Literatura e Cinema

“Sem correr no corredor, Nancy” - Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA

Raiders of the Lost Ark. EUA, 1981, 115 minutos.

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Já havia visto esse filme uma vez, há algum tempo. A princípio, não dei muita importância a ele e nem sequer o achei muito interessante. Para ser sincero, fiquei deveras aborrecido e acabei desistindo de vê-lo. Depois, vi fragmentos dele enquanto meu pai assistia ao filme, sempre fazendo bons elogios. Quando eu e o Renan decidimos organizar esse mês temático, me senti praticamente obrigado a incuí-lo na lista dos que comentaríamos aqui. O primeiro passo estava pronto: agregá-lo à lista; bastava concluir o segundo: assistir a ele.

Os nazistas estão em busca da Arca Perdida, que supostamente trará invencibilidade àqueles que a possuírem. Para evitar que isso ocorra, Indiana Jones é contratado para impedir que a Arca seja tomada pelas mãos do próprio Hitler. A sinopse é bem simples e é fácil resumi-la. O filme, no entanto, é bem elaborado e não é apenas mais uma obra no cinema. Indiana Jones se tornou um personagem icônico e provavelmente deu origem a muitos outros caçadores aventureiros; nas mãos de Spielberg, o que poderia ser um filminho, virou uma obra respeitável, que rendeu mais três continuações, sendo que a última delas foi lançada ano passado e é, portanto, bem recente.

Indiana Jones não é o professor fragilizado que conhece muito a teoria e pouco a prática. Primeiro nós o conhecemos como aventureiro, para depois conhecer a calmaria de sua sala de aula.  Isso já nos faz simpatizar mais com o personagem: percebemos que é um homem de grande conhecimento que gosta de repassá-lo sempre se embasando em experiências anteriores. Logo no início, já conhecemos aquela famosa cena na qual Jones escapa de uma bola gigante - de tão famosa, tornou-se inclusive atrativo de programas da televisão brasileira, como aquele apresentado pelo Silvio Santos (lembram?). Se já no começou vemos uma cena tão inspirada, esperamos que o resto do filme tenha o mesmo ritmo ágil. Spielberg não falha e, embora a produção toda tenha praticamente duas horas, ele nos traz bastante velocidade e ânimo, o que entretém o espectador. Indiana Jones é o cara que ninguém quer encontrar pelo caminho: persistente, ele não pára enquanto tiver capacidade de continuar. Isso implica em roubos de carro, tiros, explosões, lutas e cobras - muitas cobras. Ainda sobre o roteiro, é importante ressaltar que há um certo exagero em relação a Jones, afinal, o homem é quase indestrutível, apesar de passar por grandes apuros. Mas isso é bastante comum nos filmes em que o personagem central está sendo perseguido por alguém ou está à procura de algo. A presença feminina de Marion traz um charme a mais para o filme, cujo elenco é predominantemente masculino. Uma característica positiva é mostrar que os personagens têm medo de certas coisas, embora pareçam incapazes de morrer. Fiquei feliz por não mostrarem o Führer, afinal, poderia ser demasiadamente caricato. Eu, particularmente, já achei meio forçado a ideia de que os nazistas estivessem à procura de uma arca; preocupados em dominar o mundo, duvido que acreditassem em algo que mais provavelmente fosse mito do que verdade.

Harrison Ford está bastante confortável no papel. Não há exageros, não há morbidez e realmente o temos como o perfil do aventureira, porque ele de fato transparece isso. Dirigido de maneira bem eficiente, Ford até hoje é lembrado como Indiana Jones, um personagem que acredito se tornar eterno na história do cinema. Karen Allen, intéprete de Marion, embora em participação menor que a de Ford, não some diante do parceiro. Sua atuação é notável e, assim como o ator principal, não exagera em nenhum momento. Mas o principal destaque do filme é a direção de Spielberg, que conseguiu juntar um pouco de ação, romance, humor, história, teologia, misticismo e, como se não bastasse, conduz seus atores com as mãos firmes de quem sabe fazer cinema. Os enquadramentos utilizados pelo diretor são bem interessantes, como quando Jones persegue a cavalo os nazistas que estão levando a arca num caminhão ou na cena em que o arqueólogo finalmente descobre o local onde está escondida a arca. A boa nota que dei ao filme se deve em grande parte pelo punho firme do diretor, que não deixa a desejar

