Literatura e Cinema

“Sem correr no corredor, Nancy” - Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O LUTADOR

Clique para ver o trailer (com legendas).

The Wrestler, 2008, 115 minutos. Drama.

Indicado a dois Academy Awards nas categorias Melhor Ator (Mickey Rourke) e Melhor Atriz Coadjuvante (Marisa Tomei).

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O Lutador fala sobre Randy “O Carneiro”, um lutador profissional cuja vida dá uma guinada após uma parada cardíaca, impossibilitando-o de voltar à carreira. Tendo em vista a luta com Ayatolá, outro lutador que o venceu vinte anos atrás, Randy tem que retomar sua vida pacata, à procura de horas extras num açougue a fim de poder pagar o aluguel; paralelamente, tem um sutil envolvimento com uma dançarina que tenta ajudá-lo no seu problemático relacionamento com a filha.

Mickey Rourke, na minha opinião, não é um ator ruim. Mas os filmes dos quais ele participa nem sempre são sinônimos de boa qualidade. O último a que assisti, Domino, me deixou meio frustrado. Porém é em O Lutador que ele supera qualquer vestígio de boa atuação; aqui ele se mostra realmente competente na arte de atuar e transformar o seu personagem brutamontes num ser humano completamente frágil que, embora coberto por uma camada de brutalidade, tem essência gentil e amorosa. Ver Rourke atuando é extremamente válido, pois acredito ser a primeira vez em que sua capacidade artística é realmente revelada. E a Academia também concorda, pois essa foi a primeira indicação que ele recebeu, após muitos anos na carreira cinematográfica. Evan Rachel Wood, que vi num único filme, Aos Treze, participa pouquíssimo no filme, porém suas cenas como a filha de Randy são extremamente densas, caracterizando não somente o ápice da potencial restituição familiar, mas também o auge da raiva incontida. Marisa Tomei é uma atriz com uma longa carreira e por esse filme recebeu sua terceira indicação como Melhor Atriz Coadjuvante; porém, algo não saiu de minha cabeça: ela fez de sua mínima participação algo absurdamente excepcional - e eu não consegui ver isso - ou a Academia não conseguiu encontrar atuações que realmente merecessem estar na lista e acabou acrescentando Tomei somente para completá-la? O fato é que Cassidy, sua personagem, aparece pouquíssimo mesmo; talvez um pouco mais do que Viola Davis em Dúvida, que também recebeu uma indicação. Há pouquíssimas cenas envolvendo a personagem, embora eu nutra profundo respeito por Tomei, que, embora caia de cabeça de produções porcarias, como O Guru do Sexo, sabe atuar realmente bem e tem um carisma que poucas atrizes consegue ter; compreenderão isso quando virem os seus sorrisos no filme, sempre tão sinceros, radiantes e, ao mesmo tempo, tímidos. Acredito - porque é a única crença que se pode ter - que sua indicação se deve às duas cenas em que as falas da atriz não se resumam a gemidos; aproveitando a brecha, é necessário elogiar o físico da atriz (que é bem visível, afinal, ela é uma stripper) que, aos 44 anos, supera o de muitas atrizes mais novas, como, por exemplo, Kate Winslet em O Leitor. Sua participação em O Lutador é pequena e notável, porém eu não a indicaria a um Academy Award.

O roteiro do filme desde o começo deixa claro que o tópico a ser abordado é o “agora” e não o passado; dessa maneira, conhecemos a história de Randy sem que haja flashbacks, longas narrativas ou monólogos maçantes retomando a trajetória dele. Isso pode fazer com que alguns espectadores achem que o filme não dá o enfoque necessário à complicada situação entre Randy e sua filha; mas é extremamente importante ater-se àquilo que disse: o filme aborda o tempo presente. Embora vejamos pouco aprofundamento no relacionamento entre Cassidy e Randy, duas cenas nos mostram com perfeição qual sentimento nutrem um pelo outro e por que há a dificuldade em assumir isso de maneira mais explícita. O Lutador não é o típico filme que se vê lendo as entrelinhas, mas é fundamental esforçar para compreender os porquês de cada ação dos personagens, assim você não enxergará absurdos ou possibilidades onde não há. O final é um ápice: vemos que em meio a todas as adversidade, Randy está onde quer estar e está fazendo tudo por sua própria escolha e, embora seu caminho pareça incerto, é o que ele deseja seguir. Os ângulos, a iluminação - enfim, a cena em si - promovem a grandiosidade do personagem e fecha o filme de maneira extremamente satisfatória, sem expor, porém, como se concluem os relacionamentos a partir daquele momento. Sempre o presente, se lembram? Nem passado nem futuro.

Recomendo totalmente esse filme, porque é extremamente satisfatório. Não é um filme para chorar, nem para gargalhar; é um filme sobre temática humana, explorando acertos e erros, sem ser caricato. O final está sujeito à interpretações e eu, tendenciosamente pessimista, optei por acreditar num fim mais dramático - e confesso que até agora estou pensamento como seria a interpretação de Marisa Tomei na cena seguinte à cena final de O Lutador. Talvez pela cena que eu imagino sua indicação seria justificável…

Luís

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O Lutador é um filme brilhante, não consigo enxergar um erro grave ali. Aos que pensam que vão ver algo com muita luta no estilo Rock, engana-se. Claro que o a luta está ali, mas apenas como pano de fundo e como pretexto para o filme nos levar ao drama da vida de Randy. Randy é um lutador decadente, que fez muito sucesso nos anos 80, porém essa parte não nos é mostrada. Somos apresentados a uma versão mais velha, acabada, pobre, sem família, que mal consegue pagar o aluguem, e para o fazer, precisa ir ao ringue em lutas da “2º divisão”, e mesmo assim precisa trabalhar e fazer hora extra para completar sua renda. O que é mostrado também, é que a salvação da vida de Randy são as lutas, pois mesmo tanto tempo lutando não o fizeram perder o amor que sente pela sua profissão. Tudo isso muda quando ele descobre um problema com o coração o força a aposentadoria, lutando contra ela, ele tenta se reaproximar de sua filha, tenta conquistar uma dançarina, e rejeitado por tudo, ele decide enfrentar o ringue mais uma vez.

 

Não consigo ver outro ator para Randy do que Mickey Rourke…não conheço bem a história do ator, só sei que esse filme o trouxe de volta para o estrelato e o trouxe de forma única. Mickey, ao mesmo tempo que tem que passar por um lutador forte e destemido no ringue, mostra também um cara simpático, carismático, que faz piadas com sua situação, que brinca com os garotos da rua. Sua colega de cena também faz um ótimo trabalho. Marisa Tomei também está ótima ali, interpretando uma dançarina quarentona, embora não tenha ganhado o Oscar (merecidamente) ela faz um belíssimo trabalho.

 

Há cenas que parecem ser simples, mas que nos mostram muita coisa, principalmente o paradoxo entre o novo e o velho, como quando Randy convida o garotinho pra jogar Nintendo, um vídeo game ultrapassado segundo a criança, mas que Randy continua a jogar por poder jogar com si mesmo, nos mostrando o quanto ele está preso ao seu passado. Mostra-se também a decadência dos lutadores naquela feirinha, uns estão dormindo com próteses, outros com cadeiras de roda,e também a decadência de Cassidy, sendo rejeitada por vários homens por ser velha demais ou ter a “idade pra ser a mãe deles”. Outra cena muito boa é a que ela bebe metade da cerveja de uma vez só e diz ‘Uma cerveja’, acho que foi a parte que ela ficou mais sexy no filme todo.

 

Mais o melhor do filme é o final, que tem a chance de ser estragado, mas graças a Deus não é. Toda aquela preparação, antes feita na academia, clínica de bronzeamento, cabeleireiro, foi feita em casa, e quando Randy entra no ringue ao som de Gun’s Roses com Sweet Chlid O’ Mine  tudo fica melhor. A última cena é inteligente e emocionante. Não tenho como não recomendar “O Lutador”. Assistam!

Renan

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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

ANNE HATHAWAY

Clique aqui, para ver o trailer de Alice no País das Maravilhas, próximo filme de Anne Hathaway (com legenda).

