Literatura e Cinema

“Sem correr no corredor, Nancy” - Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

FECHAMENTO DO MÊS

Eu e o Renan decidimos nos organizar quanto aos filmes a que assistimos e, considerando os nossos gostos pelos filmes, decidimos criar um ranking, para compartilhar com os leitores com maior precisão a nossa preferência. As notas que demos aos filmes resultaram da média das pontuações e  garantiu a cada filme uma posição no TOP. Não vou me prolongar mais. Vamos logo ao que interessa.

1º lugar - O LABIRINTO DO FAUNO. Nota: 9,1

Somente consegui assistir a esse filme nesse mês, embora já tivesse tentando uma ou duas vezes antes. Plenamente decidido, cheguei ao fim e me deparei com uma obra interessante, da qual gostei bastante. Vale o primeiro lugar! Para ver a resenha, clique aqui.

2º lugar - AS HORAS. Nota: 9,0.

Na minha opinião, um dos melhores da década. O trabalho realmente denso das atrizes e a direção eficiente de Stephen Daldry fez com que As Horas se tornasse um filme digno de ser visto, revisto, revirado, dissecado. Em breve, uma resenha estará aqui.

3º lugar - PEQUENA MISS SUNSHINE. Nota: 8,75.

Essa foi a minha agradável surpresa. Esperava um filminho qualquer, com humor exagerado típico de comédias estadunidenses. Então, vi um filme inteligente, que diverte sem cair no caricato e se revela um referencial para as comédias. Em breve, faremos a resenha.

4º lugar - RIO CONGELADO. Nota: 8,75.

Concorreu ao Oscar esse ano e deu um up na carreira de Melissa Leo, que se mostrou muito talentosa liderando um elenco. A temática do filme é densa e as atuações são realmente interessantes. Uma das melhores descobertas de 2009. Em breve, haverá uma resenha.

5º lugar - O LUTADOR. Nota: 8,5.

Mikey Rourke e Marisa Tomei concorreram ao Oscar esse ano por esse filme. Eu e o Renan não podemos nos furtar de dizer que esse filme trouxe humanidade a um tema que poderia facilmente se tornar pedante. Pela beleza da obra, mereceu uma posição no ranking. Para ver a resenha, clique aqui.

6º lugar - CASABLANCA. Nota: 8,5.

Um clássico que retrata o amor de duas pessoas que se reencontram na época da segunda guerra mundial. Protagonizado por Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, cheio de frases marcantes, o filme parou no tempo e continua belo, mesmo que o tempo passe. Em outubro, quando faremos um mês temático, Casablanca será avaliado.

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Ao total, 39 filmes foram visto em setembro. No entanto, como são elegíveis somente aqueles que foram vistos tanto por mim quanto pelo Renan, apenas 19 filmes serão relacionados. Abaixo, seguem todos que não entraram no TOP:

7) O Jardineiro Fiel -  Nota: 8,4
8] Matrix - Nota: 8,23
9) Moça com Brinco de Pérola - Nota: 7,5
10) Vicky Cristina Barcelona - Nota: 7,5
11) Foi Apenas um Sonho - Nota: 7,25
12) Resident Evil - Nota: 7,0
13) Provocação - Nota: 6,5
14) O Exterminador do Futuro - Nota: 6,25
15) Velozes e Furiosos - Nota: 5,75
16) Autópsia de um Crime - Nota: 5,25
17) Vinhas da Ira - Nota: 5,25
18] Fim dos Tempos - Nota: 4,75
19) Rota Mortal - Nota: 4,25

Alguns desses filmes já foram comentados aqui; outros deles, como Matrix e O Exterminador do Futuro, serão comentados no mês seguinte, já que, como citei acima, criamos um mês temático, direcionado especialmente para as franquias famosas e os filmes clássicos. Considerando que o encerramento do mês foi concluído hoje, um dia antes de o mês realmente acabar, qualquer filme visto amanhã será contado como se tivesse sido visto no mês seguinte. Como os posts não acontecem todos nos mesmos dias (em dias pares em alguns meses, em ímpares em outros), pode coincidir ou não de o mês se encerrar com o fechamento que passaremos a fazer.

Se concordarem com ou discordarem de alguma nota, deixe o seu comentário aqui.
:)

Obrigado, pessoal.

criado por Luís/Renan    00:20:10 — Arquivado em: Outros

domingo, 27 de setembro de 2009

CAPITÃES DA AREIA

Jorge Amado, 1937, 269 páginas (Editora Companhia das Letras)

Pertence ao Modernismo, faz parte da lista integrada FUVEST/UNICAMP - 2010

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Capitães da Areia é o penúltimo livro nacional de leitura obrigatória na FUVEST/UNICAMP que traremos aqui no blog. O próximo será Dom Casmurro com a análise do Luís, e aqui, continuarei da forma que estamos fazendo nos últimos livros. Capitães da Areia traz como tema principal, uma crítica social: os garotos de rua.

Narrador: A história é contada em 3º pessoa por um narrador onisciente, que é aquele que sabe de tudo, pois além de narrar o presente dos garotos, o narrador conhece o passado deles. O tempo é o presente, dando a impressão que as ações estão acontecendo no mesmo momento da leitura.

Espaço: Todas as ações acontecem em Salvador – BA em sua maioria nas ruas das cidades, onde os garotos furtam pra viver, além da rua há outros espaços como as casas que eles analisam antes de roubar ou o trapiche em que eles dormem. A data em que ocorre o romance é imprecisa, mas pesquisando, vi que parece ser algo entre de 1928 e 1932, pois em 1917 eclodiram as greves operárias, na qual o pai de Pedro Bala morreu.

Personagens:Pedro Bala: É um jovem loiro de 15 anos que tem como característica física, um corte no rosto. Durante a 90% do livro, ele foi o chefe dos Capitães da Areia, retirando do poder Raimundo, o antigo líder. Ágil, esperto e  sabendo respeitar a todos, ele se consolida no poder. Bem no final do livro, depois da morte de Dora sai do grupo para organizar e comandar os Índios Maloqueiros, outro grupo de meninos de rua em Aracaju, deixando Barandão, outro do Capitães da Areia como líder. Depois disso ficou muito conhecido por organizar várias greves inspirado no seu pai, que morreu em uma.

Dora: Personagem mais importante, depois do Bala. Chega no meio do romance com treze para quatorze anos e era a única mulher do grupo e se adaptou bem a ele. Depois da primeira impressão onde todos queriam estuprá-la; conquistou facilmente o grupo. Seus pais haviam morrido de alastrine (varíola) e ela ficou sozinha no mundo com seu irmão pequeno. Tentou arrumar emprego, mais ninguém queria empregar filha de bexiguento. Aí ela encontrou João Grande e professor que a chamaram para morar no Trapiche, e logo ela já era considerada por todos como uma mãe, irmã e para Bala uma noiva. Ela participava dos roubos com os outros meninos. Morreu queimando de febre, não antes de se entregar para o verdadeiro amor, Pedro Bala

Professor: O único parcialmente estudado do grupo, pois era o único que sabia ler.  Era um garoto magro, inteligente e calmo. No seu tempo como um do grupo ele contava diversas histórias para os garotos divertindo-os, além de ler notícias, principalmente para o Volta Seca. Além disso, ele ajudava a arquitetar os planos de roubo. O professor era quem planejava os roubos dos Capitães da Areia. Depois de muito tempo aceitou um convite e foi pintar no Rio de Janeiro.

Gato: O mais bonito e o que mais se dava bem com as mulheres mais velhas,em especial Dalva, uma prostituta, que era sua companhia permanente, dando a esse personagem a marca do “malandro”. Na última parte do livro, ele vaipara Ilheús tentar a sorte.