Demorou um pouco para que eu soubesse que o filme é bom; acredito que devo recomendá-lo, pois é bem interessante. Harrison Ford está muito bem e Spielberg conduz o filme de maneira muito satisfatória. Praticamente um personagem histórico, Indiana Jones marcou uma época e ainda hoje é um nome muito conhecido. Dentre as séries, essa não é uma das minhas favoritas, mas certamente é tida com carinho por muitos fãs…

Luís

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Me surpreendi muito vendo  o primeiro filme do famoso Indiana Jones, porque nunca dei muita bola pra série, alegando que era ultrapassada e não tinha nada de bom para mostrar. Quando terminei de ver o filme não conseguia parar de assoviar a música tema do filme, que está entre as mais famosas músicas de filmes da história. Os Caçadores da Arca Perdida se mostrou um filme divertido e emocionante e certamente recomendável.

Indy é um arqueólogo apaixonado por sua profissão que encara todos os perigos dela, e como prova disso, já no começo temos algumas seqüências de cenas de tirar o fôlego, na qual inclui uma das cenas mais famosas do cinema que é quando Indiana tem que correr para escapar de uma enorme bola de pedra que vem ao seu encontro. Nessa parte podemos ver que Os Caçadores da Arca Perdida não é um filme que pretende abusar dos efeitos especiais (graças a Deus) e por isso se torna as cenas as mais reais possíveis. Esse realismo dura grande parte do filme e só no final é quebrada (infelizmente) mas falo disso depois.

Quanto às atuações, Harrison Ford está ótimo como Indiana com seu jeito viril e forte que provavelmente conquistou várias mulheres. Seu personagem é interessante por ter defeitos e qualidades, e sendo assim, não é aquele homem perfeito. Indy, acima de tudo, ama a história e por isso é incapaz de destruí-la, mesmo quando a sua vida e a de pessoas que ele ama estão em perigo. Fora isso Ford consegue passar ao telespectador toda a emoção das cenas em que há ação e com isso, conquistando todo o público. Karen Allen também faz muito bem seu papel, mesmo sendo coadjuvante. Sua personagem Marion nos mostra uma mulher muito bonita, mas acima de tudo, forte e mesmo com tantos motivos para odiar Indy, ainda assim o ama. Sua personagem também é muito carismática e algumas das cenas mais legais é ela a estrela, aqui estou citando as partes que ela faz um “desafio” com o homem do outro lado da mesa para ver quem agüenta mais álcool. O resto do elenco é bem coadjuvante mesmo, e não há grandes coisas a citar, mas acho que todos fizeram bem seus papeis, pois nenhum chama tanto a atenção. Outro ponto que eu gostaria de citar é que mesmo tendo a luta contra os nazistas Os Caçadores da Arca Perdida não tem nada em comum com filmes que estamos acostumados a ver sobre a Segunda Guerra Mundial, eles só estão ali para perderem do mocinho, Indy.

Citei acima que só no final o filme usa efeitos especiais como recurso, e particularmente achei um grande erro, não só porque, naturalmente, os efeitos não eram tão bons na época, mas por tirarem o tom real do filme e misturar com algo divino. Esqueci de citar que a arca perdida que dá nome ao filme é relacionada aos 10 mandamentos cristãos que foram recebidos por Moisés por ordem de Deus. Ou seja, o final do longa deixa um pouco a desejar, mas não chega nem perto de atrapalhar todo o ótimo filme que vemos ao longo de  seus 115 minutos

Renan

criado por Luís/Renan    00:08:20 — Arquivado em: Filmes

14 Comentários »

  1. Comentário por rogeriosilva — segunda-feira, 12 de outubro de 2009 @ 00:24:28

    indiana jones assiti todos…akela musica então…do filme…esse filme e 10..

    e sobre os comentarios no meu blog…tem que expressar sua opinião…e isso quer dizer que vc leu o texto…as criticas ajudam sempre a melhorar …e logo atualizo…até…

  2. Comentário por Brean — segunda-feira, 12 de outubro de 2009 @ 01:20:28

    E ai pessoal, esse filme eu tb me surpreendi umpouco, como o Renan disse, eu tbm nao botava muita fé nele não, nao foi um dos meus preferidos, mais é agradavel assistir qnd nao se tem nada pra fazer.
    Levando em conta o ano em que foi feito, e sabendo relevar isso, ele se torna mais legal.