Minha admiração por essa atriz começou efetivamente depois que vi O Diabo Veste Prada, que de longe é o filme mais conhecido dela. Por isso, e motivados por um comentário de uma leitora do blog, o Luis e eu decidimos postar aqui mais sobre a vida artística de Anne Jacqueline Hathaway. Mas, antes, segue um pequeno resumo de sua vida antes de se tornar uma grande atriz. Ela nasceu em Nova York, e parecia predestinada ao sucesso, já que sua mãe, Kate McCauley, é uma experiente atriz do teatro e pode ter sido dessa ligação com a arte que veio a idéia para o seu nome: Anne Hathaway é uma homenagem de seus pais à mulher de Willian Shakspeare, que tem o mesmo nome. Seu pai, Gerard é advogado, e tem mais dois irmãos Tom e Michel.

O primeiro filme que assisti dela – e coincidentemente o primeiro que ela fez -  foi “O Diário da Princesa”, quando ela parecia que seria por um bom tempo uma atriz da Disney. Acho que por ser uma obra adaptada do livro homônimo da escritora Meg Cabot, e sendo assim ter o roteiro semi-pronto o filme se tornou bem agradável, não que tenha conteúdo, mas mesmo assim é bom, já que além da estória ser interessante, Anne já se mostrava capaz de divertir seu público, revelando-se uma atriz notável. Ela continuou nos estúdios da Disney por mais um tempo com filmes no mesmo estilo como Uma Garota Encantada e a continuação de O Diário da Princesa, esse não tão bom assim, e vale mais a pena por ter a música Breakway da Kelly Clarkson como tema. Mas apenas em 2005, um ano depois de ter sido lançado O Diário da Princesa 2, ele teve um papel denso em O Segredo de Brokeback Mountain como esposa de um dos cowboys gays. Apesar de pequeno, o papel lhe abriu um grande leque de novas oportunidades além de mostrar para o mundo e para a crítica que ela é uma atriz séria e capaz.

Daí em diante foram sucessões de sucesso um após o outro. Em 2006 ela fez seu filme de maior sucesso O Diabo veste Prada, também adaptado do livro homônimo, filme que concorreu ao Oscar de Melhor Figurino e deu a ela a chance de trabalhar com a experiente Meryl Streep. Acho que esse filme é do gosto de todos, pois tem romance, comédia e até uma pequena parte que esboça um drama no final, e é um daqueles filmes que se pode recomendar sem medo de errar e pra termos noção do sucesso, há vários cartazes de outros filmes com “Do mesmo diretor de O Diabo veste Prada”, ou dos mesmos roteiristas. Novamente vemos Anne Hathaway brilhar para o mundo todo. No ano seguinte ela foi estrela de Agente 86, onde ela mais uma vez diverte seu público, mas sozinha ela não consegue salvar o filme, tornando-o um filme mediano, fato que não desprestigia sua carreira.

O auge de sua carreira foi alcançado em 2008 com O Casamento de Rachel, filme aclamado pela crítica onde interpreta Kym, uma garota que saiu recentemente de uma clínica de recuperação e tem que ir ao casamento de sua irmã. Nesse filme conseguimos ver o tamanho da capacidade de Hathaway, nos provando que ela com certeza ela é uma promessa para o futuro de Hollywood . Ainda nesse filme, ela foi indicada a melhor atriz em vários prêmios importantes como o Oscar, ao lado de Kate Winslet, Meryl Streep , Angelina Jolie e Melissa Leo, também foi indicada ao Globo Ouro, ao SAG Awards e ao Critic’s Choice Awards, esse último ela foi ganhadora, sendo que quem analisa o filme é a própria crítica, o que mostra  o quão boa ela foi. No Oscar 2009 também, pudemos ver mais um pouco de sua capacidade artística, já que Hugh Jackman puxou-a de sua cadeira e dançou com ela, obviamante tudo ensaido, mas essa foi mais uma boa surpresa em relação a essa atriz. Em 2009 também, foi lançado seu atual filme Noivas em Guerra, que comparado a todos os outros que assisti, é o mais fraco dela, mostrando talvez que ela tem dom mesmo para o drama e que dai podem sair mais indicações a premiações importantes e com certeza vitórias nessas indicações. O próximo filme dela é um dos filmes mais aguardados para 2010, Alice no país das Maravilhas é mais um filme da Disney, mas diferente dos outros, esse é um filme do mestre Tim Burton. Ela interpetará a Rainha Branca ao lado dos queridinhos do diretor Johnny Depp e Helena Bonham Carter, e quem sabe ela não vira mais um deles também.

Renan

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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

DÚVIDA

Clique para ver o trailer (com legendas).

Doubt, 104 minutos, 2008. Drama.

Indicado a 5 Academy Awards nas categorias Melhor Atriz (Meryl Streep), Melhor Atriz Coadjuvante (Viola Davis e Amy Adams), Melhor Ator Coadjuvante (Philip Seymour Hoffman) e Melhor Roteiro Adaptado.

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Em Dúvida (filme adaptado da peça de teatro homônima) temos o enredo no qual freira Aloysius começa a desconfiar do afeto particular que o padre Flynn tem com um garoto (problemático, quieto, que apanha do pai, e que é o primeiro aluno negro) da escola.

Não entendi a indicação de Viola Davis ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. A única cena em que ela aparece é bastante densa, tem muito conteúdo. Ali vemos que ela não importa se os boatos do padre pedófilo são verdades ou não (e isso nos choca um pouco), ela apenas se interessa pela felicidade do filho e quer que alguém cuide e se importe com ele. Temos também uma revelação sobre a “índole” do garoto. Quando a Irmã Aloysius diz que “Ele [o padre] está na sua escola e quer os meninos” a Sra. Miller reponde que “Talvez alguns meninos o queiram também”, mas não achei o suficiente para ser comparada a Amy Adams, que interpreta a Irmã James e também foi indicado ao Oscar na mesma categoria. Ela passa a quem assite o cúmulo da inocência e pureza e serve, na ‘disputa’ entre a Irmã Aloysius e o Padre Flynn, como um juiz. Os dois tentam defender o seu lado, e ela fica no meio absorvendo as informações, decidindo em qual dos dois ela acredita, e é uma pena que ela suma da estória, e só vola última cena para ver o quanto a Irmã Aluysius está em dúvida. Falando ainda das atuações, foi muito bom ver Meryl Streep ali. Embora não tendo ganhado o Oscar (justo, já que as atuações de Kate Winslet ou ainda Angelina Jolie são melhores) ela nos mostra uma feira rígida e até com uma pitada de humor negro, que defende sua certeza, mesmo que não tenha provas contra isso. Além disso, é bom vê-la como uma senhora de idade e com rugas. Nos ajuda a limpar da mente suas personagens em O Diabo veste Prada e Mamma Mia que são tão diferentes dessa. E pra finalizar vemos Philip Seymour Hoffman em uma atuação belíssima, principalmente em seus sermões, que completa o filme. No geral há cenas muito boas, como o paradoxo entre o almoço dos padres e das freiras, nos mostrando a imponência da Irmã Aloysius, ou a discussão entre a mesma e a Sra. Miller, ou a maioria das cenas em que Amy Adams aparece e por ai vai.

No final, não espere uma resposta, o filme nos põe para pensar. Particularmente acho que o padre é inocente, e há várias suspeitas disso, mas ao mesmo tempo ficamos pensando em porque ele reagiu tão mal quando a Irmã disse que tinha falado com uma freira e não com o pároco de sua antiga igreja?  Assita, vale a pena o dinheiro gasto.

Renan

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“A dúvida pode ser um elo tão forte e duradouro quanto a certeza” - Padre Flynn.

É com essa frase que eu quero começar a escrever a minha opinião acerca desse filme, pois é ela que embasa todas as ações mostradas, conduzindo tantos os personagens quanto os espectadores às terríveis considerações, que - não delatadas pela certeza - ficam em nossas, se insinuando cruelmente, nos pondo a par de uma cruel sensação: nem sempre sabemos realmente o que fazemos.

