Literatura e Cinema

“Sem correr no corredor, Nancy” - Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O EXTERMINADOR DO FUTURO

The Terminator, 1984, 107 minutos. Ficção Científica.

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Há 25 anos surgiu uma das melhores sagas na minha opinião, que é a luta entre os humanos e os andróides e que, embora se iniciasse no ano de 2028, é em 1984 que está o momento crucial para a sobrevivência dos humanos. Arnold Schwarzenegger é o um exterminador que vem do futuro a fim de impedir que Sarah Connor tenha John Connor, o guerreira que liderá os sobreviventes do massacre das máquinas muitos anos depois. Na tentativa de ajudar a própria mãe, Connor manda o guerrilheiro Kyle Reese ao passado e juntos eles têm que fugir da perseguição imbatível do metálico e cruel exterminador.

Se assistirmos a esse filme hoje, perceberemos uma série de imperfeições; a maioria delas ficam extremamente visíveis quando olhamos o rosto desfigurado do exterminado, que, por ser um cyborg talvez, não tem um nome específico. Afirmo com segurança que a máscara facial usada para compor o rosto deformado dele é a mesma que foi usada em Poltergeist naquela cena ridícula, patética, esdrúxula e risível - permitam-me criar o termo gargalhável -, pois percebemos a maneira grosseira com que a máscara se sobrepõe à pele. Logicamente, há 25 anos, esse feito deveria ser extremamente eficiente para a época, na qual efeitos visuais deviam ser algo realmente surpreendente, por mais medíocre que seja. Porém, não quero subestimar a capacidade que o filme tem de transmitir ao espectador o tom de desespero presente ao longo do filme; percebemos isso com grande intensidade, não somente pelo enredo em si, mas também pelo tom escuro e deveras abandonado que a cidade tem. Logo nas cenas iniciais, pouco após o peladão Schwarzenegger espancar os rapazes por causa da roupa, vemos Kyle chegando e, num beco, começa já a ter problemas; aí já percebemos a diferença gritante entre um e outro: um andróide que não sente dor e forte como uma máquina, porque de fato é uma, e um humano comum, cuja função é manter viva uma pessoa.

Não se pode ser muito exagerado e dizer que a interpretação de Schwarzenegger é fabulosa, uma vez que, devido à limitação de fala e expressão do personagem, ele não poderia fazer diferente. Ele apenas fez o mínimo que podia fazer, tal como qualquer outro ator faria. Embora eu ache que Michael Biehn tenha bons momentos no filme, achei sua interpretação meio falha, parece que ele mesmo põe à prova, através de seus atos, a veracidade das suas afirmações. Linda Hamilton, um pouco tímida a princípio, se solta com o desenrolar do filme e nos mostra com maior densidade sua capacidade, ainda que esteja meio relutante, assim como seu parceiro Michael, em dar créditos à toda a história de viagens no tempo, batalha contra as máquinas, etc. Acredito realmente que os atores estavam se preparando para a sequência que viria 7 anos depois, em 1991; então, nessa primeira parte do que seria uma trilogia - recentemente ganhou a terceira sequência, quarto filme da série -, eles estavam apenas se aquecendo para o que viria a ser uma continuação hipnótica.

Há momentos questionáveis, como os peripaques de Kyle: o cara leva um tiro, fica caído e, enquanto o caminhão vem em direção ao carro capotado, no qual ele e Sarah estão, ele não consegue andar; dois segundos depois, não somente se levanta como corre sem parar. E isso se repete várias, nos permitindo perceber que tal recurso só é utilizado para prolongar as cenas de suspense, nos fazendo sentir aliviados por eles terem escapado com vida. Talvez na época isso fosse novidade, mas quem vê o filme hoje, de tão comum que isso é, acaba sabendo que eles certamente vão sair vivos. Se algo que eu realmente gostei no filme, foi o final, no qual vemos uma Sarah completamente diferente do começo; se antes ela estava receosa, depois se sente livre e disposta a enfrentar o que vier. É aí que tive certeza de que haveria uma saga e que o segundo filme seria muito melhor do que o primeiro.

Definitivamente, O Exterminador do Futuro é uma série que satisfaz os espectadores que querem ação, pois eles a têm do começo ao fim, com ótimas cenas. Também tem uma ótima premissa, que, embora um pouco idealizada na época, pode ser de fato real daqui a alguns anos. Logicamente, eu não poderia deixar de recomendá-lo, porque é um filme muito bom, do mesmo diretor que 13 anos depois dirigiria o também famoso Titanic. O Exterminador do Futuro vale a pena.

Luís

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É interessante vermos O Exterminador do Futuro, um filme de 1984, nos dias atuais, pois assim percebemos a diferença enorme das produções que requerem efeitos especiais dos anos 80 e as de hoje.  Tentando não olhar o filme como alguém que já presenciou outras produções com efeitos especiais incríveis, percebo que O Exterminador do Futuro deve ter sido uma grande revolução para a época, pois usa de todos os recursos para fazer quem assiste acreditar em seu enredo.

Já por alguns nomes do filme podemos esperar algo de, no mínimo, interessante. James Cameron, o diretor, executa muito bem seu papel fazendo todas as categorias do filme se unirem para se fundirem em um só e levando ao telespectador a estória de uma máquina, que por fora se assemelha muito a um humano, que vem do futuro para o presente com a tarefa de executar uma mulher, que em seu futuro terá um filho, e esse filho será um revolucionário contra as máquinas. Junto com ele vem também um protetor com a missão de impedir que a máquina destrua o futuro da mãe do revolucionário, pois ele mesmo é parte do grupo contra as máquinas . Citei o diretor, pois alguns anos depois ele dirigiria um dos maiores fenômenos do cinema que ostenta até hoje, mais de 10 anos depois, a maior bilheteria mundial, Titanic. Temos também Arnold Schwarzenegger como a máquina que vem para acabar com tudo. Não sei avaliar sua interpretação, pois seu papel requer muito pouco de expressão facial e só requer uma voz robótica, o que é compreensível, levando em conta que ele é uma máquina. Tenho que dizer que sei praticamente nada dos outros atores; Linda Hamilton como interprete de Sarah Connor convence como uma mulher com medo por estar no meio dessa bagunça e cresce bastante no decorrer, pois no começo ela era muito água com açúcar. Já o Michael Biehn não convence tanto como herói do filme, de modo que torcemos para a máquina mata-lo.

Falando em matar, achei meio forçado o personagem de Schwarzenegger não morrer. Foram golpes e golpes passando por uma explosão de um caminhão que, aparentemente, tinha líquido inflamável, e mesmo assim, o vilão consegue sobreviver, só morrendo quando a mocinha o mata. Juro que tentei assisti-lo sem levar em conta os recursos da época e considerando-o um filme para o entretenimento, mas é difícil, por isso considero Exterminador do Futuro, um filme razoável para assistir com o pai, como foi o meu caso.

Renan

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domingo, 4 de outubro de 2009

MATRIX

Clique aqui para ver o trailer (sem legendas).

The Matrix, 1999, 136 minutos. Ação / Ficção Científica.

Vencedor de 4 Academy Awards: Melhor Edição, Melhores Efeitos Sonoros, Melhores Efeitos Visuais e Melhor Som.

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Há apenas dez anos, surgiu o filme que revolucionaria o quesito efeitos especiais no cinema; não somente modificaria estruturas já caracterizadas das produções do gênero ação como também inspiraria inúmeras outras obras a tentar repetir o seu sucesso estrondoso. Ao longo da década que passou, suas cenas tornaram-se ícones que foram copiados e até mesmo parodiados em diversas películas classificadas nos mais variados gêneros.

Logo no começo do filme, vemos Thomas Anderson deitado em frente ao computador, que parece interagir com ele, chamando-o pelo nome que ele utiliza quando é um dos mais procurados hackers. Pouco depois, descobre que um grupo de agentes o segue enquanto outro grupo parece tentar ajudá-lo a se afastar. Então, ele é convidado a conhecer um universo novo, do qual não poderá mais sair, caso deseje vê-lo. Então, Morpheu, que acredita ser Neo o Escolhido, e Trinity, começam a mostrar para Neo o que é a Matrix e a principal discussão é a respeito da concepção de realidade, o que pode ou não pode ser controlado, a importância das escolhas, etc.