    Abraços

  3. Comentário por Alexandre — segunda-feira, 12 de outubro de 2009 @ 03:32:39

    Saudade de quando a sessão da tarde era boa e passava Indiana Jones.

    A trilogia toda é boa , Caaçadores é brilhante. Redefiniu para toda uma geração, o que pode se esperar de um grande filme de aventura. Quem (na faixa dos 25, 30 anos) nunca sonhou em ser Indiana … pois é acho que todos .

  4. Comentário por Alexandre — segunda-feira, 12 de outubro de 2009 @ 03:58:42

    Esqueci de comentar uma coisa. Sobre os efeitos especiais é preciso relevar que para a época eles eram o melhor possível. Tanto que venceu o Oscar na categoria de efeitos visuais no ano. Acho complicado e, no meu modo de ver, errado se julgar os efeitos especiais do filme ruins em comparação principalmente com os filmes mais recentes. Chega a ser covardia. Acho engraçado também como muita gente simplesmente classifica filmes mais antigos (em geral gente mais nova) como ruins exatamente por esse motivo.

  5. Comentário por Caio Coletti — segunda-feira, 12 de outubro de 2009 @ 11:37:18

    Indiana é clássico! Poucas vezes vi um filme de aventura tão enérgico, divertido, movimentado e bem dirigido quanto esse. Indicutivelmente, a mão de Spielberg na câmera fez toda a diferença, não há ninguém tão dominador de movimentos e ângulos quanto ele em atividade hoje. Não importa se sua emoção é piegas ou se seus roteiros nem sempre são os melhores, o fato é que o cara tem talento incomparável para a direção.

    Harrison Ford nunca foi um grande ator, mas admito que nesse filme, ao lado de Blade Runner, ele acertou em cheio o tom do personagem. Tanto que ficou para sempre marcado como ele. Karen Allen é puro e delicioso carisma.

    Abraço.

  6. Comentário por Cristiano Contreiras — segunda-feira, 12 de outubro de 2009 @ 12:19:26

    Tanto este quanto a trilogia em si, um clássico - recomendo, sempre que posso assisto, teve um importante valor.

    Talvez, o único papel que Harrison Ford soube desempenhar e tenho dito.

  7. Comentário por Avassaladoras Rio — segunda-feira, 12 de outubro de 2009 @ 17:41:51

    Querido amigo avassalador…Este foi o primeiro. O sucesso imagino se deve a simplicidade da professor Jones!Ele demonstra dor e medo… é um anti-heroi…O melhor mesmo é a cena da briga no mercado que aparece o guerreiro com uma espada enorme e Jones simplesmente faz uma cara “não enche” e dá um tiro no guerreiro!
    Mto bom mesmo!

  8. Comentário por Brenno Bezerra — segunda-feira, 12 de outubro de 2009 @ 22:09:02

    Eu adoro esse filme, é o meu preferido na franquia.

  9. Comentário por Hugo — segunda-feira, 12 de outubro de 2009 @ 22:11:34

    Os quatro filmes da série merecem ser vistos mais de uma vez.
    A maioria dos fãs prefere “Caçadores…”, mas como gosto pessoal prefiro “O Templo da Perdição”. A mistura de diversas sequências de ação, com cenas engraçadas e a violência, transformam o longa num clássico absoluto.

    Já escrevi sobre este dois filmes no meu blog.

    Abraço

  10. Comentário por Alexandre — quarta-feira, 14 de outubro de 2009 @ 01:47:34

    Desculpa insistir no assunto mais é que me incomodou rs essa coisa de “estou acostumado aos efeitos pós-matrix”. Eu também adoro os efeitos perfeitos do Matrix e afins, só me incomodo em “efeitos especiais” ainda mais de um filme de mais de vinte anos serem um quesito pra se julgar um filme. King Kong de 1933, que tem efeitos ridiculos, é bem mais interessante do que as mais de duas horas e meia do seu remake. Não acho que a qualidade de efeitos deva ser um fator determinante numa avaliação de um filme mais antigo.