Volta-Seca: Imitador de pássaros e afilhado de Lampião; era mulato e sertanejo. Na última parte vai em busca do padrinho, onde é recebido e mais tarde tratado como um dos mais impiedosos matadores do grupo.

Sem Pernas: De longe o melhor personagem do grupo. Seu apelido advém de uma deficiência na perna que o torna coxo, além de ser agressivo e individualista. Ele penetrava nas casas abusando da boa vontade das pessoas para descobrir onde estavam os objetos de valores. Era roubando que se vingava da sociedade. O único caso que ele se sentiu mal foi o de ter roubado Dona Ester que o acolheu como o filho que tinha perdido. Seu final foi suicidar-se quando a polícia corria atrás dele, tendo assim, sua última vingança contra a sociedade.

João Grande: Negro, mais alto e mais forte do bando, porém o menos dotado de inteligência. Desde o começo foi um dos líderes do grupo e os outros o respeitavam por ele ter a força física e também por ser bom com os outros. Além disso, gostava muito de Querido-de-Deus, com quem, juntamente com outros membros, aprendia capoeira. No final, ele embarcou como marinheiro, num navio de carga do Lloyd.

Pirulito: Era magro e muito alto, além de ser o único do grupo que tinha vocação religiosa apesar de pertencer aos Capitães da Areia. Quando parou de roubar, para sobreviver vendia jornais, seu destino foi ajudar o padre José Pedro numa paróquia distante.

Boa Vida: Era o mais malandro do grupo, pois não participava dos roubos e para contribuir, roubava alguns objetos repassando para o líder, Pedro Bala. Seu destino foi virar um malandro da cidade, que vivia a andar pelos morros compondo sambas.

 

Outros Personagens: ●João-de-Adão: Estivador, negro fortíssimo e antigo grevista, era temido e amado em toda a estiva. Através dele, Pedro Bala soube de seu pai, pois este também era um estivador grevista. Segundo ele, a mãe de Pedro falecera quando ele tinha seis meses.

Don’aninha: Mãe de santo, sempre os ajudava em caso de doença ou necessidade.

Padre José Pedro: Introduzido no grupo pelo Boa-Vida, conhecia o esconderijo dos capitães, além de ajudar Pirulito com a sua vocação.

Querido-de-Deus: Pescador, juntamente com João- de- Adão tinham a confiança dos meninos, que, por sua vez, não mediam esforços para recompensar esse apoio.

Enredo: O livro é dividido em quatro partes: “Cartas à redação” constituída de supostas cartas a redação em respostas a uma matéria sobre os capitães da areia. Nas respostas há pessoas que defendem e outras que acusam o grupo. “Sob a lua num velho trapiche abandonado” e “Noite da grande paz, da grande paz dos teus olhos” são os trechos intermediários. “E por final há Canção da Bahia, canção da liberdade”, parte que define o futuro dos personagens.

São aproximadamente quarenta meninos de todas as cores, entre nove e dezesseis anos, maltrapilhos e sujos que dormiam nas ruínas do velho trapiche, e liderados por Pedro Bala eles roubam para sobrevive, e desde muito joves já bebiam e fumavam Além desses pequenos expedientes, os Capitães da Areia praticavam roubos maiores, o que os tornou conhecidos, temidos e procurados pela polícia, que estava em busca do esconderijo e do chefe dos capitães. Esses meninos se pegos, seriam enviados para o Reformatório de Menores, visto pela sociedade como um estabelecimento modelar para a criança em processo de regeneração, com trabalho, comida ótima e direito a lazer. No entanto, esta não era a opinião dos menores infratores. Sabendo que lá estariam sujeitos a todos os tipos de castigo, preferiam as agruras das ruas e da areia à essa falsa instituição.

Um dia, Salvador foi assolada pela epidemia de varíola. Como os pobres não tinham acesso à vacina, muitos morriam, isolados no lazareto. Almiro, o primeiro do grupo a ser infectado, ali morreu. Já Boa-Vida teve outra sorte; saiu de lá, andando.  A confusão, causada pela presença de Dora no armazém, foi contornada por Pedro. Os meninos aceitaram-na no grupo e, depois de algum tempo, vestida como um deles, participava de todas as atividades e roubos do bando. Pedro Bala considerava Dora mais que uma irmã; era sua noiva. Ele que não sabia o que era amor, viu-se apaixonado; o que sentia era diferente dos encontros amorosos com as negrinhas ou prostitutas no areal.

Quando roubavam um palacete de um ricaço na ladeira de São Bento, foram presos. Parte do grupo conseguiu fugir da delegacia, graças à intervenção de Bala que acabou sendo levado para o Reformatório. Ali sofreu muito, mas conseguiu fugir. Em liberdade, preparou-se para libertar Dora. Um mês no Reformatório feminino foi o suficiente para acabar com a alegria e saúde da menina que, ardendo em febre, se encontrava na enfermaria.  Após invadirem o reformatório, Pedro, Professor e Volta-Seca fugiram, levando Dora consigo. Infelizmente, não resistindo, ela morreu na manhã seguinte. Don’aninha embrulhou-a em uma toalha de renda branca e Querido-de-Deus levou-a em seu saveiro, jogando-a em alto mar. Dali pra frente, cada um seguiu seu rumo na vida.

Tive uma agradável surpresa lendo Capitães da Areia, pois diferente dos outros livros, esse é extremamente agradável de ler, por isso recomendaria para qualquer pessoa, vestibulando ou não, esse livro. Em algumas partes, as comparações com outros livros como Robin Hood e Peter Pan são inevitáveis, mas claro, isso são opiniões pessoais. Gostaria de agradecer também um site que eu pesquisei muitas informações e alguns trechos foram pegos de lá, mas infelizmente não guardei o link para postar aqui.

Renan

criado por Luís/Renan    09:57:41 — Arquivado em: Livros

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O LUTADOR

Clique para ver o trailer (com legendas).

The Wrestler, 2008, 115 minutos. Drama.

Indicado a dois Academy Awards nas categorias Melhor Ator (Mickey Rourke) e Melhor Atriz Coadjuvante (Marisa Tomei).

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O Lutador fala sobre Randy “O Carneiro”, um lutador profissional cuja vida dá uma guinada após uma parada cardíaca, impossibilitando-o de voltar à carreira. Tendo em vista a luta com Ayatolá, outro lutador que o venceu vinte anos atrás, Randy tem que retomar sua vida pacata, à procura de horas extras num açougue a fim de poder pagar o aluguel; paralelamente, tem um sutil envolvimento com uma dançarina que tenta ajudá-lo no seu problemático relacionamento com a filha.

