quinta-feira, 8 de outubro de 2009
A HORA DO PESADELO
Nightmare on Elm Street. EUA, 1984, 91 minutos.
_____________________________________________________
É realmente difícil acreditar que Freddy Krueger tenha sido uma figura icônica da década de 78. Hoje os filmes que apresentam o personagens são deveras desmoralizados, já que o objetivo principal se perdeu ao longo das várias continuações que a série teve. O tom sombrio deu lugar a um humor inoportuno, predominante no filme como um todo e não somente no personagem, como costumava ser. Assim como o que aconteceu com a franquia Brinquedo Assassino, A Hora do Pesadelo tornou-se cômico, beirando o ridículo, e o espectador deixou de levar a sério o personagem principal. Mas estamos aqui para falar do filme original, datado de 25 anos atrás, concebido por Wes Craven, que havia criado o polêmico Aniversário Macabro e que viria a criar treze anos depois Pânico, outra série bastante cultuada.
Tina chama os amigos para dormir em sua casa depois de não conseguir dormir uma noite inteira por causa de pesadelos que tem. Nancy e Glen, casal de namorados, e Rod, namorado Tina, descobrem que, em comum, tiveram o mesmo pesadelo. Quando Tina é brutalmente assassinada e Rod é considerado culpado, Nancy começa a se sentir pertubada com os pesadelos, que se tornam mais persistentes; conclui que o assassino é o homem dos sonhos, sobre o qual Nancy não sabe nada. A única certeza de que ela tem é: se dormir, poderá não acordar mais.
O filme começa de uma maneira bastante interessante: já vemos um tom escuro e uma perseguição num ambiente bastante inóspito, o que nos faz crer que o filme todo terá aquele mesmo aspecto lúgubre, o que se mostra uma concepção verdadeira, pois há regularidade quanto às características mais marcantes do filme. Em menos de quinze minutos, já vemos uma morte bastante interessante, com uma cena que nos remete a uma cena do supervalorizado Poltergeist, de dois anos antes. Se considerarmos que o filme foi feito numa época em que efeitos especiais computadorizados eram totalmente inconcebíveis, descobriremos que A Hora do Pesadelo nos permite ver boas cenas e uma maquiagem bem elaborada. É claro que há alguns defeitos, um deles fica bastante explícito na cena de morte que citei acima: percebemos claramente que não é uma pessoa que está na cama, mas sim uma boneca. Quando as lâminas rasgam a barriga de Tina, chega a ser risível o fato de percebemos a pele de plástico que aparece. Não posso culpar ninguém por isso, porque acredito que o orçamento não permitia algo mais elaborado e menos caricato. São pouquíssimas cenas toscas assim, somente a primeira e a subentendida última morte.
Heather Langenkamp, bastante jovem e aparentemente inexperiente, faz um excelente trabalho. Antes que receba críticas, quero explicar que a considero realmente eficiente dentro dos padrões do filme. De forma alguma quero dizer que ela é uma atriz top dos filmes de terror. O fato é que ela soube administrar bem os gritos, o tom de voz, os olhares apreensivos e, principalmente por causa dela, considero o filme bom. Amanda Wyss e Jsu Garcia, intérpretes de Tina e Rod, aparecem pouquíssimo, mas a julgar pelo que era aparesentado em filmes do gênero naquela época, a pseudo-interpretação de Wyss, quando está envolta por um saco plástico branco, é convincente e até consegue trazer certo assombro. Já Garcia tem uma ou duas falas e não existe uma grande cena voltada para ele; termina assim como começou: praticamente um figurante. A Hora do Pesadelo, no entanto, nos apresentou uma das figuras mais notáveis do cinema de hoje: Johnny Depp. Pode parecer meio difícil acreditar, mas Depp já estreou num filme sombrio - e durante toda a sua carreira, seria nesses filmes que se destacaria mais. Sua participação é deveras coadjuvante; um pouco mais do que Wyss e Garcia, mas, ainda assim, bem pequena, limitando-se a ouvir as “profecias” de Nancy. Não há muito o que dizer sobre sua interpretação, pois, como disse, é mínima. Uma das mortes mais famosas do cinema, no entanto, é a de seu personagem, Glen: sugado pela cama enquanto dormia, é triturado e cuspido de volta em forma de sangue apenas - muito sangue, no entanto. A cena é, na minha opinião, bem interessante; gostaria de saber como foi realizada.