O primeiro comentário que quero fazer é quanto aos questionamentos filosóficos que o filme propõe, principalmente ao definir para Neo - e, obviamente, para o espectador -  o que é Matrix e o que ela representa. Num entroncamento de várias digressões acerca do significado do mundo paralelo que é representado por um programa, quem vê o filme acompanha a saga de Morpheus, Trinity e Neo em busca da desconstituição de tal programa, que dá título ao filme. Particularmente, eu detesto admitir minha parcial ignorância, mas eu realmente tenho dificuldades em absorver todas as informações dadas e, no fundo, eu sempre tenho a impressão de que não compreendi tudo que deveria ter compreendido. O univerno mostrado é tão imenso e tão metaforizado que muitas vezes eu não consigo assimilar as alusões ao que de fato eles querem explicar. E isso não muda, mesmo que assista muitas vezes ao filme, pois já o vi três vezes; parece sempre haver algo novo para ser entendido. Uma vez, durante uma aula de filosofia, o professor fez excelentes comentários em relação à maneira como o filme é conduzido, mostrando aspectos filosóficos interessantes quanto à criação dos mundos mostrados: aquele em que as são tal como são e aquele em que as pessoas são submissas à programação Matrix.

Eu não entendi o que os irmãos Wachowski viram nos apáticos Laurence Fishburne e Keanu Reeves a ponto de colocá-los como protagonistas. É claro que não posso fazer grandes críticas aos dois nesse filme, pois os efeitos especiais suprem a inexpressividade que eles costumam apresentar, mas é inegável que se contássemos somente com a capacidade dos atores, Matrix provavelmente seria um fracasso quanto à atuação, pois somente Carrie-Anne Moss consegue dar o tom certo à sua personagem, da qual sempre me lembro primeiro quando é este o filme mencionado. Podemos perceber que durante todas as passagens, do início ao fim, o “Sr. Anderson” está com a mesma expressão de dúvida, parecendo que põe em questionamento qualquer elemento em cena, inclusive ele próprio. Eu, particularmente, não gosto do tom soberbo que Fishburne deu ao seu personagem Morpheus. Na verdade, acho que esses atores foram escolhidos como caráter experimental a fim de mudá-los no próximo filme, mas como o sucesso foi tanto, acabaram ficando. Pelo menos, esse seria o motivo pelo qual eu os contrataria.

Logicamente que eu não posso simplesmente não o sugerir, pois será clássico um dia - talvez já o seja! O filme é recomendável, apresenta técnicas completamente novas (para a época), possibilitando que o espectador viaje junto com os personagens entre os universos Matrix e o mundo real, ainda que a realidade seja o principal tópico que discussão aqui. Tamanho o sucesso do filme e o seu impacto visual resultaram nas várias intertextualidades que vemos entre outras produção sejam elas de comédia, animação, etc. Assim, há cenas que para sempre serão recordadas por quem as vê, como o salto em que Trinity pára no ar, flutuando antes de executar o seu golpe, e a cena em que Neo se desvia das balas. Confiram-no e tentem depreender todas as possíveis interpretações mostradas ao decorrer do longa-metragem. As duas horas passam bem rápido…

Luís

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Considero Matrix, praticamente, um clássico moderno. Clássico pois esse filme marcou nossa época e depois dele começamos a adjetivar filmes “no estilo Matrix”. O longa consegue juntar a inteligência de um roteiro brilhante e inovador com a diversão que sobra nas lutas. Por isso Matrix se tornou um filme tão bom e conhecido e com certeza recomendável.

Já no roteiro temos uma surpresa. O mundo que vivemos não é real. Tudo que presenciamos, desde o nosso nascimento até o momento que eu estou digitando essa análise, é uma seqüência de programação, ou seja, isso não existe, é como se eu estivesse sonhando e enquanto isso eu estou fornecendo energia para que as máquinas funcionem no mundo real. O que todos nós estamos vivendo é a matrix. É nesse cenário que Neo vive com sua vida normal, até que consegue o contato com Morpheu e com a ajuda desse, descobre ser O Escolhido, que é aquele que salvará a vida humana contra a dependência das máquinas.  Já tinha assistido a esse filme quando era mais novo, mas foi só re-assistindo a poucos dias que entendi o quão (ouso a dizer) glorioso que é o filme. Outro ponto a favor que o filme tem são os atores que parecem ter nascido para seus respectivos papeis, principalmente Carrie-Anne Moss, que nos mostra uma das personagens femininas mais legais de todos os tempos, além dela há o Keanu Reeves e o Laurence Fishburn, este último também está incrivelmente bem, aliás, todos estão bem.

Mas o que mais marcou esse filme, provavelmente foram as seqüências de lutas juntamente com os efeitos especiais que revolucionaram a maneira como vemos cenas de lutas. A partir dele nos acostumamos a ver balas em câmera lenta, golpes incríveis e por ai vai. Sobre as lutas, ficamos maravilhados em ver a belíssima coreografia que é perfeita onde todos os golpes muito rápidos além de serem bem elaborados. Outro ponto que satisfaz os telespectadores que gostam de violência é o constante uso de armas e tiros, aliás, uma das cenas mais famosas do filme tem em seu conteúdo vários e vários tiros.

Não há como não recomendar Matrix, pois é um tipo de filme que conquista a todos, tanto aqueles que gostam de um roteiro bem elaborado quanto aqueles que gostam de ver efeitos na tela.

Renan

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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

PIRATAS DO CARIBE: A MALDIÇÃO DO PÉROLA NEGRA

Clique aqui para ver o trailer (sem legendas).

Pirates of the Caribbean - The Curse of the Black Pearl. EUA, 2003, 143 minutos. Ação / Fantasia.

Recebeu 5 indicações ao Oscar, nas seguintes categorias: Melhor Ator (Johnny Depp), Melhor Maquiagem, Melhor Som, Melhor Edição de Som e Melhores Efeitos Especiais.

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Em 2003, surgiu uma das franquias que faria exatamente o que outros filmes em série fizeram: renderia muito dinheiro, arrastaria muita gente pro cinema, marcaria o espectador com personagens - ou pelo menos um - marcantes, faria com que os cinélifos apreciassem o filme e o resto gostasse dele. De uma forma geral, o que não me agrada dizer, Piratas do Caribe tonrou-se modinha: quem não entende de filme, assistia e ele e diz que gosta; quem entende, também gosta; os fãs do gênero o cultuam e até a Academia se rendeu aos encantos do filme - que deve admitir que é bom! - e indicou-o a cinco categorias, uma delas principal.

Precisávamos, de qualquer maneira e com urgência, de um filme que não fosse mais um remake, característica frequente logo no começo da década. Misturando um pouco de cada elemento e somando todos os gêneros, os roteiristas conseguiram nos trazer algo realmente cativante e, sobratudo, criativo. Há algum tempo que eu não via filmes sobre piratas sendo contados de uma maneira interessante; aqueles dos quais eu me lembrava eram tipos comuns, cujo enfoque é única e exclusivamente nas atitudes dos piratas, impostos como completamente maus. Aqui há romance - em pouca dose, o que me agradou bastante -, há muito humor - o que me agradou mais ainda! -, há um tom sombrio que combina perfeitamente com tudo o que é mostrado a nós e, de um modo geral, a fotografia é extremamente bonita, o que acentua todo e qualquer aspecto que citei anteriormente, inclusive aqueles que não citei. Melhor eu fazer uma breve descrição do filme antes de continuar…

A vida do pirata Capitão Jack Sparrow vira de cabeça para baixo depois do grande castigo. O astuto Capitão Barbossa rouba seu navio, o Pérola Negra, e ataca a cidade de Porto Royal, raptando Elizabeth, a linda filha do governador. Num ato heróico para resgatá-la e recuperar o Pérola Negra, Will Turner, amigo de infância de Elizabeth, junta forças com Jack. O que Will não sabia é que uma antiga maldição condenou Barbossa e sua tripulação a viverem para sempre como mortos-vivos. - fonte: cineplayers.com

