segunda-feira, 7 de setembro de 2009
DÚVIDA
Clique para ver o trailer (com legendas).
Doubt, 104 minutos, 2008. Drama.
Indicado a 5 Academy Awards nas categorias Melhor Atriz (Meryl Streep), Melhor Atriz Coadjuvante (Viola Davis e Amy Adams), Melhor Ator Coadjuvante (Philip Seymour Hoffman) e Melhor Roteiro Adaptado.
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Em Dúvida (filme adaptado da peça de teatro homônima) temos o enredo no qual freira Aloysius começa a desconfiar do afeto particular que o padre Flynn tem com um garoto (problemático, quieto, que apanha do pai, e que é o primeiro aluno negro) da escola.
Não entendi a indicação de Viola Davis ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. A única cena em que ela aparece é bastante densa, tem muito conteúdo. Ali vemos que ela não importa se os boatos do padre pedófilo são verdades ou não (e isso nos choca um pouco), ela apenas se interessa pela felicidade do filho e quer que alguém cuide e se importe com ele. Temos também uma revelação sobre a “índole” do garoto. Quando a Irmã Aloysius diz que “Ele [o padre] está na sua escola e quer os meninos” a Sra. Miller reponde que “Talvez alguns meninos o queiram também”, mas não achei o suficiente para ser comparada a Amy Adams, que interpreta a Irmã James e também foi indicado ao Oscar na mesma categoria. Ela passa a quem assite o cúmulo da inocência e pureza e serve, na ‘disputa’ entre a Irmã Aloysius e o Padre Flynn, como um juiz. Os dois tentam defender o seu lado, e ela fica no meio absorvendo as informações, decidindo em qual dos dois ela acredita, e é uma pena que ela suma da estória, e só vola última cena para ver o quanto a Irmã Aluysius está em dúvida. Falando ainda das atuações, foi muito bom ver Meryl Streep ali. Embora não tendo ganhado o Oscar (justo, já que as atuações de Kate Winslet ou ainda Angelina Jolie são melhores) ela nos mostra uma feira rígida e até com uma pitada de humor negro, que defende sua certeza, mesmo que não tenha provas contra isso. Além disso, é bom vê-la como uma senhora de idade e com rugas. Nos ajuda a limpar da mente suas personagens em O Diabo veste Prada e Mamma Mia que são tão diferentes dessa. E pra finalizar vemos Philip Seymour Hoffman em uma atuação belíssima, principalmente em seus sermões, que completa o filme. No geral há cenas muito boas, como o paradoxo entre o almoço dos padres e das freiras, nos mostrando a imponência da Irmã Aloysius, ou a discussão entre a mesma e a Sra. Miller, ou a maioria das cenas em que Amy Adams aparece e por ai vai.
No final, não espere uma resposta, o filme nos põe para pensar. Particularmente acho que o padre é inocente, e há várias suspeitas disso, mas ao mesmo tempo ficamos pensando em porque ele reagiu tão mal quando a Irmã disse que tinha falado com uma freira e não com o pároco de sua antiga igreja? Assita, vale a pena o dinheiro gasto.
Renan
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“A dúvida pode ser um elo tão forte e duradouro quanto a certeza” - Padre Flynn.
É com essa frase que eu quero começar a escrever a minha opinião acerca desse filme, pois é ela que embasa todas as ações mostradas, conduzindo tantos os personagens quanto os espectadores às terríveis considerações, que - não delatadas pela certeza - ficam em nossas, se insinuando cruelmente, nos pondo a par de uma cruel sensação: nem sempre sabemos realmente o que fazemos.
