sexta-feira, 25 de setembro de 2009
O LUTADOR
Clique para ver o trailer (com legendas).
The Wrestler, 2008, 115 minutos. Drama.
Indicado a dois Academy Awards nas categorias Melhor Ator (Mickey Rourke) e Melhor Atriz Coadjuvante (Marisa Tomei).
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O Lutador fala sobre Randy “O Carneiro”, um lutador profissional cuja vida dá uma guinada após uma parada cardíaca, impossibilitando-o de voltar à carreira. Tendo em vista a luta com Ayatolá, outro lutador que o venceu vinte anos atrás, Randy tem que retomar sua vida pacata, à procura de horas extras num açougue a fim de poder pagar o aluguel; paralelamente, tem um sutil envolvimento com uma dançarina que tenta ajudá-lo no seu problemático relacionamento com a filha.
Mickey Rourke, na minha opinião, não é um ator ruim. Mas os filmes dos quais ele participa nem sempre são sinônimos de boa qualidade. O último a que assisti, Domino, me deixou meio frustrado. Porém é em O Lutador que ele supera qualquer vestígio de boa atuação; aqui ele se mostra realmente competente na arte de atuar e transformar o seu personagem brutamontes num ser humano completamente frágil que, embora coberto por uma camada de brutalidade, tem essência gentil e amorosa. Ver Rourke atuando é extremamente válido, pois acredito ser a primeira vez em que sua capacidade artística é realmente revelada. E a Academia também concorda, pois essa foi a primeira indicação que ele recebeu, após muitos anos na carreira cinematográfica. Evan Rachel Wood, que vi num único filme, Aos Treze, participa pouquíssimo no filme, porém suas cenas como a filha de Randy são extremamente densas, caracterizando não somente o ápice da potencial restituição familiar, mas também o auge da raiva incontida. Marisa Tomei é uma atriz com uma longa carreira e por esse filme recebeu sua terceira indicação como Melhor Atriz Coadjuvante; porém, algo não saiu de minha cabeça: ela fez de sua mínima participação algo absurdamente excepcional - e eu não consegui ver isso - ou a Academia não conseguiu encontrar atuações que realmente merecessem estar na lista e acabou acrescentando Tomei somente para completá-la? O fato é que Cassidy, sua personagem, aparece pouquíssimo mesmo; talvez um pouco mais do que Viola Davis em Dúvida, que também recebeu uma indicação. Há pouquíssimas cenas envolvendo a personagem, embora eu nutra profundo respeito por Tomei, que, embora caia de cabeça de produções porcarias, como O Guru do Sexo, sabe atuar realmente bem e tem um carisma que poucas atrizes consegue ter; compreenderão isso quando virem os seus sorrisos no filme, sempre tão sinceros, radiantes e, ao mesmo tempo, tímidos. Acredito - porque é a única crença que se pode ter - que sua indicação se deve às duas cenas em que as falas da atriz não se resumam a gemidos; aproveitando a brecha, é necessário elogiar o físico da atriz (que é bem visível, afinal, ela é uma stripper) que, aos 44 anos, supera o de muitas atrizes mais novas, como, por exemplo, Kate Winslet em O Leitor. Sua participação em O Lutador é pequena e notável, porém eu não a indicaria a um Academy Award.
O roteiro do filme desde o começo deixa claro que o tópico a ser abordado é o “agora” e não o passado; dessa maneira, conhecemos a história de Randy sem que haja flashbacks, longas narrativas ou monólogos maçantes retomando a trajetória dele. Isso pode fazer com que alguns espectadores achem que o filme não dá o enfoque necessário à complicada situação entre Randy e sua filha; mas é extremamente importante ater-se àquilo que disse: o filme aborda o tempo presente. Embora vejamos pouco aprofundamento no relacionamento entre Cassidy e Randy, duas cenas nos mostram com perfeição qual sentimento nutrem um pelo outro e por que há a dificuldade em assumir isso de maneira mais explícita. O Lutador não é o típico filme que se vê lendo as entrelinhas, mas é fundamental esforçar para compreender os porquês de cada ação dos personagens, assim você não enxergará absurdos ou possibilidades onde não há. O final é um ápice: vemos que em meio a todas as adversidade, Randy está onde quer estar e está fazendo tudo por sua própria escolha e, embora seu caminho pareça incerto, é o que ele deseja seguir. Os ângulos, a iluminação - enfim, a cena em si - promovem a grandiosidade do personagem e fecha o filme de maneira extremamente satisfatória, sem expor, porém, como se concluem os relacionamentos a partir daquele momento. Sempre o presente, se lembram? Nem passado nem futuro.