Não acredito que outro ator poderia criar um personagem tão carismático quanto Jack Sparrow. Johnny Depp, ator por quem nutro profunda admiração, uma vez que ele não somente tem aquele charme que poucos conseguem ter, como também já provou que sua carreira não é limitada por personagens típicos. Acredito que o alicerce da carreira de Depp é a interpretação de personagens excêntricos, desde homens com mãos de tesoura como donos de fábricas esquisitos. Considerando a aptidão que o ator tem em transformar homens estranhos em homens aceitáveis, cabia unicamente a ele o papel de Sparrow, que, por muito tempo serviu - e ainda serve - de inspiração para bailes a fantasia. O público admitir a grandeza da atuação de um ator é uma coisa; a Academia considerá-lo apto para uma indicação é outra coisa muito diferente e o surpreendente a respeito desse filme é que Depp foi indicado na categoria Melhor Ator, entrando, com muito estilo, no hall dos reconhecidos pelo seu trabalho cinematográfico. Os trejeitos de Jack Sparrow são realmente muito distintos: ele é um homem que sabe como lidar com as situações de maneira extremamente categórica, não se limitando a clichês bobos. O seu jeito de falar é extremamente engraçado, porque conta, principalmente, com um humor incondizente com a situação na qual se encontra; a maneira como anda, como gesticula e como luta traz um ar muito jovial ao personagem. Este é o único filme a que assisto do início ao filme em que Orlando Bloom esteja presente. Como não conheço sua carreira e, a me embasar nesse filme, acredito que seja um ator satisfatório. Sua presença no filme traz uma preesença de peso, porque tudo fica bem mais interessante quando Sparow e Will Turner, personagem de Bloom, estão juntos em cena, seja lutando, seja um ao lado do outro - lutando, de qualquer maneira. A terceira ponta do triângulo é Keira Knightely, que, com Piratas do Caribe, alavancou sua carreira. Eu realmente não a acho uma atriz talentosa; acredito simplesmente que a beleza traz comodidade às interpretações, já que ela [a beleza] se projeta com mais eficiência do que sua capacidade artística. Como Elizabeth Swann é a típica heroína, Keira conseguiu interpretá-la bem. Inclusive encontrei charme em sua atuação, coisa que nunca aconteceu antes, devido à minha antipatia - com razão, acredito - pela atriz. Sobre esse filme, devo dar meu braço a torcer: ela completa a tríade demaneira muito satisfatória.

Ainda penso que o roteiro seja o que mais dá créditos ao filme, pois é realmente bom, nos permitindo ver com muito entretenimento diversos momentos heróicos, muitas paisagens exuberantes e sombrias, ótimas justificativas para as atitudes mostradas. Somando isso à qualidade técnica do filme, com ótimo efeito visual, excelente maquiagem e boa direção, temos diante de nós uma obra digna de ser vista e revista, consumida ao máximo. Não é à toa que rendeu tanto nas bilheterias e repercutiu de tal maneira estrondosa. O resultado final é extremamente positivo! Meu maior elogio vai para Johnny Depp, que está fantástico e, sem sombras de dúvida merecia a indicação. Considerando que perdeu o Oscar para Sean Penn - um ator pateticamente inexpressivo -, foi uma injustiça com Depp, que construiu um excelente personagem, do qual nos lembraremos por muitos anos. Vale a pena conferir Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra!

Luís

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Piratas do Caribe é um emaranhado de gêneros, e foi essa mistura (que tinha tudo para dar errado, pois não estamos acostumados a ver um pirata engraçado) que deu enorme sucesso ao primeiro filme, fez os produtores ganharem muito dinheiro, e deram a eles motivos de sobra para fazerem mais duas continuações já lançadas sendo que a segunda parte Piratas do Caribe: O baú da morte está na terceira posição das maiores bilheterias da história do cinema.

Como disse acima, a graça do filme está na diversidade que ele traz. Jack Sparrow é um pirata. Mas não aquele pirata que abriga na nossa imaginação com um tapa olho e uma garra no lugar da mão. Por vezes Johnny Depp é extremamente engraçado, com uma interpretação impecável e com expressões faciais ótimas, assim, ele ganha a admiração do espectador fazendo que nós nos simpatizemos com suas escolhas, com seu caráter duvidoso e com suas piadinhas que não tem a intenção de serem engraçadas, mas que no fundo são. Os que completam o trio são Keira Knightely e Orlando Bloom com seus personagens Elizabeth e Will Turner respectivamente. Ambos trabalham bem como coadjuvantes dando o tom do romance que o filme pede, nada meloso, porém conseguimos absorver o sentimento dos dois, ou seja, na medida exata. Claro que suas atuações nem chegam perto do companheiro de cena Depp, mas com certeza, eles dão um toque a mais. Outro acerto do filme é o uso dos efeitos especiais que conseguem trazer mais diversidade a trama, sendo que esses são muito bem feitos, seja com esqueletos escalando barcos e lutando contra homens de carne e osso ou com grandes explosões entre dois barcos rivais. Falando em lutas, em Piratas do Caribe temos belas demonstrações de lutas bem ensaiadas, que dão um fôlego a mais no longa.

Tenho que citar também a maquiagem, forçada, que deixa a impressão de desleixo para o capitão Sparrow, mas que como disse o Luis virou marca nos bailes a fantasia, a fotografia que nos mostra a claridade de cenários belíssimos e a escuridão das batalhas noturnas e o figurino muito bem desenvolvido, categorias essas que completam com maestria o filme.

Quem gosta de aventura, lutas, romance, efeitos especiais, humor e tudo isso com um ligeiro toque épico, certamente se entreterá com Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra como eu me entretive.

Renan

criado por Luís/Renan    05:41:01 — Arquivado em: Filmes

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O LUTADOR

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The Wrestler, 2008, 115 minutos. Drama.

Indicado a dois Academy Awards nas categorias Melhor Ator (Mickey Rourke) e Melhor Atriz Coadjuvante (Marisa Tomei).

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O Lutador fala sobre Randy “O Carneiro”, um lutador profissional cuja vida dá uma guinada após uma parada cardíaca, impossibilitando-o de voltar à carreira. Tendo em vista a luta com Ayatolá, outro lutador que o venceu vinte anos atrás, Randy tem que retomar sua vida pacata, à procura de horas extras num açougue a fim de poder pagar o aluguel; paralelamente, tem um sutil envolvimento com uma dançarina que tenta ajudá-lo no seu problemático relacionamento com a filha.

Mickey Rourke, na minha opinião, não é um ator ruim. Mas os filmes dos quais ele participa nem sempre são sinônimos de boa qualidade. O último a que assisti, Domino, me deixou meio frustrado. Porém é em O Lutador que ele supera qualquer vestígio de boa atuação; aqui ele se mostra realmente competente na arte de atuar e transformar o seu personagem brutamontes num ser humano completamente frágil que, embora coberto por uma camada de brutalidade, tem essência gentil e amorosa. Ver Rourke atuando é extremamente válido, pois acredito ser a primeira vez em que sua capacidade artística é realmente revelada. E a Academia também concorda, pois essa foi a primeira indicação que ele recebeu, após muitos anos na carreira cinematográfica. Evan Rachel Wood, que vi num único filme, Aos Treze, participa pouquíssimo no filme, porém suas cenas como a filha de Randy são extremamente densas, caracterizando não somente o ápice da potencial restituição familiar, mas também o auge da raiva incontida. Marisa Tomei é uma atriz com uma longa carreira e por esse filme recebeu sua terceira indicação como Melhor Atriz Coadjuvante; porém, algo não saiu de minha cabeça: ela fez de sua mínima participação algo absurdamente excepcional - e eu não consegui ver isso - ou a Academia não conseguiu encontrar atuações que realmente merecessem estar na lista e acabou acrescentando Tomei somente para completá-la? O fato é que Cassidy, sua personagem, aparece pouquíssimo mesmo; talvez um pouco mais do que Viola Davis em Dúvida, que também recebeu uma indicação. Há pouquíssimas cenas envolvendo a personagem, embora eu nutra profundo respeito por Tomei, que, embora caia de cabeça de produções porcarias, como O Guru do Sexo, sabe atuar realmente bem e tem um carisma que poucas atrizes consegue ter; compreenderão isso quando virem os seus sorrisos no filme, sempre tão sinceros, radiantes e, ao mesmo tempo, tímidos. Acredito - porque é a única crença que se pode ter - que sua indicação se deve às duas cenas em que as falas da atriz não se resumam a gemidos; aproveitando a brecha, é necessário elogiar o físico da atriz (que é bem visível, afinal, ela é uma stripper) que, aos 44 anos, supera o de muitas atrizes mais novas, como, por exemplo, Kate Winslet em O Leitor. Sua participação em O Lutador é pequena e notável, porém eu não a indicaria a um Academy Award.