Não vou ser repetitivo e reescrever a sinopse, pois acredito que o Renan o tenha feito bem; vou direto ao ponto a que quero chegar. Dúvida é, na minha opinião, um dos melhores filmes a que assisti esse ano. Embora tenha visto outros bons filmes, como O Leitor e A Troca, eu realmente me identifiquei mais com esse, pois o tema abordado é algo a que todos estamos sujeitos e a maneira abrangente - e tão particularmente específica - como John Patrick Shanley, o diretor, soube introduzir as perspectivas tornou Dúvida uma obra esplendorosa. Importante ressaltar como os personagens são ao mesmo tempo fortes e fracos e sua semoções são grandes colossos e simultaneamente pequenos cristais; a cada momento as supostas verdades interferem na grandiosidade da certeza, tornando-a flexível, modificando assim a maneira de enxergar as coisas. Isso se torna perfeitamente visível na personagem Irmã James, que a princípio desconfia do padre e, ainda com desconfiança, começa a ver o que há além de suas próprias opiniões, que talvez nem sejam realmente próprias. Outras duas variáveis são brilhantemente mostradas: a afirmação que nada prova e a crença imutável; a primeira cabe ao Padre Flynn e a segunda à Irmã Aloysius. Ainda que ambos se choquem bruscamente ao longo do trama por razões diferentes, o único degrau no qual estão é o da certeza e logo lutam a troco de um vitória improvável de ser considerada como tal. As palavras dele não a convenceriam mesmo que ela desistisse nem ele daria credibilidade às sensações dela mesmo que ela estivesse certa. Assim, prolongam uma batalha aparentemente infindável cujas armas são palavras e sentimentos que se adaptam a vários contextos, impedindo-os - e a nós também - de descobrir quem tem a razão, portanto. Outro ponto excelente da trama é a maneira como as transformações na personalidade são exibidas e podemos ver isso na Irmã James, que se recusa a tornar-se aquilo que Irmã Aloysius é, mas passa a questionar se o método rígido e absurdamente restrito dela não é a melhor forma de portar-se diante das adversidades. É por isso que digo que não é somente uma personagem que sente a dúvida, mas é a dúvida a principal personagem da obra, existindo e se revelando não somente nas relações de Aloysius e Flynn, mas durante todos os momentos. O espectador pode ficar meio perdido em relação às cenas, já que elas permitem dupla interpretação: confirmam a certeza da diretora ou confirmam a versão do pároco. Particularmente, eu achei muito bem construídosa os ângulos de filmagens, pois possibilitam que o espectador veja a cena de várias maneiras. Os olhares trocados entre o Padre Flynn e Donald Miller transcrevem algo que definitivamente não se limita ao simples companheirismo; podemos perceber que há amor ali. Aíe stá a chave que abre as portas para as diversas dúvidas. Não conseguimos depreender exatamente se é amor carnal ou paternal e depois que descobrimos, segunda a mãe do menino diz, que “talvez alguns meninos queiram ao padre”, se torna ainda mais difícil decifrar esse enigma, pois não sabemos se os olhares admirados são desejo, por parte do garoto, e ternura paterna, por parte do padre, ou vice-versa, ou ainda se é atração recíproca. É esse o auge do filme: a maneira abrangente como isso tudo nos é mostrado.

Pois bem, cinco indicações ao Oscar e nenhum prêmio. Porém, admito que todas as indicações me pareceram justas, já que os atores realmente estavam ali a fim de ruir o espectador. Durante a apresentação da cerimônia do Oscar, alguns críticos tivesse o despropósito de comentar que Meryl Streep exagerou ao atuar nesse filme; nada me resta senão discordar imensamente, dizendo que sua presença no filme é extremamente fundamental para que tudo se desenrole com tamanha verossimilhança. A construção de sua personagem é fabulosa, permitindo-a ser amarga e ao mesmo tempo chamar a atenção para a sua sensatez equilibrada, a ponto de fazer alguns acreditarem em sua certeza inexorável. O seu contraponto é Philip Seymour Hoffman, que dá ao Padre Flynn um aspecto totalmente charmoso e terno, nos fazendo balançar entre a crença de que ele é assim porque deseja as criança ou se é assim porque irremediavelmente é um homem voltado para Deus e segue fielmente a determinação de amar ao próximo como a si mesmo. A grande revelação, porém, foi Amy Adams, que, na minha opinião, superou grandiosamente os já experientes Streep e Hoffman. Sua interpretação é toda feita com cuidado especial, não tornando sua personagem um resquício de cenário; pouco a pouco, ganha tamanha importância na trama que cabe a ela os melhores momentos e os mais densos diálogos, que são aqueles no escritório, quando dá sua opinião acerca dos métodos extremamente severos de Irmã Aloysius e quando conversa com o padre no jardim e há entre os dois uma cumplicidade que, embora aparentemente confiável, tem seu alicerce na desconfiança. A introspecção da personagem ganha extraordinária estupidez quando ela se pergunta se vale ou não a pena ser gentil com seus alunos e depois, chegando finalmente à certeza em relação à sua natureza doce, compreende que nada pode mudar. Diferentemente do que o Renan disse, não acho que foi ruim o fato de ela ter sido posta de lado com o passar da história, afinal, ela participou o suficiente para mostrar ao espectador tudo aquilo que ele precisa conhecer e em todas as cenas em que aparece está magnífica. Já a indicação de Viola Adams me surpreendeu, afinal há uma única passagem em que a personagem aparece. Isso, logicamente, não é motivo para não ser indicada, pois Judi Dench já ganhou um Oscar por uma participação de seis minutos. O grande problema está no exagero do ato, principalmente porque, ainda que de suma importância, sua participação é comparável à de Adams, por exemplo.

Quem for assistir ao filme, não espere respostas às perguntas, pois este é um filme aberto à interpretação, permitindo que várias facetas sejam expostas e embora muito fechadas, direcionando-os a uma única - e suposta - verdade, no final haverá muito mais do que uma possibilidade de escolha. Eu, particularmente, cheguei à várias inconclusões e, por fim, decidi que, considerando tudo o que eu vi, Padre Flynn realmente tinha aliciado o garoto e se arrependia disso, embora fosse como um vício e fazê-lo-ia novamente e tantas vezes quanto pudesse. Mas logicamente é só uma interpretação…

Luís

criado por Luís/Renan    01:46:23 — Arquivado em: Filmes

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

KATE WINSLET

Queria escrever sobre um ator ou uma atriz, mas não sabia com quem era melhor começar. Pensei em comentar sobre aqueles cujas carreiras contêm poucas obras, de fácil análise e que a maioria das pessoas assistem aos filmes dos quais participam. Mas o trabalho seria realmente satisfatório se eu fizesse um artigo sobre uma estrela de quem eu realmente gosto e que, como se não bastasse, é extremamente talentosa. Acredito que eu a escolhi merecidamente para estrear os perfis de atores/atrizes.

Ainda que esse artigo seja dedicado principalmente à crítica acerca da qualidade da atriz, segue-se um pouco sobre a vida de Kate Winslet. Nasceu no dia 05/10/1975 em Reading, Berkshire, Inglaterra, Kate Elizabeth Winslet, que parecia fadada à profissão que seguiria, já que o pai, o tio, o avô já haviam sido atores. Desde pequena dedicou-se à atuação, participando de peças de teatro, tendo interpretado a Virgem Maria ao cinco anos de idade. Aos 11 anos, entrou para uma escola de teatro, que foi paga pela avó e dois anos mais tarde participou de um comercial de cereal na TV. Engordou durante a adolescência, o que lhe rendeu um apelido desagradável: Blubber, que significa “geléia”. Depois, participou de produções para a TV britânica, onde conheceu o roteirista e diretor Stephen Trede, com quem se relacionou por cinco anos. Aos 17 anos, já independente e morando sozinha em Londres, venceu outras 175 garotas e conquistou o papel de Juliet Hulme, no filme Almas Gêmeas. Um ano e meio depois, Kate foi chamada para um pequeno papel em Razão e Sensibilidade, roteirizado pela também atriz Emma Thompson; falou tanto sobre outro papel, o de Marianne, que acabou convencendo a produtora a ceder-lhe o papel. A partir de então, conhecemos a magnífica atriz que ela se tornaria…

Dos cerca de 20 filmes de que Kate participou, eis a lista daqueles a que eu já assisti (em itálico estão as obras por quais ela recebeu uma indicação ao Academy Awards e o asterisco representa as obras pelas quais ganhou):

  1. Razão e Sensibilidade (2005)
  2. Hamlet (1996)
  3. Paixão Proibida (1996)
  4. Titanic (1997)
  5. Contos Proibidos do Marquês de Sade (2000)
  6. Íris (2000)
  7. A Vida de David Gale (2003)
  8. Em Busca da Terra do Nunca (2004)
  9. Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2004)
  10. O Amor Não Tira Férias (2006)
  11. Pecados Íntimos (2006)
  12. O Leitor (2008) *
  13. Foi Apenas Um Sonho (2008)

Vendo os seus filmes, o espectador tem certeza de uma coisa: Kate Winslet é uma das melhores atrizes de sua geração! Ela não somente compõe um personagem com gigante habilidade, mas também nos consegue colocar lado a lado em relação a ele. Pouquíssimas atrizes têm essa capacidade interativa, de incluir quem assiste aos filmes nas diversas cenas. Kate o faz muito bem, não deixa a desejar. Felizmente, ela dificilmente exagera na atuação, não há grandes deslizes em cena e quase sempre nos fazer acreditar na solidez de sua interpretação. Eis uma atriz que não tem medo da nudez. Já declarou inclusive que isso não a incomoda, desde que dê verossimilhança à cena, sem ser vulgar; porém já disse que a partir de agora não fará mais cenas assim, porque as pessoas já viram demais. Já conheci quem a julgasse má atriz por suas cenas sem roupa, mas inegavelmente existe uma diferença esmagadora entre o que ela faz e o que outras atrizes fazem. Para exemplificar, posso citar Demi Moore em Striptease, filme que deturpa qualquer cena sensual. Winslet, num dos primeiros filmes de sua carreira, ousou a aparecer numa crua cena contendo nu frontal; contudo, a essa atuação - e a todo o filme - só tenho elogios.

