Literatura e Cinema

“Sem correr no corredor, Nancy” - Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo.

domingo, 27 de setembro de 2009

CAPITÃES DA AREIA

Jorge Amado, 1937, 269 páginas (Editora Companhia das Letras)

Pertence ao Modernismo, faz parte da lista integrada FUVEST/UNICAMP - 2010

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Capitães da Areia é o penúltimo livro nacional de leitura obrigatória na FUVEST/UNICAMP que traremos aqui no blog. O próximo será Dom Casmurro com a análise do Luís, e aqui, continuarei da forma que estamos fazendo nos últimos livros. Capitães da Areia traz como tema principal, uma crítica social: os garotos de rua.

Narrador: A história é contada em 3º pessoa por um narrador onisciente, que é aquele que sabe de tudo, pois além de narrar o presente dos garotos, o narrador conhece o passado deles. O tempo é o presente, dando a impressão que as ações estão acontecendo no mesmo momento da leitura.

Espaço: Todas as ações acontecem em Salvador – BA em sua maioria nas ruas das cidades, onde os garotos furtam pra viver, além da rua há outros espaços como as casas que eles analisam antes de roubar ou o trapiche em que eles dormem. A data em que ocorre o romance é imprecisa, mas pesquisando, vi que parece ser algo entre de 1928 e 1932, pois em 1917 eclodiram as greves operárias, na qual o pai de Pedro Bala morreu.

Personagens:Pedro Bala: É um jovem loiro de 15 anos que tem como característica física, um corte no rosto. Durante a 90% do livro, ele foi o chefe dos Capitães da Areia, retirando do poder Raimundo, o antigo líder. Ágil, esperto e  sabendo respeitar a todos, ele se consolida no poder. Bem no final do livro, depois da morte de Dora sai do grupo para organizar e comandar os Índios Maloqueiros, outro grupo de meninos de rua em Aracaju, deixando Barandão, outro do Capitães da Areia como líder. Depois disso ficou muito conhecido por organizar várias greves inspirado no seu pai, que morreu em uma.

Dora: Personagem mais importante, depois do Bala. Chega no meio do romance com treze para quatorze anos e era a única mulher do grupo e se adaptou bem a ele. Depois da primeira impressão onde todos queriam estuprá-la; conquistou facilmente o grupo. Seus pais haviam morrido de alastrine (varíola) e ela ficou sozinha no mundo com seu irmão pequeno. Tentou arrumar emprego, mais ninguém queria empregar filha de bexiguento. Aí ela encontrou João Grande e professor que a chamaram para morar no Trapiche, e logo ela já era considerada por todos como uma mãe, irmã e para Bala uma noiva. Ela participava dos roubos com os outros meninos. Morreu queimando de febre, não antes de se entregar para o verdadeiro amor, Pedro Bala

Professor: O único parcialmente estudado do grupo, pois era o único que sabia ler.  Era um garoto magro, inteligente e calmo. No seu tempo como um do grupo ele contava diversas histórias para os garotos divertindo-os, além de ler notícias, principalmente para o Volta Seca. Além disso, ele ajudava a arquitetar os planos de roubo. O professor era quem planejava os roubos dos Capitães da Areia. Depois de muito tempo aceitou um convite e foi pintar no Rio de Janeiro.

Gato: O mais bonito e o que mais se dava bem com as mulheres mais velhas,em especial Dalva, uma prostituta, que era sua companhia permanente, dando a esse personagem a marca do “malandro”. Na última parte do livro, ele vaipara Ilheús tentar a sorte.

Volta-Seca: Imitador de pássaros e afilhado de Lampião; era mulato e sertanejo. Na última parte vai em busca do padrinho, onde é recebido e mais tarde tratado como um dos mais impiedosos matadores do grupo.

Sem Pernas: De longe o melhor personagem do grupo. Seu apelido advém de uma deficiência na perna que o torna coxo, além de ser agressivo e individualista. Ele penetrava nas casas abusando da boa vontade das pessoas para descobrir onde estavam os objetos de valores. Era roubando que se vingava da sociedade. O único caso que ele se sentiu mal foi o de ter roubado Dona Ester que o acolheu como o filho que tinha perdido. Seu final foi suicidar-se quando a polícia corria atrás dele, tendo assim, sua última vingança contra a sociedade.

João Grande: Negro, mais alto e mais forte do bando, porém o menos dotado de inteligência. Desde o começo foi um dos líderes do grupo e os outros o respeitavam por ele ter a força física e também por ser bom com os outros. Além disso, gostava muito de Querido-de-Deus, com quem, juntamente com outros membros, aprendia capoeira. No final, ele embarcou como marinheiro, num navio de carga do Lloyd.

Pirulito: Era magro e muito alto, além de ser o único do grupo que tinha vocação religiosa apesar de pertencer aos Capitães da Areia. Quando parou de roubar, para sobreviver vendia jornais, seu destino foi ajudar o padre José Pedro numa paróquia distante.

Boa Vida: Era o mais malandro do grupo, pois não participava dos roubos e para contribuir, roubava alguns objetos repassando para o líder, Pedro Bala. Seu destino foi virar um malandro da cidade, que vivia a andar pelos morros compondo sambas.

 

Outros Personagens: ●João-de-Adão: Estivador, negro fortíssimo e antigo grevista, era temido e amado em toda a estiva. Através dele, Pedro Bala soube de seu pai, pois este também era um estivador grevista. Segundo ele, a mãe de Pedro falecera quando ele tinha seis meses.

Don’aninha: Mãe de santo, sempre os ajudava em caso de doença ou necessidade.

Padre José Pedro: Introduzido no grupo pelo Boa-Vida, conhecia o esconderijo dos capitães, além de ajudar Pirulito com a sua vocação.

Querido-de-Deus: Pescador, juntamente com João- de- Adão tinham a confiança dos meninos, que, por sua vez, não mediam esforços para recompensar esse apoio.

Enredo: O livro é dividido em quatro partes: “Cartas à redação” constituída de supostas cartas a redação em respostas a uma matéria sobre os capitães da areia. Nas respostas há pessoas que defendem e outras que acusam o grupo. “Sob a lua num velho trapiche abandonado” e “Noite da grande paz, da grande paz dos teus olhos” são os trechos intermediários. “E por final há Canção da Bahia, canção da liberdade”, parte que define o futuro dos personagens.

São aproximadamente quarenta meninos de todas as cores, entre nove e dezesseis anos, maltrapilhos e sujos que dormiam nas ruínas do velho trapiche, e liderados por Pedro Bala eles roubam para sobrevive, e desde muito joves já bebiam e fumavam Além desses pequenos expedientes, os Capitães da Areia praticavam roubos maiores, o que os tornou conhecidos, temidos e procurados pela polícia, que estava em busca do esconderijo e do chefe dos capitães. Esses meninos se pegos, seriam enviados para o Reformatório de Menores, visto pela sociedade como um estabelecimento modelar para a criança em processo de regeneração, com trabalho, comida ótima e direito a lazer. No entanto, esta não era a opinião dos menores infratores. Sabendo que lá estariam sujeitos a todos os tipos de castigo, preferiam as agruras das ruas e da areia à essa falsa instituição.

Um dia, Salvador foi assolada pela epidemia de varíola. Como os pobres não tinham acesso à vacina, muitos morriam, isolados no lazareto. Almiro, o primeiro do grupo a ser infectado, ali morreu. Já Boa-Vida teve outra sorte; saiu de lá, andando.  A confusão, causada pela presença de Dora no armazém, foi contornada por Pedro. Os meninos aceitaram-na no grupo e, depois de algum tempo, vestida como um deles, participava de todas as atividades e roubos do bando. Pedro Bala considerava Dora mais que uma irmã; era sua noiva. Ele que não sabia o que era amor, viu-se apaixonado; o que sentia era diferente dos encontros amorosos com as negrinhas ou prostitutas no areal.