Mickey Rourke, na minha opinião, não é um ator ruim. Mas os filmes dos quais ele participa nem sempre são sinônimos de boa qualidade. O último a que assisti, Domino, me deixou meio frustrado. Porém é em O Lutador que ele supera qualquer vestígio de boa atuação; aqui ele se mostra realmente competente na arte de atuar e transformar o seu personagem brutamontes num ser humano completamente frágil que, embora coberto por uma camada de brutalidade, tem essência gentil e amorosa. Ver Rourke atuando é extremamente válido, pois acredito ser a primeira vez em que sua capacidade artística é realmente revelada. E a Academia também concorda, pois essa foi a primeira indicação que ele recebeu, após muitos anos na carreira cinematográfica. Evan Rachel Wood, que vi num único filme, Aos Treze, participa pouquíssimo no filme, porém suas cenas como a filha de Randy são extremamente densas, caracterizando não somente o ápice da potencial restituição familiar, mas também o auge da raiva incontida. Marisa Tomei é uma atriz com uma longa carreira e por esse filme recebeu sua terceira indicação como Melhor Atriz Coadjuvante; porém, algo não saiu de minha cabeça: ela fez de sua mínima participação algo absurdamente excepcional - e eu não consegui ver isso - ou a Academia não conseguiu encontrar atuações que realmente merecessem estar na lista e acabou acrescentando Tomei somente para completá-la? O fato é que Cassidy, sua personagem, aparece pouquíssimo mesmo; talvez um pouco mais do que Viola Davis em Dúvida, que também recebeu uma indicação. Há pouquíssimas cenas envolvendo a personagem, embora eu nutra profundo respeito por Tomei, que, embora caia de cabeça de produções porcarias, como O Guru do Sexo, sabe atuar realmente bem e tem um carisma que poucas atrizes consegue ter; compreenderão isso quando virem os seus sorrisos no filme, sempre tão sinceros, radiantes e, ao mesmo tempo, tímidos. Acredito - porque é a única crença que se pode ter - que sua indicação se deve às duas cenas em que as falas da atriz não se resumam a gemidos; aproveitando a brecha, é necessário elogiar o físico da atriz (que é bem visível, afinal, ela é uma stripper) que, aos 44 anos, supera o de muitas atrizes mais novas, como, por exemplo, Kate Winslet em O Leitor. Sua participação em O Lutador é pequena e notável, porém eu não a indicaria a um Academy Award.

O roteiro do filme desde o começo deixa claro que o tópico a ser abordado é o “agora” e não o passado; dessa maneira, conhecemos a história de Randy sem que haja flashbacks, longas narrativas ou monólogos maçantes retomando a trajetória dele. Isso pode fazer com que alguns espectadores achem que o filme não dá o enfoque necessário à complicada situação entre Randy e sua filha; mas é extremamente importante ater-se àquilo que disse: o filme aborda o tempo presente. Embora vejamos pouco aprofundamento no relacionamento entre Cassidy e Randy, duas cenas nos mostram com perfeição qual sentimento nutrem um pelo outro e por que há a dificuldade em assumir isso de maneira mais explícita. O Lutador não é o típico filme que se vê lendo as entrelinhas, mas é fundamental esforçar para compreender os porquês de cada ação dos personagens, assim você não enxergará absurdos ou possibilidades onde não há. O final é um ápice: vemos que em meio a todas as adversidade, Randy está onde quer estar e está fazendo tudo por sua própria escolha e, embora seu caminho pareça incerto, é o que ele deseja seguir. Os ângulos, a iluminação - enfim, a cena em si - promovem a grandiosidade do personagem e fecha o filme de maneira extremamente satisfatória, sem expor, porém, como se concluem os relacionamentos a partir daquele momento. Sempre o presente, se lembram? Nem passado nem futuro.

Recomendo totalmente esse filme, porque é extremamente satisfatório. Não é um filme para chorar, nem para gargalhar; é um filme sobre temática humana, explorando acertos e erros, sem ser caricato. O final está sujeito à interpretações e eu, tendenciosamente pessimista, optei por acreditar num fim mais dramático - e confesso que até agora estou pensamento como seria a interpretação de Marisa Tomei na cena seguinte à cena final de O Lutador. Talvez pela cena que eu imagino sua indicação seria justificável…

Luís

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O Lutador é um filme brilhante, não consigo enxergar um erro grave ali. Aos que pensam que vão ver algo com muita luta no estilo Rock, engana-se. Claro que o a luta está ali, mas apenas como pano de fundo e como pretexto para o filme nos levar ao drama da vida de Randy. Randy é um lutador decadente, que fez muito sucesso nos anos 80, porém essa parte não nos é mostrada. Somos apresentados a uma versão mais velha, acabada, pobre, sem família, que mal consegue pagar o aluguem, e para o fazer, precisa ir ao ringue em lutas da “2º divisão”, e mesmo assim precisa trabalhar e fazer hora extra para completar sua renda. O que é mostrado também, é que a salvação da vida de Randy são as lutas, pois mesmo tanto tempo lutando não o fizeram perder o amor que sente pela sua profissão. Tudo isso muda quando ele descobre um problema com o coração o força a aposentadoria, lutando contra ela, ele tenta se reaproximar de sua filha, tenta conquistar uma dançarina, e rejeitado por tudo, ele decide enfrentar o ringue mais uma vez.

 

Não consigo ver outro ator para Randy do que Mickey Rourke…não conheço bem a história do ator, só sei que esse filme o trouxe de volta para o estrelato e o trouxe de forma única. Mickey, ao mesmo tempo que tem que passar por um lutador forte e destemido no ringue, mostra também um cara simpático, carismático, que faz piadas com sua situação, que brinca com os garotos da rua. Sua colega de cena também faz um ótimo trabalho. Marisa Tomei também está ótima ali, interpretando uma dançarina quarentona, embora não tenha ganhado o Oscar (merecidamente) ela faz um belíssimo trabalho.

 

Há cenas que parecem ser simples, mas que nos mostram muita coisa, principalmente o paradoxo entre o novo e o velho, como quando Randy convida o garotinho pra jogar Nintendo, um vídeo game ultrapassado segundo a criança, mas que Randy continua a jogar por poder jogar com si mesmo, nos mostrando o quanto ele está preso ao seu passado. Mostra-se também a decadência dos lutadores naquela feirinha, uns estão dormindo com próteses, outros com cadeiras de roda,e também a decadência de Cassidy, sendo rejeitada por vários homens por ser velha demais ou ter a “idade pra ser a mãe deles”. Outra cena muito boa é a que ela bebe metade da cerveja de uma vez só e diz ‘Uma cerveja’, acho que foi a parte que ela ficou mais sexy no filme todo.

 

Mais o melhor do filme é o final, que tem a chance de ser estragado, mas graças a Deus não é. Toda aquela preparação, antes feita na academia, clínica de bronzeamento, cabeleireiro, foi feita em casa, e quando Randy entra no ringue ao som de Gun’s Roses com Sweet Chlid O’ Mine  tudo fica melhor. A última cena é inteligente e emocionante. Não tenho como não recomendar “O Lutador”. Assistam!

Renan

criado por Luís/Renan    10:46:15 — Arquivado em: Filmes

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

AUTÓPSIA DE UM CRIME

Clique aqui para ver o trailer do filme.

Pathology, 2008, 94 minutos. Suspense.

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“- Você o matou.
- Ele ia morrer de qualquer jeito.
- Todos nós vamos morrer de qualquer jeito.”

Eis um filme cuja sinopse intriga o espectador e o faz acreditar que essa é uma obra bastante inteligente e com qualidade acima da média. Eu mesmo pensei que esse era o típico filme bom lançado entre os inúmeros ruins e que acabam sendo tomados como semelhantes, sempre esquecidos nas prateleiras da locadora. Então, eu e a Luiza - que já esteve aqui presente comentando Kill Bill volume 2 -, assistimos a essa obra para conferi-la. Um grupo de residentes estudam cadáveres, descobrindo o que levou às pessoas à morte. Dotados de um humor extremamente duvidoso, eles decidem demonstrar que são capazes de cometer um crime perfeito, que outro patologista não seja capaz de descobrir ou que sua dedução acerca do causa da morte seja deturpada. Assim, como num clube, eles se reúnem para cometer assassinatos inteligentes, expondo o corpo para que o grupo o verifique, fazendo análises e diagnósticos.