O roteiro do filme desde o começo deixa claro que o tópico a ser abordado é o “agora” e não o passado; dessa maneira, conhecemos a história de Randy sem que haja flashbacks, longas narrativas ou monólogos maçantes retomando a trajetória dele. Isso pode fazer com que alguns espectadores achem que o filme não dá o enfoque necessário à complicada situação entre Randy e sua filha; mas é extremamente importante ater-se àquilo que disse: o filme aborda o tempo presente. Embora vejamos pouco aprofundamento no relacionamento entre Cassidy e Randy, duas cenas nos mostram com perfeição qual sentimento nutrem um pelo outro e por que há a dificuldade em assumir isso de maneira mais explícita. O Lutador não é o típico filme que se vê lendo as entrelinhas, mas é fundamental esforçar para compreender os porquês de cada ação dos personagens, assim você não enxergará absurdos ou possibilidades onde não há. O final é um ápice: vemos que em meio a todas as adversidade, Randy está onde quer estar e está fazendo tudo por sua própria escolha e, embora seu caminho pareça incerto, é o que ele deseja seguir. Os ângulos, a iluminação - enfim, a cena em si - promovem a grandiosidade do personagem e fecha o filme de maneira extremamente satisfatória, sem expor, porém, como se concluem os relacionamentos a partir daquele momento. Sempre o presente, se lembram? Nem passado nem futuro.

Recomendo totalmente esse filme, porque é extremamente satisfatório. Não é um filme para chorar, nem para gargalhar; é um filme sobre temática humana, explorando acertos e erros, sem ser caricato. O final está sujeito à interpretações e eu, tendenciosamente pessimista, optei por acreditar num fim mais dramático - e confesso que até agora estou pensamento como seria a interpretação de Marisa Tomei na cena seguinte à cena final de O Lutador. Talvez pela cena que eu imagino sua indicação seria justificável…

Luís

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O Lutador é um filme brilhante, não consigo enxergar um erro grave ali. Aos que pensam que vão ver algo com muita luta no estilo Rock, engana-se. Claro que o a luta está ali, mas apenas como pano de fundo e como pretexto para o filme nos levar ao drama da vida de Randy. Randy é um lutador decadente, que fez muito sucesso nos anos 80, porém essa parte não nos é mostrada. Somos apresentados a uma versão mais velha, acabada, pobre, sem família, que mal consegue pagar o aluguem, e para o fazer, precisa ir ao ringue em lutas da “2º divisão”, e mesmo assim precisa trabalhar e fazer hora extra para completar sua renda. O que é mostrado também, é que a salvação da vida de Randy são as lutas, pois mesmo tanto tempo lutando não o fizeram perder o amor que sente pela sua profissão. Tudo isso muda quando ele descobre um problema com o coração o força a aposentadoria, lutando contra ela, ele tenta se reaproximar de sua filha, tenta conquistar uma dançarina, e rejeitado por tudo, ele decide enfrentar o ringue mais uma vez.

 

Não consigo ver outro ator para Randy do que Mickey Rourke…não conheço bem a história do ator, só sei que esse filme o trouxe de volta para o estrelato e o trouxe de forma única. Mickey, ao mesmo tempo que tem que passar por um lutador forte e destemido no ringue, mostra também um cara simpático, carismático, que faz piadas com sua situação, que brinca com os garotos da rua. Sua colega de cena também faz um ótimo trabalho. Marisa Tomei também está ótima ali, interpretando uma dançarina quarentona, embora não tenha ganhado o Oscar (merecidamente) ela faz um belíssimo trabalho.

 

Há cenas que parecem ser simples, mas que nos mostram muita coisa, principalmente o paradoxo entre o novo e o velho, como quando Randy convida o garotinho pra jogar Nintendo, um vídeo game ultrapassado segundo a criança, mas que Randy continua a jogar por poder jogar com si mesmo, nos mostrando o quanto ele está preso ao seu passado. Mostra-se também a decadência dos lutadores naquela feirinha, uns estão dormindo com próteses, outros com cadeiras de roda,e também a decadência de Cassidy, sendo rejeitada por vários homens por ser velha demais ou ter a “idade pra ser a mãe deles”. Outra cena muito boa é a que ela bebe metade da cerveja de uma vez só e diz ‘Uma cerveja’, acho que foi a parte que ela ficou mais sexy no filme todo.

 

Mais o melhor do filme é o final, que tem a chance de ser estragado, mas graças a Deus não é. Toda aquela preparação, antes feita na academia, clínica de bronzeamento, cabeleireiro, foi feita em casa, e quando Randy entra no ringue ao som de Gun’s Roses com Sweet Chlid O’ Mine  tudo fica melhor. A última cena é inteligente e emocionante. Não tenho como não recomendar “O Lutador”. Assistam!

Renan

criado por Luís/Renan    10:46:15 — Arquivado em: Filmes

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

AUTÓPSIA DE UM CRIME

Clique aqui para ver o trailer do filme.

Pathology, 2008, 94 minutos. Suspense.

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“- Você o matou.
- Ele ia morrer de qualquer jeito.
- Todos nós vamos morrer de qualquer jeito.”

Eis um filme cuja sinopse intriga o espectador e o faz acreditar que essa é uma obra bastante inteligente e com qualidade acima da média. Eu mesmo pensei que esse era o típico filme bom lançado entre os inúmeros ruins e que acabam sendo tomados como semelhantes, sempre esquecidos nas prateleiras da locadora. Então, eu e a Luiza - que já esteve aqui presente comentando Kill Bill volume 2 -, assistimos a essa obra para conferi-la. Um grupo de residentes estudam cadáveres, descobrindo o que levou às pessoas à morte. Dotados de um humor extremamente duvidoso, eles decidem demonstrar que são capazes de cometer um crime perfeito, que outro patologista não seja capaz de descobrir ou que sua dedução acerca do causa da morte seja deturpada. Assim, como num clube, eles se reúnem para cometer assassinatos inteligentes, expondo o corpo para que o grupo o verifique, fazendo análises e diagnósticos.

A sinopse é realmente interessante e me remeteu a bons filmes do gênero suspense, como Cálculo Mortal, Caçadores de Mentes, etc. Porém, a descrição do filme (tal qual eu a fiz) não corresponde honestamente à abordagem do roteiro, que é muito mais expansivo e enfoca inúmeras outras coisas bem diferentes do que é sugerido na sinopse. Milo Ventimiglia, Peter Petrelli de Heroes, encabeça o elenco, mas acaba tão coadjuvante quanto os outros. Seu personagem, logo no começo, é chamado para trabalhar com o grupo de residentes num hospital que lhe trará maior prestígio na carreira; Grey, seu personagem, é completamente hostilizado pelos outros, mas rapidamente se integra a eles, mesmo em meio à maneira hostil como é tratado. Se fosse mostrado de outra forma, talvez fosse mais crível aquele envolvimento rápido, mas no filme parece simplesmente incoerente. É como se eles resolvessem diminuir a duração e cortassem um pedaço do desenvolvimento; infelizmente, isso acontece muitas outras vezes durante Autópsia de um Crime. Outro problema do filme, como citei acima, é a abrangência da história, que destaca momentos absurdamente não importantes e, às vezes, como nas cenas de sexo, as enfatiza à exaustão. Aliás, quanto às cenas de sexo, elas não são bem realiazadas. Começam a se repetir incansavelmente e numa delas, o ângulo é tão medíocre, que quase é possível ver o ânus do ator.