Quando roubavam um palacete de um ricaço na ladeira de São Bento, foram presos. Parte do grupo conseguiu fugir da delegacia, graças à intervenção de Bala que acabou sendo levado para o Reformatório. Ali sofreu muito, mas conseguiu fugir. Em liberdade, preparou-se para libertar Dora. Um mês no Reformatório feminino foi o suficiente para acabar com a alegria e saúde da menina que, ardendo em febre, se encontrava na enfermaria.  Após invadirem o reformatório, Pedro, Professor e Volta-Seca fugiram, levando Dora consigo. Infelizmente, não resistindo, ela morreu na manhã seguinte. Don’aninha embrulhou-a em uma toalha de renda branca e Querido-de-Deus levou-a em seu saveiro, jogando-a em alto mar. Dali pra frente, cada um seguiu seu rumo na vida.

Tive uma agradável surpresa lendo Capitães da Areia, pois diferente dos outros livros, esse é extremamente agradável de ler, por isso recomendaria para qualquer pessoa, vestibulando ou não, esse livro. Em algumas partes, as comparações com outros livros como Robin Hood e Peter Pan são inevitáveis, mas claro, isso são opiniões pessoais. Gostaria de agradecer também um site que eu pesquisei muitas informações e alguns trechos foram pegos de lá, mas infelizmente não guardei o link para postar aqui.

Renan

criado por Luís/Renan    09:57:41 — Arquivado em: Livros

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O CORTIÇO

Aluísio de Azavedo, 1890, 208 páginas (Editora Companhia Nacional)

Pertence ao Realismo-Naturalismo, faz parte da lista integrada FUVEST/UNICAMP - 2010

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Esse é o terceiro livro obrigatório das principais universidades públicas paulistas que postamos e pretendemos comentar mais dois, o próximo será Dom Casmurro com a análise do Luís. Primeiro darei as informações do livro em forma de um resumo tentando abranger a estória como um todo para ajudar aos vestibulando com nós, em seguida darei o meu ponto de vista sobre a obra de Aluísio de Azevedo.

O Cortiço foi lançado em 1890 pelo já citado Aluísio de Azevedo e faz parte do Realismo-Naturalismo onde já pelo nome pode-se ter uma base do livro. Naturalismo, pois para o indivíduo sobreviver ele precisa basicamente de três coisas: comida, repouso e pensando na reprodução, sexo. O romance é marcado também pelo determinismo onde o indivíduo pode ser transformado por três fatores: a hereditariedade, o momento e o meio e claramente quem muda os personagens em O Cortiço é o meio em que eles vivem.

Narrador: é narrado em terceira pessoa sendo ele onisciente e seu papel não acaba aí: narrador faz julgamentos das atitudes dos personagens mostrando ao leitor a estória de cada um sendo transformada pelo meio em que vive.

Espaço: o romance se passa em um cortiço do Rio de Janeiro construído pelo Seu João Romão. O cortiço fica ao lado de sua venda e do outro lado do local fica a casa do Seu Miranda. Atrás dele fica a pedreira onde a maioria dos personagens do sexo masculino trabalham. Reparem que tudo fica envolta da estalagem.

Personagens:
● o próprio cortiço é considerado o personagem principal, pois é nele que a maioria das coisas acontecem além de receber características humanas (”Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.”, capítulo III).

● João Romão: é o dono da venda e o personagem que mais aparece no livro, além disso é extremamente pão duro e guarda todo o dinheiro que consegue e não tem planos imediatos para mudar de vida. Todo o dinheiro gasto na redondeza volta a sua mão pois é dono do cortiço e de parte da pedreira, ou seja, ele paga o salário para os empregados e esses tem que pagar o aluguel além de comprar em sua venda. Mais pro final do livro ele começa a querer mudar de vida investindo mais no cortiço depois de um incêndio e até quer se casar com Zulmirinha, a filha de seu rival Miranda. Com ele mora a Bertoleza, uma escrava que pensa ter comprado sua alforria, mas que na verdade foi enganada pelo patrão, quando descobre tudo, na última página do livro, se mata. Em vida é o braço direito de João Romão, ajudando a roubar materiais de construção para a edificação do cortiço, fazendo a comida servida no venda, ou seja, “é a última que dorme e a primeira que acorda”.

● Miranda e família: Miranda é um português de sucesso que mora ao lado do cortiço e não gosta muito do Seu Romão, principalmente, por ter contruído um cortiço ao lado de seu sobrado. Com a mudança de comportamento do seu vizinho, ele acaba se aproximando mais dele e até cedendo a mão de sua filha em casamento. O resto da família é composta por D. Estela, sua esposa infiel que caracteriza uma burguesia ociosa, Henriquinho um garoto que vem morar em sua casa para estudar medicina já que Miranda devia um favor ao pai do garoto e esse que tem um caso com uma mulher do cortiço, Zulmirinha, a filha e o Botelho, agregado que ajuda João Romão a conquistar a filha do Miranda.

Personagens notáveis:
Jerônimo e Piedade: são um casal de portugueses que tem uma filha. Jerônimo vem ao cortiço para trabalhar na pedreira como um funcionário exemplar que até ganha mais que os outros. Sua família, inicialmente, é impecável, todos os respeitam e os tomam como exemplo.

Rita Baiana: é uma mulher que volta ao cortiço de uma longa viagem e volta com seu namorado Firmo. Depois de uma ajuda dela ao Jerônimo, esse fica apaixonado pela Rita e esse evento que acaba em uma briga entre ele e Firmo que por sua vez, termina em um incêndio provocado pela Bruxa. Como vingança, depois de um tempo Jerônimo mata Firmo com ajuda de uns colegas, foge com Rita deixando sua mulher para trás que vira bêbada e começa a ser “deflorada” pelos outros homens do cortiço.

Pombinha: A flor do cortiço como é chamada, é pura, delicada e inocente, mas sofre com a menstruação que não chega e não pode se casar por não ser mulher com 18 anos. Essa é abusada pela madrinha Leonie e depois de um tempo sua menstruação vem e ela pode se casar. Descobrindo como é a vida de casada, e como são os homens, ela abandona tudo e, mais tarde, vira uma prostituta e filha de Jerônimo vira a nova pombinha do cortiço, tornando assim, um ciclo.

● Outros personagens: Leucádia, Machona, Marcina são lavadeiras e ficam por conta delas as fofocas que circulam pelo cortiço, faz parte desse grupo também o Albino, que é considerado uma mulher pelas outras.  A primeira, Leucádia, trai o marido Bruno com Henriquinho, pois o jovem promete dar um coelho em troca do sexo, quando o marido descobre essa é expulsa de casa. Ainda temos Domingos, um caixeiro viajante empregado do João Romão que engravida Florinda, filha de uma das moradoras do cortiço. Ele foge da responsabilidade e ela também foge por medo da mãe, que quando descobre bate muito nela.

Depois do primeiro incêndio causado pela Bruxa, o cortiço é atacado mais uma vez pela loucura da mesma mulher, só que dessa vez, ela faz o serviço completo e João Romão já com sua vida social em ascensão decide construir outro cortiço, só que esse é de um nível mais alto e consequentemente os preços também fazendo com que vários dos antigos moradores tivessem que abandona-lo e mudar para o cortiço vizinho que antes abrigava o Firmo, o Cabeça de Gato. Isso nos mostra a mudança do João Romão é pode-se contruir a linha cronológica do livro mediante a sua vida social, no início, os dois pobres, no final, os dois luxuosos e ricos.