A sinopse é realmente interessante e me remeteu a bons filmes do gênero suspense, como Cálculo Mortal, Caçadores de Mentes, etc. Porém, a descrição do filme (tal qual eu a fiz) não corresponde honestamente à abordagem do roteiro, que é muito mais expansivo e enfoca inúmeras outras coisas bem diferentes do que é sugerido na sinopse. Milo Ventimiglia, Peter Petrelli de Heroes, encabeça o elenco, mas acaba tão coadjuvante quanto os outros. Seu personagem, logo no começo, é chamado para trabalhar com o grupo de residentes num hospital que lhe trará maior prestígio na carreira; Grey, seu personagem, é completamente hostilizado pelos outros, mas rapidamente se integra a eles, mesmo em meio à maneira hostil como é tratado. Se fosse mostrado de outra forma, talvez fosse mais crível aquele envolvimento rápido, mas no filme parece simplesmente incoerente. É como se eles resolvessem diminuir a duração e cortassem um pedaço do desenvolvimento; infelizmente, isso acontece muitas outras vezes durante Autópsia de um Crime. Outro problema do filme, como citei acima, é a abrangência da história, que destaca momentos absurdamente não importantes e, às vezes, como nas cenas de sexo, as enfatiza à exaustão. Aliás, quanto às cenas de sexo, elas não são bem realiazadas. Começam a se repetir incansavelmente e numa delas, o ângulo é tão medíocre, que quase é possível ver o ânus do ator.

As atuações não são ótimas, mas não são ruins também. Podemos considerá-las estáveis em relação aos atores principais, que são os intérpretes de Dr. Grey, Dr. Gallo e Dra. Juliette; acho que o grande problema dos atores, na verdade, se deve à edição, que, como eu disse acima, cortou umas cenas do filme. Temos que considerar que, como não é um filme de grande porte, os atores atuam como podem, embora Milo Ventimiglia seja bem melhor do que essa sua atuação morna. O desenrolar dessa trama está bem distante da suposta inteligência que pensei haver, mas não é ruim por causa disso. Há boas cenas e muitos momentos em que a loucura dos personagens se tornam cômicas; há também alguns diálogos de impacto e momentos interessantes de tensão.

Lembra-se do que disse no primeiro parágrafo? Pois bem, ao terminar de vê-lo, cheguei à conclusão de que embora tenha comprado um produto, não foi o mesmo produto que recebi. Mas, ainda assim, me entretive com o filme e achei-o uma boa pedida para quem está sem expectativas quanto ao que quer ver. Bom para as segundas-feiras à noite.

Luís

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Gostei bastante desse filme, mais do que eu poderia pensar. Ao ver o título, pode-se pensar que é mais um filme com um tema ligado a medicina como Awake – A Vida por um fio, mas diferente disso Autópsia de Crime se mostra um filme que trata além disso, pois o seu verdadeiro tema é a corrupção do indivíduo mediante o meio em que ele vive. Nesse contexto temos o Dr. Grey que é mandado para outra cidade para fazer sua residência médica e lá encontra o restante do grupo e esses se mostram, inicialmente, extremamente hostis, e é nesse momento que ele começa a se envolver mais seriamente com eles, mostrando a corrupção do ser humano. Corrupção porque, fora do expediente, as ações do grupo são bem condenáveis, para ser mais claro, eles matam pessoas aleatórias para os próprios fazerem a autópsia, ou apenas por prazer mesmo, e aqui tenho que dizer que o título nacional ficou muito melhor que o original, pois Autópsia de um Crime é ambíguo e sem dúvida mais inteligente do que Pathology. Mesmo tendo vários personagens importantes para a estória como a noiva de Teddy e o resto do grupo de residentes, claramente os principais são o Dr. Grey e o Dr. Gallo, o primeira marcado, inicialmente, pela bondade e o segundo beirando quase a loucura.

 

É interessante também, vermos várias cenas sobre as autópsias que ficaram muito bem feitas, com todos aqueles corpos sendo abertos para determinar as causas das mortes, e o incrível é que não sentimos nada vendo aquilo, pelo tom profissional e frio que o filme mostra, sendo que a melhor, sem dúvida, é quando o Dr. Grey tem que analisar sua noiva, morta por vingança. Contrapondo a isso a uma cena claustrofobica e extremamente ruim de ser vista que causa ânsia em que vê, que é quando o Dr. Gallo leva o seu colega para uma espécie de bordel onde tem aquela mulher muito nojenta na cama. E mudando de assunto o filme é bom também para quem leu livros nesse estilo, como Desaparecidas e O Pecador, pois ilustra com clareza e realidade o trabalho de um médico patologista. O final também é interessante, quase surpreendente, e mais uma vez o roteiro prova a minha teoria da mudança do homem.

 

Não pensem, porém que o filme é imperdível e tem que ser a sua primeira escolha quando for à locadora, pois não é, é apenas um filme bom que com certeza vale a pena ser visto e que eu me surpreendi vendo por todos os motivos citados acima.

 

Renan

criado por Luís/Renan    10:44:45 — Arquivado em: Filmes

terça-feira, 22 de setembro de 2009

NOVOS SELOS

Eu e o Renan tivemos semanas tumultuadas e, devido a isso, não pudemos nos ocupar em decidir os Blogs para os quais indicaríamos os novos selos que ganhamos. Queremos já aproveitar esse espaço para agradecer a todos aqueles que nos reconheceram mais um vez como um bom blog a ponto de nos presentear com esses selos, que agora somam seis.

Vocês podem estranhar alguns de nossos indicados, que nem sequer estão na lista dos favoritos. No entanto, nós andamos pesquisando pela blogosfera e encontramos recentemente mais blog interessantes e alguns deles serão adicionados também à nossa lista. Como o Literatura e Cinema ainda está em expansão social e não querermos retribuir um Blog que nos presentou com o mesmo selo - a fim de que não pareça uma “devolução”, selecionamos alguns Blogs que receberão os selos. Como as regras nós já apresentamos aqui anteriormente, vamos aos fato. 

1) Selo: VALE A PENA FICAR DE OLHO NESSE BLOG

Quem nos indicou: Movie For Dummies. Agradecemos enormemente ao Bruno Pongas que, juntamente com a Leka Marcondes, Roberto Furuya e Lucas Pastore, administra muito bem o blog. Seguem os indicados:

A) Mulherices - Porque Meiga é a Hello Kitty: provavelmente, as donas desse Blog nem sequer conhecem o Literatura e Cinema; nós, no entanto, já entramos no Blog delas e comentamos, porque achamos realmente prazeroso lê-lo. São mulheres cultas, que escrevem muito bem, que nos mostram o humor sutil do cotidiano através de comentários machistas, esteótipos dos quais elas fogem, etc. Vale a pena.

B) I Said TV!: Fernando Gomes aborda os assuntos que vemos na televisão. Seriados, programas de auditório, etc. Para quem busca um bom guia do que ver e o que não ver, o blog dele é perfeito.

C) Café com Notícias: blog jornalístico  em formato de revista eletrônica, cuja proposta é repercutir as principais notícias do jornalismo e trazer discussões sobre assuntos pertinentes à comunicação, cultura, projetos sociais, bastidores da imprensa e opinião crítica sobre os temas pautados pela mídia.

D) Cinema com Brenno Bezerra: ele nos visitou uma vez e, ao conferir o seu Blog, gostamos do que vimos. Assim como o LeC, Brenno não se limita aos chamados filmes bons; ele analisa os filmes de uma maneira geral. Por isso, vale a pena conferi-lo.

E) Minerva Pop: Sandro fala sobre tudo. Música, filmes, bandas de rock, literatura, etc. Procurando por posts mais antigos, li um sobre Stephen King; encontrou o meu ponto fraco e meu apreço pelo Blog aumentou.

F) Fotograma Digital: seis pessoas se uniram para falar sobre cinema, o que fazem bem. Eu e o Renan já os visitamos algumas vezes e espero que as visitas sejam mais frequentes.

G) Pobre Esponja: esse é um blog voltado pro humor, que é negro e, às vezes, muito escrachado. Não quero dizer que todos os posts sejam muito engraçados, mas muitos deles nos fazem rir, como o mais recente sobre o “rock”.