As atuações não são ótimas, mas não são ruins também. Podemos considerá-las estáveis em relação aos atores principais, que são os intérpretes de Dr. Grey, Dr. Gallo e Dra. Juliette; acho que o grande problema dos atores, na verdade, se deve à edição, que, como eu disse acima, cortou umas cenas do filme. Temos que considerar que, como não é um filme de grande porte, os atores atuam como podem, embora Milo Ventimiglia seja bem melhor do que essa sua atuação morna. O desenrolar dessa trama está bem distante da suposta inteligência que pensei haver, mas não é ruim por causa disso. Há boas cenas e muitos momentos em que a loucura dos personagens se tornam cômicas; há também alguns diálogos de impacto e momentos interessantes de tensão.

Lembra-se do que disse no primeiro parágrafo? Pois bem, ao terminar de vê-lo, cheguei à conclusão de que embora tenha comprado um produto, não foi o mesmo produto que recebi. Mas, ainda assim, me entretive com o filme e achei-o uma boa pedida para quem está sem expectativas quanto ao que quer ver. Bom para as segundas-feiras à noite.

Luís

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Gostei bastante desse filme, mais do que eu poderia pensar. Ao ver o título, pode-se pensar que é mais um filme com um tema ligado a medicina como Awake – A Vida por um fio, mas diferente disso Autópsia de Crime se mostra um filme que trata além disso, pois o seu verdadeiro tema é a corrupção do indivíduo mediante o meio em que ele vive. Nesse contexto temos o Dr. Grey que é mandado para outra cidade para fazer sua residência médica e lá encontra o restante do grupo e esses se mostram, inicialmente, extremamente hostis, e é nesse momento que ele começa a se envolver mais seriamente com eles, mostrando a corrupção do ser humano. Corrupção porque, fora do expediente, as ações do grupo são bem condenáveis, para ser mais claro, eles matam pessoas aleatórias para os próprios fazerem a autópsia, ou apenas por prazer mesmo, e aqui tenho que dizer que o título nacional ficou muito melhor que o original, pois Autópsia de um Crime é ambíguo e sem dúvida mais inteligente do que Pathology. Mesmo tendo vários personagens importantes para a estória como a noiva de Teddy e o resto do grupo de residentes, claramente os principais são o Dr. Grey e o Dr. Gallo, o primeira marcado, inicialmente, pela bondade e o segundo beirando quase a loucura.

 

É interessante também, vermos várias cenas sobre as autópsias que ficaram muito bem feitas, com todos aqueles corpos sendo abertos para determinar as causas das mortes, e o incrível é que não sentimos nada vendo aquilo, pelo tom profissional e frio que o filme mostra, sendo que a melhor, sem dúvida, é quando o Dr. Grey tem que analisar sua noiva, morta por vingança. Contrapondo a isso a uma cena claustrofobica e extremamente ruim de ser vista que causa ânsia em que vê, que é quando o Dr. Gallo leva o seu colega para uma espécie de bordel onde tem aquela mulher muito nojenta na cama. E mudando de assunto o filme é bom também para quem leu livros nesse estilo, como Desaparecidas e O Pecador, pois ilustra com clareza e realidade o trabalho de um médico patologista. O final também é interessante, quase surpreendente, e mais uma vez o roteiro prova a minha teoria da mudança do homem.

 

Não pensem, porém que o filme é imperdível e tem que ser a sua primeira escolha quando for à locadora, pois não é, é apenas um filme bom que com certeza vale a pena ser visto e que eu me surpreendi vendo por todos os motivos citados acima.

 

Renan

criado por Luís/Renan    10:44:45 — Arquivado em: Filmes

sábado, 19 de setembro de 2009

MOÇA COM BRINCO DE PÉROLA

Clique aqui para ver o trailer.

Girl with a Pearl Earring, 99 minutos, 2003, Drama.

Indicado a 3 Academy Awards, incluindo Melhor Fotografia.

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O filme conta a estória de como surgiu o quadro Moça com Brinco de Pérolas. O enredo é relativamente simples: Uma moça judia de origem humilde que, diante da dificuldade financeira da família, é mandada para trabalhar na casa de um famoso artista holandês. Apesar da visível delicadeza e ingenuidade (que vemos ir perdendo-se ao longo do filme) sua determinação a faz levantar-se cedo, cuidar da limpeza da casa, aguentar as constantes gestações da patroa e a própria patroa, além das crianças diabólicas.  Quando começa a demonstrar um dom para a arte, desenvolve um nível profundo de contato com o pintor, seu patrão, bem mais profundo que um sentimento de paixão. Até o momento em que o mecenas exige a pintura de um quadro da garota, o que leva a vida dela fora e dentro da casa, a ter complicações maiores.

 

O filme é muito bom e com certeza vale ser visto. A fotografia é incrível, acho que a melhor que eu já vi, e com isso o diretor conseguiu fazer com que muitas cenas realmente parecessem um quadro, como por exemplo, a patroa de Griet com o vestido que foi pintada, o contraste entre o cenário e o vestido produz um efeito muito bom, ou também quando Griet está cortando os alimentos sistematicamente  no começo do filme. Além disso, há o fato de o filme não ter muitas falas, e é ai que entra a capacidade de interpretação dos atores, principalmente da Scarlett Johansson que faz seu papel extremamente bem.  Particularmente não gosto muito da Scarlett pois quando a vejo, ela sempre me lembra uma Barbie com sua pele perfeita e esticada beirando ao plástico, mas como disse antes, ela trabalha muito  bem suas expressões passando emoções diferentes em um jeito de olhar e por ai vai. Outro fator interessante é Griet mostrar o cabelo apenas uma vez (por motivos religiosos), o que instiga a curiosidade de quem assiste.

A melhor cena do filme é quando ele vai pinta-la. Ele manda ela umedecer o lábios repetidas vezes e abrir um pouco a boca, e ela faz isso várias vezes, voltando na mesma posição, e a cena fica bonita mesmo quando ela fica parada por um longo tempo nessa posição, dando a impressão de uma pintura. Ao mesmo tempo que é lindo é poéticamente sensual.

Renan

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Apenas assisti a esse filme porque o Renan e a Joice assistiram e falaram muito bem a respeito. Se não fosse isso, nada chamaria a minha atenção para o filme, pois, definitivamente, nenhum dos atores presentes nele me fazem sentir atraídos por suas atuações. Não vou resumir o filme, porque o Renan o fez na resenha dele, mas concordo com ele a respeito de que a história é realmente muito simples.

 

A característica principal no filme não são os diálogos ou as falas. O filme prima pela imagem: cada cena é tipicamente visual, chama a atenção pelo que vemos, não pelo que ouvimos. E isso é linear, vai do princípio ao fim, sem irregularidades, o que se mostrou um ponto muito positivo na minha opinião. A simplicidade do roteiro também é um ponto a favor, pois devido à sua simplicidade, foi possível abordar com muita eficiência a vida de Griet enquanto criada do pintor. Percebemos como a estadia na casa influenciou as suas atitudes e como ela nutria um desejo pelo patrão, embora isso seja mostrado muito subjetivamente. Não temos uma noção muito exato do tempo, ainda que saibamos que provavelmente mais de dois meses se passam desde que Griet se torna empregada até quando o filme termina; o tempo, de qualquer maneira, não é um fator importante, pois pouco acrescenta.

 

A respeito dos atores, não sei exatamente o que dizer. Eu acho que, de uma maneira geral, Moça com Brinco de Pérola é uma obra boa, mais por causa do roteiro e da fotografia do que pela atuação dos atores. Colin Firth está realmente bonito nesse filme e há um charme nele que não existe em alguns filmes posteriores, como Mamma Mia. Mesmo falando pouquíssimo, Firth compõe bem seu personagem e facilmente compreendemos o porquê do interesse de Griet por ele. Não sei se vão todos concordar comigo, mas há interesse por parte dela e, talvez, dele. Mais um filme com Scarlett Johanssonn a que assisto e ainda não sei se ela é ou não uma boa atriz. Algo que me diz que ela é somente um sorriso muito bonito; nem digo rosto bonito porque há algumas cenas, como naquela em que a vemos sem a touca, em que ela definitivamente não está bonita. Realmente penso que a fotografia acrescentou beleza à atuação da atriz, que, ao ser filmada de alguns ângulos generosos, causa a impressão de que tudo é plena capacidade artística de Johanssonn. A única coisa que pude realmente constatar a respeito dela é que suas mãos são incrivelmente feias.