Acho importante ressaltar que, embora Freddy Krueger seja um personagem central, ele aparece pouco em relação à Nancy, que, definitivamente, é a personagem principal. O caráter sério do filme nos faz aceitá-lo melhor e o fato de o humor negro se limitar a Krueger dá um charme a mais para a produção. Para exemplificar, posso citar a cena em que Nancy corre no corredor e tromba com uma aluna que veste o suéter de Freddy: a maneira como a aluna, que na verdade é Freddy, diz para Nancy não correr no corredor é categórica, além de engraçada. Humor na medida certa, é o que quero ressaltar. Os cenários também são bons, acentuando a seriedade do filme. Logo no início, no sonho de Tina, ou na cena em que Nancy faz sua “pesquisa” enquanto Glen deve vigiá-la e acordá-la no momento certo, as ruas do bairro estão tão desoladas - e ilumadas com uma luz azulada - que por si só já instauram certas expectativas em quem assiste ao filme.
Eu, particularmente, prefiro uma tradução literal do título original: Pesadelo na Rua Elm. O título nacional nos remete a inúmeros outros filmes lançados naquela mesma época que também abordavam monstros maus, crianças com medo, etc. Logicamente, não posso culpar ninguém do filme pelo título que ele recebeu por aqui e ele realmente não interfere na qualidade da produção, pois não revela nada, embora, por uma questão de estilo, eu ainda prefira o outro. A Hora do Pesadelo é definitivamente um filme interessante. Como disse, existem falhas: o roteiro não responde a algumas perguntas que ele mesmo propõe e ficamos em dúvida em relação a certas coisas. A mãe de Nancy, ao contar a história de Freddy, diz algo que sugere que muitos outros jovens estejam passando pelo mesmo que Nancy e seus amigos, mas, por não abordar isso, temos a impressão de que a explicação não explica muito. Com isso, quero dizer que o roteiro não é tão eficiente. A maquiagem, em sua maior parte, é boa, mas existem momentos realmente toscos. A ausência de explicação mais definitiva ao final do filme - que possui um pseudo-final e, por fim, o final de verdade - interfere na qualidade. Mesmo com esses defeitos, o filme consegue entreter e vale a pena ser conferido. Acredito que em companhia seja mais gostoso vê-lo…
Luís
__________________________________________________________
Nunca tinha assistido nenhum filme do famoso Freddy Krueger, mas claro que já tinha ouvido falar do famoso vilão que tem o poder de aterrorizar e até matar as pessoas em seus tranqüilos sonhos. Em A Hora do Pesadelo, as vitimas são quatro jovens amigos que descobrem que estão tendo os mesmos pesadelos. De maneira geral, recomendo esse filme porque tem um enredo original e, posso dizer, até divertido. Claro que a época de lançamento atrapalha alguns pontos do filme se visto hoje, pois a pobreza de alguns efeitos especiais tornam algumas cenas que foram (e eram pra ser) assustadoras em hilariantes e em alguns casos extremamente exageradas, pois provavelmente tinham o intuito de assusta, algo que já não cola mais hoje.
A maior surpresa do elenco é ver Johnny Depp em seu primeiro papel que não abria espaços para podermos ver o ator brilhante que ele seria no futuro. Glen, seu personagem é apenas um coadjuvante mediano como os outros dois. Ele também é namorado de Nancy a heroína de filme que tem como ultima missão tentar acabar com o inferno que está vivendo. Completam o quarteto Tina, que eu pensei que seria a personagem principal e Rod o seu namorado, o delinquente do filme. Daqui para baixo comentarei algumas cenas e na maioria delas há SPOILERS sobre os personagens e sobre o final do filme.
Voltando as cenas exageradas que citei acima, tenho que citar a morte mais estranha que já vi que é a de Glen. O absurdo da cena é incrível, pois vemos ali o sague de todos os soldados de uma guerra e não de uma pessoa só, e esse sai com uma pressão enorme, chegando a alcançar o teto todo. Não pude deixar de voltar o filme para ver de novo esse absurdo, e duvido que alguém, mesmo em 1984, tenha acreditado naquilo. De tanto excesso que há na cena, não podemos acabar de vê-la e não rirmos. Outra que chama a atenção é a morte de Tina, a primeira a morrer. O sangue que começa a sair é tão ralo que parece aquela água que limpávamos os pincéis na 3º série, sem falar na barriga dela, que claramente é um plástico; até as bonecas de hoje em dia são mais convincentes, mas perto da cena do Depp, essa parece ser muito bem feita. Por último, mas não menos absurda, temos umas das últimas cenas do filme, na qual a mãe de Nancy é puxada pela mão de Freddy e seu corpo todo passa por um pequeno espaço. Não é possível que alguém acreditou realmente que um corpo humano seria capaz de passar livre por um lugar daqueles. Obviamente aquilo é um boneco que passa pelo espaço todo duro. Pra tentar aliviar o clima trash do filme citarei uma cena que me deixou com muito nojo que é aquela em que Tina está parada com diversos seres rastejantes em seus pés, e um outro bicho sai de sua boca. Temos também a cena de morte do Rod que é a mais real ali.