H) Estética Musical: Daniel Silva, jornalista e apaixonado por música, é dono desse blog que reúne ótimas críticas e sugestões sobre a musical, além de bons artigos sobre bandas, sejam elas nacionais ou internacionais. A qualidade do Blog garantiu a indicação.

2) Selo: ESSE BLOG ACERTA EM CHEIO (duplo)

Quem nos indicou:
Cinemótica: não nos lembramos se o Cinemótica nos encontrou ou se nós o encontramos; o fato é que sugriu uma parceira interessante e que tem resultado em bons frutos. Marcelo, dono desse Blog, está se empenhando no Clube Virtual de Filme, ao qual eu e o Renan esperamos ansiosamente para nos associar.
Parada Obrigatória: os games do Leonardo são bem interessantes e ele se ocupa bastante em nos trazer um pouco da história dos atores, resgata alguns nomes que já não fazem mais sucesso e me disse que em breve me faria uma proposta, a qual espero para saber qual é. Surpresas…
Os indicados são:

A) Cineroad - A Estrada do Cinema: Roberto Simões está a frente do interessante Cineroad, que, como o próprio noime sugere, nos faz querer caminhar por essa estrada. Assim como a maioria dos Blogs sobre cinema, as opiniões lá expressas são bastantes pessoais, o que permite divergências. Discordando de ou concondando com o que ele diz, a sua maneira de escrever é muito boa, o que me fez gostar mais do blog. Ao vê-lo, ampliamos também a nossa cultura conhecendo os títulos portugueses que, às vezes são mais interessantes, outras vezes menos interessantes que os nossos.

B) Hollywoodiano: tendo conhecido esse blog há pouco tempo, rapidamente me identifiquei com ele. Somos apresentados aos filmes com o dinamismo interessante de Otavio Almeida, que está por trás do excelente Blog, o qual tenho visitado com frequência.

C) Cinema - Filmes e Seriados: editado pelo Hugo, o Blog contém resenhas rápidas sobre filmes que foram sucessos de época, alguns meio desconhecidos, outros muito famosos. As breves resenhas feitas nos mostram que o principal objetivo do Blog não é analisar meticulosamente cada filme, mas sim compartilhá-los com a blogosfera. Atualizado quase diariamente, o Hugo me faz querer assistir tantos filmes quanto ele…

D) O Cara da Locadora: gostamos bastante do trabalho do Nespoli e do Miojo. Agora, que fizeram um podcast, merecem sem dúvidas esse selo. Parabéns!

3) Selo: BLOG DORADO (duplo)

Quem nos indicou:
Cinemótica;
Cine Dewonny: por influência do Diego, comecei a assistir alguns filmes asiáticos. Não aqueles que ele citou recentemente em seu blog, mas alguns outros, que logo serão comentados aqui - esperamos que o Diego venha dizer sua opinião.
Os indicados:

A) Bit of Everything: conhecemos o blog do Kauê Oliveira há pouquíssimos tempo, mas eu já comecei a abusar dele; numa das próximas resenhas do LeC, fiz várias citações ao BoE e usei algumas listas criadas pelo Kauê. Uma de nossas mais recentes parceiras…

B) Solta o Lalai: o Rafael nos acompanha desde que conheceu o nosso Blog e comentava aqui com uma frequência assustadora; vive reclamando de que não sabe escrever, mas seus textos são muito bem redigidos e cheios de figuras de linguagem eficientes. Devido à problemas com a sua ausência de internet, seu blog está desatualizado há algum tempo - este selo, portanto, é uma menção honrosa.

Então, é isso, pessoal. Esperamos que os blogs indicados peguem seus selos e repassem!
:D

criado por Luís/Renan    01:56:08 — Arquivado em: Outros

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

ANNE HATHAWAY

Clique aqui, para ver o trailer de Alice no País das Maravilhas, próximo filme de Anne Hathaway (com legenda).

Minha admiração por essa atriz começou efetivamente depois que vi O Diabo Veste Prada, que de longe é o filme mais conhecido dela. Por isso, e motivados por um comentário de uma leitora do blog, o Luis e eu decidimos postar aqui mais sobre a vida artística de Anne Jacqueline Hathaway. Mas, antes, segue um pequeno resumo de sua vida antes de se tornar uma grande atriz. Ela nasceu em Nova York, e parecia predestinada ao sucesso, já que sua mãe, Kate McCauley, é uma experiente atriz do teatro e pode ter sido dessa ligação com a arte que veio a idéia para o seu nome: Anne Hathaway é uma homenagem de seus pais à mulher de Willian Shakspeare, que tem o mesmo nome. Seu pai, Gerard é advogado, e tem mais dois irmãos Tom e Michel.

O primeiro filme que assisti dela – e coincidentemente o primeiro que ela fez -  foi “O Diário da Princesa”, quando ela parecia que seria por um bom tempo uma atriz da Disney. Acho que por ser uma obra adaptada do livro homônimo da escritora Meg Cabot, e sendo assim ter o roteiro semi-pronto o filme se tornou bem agradável, não que tenha conteúdo, mas mesmo assim é bom, já que além da estória ser interessante, Anne já se mostrava capaz de divertir seu público, revelando-se uma atriz notável. Ela continuou nos estúdios da Disney por mais um tempo com filmes no mesmo estilo como Uma Garota Encantada e a continuação de O Diário da Princesa, esse não tão bom assim, e vale mais a pena por ter a música Breakway da Kelly Clarkson como tema. Mas apenas em 2005, um ano depois de ter sido lançado O Diário da Princesa 2, ele teve um papel denso em O Segredo de Brokeback Mountain como esposa de um dos cowboys gays. Apesar de pequeno, o papel lhe abriu um grande leque de novas oportunidades além de mostrar para o mundo e para a crítica que ela é uma atriz séria e capaz.

Daí em diante foram sucessões de sucesso um após o outro. Em 2006 ela fez seu filme de maior sucesso O Diabo veste Prada, também adaptado do livro homônimo, filme que concorreu ao Oscar de Melhor Figurino e deu a ela a chance de trabalhar com a experiente Meryl Streep. Acho que esse filme é do gosto de todos, pois tem romance, comédia e até uma pequena parte que esboça um drama no final, e é um daqueles filmes que se pode recomendar sem medo de errar e pra termos noção do sucesso, há vários cartazes de outros filmes com “Do mesmo diretor de O Diabo veste Prada”, ou dos mesmos roteiristas. Novamente vemos Anne Hathaway brilhar para o mundo todo. No ano seguinte ela foi estrela de Agente 86, onde ela mais uma vez diverte seu público, mas sozinha ela não consegue salvar o filme, tornando-o um filme mediano, fato que não desprestigia sua carreira.

O auge de sua carreira foi alcançado em 2008 com O Casamento de Rachel, filme aclamado pela crítica onde interpreta Kym, uma garota que saiu recentemente de uma clínica de recuperação e tem que ir ao casamento de sua irmã. Nesse filme conseguimos ver o tamanho da capacidade de Hathaway, nos provando que ela com certeza ela é uma promessa para o futuro de Hollywood . Ainda nesse filme, ela foi indicada a melhor atriz em vários prêmios importantes como o Oscar, ao lado de Kate Winslet, Meryl Streep , Angelina Jolie e Melissa Leo, também foi indicada ao Globo Ouro, ao SAG Awards e ao Critic’s Choice Awards, esse último ela foi ganhadora, sendo que quem analisa o filme é a própria crítica, o que mostra  o quão boa ela foi. No Oscar 2009 também, pudemos ver mais um pouco de sua capacidade artística, já que Hugh Jackman puxou-a de sua cadeira e dançou com ela, obviamante tudo ensaido, mas essa foi mais uma boa surpresa em relação a essa atriz. Em 2009 também, foi lançado seu atual filme Noivas em Guerra, que comparado a todos os outros que assisti, é o mais fraco dela, mostrando talvez que ela tem dom mesmo para o drama e que dai podem sair mais indicações a premiações importantes e com certeza vitórias nessas indicações. O próximo filme dela é um dos filmes mais aguardados para 2010, Alice no país das Maravilhas é mais um filme da Disney, mas diferente dos outros, esse é um filme do mestre Tim Burton. Ela interpetará a Rainha Branca ao lado dos queridinhos do diretor Johnny Depp e Helena Bonham Carter, e quem sabe ela não vira mais um deles também.