 

Diferentemente do que o Renan disse na frase enfática dele, eu não acho que Moça com Brinco de Pérolaessa produção seja um grande filme. Creio que Moça com Brinco de Pérola seja somente mais um filme interessante, que garante entretenimento para alguém que deseja ver algo belo. Não nego que a fotografia é impressionante, mas não vou supervalorizá-lo dizendo que ele é muito bom. O ritmo suave do filme agrada, o ótimo uso dos atores coadjuvantes também acrescenta qualidade, mas, no fundo, é só um filme pra se ver num dia qualquer.

Luís

criado por Luís/Renan    08:08:58 — Arquivado em: Filmes

terça-feira, 15 de setembro de 2009

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?

Slumdog Millionaire,  2008, 120 minutos, Drama

Indicado a 10 Academy Awards, ganhador de 8, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor

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Acho que não é muito fácil analisar uma obra vencedora do Oscar de Melhor filme e de tantas outras categorias, pois com certeza, o filme foi julgado por pessoas muito mais capazes que eu.

Pra começar, tenho que dizer que não esperava ver o que vi. Imaginei um filme pesado, no estilo de A Troca, que é o tipo de filme que não se assiste toda semana devida a grande carga emocional. Fiquei surprendido ao ver como o diretor Danny Boyle, conseguiu fazer um filme tranquilo e tão bom. Não pensem, entretanto, que é um filme leve, mas a capacidade da equipe se mostra quando vemos cenas densas tranformadas em cenas extremamente boas e agradáveis. Gostei muito da parte em que  Jamal se joga na merda - literalmente - por um sonho. A primeira vista, pode ate parecer engraçado, mas analisando-a melhor vemos, desde pequeno, um garoto que faz tudo que tiver ao alcance por um sonho, qualidade essa que fica mais clara, nas cenas do programa Quem quer ser um milionário, onde ele parece não dar grande importancia ao dinheiro, pois está ali, não para ficar rico, mas para que  alguem o veja e o espere na estação as 5 da tarde. Outro ponto bom do enredo, é a forma como a estória é contada. Desde o começo Jamal está no programa, e a estória de como ele sabe as respostas do show, que, como um quebra cabeça vai se formando. Todas tem um ponto tocante, mas tenho que citar duas: O fato de ele saber quem está na nota de 100 dolares americanos, já que nessa sentimos grande pesar pelo menino cego que canta, e que pelo tato e olfato consegue integir com o mundo e também como ele sabe que o deus Rama carrega nas mãos um arco e uma flecha, pois quando vemos aquele corpo azul boiando, entendemos perfeitamente porque Jamal diz:
- “Acordo toda manhã rezando para não saber a resposta dessa pergunta”
Acabo de me lembrar do quanto é bonito o final, quando a ultima pergunta é feita, com Jamal se lembrando, e como nos sentimos felizes de Latika estar, e atender o celular.

Outro ponto a favor do filme é o elenco, é bom não ver algum rosto conhecido, pois assim, conhecemos novos atores e atrizes em potencial. Todos, nas tres idades diferentes, conseguem fazer bem seus papeis, e aqui gostaria de dizer que gostei muito da atuação dos três personagens que interpretam Salim, o pequeno principalmente. Há varias partes que demostram o amor que ele tem pelo irmão, amor esse que traz o ciume, e ate o odio de Latika, e há cenas que nos demostram isso como na que ele solta mão de Latika e quando ele vende a foto autografada do irmão, e todos os tres atores souberam dosar esses sentimentos em belissimas atuações. Claro que não podemos desmerecer os atores que interpretaram Jamal e as atrizes que interpretaram Latika, pois todos nos passam a impressão de que um amor real é construido.

Só pra finalizar…sobre a trilha sonora. Quando ouvi Down to Earth do Peter Gabriel, tinha certeza que iria ganhar, gostei bastante da música, e quando vi o vencedor, simplesmente nãe entendi como aquela música tinha ganhado. Assistindo o filme se ve a eficacia da trilha sonora, que na maior parte do filme tem uma batida pesada, um exemplo do bom uso dela, é a cena, bem no começo, que Jamal e Salim correm do policial. Gostei também do final, com a música Jai Ho ( musica vencedora), com uma parte do elenco dançando. Normalmente acharia tosco, mas nesse filme caiu bem. Confiram “Quem quer ser um milionário” e garanto que não iram se arrepender.

Renan

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criado por Luís/Renan    00:50:18 — Arquivado em: Filmes

domingo, 13 de setembro de 2009

PROVOCAÇÃO

The Door in the Floor, 2004, 111 minutos. Drama.

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Peguei o filme decidido a vê-lo tomando como base apenas o nome, já que eu não conhecia a história, não sabia quem eram os atores principais, nem tinha visto nenhuma imagem sobre ele. Porém, logo nas cenas iniciais, me interessei bastante, principalmente pelo fato de haver uma criança no elenco e também pela presença de Kim Basinger, que, embora não esteja sempre em filmes bons, me dá uma sutil esperança de que ele possa realmente sê-lo.

Um casal está com problemas conjugais e entre eles há as lembranças pesadas do passado, no qual os filhos mais velhos morreram num acidente. Ted é um escritor talentoso que escreve obras infantis e durante um verão aceita Eddie, filho de um colega, na sua casa, a fim de ensinar a ele algumas técnicas acerca da escrita, já que o garoto quer ser escritor. A presença do jovem acaba reacendendo o passado, trazendo novas recordações ao mesmo tempo em que Marion, que ficou profundamente abalada após o acidente, começa a se sentir melhor quando está com o garoto.

A história de Provocação é bastante interessante, criando diversos momentos bons e com qualidade, principalmente a respeito dos relacionamentos dos personagens. A característica que mais impressiona é o fato de o relacionamento entre Ted e Marion comportar inúmeras mentiras disfarçadas, permitindo-os trair sem remorsos e ainda manter um certo elo entre eles; além disso, é tão liberal a relação que parece não haver segredos ou tabus entre a família destruída, já que todos são livres para falar como bem entendem assim como agir conforme querem. Em partes, é essa mesma relação que talvez perturbe a serenidade dos dois, colocando-os à prova e desconstituindo uma normalidade. Quanto às atuações dos atores, são boas e colocaboram para elevar um pouco o filme. Jeff Bridges está muito bem interpretando um marido que tem conhecimento a respeito do relacionamento da esposa com o novo assistente; não só conduz bem a posição de pai protetor e homem da casa como se põe na situação extremamente oposta a essa, quando é apenas o marido traído que consente com tal ato. Kim Basinger tem seus bons momentos no filme e cabe a ela duas das mais potentes cenas, que são aquela em que flagra Eddie homenageando-a com uma masturbação  e quando é flagrada pela filha enquanto transa com o garoto. Jon Foster, intérprete de Eddie, também não deixa a desejar e acredito que se deva à sua caracterização o título nacional. A pequena Ruthie nos remete a alguém que conhecemos há algum tempo: Dakota Fanning. Na verdade, Elle Fanning, intérprete de Ruth, é irmã da outra já famosa atriz! Não há maneiras de repreendê-la em sua atuação, de tão espontânea e carismática que se mostra.

O roteiro tem um fio bastante denso, que poderia ter se tornado um grande drama. Mas há alguns aspectos que foram mal concebidos e o filme não tem um auge estrelar. Talvez a maneira precipitada com a qual os personagens se relacionam não permita um desenvolvimento melhor do que cada um sente. Antes disso, eles já estão nas posições que assumiram ao longo da obra e parece não haver espaço para que se cave mais fundo na emoção de cada um. Então, em vez de evoluir, temos a impressão de que estagnou. A inserção da personagen Sra. Vaughn também não diz muito, ainda assim há momentos que parecem querer dizer alguma coisa; mas como faltou perícia na condução da personagem desde o início do filme, tratamo-na como se fosse apenas uma figurante com fala.

