quinta-feira, 22 de outubro de 2009
O PECADO MORA AO LADO
The Seven Year Itch. EUA, 1955, 103 minutos. Comédia.
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O cinema é marcado por imagens e cenas icônicas: à s vezes, uma simples cena - que inclui uma bela imagem, um diálogo marcante - se torna lembrada por vários anos. Algumas vezes, chega a alcançar a categoria inesquecÃvel. Eu realmente não podia deixar de começar a minha resenha sem escrever isso, afinal é neste filme em que está a famosa cena na qual o vestido de Marilyn Monroe levanta. Alguns filmes, embora sejam bastante velhos - com A Malvada, o qual já comentamos aqui - são atemporais; eu acredito não ser possÃvel dizer o mesmo sobre O Pecado Mora ao Lado, uma vez que vemos demonstrações claras dos 54 anos que o filme tem.
Richard Sherman ficará em casa sozinho durante o verão, já que a esposa e o filho estarão fora. Há sete anos casado, Richard começa a se interessar pela vizinha do andar de cima, que ocupará a casa dos seus vizinhos enquanto eles estiverem fora. Enquanto emplaca um jogo de sedução com a vizinha, Richard se culpa pela potencial traição à esposa.
O filme é bastante simples: todos os acontecimentos estão praticamente descritos na sinopse acima. Todo o desenrolar da história se dá basicamente num único cenário, com exceção de dois ou três momentos quando os personagens estão fora de casa e durante as divagações de Richard, que começa a imaginar coisas. O Pecado Mora ao Lado dedica grande atenção a Richard, que conversa consigo mesmo em grande parte da pelÃcula; tal como se estivesse um outro personagem em cena, há várias falas ressaltando a preocupação que o personagem tem com o respeito à sua esposa. Acredito que esse recurso tenha sido usado um pouco demais, o que deixa o filme com um tom repetitivo e um pouco superficial. As dispersões de Richard são bastantes e a reação do personagem a elas apenas traz maior sensação de inverossimilhança. Logo nos primeiros vinte minutos, somos apresentados à personagem de Marilyn Monroe, cujo nomes desconhecemos e, por causa disso, vou chamá-la de “a garota do andar de cima”. A relação que surge entre ela e Richard é muito instantânea, deveras incomum e os dois nunca estão em perfeita sintonia: ela é muito ingênua e age o tempo todo com inocência; ele, por sua vez, é bastante direto. O que ele fala em tom de sedução, ela entende como brincadeira e mesmo quando entende que não é uma brincadeira, age como tal.
Quando disse que o filme demonstra sinais de sua idade, me referia mais especificamente à atuação de Marilyn Monroe e à posição em que o roteiro a coloca: a garota do andar de cima é extremamente boba e seus trejeitos infantis - como aquela voz! - obrigam a atriz a se limitar. A maneira como o relacionamento foi abordado fez com que fosse delimitado pelo tempo. Se assistirmos a esse filme hoje, teremos certeza de que foi concebido há muitos anos, principalmente por sabermos que o humor está inserido em monólogos e a pose que pin-up que Marilyn tem ao longo do filme é caracterÃstico da época. Tom Ewell não tem grande destaque na história, assim como não o tem Marilyn Monroe. Ambos estão apenas dentro de seus personagens, sem diminuÃ-los nem engrandecê-los e, portanto, atuação não é um fator ao qual não dei grande importância. Retomando aquilo que disse no primeiro parágrafo, eu realmente não acho que a cena presente no filme justifique tamanho alvoroço: bastante curta, nem sequer mostra Marilyn por completo, diferentemente das várias imagens que encontramos se usarmos algum site de busca.
Embora para a época tenha sido realmente engraçado, eu não consegui achar nada tão humorÃstico assim. Esbocei um ou outro sorriso, mas não cheguei a rir. O único motivo pelo qual eu realmente indicaria o filme é para conhecer um pouco o trabalho de Monroe, porque a obra deixa a desejar em vários aspectos. Você não sofrerá para assistir, mas duvido que veja nesse filme uma grande obra, digna de estar presente num top 10. O tÃtulo nacional escolhido é realmente idiota: pecado faz alusão à tentação que o personagem Richard sente pela vizinha; ao lado tenta dar idéia de proximidade, mas essa ideia se torna estúpida quando pensamos que a vizinha mora acima e não literalmente ao lado do apartamento dele. Não vou me prolongar mais, acredito que o que escrevi resuma bem o que achei do filme.