O grande problema em se tentar resumir O Cortiço não é o tamanho do livro, pois é relativamente pequeno, mas sim o grande número de personagens que passam pela estória dando a idéia do dinamismo do local, onde várias e várias vidas passam pelo cortiço e cada vida tem uma estória, fazendo o leitor, as vezes, se perder um pouco. Considero-o uma obra clássica, porém muito chata de se ler pela leitura difícil e recomendo apenas para aqueles que terão a obrigação de lê-lo.

Renan

criado por Luís/Renan    10:44:26 — Arquivado em: Livros

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

VIDAS SECAS

Graciliano Ramos, 1938, 126 páginas mais 28 páginas de análise (Editora Record).

Pertencente ao Modernismo, faz parte da lista integrada FUVEST/UNICAMP - 2010.

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Antes de mais nada, explicarei como estruturarei a minha análise: primeiro descreverei o assunto abordado nos capítulos de maneira geral, sem me aprofundar muito nem ser muito superficial; depois comentarei a minha opinião sobre o livro e a partir daí será como as críticas usuais que eu e o Renan fazemos. Nós optamos por nos dividirmos para comentar os livros, logo eu me responsabilizei por Vidas Secas e ele, daqui a uma semana, apresentará O Cortiço, de Aluízio de Azevedo.

Resumo: Vidas Secas narra a história de cinco personagens, que são Fabiano, Sinhá Vitória, os dois meninos filhos do casal e Baleia, a cachorra. Os cinco, que não têm uma casa própria, atravessam o sertão em busca de um lugar onde possam ficar durante a seca, para não morrer de fome.
Narrador: narrado em terceira pessoa, sendo o narrador onisciente.
Estrutura: dividido em treze capítulos que, numa linha cronológica, estão fragmentados; isso quer dizer que o um capítulo não é exatamente uma continuação imediata do anterior. Eu não sei se é uma comparação muito boa, mas é como se vários quadros fossem colocados à nossa frente; cabe a nós, portanto, dar o conectivo à história contada (isso fica bastante fácil de compreender quando passamos do terceiro para o quarto capítulo).
Importância da obra: relatar os problemas sociais principais que devastam o sertão brasileiro, impondo famílias - representadas pelos personagens do livro - a uma vida de subsistência e subserviência. Alguns consideram que o autor tenha querido representar a desolação que afeta todo o país, impedindo um melhor desenvolvimento e fazendo surgir um Brasil-pobre dentro de um Brasil maior, com qualidade de vida superior em outras regiões.
Explicados esses aspectos básicos, vou me ocupar agora de resumir de maneira satisfatórias os capítulos:

1 - Mudança: o capítulo narra a mudança que a família faz através do sertão em busca de um lugar pra se estabelecer. Sabemos que caminham há muito tempo por causa das descrições a respeito do cansaço que sentem os personagens. Nesse capítulo, já somos apresentados às muitas características dos personagens: a rudimentar maneira de Fabiano, a obediência que as crianças têm pelos pais, o companheirismo de Baleia. É revelado que, além dos cinco, havia também o papagaio, que foi morto a fim de alimentar a família, para que ela também não morresse. Depois de caminhar mais, Baleia encontra preás e os preda, levando-os à família que depois encontra uma casal aparentemente abandonada, na qual se instala. Surgem, então, os primeiros resquícios de esperança.

2 - Fabiano: somos apresentados a uma análise que Fabiano faz de si mesmo, definindo-se não como homem, mas como bicho, completamente apegado à ignorância e cujas principais habilidades estão a de domar os bichos bravos. A família já está instalada na casa e Fabiano já conheceu o homem que é proprietário daquelas terras; à família foi concedida a estadia, desde que Fabiano cuidasse dos animais e da fazenda. Somos apresentados às lembranças de seu Tomás da bolandeira, um homem a quem todos os personagens admiram por causa da habilidade de falar bem e por causa da humildade e sofisticação dele. Fabiano começa a ter esperanças de um dia não será como um bicho, mas sim um homem, assim como seu Tomás da bolandeira; decide conversar com Sinhá Vitória acerca da educação dos filhos, que estão muito curiosos.

3 - Cadeia: Fabiano vai à cidade em busca de alguns mantimentos para que a família possa se abastecer, como queronese. Receoso, ele acha que todos na cidade querem roubar-lhe o dinheiro e que sempre se aproveitam do fato de ele não saber contar para aumentar valores. Depois de tomar pinga num butequim, ele é convidado por um soldado amarelo - policial - para uma partida de trinta-e-um, a qual acaba perdendo. Indignado, se levanta para sair da mesa e já está a andar na rua, quando o soldado amarelo aparece, mandando o povo se afastar. Alegando que Fabiano não pagou sua dívida, ele é levado pra prisão, onde apanha com um facão e acaba passando a noite.

4 - Sinhá Vitória: a esposa da Fabiano enconmtra-se irritada, principalmente por causa da cama de varas que os dois tê; o que ela quer mesmo é uma cama como a de seu Tomás da bolandeira, de lastro de couro. Ocupa-se das tarefas domésticas enquanto o texto retrata suas lembranças de Tomás. Ao se lembrar de que Fabiano lhe dissera que parece um papagaio sobre saltos quando os usa, Sinhá Vitória sentira-se ofendida e ao mesmo tempo relembrara o animal que comeram a fim de sobreviver.

5 - O Menino Mais Novo: o filho mais novo do casal, influenciado pela admiração que tem pelo pai, decide reproduzir os atos dele. Primeiro conta à Baleia o ato heroico do pai; como a cachorra o ignora, ele conta ao irmão, que faz o mesmo. Por sua própria conta, obe num morro e se joga sobre um bode arisco, que sacoleja o garoto e depois o joga contra o chão. O menino mais novo se irrita com o irmão mais velho, que ri, e com Baleia, que desaprova suas ações. Conclui que um dia os dois hão de admirar por ele ser como o pai.

6 - O Menino Mais Velho: o filho mais velho ouve Sinha Terta, uma vizinha, dizendo a palavra “inferno”. Ocupa-se em descobrir o que a palavra significa e a mãe limita-se a dizer que significa “coisa ruim”. A partir de então, o garoto começa a analisar o que pode ser ruim, pois em sua opinião nada é ruim; não entende como uma palavra tão bonita seja algo tão feio, nem como assimilaram a figura do diabo as coisas do cotidiano.

7 - Inverno: a família reúne-se em torno do pequeno enquanto conversa por pequenas frases e palavras monossilábicas. Fabiano relata aventuras passadas, mas, como não conhece muitas palavras e usa muitos gestos, a escuridão não permite que todos o compreendam bem. As intromissões dos filhos deixam Fabiano bravo, porque ele acha que estão sendo audaciosos. Enquanto isso, a cheia provoca um alagamento, o que os preocupa, pois, se a cheia persistir, a água chegará até a casa, desabrigando-os.

8 - Festa: Fabiano compra tecidos para que Sinha Terta faça roupas novas pra família, porque vão a missa na cidade. Desacostumados com trajes mais justos, Fabiano e Sinhá Vitória têm dificuldades para caminhar. A cachorra Baleia segue a família e quando finalmente chegam à cidade, Fabiano se vê receoso, pois tem muita gente e ele - assim como toda a família - está acostumado à solidão. Fabiano bebe demais após a missa e começa a procurar pelo soldado amarelo e querendo brigar. Envergonhada, Sinhá Vitória e os meninos se escondem entre as pessoas; Fabiano acaba dormindo na rua, atrás de uma barraca.