Provocação é uma obra um pouco longa para contar aquilo que poderia ser contado em menos tempo, de uma maneira mais dinânica. Eis um filme com acertos e desacertos em igual proporção, então não há por que vê-lo nem por que não vê-lo. Não acrescentará nada à sua vida nem tirará nada de você, então espero que vocês concluam se devem ou não assistir a esse filme ao ler essa crítica. A seu favor estão as atuações e o roteiro, mas contra ele está a direção aparentemente sem foco, que desperdiçou uma boa história. Decidam!

Luís

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O título “Provocação” pode não chamar muita a atenção de quem está na locadora, pois é mal traduzido, não dá nenhuma idéia do que pode ser o filme, diferente do título original “The door in the floor” que é inteligente e instigante. Deixando as traduções mal feitas de lado o filme se mostra muito capaz de mostrar o drama de um triangulo amoroso complicado.

O enredo, apesar de não ser inovador e brilhante é interessante. No filme temos a história de Ted (um escritor que tem suas obras destinadas ao público infantil) e Marion, um casal com um longo casamento, mas que depois da morte dos dois filhos ficou extremamente desestabilizado e depois disso ainda tiveram a pequena Ruth. No processo de separação onde cada um dorme em uma casa todo dia chega à história Eddie, um adolescente que tem a aspiração de ser escritor e vêm para ser assistente de Ted. Ele logo se apaixona pela mulher de seu mestre. Como disse, nada de inovador, mas está na atuação, na direção e na construção dos personagens os melhores pontos do filme. Os três convivem, não pacificamente, mas relativamente bem sendo que todos conhecem os sentimentos uns dos outros. Marion que vê um dos seus filhos mortos em Eddie começa a ter um relacionamento carnal com ele, mas isso não acontece de repente, mostrando a quem assiste cenas extremamente embaraçosas como o garoto sendo flagrado masturbando-se no quarto dela vendo seu sutiã e sua calcinha. Também temos a construção de Ted, que no início parece se mostrar o mocinho da história, mas ao longo do filme vai se mostrando tão humano quanto os outros dois, sendo que ele tem o hábito de “destruir” a vida das pessoas com desenhos. Outra que se destaca é a interprete de Ruth que apesar da pouca idade parece já ter talento (fato quase natural, levando em conta que sua irmã é a Dakota Fanning) e o mostra em cenas que parecem ser pra chocar quem assiste como a que ela pega a sua mãe e Eddie na cama e grita, mas logo que Marion explica o que está acontecendo, ela sai calmamente e volta a dormir, tornando a cena em algo quase engraçado. Dos personagens principais Marion é a que fica mais apagada ali, mas mesmo assim tem seu charme de quarentona seduzindo um garoto.

Espero que eu tenha dado a entender que o filme não é a melhor coisa que eu assisti, ou seja não é imperdível, mas com certeza vale a indicação para que seja assistido ao menos uma vez.

Renan

criado por Luís/Renan    04:18:43 — Arquivado em: Filmes

sábado, 12 de setembro de 2009

ROTA MORTAL

Rest Stop, 2006, 87 minutos. Terror.

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Anualmente, são lançados alguns filmes do gênero terror que envolvem espíritos e outros filmes do mesmo gênero que envolvem assassinos que perseguem suas vítimas de maneira implacável. Quanto ao primeiro, cito Evocando Espíritos; quando à segunda categoria, cito O Massacre da Serra Elétrica. Há ainda roteiros malucos que envolvem os dois gêneros num só, acrescentando tramas paralelas, momentos indecifráveis e ainda dando amostras de tortura. Rota Mortal pertence a esse grupo de filmes.

Jess e Nicole são namorados; ela fugiu de casa e, juntos, estão indo do Texas para Los Angeles. Após quase sofrerem um acidente na estrada, ela precisa parar e ir ao banheiro. Quando retorna, porém, o namorado e o carro sumiram, deixando-a sozinha num lugar aparentemente abandonado. Aos poucos, um homem que dirige uma caminhonete amarela começa a persegui-la, sem que haja lugares para os quais ela possa fugir; o jeito, então, é refugiar-se no banheiro da parada de descanso. Mas ela descobre que não está totalmente a salvo lá…

A parte boa do filme é que ele vai direto ao ponto. Logo nos primeiros vinte minutos, os personagens já se encontram na posição que ocuparão durante o resto da produção. O namorado sumiu e Nicole nada mais é do que um rato acuado num canto. A interpretação da atriz principal certamente não é a melhor já vista em filmes de terror, mas também não se assemelha a muitos lixos mostrados constantemente. Em alguns momentos, em que há necessidade de um tom mais dramático, a atriz perde o fio da meada e suas expressões acabam se tornando caretas inapropriadas; em outros momentos, porém, ela se comporta tal como eu imagino que uma pessoa se comportaria numa situação como aquela pela qual ela passa. Ainda bem que existem passagens interessantes que mostram com comportamento sensato, no qual a personagem se priva de atitudes idiotas; no entanto, outras vezes, parece incoerente que queira se salvar.

O roteiro explica algumas coisas, mas deixa outras tantas sem explicações. Em um determinado momento, ocorre ênfase no assassino que está encurralando Nicole, numa cena bem construída, na qual a moça lê vários recados deixados na porta do banheiro. Várias datas estão ali marcadas, mostrando que a fome por mortes do cara da caminhonete amarela é voraz e há anos ele ataca as pessoas. Porém, logo na cena de abertura, percebemos que ele não pode simplesmente ser um homem comum; depois ele parece tão palpável quanto qualquer um de nós. Em meio ao cenário no qual está inserida Nicole, há um trailer que parece abandonado, mas que posteriormente percebemos que não é. Na minha opinião, a inclusão desse elemento parece uma cópia de O Massacre da Serra Elétrica, que tem aquela gorda e aquela esquisita. Em Rota Mortal, há também uma família estranha semelhante a do outro filme que eu citei. Para mim, é somente um sutil plágio. Segundo soube, o segundo filme contém explicações que não vemos nesse, então, vou assisti-lo para conferir.

Eu acho que esse não é um dos melhores filmes do gênero, mas vale a pena assistir. É um  entretenimento satisfatório para uma noite chuvosa qualquer na companhia de alguém agradável… O filme tem altos e baixos, mas, se for visto sem grandes expectativas, torna-se uma trama densa, com cenas de tortura, bastante sangue. Em contrapartida, há uma sensação de que algo não foi explicado. Mas, enfim, vejam-no. Tão logo que eu assistir ao segundo filme, comento-o aqui.

Luís

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Não sou muito fã de terror, pois se é pra ficar com medo prefiro muito mais o suspense, além disso, a tentativa de passar medo com filmes de terror muitas vezes saem falhas nos causando apenas um profundo desconforto em algumas cenas e no resto só sentimos raiva dos personagens por serem tão obtusos. Isso é Rota Mortal. Nicole foge de casa com o namorado Jesse, no meio da estrada eles têm um desentendimento e depois ela pede ao namorado que pare para ela ir ao banheiro, só que como eles estão em uma estrada vazia eles só encontram um camping com um banheiro praticamente no meio do mato abandonado e vazio (obviamente). Depois de fazer suas necessidades Nicole volta e descobre que seu namorado não está mais lá e mais tarde descobre também que está sendo perseguida por um serial killer.