Renan

criado por Luís/Renan    09:20:33 — Arquivado em: Perfis

sábado, 19 de setembro de 2009

MOÇA COM BRINCO DE PÉROLA

Clique aqui para ver o trailer.

Girl with a Pearl Earring, 99 minutos, 2003, Drama.

Indicado a 3 Academy Awards, incluindo Melhor Fotografia.

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O filme conta a estória de como surgiu o quadro Moça com Brinco de Pérolas. O enredo é relativamente simples: Uma moça judia de origem humilde que, diante da dificuldade financeira da família, é mandada para trabalhar na casa de um famoso artista holandês. Apesar da visível delicadeza e ingenuidade (que vemos ir perdendo-se ao longo do filme) sua determinação a faz levantar-se cedo, cuidar da limpeza da casa, aguentar as constantes gestações da patroa e a própria patroa, além das crianças diabólicas.  Quando começa a demonstrar um dom para a arte, desenvolve um nível profundo de contato com o pintor, seu patrão, bem mais profundo que um sentimento de paixão. Até o momento em que o mecenas exige a pintura de um quadro da garota, o que leva a vida dela fora e dentro da casa, a ter complicações maiores.

 

O filme é muito bom e com certeza vale ser visto. A fotografia é incrível, acho que a melhor que eu já vi, e com isso o diretor conseguiu fazer com que muitas cenas realmente parecessem um quadro, como por exemplo, a patroa de Griet com o vestido que foi pintada, o contraste entre o cenário e o vestido produz um efeito muito bom, ou também quando Griet está cortando os alimentos sistematicamente  no começo do filme. Além disso, há o fato de o filme não ter muitas falas, e é ai que entra a capacidade de interpretação dos atores, principalmente da Scarlett Johansson que faz seu papel extremamente bem.  Particularmente não gosto muito da Scarlett pois quando a vejo, ela sempre me lembra uma Barbie com sua pele perfeita e esticada beirando ao plástico, mas como disse antes, ela trabalha muito  bem suas expressões passando emoções diferentes em um jeito de olhar e por ai vai. Outro fator interessante é Griet mostrar o cabelo apenas uma vez (por motivos religiosos), o que instiga a curiosidade de quem assiste.

A melhor cena do filme é quando ele vai pinta-la. Ele manda ela umedecer o lábios repetidas vezes e abrir um pouco a boca, e ela faz isso várias vezes, voltando na mesma posição, e a cena fica bonita mesmo quando ela fica parada por um longo tempo nessa posição, dando a impressão de uma pintura. Ao mesmo tempo que é lindo é poéticamente sensual.

Renan

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Apenas assisti a esse filme porque o Renan e a Joice assistiram e falaram muito bem a respeito. Se não fosse isso, nada chamaria a minha atenção para o filme, pois, definitivamente, nenhum dos atores presentes nele me fazem sentir atraídos por suas atuações. Não vou resumir o filme, porque o Renan o fez na resenha dele, mas concordo com ele a respeito de que a história é realmente muito simples.

 

A característica principal no filme não são os diálogos ou as falas. O filme prima pela imagem: cada cena é tipicamente visual, chama a atenção pelo que vemos, não pelo que ouvimos. E isso é linear, vai do princípio ao fim, sem irregularidades, o que se mostrou um ponto muito positivo na minha opinião. A simplicidade do roteiro também é um ponto a favor, pois devido à sua simplicidade, foi possível abordar com muita eficiência a vida de Griet enquanto criada do pintor. Percebemos como a estadia na casa influenciou as suas atitudes e como ela nutria um desejo pelo patrão, embora isso seja mostrado muito subjetivamente. Não temos uma noção muito exato do tempo, ainda que saibamos que provavelmente mais de dois meses se passam desde que Griet se torna empregada até quando o filme termina; o tempo, de qualquer maneira, não é um fator importante, pois pouco acrescenta.

 

A respeito dos atores, não sei exatamente o que dizer. Eu acho que, de uma maneira geral, Moça com Brinco de Pérola é uma obra boa, mais por causa do roteiro e da fotografia do que pela atuação dos atores. Colin Firth está realmente bonito nesse filme e há um charme nele que não existe em alguns filmes posteriores, como Mamma Mia. Mesmo falando pouquíssimo, Firth compõe bem seu personagem e facilmente compreendemos o porquê do interesse de Griet por ele. Não sei se vão todos concordar comigo, mas há interesse por parte dela e, talvez, dele. Mais um filme com Scarlett Johanssonn a que assisto e ainda não sei se ela é ou não uma boa atriz. Algo que me diz que ela é somente um sorriso muito bonito; nem digo rosto bonito porque há algumas cenas, como naquela em que a vemos sem a touca, em que ela definitivamente não está bonita. Realmente penso que a fotografia acrescentou beleza à atuação da atriz, que, ao ser filmada de alguns ângulos generosos, causa a impressão de que tudo é plena capacidade artística de Johanssonn. A única coisa que pude realmente constatar a respeito dela é que suas mãos são incrivelmente feias.

 

Diferentemente do que o Renan disse na frase enfática dele, eu não acho que Moça com Brinco de Pérolaessa produção seja um grande filme. Creio que Moça com Brinco de Pérola seja somente mais um filme interessante, que garante entretenimento para alguém que deseja ver algo belo. Não nego que a fotografia é impressionante, mas não vou supervalorizá-lo dizendo que ele é muito bom. O ritmo suave do filme agrada, o ótimo uso dos atores coadjuvantes também acrescenta qualidade, mas, no fundo, é só um filme pra se ver num dia qualquer.

Luís

criado por Luís/Renan    08:08:58 — Arquivado em: Filmes

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O CORTIÇO

Aluísio de Azavedo, 1890, 208 páginas (Editora Companhia Nacional)

Pertence ao Realismo-Naturalismo, faz parte da lista integrada FUVEST/UNICAMP - 2010

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Esse é o terceiro livro obrigatório das principais universidades públicas paulistas que postamos e pretendemos comentar mais dois, o próximo será Dom Casmurro com a análise do Luís. Primeiro darei as informações do livro em forma de um resumo tentando abranger a estória como um todo para ajudar aos vestibulando com nós, em seguida darei o meu ponto de vista sobre a obra de Aluísio de Azevedo.

O Cortiço foi lançado em 1890 pelo já citado Aluísio de Azevedo e faz parte do Realismo-Naturalismo onde já pelo nome pode-se ter uma base do livro. Naturalismo, pois para o indivíduo sobreviver ele precisa basicamente de três coisas: comida, repouso e pensando na reprodução, sexo. O romance é marcado também pelo determinismo onde o indivíduo pode ser transformado por três fatores: a hereditariedade, o momento e o meio e claramente quem muda os personagens em O Cortiço é o meio em que eles vivem.

Narrador: é narrado em terceira pessoa sendo ele onisciente e seu papel não acaba aí: narrador faz julgamentos das atitudes dos personagens mostrando ao leitor a estória de cada um sendo transformada pelo meio em que vive.

