Literatura e Cinema

“Sem correr no corredor, Nancy” - Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo.

sábado, 24 de outubro de 2009

CLEÓPATRA

Cleopatra. EUA, 1963, 248 minutos. Épico.

Indicado a 9 Academy Awards. Ganhou pelas categorias Melhor Figurino, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte.

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Curioso como certas características precedem alguns filmes: antes mesmo de conhecer a qualidade de uma obra, as pessoas já se assustam pela dureção dela. Uma produção tão longa como essa jamais é exibida nos cinemas e, nas locadoras, fica esquecida numa prateleira no canto. Considerando que é um dos filmes mais caros da história e que foi ele quem primeiro concedeu o gigantesco - para a época - cachê de 1 milhão de dólares a uma atriz, eu e o Renan decidimos incuí-lo em nossa lista de clássicos.

Não acredito que eu deva escrever uma sinopse, pois, como o próprio título diz, a história narrada é a da famosa rainha do Egito, Cleópatra. A minha primeira afirmação a respeito dessa obra é: tratá-lo com indiferença por ser “muito longo” é uma atitude extremamente desrespeitosa! Embora as quatro horas e oito minutos de filme possa parecer um problema, há outros quesitos que tornam o filme completamente assistível e, salvo alguns pequenos defeitos no roteiro, muito bom. Já que comecei a falar sobre o roteiro… Interessante como, embora dê título ao filme, a personagem Cleópatra é praticamente coadjuvante. O enfoque é voltado para os homens, tanto na primeira quanto na segunda parte do filme, repectivamente Júlio César e Marco Antônio. Devido à longa duração, o filme vem dividido em dois DVDs; propositalmente ou não, cada um deles determina um ato: primeiro a ascensão e o relacionamento com Júlio César, o que promove a aliança entre Egito e Roma e depois, na parte 2, o envolvimento com Marco Antônio e os vários conflitos que culminaram na queda da rainha. Não sei o quão verídica essa história é, mas gostei muito da maneira como abordaram o enredo, pois, mesmo que seja irreal, fizeram-no parecer plenamente histórico. Se optassem por mostrar pela perspectiva de Cleópatra, talvez se tornasse uma obra menos fatídica e mais impressionável, como é Maria Antonieta. A imparcialidade com sobre a qual embasaram Cleópatra é fundamental para que não passemos o filme a julgar os personagens, conferindo-lhes títulos de bons ou maus.

Se a narrativa é bem construída, há um problema no roteiro que impede que gostemos totalmente do filme. O primeiro ato é realmente bonito e encantador, com agilidade no desenrolar, nos mostrando de maneira eficiente como Cleópatra soube crescer dentro de uma prisão que lhe é conferida no começo. As duas horas passam rapidamente e nós sentimos que, se o filme parasse ali, estaríamos completamente satisfeitos, porque a idéia de começo, meio e fim fica extremamente perceptível. Com o início do segundo ato, percebemos que o que vimos irá se repetir - a repetição, no entanto, não é o problema. Nesse segundo momento, a agilidade se perdeu em parte e o espectador começa a se cansar em alguns momentos, já que temos a impressão de  o objetivo de nos contar a vida da rainha se tornou em apresentações de alguns monólogos bem cansativos além de incursões sobre guerras. Foi nesse segundo momento que me senti tentado a adiantar algumas partes que julguei sem importância.

Elizabeth Taylor está realmente muito bem. Em nenhum momento duvidei de sua interpretação, que achei realmente densa. Um quê de exagero em apenas duas cenas - quando se releva pela primeira vez, rolando sem parar pelo chão, e quando leva um tapa de Marco Antônio. Fora esses dois momentos, está realmente irrepreensível. Rex Harrison, como Júlio César, se destaca bem mais do que Richard Burton, Marco Antônio. Talvez não tenha gostado tanto do segundo pelo momento em que ele aparece: muito repetitivo em suas ações e por vezes incoerente, não consegui simpatizar com o personagem. A fotografia e a direção são realmente impressionantes; a primeira, sobretudo. O filme realmente fez jus ao quanto custou, afinal, em todas as cenas somos presenteados como ótimos elementos que compõem o cenário, muito brilho, muita cor, muito dourado.

Particularmente, acho esse filme totalmente recomendável. Se há pequenos defeitos, estes não estragam muito dessa produção, que é extremamente válida e merece ser conferida, pelo menos para que os espectadores conheçam um pouco da beleza daquela época - e também da beleza de Liz Taylor, belíssima!

