quinta-feira, 17 de setembro de 2009
O CORTIÇO
Aluísio de Azavedo, 1890, 208 páginas (Editora Companhia Nacional)
Pertence ao Realismo-Naturalismo, faz parte da lista integrada FUVEST/UNICAMP - 2010
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Esse é o terceiro livro obrigatório das principais universidades públicas paulistas que postamos e pretendemos comentar mais dois, o próximo será Dom Casmurro com a análise do Luís. Primeiro darei as informações do livro em forma de um resumo tentando abranger a estória como um todo para ajudar aos vestibulando com nós, em seguida darei o meu ponto de vista sobre a obra de Aluísio de Azevedo.
O Cortiço foi lançado em 1890 pelo já citado Aluísio de Azevedo e faz parte do Realismo-Naturalismo onde já pelo nome pode-se ter uma base do livro. Naturalismo, pois para o indivíduo sobreviver ele precisa basicamente de três coisas: comida, repouso e pensando na reprodução, sexo. O romance é marcado também pelo determinismo onde o indivíduo pode ser transformado por três fatores: a hereditariedade, o momento e o meio e claramente quem muda os personagens em O Cortiço é o meio em que eles vivem.
Narrador: é narrado em terceira pessoa sendo ele onisciente e seu papel não acaba aí: narrador faz julgamentos das atitudes dos personagens mostrando ao leitor a estória de cada um sendo transformada pelo meio em que vive.
Espaço: o romance se passa em um cortiço do Rio de Janeiro construído pelo Seu João Romão. O cortiço fica ao lado de sua venda e do outro lado do local fica a casa do Seu Miranda. Atrás dele fica a pedreira onde a maioria dos personagens do sexo masculino trabalham. Reparem que tudo fica envolta da estalagem.
Personagens:
● o próprio cortiço é considerado o personagem principal, pois é nele que a maioria das coisas acontecem além de receber características humanas (”Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.”, capítulo III).
● João Romão: é o dono da venda e o personagem que mais aparece no livro, além disso é extremamente pão duro e guarda todo o dinheiro que consegue e não tem planos imediatos para mudar de vida. Todo o dinheiro gasto na redondeza volta a sua mão pois é dono do cortiço e de parte da pedreira, ou seja, ele paga o salário para os empregados e esses tem que pagar o aluguel além de comprar em sua venda. Mais pro final do livro ele começa a querer mudar de vida investindo mais no cortiço depois de um incêndio e até quer se casar com Zulmirinha, a filha de seu rival Miranda. Com ele mora a Bertoleza, uma escrava que pensa ter comprado sua alforria, mas que na verdade foi enganada pelo patrão, quando descobre tudo, na última página do livro, se mata. Em vida é o braço direito de João Romão, ajudando a roubar materiais de construção para a edificação do cortiço, fazendo a comida servida no venda, ou seja, “é a última que dorme e a primeira que acorda”.
● Miranda e família: Miranda é um português de sucesso que mora ao lado do cortiço e não gosta muito do Seu Romão, principalmente, por ter contruído um cortiço ao lado de seu sobrado. Com a mudança de comportamento do seu vizinho, ele acaba se aproximando mais dele e até cedendo a mão de sua filha em casamento. O resto da família é composta por D. Estela, sua esposa infiel que caracteriza uma burguesia ociosa, Henriquinho um garoto que vem morar em sua casa para estudar medicina já que Miranda devia um favor ao pai do garoto e esse que tem um caso com uma mulher do cortiço, Zulmirinha, a filha e o Botelho, agregado que ajuda João Romão a conquistar a filha do Miranda.
Personagens notáveis:
Jerônimo e Piedade: são um casal de portugueses que tem uma filha. Jerônimo vem ao cortiço para trabalhar na pedreira como um funcionário exemplar que até ganha mais que os outros. Sua família, inicialmente, é impecável, todos os respeitam e os tomam como exemplo.
Rita Baiana: é uma mulher que volta ao cortiço de uma longa viagem e volta com seu namorado Firmo. Depois de uma ajuda dela ao Jerônimo, esse fica apaixonado pela Rita e esse evento que acaba em uma briga entre ele e Firmo que por sua vez, termina em um incêndio provocado pela Bruxa. Como vingança, depois de um tempo Jerônimo mata Firmo com ajuda de uns colegas, foge com Rita deixando sua mulher para trás que vira bêbada e começa a ser “deflorada” pelos outros homens do cortiço.
Pombinha: A flor do cortiço como é chamada, é pura, delicada e inocente, mas sofre com a menstruação que não chega e não pode se casar por não ser mulher com 18 anos. Essa é abusada pela madrinha Leonie e depois de um tempo sua menstruação vem e ela pode se casar. Descobrindo como é a vida de casada, e como são os homens, ela abandona tudo e, mais tarde, vira uma prostituta e filha de Jerônimo vira a nova pombinha do cortiço, tornando assim, um ciclo.