  11. Comentário por Rubens Correia — quinta-feira, 15 de outubro de 2009 @ 10:33:17

    Adoro filmes no estilo de Indiana, tanto é que não se fazem mais filmes bons como esses e temos que ficar sempre vendo os antigos, um muito bom também que adoro nesse mesmo estilo é o Quatermain As Minas de Salomão, ótimos filmes para se divertir numa tarde de folga.

    Adoro seus comentários sobre os filmes, é muito bom saber que você entende bem desse assunto.

  12. Comentário por kGeo — sexta-feira, 16 de outubro de 2009 @ 09:15:51

    eu gosto muito dos 4 filmes

  13. Comentário por Dewonny — sexta-feira, 16 de outubro de 2009 @ 16:56:30

    Acho fantástica essa até então trilogia do Indiana Jones, são meus filmes preferidos do Spielberg, todos excelentes, devo ter visto + 10 vezes cada um na década de 90, sempre via quando passava na tv!
    O mais recente eu achei divertido, gostei, Spielberg fez um bom trabalho, mas é bem inferior aos 3 primeiros, insuperáveis!
    Abs! Diego!

  14. Comentário por Luís/Renan — sexta-feira, 16 de outubro de 2009 @ 20:38:28

    ROGÉRIO, ainda não assisti a todos os filmes da série, mas nós, o Renan e eu, faremos isso em breve. Sobre os meus comentários no seu blog, saiba que voltarei para continuar lendo!

    BREAN, devo concordar absolutamente com você.

    ALEXANDRE, acho importante considerar a época em que foi feito o filme. Não posso, no entanto, enxergar através dessa perspectiva, pois já me habituei aos efeitos especiais pós-Matrix. Sobre o filme, é realmente interessante. Eu - que não tenho entre 25 e 30 anos - nunca quis ser Indiana Jones e nem me lembro desse filme sendo exibido na Sessão da Tarde.

    CAIO, Indiana Jones, na minha opinião, é um filme bem interessante e a mão de Spielberg realmente fez total diferença. Outro diretor teria feito com que o filme ficasse aquém do esperado. Harrison Ford realmente é muito bom na pele do personagem: talvez tenha sido esse seu melhor momento no cinema.

    CRISTIANO, preciso terminar de assistir à trilogia - que já não é mais uma trilogia! Sobre Harrison Ford, concordo com você.

    AVASSALADORAS, essa cena é realmente muito boa! Gosto da praticidade dele: pra que perder tempo?

    BRENNO, preciso ver o resto da franquia.

    HUGO, nós ainda não assistimos aos outros filmes da série, embora eu os tenha aqui em casa. Tão logo que os conferirmos, escreveremos a respeito.

    ALEXANDRE, pode insistir no assunto. Debates são interessantes! Eu realmente não me incomodo com efeitos especiais estranhos, desde que eles sejam concebidos já com essa intenção. Acho que, se quiser fazer comparações, por que não compará-lo com O Exorcista, que foi lançado 11 anos antes e que conta com recursos muitos menos exagerados. Alexandre, só para constar: eu não diminuí a nota da minha avaliação somente por causa dos efeitos especiais. :) (eu deveria deixar que o Renan respondesse aos seus comentários, afinal é dele a opinião de que os efeitos são ruins e incabíveis)

    RUBENS CORREIA, saiba que anotamos a sua sugestão e que vamos conferi-la. Isso significa que logo ela será comentada aqui. Não entendemos tanto assim sobre cinema, mas - embora não saibamos a quem o elogio se dirige - agradecemos mesmo assim. Volte sempre!

    KGEO, só assisti ao primeiro, por enquanto.

    DEWONNY, eu tinha um certo preconceito por esse filme. Achava-o (sem conhecê-lo) dispensável; agora que conheço o primeiro, quero assistir aos outros, o que farei em breve! ;)

    Luís

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