 

O primeiro ponto que achei absurdo nesse filme é a burrice da personagem principal. Há cenas que ela parece ser desprovida de massa cefálica como na que ela - perece que – percebe que o vídeo que está vendo é o vídeo de sexo que ela e seu namorado fizeram e não relaciona nada com nada. Outra cena que parece ser incoerente é quando ela espera a pseudo–ajuda, mas ao invés de ficar escondida que é o que qualquer um faria, ela bebe, sai do trailer, passeia um pouco, volta ao banheiro, ou seja, ela parece que quer ser pega. Outro ponto falho do filme é a tentativa de dramatizar algumas partes e quem assiste fica se perguntando o que é aquilo, vemos o filme esperando, no mínimo, um pouco de sangue e, no entanto vemos a garotinha chorar dizendo que ama o namorado, relembrando os bons tempos deles….Quanto a atuação acho realmente que não tenho nada a comentar pois temos uma personagem principal tosquinha e um serial killer que não aparece, portanto a melhor atuação fica para a camionete que dá um show em cima dos outros. Mas o filme não é só feito de cenas ruins, e acho que as melhores ficam por conta do serial killer mordendo o dedo da garotinha e cortando a língua do Jesse. Há uma sequencia boa do filme também que é aquela que Nicole entra naquele trailer em movimento e descobre uma família muito estranha e se há boas atuações, essas ficam por conta da mãe que a xinga de vadia por ter entrado naquele quarto e do pai que enquanto a mulher xinga Nicole ele dá um sermão religioso.

 

Não consigo recomendá-lo, pois duvido que em uma olhada a mais na locadora ou em uma dica de um amigo você não consiga achar algo melhor, mas se não achar nada, Rota Mortal pode ser um bom guia do que não fazer no caso de um serial killer te perseguir.

Renan

criado por Luís/Renan    16:53:04 — Arquivado em: Filmes

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

FIM DOS TEMPOS

The Happening, 2008, 91 minutos. Drama.

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Esse filme do diretor M. Night Shyamalan repercutiu bastante: alguns o vêem como um interessante filme acerca dos resultados da falta de escrúpulos do homem, outros simplesmente vêem uma construção absurda e patética. Após muito tempo que o filme saiu das sals de cinema, eu acabei conferindo tardiamente a esse filme, cuja história é mais ou menos essa: várias mortes acontecem nas grandes cidades do nordeste dos Estados Unidos; são absurdamente chocantes pois acontecem inesperadamente, como se todos decidem suicidar-se coletivamente. Elliot e Alma decidem fugir o mais rapidamente do local onde os eventos estão acontecendo; juntam-se a Júlian, amigo de Elliot, e tentam ir para a casa da mãe dele.

A primeira coisa que tenho a dizer que é o pôster e o título sugerem algo que esse filme definitivamente não é! Pela imagem acima, temos a impressão de que veremos uma obra extremamente caótica, que mostra a destruição de maneira brutal e sanguinolenta e que a única certeza que se tem é que realmente é o fim dos tempos. Porém, as cenas de maior choque em relação à brutalidade que apresentam são um acidente de carro e um homem que decide morrer sendo triturado por um cortador de gramas. Fora essas que citei, não há outras grandes cenas. Diferentemente de outras boas obras de Shyamalan, como O Sexto Sentido, aqui temos uma obra meio irregular, com altos e baixos, que interessam o espectador num minuto para logo em seguida desanimá-lo. Acredito que o grande problema quanto ao roteiro é a maneira como dá a entender que o evento - que seria a tradução literal e pouco comercial desse filme - aconteceu. Muitas pessoas simplesmente o repugnaram; não achei ruim o ataque das plantas, só não acho que seja razoável mostrar daquela maneira. Temos a impressão de que todas as plantas se uniram, como numa conspiração silenciosa, para atacar os humanos com as suas toxinas. Seria mais fácil se acontecesse numa região isolada, onde as agressões à vegetação fosse frequente e o grupo ao qual se dirigem os ataques venenosos fosse específico, assim seria mais fácil assimilar com as explicações feitas ao longo do drama a respeito da capacidade de defesa das plantas.

Mark Wahlberg certamente não deu o melhor de si, mas a sua atuação é satisfatória. Não interfere no filme de maneira significativa, nem o piora nem o melhora. Mas Zooey Deschanel, também presente no recente Sim Senhor!, com Jim Carrey, parece completamente perdida; desde o início, vemos a atriz sem saber exatamente o que fazer, com o olhar confuso. Talvez seu maior problema seja o roteiro, que não deixa exatamente claro qual a personalidade da personagem, tornando-a introspectiva, romântica, carinhosa, agressiva, etc. Incoerente, de uma maneira geral. Eu diria que praticamente não há atores coadjuvantes, afinal os que existem participam tão pouco que eu os considero figurantes com fala. O personagem de John Leguizamo poderia ter sido bem mais aproveitado, porém é descartado nos primeiros trinta minutos, já que o diretor acreditou que a relação entre Alma, personagem de Zooey, criaria bons momentos maternais com a pequena Jess, filha de Júlian, o que não acontece. Acredito também que há pouco desenvolvimento de assuntos importantes para caracterizar o filme como um drama, não somente alusões a problemas que o casal apresenta e uma jornada rumo à salvação. Os distúrbios entre Elliot e Alma deixam a desejar, assim como a inserção de Jess nas preocupações do casal, entre outras coisas colcaboram para enfraquecer a impressão do espectador.

Ainda que possua muitas irregularidades, não é um filme abominável e conferi-lo pode ser um passatempo interessante, pois a estrutura narrativa não é ruim e inclui alguns bons momentos, como as mortes iniciais, o percurso na rodovia, a tentativa de entrar numa casa e, por fim, a estadia na casa da Sra. Jones. Este filme está longe de ter qualquer aspecto considerado bom, mas também não é tão ruim a ponto de ser indicado a quatro Framboesas de Ouro…

Luís

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Comecei assistindo esse filme com muito preconceito, já que tinha ouvido falar muito, mas muito mal dele. Graças a isso tive uma agradável surpresa ao vê-lo. Não que ele seja o melhor filme que já vi, aliás, passa bem longe disso, mas também não é o pior.

 

O filme no todo é muito problemático. Podemos começar com a escolha dos atores que não foi muito boa, Mark Whalberg que faz um papel bem legal como “o-marido-que-busca-vingança-pela-morte-da-mulher” em  Max Payne, aparece totalmente apagado como Elliot, e parece não saber fazer uma piadinha como na cena em que ele diz que quase comprou remédios porque a mulher da farmácia era linda, ou não passa nenhuma emoção quando vai encontrar sua mulher na cabana, correndo risco de ser “morto” pelas plantas. Falando da mulher dele, Zooey Deschanel, como Alma, também está meio perdida ali, e não consegue passar nenhuma emoção que o filme pede. Seu pseudo-caso com Joey fica esquecido e logo ficamos com raiva da personagem, não por ter quase traído seu marido, mas pela interpretação sonsa e sem sal. Pra fechar o trio principal na maior parte do filme há a garotinha, filha de Julian, que parece ter colocada ali porque o diretor devia favores ao pai dela. Ela não fala, não chora, só anda, e devagar atrasando o casal principal. Não estou contando o pai dela como um dos principais embora ele seja de longe um dos melhores ali. Outro ponto que poderia ter ficado melhor foi o enredo: plantas começam a soltar toxinas que induzem as pessoas a cometerem suicídio. De verdade, não achei tão ruim assim, foge um pouco dos padrões das estórias que vemos por ai, e seria interessante se o roteirista não tivesse colocado ali um alerta ambiental, ou seja, as plantas soltam as toxinas como forma de demonstrar sua infelicidade com o caos ambiental hoje? Além disso, há outros pontos que defendem o verde no filme, como a aula de Elliot no começo do filme. Poderiam ter ficado sem essa e colocado as plantas matando os outros por puro prazer de exterminar a raça humana.

 

Com tudo isso, ainda resta pontos positivos no filme como os vários suicídios, onde as pessoas usam o objeto mais próximo para seu fim, e aqui gostaria de destacar a cena da arma, onde um policial se mata com a própria arma, outro vem, a pega e se mata, e assim por diante, ou a cena em que Julian morre, não propriamente ele, mas em um momento vemos o carro andando normalmente, ele para, e com uma acelerada, ele vai direto pra uma árvore. Não há como não citar também a Sra Jones, a melhor atriz do filme todo, fazendo uma senhora louca e perturbada, praticamente com transtorno bipolar. Considero um filme válido para ser assistido se alguém te emprestar, mas eu não gastaria meu dinheiro alugando-o.

 

Renan

criado por Luís/Renan    02:16:07 — Arquivado em: Filmes
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