LuÃs
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Rick dizendo: “Nós sempre teremos Paris”. Don cantando “Singin`in the rain” agarrado em um poste. E (porque não ?) Rose dizendo: “Eu estou voando Jack”. São cenas como essas que ficam marcadas na mente de pessoas que as vezes nunca assistiram os filmes citados (Casablanca, Cantando na Chuva e Titanic). O Pecado Mora ao Lado também também possui uma cena dessa. Quem nunca viu a cena em que o clássico vestido branco de Marilyn Monroe se levanta? Pois é…mesmo me sentido meio ludibriado porque eu não vi a cena que esperava (eu pensei que a veria de corpo inteiro como nas fotos, mas isso não acontece), quando vi a cena percebi a beleza dela e a razão para ser uma cena clássica.
Em comparação com os outros filmes postados aqui, acho que esse foi o mais fraco. Talvez o que levante mesmo o filme seja a atuação de Marilyn Monroe ( mesmo sendo mediana perto de outras atrizes como Ingrid Bergman, Audrey Hapburn e Bette Davis) alavanca o filme com uma beleza e luxo indiscutiveis. Sua personagem é interessante, pois ao mesmo tempo que emana sensualidade com suas roupas chiques e seu cabelo loiro-quase-branco ela também passa uma inocência incrÃvel. E a melhor cena do filme também fica por conta (quase exclusivamente) dela, que é na qual ela diz que faz uma propaganda de creme dental e diz ficar 14 segundo naquela posição com a boca aberta. Do outro lado há o ator principal Tom Ewell que interpreta Richard. O problema é que se vista hoje, sua atuação é meio forçada. Imagino que para a época, seus delÃrios paranóicos deveriam ser bem engraçados mas os olhos como vemos esses delÃrios mudaram bastante. Dentre esses, tenho que citar um que achei bem engraçado que é quando (supostamente) Richar e a melhor amiga de Helen se beijam na praia. O modo como ele sai correndo é extremamente tosco, causando o riso em quem assiste.
Tirando os dois principais, não restam muitos coadjuvantes. Temos Evelyn Keyes como Helen a mulher de Richar que vai viajar deixando seu marido sozinho em casa, mas ela aparece tão pouco que nem temos tempo de simpatizar com ela. A única cena que ela aparece efetivamente é nos delÃrios de Richar nos quais, enquanto ele os conta, ela fica rindo (uma risada engraçada diga-se de passagem) da imaginação do marido.
De tudo isso, atualmente sobrou de O Pecado Mora ao Lado, um roteiro meio ultrapassado, uma atuação meia boca de Tom Ewell e uma Marylin Monroe linda que levanta praticamente sozinha o filme. Considero esse filme recomendável pois com certeza ele foi muito importante para sua época, além de contem uma atuação muito boa de Marylin.
Renan

criado por LuÃs/Renan
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Comentário por Marcelo Augusto — quinta-feira, 22 de outubro de 2009 @ 23:59:48
Como vocês mesmo disseram, as vezes as obras são deveras importantes por causa de suas importâncias na vida do cinema.
Concordo completamente com vocês, acredito que filmes assim gravam marcas no passado e são bons de serem vistos e estudados.
O Pecado Mora ao Lado é um filme, sinteticamente, essencial por causa de seu peso cinematografico e por causa da valorização da personagem de Monroe.
Acredito que o filme não atende mais os anseios que atendia na época, perdendo muito de seu estrelato, mas acredito que o filme é um filme muito útil e interessante de se ver!
Ótima crÃtica!
http://awardmovies.blogspot.com
Comentário por Dewonny — sexta-feira, 23 de outubro de 2009 @ 18:24:39
Monroe está divina nesse filme, lindÃssima como sempre, um dos melhores dela, gostei bastante. nota 8.5!
Abs! Diego!
Comentário por PEDRO — sexta-feira, 23 de outubro de 2009 @ 18:35:51
marilyn tá como um bambu nesse filme, por isso eu gostei bastante
achei bem bonito e achei engraçada a cena da pasta de dente
a unica coisa que me irritou foi a vozinha dela
a cena do vestido levantando é muito linda!
Comentário por LuÃs/Renan — sábado, 24 de outubro de 2009 @ 22:47:52
MARCELo: É isso aÃ, há filmes que marcam épocas e mesmo não tendo o mesmo efeito hoje são indispensáveis de serem vistos. Esse é o caso de O Pecado Mora ao Lado.
DEWONNY: Também achei Monroe belÃssima e por causa dela o filme se torna tão bom.
PEDRO: Por favor, tire uma dúvida minha e do LuÃs: O que você quis dizer com “Marilyn tá como um bambu nesse filme”?. A cena da pasta de dente é realmente boa.
Renan