Recomendo totalmente esse filme, porque é extremamente satisfatório. Não é um filme para chorar, nem para gargalhar; é um filme sobre temática humana, explorando acertos e erros, sem ser caricato. O final está sujeito à interpretações e eu, tendenciosamente pessimista, optei por acreditar num fim mais dramático - e confesso que até agora estou pensamento como seria a interpretação de Marisa Tomei na cena seguinte à cena final de O Lutador. Talvez pela cena que eu imagino sua indicação seria justificável…
Luís
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O Lutador é um filme brilhante, não consigo enxergar um erro grave ali. Aos que pensam que vão ver algo com muita luta no estilo Rock, engana-se. Claro que o a luta está ali, mas apenas como pano de fundo e como pretexto para o filme nos levar ao drama da vida de Randy. Randy é um lutador decadente, que fez muito sucesso nos anos 80, porém essa parte não nos é mostrada. Somos apresentados a uma versão mais velha, acabada, pobre, sem família, que mal consegue pagar o aluguem, e para o fazer, precisa ir ao ringue em lutas da “2º divisão”, e mesmo assim precisa trabalhar e fazer hora extra para completar sua renda. O que é mostrado também, é que a salvação da vida de Randy são as lutas, pois mesmo tanto tempo lutando não o fizeram perder o amor que sente pela sua profissão. Tudo isso muda quando ele descobre um problema com o coração o força a aposentadoria, lutando contra ela, ele tenta se reaproximar de sua filha, tenta conquistar uma dançarina, e rejeitado por tudo, ele decide enfrentar o ringue mais uma vez.
Não consigo ver outro ator para Randy do que Mickey Rourke…não conheço bem a história do ator, só sei que esse filme o trouxe de volta para o estrelato e o trouxe de forma única. Mickey, ao mesmo tempo que tem que passar por um lutador forte e destemido no ringue, mostra também um cara simpático, carismático, que faz piadas com sua situação, que brinca com os garotos da rua. Sua colega de cena também faz um ótimo trabalho. Marisa Tomei também está ótima ali, interpretando uma dançarina quarentona, embora não tenha ganhado o Oscar (merecidamente) ela faz um belíssimo trabalho.
Há cenas que parecem ser simples, mas que nos mostram muita coisa, principalmente o paradoxo entre o novo e o velho, como quando Randy convida o garotinho pra jogar Nintendo, um vídeo game ultrapassado segundo a criança, mas que Randy continua a jogar por poder jogar com si mesmo, nos mostrando o quanto ele está preso ao seu passado. Mostra-se também a decadência dos lutadores naquela feirinha, uns estão dormindo com próteses, outros com cadeiras de roda,e também a decadência de Cassidy, sendo rejeitada por vários homens por ser velha demais ou ter a “idade pra ser a mãe deles”. Outra cena muito boa é a que ela bebe metade da cerveja de uma vez só e diz ‘Uma cerveja’, acho que foi a parte que ela ficou mais sexy no filme todo.
Mais o melhor do filme é o final, que tem a chance de ser estragado, mas graças a Deus não é. Toda aquela preparação, antes feita na academia, clínica de bronzeamento, cabeleireiro, foi feita em casa, e quando Randy entra no ringue ao som de Gun’s Roses com Sweet Chlid O’ Mine tudo fica melhor. A última cena é inteligente e emocionante. Não tenho como não recomendar “O Lutador”. Assistam!
Renan

criado por Luís/Renan
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