Embora, como eu disse acima, ela seja capaz das mais variadas personagens, eu acredito que ela tenha sido fadada às mulheres de época. Das suas indicações ao Oscar, duas delas são por personagens contemporâneas e as outras quatro são por personagens de séculos anteriores. Por muito tempo, pensei que a Academia fosse subjulgá-la, limitando-a a indicações, sem nunca conceder-lhe a bela estatueta. Em 2009, todavia, em sua sexta indicação, Kate recebeu o troféu dourado pela sua atuação em O Leitor. Já não era sem tempo, afinal, Helen Hunt tirou-lhe das mãos o prêmio quando Kate concorreu por Titanic; dois anos antes, Miro Sorvino, de Poderosa Afrodite, impediu que Kate ganhasse por Razão e Senbilidade. Três anos depois de sua Rose Dewitt Bukarter ter sido preterida, veio sua terceira indicação, ao interpretar a escritora Íris Murdoch, quando era jovem. Perdeu para Jennifer Connely, de Uma Mente Brilhante. Em 2004, contracenou com Johnny Depp e com Jim Carrey nos filmes Em Busca da Terra do Nunca e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, respectivamente. Viu Depp sendo indicado como Melhor Ator e se viu indicada como Melhor Atriz, mas por sua parceria com Jim Carrey. Perdeu, merecidamente na minha opinião, para Hilary Sawnk, de Menina de Ouro. Em sua quinta indicação, em 2007, concorreu com a veterana Meryl Streep e com Judi Dench, que também integrara o elenco de Íris, mas acabou perdendo o prêmio mais uma vez, já que a eleita Melhor Atriz foi Helen Mirren, por A Rainha. Na 81ª Edição do Academy Awards, em 2009, Kate mais uma vez concorreu, disputando com as ótimas Angelina Jolie (A Troca), Anne Hathway (O Casamento de Rachel) e disputou mais uma vez com Meryl Streep. Finalmente, conquistou a tão cobiçada estátua. E como se não bastasse, ainda ganhou os prêmios do Globo de Ouro a que fora indicada; chorando enquanto lhe saudavam vencedora, apressou em dizer quando retomou a fala: “desculpem-me, não estou acostumada a ganhar prêmios!”. Uma declaração bastante franca, que indica certas falhas no mundo cinematográfico… Acho, porém, que ocorreu um pequeno equívoco quanto à escolha que a Academia fez ao indicá-la; deveriam-na ter indicado como Melhor Atriz em 2009 pelo filme Foi Apenas um Sonho e, talvez, como Melhor Atriz Coadjuvante por O Leitor, já que o seu desempenho no primeiro supera o segundo.

Eu pretendo ainda ver as obras das quais ela integra o elenco, pois nunca vi uma produção em que ela não estivesse bem. Logicamente, há atuações mais mornas, mas na maioria das vezes, ela consegue nos impressionar, porque é realmente hábil ao compor a personagem, caracteriza cada mínimo detalhe, sabe nos deixar embargados de emoção nas horas certas. Ainda que,  na minha opinião, seja uma atriz que mais se assimila à alegria do que à tristeza,os diretores gostam de vê-la sofredora e, quando isso não é o suficiente, gostam de matá-la. Não citarei aqui em quais filmes isso aconteceu, para não estragar a surpresa de quem for assistir aos filmes dela. No fundo acredito que ela realmente se destaca mais ao interpretar papéis assim, em que o sofrimento e o pesar se fundem, moldando as atitudes. Se me disserem que uma produção é cheia de efeitos especiais, ou conta uma história interessante, ou tem cenas extremamente fortes e chocantes, talvez eu não me interesse. Porém, se me disserem que Kate Winslet está no elenco, a probabilidade de eu querer vê-la é imensa!

Kate, típica atriz-camaleoa, funciona bem com qualquer parceiro em cena. Embora já em 1995 ela tenha se destacado ao lado de Emma Thompson, foi somente dois anos depois, ao lado de Leonardo DiCaprio, que ela começou a ser notada pelo grande público. Já esteve junto com Kevin Spacey, Johnny Depp, Jim Carrey, Patrick Wilson, Geofrey Rush e em nenhum momento ela se apagou notavelmente em relação ao parceiro. Não posso me esquecer de dizer que ela e DiCaprio formaram um dos casais mais famosos do cinema, Jack e Rose, no filme Titanic, que eu acredito ser um clássico. Anos depois, reencontraram-se numa atuação que causa ainda mais prazer nos espectadores. Dias atrás, numa conversa no msn com o grupo da comunidade Filme Dublado É Filme Morto, falávamos sobre essa atriz e eu a comparei com Meryl Streep, gerando algumas discórdias. Acho que é só uma questão de tempo até que Kate se aproxime da qualidade de Streep. Talvez venha a ser a nova recordista de indicações, afinal em 30 anos, Streep conseguiu quinze indicações; em 15 anos, Kate já conseguiu seis!

Eu realmente não consigo escolher um filme entre os que ela fez, pois vejo beleza em cada nova atuação. Ela não se repete, não atua tal como atuara num filme anterior: sempre tem algo novo a mostrar, algo que ainda não vimos, nem mesmo na atuação de outras atrizes. Muitos não gostam dela, não sei por que: linda, talentosa e, aparentemente, simpática. Espero um dia conhecê-la pessoalmente, apertar-lhe a mão, dar-lhe um abraço e dizer: Kate, eu sou seu fã! Contudo, quem sabe isso demore mais do que eu imagino, então, por enquanto, me contento em apreciá-la no cinema, lugar a que definitivamente pertence.

Luís

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terça-feira, 18 de agosto de 2009

EM BUSCA DA TERRA DO NUNCA

Finding Neverland, 2004, 106 minutos. Drama.

Indicado a seis Academy Awards, incluindo Melhor Ator (Johnny Depp)

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Esse é um filme para provar três coisas aos espectadores. Primeiro: Johnny não é um ator bom somente quando dirigido por Tim Burton; segundo: Kate Winslet é capaz de se tornar coadjuvante, ainda que seja brilhante; e terceiro: histórias que reúnem fantasia e realidade são fascinantes. Acabei assistindo a esse filme por causa de uma busca frustrada na locadora; como não encontrei os filmes que queria, peguei esse para completar a quantidade necessária de locações. O resultado é que me surpreendi bastante.

Sabem a famosa história do Peter Pan? Aqui nos é narrada a maneira como J.M. Barrie, autor da história, encontrou inspiração para escrevê-la. Acostumado a ir à praça escrever suas peças, um dia ele se depara com quatro crianças que bricavam; depois de interagir com elas, Barrie conheceu Sylvia, mãe das crianças cujas aventuras seriam relatadas posteriormente. Assim, nos minutos iniciais, nós vemos uma apresentação frustrada e as expectativas quanto à apresentação de uma obra melhor que cercam J.M Barrie - que virá a ser a narrativa envolvendo Peter Pan. Em menos de 30 minutos, já estamos totalmente dentro do que nos é mostrado.