● Outros personagens: Leucádia, Machona, Marcina são lavadeiras e ficam por conta delas as fofocas que circulam pelo cortiço, faz parte desse grupo também o Albino, que é considerado uma mulher pelas outras. A primeira, Leucádia, trai o marido Bruno com Henriquinho, pois o jovem promete dar um coelho em troca do sexo, quando o marido descobre essa é expulsa de casa. Ainda temos Domingos, um caixeiro viajante empregado do João Romão que engravida Florinda, filha de uma das moradoras do cortiço. Ele foge da responsabilidade e ela também foge por medo da mãe, que quando descobre bate muito nela.
Depois do primeiro incêndio causado pela Bruxa, o cortiço é atacado mais uma vez pela loucura da mesma mulher, só que dessa vez, ela faz o serviço completo e João Romão já com sua vida social em ascensão decide construir outro cortiço, só que esse é de um nível mais alto e consequentemente os preços também fazendo com que vários dos antigos moradores tivessem que abandona-lo e mudar para o cortiço vizinho que antes abrigava o Firmo, o Cabeça de Gato. Isso nos mostra a mudança do João Romão é pode-se contruir a linha cronológica do livro mediante a sua vida social, no início, os dois pobres, no final, os dois luxuosos e ricos.
O grande problema em se tentar resumir O Cortiço não é o tamanho do livro, pois é relativamente pequeno, mas sim o grande número de personagens que passam pela estória dando a idéia do dinamismo do local, onde várias e várias vidas passam pelo cortiço e cada vida tem uma estória, fazendo o leitor, as vezes, se perder um pouco. Considero-o uma obra clássica, porém muito chata de se ler pela leitura difícil e recomendo apenas para aqueles que terão a obrigação de lê-lo.
Renan

criado por Luís/Renan
10:44:26 — Arquivado em: 

Comentário por Dewonny — quinta-feira, 17 de setembro de 2009 @ 18:25:05
Devido ao excelente trabalho no Literatura e Cinema, indiquei os amigos ao recebimento de um selo, passe lá no meu blog e vejam!
Abs e parabéns! Diego!
Comentário por Kamila — quinta-feira, 17 de setembro de 2009 @ 20:49:45
Bom, eu li esse livro no colégio justamente por ele ser um marco do Realismo brasileiro, mas confesso que me lembro pouquíssimo da obra. Por isso, teu post acabou sendo bem importante para me ajudar a clarear as lembranças do livro.
Comentário por Wander Veroni — sexta-feira, 18 de setembro de 2009 @ 11:43:56
Eu já li esse livro e é um dos meus preferidos. Ele caiu no meu vestibular em 2003. Fico imaginando se esse livro virasse uma novela ou mini-série…ia ser um sucesso pq a história é muito boa!
Abraço
Comentário por benjamim marchi — sexta-feira, 18 de setembro de 2009 @ 12:13:02
Nossa, muito interessante seu blog! Legal a relação de literatura com cinema e o post sobre o cortiço está muito bom! Realmente útil pra quem vai prestar o vestibular e pra quem quer saber um pouco mais sobre a obra. Nota 10! Parabéns!
Comentário por rogeriosilva — sexta-feira, 18 de setembro de 2009 @ 13:47:11
não cheguei aler esse livro ainda…mas pelo que li no teu blog a storia me parece ser boa…vou dar uma conferida …
Comentário por Bruno Pongas — sexta-feira, 18 de setembro de 2009 @ 14:34:26
Ish, eu li ‘O Cortiço’ há tanto tempo que nem me lembro direito da história. Ainda mais naquela época de colégio que não ligavamos muito para nada… aliás, sou contra literatura obrigatória, pois acho um absurdo um jovem de 14, 15 anos ler obras tão densas quanto as de Aluísio de Azevedo, Machado de Assis, Eça de Queiróz… e por aí vai. Isso acaba criando um sentimento contrário: ao invés de nos identificarmos com a literatura brasileira nos afastamos cada vez mais dela.
Comentário por Tolerancia Zero — sexta-feira, 18 de setembro de 2009 @ 14:35:52
Muito obrigado pela visita.. po gostei do blgo..ótima sinformações sobre textos..pode ser muito util para vestibulandos
abç
Comentário por I Said TV! — sábado, 19 de setembro de 2009 @ 01:14:21
Li o livro para um trabalho de ensino médio uma vez.. nem lembro se gostei ou não :S
Comentário por Pobre Esponja — domingo, 20 de setembro de 2009 @ 11:50:36
É simplesmente um dos melhores livros para minha pessoa. Leio-o pelo menos uma vez ao ano. Não sei como não virou novela - tanta porcaria vira…
Tem um filme, culo papel de Rirta Baiana cabe a Betty Faria. Pena eu não o achar, e nunca tê-lo visto na TV…
abç
Pobre Esponja
Comentário por Joice — domingo, 20 de setembro de 2009 @ 21:41:08
Hey, vlw pelo resumão Renan! vou ter que dar uma aula sobre ele (graças a você) e vai ajudar bastante uma idéia já mais resumida
Comentário por Léss — domingo, 4 de outubro de 2009 @ 18:00:40
Vlw, pelo resumo… mi ajudou muito Eu li o livro, foi interessante*-* mas o prof… fez umas perguntas dificeis…*-*