9 - Baleia: a cachorra já está para morrer; a pele está coberta de feridas que acumulam mosquitos, os pêlos se distribuem escassamente pelo corpo da cachorra, que mal podiam comer por causa das chagas e inchaços que circundavam a boca. Fabiano decide matá-la, então. Entristecido, pois Baleia é com um membro da família, Fabiano pega a espingarda e seuge o animal, que, percebendo que algo ruim vai acontecer, tenta se esconder. Por engano, o primeiro tiro acerta a perna da cachorra, que se rasteja sangrando; depois, Fabiano por fim a mata.

10 - Contas: Fabiano rece a quarta parte na partilha dos bezerros, mas, ao receber a quantia, admitiu estarem erradas as contas do patrão. O capítulo dedica-se à exposição dos pensamento de Fabiano, que acredita que por ser rudimentar, as pessoas acham que ele não merecem justiça. Aspira a conseguir juntar dinheiro suficiente para que a família possa se mudar e ter um lugar próprio. Relembra da época em que criara porcos a fim de vendê-los e que, ao tentar fazê-lo, foram cobrados impostos pela venda; concluiu que o governo sempre se metia naquilo que não devia e que era por isso que não havia prosperidade na região.

11 - O Soldado Amarelo: Fabiano está na vereda, cuidando de uma égua e acaba encontrando o soldado amarelo que o levou preso um ano antes. Sente-se tentado a matar o homem; impulsivamente, levanta o facão e abaixa-o em direção à cabeça do soldado. Pára e observa a fraqueza do homem que, estando tão distante da cobertura do governo, não consegue fazer nada a não ser tremer. Se no capítulo segundo, Fabiano concluíra que era um bicho, aqui concluiu que o outro é um bicho; ele é um homem, pois decide não matar alguém que apenas serve a outra pessoa. Acaba apontando a direção na qual o soldado amarelo deve seguir e volta ao que fazia antes, sentindo-se melhor.

12 - O Mundo Coberto de Penas: Sinhá Vitória concluiu que as arribações (nome das aves) vão acabar matando o gado. A príncipio, Fabiano pensa que a mulher está louca, depois concluiu que as aves podem matar o gado porque as arribações beberiam toda a água do bebedouro e os gados, consequentemente, morreriam de sede.  Fabiano vai até o morro e começa a atirar nas aves; algumas caem mortas, as penas cobrem todo o chão. Fabiano chega à conclusão de que a seca está voltando e é necessário que eles andem de novo, seguindo adiante; leva as aves, das quais a família se alimenta. A situação remete Fabiano à morte de Baleia, cujos olhos eram comidos por urubus e também à submissão em relação ao soldado amarelo no capítulo anterior.

13 - Fuga: a fazenda se despovoou, os animais morreram. Restavam à família apenas dar continuidade à viagem; assim, Sinhá Vitória salga a carne das arribações e todos seguem, afastando-se da fazendo, indo na direção da cidade mais próxima, longe da área rural. Embora esteja em silêncio, o casal espera que haja conversa. Por fim, começam a divagar sobre o futuro dos filhos; Sinhá Vitória os imagina em vidas completamente diferente das dos pais e a sua perspectiva agrada Fabiano e a família segue viagem, caminhando mais uma vez entre os juazeiros, mandacarus, à espera de água e de uma vida melhor.

Agora que já apresentei o assunto abordado nos treze capítulos, vou falar o que achei sobre o livro. Confesso que não me anima muito ler essas obras obrigatórias, pois elas normalmente são extremamente maçantes e o leitor leva horas para ler pequenos trechos, o que o cansa a ponto de adiar interminavelmente a leitura de um livro que, se não fosse pelo rebuscamento e pelo ritmo lento, seria lido em três dias. Vidas Secas, considerando o número de páginas, poderia ser lido num único dia. O que me deixou realmente feliz quanto a essa obra é o fato de que o rebuscamento que citei acima não existe: a linguagem é bastante simples, típica da região, descrevendo com eficiência o cenário, mas sem se prolongar infinitamente com assuntos que pouca relevância têm para a história. O maior problema em relação à obra de Graciliano Ramos certamente é alguns substantivos específicos que o autor usa a fim de descrever com a maior eficácia possível. Assim, muitas palavras deixam o leitor meio confusa e outras tantas obrigam-no a procurar no dicionário - que muitas vezes não possui descrição para o nome - o significado de palavras como alpercata, aió, etc.

Inquestionavelmente, o autor faz uso do livro para explicitar uma imensa crítica à situação na qual as pessoas da região vivem. Não somente aborda aspectos dos quais não se pode fugir, como o ciclo natural da seca, como também narra o abuso que muitas pessoas sofrem por serem como Fabiano e sua família. Isso se evidencia nas passagens do capítulo décimo. E ainda há uma crítica maior, que a que fica exposta nos momentos em que Fabiano se vê abusado por aquele que detém o poder e que, por causa disso, se vê no dinheiro se maltratar aqueles que perceptivelmente encontram-se numa degrau social inferior. Algumas figuras de linguagem são bastante usadas durante a obra e eu evidencio primeiramente a hipérbole, presente em muitos momentos, como quando Fabiano se considera a pessoa mais infeliz do mundo e quando diz que, de tão vazio, o estômago é um buraco. Há também metáforas e antíteses, estas muito mais frequentes. Sugere-se que o próprio título seja antitético, afinal, vida é uma alusão à plenitude enquanto a secura contrapõe o substantivo.

De todos os livros de vestibular da lista, acredito realmente que Vidas Secas seja um dos mais fáceis para ler e entender; a leitura de Dom Casmurro - que apresentarei ao final do mês - é bem mais gostosa que a de Vidas Secas, mas, ainda assim, se todos os livros fossem como esse, nós vestibulandos seríamos pessoas realmente felizes. Logicamente que digo àqueles que gostam de literatura modernista para ler esse livro; àqueles que não gostam, se não precisam prestar vestibular, sugiro que abstenham-se de lê-lo e apenas o façam quando realmente sentirem vontade. Mas eu realmente tenho que admitir que há passagens excelentes, principalmente aquelas que mostram os pensamentos de Baleia, o que dá um tom de humor a uma obra séria e faz com que o leitor relaxe um pouco, se descontraindo e retomando com mais curiosidade a leitura. Não há diálogos em quantidade muito considerável aqui; desde o começo fica claro que a família é caipira, não sabe falar como seu Tomás da bolandeira. Logo, os assuntos são descritos pelo narrador e, quando há falas, normalmente se repetem, numa clara alusão ao enxuto vocabulário que a família possui. Embora bem curta, eu acredito que essa seja uma obra bastante completa e - para quem a analisa profundamente, não com eu acabei de fazer - deve ser bastante complexa também.

;)

Luís

criado por Luís/Renan    07:15:23 — Arquivado em: Livros

domingo, 30 de agosto de 2009

AMANHECER

Breaking Dawn  - Stephenie Meyer, 2009, 464 páginas (Editora Intrínseca), Romance.

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Enfim chegamos ao fim de mais uma serie muito bem sucedida. Com Amanhecer, Stephenie Meyer poe fim a estória de Bella e Edward que agradou pessoas em todo o mundo. Aqui estará cheio de SPOILERS, então se você não leu ou pretende ler, sugiro que o faça primeiro.