Como estou acostumado a ver Johnny Depp meio extravagante, seja com mãos de tesoura, cabelos rebeldes, pele extremamente pálida ou humor pra lá de negro, com o decorrer da projeção eu fiquei pasmo ao ver a naturalidade com a qual o ator consegue passar tão bem a impressão de que é normal. Vê-lo em cena junto a Kate Winslet brincando com todas aquelas crianças não nos permite conter a sensação de que formam a família perfeita. Kate Winslet e Depp formam um belo casal, ainda que nesse romance seus personagens não o sejam, assim como não o foram na vida real. Mas a atuação dos atores é prendada de tanto charme que logicamente um deles seria indicado e este foi Depp, em sua segunda indicação. Em contraste a toda a harmonia dos personagens principais, surgem as figuras etéreas da esposa de Barrie, Mary, e a mãe de Sylvia, Emma. Uma cria uma realidade à parte, insinuando que o relacionamento entre Barrie e Sylvia é mais do que amziade, enquanto a outra tenta impedir que tal relacionamento se torna mais do que amizade. As interpretações de Radha Mitchel e Julie Christie, ainda que não apareçam muito, são importantes para a configuração que nos é mostrado, principalmente na caracterização dos outros personagens. Para exemplificar, a forma como Barrie busca na família Davies aquilo que não encontra na sua própria casa e a maneira como Emma faz com que suas atitudes extremamente protetoras amadureçam seus netos mais rapidamente.

Ao comentar o elenco, não posso me esquecer das magníficas interpretações das crianças, que dão um ar especial à densidade do que nos é mostrado e alegram mais a produção. Percebemos isso claramente quando muitas cenas das brincadeiras são mostradas através da imaginação daquelas que brincam, criando circos, navios, westerns etc. Quando Barrie conta à Sylvia sobre a Terra do Nunca, onde as pessoas não envelhecem e tudo é sempre bonito, há uma grandiosidade dramática tão notável que só por aquela cena eu já recomendaria o filme. Posteriormente, quando Sylvia cobra a promessa que ele lhe fizera sobre levá-la lá, acontece um dos desfechos metafóricos mais bonitos que eu já vi, e todos os personagens, até mesmo o espectador, são entregues à comoção. Quero destacar a cena em que fazem a apresentação na casa dos Davies e a mudança brusca no comportamento de Emma; tal cena é fantástica e mostra o poder que uma estória encantadora tem sobre uma pessoa.

Recomendo que vejam esse filme, porque realmente vale a pena. Johnny Depp não se mostra caricaturizado - no bom sentido, é claro! -, Winslet continua ótima como sempre, os efeitos visuais são bárbaros, a o figurino é excelente e o roteiro tão bom quanto tudo que citei. Não vê-lo é um desperdício! Se virem esse filme nas locadoras, peguem-no. Se tiverem a oportunidade, assistam-no e se não tiverem a oportunidade, criem-na. Não se arrependerão. Até a tradução foi quase literal e não é algo absurdo, o que mostra que nenhuma invenção nacional substituiria com eficiência o título original.

:P

Luís

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Diria que esse filme une todos os pontos para transformá-lo em uma obra prima: o roteirista que soube fazer bem seu papel. Alguns diálogos são tão simples e parecem transmitir tanto, que quando vemos o filme ficamos paralisados diante da beleza do filme. Uma das partes que mais gostei é quando o filho mais velho diz que não quer que nada de ruim aconteça a sua mãe e James apenas diz: “É incrível o fim da infância, nesses 30 segundos você cresceu”. A fotografia que oscila entre pontos mais escuros (como a casa de James, os ternos e vestidos escuros que ele e sua mulher vestem respectivamente) e pontos de clareza (a maioria das cenas em que ele está com Sylvia e os irmãos Darven) transmitindo a quem assiste como é obvio onde ele está mais feliz. O figurino, que se mostra bom tanto nas vestes comuns dos personagens como nas fantasias que eles usam. O diretor que soube unir tudo isso. E, claro, os atores. Todos, sem exceção, fizeram bem seus papeis. Kate Winslet e Johnny Depp estavam incríveis ali. O enredo também ajuda bastante. Quer algo mais original do que contar como surgiu uma história?

 

Outro ponto que achei legal foi como eles transformaram a própria peça que James escreve em algo tão bonito, é como se o telespectador estivesse lá no teatro. Quando Peter Pan ensina os irmãos a voar vemos nos rostos dos figurantes (acho que nunca a expressão dos figurantes foram tão importantes) toda a emoção que nós mesmo sentiríamos, e quando todos voam juntos, a cena fica muito bonita. Outra cena do teatro que ficou muito boa é aquela que Peter Pan salva a vida de Wendy dizendo “Morrer será uma grande aventura”

 

O final eu realmente esperava, quando começaram as tosses pensei que alguém estava pra morrer e, geralmente eu gosto que alguém morra, traz uma carga emotiva forte para o filme, mas nesse caso foi diferente. Torci para tudo dar certo, e mesmo com uma morte, a equipe conseguiu fazer uma cena belíssima, que é a que James diz a Peter que ele pode ver a mãe quando ele quiser, pois ela estará na Terra do Nunca, e então Peter olhando para o horizonte diz: “Eu estou vendo a mamãe”

 

Lendo o que eu escrevi agora, vi que não foi nem perto de dizer o quanto o filme é bom. É bonito, de certa maneira simples, e por ai vai. Recomendaria muito “Em busca da Terra do Nunca”, pois esse é um filme que acho difícil alguém não gostar.

 

Renan

criado por Luís/Renan    09:01:47 — Arquivado em: Filmes

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

VOLVER

Volver, 2006, 121 minutos. Drama.

Indicado ao Academy Awards nas categorias Melhor Atriz (Penélope Cruz).

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Eis a terceira vez em que o diretor Pedro Almodóvar e a atriz Penélope Cruz se unem para a composição de uma obra. Anteriormente, estiveram juntos nos anos de 1997 e 1999, respectivamente, nos filmes Carne Trêmula e Tudo Sobre a Minha Mãe, que ganhou o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira de 2000. Pouco após ver o filme, que contrariou algumas das minhas expectativas, fui dar uma olhada no que as outras pessoas achavam sobre Volver. Palavras como obra-prima, fantástico e excelente adjetivavam essa obra. Eu, sinceramente, discordo.

Raimunda (Penélope Cruz) é uma jovem mãe, trabalhadora e atraente, que tem um marido desempregado e uma filha adolescente. Como a família enfrenta problemas financeiros, Raimunda acumula vários empregos. Sole (Lola Dueñas), sua irmã mais velha, possui um salão de beleza ilegal e vive sozinha desde que o marido a abandonou para fugir com uma de suas clientes. Um dia Sole liga para Raimunda para lhe contar que Paula (Yohana Cobo), tia delas, havia falecido. Raimunda adorava a tia, mas não pode comparecer ao enterro pois pouco antes do telefonema da irmã encontrou o marido morto na cozinha, com uma faca enterrada no peito. A filha de Raimunda confessa que matou o pai, que estava bêbado e queria abusar dela sexualmente. A partir de então Raimunda busca meios de salvar a filha, enquanto que Sole viaja sozinha até uma aldeia para o funeral da tia.

Certamente Almodóvar é um dos mais talentosos diretores espanhóis. Grandes roteiros e memoráveis cenas couberam à direção satisfatória dele; quanto à forma como os atores são direcionados em Volver, não acredito que haja problemas, pois Almodóvar construiu ótimas cenas, conduzindo o espectador a um espetáculo espanhol de cores e volúpia, que se percebe em quase todos os filmes produzido na Espanha.É o primeiro filme que vejo no qual Penélope Cruz falando espanhol: achei-a tão bela e tão carismática arrastando o sotaque quente do lugar em que nasceu que quase me esqueci de que, ao ganhar o Oscar por Melhor Atriz Coadjuvante em Vicky Cristina Barcelona, ela agiu absolutamente inexpressiva. Mas em Volver ela está muito bem, definindo com precisão sua Raimunda, que age e parece ser conforme os outros personagens dizem que ela é. Outras atrizes, como Lola Dueñas, intérprete de Sole, também defendem bem as suas presenças na trama. Outra coisa que gostei bastante foi a escolha de cenários e ângulos, proporcionando ao espectador visões interessantes. Logicamente que Almodóvar mostraria uma das atrizes em algum momento meio íntimo, até porque ele é um dos poucos diretores que conseguem deixar bonitos momentos que seriam desinteressantes, ou bastante simples, ou escatológicos. Então, em Volver, temos uma brilhante cena na qual Raimunda vai ao banheiro fazer xixi: o diretor nos mostra Penélope Curz levantando sua saia, abaixando a calcinha, sentado-se ao vaso e, enquanto ouvimos o barulho da urina caindo na água ao mesmo tempo em que ela fareja o ar, ela diz “mas que cheiro de peido!”; e, da forma que Almodóvar faz, não há excesso na cena, que é incrivelmente interessante. E o que dizermos da cena em que Penélope canta ao som de violas? Perfeita.