Espaço: o romance se passa em um cortiço do Rio de Janeiro construído pelo Seu João Romão. O cortiço fica ao lado de sua venda e do outro lado do local fica a casa do Seu Miranda. Atrás dele fica a pedreira onde a maioria dos personagens do sexo masculino trabalham. Reparem que tudo fica envolta da estalagem.

Personagens:
● o próprio cortiço é considerado o personagem principal, pois é nele que a maioria das coisas acontecem além de receber características humanas (”Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.”, capítulo III).

● João Romão: é o dono da venda e o personagem que mais aparece no livro, além disso é extremamente pão duro e guarda todo o dinheiro que consegue e não tem planos imediatos para mudar de vida. Todo o dinheiro gasto na redondeza volta a sua mão pois é dono do cortiço e de parte da pedreira, ou seja, ele paga o salário para os empregados e esses tem que pagar o aluguel além de comprar em sua venda. Mais pro final do livro ele começa a querer mudar de vida investindo mais no cortiço depois de um incêndio e até quer se casar com Zulmirinha, a filha de seu rival Miranda. Com ele mora a Bertoleza, uma escrava que pensa ter comprado sua alforria, mas que na verdade foi enganada pelo patrão, quando descobre tudo, na última página do livro, se mata. Em vida é o braço direito de João Romão, ajudando a roubar materiais de construção para a edificação do cortiço, fazendo a comida servida no venda, ou seja, “é a última que dorme e a primeira que acorda”.

● Miranda e família: Miranda é um português de sucesso que mora ao lado do cortiço e não gosta muito do Seu Romão, principalmente, por ter contruído um cortiço ao lado de seu sobrado. Com a mudança de comportamento do seu vizinho, ele acaba se aproximando mais dele e até cedendo a mão de sua filha em casamento. O resto da família é composta por D. Estela, sua esposa infiel que caracteriza uma burguesia ociosa, Henriquinho um garoto que vem morar em sua casa para estudar medicina já que Miranda devia um favor ao pai do garoto e esse que tem um caso com uma mulher do cortiço, Zulmirinha, a filha e o Botelho, agregado que ajuda João Romão a conquistar a filha do Miranda.

Personagens notáveis:
Jerônimo e Piedade: são um casal de portugueses que tem uma filha. Jerônimo vem ao cortiço para trabalhar na pedreira como um funcionário exemplar que até ganha mais que os outros. Sua família, inicialmente, é impecável, todos os respeitam e os tomam como exemplo.

Rita Baiana: é uma mulher que volta ao cortiço de uma longa viagem e volta com seu namorado Firmo. Depois de uma ajuda dela ao Jerônimo, esse fica apaixonado pela Rita e esse evento que acaba em uma briga entre ele e Firmo que por sua vez, termina em um incêndio provocado pela Bruxa. Como vingança, depois de um tempo Jerônimo mata Firmo com ajuda de uns colegas, foge com Rita deixando sua mulher para trás que vira bêbada e começa a ser “deflorada” pelos outros homens do cortiço.

Pombinha: A flor do cortiço como é chamada, é pura, delicada e inocente, mas sofre com a menstruação que não chega e não pode se casar por não ser mulher com 18 anos. Essa é abusada pela madrinha Leonie e depois de um tempo sua menstruação vem e ela pode se casar. Descobrindo como é a vida de casada, e como são os homens, ela abandona tudo e, mais tarde, vira uma prostituta e filha de Jerônimo vira a nova pombinha do cortiço, tornando assim, um ciclo.

● Outros personagens: Leucádia, Machona, Marcina são lavadeiras e ficam por conta delas as fofocas que circulam pelo cortiço, faz parte desse grupo também o Albino, que é considerado uma mulher pelas outras.  A primeira, Leucádia, trai o marido Bruno com Henriquinho, pois o jovem promete dar um coelho em troca do sexo, quando o marido descobre essa é expulsa de casa. Ainda temos Domingos, um caixeiro viajante empregado do João Romão que engravida Florinda, filha de uma das moradoras do cortiço. Ele foge da responsabilidade e ela também foge por medo da mãe, que quando descobre bate muito nela.

Depois do primeiro incêndio causado pela Bruxa, o cortiço é atacado mais uma vez pela loucura da mesma mulher, só que dessa vez, ela faz o serviço completo e João Romão já com sua vida social em ascensão decide construir outro cortiço, só que esse é de um nível mais alto e consequentemente os preços também fazendo com que vários dos antigos moradores tivessem que abandona-lo e mudar para o cortiço vizinho que antes abrigava o Firmo, o Cabeça de Gato. Isso nos mostra a mudança do João Romão é pode-se contruir a linha cronológica do livro mediante a sua vida social, no início, os dois pobres, no final, os dois luxuosos e ricos.

O grande problema em se tentar resumir O Cortiço não é o tamanho do livro, pois é relativamente pequeno, mas sim o grande número de personagens que passam pela estória dando a idéia do dinamismo do local, onde várias e várias vidas passam pelo cortiço e cada vida tem uma estória, fazendo o leitor, as vezes, se perder um pouco. Considero-o uma obra clássica, porém muito chata de se ler pela leitura difícil e recomendo apenas para aqueles que terão a obrigação de lê-lo.

Renan

criado por Luís/Renan    10:44:26 — Arquivado em: Livros

terça-feira, 15 de setembro de 2009

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?

Slumdog Millionaire,  2008, 120 minutos, Drama

Indicado a 10 Academy Awards, ganhador de 8, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor

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Acho que não é muito fácil analisar uma obra vencedora do Oscar de Melhor filme e de tantas outras categorias, pois com certeza, o filme foi julgado por pessoas muito mais capazes que eu.

Pra começar, tenho que dizer que não esperava ver o que vi. Imaginei um filme pesado, no estilo de A Troca, que é o tipo de filme que não se assiste toda semana devida a grande carga emocional. Fiquei surprendido ao ver como o diretor Danny Boyle, conseguiu fazer um filme tranquilo e tão bom. Não pensem, entretanto, que é um filme leve, mas a capacidade da equipe se mostra quando vemos cenas densas tranformadas em cenas extremamente boas e agradáveis. Gostei muito da parte em que  Jamal se joga na merda - literalmente - por um sonho. A primeira vista, pode ate parecer engraçado, mas analisando-a melhor vemos, desde pequeno, um garoto que faz tudo que tiver ao alcance por um sonho, qualidade essa que fica mais clara, nas cenas do programa Quem quer ser um milionário, onde ele parece não dar grande importancia ao dinheiro, pois está ali, não para ficar rico, mas para que  alguem o veja e o espere na estação as 5 da tarde. Outro ponto bom do enredo, é a forma como a estória é contada. Desde o começo Jamal está no programa, e a estória de como ele sabe as respostas do show, que, como um quebra cabeça vai se formando. Todas tem um ponto tocante, mas tenho que citar duas: O fato de ele saber quem está na nota de 100 dolares americanos, já que nessa sentimos grande pesar pelo menino cego que canta, e que pelo tato e olfato consegue integir com o mundo e também como ele sabe que o deus Rama carrega nas mãos um arco e uma flecha, pois quando vemos aquele corpo azul boiando, entendemos perfeitamente porque Jamal diz:
- “Acordo toda manhã rezando para não saber a resposta dessa pergunta”
Acabo de me lembrar do quanto é bonito o final, quando a ultima pergunta é feita, com Jamal se lembrando, e como nos sentimos felizes de Latika estar, e atender o celular.