No ultimo volume, temos muitas expectativas preenchidas. Bella fica com Edward, nada mais natural, pois mesmo gostando de Jacob sempre quis que ela ficasse com Edward, mas Jacob não fica tão de lado assim. O livro é dividido em três partes, sendo que a primeira e a ultima como de costume, são do ponto de vista de Bella, e a parte do meio do ponto de vista de Jacob, uma mudança legal, é interessante ver como Jacob se sente vendo Bella na sua atual situação, além disso, o livro de Jacob é cheio de piadinhas sobre Rosalie, com humor negro, e os nomes dos capítulos da sua parte da estória são bem interessantes. Voltando… Bella se casa com Edward, e essa é uma das passagens mais legais do livro, não que aconteça nada de surpreendente ai, apenas é legal…Ela tem uma filha dele. Sim. Bella engravida de Edward. O Rene explicou uma vez sua teoria sobre isso, sobre o corpo da vampira mudar quando se transforma, por isso ela não pode dar a luz, mas o do vampiro não, ainda assim achei estranho. Mas o problema é que a criança que ela espera não é compatível com o seu corpo, por isso temos a impressão que Renesmee (Esse é o nome da criança, por sinal muito tosco, seria a junção de Renné e Esme) suga tudo de sua futura mãe, deixando-a fraca. Esse é um ponto novo para a estória, nele vemos Bella quase morrendo e Edward não pode fazer nada já que sua esposa deseja muito a criança e com ainda tem a ajuda de Rosalie, já que essa, como foi mostrado em Eclipse era louca pra ter um bebê.

Não falarei o final, mas comentarei sobre ele. Achei extremamente broxante toda aquela preparação que em partes me lembrou quase um X-Men, cheio de personagens novos, para ajudar a proteger a Família Cullen não dar em nada. Uma conversinha aqui, outra ali. E pronto, todos são amigos de novo. Não quis dizer que foi mal fundamentada, pois tudo que se precisa esta ali, mas estava me acostumando a ler um `pedacinho` de brigas, como James e Edward em Crepúsculo, Os Volturi (embora esse também não acabe em nada, é legal, pois introduz na estória personagens novos e importantes) em Lua Nova, Victoria contra os lobos em Eclipse. Mas nesse, nada. Alem disso, ela finalmente consegue se tornar uma vampira depois de quase ser morta por sua filha, e tenho que confessar que nessa hora o romance perde muito (não que eu ache que ela deveria continuar humana, pois assim, daria muita margem para continuações) já que estamos acostumados a ver Bella como o ponto fraco e daí nasce a necessidade de Edward. Com ela transformada, não há a necessidade do cuidado extremo de Edward, e eram essas as melhores partes do livro.

No geral, gostei do livro, embora prefira outros da série.Certamente é recomendável para quem acompanha a serie, alem disso, o filme parece ter sido confirmado também, portanto agora só nos resta esperar.

Renan

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Eu realmente acho que o Renan exagerou na crítica dele. Embora, na minha opinião, Amanhecer retome um pouco do charme de Crepúsculo - pois houve uma notável perda dele nos livros seguintes da série -, o livro deixa a desejar em alguns pontos, principalmente porque a autora insiste em termos já repetidos nos outros livros e que, por isso, estão meio desgastados. Porém, ainda assim, na minha opinião, numa ordem de preferência, este vem à frente dos dois livros que o precederam. Não acredito que seja possível fazer um bom resumo da sinopse sem enchê-lo de spoilers, então, optarei por não fazê-lo. Vou dividir a minha opinião segundo os aspectos positivos e os negativos, pois acho que ficará mais fácil comentá-los assim.

Aspectos negativos: 1) sem dúvida, a persistência em manter elementos utilizados à exaustão não me agradou; um ótimo exemplo disso, é a aversão entre Jacob e os vampiros. Embora já tenham trabalhado juntos no livro anterior - no que deveria ter sido uma luta epopéica entre lobisomens e vampiros -, Jacob permanece com uma relutância absurda em aceitar que Bella não pertence a ele, mas sim ao Edward; todos, aliás, sabemos disso, pois desde o segundo livro isso foi deixado extremamente claro. 2) a instabilidade psicológica de Jacob se tornou absurdamente irritante, já que muda de opinião a respeito do relacionamento entre Edward e Bella a cada três minutos, uma hora querendo protegê-la do marido, outra hora achando que ele é o melhor para ela, depois achando que os dois estão bem conforme sempre quiseram estar; acredito que esse temperamento é um recurso do qual a autora se utilizou para poder escrever e reescrever sobre o que disse no primeiro aspecto negativo, logo, acredito que isso demonstre a limitação da obra que ela mesma compôs. 3) Bella, já casada, deveria compreender que seus desejos não são favoráveis a ninguém dentro do relacionamento aberto no qual ela acredita estar: Edward não é feliz ao vê-la querendo Jacob, que, por sua vez, não é feliz vendo-a amar Edward, que, consequentemente, não é feliz vendo-a ficar longe de Jacob. Poderia continuar isso interminavelmente, pois é um ciclo assim que Bella cria, como se não pudesse conter suas vontades a fim de não magoar os outros, já que não magoá-los é exatamente o que ela quer ou talvez o que ela queira seja uma trepada a três, ela no meio, entre um cachorrão e uma estátua. 4) O desvínculo entre Jacob e a matilha de Sam me soou meio forçada, como se a autora simplesmente acrescentasse esse elemento sem que ele jamais tivesse sido citado antes, somente para poder dar continuidade à história conforme ela queria. 5) Três quartos do último livro dedicados ao mistério acerca da vinda dos Volturi e simplesmente uma ausência de clima como aquele? Só não achei quase pior do que o clímax - de meia página - de Eclipse, porque eu realmente já não esperava por um momento realmente demolidor. 6) Será que Stephenie Meyer pensa no Brasil se fala espanhol? Se as Amazonas vieram da Amazônia, como eu tive a impressão, por que caracterizá-las como gorilas selvagens? Pelas descrições que Bella faz sobre Zafrina, Senna e Kachiri, eu pensei tratar-se de uma alusão a Planeta dos Macacos.

Aspectos positivos: 1) Achei extremamente válido ver a história sendo finalmente contada sobre outra perspectiva que não a de Bella. A divisão pela qual a autora escolheu foi interessante e deu a Jacob um pouco mais de espaço, embora ele tenha se tornado, na minha opinião, uma pedra no sapatos nos últimos dois livros. Achei bom também que tenha limitado Amanhecer a apenas duas perspectivas, pois acho que se mais alguém resolvesse contar a história, ia ficar meio problemático e, talvez, tudo pareceria escrito pela mesma pessoa. 2) Devo ressaltar que, se em dois terços do livro, Jacob é dispensável devido ao seu problema em conviver com os vampiros, no terço final ele readquire a simpatia que tinha em Crepúsculo, livro no qual era apenas um personagem secundário. Não vou escrever aqui o motivo pela mudança comportamental e embora eu realmente esperasse - torcia fervorosamente, é o que quero dizer - que essa mudança acontecesse, fiquei agradavelmente surpreso pela maneira como tudo se desencadeou. 3) Gostei bastante da introdução de outros vampiros importantes à história, como as amazonas, os irlandeses, etc. Embora sua função seja praticamente nula, devido à falta de vontade que Stephenie Meyer em criar uma final realmente atrativo, é interessante vê-los demonstrando seus poderes e auxiliando Bella na tentativa de amadurecer suas técnicas de guerra.