Luís

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Talvez o que mais chame a atenção em Cleópatra é o tamanho do filme com suas 4 horas de duração. Digo isso, pois diferente dos outros clássicos que eu e o Luís escolhemos para comentar Cleópatra é o menos cercado de admiração. Não posso dizer que odiei o filme, ao contrário, em algumas partes o longa se torna interessante, e por isso não posso deixar de recomendá-lo, mas como entretenimento, o filme deixa um pouco a desejar.

Tenho que começar a minha análise citando o cenário do filme. Em nenhum dos outros filmes há tamanha perfeição e realismo nas locações em que Cleópatra foi rodado. Não sei muito sobre como o filme foi produzido e etc., mas me recuso a acreditar que eles usaram algum tipo de efeito. No decorrer do filme, vemos com precisão e detalhes Egito e Roma de (segundo pesquisas próprias) mais ou menos 50 a.C. Como disse, os dois principais cenários (Roma e Egito) são muito reais com estátuas enormes, com barcos gigantescos, com uma batalha entre os dois países e assim por diante e pessoalmente, dei atenção especial aos belíssimos palácios egípcios. Outro fator que chama a atenção é o figurino, muito, mas muito bonito com roupas clássicas que podem ser vistas (em menor qualidade) em bailes a fantasia e outras bem exageradas, mas que combinam com o momento, como a roupa dourada que Cleópatra veste. Há também a iluminação e a fotografia que aliadas ao figurino já citado passam a idéia de quente (no caso do Egito), com cores vivas, como o laranja.

Quanto as atuações tenho que dizer que gostei delas também. Claro que em Elizabeth Taylor falta o glamour de Bette Davis ou Audrey Hapburn, mas ela passa bem o lado sentimental de sua personagem, principalmente, pelo modo de olhar (que é ajudado pela maquiagem), passa também um gênio forte, mas ao mesmo tempo romântico. As melhores cenas que notei ficam por conta dela. A primeira é quando a empregada se desculpa pela bebida.
“-Me perdoe” - Diz a empregada
“-Eu perdôo, agora beba” - responde Cleópatra.
A outra cena é quando Cleópatra é avisada do casamento de estado entre a irmã de César e Antonio. Quanto ao lado masculino, não gostei nada de Rex Harrison (César). Achei o personagem bem sem graça para falar a verdade, o que não ocorreu com Richard Burton (Antonio). Particularmente, preferi bem mais a segunda parte da história que fica por conta de Cleópatra e Antonio. Os dois atores tem química e combinam muito mais que o outro casal: Cleópatra e César.

Como disse acima, o maior problema do filme é o entretenimento que fica perdido durante a exibição. Em pouco tempo me senti cansado. Comecei a mudar de posição, mas nada. Acho que se a história fosse mais compacta, tudo ficaria melhor, já que Cleópatra tem bons ingredientes, mas parecem ser mal misturados.

Renan

criado por Luís/Renan    01:15:23 — Arquivado em: Filmes

10 Comentários »

  1. Comentário por Roberto Simões — sábado, 24 de outubro de 2009 @ 06:29:41

    Ainda não vi o filme, apesar do meu género favorito ser o épico. Gosto bastante do período e episódios históricos que o filme retrata, mas admito que tinha mais vontade de ver o filme depois de ler ambas as vossas críticas. ;D

    Cumps.
    Roberto Simões
    CINEROAD - A Estrada do Cinema

  2. Comentário por Nat Valarini — sábado, 24 de outubro de 2009 @ 09:10:34

    Bom dia Luís e Renan!

    Faço parte da maioria dos que ‘torcem o nariz’ para este filme. No entanto, depois desta análise, até fiquei curiosa para assisti-lo. Quero parar de dizer que não gosto de “X” sem antes experimentar.
    Afinal, vocês não são leigos e seus argumentos me parecem muito sólidos e realistas!

    Falando em Cleópatra (desculpem-me falar disso), queria saber se vocês viram a versão brasileira da história, interpretada por Alessandra Negrini. Ouvi falar mal desta película, mas como também não o assisti, pode ser outra obra injustiçada…

    Kiso

  3. Comentário por Roberto Simões — sábado, 24 de outubro de 2009 @ 15:43:04

    Quis dizer que tinha as minhas expectativas elevadas, mas vocês travaram um pouco minha adrenalina, alertando para defeitos.