Outro ponto a favor do filme é o elenco, é bom não ver algum rosto conhecido, pois assim, conhecemos novos atores e atrizes em potencial. Todos, nas tres idades diferentes, conseguem fazer bem seus papeis, e aqui gostaria de dizer que gostei muito da atuação dos três personagens que interpretam Salim, o pequeno principalmente. Há varias partes que demostram o amor que ele tem pelo irmão, amor esse que traz o ciume, e ate o odio de Latika, e há cenas que nos demostram isso como na que ele solta mão de Latika e quando ele vende a foto autografada do irmão, e todos os tres atores souberam dosar esses sentimentos em belissimas atuações. Claro que não podemos desmerecer os atores que interpretaram Jamal e as atrizes que interpretaram Latika, pois todos nos passam a impressão de que um amor real é construido.

Só pra finalizar…sobre a trilha sonora. Quando ouvi Down to Earth do Peter Gabriel, tinha certeza que iria ganhar, gostei bastante da música, e quando vi o vencedor, simplesmente nãe entendi como aquela música tinha ganhado. Assistindo o filme se ve a eficacia da trilha sonora, que na maior parte do filme tem uma batida pesada, um exemplo do bom uso dela, é a cena, bem no começo, que Jamal e Salim correm do policial. Gostei também do final, com a música Jai Ho ( musica vencedora), com uma parte do elenco dançando. Normalmente acharia tosco, mas nesse filme caiu bem. Confiram “Quem quer ser um milionário” e garanto que não iram se arrepender.

Renan

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criado por Luís/Renan    00:50:18 — Arquivado em: Filmes

domingo, 13 de setembro de 2009

PROVOCAÇÃO

The Door in the Floor, 2004, 111 minutos. Drama.

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Peguei o filme decidido a vê-lo tomando como base apenas o nome, já que eu não conhecia a história, não sabia quem eram os atores principais, nem tinha visto nenhuma imagem sobre ele. Porém, logo nas cenas iniciais, me interessei bastante, principalmente pelo fato de haver uma criança no elenco e também pela presença de Kim Basinger, que, embora não esteja sempre em filmes bons, me dá uma sutil esperança de que ele possa realmente sê-lo.

Um casal está com problemas conjugais e entre eles há as lembranças pesadas do passado, no qual os filhos mais velhos morreram num acidente. Ted é um escritor talentoso que escreve obras infantis e durante um verão aceita Eddie, filho de um colega, na sua casa, a fim de ensinar a ele algumas técnicas acerca da escrita, já que o garoto quer ser escritor. A presença do jovem acaba reacendendo o passado, trazendo novas recordações ao mesmo tempo em que Marion, que ficou profundamente abalada após o acidente, começa a se sentir melhor quando está com o garoto.

A história de Provocação é bastante interessante, criando diversos momentos bons e com qualidade, principalmente a respeito dos relacionamentos dos personagens. A característica que mais impressiona é o fato de o relacionamento entre Ted e Marion comportar inúmeras mentiras disfarçadas, permitindo-os trair sem remorsos e ainda manter um certo elo entre eles; além disso, é tão liberal a relação que parece não haver segredos ou tabus entre a família destruída, já que todos são livres para falar como bem entendem assim como agir conforme querem. Em partes, é essa mesma relação que talvez perturbe a serenidade dos dois, colocando-os à prova e desconstituindo uma normalidade. Quanto às atuações dos atores, são boas e colocaboram para elevar um pouco o filme. Jeff Bridges está muito bem interpretando um marido que tem conhecimento a respeito do relacionamento da esposa com o novo assistente; não só conduz bem a posição de pai protetor e homem da casa como se põe na situação extremamente oposta a essa, quando é apenas o marido traído que consente com tal ato. Kim Basinger tem seus bons momentos no filme e cabe a ela duas das mais potentes cenas, que são aquela em que flagra Eddie homenageando-a com uma masturbação  e quando é flagrada pela filha enquanto transa com o garoto. Jon Foster, intérprete de Eddie, também não deixa a desejar e acredito que se deva à sua caracterização o título nacional. A pequena Ruthie nos remete a alguém que conhecemos há algum tempo: Dakota Fanning. Na verdade, Elle Fanning, intérprete de Ruth, é irmã da outra já famosa atriz! Não há maneiras de repreendê-la em sua atuação, de tão espontânea e carismática que se mostra.

O roteiro tem um fio bastante denso, que poderia ter se tornado um grande drama. Mas há alguns aspectos que foram mal concebidos e o filme não tem um auge estrelar. Talvez a maneira precipitada com a qual os personagens se relacionam não permita um desenvolvimento melhor do que cada um sente. Antes disso, eles já estão nas posições que assumiram ao longo da obra e parece não haver espaço para que se cave mais fundo na emoção de cada um. Então, em vez de evoluir, temos a impressão de que estagnou. A inserção da personagen Sra. Vaughn também não diz muito, ainda assim há momentos que parecem querer dizer alguma coisa; mas como faltou perícia na condução da personagem desde o início do filme, tratamo-na como se fosse apenas uma figurante com fala.

Provocação é uma obra um pouco longa para contar aquilo que poderia ser contado em menos tempo, de uma maneira mais dinânica. Eis um filme com acertos e desacertos em igual proporção, então não há por que vê-lo nem por que não vê-lo. Não acrescentará nada à sua vida nem tirará nada de você, então espero que vocês concluam se devem ou não assistir a esse filme ao ler essa crítica. A seu favor estão as atuações e o roteiro, mas contra ele está a direção aparentemente sem foco, que desperdiçou uma boa história. Decidam!

Luís

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O título “Provocação” pode não chamar muita a atenção de quem está na locadora, pois é mal traduzido, não dá nenhuma idéia do que pode ser o filme, diferente do título original “The door in the floor” que é inteligente e instigante. Deixando as traduções mal feitas de lado o filme se mostra muito capaz de mostrar o drama de um triangulo amoroso complicado.

O enredo, apesar de não ser inovador e brilhante é interessante. No filme temos a história de Ted (um escritor que tem suas obras destinadas ao público infantil) e Marion, um casal com um longo casamento, mas que depois da morte dos dois filhos ficou extremamente desestabilizado e depois disso ainda tiveram a pequena Ruth. No processo de separação onde cada um dorme em uma casa todo dia chega à história Eddie, um adolescente que tem a aspiração de ser escritor e vêm para ser assistente de Ted. Ele logo se apaixona pela mulher de seu mestre. Como disse, nada de inovador, mas está na atuação, na direção e na construção dos personagens os melhores pontos do filme. Os três convivem, não pacificamente, mas relativamente bem sendo que todos conhecem os sentimentos uns dos outros. Marion que vê um dos seus filhos mortos em Eddie começa a ter um relacionamento carnal com ele, mas isso não acontece de repente, mostrando a quem assiste cenas extremamente embaraçosas como o garoto sendo flagrado masturbando-se no quarto dela vendo seu sutiã e sua calcinha. Também temos a construção de Ted, que no início parece se mostrar o mocinho da história, mas ao longo do filme vai se mostrando tão humano quanto os outros dois, sendo que ele tem o hábito de “destruir” a vida das pessoas com desenhos. Outra que se destaca é a interprete de Ruth que apesar da pouca idade parece já ter talento (fato quase natural, levando em conta que sua irmã é a Dakota Fanning) e o mostra em cenas que parecem ser pra chocar quem assiste como a que ela pega a sua mãe e Eddie na cama e grita, mas logo que Marion explica o que está acontecendo, ela sai calmamente e volta a dormir, tornando a cena em algo quase engraçado. Dos personagens principais Marion é a que fica mais apagada ali, mas mesmo assim tem seu charme de quarentona seduzindo um garoto.

Espero que eu tenha dado a entender que o filme não é a melhor coisa que eu assisti, ou seja não é imperdível, mas com certeza vale a indicação para que seja assistido ao menos uma vez.

Renan

criado por Luís/Renan    04:18:43 — Arquivado em: Filmes
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