O que eu não achei muito interessante foram trechos do roteiro, principalmente o fato de as pessoas simplesmente aceitarem que uma morta voltou à vida, embora não seja assombração nem fantasma. Conversam normalmente, sem nem ao menos ficarem curiosas a respeito da possibilidade de a presença de Irene, mãe de Sole e Raimunda, ser real. Em vários momentos, eu tive a impressão de que havia tons caricatos nas interpretações, como o medo que Sole tem dos mortos, a busca de Agustina pelo que aconteceu à sua mãe; há também algumas incoerências, como o fato de ninguém perceber que uma mulher e uma menina descem do elevador arrastando algo envolto por cobertores. E também não achei o roteiro extremamente interessante, de forma que assistir ao filme foi basicamente um ato comum, sem que eu me surpreendesse. Outra coisa que não entendi foi a comparação que fizeram ao indicar Penélope por esse filme e Kate Winslet por Pecados Íntimos, já que vejo um abismo de diferença entre as interpretações dessas atrizes a ponto de que ambas consigam uma indicação! Curiosamente, nenhuma ganhou. Posteriormente, porém, numa cerimônia em que ambas foram indicadas, ambas ganharam. Mais uma vez, curioso…

Dessa forma, eu digo que esse é um filme para que seja visto sem grandes pretensões, pois eu realmente não acho que seja tão grandioso como muitos o consideram. Certamente, há momentos bons, interpretações equilibradas, fotografia interessante, mas isso não faz do filme um conjunto magnífico de elemento a ponto de chamarem-no de excelente. Quando tiverem a oportunidade, assistam-no. Acredito que aqueles que são fãs do filme irão discordar totalmente de minha opinião, que, pelo que percebi, deve ser a única diferente de todos os que já viram esse filme.

Luís

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`Fiquei com muito receio que sua mente tacanha e a parte tacanha da mente do Luis simplesmente não conseguissem encontrar a… sei la… “A” coisa do filme. Já que você não quis minha participação em Quem quer ser um milionário, impus ela aqui =P

Bom, como começar a comentar sobre Volver? é um filme atípico, assim como Almodóvar é atípico também. Geralmente não entendemos como um filme considerado clássico, ou muito bom, ganhou esse posto, principalmente quando nós não conseguimos entende-lo.
Assim pode ser encaixado Volver: na categoria do “não entendi porque falam tanto”. Particularmente, acredito que, na era do tudo-é-possível no cinema, esperamos sempre grandes efeitos de luzes, grandes cenas de lutas, grandes feitos heróicos, grandes cenas de choro, para aí sim considerarmos o filme uma mega-produção (hum, estou falando de Transformers aqui). Buscamos tanto estes deslumbramentos artificiais quando nos sentamos para assistir um filme que simplesmente não entendemos ou não nos interessamos por um filme que retrate só aquilo, a beleza do que não só pode acontecer, mas que de fato acontece, no dia-a-dia.

O que temos nesse filme é uma ficção: uma garota mata seu pai por tentativa de incesto, a mãe acaba escondendo o corpo, tudo em meio a outras revelações, como a da mãe supostamente morta estar de fato bem viva e soltando vários puns por aí, voltando para desenterrar vários segredos do passado. Nada que nunca tenhamos visto.  Só que aí reside toda a diferença do mundo, a diferença entre uma ficção e um verdadeiro clássico. Almodóvar simplesmente conseguiu pegar uma simples história e transformá-la numa coisa perfeitamente plausível, na qual você acaba se perguntando: e agora? ou, o que será que eu faria? Mas é mais que isso. É o fato de ele mostrar tudo isso do ponto de vista da gente comum, das mulheres comuns, das pessoas que acreditam que os mortos realmente podem aparecer em espíritos e cobrar que seus túmulos estejam limpos, do ponto de vista de prostitutas que também têem que fazer carne de porco no jantar, do ponto de vista de cabeleleiras, de faxineiras, de filhas adolescentes que vêem em suas mães modelos a serem seguidos. Sem truques, só fatos.

É um filme clássico porque mostra que na vida comum, de fato, podem acontecer coisas bizarras como você ter que esconder um corpo num frizer a hora do jantar quando tudo estava perfeitamente normal até a hora do almoço. Mostra que entre um turno como faxineira e outro como garçonete, você tem que saber com quem sua filha tanto fala ao telefone. Por isso Volver é um filme não pra ser assistido duas vezes, mas um filme pra ser pensado duas vezes.

Acabei de ler num livro que “Indicar filmes às pessoas é um negócio arriscado. De certa forma, é algo tão revelador quanto escrever uma carta para alguém. Mostra como você pensa.” Arrisco-me agora a indicar esse filme e não só ele. Almodóvar e suas “chicas” é algo como a metade de uma coca-cola de garrafa, você nem está no primeiro gole gelado e doce, mas ainda não está no ultimo e derradeiro, se é que você me entende. O que provavelmente não aconteceu.`

Joice

Chegando em casa para escrever minha critica de Volver, me deparo com o texto acima da minha irmã. Lendo - o, percebi que ela captou mais do filme. Não que eu concorde com tudo, mas com certeza o filme é no minimo interessante. Assistam.

Renan

criado por Luís/Renan    08:06:32 — Arquivado em: Filmes

segunda-feira, 8 de junho de 2009

PAIXÃO PROIBIDA

Jude, 1996, 123 minutos. Drama.

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Fiquei em dúvida entre pegá-lo ou não, quando vi esse filme na prateleira da locadora. Nunca tinha ouvido falar sobre, mas ao ver a imagem de Kate Winslet e ler a sinopse interessante atrás, acabei convencido a levá-lo.Mais tarde, ao chegar em casa, eu procurei na internet por comentários e críticas sobre o filme e descobri que o filme é baseado num romance homônimo (Jude), que narra a história de um homem, Jude, que é incentivado a ir para Milchester e se graduar, a fim de ser um acadêmico. Quando finalmente chega à faculdade, vê dificuldades em ser aceito; mas acaba se estabelecendo lá com a ajuda da prima, Sue, que estuda na universidade enquanto busca uma maneira de começar um estágio. Jude então a apresenta ao homem que o incentivou a ir para lá, levando-a a casa dele, que fica dentro da universidade. Jude, porém, não esperava que a prima fosse se relacionar com o outro. Surge entre eles o impasse, ainda que não saibam exatamente o que fazer: Jude tem que lidar com a não-aceitação na universidade, com a situação civil, já que é oficialmente casado e não como agir em relação a Sue, que sabe do sentimento que um tem pelo outro e foge disso, casando-se com outro. No entanto, não há como se separarem e acabam sempre a se cruzar.

Eu fiquei realmente impressionado com o filme. Imaginei que fosse uma produção mediana e por isso não muito comentada; o motivo não seria por cauda da época em que foi lançado o filme, já que outras produções do mesmo ano com a mesma atriz são sempre lembradas. O filme tem uma história muito interessante e quase tudo no filme é bem certo: o roteiro, a direção, a trilha sonora, as atuações, a fotografia. Acredito que a única exceção quanto às características ruins do filme se deve à escolha do elenco principal, já que Kate Winslet, ainda no início da carreira, se mostra uma atriz de extremo talento, fazendo com que o personagem principal, Jude, acabe à sombra de sua personagem, Sue. O que quero dizer é que ela é boa demais, não que ele seja ruim. A interpretação de todos os vai gradualmente aumentando a nossa simpatia por eles e compreendo o porquê de cada ato; dos principais aos coadjuvantes, não há exagero ou limitação na atuação. Não preciso dizer que a melhor atriz, na minha opinião, é Kate Winslet; mas também não posso deixar de citar Rachel Griffiths, no papel de Arabella, esposa de Jude. Ainda que seu papel seja secundário, é de extrema importância para o desenrolar da história.