Acredito que esses sejam os pontos mais gritantes que eu gostaria de ressaltar, embora, claro!, haja muitos outros quesitos a se incorporados a um dos dois grupos que defini acima. Ao final de Eclipse, eu cheguei à conclusão de que não leria tão cedo Amanhecer, a fim de me recuperar da decepção mediana que tive ao temrinar a leitura do terceiro episódio da série; porém, o Renan praticamente impôs Amanhecer, trazendo-o à minha casa, e comecei a lê-lo, por fim. Ainda que, como vocês viram, eu tenha encontrado grandes defeitos, eu li rapidamente, chegando a ler mais de oitenta páginas por noite. Acho que o li com mais voracidade do que o primeiro da série, Crepúsculo, porque realmente gostei do rumo que a série tomou e gostaria muito que simplesmente parasse aí. Ah, gostaria de acrescentar que achei o final sem sangue - tão contraditório à temática vampírica - um lugar-comum bem grande, mas, afinal, é uma série de romance, não terror, logo, o final é cabível. Se leram até o terceiro, por que não continuar lendo? Sugiro que o leiam, pois, diferentemente do livro anterior, Amanhecer é interessante.

Luís

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sábado, 22 de agosto de 2009

CEM ANOS DE SOLIDÃO

Cien Años de Soledad, 1967. 394 páginas (Editora Record). Drama. 

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Já tinha ouvido falar desse livro, mas nunca me interessei em lê-lo. Considerada uma das mais importantes obras da literatura latino-espânica, Cem Anos de Solidão é um dos livros mais lidos e mais traduzidos. Cerca de 30 milhões de cópias foram vendidas e a tradução já foi feita em 35 línguas. Eu, por muitos anos, dei as costas a esse magnífico livro, tendo o lido apenas recentemente. Se por um lado demorei a conhecê-lo, por outro acredito que o li no momento certo, absorvendo-o tanto quanto possível.

Cem Anos de Solidão narra a longa história da família Buendía, traçando uma linha cronológica que perdura sete gerações. Tem início com a criação de Macondo, uma pequena aldeia afastado de todos os lugares, quase infiltrada no pântano, onde vão morar José Arcadio Buendía e Ursula Iguarán, que são primos um do outro. Assim, ocorre a fundação da aldeia que viria a se tornar uma vila, posteriormente uma cidade, até ser reconhecida internacionalmente; tal como a evolução do lugar, há a passagem das gerações, sendo substituídas aos poucos, sempre com novas idealizações.

Logo nas primeiras páginas, já começamos a perceber o caráter épico do livro pela maneira sutil como o autor usa o futuro do pretérito, costurando o meio do livro ao começo, fazendo alusões  a partes que ainda estão por vir; isso deixa o leitor curioso, esperando ansiosamente por saber que caminho toma o personagem até chegar à citação que o autor faz. O apego à essa ferramenta literária impressiona o leitor, que traça dois planos diferentes: o presente e o futuro. Paralelamente, porém ainda no começo, ocorre um flashback contando o que levou o casal de primos a ir para aquele lugar desolado e como surgiu a fundação de Macondo. É extremamente importante compreender que o livro é dotado de um realismo fantástico incrível e que por causa disso muitas passagens podem parecer completamente irreais - como às vezes relamente são. Mas o caráter inventivo dado à determinados momentos da obra acrescentam um valor ainda mais denso a tudo que ela mostra, desenvolvendo diversos temas, como o amor, a religião, as crenças e costumes, etc.

Acredito que o ponto que mais me fascinou no livro é a escolha dos personagens: a família toda é protagonista do enredo. Conforme os anos passam e novos membros se somam à família já consolidada, esses se tornam também principais, tendo a sua história contada e participando dos eventos que acontecem. O título já faz alusão à vida de todos, pois em algum momento, eles acabam tomados pela solidão, que perdura tristemente e o alaga até a morte. Gabriel Garcia Márquez aborda com uma eficácia extrema a solidão em seu livro e consegue mostrá-la de diversas maneiras, conforme o personagem que a sente. Uma das características de maior impacto é a forma como isso aos poucos transforma um personagem rancoroso em bondoso, a maneira paulatina como eles se entregam intensamente a tal sentimento a fim de se redimir de tudo o que fizeram quando mais novos. Isso fica muito visível com duas personagens, que são Fernanda, que se humanizou na solidão, e Amaranta, que usou uma atadura negra na mão até o dia de sua morte para punir-se com as lembranças do passado. Aqui quero comentar quão fortes são as mulheres desse romance: elas são dotadas de carinho e servidão; não se submete, porém, aos seus maridos, mas servem os seus próprios caprichos e vontades, tornando os seus desejos reais. Parelalamente, são capazes de aguentar os desaforos da vida, como um casamento fadado à destruição, já que se supõe que seja blasfemo, ou aguentam as peripécias de uma marido adúltero; ou ainda a ira de uma família que se nega a compreender que o amor é insensato às vezes. Eu realmente sugiro que absorvam o máximo possível das ações de Amaranta e da muito coadjuvante Petra Cortes, amante de Aureliano Segundo; perceberão nas entrelinhas atitudes extremamente desesperadas, ainda que sejam extremamente cabais quanto ao amor.

O que pode confundir o leitor é a intrincada árvore genealógica, que, como bem demonstrado por Úrsula, tende a se repetir conforme surgem novas gerações. Assim, o livro é um emaranhado de José Arcadios, Arcadios, Aurelianos, Úrsulas, Amarantes, Remédios, etc. Os nomes vão tornando a surgir, dando a impressão de um ciclo, uma revolução de pessoas exatamente iguais entre si que se relacionam com outras também iguais entre elas. O leitor menos atento pode se perder na trama, não compreendendo exatamente quem é quem; é claro que o fato de os personagens pertencerem a gerações diferentes auxilia na condução da linha narrativa, mas, eu admito, que às vezes é difícil se lembrar deles com eficiência. Eu mesmo tive que recorrer a um resumão do livro na internet para me lembrar do que aconteceu a um personagem, que eu tive a impressão de simplesmente sumir no meio da história.

Esse é um livro que todos amantes da literatura devem ler, nem que seja o último livro que venham a ler! Mas eu realmente sugiro que o façam no momento certo, quandoe stiverem completamente abertos às diversas - e criativas - possibilidades de enredo. É um livro de proporções grandes, seja no peso do que é mostrado quanto em algumas características por si próprias. Se começarem a lê-lo e não se interessante por ele até o fim do primeiro capítulo, fechem-no e tentem de novo um mês mais tarde. Insistam caso o desinteresse persistir; num determinado momento, o livro há de te entreter: será esse o momento certo para lê-lo. Mesmo que o marasmo perdure por muito tempo, não desista e sempre inicie a leitura outra vez, porque realmente vale a pena!

Luís

criado por Luís/Renan    01:02:56 — Arquivado em: Livros

domingo, 16 de agosto de 2009

VERONIKA DECIDE MORRER

Veronika Decide Morrer, 1998, 215 páginas. Drama.

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Esse é um momento daqueles em que nós somos obrigados a dar o braço a torcer. Com o lançamento do filme baseado nesse livro, estrelando Sarah Michelle Gellar (sim, o filme é internacional!), eu me senti obrigado a lê-lo antes a fim de, posteriormente, comparar as duas obras, a original e a adaptada. Eu nunca fui fã de Paulo Coelho, não acho que ele realmente mereça todo o crédito que dão a ele e acredito que, considerando todos os bons escritores da atualidade, chamá-lo de mago é uma blasfêmia. Nessa crítica, portanto, não esperem elogios ao autor.

O livro conta a história de Veronika, uma jovem eslovena, que não aceita a idéia de viver uma vida sem sentido, decidindo se matar com uma overdose de calmantes. O suicídio fracassa e Veronika é internada em um asilo para loucos. Atendida pelo médico, é informada que não terá mais que sete dias de vida, e provavelmente, morrerá internada. A partir de então, a jovem passa seus dias a esperar morte, mas como isso é demasiadamente doentio, ela busca conforto fazendo aquilo que ela sempre quis, mas nunca teve coragem de fazer; aos poucos, percebe que tem sentido vontade de viver.