Como disse acima, recomendo A Hora do Pesadelo, pois podemos ver um pouco do que assustava as pessoas na década de 80, e se não se assustar, renderá, no mínimo algumas cenas engraçadas.
Renan

criado por Luís/Renan
05:32:23 — Arquivado em: 

Comentário por Tiozim — quinta-feira, 8 de outubro de 2009 @ 11:51:32
Realmente o filme muito bom. Como o Renan disse, não levei susto mas dei umas risadas como no Chuck o Boneco Assassino. Realmente nenhum filme é perfeito, praticamente todos tem falhas né Luis? ^^
Um abraço ~
Comentário por Marcelo Augusto Paiva Santos — quinta-feira, 8 de outubro de 2009 @ 17:16:43
Rapaz, um ótimo filme. Não consgio critica-lo, apesar de saber a precariedade pelo qual foi gravado. O filme é simplesmente, clássico demais para abordar sobre efeitos! Eu adoro Freddy, adoro todos os filmes, acho que é um daqueles guilty-pleasures meus, que não deviamos valorizar, mas simplesmente amamos!
Abraços, e ótima resenha!
Comentário por Hugo — quinta-feira, 8 de outubro de 2009 @ 17:25:50
Sem dúvida o filme original é clássico e na época assustou e muito o público. O personagem virou piada depois de vários filmes exagerados. Indico que vocês assistam o original (já visto), a parte III chamada “Guerreiros dos Sonhos” e a parte Vi, “Um Novo Pesadelo”. Wes Craven dirigiu a I e a VI e produziu a III, e nesta sequência a história se encaixa perfeitamente, inclusive com Heather Langemkamp estrelando estes três longas.
Quanto a tradução, este horrível “A Hora do….” foi usado em diversos filmes de terror da época… teve “do Lobisomen”, “do Espanto”, “dos Mortos-Vivos”, entre outros.
Abraço
Comentário por Dewonny — quinta-feira, 8 de outubro de 2009 @ 18:27:18
Adoro essa série do Freddy q mata a galera nos pesadelos c/ sua camisa do flamengo..rs..vi todos os filmes na década de 90!
Gostei da escolha do ator no remake a ser lançado em breve!
Abs! Diego!
Comentário por Alexandre — quinta-feira, 8 de outubro de 2009 @ 23:21:50
Podreira da melhor qualidade !!!
Comentário por Manoel Leonam — sexta-feira, 9 de outubro de 2009 @ 00:57:11
Cara, muito bom o blog e as resenhas honestas, to seguindo no feed. Agora quanto ao Freddy, bem eu tenho 30 anos assisti a esse filme quando ele passou no SBT na década de 80 e fiquei muitíssimo impressionado. Acredito que minha paixão por filmes de terror foi despertada com esse filme, o Evil Dead (a morte do demônio) e Helloween.
Quanto ao personagem chave o Freddy, ele realmente se perdeu nas seqüências, porém tem uma seqüência em especial que foge a regra e aconselho a vocês que a vejam! Trata-se da sequência de 94 Novo Pesadelo:o retorno de Freddy dirigida e escrita por Wes Cravenś que nem no original! e não é só isso, nessa seqüência é deixado de lado todas as outras (é como se elas nunca tivessem existido) o elenco original do primeiro filme é reunido e eles interpretam eles mesmos (os atores, não os personagens) a história se passa durante a divulgação do primeiro filme e freddy ganha vida e começa a atormentar os atores. é bem interessante e ironico e na minha opinião, o mais assustador filme de Wes Caven.
Comentário por Jean — sexta-feira, 9 de outubro de 2009 @ 04:51:36
A primeira vez que assisti “A Hora do Pesadelo”, eu devia ter uns 7 anos. Me lembro do medo que eu tinha daquela musiquinha … “Um, dois! Freddy vem te pegar…”, além daquelas garras dele é claro! Este foi o ano em que eu revi muitos clássicos do cinema e foi ótimo depois de 13 anos, rever este filme que marcou minha infância.
Agora… Falando um pouco da crítica, concordo em tudo que foi dito! E quero ressaltar uma cena, que eu não pude deixar de rir. A cena em questão é a que Nancy atende ao telefone e a suposta língua de Krueger aparece… Foi hilário!! Sei que pra época deve ter sido algo mais “impactante”, mas não podemos ser hipócritas e assistindo HOJE dizer que não rimos em “certas” partes.
E aproveitando, quero dizer mais uma vez que aguardo com muita ansiedade o remake deste. Adorei a escolha de Jackie Earle Haley para interpretar Freddy, ele já mostrou ser um bom ator no filme “Pecados Íntimos”. E creio que agora ficará mais claro, o que a explicação da mãe de Nancy não explicou muito, a respeito de Krueger. Bom, é isso, recomendo este filme. Foi fantástico!