O tema abordado no filme é muito interessante: o relacionamento entre pessoas com grau de parentesco e a forma como a sociedade enxerga as pessoas que não são oficialmente casadas. Considerando que o filme se passa no século XVIII, podemos inclusive ver que muito do que é mostrado no filme não mudou totalmente ainda nos dias de hoje. A forma como o romance entre os dois surge é mostrada com tamanha sutileza que no início acreditamos ser mais uma grande amizade acentuada do que um romance provindo de uma amizade. É tão carismática a aproximação dos dois, que o espectador torce o tempo todo para que fiquem juntos como amigos ou como amantes. Não há, aliás, como não torcer por qualquer personagem. Dois grandes acertos do filme são o fato de mostrarem um preconceito implícito, porém esmagador sobre Jude e Sue, impedindo-os de ser uma família comum, ainda que insistam nisso e a forma paradoxal, porém simbólica, da perspectitva de Sue em dois momentos do filme: primeiro, ao se deparar com o romance potencial entre ela e Jude, ela se afasta, casando-se com outro, sem nunca se distanciar dele, chegando inclusive a ser expulsa do colégio por ter dormido na casa do primo; posteriormente, sob o preceito de serem livres e terem livre-arbítrio, os dois se unem, sem que ela evite dizer que não são casados, mesmo isso desfavorecendo a a socialização deles. Duas cenas que mostram com bastante eficiência o drama no qual os personagens estão inseridos é quando Jude e Sue estão a restaurar as pinturas de uma igreja enquanto o filho de Jude com Arabella cuida da irmã menor e quando o casal ouve duas vezes, uma na igreja e outra num hotelzinho, que terão de partir porque são muitos (quando na verdade, eles tem que sair por não serem realmente casados).

Outro grande acerto do filme é mostrar a forma como os sonhos se perderam devido às situações pelas quais passaram e como eles tentam dar a volta por cima, ainda que sofrendo preconceito e sendo discriminados. Tudo entre eles só começou pela tentativa de Jude a se formar; anos depois, ele não somente não se formou como está ainda mais longe disso. Sue, que lecionou por um tempo, ao admitir o amor por Jude, teve que largar tudo e “dar um jeito” para que os dois pudessem se sustentar. Então, de estudioso e professora, tornaram-se escritores de lápide, pintores, etc. E uma das cenas de maior impacto do filme, mostra o quão dramática pode ser a presença do preconceito na vida de alguém. Jude e Sue percebem tardiamente que “eram demais”. Então, mais um paradoxo: se antes eram livres e podiam tomar decisões para o futuro deles, embora isso estivesse em desacordo com o resto da sociedade, após perceberem que não funcionava exatamente assim o sistema, há a concepção do “castigo de Deus”. Isso fica evidente em Sue, que tem um desenvolvimento psicológico muito maior que o de Jude com o decorrer da história. E o final do filme, numa cena cuja fotografia retrata com exatidão o relacionamento dos personagens, não há como o espectador deixar de se incomodar com o rumo que a vida deu a Sue e Jude.

As duas horas de filme passam rápido, porque o espectador fica focado no desenrolar da história, observando atento a cada acontecimento, torcendo para que os personagens se dêem bem. Kate Winslet, como já disse anteriormente, dá um show de atuação; compreendemos logo que há motivos para as cinco indicações posteriores a esse filme e a indicação anterior que a atriz recebeu. Eu recomendo totalmente esse filme, porque é o tipo de obra que deve ser vista. Ainda que não seja nenhuma obra-prima, é um filme bastante satisfatório e quem o assiste não se arrepende. Vejam-no.

Luís

criado por Luís/Renan    11:16:09 — Arquivado em: Filmes

sábado, 23 de maio de 2009

O CASAMENTO DE RACHEL

Rachel Getting Married, 2008, 114 minutos, Drama

Indicado ao Oscar de Melhor Atriz (Anne Hathaway)

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Quandi vi Anne Hathaway ser indicada ao Oscar como melhor atriz por “O Casamento de Rachel”, já pensei que esse era um filme que valia a pena ser visto, e realmente vale. As cenas são na maioria todas tensas, não há cenas que sirvam para descontrair um pouco, mas isso não o torna um filme ruim de ser visto, ao contrario, se torna um filme com mais conteudo. Falando da atuação…Achei Anne Hathaway (Kym) ótima, realmente vem se mostrando uma atriz que tem tudo para crescer, suas cenas são pesadas, com um pouco de humor negro [SPOILER]como é o caso da cena do brinde, em que ela faz um longo discurso, fazendo que até o espectador se sinta meio desconfortavel pela situação que ela está criando, ou a cena em que ela vai à casa da sua mãe e acaba levando um soco, e logo depois nos sentimos aliviados por ela rebater com um tapa na cara. Isso sendo feito entre mãe e filha é fantastico[FIM DO SPOILER] Outra que chama a atenção é sua irma Rachel (Rosemarie DeWitt ) que faz um excelente papel, como a irmã que quer ter o seu dia especial para si mesma, e não que que nada atrapalhe isso, sentimento esse passado de forma clara, convincente e totalmente aceitavel. Ao lado delas está Emma (Anisa George) personagem secundária, mas que eu realmente gostei.

A estória gira em torno do casamento de Rachel, evento esse que sua irmã Kym, que está em reabilitação por uso de drogas, estará presente. Basicamente é isso, mas com o andar do filme, vemos outras estórias paralelas surgindo, como o caso do irmão delas, Ethan, e toda a culpa que isso gera para a história. Vem também a relação que Kym tem com a sua mãe, ou até mesmo com o seu pai, que tenta protege-la de todas as formas. E principalmente vemos a relação entre Kym e Rachel, essa, totalmente conturbada, com discussões muito bem interpretadas e etc.

Recomendo muitissimo esse filme, talvez seja um pouco diferente do que estamos acostumados a ver, não parece haver o glamour de Hollywood, mas isso não desmerece o filme, filme onde as interpretações são mais interessantes que a estória.

P.s: Mesmo achando a atuação da Anne Hathaway excelente, ela não consegue superar Kate Winslet (ganhadora do Oscar), ou Angelina Jolie (Na minha opinião, a merecedora do Oscar)

Renan

criado por Luís/Renan    23:41:13 — Arquivado em: Filmes

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O LEITOR

The Reader, 2009, 124 minutos. Drama.

Vencedor do Oscar de Melhor Atriz (Kate Winslet).

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O filme narra a história do romance entre Michael Berg e Hanna Schimtz; ela, mais velha que ele, inicia o garoto na sexualidade e em troca ele lê para ela inúmeros livros. Esse relacionamento dura apenas um verão e depois Hanna some sem deixar rastros. Oito anos mais tarde, os dois voltam a se encontrar: ele estudando direito, assistindo a um julgamento e Hanna como ré, sendo acusada de crimes nazistas. A partir de então, começa a ser mostrado como as vidas deles voltam a se cruzar.

As cenas iniciais já mostram o clima estranho que há entre os personagens, pois foi exatamente estranheza que senti em relação a relação deles. Ela, contida e fria, ajuda o menino que está passando mal, levando-o para casa. Nasce a partir de então um relacionamento bastante confuso, no qual o amor parece quase coadjuvante: cada um está interessado no que o outro tem a oferecer e ambos seguem assim, por muitas cenas, que representam bem essa necessidade de um pelo outro. Esse é um dos pontos positivos da obra, pois mostra como o amor não é o fundamental numa relação e como acaba se confundindo com favores. Os desejos de Hanna, que consistem em ouvir as histórias que Michael lê pra ela, parecem meio sem sentido no começo, mas aos poucos vão se tornando concisos e coerentes, até que atingem o seu auge nas cenas finais. A relação conturbada entre eles, na qual ele desiste dos amigos por ela, vai se mostrando poética, embora bastante obscura. Quando digo poético, me refiro ao tom suave e carismático dado à maioria das cenas em que os dois estão juntos; na banheira, Hanna ouve com atenção cada palavra que ele narra enquanto ele se entrega juntamente com ela aos prazeres da leitura para que depois consumem o ato sexual. E as cenas de nudez não acentuam uma pornografia; elas somente acrescentam mais a beleza de cada cena. Para alguns pudicos, esses momentos eróticos do filme podem ser constrangedores, mas eles certamente são fundamentais para que compreendamos bem o relacionamento dos personagens.

Outro ponto muito bem abordado, e talvez o mais interessante de todo o filme, é a capacidade de destruição que a vergonha pode causar numa pessoa. E a sensação pesada que a vergonha alheia causa é tão monstruosa, que uma das cenas mais sutis do filme revelam um sentimento igualmente denso pela personagem de Kate Winslet. A cena a que me refiro é aquela na qual Hanna olha o cardápio e diz que vai querer comer o mesmo que Michael, uma vez que não sabia o que estava escrito. A coragem é oprimida pela vergonha de dizer que não sabe escrever e isso soa bastante gritante às razões de quem assiste o filme, pois imaginamos por alguns instantes que isso não é motivo para se envergonhar. Em contrapartida, é incrivelmente real como isso foi mostrado, porque sabemos que inúmeros quesitos a nosso respeito são sempre escondidos por medo e vergonha.