Admito que gostei bastante do livro. A história é interessante proque é extremamente capaz de fazer o leitor entrar no mundo da personagem principal e conhecer com ela todos os medos e sensações que ela passa a experimentar enclausurada no hospício. A construção dos personagens também é muito boa, porque, ainda que sejamos apresentados à Veronika como personagem principal, a história de outros internos também é narrada, nos mostrando os problemas que eles tinham antes de chegar a Villete. O desenvolvimento da trama é necessária paralelamente à maneira como conhecemos os coadjuvantes porque ao longo do enredo nós entendemos o que leva cada pessoa a se influenciar pelo desejo repentino de viver que surgiu em Verônika; assim, tendo consciência do passado deles, o leitor acaba se entretendo bastante com os porquês de cada um. Também gostei da maneira como os “loucos” são tratados: alguns nem sequer são loucos, mas preferem chamar-se assim e ficar seguros no asilo a enfrentar o mundo devorador que existe lá fora e que não lhes é capaz de dar uma nova oportunidade. Logo, o que mais tem num asilo para loucos são pessoas racionais!

Existe uns momentos realmente maçantes no livro e que eu considerei completamente desnecessários, que são as descrições que Paulo Coelho faz sobre viagens espirituais. Não somente não mostram anda como ainda tiram a linha racional que o livro tem; por um instante, eu pensei em fechar o livro, imaginando que haveria mais de um capítulo contendo aquela lengalenga. Ainda bem que eu sou persistente. Constrastando a esse momento, há muitas mensagens durante todo o livro, que nos fazem pensar um pouco a respeito das nossas expectativas quanto à vida. São bastante eficientes e escolhidas com palavras bem cuidadas a fim de que o leitor veja a imensidão que significam no contexto do livro. Destaco dois momentos: aquele em que o Dr. Igor, médico que está elaborando uma tese sobre a Amargura, conta a fábula do reino em que todos ficaram loucos e uma das passagens finais, quando em poucas linhas, percebemos o quão preciosa a vida se tornou para alguém que vive sempre o último dia como um milagre.

 Bem pouco divulgado, o filme já foi filmado e sua estreia nacional deve ser em 14 de Agosto de 2009. No papel principal está a jovem Sarah Michelle Gellar, vinda de outras produções não tão sérias como Scooby Doo, no qual interpreta Daphne, O Grito, no papel central, além de filmes como o péssimo Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado e o bom, ainda que superficial, Segundas Intenções. Todos os fãs da atriz e críticos de cinema consideram que este é o primeiro filme realmente sério no qual ela está presente e devido às boas impressões que tem dado quanto à sua atuação, surgiu sutis rumores de que talvez possa ser uma das cinco indicadas ao Academy Awards 2010 como Melhor Atriz. Se sua interpretação for tão boa quanto no desenvolver do livro, certamente há chances de que isso se torne verdade. Esperemos para ver.

Voltando ao livro, eu recomendo que o leiam. Não que eu tenha virado fã do Paulo Coelho, mas descobri que lê-lo não é tão ruim quanto eu pensava, ainda que haja dois momentos patéticos no livro - um que eu já citei e outro no qual o autor relata pequenos trechos de sua vida chamando-se pela terceira pessoa, como se não fosse ele quem escrevesse o livro. De uma forma geral, é bastante válido e funciona se a intenção era nos fazer pensar. Não acho que seja um livro do qual o leitor se lembrará depois de um ano que o leu, mas ainda assim… pensemos no presente e vivamos como se fosse o último dia. É isso!

Luís

criado por Luís/Renan    08:51:35 — Arquivado em: Livros

sábado, 8 de agosto de 2009

SECREÇÕES, EXCREÇÕES E OUTROS DESATINOS

Secreções, Excreções e Outros Desatinos - Rubem Fonseca, 2001, 141 páginas.

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Devido a um comentário casual do professor de literatura do cursinho sobre essa obra, me interessei por lê-la. O próprio título já sugere uma opção de narrativa diferente das inúmeras publicações que vemos anualmente; o tema abordado nesse livro de contos - catorze, no total - são assuntos não tão comuns, por vezes bastante escatológicos, que aqui são explorados abertamente.

Os contos abragem situações ordinárias, como o ato de defecar, mas as tranformam em curiosos momentos, que rendem uma análise sem julgamentos por parte do narrador. Os títulos são bastante sugestivos, instigando a curiosidade do leitor, como o primeiro, nomeado Copromancia. Tal conto fala sobre a maneira como um homem passou a observar as fezes, analisando-as conforme a forma, a coloração, o cheiro e, inclusive, o peso! A partir daí, cria um catálogo com fotos das duas vezes diárias em que vai ao banheiro. Mais ou menos, todos os contos seguem a linha do incomum, embora muitos deles sejam bastante corriqueiros, como o texto Coincidências, no qual a morte é o resultado de vários encontros sucessivos sem motivos aparentes. Desconexos, cada conto nos mostra um tema diferente, revelando elementos constrangedores que acercam a vida dos personagens.

Na minha opinião, a produtividade dessa obra é meio desigual. Dentre todos os contos, considero três bastante eficientes em suas abordagens; outros são mais normais, apresentando pouca diferença de capacidade linguística em relação a outros autores e com temas mais banais, como o assassinato ou reuniões para discussão de problemas pessoais. Outro fator que me incomodou um pouco - não que eu não seja aberto a diferentes formas de escrita - foi a maneira como o autor conduz os diálogos, sem uso de aspas ou travessão, como se estivesse começando um outro parágrafo normal. É claro que após a primeira página já se está acostumado a isso e a leitura flui, mas a estética é estranha. A respeito da estética, também não gostei da capa do livro. A imagem mostrada certamente não interfere no conteúdo das páginas, mas um leitor que desconhece o tópico discutido em Secreções, Excreções e Outros Desatinos passaria os olhos sem perceber o livro, de tão irrisória que sua capa é. Ainda que o leitor conhecesse sobre o que é falado aqui, ele se sentiria mais atraído por algo chamativo, obviamente.

Não o considerei uma obra significativa. É no máximo uma leitura de transição, que é aquela da qual você se utiliza enquanto não encontra um livro realmente interessante para ler. A quantidade de páginas também não permite que o leitor gaste muito tempo a lê-las; eu, por exemplo, o li praticamente em uma noite. Quanto às excreções, secreções e desatinos, os textos que melhores representam isso são Copromancia, O Estuprador - que atingiu o auge da escatologia -, e Mulheres e Homens Apaixonados. As outras narrativas não são tão interessantes, algumas são bastante chatas. Então, como eu disse, acima, leiam-no, mas não dê prioridade a esse livro, que certamente é apenas um passatempo. Ainda que aborde nojentices, é o tipo de lembrança que após uma semana já desapareceu…

Luís

criado por Luís/Renan    20:11:33 — Arquivado em: Livros

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O PECADOR

The Sinner, 2006, 364 páginas. Suspense / Policial.

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Esse livro faz parte da mesma série na qual estão inclusos os títulos Dublê de Corpo e Desaparecidas. Os eventos narrados aqui são anteriores aos que são mostrados nos outros livros. Ainda que a ordem de publicação determine a ordem cronológica, eu comecei a ler na ordem inversa (pois não sabia tratar-se uma série) pelo livro Desaparecidas. Coincidentemente, tenho regressado, vendo a estória exatamente de trás para a frente e não intercalada: no primeiro livro que li - o último a ser publicado - Jane Rizzoli teve a sua filha; no segundo - penúltima publicação - , ela estava grávida; e nesse ela descobriu sua gravidez. Isso certamente não é um problema, já que consigo ordenar os acontecimentos normalmente.

