em: 

Comentário por PEDRO — sábado, 22 de agosto de 2009 @ 01:16:20
eu li esse livro e curti mto
é quase um dos melhores da literatura, mas não é o melhor livro desse autor
AMOR NOS TEMPOS DE CÓLERA é mto melhor, supera mto esse livro aÃ
em epoca de vestiba, seria legal se vcs comentassem livros das listas de faculdades
procurei um e outro filme mais não tem aqui, sou mto fan de george romero e eu adoro terminator e alien, nao tem aqui ainda
sugiro q voces vejam BAIXIO DAS BESTAS, é nacional, vao curtir, depois põe aqui
Comentário por PEDRO — sábado, 22 de agosto de 2009 @ 01:27:15
quero aproveitar e sugerir pra vcs dois livrso q gostei bastante, são nacionais:
*engraçadinha, do nelson rodrigues
*gabriela, do jorge amado
são autores que valem a pena ler
Comentário por Marcelo Augusto — sábado, 22 de agosto de 2009 @ 10:03:06
Eu recebi esse livro de um amigo meu, que me indicou incessantemente!
Tambem dei as coistas porque não me atraiu, mas depois do que voce disse, despertou uma curiosidade em mim.
Quem saiba eu começe a ler?
estou so esperando terminar o livro que estou lendo aagora!
abraços.
Comentário por adjetivado — sábado, 22 de agosto de 2009 @ 10:54:15
É um clássico. Uma obra realmente indispensável pra biblioteca.
Abraço
Comentário por Michell Niero — sábado, 22 de agosto de 2009 @ 12:25:15
Cem anos de solidão é um daqueles livros essenciais que ainda não li. Gabriel Garcia Márquez é um dos grandes prosadores de todos os tempos. Quero ler também a obra dele como jornalista, época em que ele produzia grandes e impecáveis reportagens.
Um abraço
Comentário por Rubens Correia — sábado, 22 de agosto de 2009 @ 13:38:50
Gostei da descrição feita por você, vou ver se consigo um exemplar para ler, parabéns pelas dicas muito ricas.
BLOGdoRUBINHO
http://www.blogdorubinho.cjb.net
http://www.twitter.com/blogdorubinho
Comentário por Opinião Inútil — sábado, 22 de agosto de 2009 @ 20:26:55
Eu ainda não li o livro, e na verdade não me despertou o interesse, afinal épicos do estilo family affair não é comigo… como a maioria dos Zés, eu gosto de livros mais eletrizantes ou então explicativos (semi-auto-ajuda), como livros de psicologia e sociologia. Pelo que entendi de sua resenha, o livro trata mais das caracterÃsticas dos personagens e suas interações, certo?
Bem, vou dar uma pesquisada, depois quem sabe acabo lendo.
Abraço
Comentário por Felipe — domingo, 23 de agosto de 2009 @ 11:43:40
Ta eu não li, o texto e muito grande e eu to sem tempo então isso complia um pouco, mais vou ao que interesa, sou super fanatico por filme toda hora to vendo um, hsuhs’ acho que aqui poso ver masi oq é bom e não é nos filmes. Blog super bem escrito, criativo e bem desenvolvido
Comentário por Inez — domingo, 23 de agosto de 2009 @ 20:04:36
Li esse livro quando eu tinha uns 15 anos, adorei, reli muitas vezes.
Comentário por Caio Rudá — domingo, 23 de agosto de 2009 @ 21:07:43
Ainda não li Cem Anos, mas está em minha lista de leitura, com certeza. E aguardo ansioso pela oportunidade de ter esse livro em mãos.
O último livro que li foi Memória de Minhas Putas Tristes, também de GarcÃa Marquez, o que aumentou ainda mais minhas expectativas para Cem Anos. Esse rapaz é um gênio da escrita. Merece todo o prestÃgio que tem.
Comentário por Ygor Moretti — quinta-feira, 27 de agosto de 2009 @ 17:44:36
Opa!!!, comecei a ler o liro muito bom mesmo, mas a leitura um pouco dificil, muitos personagens, tenho de voltar a le-lo q deixei de lado por outra leitura, mas li do Gabriel Cronica de uma morte anunciada, que tb é otimo.
Comentário por Luiza — quinta-feira, 27 de agosto de 2009 @ 21:12:55
Confesso que só li este livro devido a indicação do LuÃs.E adorei!Sua leitura deixou minhas férias muito melhores e interessantes!
É incrÃvel o modo como a história se desenvolve.E confesso que me perdi várias vezes.São tantos nomes iguais e gerações que se seguem!
Adorei este livro e pretendeo relê-lo!
Comentário por Pamela Niero — terça-feira, 1 de setembro de 2009 @ 04:04:22
“Esse é um livro que todos amantes da literatura devem ler”. Discordo completamente!!! Todos os amantes de literatura devem ler um outro e excelente livro do Gabriel “Memórias de minhas putas tristes”.
e me chame para comentar!! Se bem que sou suspeita pra falar….
Alias, leia e escreva sobre aqui no blog