Dedicarei esse parágrafo à atuação de Kate Winslet, já que tudo que tenho a dizer sobre Ralph Fiennes está no próximo. Após quatro indicações como Melhor Atriz no Papel Principal (Titanic, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, Pecados Íntimos e O Leitor) e duas indicações como Melhor Atriz no Papel Secundário (Razão e Sensibilidade e Íris), Winslet finalmente recebeu a tão esperada estatueta. Curiosamente foi indicada como Melhor Atriz embora sua função na trama seja de Atriz Coadjuvante. Mas é inegável que ela faz um belíssimo trabalho nesse filme, independentemente da categoria na qual foi indicada; torci bastante para que ela vencesse o Oscar sem nem ao menos ter assistido a esse filme, pois eu sabia o quão boa estava a atuação da atriz. E não me provei enganado, pelo contrário: estava certíssimo! Desde as primeirs cenas, quando auxilia o menino, até o seu momento final no filme, Winslet nos mostra o porquê de ela ser uma das atrizes jovens mais indicadas ao Oscar. Como no próximo parágrafo falarei algo que pode parecer conflitante, explicarei já: a atuação da atriz é realmente muito boa, mas um pequeno lapso no desenvolvimento da personagem deixa o seu futuro (em relação à personalidade) meio duvidoso.

Quanto aos aspectos gerais do filme, posso dizer que há falhas que o minimizam. Tudo começa em 1958, quando Michael tinha 15 anos, o que é dito no filme; oito anos se passam (chegando portanto a 1966) e ele reencontra Hannah. Nesse período de tempo, o mesmo ator interpreta Michael e partir desse período, o personagem passa a ser interpretado por Ralph Fiennes enquanto Winslet, com efeitos de maquiagem, se mantém como intérprete de Hanna. O problema é que se torna inverossímel quando tentam nos fazer acreditar que em praticamente 10 anos Michael era de um jeito e em outros 10 anos mudou de maneira tão radical. Sem contar que Ralph Fiennes deixa muito a desejar se compararmos sua atuação com a do ator que interpreta o mesmo personagem anos antes. Esse é o momento em que o filme desanda, porque basta o tal ator estar em cena para que se sinta um suave tom de falsidade, que não existia antes no filme. Outro suave defeito é o fato de Hanna ser idêntica quanto à personalidade durante todo o decorrer do filme, como se o tempo não fosse capaz de mudá-la o mínimo possível. Percebemos então que numa parte do filme temos Kate Winslet interpretando Hanna e na outra parte temos a Kate Winslet maquiada interpretando a Hanna, porque certamente a passagem do tempo é indicada pela maquiagem e não por uma modificação nas atitudes. Outro grande problema do filme, que compete arduamente com a ineficiência de Fiennes, é o final duplo do filme: [SPOILER] como se não bastasse a pobre Hanna ter se matado, Michael ainda leva seus pertences à filha de uma judia que Hanna ajudou a torturar; decidiram a partir daí dar um tom mais novelístico e puseram outro final, no qual Michael narra seu romance com Hanna e tudo o que aconteceu [FIM DO SPOILER]. Pra que isso? Porque não simplesmente terminar ali, no momento em que as emoções dos espectadores estão mais aguçadas e os olhos se forçam para conter as lágrimas?

De uma maneira geral, desconsiderando os probleminhas citados acima, o filme é muito bom. Só não digo que o filme é tão bom que os erros se tornam mínimos, porque os erros definitivamente não são mínimos nem o filme é uma obra-prima. Mas ele acerta em muitos pontos, atinge o objetivo, mostra os motivos de sua existência e ainda garantiu o justo Oscar à Kate Winslet. Não há como não recomendá-lo, portanto.

Luís

criado por Luís/Renan    09:16:43 — Arquivado em: Filmes

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Oscar 2009 - 81ª Edição

Melhor Filme

* Quem Quer Ser Um Milionário?
* Frost/Nixon
* O Curioso Caso de Benjamin Button
* Milk - A Voz da Liberdade
* O Leitor

Melhor diretor

* David Fincher - O Curioso Caso de Benjamin Button
* Ron Howard - Frost/Nixon
* Gus Van Sant - Milk - A Voz da Liberdade
* Stephen Daldry - O Leitor
* Danny Boyle - Quem Quer Ser Um Milionário?

Melhor ator

* Mickey Rourke - O Lutador
* Sean Penn - Milk - A Voz da Liberdade
* Frank Langella – Frost/Nixon
* Brad Pitt - O Curioso Caso de Benjamin Button
* Richard Jenkins - The visitor

Melhor atriz

* Meryl Streep – Dúvida
* Kate Winslet – O Leitor
* Anne Hathaway – O Casamento de Rachel
* Angelina Jolie – A Troca
* Melissa Leo - Rio Congelado

Melhor ator coadjuvante

* Heath Ledger - Batman – O Cavaleiro das Trevas
* Josh Brolin - Milk - A Voz da Liberdade
* Robert Downey Jr. - Trovão Tropical
* Philip Seymour Hoffman - Dúvida
* Michael Shannon - Foi Apenas um Sonho

Melhor atriz coadjuvante

* Amy Adams - Dúvida
* Penélope Cruz - Vicky Cristina Barcelona
* Viola Davis - Dúvida
* Taraji P. Henson - O Curioso Caso de Benjamin Button
* Marisa Tomei - O Lutador

Melhor Animação Longa-Metragem

* Bolt - Supercão
* Kung Fu Panda
* Wall-E

Melhor Roteiro Adaptado

* O Curioso Caso de Benjamin Button
* Dúvida
* Fros/Nixon
* O Leitor
* Quem Quer Ser Um Milionário?

Melhor Roteiro Original

* Rio Congelado
* Simplesmente Feliz
* Na Mira do Chefe
* Milk - A Voz da Liberdade
* Wall-E

Melhor Direção de Arte

* A Troca
* O Curioso Caso de Benjamin Button
* Batman – O Cavaleiro das Trevas
* A Duquesa
* Foi Apenas um Sonho

Melhor Fotografia

* A Troca
* O Curioso Caso de Benjamin Button
* Batman – O Cavaleiro das Trevas
* O Leitor
* Quem Quer Ser Um Milionário?

Melhor Figurino

* Austrália
* O Curioso Caso de Benjamin Button
* A Duquesa
* Milk - A Voz da Liberdade
* Foi Apenas um Sonho

Melhor Filme Estrangeiro

* The Baader Meinhoff Complex (Alemanha)
* Entre os Muros da Escola (Entre les Murs - França)
* Okuribito (Japão)
* Revanche (Áustria)
* Waltz with Bashir (Israel)

Melhor Documentário

* The Betrayal (Nerakhoon)
* Encounters at the End of the World
* The Garden
* Man on Wire
* Trouble the Water

Melhor Documentário Curta-Metragem

* The Conscience of Nhem En
* The Final Inch
* Smile Pinki
* The Witness - From the Balcony of Room 306

Melhor Montagem

* O Curioso Caso de Benjamin Button
* Batman – O Cavaleiro das Trevas
* Frost/Nixon
* Milk - A Voz da Liberdade
* Quem Quer Ser Um Milionário?

Melhor Maquiagem

* O Curioso Caso de Benjamin Button
* Batman – O Cavaleiro das Trevas
* Hellboy II - O Exército Dourado

Trilha Sonora Original

* O Curioso Caso de Benjamin Button
* Defiance
* Milk - A Voz da Liberdade
* Quem Quer Ser Um Milionário?
* Wall-E

Melhor Canção Original

* “Down to Earth” - Wall-E
* “Jai Ho” - Quem Quer Ser Um Milionário?
* “O Saya” - Quem Quer Ser Um Milionário?

Melhor Curta Animado

* La Maison en Petits Cubes
* Lavatory - Lovestory
* Oktapodi
* Presto
* This Way up

Melhor Curta Live-Action

* Auf Der Strecke (On the Line)
* Manon on the Asphalt
* New Boy
* The Pig
* Spielzeugland (Toyland)

Melhor Edição de Som

* Batman – O Cavaleiro das Trevas
* Homem de Ferro
* Quem Quer Ser Um Milionário?
* Wall-E
* O Procurado

Melhor Mixagem de Som

* O Curioso Caso de Benjamin Button
* Batman – O Cavaleiro das Trevas
* Quem Quer Ser Um Milionário?
* Wall-E
* O Procurado

Efeitos Especiais

* O Curioso Caso de Benjamin Button
* Batman – O Cavaleiro das Trevas
* Homem de Ferro

criado por Luís/Renan    19:02:15 — Arquivado em: Outros, Premiações
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