Não vou ser repetitivo e reescrever a sinopse, pois acredito que o Renan o tenha feito bem; vou direto ao ponto a que quero chegar. Dúvida é, na minha opinião, um dos melhores filmes a que assisti esse ano. Embora tenha visto outros bons filmes, como O Leitor e A Troca, eu realmente me identifiquei mais com esse, pois o tema abordado é algo a que todos estamos sujeitos e a maneira abrangente - e tão particularmente específica - como John Patrick Shanley, o diretor, soube introduzir as perspectivas tornou Dúvida uma obra esplendorosa. Importante ressaltar como os personagens são ao mesmo tempo fortes e fracos e sua semoções são grandes colossos e simultaneamente pequenos cristais; a cada momento as supostas verdades interferem na grandiosidade da certeza, tornando-a flexível, modificando assim a maneira de enxergar as coisas. Isso se torna perfeitamente visível na personagem Irmã James, que a princípio desconfia do padre e, ainda com desconfiança, começa a ver o que há além de suas próprias opiniões, que talvez nem sejam realmente próprias. Outras duas variáveis são brilhantemente mostradas: a afirmação que nada prova e a crença imutável; a primeira cabe ao Padre Flynn e a segunda à Irmã Aloysius. Ainda que ambos se choquem bruscamente ao longo do trama por razões diferentes, o único degrau no qual estão é o da certeza e logo lutam a troco de um vitória improvável de ser considerada como tal. As palavras dele não a convenceriam mesmo que ela desistisse nem ele daria credibilidade às sensações dela mesmo que ela estivesse certa. Assim, prolongam uma batalha aparentemente infindável cujas armas são palavras e sentimentos que se adaptam a vários contextos, impedindo-os - e a nós também - de descobrir quem tem a razão, portanto. Outro ponto excelente da trama é a maneira como as transformações na personalidade são exibidas e podemos ver isso na Irmã James, que se recusa a tornar-se aquilo que Irmã Aloysius é, mas passa a questionar se o método rígido e absurdamente restrito dela não é a melhor forma de portar-se diante das adversidades. É por isso que digo que não é somente uma personagem que sente a dúvida, mas é a dúvida a principal personagem da obra, existindo e se revelando não somente nas relações de Aloysius e Flynn, mas durante todos os momentos. O espectador pode ficar meio perdido em relação às cenas, já que elas permitem dupla interpretação: confirmam a certeza da diretora ou confirmam a versão do pároco. Particularmente, eu achei muito bem construídosa os ângulos de filmagens, pois possibilitam que o espectador veja a cena de várias maneiras. Os olhares trocados entre o Padre Flynn e Donald Miller transcrevem algo que definitivamente não se limita ao simples companheirismo; podemos perceber que há amor ali. Aíe stá a chave que abre as portas para as diversas dúvidas. Não conseguimos depreender exatamente se é amor carnal ou paternal e depois que descobrimos, segunda a mãe do menino diz, que “talvez alguns meninos queiram ao padre”, se torna ainda mais difícil decifrar esse enigma, pois não sabemos se os olhares admirados são desejo, por parte do garoto, e ternura paterna, por parte do padre, ou vice-versa, ou ainda se é atração recíproca. É esse o auge do filme: a maneira abrangente como isso tudo nos é mostrado.
Pois bem, cinco indicações ao Oscar e nenhum prêmio. Porém, admito que todas as indicações me pareceram justas, já que os atores realmente estavam ali a fim de ruir o espectador. Durante a apresentação da cerimônia do Oscar, alguns críticos tivesse o despropósito de comentar que Meryl Streep exagerou ao atuar nesse filme; nada me resta senão discordar imensamente, dizendo que sua presença no filme é extremamente fundamental para que tudo se desenrole com tamanha verossimilhança. A construção de sua personagem é fabulosa, permitindo-a ser amarga e ao mesmo tempo chamar a atenção para a sua sensatez equilibrada, a ponto de fazer alguns acreditarem em sua certeza inexorável. O seu contraponto é Philip Seymour Hoffman, que dá ao Padre Flynn um aspecto totalmente charmoso e terno, nos fazendo balançar entre a crença de que ele é assim porque deseja as criança ou se é assim porque irremediavelmente é um homem voltado para Deus e segue fielmente a determinação de amar ao próximo como a si mesmo. A grande revelação, porém, foi Amy Adams, que, na minha opinião, superou grandiosamente os já experientes Streep e Hoffman. Sua interpretação é toda feita com cuidado especial, não tornando sua personagem um resquício de cenário; pouco a pouco, ganha tamanha importância na trama que cabe a ela os melhores momentos e os mais densos diálogos, que são aqueles no escritório, quando dá sua opinião acerca dos métodos extremamente severos de Irmã Aloysius e quando conversa com o padre no jardim e há entre os dois uma cumplicidade que, embora aparentemente confiável, tem seu alicerce na desconfiança. A introspecção da personagem ganha extraordinária estupidez quando ela se pergunta se vale ou não a pena ser gentil com seus alunos e depois, chegando finalmente à certeza em relação à sua natureza doce, compreende que nada pode mudar. Diferentemente do que o Renan disse, não acho que foi ruim o fato de ela ter sido posta de lado com o passar da história, afinal, ela participou o suficiente para mostrar ao espectador tudo aquilo que ele precisa conhecer e em todas as cenas em que aparece está magnífica. Já a indicação de Viola Adams me surpreendeu, afinal há uma única passagem em que a personagem aparece. Isso, logicamente, não é motivo para não ser indicada, pois Judi Dench já ganhou um Oscar por uma participação de seis minutos. O grande problema está no exagero do ato, principalmente porque, ainda que de suma importância, sua participação é comparável à de Adams, por exemplo.
Quem for assistir ao filme, não espere respostas às perguntas, pois este é um filme aberto à interpretação, permitindo que várias facetas sejam expostas e embora muito fechadas, direcionando-os a uma única - e suposta - verdade, no final haverá muito mais do que uma possibilidade de escolha. Eu, particularmente, cheguei à várias inconclusões e, por fim, decidi que, considerando tudo o que eu vi, Padre Flynn realmente tinha aliciado o garoto e se arrependia disso, embora fosse como um vício e fazê-lo-ia novamente e tantas vezes quanto pudesse. Mas logicamente é só uma interpretação…
Luís

criado por Luís/Renan
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Comentário por UDDG — segunda-feira, 7 de setembro de 2009 @ 11:08:36
Cara esse filme é imperdível mesmo !