    Cumps.
    Roberto Simões
    CINEROAD - A Estrada do Cinema

  4. Comentário por Steh — sábado, 24 de outubro de 2009 @ 17:21:23

    Meu deus que filme longo…
    Na verdade, nunca ouvi falar do filme, e se vi na locadora foi de passagem..
    Porém fiquei curiosa, vou procurar na locadora, adoro filmes épicos, ainda mais com essas críticas.
    Mas eu sou fã em dormir no meio de filmes, imagine num filme desse tamanho! haha

    Adorei o blog, continue assim!

    beijones

  5. Comentário por Viniciuscortez — domingo, 25 de outubro de 2009 @ 10:30:12

    Já tinha ouvido falarem mal desse filme, especialmente pelo que apontaram aqui, o ritmo lento e maçante. Mas vou dar uma chance pra ter certeza!

  6. Comentário por Rapha — domingo, 25 de outubro de 2009 @ 10:52:44

    filme longo deve ser muito bom ainda tenho serias duvidas a respeito da historia de cleopatra

  7. Comentário por Niestévisky — domingo, 25 de outubro de 2009 @ 11:25:06

    Cara, o filme é realmente bom, seria ótimo, se fosse um pouco mais curto.

  8. Comentário por Viniciuscortez — domingo, 25 de outubro de 2009 @ 11:52:28

    Oi Luis!

    Vim deixar uma explicação para a sua dúvida sobre o meu conto. É meio filosófica, mas, espero, não muito desinteressante (:

    O que eu quis foi propôr uma reflexão sobre a origem do mal no sentido religioso da palavra. S. Agostinho, nas suas Confissões, diz que o mal não existe enquanto substância; parece-se com a escuridão, só está onde a luz não ilumina, ou seja, o mal persiste na ausência do Bem divino. Por isso, no conto, Deus cria Satanás para afastar de si a aparente “indolência” a que o Anjo se refere (”Lá não Te encontrei”, “não levantaste por sua dor um dedo”). O que é curioso, porque, como o Anjo também diz, Deus de tudo já sabia, antes, das injustiças Ele também já sabia, antes:

    Daí:

    “[E]sconde-me no lugar preciso onde deixaste as crias futuras e o que não hás de revelar.”

    Esclareci um pouco?

  9. Comentário por Cristiano Contreiras — terça-feira, 27 de outubro de 2009 @ 18:46:51

    Concordo, a duração é muito excessiva, deveria ter, pelo menos, meia hora a menos, seria melhor e fluiria bastante.

    As atuações eu considero ótimas, exemplares, inesqueciveis.

    O filme tem uma fotografia forte, precisa e não envelhece, os cenários são estonteantes, marcantes.

    Comprei ele na edição de luxo, dupla, do Cinema Reserve - tem uma capa linda, já viu?

    Muito boa a resenha, de ambos, super detalhada. Os defeitos, eu concordo também!

  10. Comentário por Luís/Renan — quarta-feira, 28 de outubro de 2009 @ 22:07:51

    ROBERTO, eu recomendo o filme, pois o achei interessante. Não é uma obra-prima, mas merece ser visto. Não entendi o que você quis dizer… tinha mais vontade de vê-lo antes de nossas críticas?

    NAT, nunca é bom torcer o nariz sem antes conhecer a obra. Mas eu também tenho esse costume e já descobri conteúdos interessantes. Sobre a versão brasileira, eu sei qual é, mas não assisti. Muito provavelmente venhamos a comentá-la aqui.

    ROBERTO, afirmo: não deixe de conferir. Citamos os defeitos porque é necessário mostrar tanto os pontos positivos quanto os negativos, certo?

    STEH, como assim “nunca ouviu falar do filme”? Famosíssimo! E é uma blasfêmia dormir no meio do filme, não faça isso. Se tem esse costume, acredito que dormirá nos minutos iniciais desse… o que é uma pena!

    VINICIUS, é comum as pessoas reclamarem porque os filmes são longos. O ritmo é lento e inconveniennte em alguns momentos, mas mesmo assim não desmerece o filme. Acho que você deve dar uma chance a ele, sim!

    RAPHA, o filme é longo. Mas vale a pena vê-lo. Uma curiosidade: Elizabeth Taylor, a personagem-título, é praticamente coadjuvante.

    NIESTÉVISKY, não acho que o problema seja o tamanho, mas sim um pequena desaceleração na história.

    VINICIUS, muito obrigado pela explicação. Percebo que você realmente gosta da filosofia. Acho isso muito positivo e saiba que eu vou conferir o seu blog com frequência.

    CRISTIANO, muito obrigados pelos elogios às resenhas. Concordo com você: meia hora a menos obrigaria o roteiro a acelerar a história, o que seria positivo. A única capa que conheço é a que está nesse post.

    Luís

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