Comentário por Cristiano Contreiras — sexta-feira, 9 de outubro de 2009 @ 13:39:49
Não gosto deste filme, então passo!
Bom final de semana! abraço
Comentário por marretada — sexta-feira, 9 de outubro de 2009 @ 13:41:34
Eu tenho medo do Freddy Krueger. A cara dele é de arrepiar…
Eu já tive pesadelos com ele…
Mas nunca compraria um boneco dele..
Comentário por Leonardo Belens — domingo, 11 de outubro de 2009 @ 12:43:12
Freddy Krueger de fato, é se não um dos mais assustadores filmes de terror,justo por sua precariedade de efeitos, luzes e gravação. É primitivo, sabe. Mostra um “tom” sobrenatural mais real, se é que entendem..
Comentário por Luís/Renan — domingo, 11 de outubro de 2009 @ 17:25:34
TIOZIM, eu gosto bastante desse filme. Embora o Renan ache que alguns efeitos são hilariantes, eu apenas os acho fora de moda, o que é cabível. Rio do humor negro do Freddy, não do filme em si. Quando O Brinquedo Assassino, este também não é risível. Concordo absolutamente: todos os filmes têm falhas.
MARCELO, embora eu tenha apontado aspectos negativos, eu os atribuo à característica da época e condições do orçamento; se me perguntam se vale a pena, rapidamente digo que sim. Gosto também de alguns filmes da série, porém, em alguns momentos, tudo fica meio chatinho.
HUGO, uma das coisas que eu acho curiosa nesses filmes é a cronologia: ela facilmente desaparece e novos episódios são lançados sem que eles tenham algo a ver com o anterior e no episódio seguinte as coisas retomam o original. Isso deixa meio confuso. Me lembro de ter assistido a vários desses filmes e, quando criança, eu costumava ficar com medo daquelas garras e me lembro sempre de uma cena em que a personagem - que se eu não me engano é filha do Freddy - vê um rapaz sendo espetado na frente dela e sangrando até morrer. O título é realmente lamentável, mas seguiu a moda do momento…
DEWONNY, Freddy é Flamengo até morrer - ou até matar mais e mais gente, porque já está morto. Eu devo ter visto quase todos os filmes com a minha mãe quando criança, mas deifnitivamente preciso revê-los na ordem, para avaliar melhor. Eu não entendo por que tanto remake: já fizeram o do Jason, o do Mike, do Leatherface… vivemos um década de remakes!
ALEXANDRE, não entendi se isso é um elogio ou uma crítica. Mas, de qualquer maneira, eu gosto bastante do filme.
MANOEL, primeiro quero dizer obrigado. E eu também fiquei muito impressionado quando vi o filme no SBT; era criança e aquilo me deixava meio com medo. Eu gosto bastante desses outros filmes que você citou e preciso rever A Morte do Demônio. Outro leitor - o Hugo, que comentou um pouco acima de você - também me fez a mesma sugestão: assistir ao 4º filme da série! Eu e o Renan vamos dar continuidade a essas análises de franquias, logo vamos assistir a todos os filmes de todas as séries que formos comentar e eu vou poder rever o filme que você sugeriu. Acho curioso o fato de eles ignorar um filme e recomeçar a contar a história quando no filme seguinte vai ser novamente ignorada a história para retomar a algum anterior… Como gosto da cronologia, prefiro aquelas produções que a seguem, mas em pouquíssimos casos isso aconteceu.
JEAN, eu também devia ter a mesma idade quando vi o filme pela primeira vez. No entanto, o que me assustou não foi a música, mas sim aquelas criancinhas, com aquelas roupas brancas, cultuando o personagem. Não que isso tenha a ver, mas aquelas crianças me lembram de outro filme de terror, chamado A Cidade dos Amaldiçoados. Eu també não pude deixar de rir naquela cena da língua, afinal é muito patético, mas achei que se colocasse a descrição dessa cena, ia parecer que eu gostei de menos do filme, o que não é o caso. Temos que considerar realmente o que os efeitos tenham significado para a época, no entanto - concordo com você -, não podemos ser hipócritas e dizer que o filme é perfeito porque não conseguimos enxergá-lo com o olhar de 25 anos atrás. Para ser sincero, eu realmente não espero um remake, porque estou cansado da falta de ousadia dos produtores que, em vez de se ocuparem em criar novidades, estão atrás de relançar filmes que, ao ser atualizados, perdem a essência. Como tenho comentado: infelizmente, vivemos numa década de remakes!
CRISTIANO, bom final de semana para você também. Aproveite o feriado!
MARRETADA, acho que toda criança já deve ter tido algum pesadelo com ele.
LEONARDO BELENS, acho que a simplicidade com a qual o filme foi concebido auxilia para deixar tudo mais real mesmo.
Luís