Só vim aqui retribuir seus ótimos comentários, pode voltar lá sempre que quiser
Estou saindo agora, volto pra ler com mais calma;)
Abrs
Comentário por Rubens Correia — segunda-feira, 7 de setembro de 2009 @ 13:15:27
Gostei bastante do enredo do filme, vi o trailer muito bom, procurarei assistí-lo
Comentário por Marie — segunda-feira, 7 de setembro de 2009 @ 18:35:46
Esse é um filme que vale a pena assistir meesmo, pois trata de um assunto que é de todas as épocas, e como o nome mesmo diz nos deixa com dúvidas sobre quem tem a razão… filme bom é filme assim, que nos faz pensar… Sem falar na Meryl né? nossa, isso a gente nem comenta, ela tá mais que perfeita nesse filme, é ótimo ver como ela consegue se adaptar a qualquer papel meesmo, ! Vale a pena! [2]
Comentário por Bruno Pongas — terça-feira, 8 de setembro de 2009 @ 14:45:33
Renan/Luís… indiquei um selo pra vcs lá no meu blog! http://moviefordummies.wordpress.com/selos/
Abs!
Comentário por Dewonny — terça-feira, 8 de setembro de 2009 @ 19:49:17
Filme q se destaca pelo enredo bem bolado, fica akela dúvida msm, e claro, pelas excelentes atuações do elenco sensacional!
Abs! Diego!
Comentário por André O. — terça-feira, 8 de setembro de 2009 @ 20:09:04
Saudações!
Não sei se lembram de mim, há muito tempo, comentei em seu blog e deixei o endereço do meu, Luis foi la e comentou também… um tempo depois o desativei e agora o reativei e estou postando mais; queria que soubessem. O blog de voces esta otimo e a respeito do filme Dúvida, vi há poucos dias e achei ótimo, um filme além de ser pra se pensar, para se observar as ótimas atuações e como as personagens reagem, se emocionam, e têm a dúvida em si. Só gostaria de ressaltar que há detalhes fundamentais do filme no fim e meio que são comentados abertamente, e como alguns não gostam disso, ponham o aviso de “spoilers” quando o fizerem hehehehe. É só. Um abraço, André.
Comentário por Marcelo Augusto — terça-feira, 8 de setembro de 2009 @ 21:06:24
Me senti litealmente interessado na trama. O próprio título é instigante. Muito bom termos o retorno das personagens condizentes para a belíssima Streep! Na verdade, me senti provocado, quero ler o livro primeiro. Adorei a resenha de ambos, e percebi que ambos frisam a não ‘respostas’ no final. Eu acho que um filme assim é muito audacioso, e poucas vezes compreendido. Mas mesmo assim, eu creio que, com base em suas resenhas, que o filme responde a altura.
Obrigado pela dica!
Um abraço!
http://awardmovies.blogspot.com
Comentário por O Cara da Locadora — quarta-feira, 9 de setembro de 2009 @ 00:25:54
Então, também não entendei a indicação da Viola e também acho um dos melhores que já vi nesse ano, rs… Só uma coisa, eu não fiquei com dúvida no final, mas foi só eu??
Comentário por Joice — quinta-feira, 10 de setembro de 2009 @ 02:01:12
Um filme mto bom, meio ao estilo ‘Capitu traiu ou não traiu’, da margens pra boas perguntas e melhores teorias ainda. Se o enredo ou os elogios não te convenceram, aqui fica a dica: vale a pena assisitr pela atriz (Meryl Streep vai me perdoar), a famosa Encantada, Amy Adams. A atuação dela ficou, eu diria, perfeita.
Comentário por Jean Douglas — sábado, 12 de setembro de 2009 @ 12:12:31
Quando vi o título deste filme pela primeira vez, eu já imaginei… “No fim das contas realmente ficaremos na DÚVIDA”. Apesar de o filme dar margem a certas interpretações, a atuação dos atores foi tão impecável, que dificulta muito ter uma opinião formada ao final do mesmo. São diálogos tão bem costurados e expressões tão vívidas, que nos questionamos a todo instante se o que nos é apresentado é ou não uma verdade.
O filme aborda um tema muito interessante e que de certa forma (Levando-se em conta a culpa do padre) é algo que acontece ao nosso redor, mas procurei embasar minha opinião fora desta realidade e portanto cheguei a uma conclusão de que o padre Flynn era realmente inocente.
Comentário por Amanda Lourenço — domingo, 13 de setembro de 2009 @ 18:17:03
Eu P-R-E-C-I-S-O ver esse filme!!!
Quero ver se vou ou não ter dúvida no final!
Beijooos!
Comentário por Brean — quarta-feira, 23 de setembro de 2009 @ 02:50:18
Eu gostei muito desse filme, e nao acho q o padre tenha abusado do garoto, e q ele passou por forte julgamento( q para mim foi até irritante) sem ter culpa de nada, mas como o Luis mesmo ja disse, é uma quetao de interpretação
Mais muito bom o filme, recomendo