Como imaginava, Jane Rizzoli e a Dr. Maura Isles são as personagens centrais desse livro, que nos apresenta três crimes distintos acontecidos: duas freiras, mortas no convento em que vivem; uma mulher que não pode ser identificada, devido ao corte das mãos, dos pés e da face; e um vice-presidente de uma famosa firma. Detetives diferentes investigam esses crimes, que ocorreram de cenários bem distintos, mas aos poucos, parece surgir uma sutil conexão, relacionando um com o outro. Com se isso ainda não bastasse, mais uma revelação assustadora: Camille, uma das freiras mortas a golpes furiosos contra a cabeça, deu à luz recentemente, contrapondo os seus votos religiosos. As investigações têm início e, aos poucos, inúmeras peças do quebra-cabeça vão se encaixando, construindo uma linha instigante e assustadora, na qual todos podem se tornar vítimas da pessoa misteriosa responsável pelos crimes.

Tal como nos livros anteriores - ou posteriores, se preferirem - Tess Gerritsen mostra sua fluência ao narrar tais situações, que por vezes situam o leitor facilmente no cenário proposto. Lê-la, portanto, é uma viagem bem interessante em meio a cenário muito bemd escritivos, a cenas apavorantes e, principalmente, a uma estrutura narrativa extremamente eficiente quanto a apresentar ao leitor elementos fundamentais para o gênero suspense. Como se não fosse suficientemente interessante o livro, com toda a agilidade de acontecimentos mostrados, impedindo que o leitor se canse, há ainda a inclusão de tramas paralelas, como relacionamentos amorosos, dúvidas quanto ao futuro e a melhor decisão a tomar e, como o próprio título do livro sugere, o que é e o que não é pecado. A narrativa é tão atrativa, principalmente conduzida pelo parto da freira Camille, que quando começamos a lê-lo, não paramos. Eu demorei mais de três semanas para ler Túneis, porém apenas três dias para ler O Pecador.

A autora não perde tempo com temas indiferentes às situações que nos apresenta com o decorrer do livro. Tudo que vimos é, de alguma forma, conectado com o tópico principal do capítulo e colabora para conduzir a um desfecho bastante inteligente, no qual Tess ata todos os pontos descritos na sua narrativa. O momento mais surpreendente, na minha opinião, é uma das últimas constatações de Maura, quando ela analisa uma foto com bastante atenção e constata que os pássaros estão mortos. O leitor que estiver acompanhando atento aos diálogos, compreenderá muito com essa simples informação. As construções dos personagens Maura e Jane continuam impecáveis, detalhando-nos bastante sobre a vida delas e a forma como agem em relação aos mais diversos assuntos, sejam eles pessoais ou profissionais. Resta-me, portato, recomendar esse livro, pois sempre sombra de dúvida vale a pena conferi-lo. A minha única ressalva é: tentem lê-lo na ordem cronológica correta, começando pelos livros que, até a data da publicação dessa crítica, ainda não foram lidos por mim.

Luís

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Em “O Pecador”, Tess Gerritsen traz de volta Jane Rizzoli, a policial que tende a ganhar o afeto do leitor por seu lado, pode se dizer mais masculino (Acho que masculino é a palavra errada, mas não achei outra melhor) e Maura Isles, a médica legista, essa mais fria por fora, mas que nesse romance demontra seu lado mais sentimental, assim como Jane. As duas se unem para desvendar um caso em um convento, onde duas freiras sofreram um ataque, sendo que uma delas morreu (Camille) e a outra ficou seriamente ferida (Irmã Úrsula).

Particularmente acho que há dois fatores óbvios que influenciam nas obras da autora, fazendo que seus livros sejam tão prazerosos de serem lidos, o primeiro são os personagens, pois mesmo tendo a estória principal, claramente os personagens mais importantes são Jane e Maura, não importa se há freiras morrendo em “O Pecador”, ou imigrantes ilegais em “Desaparecidas”, ou um complexo sistema para roubar bebês das mães em “Duble de Corpo”, a estória sempre será das duas, tanto que temos passagens da vida pessoal delas, como o natal na casa de Jane ou os pensamentos pecaminosos de Maura com o padre. O outro fator é a estória, mais especificamente a capacidade da autora de fazer reviravoltas incriveis em poucas páginas, tornando, por exemplo Camille, personagem que mantemos toda a atenção, em apenas uma estória triste no meio de tudo (Uma das melhores passagens do livro é quando Rizzoli encontra Randall pela segunda vez, e no final diz a enfermeira para por uma foto de Camille, pois acha que ele sente falta da filha)e tornando a Irmã Úrsula, pra quem nem ligamos muito em uma personagem muito importante, e quando o leitor começa a fazer suposições pode se descobrir totalmente enganado. Eu por exemplo apostava no Padre Brophy como culpado, mas o Dr. Sutcliffe não me enganou também. Outro ponto a favor dos livros são os prólogos…nos três livros que li dela, todos os começos são bons (Com mérito maior para “Duble de Corpo”) e fazem com que o leitor se sinta motivado desde o começo da narrativa.

Esse, como os outros livros que li de Tess Gerritsen são muito recomendáveis, nele sobra ação, há uma estória boa com várias ramificaçõe, há romance também (pouco, mas há), e até um pouco de suspense no final com a invasão à casa de Maura no final do livro.

Renan

criado por Luís/Renan    12:00:38 — Arquivado em: Livros

domingo, 19 de julho de 2009

TÚNEIS

Tunnels, 2009, 478 páginas. Aventura.

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Comecei a ler Túneis porque não tinha nenhum livro que desejava conferir; então, optei por lê-lo e agradeço ao Rene, que me emprestou o livro, que narra a história de Will Burrows, um garoto de 12 anos que se envolve em inúmeras aventuras subterrâneas a fim de encontrar artefatos interessantes. Tendo adquirido o gosto por escavações do pai, o dr. Burrows, Will, junto com seu amigo Chester, encontram um túnel no porão de sua casa, por onde ele acredita que o pai desapareceu. Decidido a encontrá-lo, os dois garotos acabam por encontrar uma sociedade que vive bem abaixo, dentro da Terra.

É mais ou menos esse o enredo do livro, que conta com bons momentos, mas que também tem momentos extremamente cansativos e longos. Até a primeira metade do livro, tive a impressão de tratar-se uma versão um pouco mais adulta da série Vaga-lume; conforme continuei lendo, concluí que a narrativa fica mais bem escrita, sendo direcionada para um final bastante descritivo e interessante. O problema é que, nos momentos iniciais, a obra parecia tão infanto-juvenil, com pretensões de ser mais do que parecia ser, que acabei dispersando muito, demorando absurdos para ler algo que eu normalmente leria em uma semana; acabei demorando um mês! O assunto abordado no livro pode ser tema de grandes teorias da conspiração, tal qual eventos nunca ocorridos, etc. Eu, particularmente, acredito haver cidades que foram construídas sob os nossos pé e que, talvez, possam ainda ser habitadas secretamente. E isso é mostrado bastante em Túneis, já que boa parte da ação acontece na Colônia, uma sociedade imensa sob a Crosta.

A descrição do lugar é certamente convincente, conseguimos imaginar com eficiência as ruas, prédios, o cenário, de uma maneira geral. O que eu acho que não é muito realista - não querendo afirmar que a obra tenha conteúdo real - é a forma como são descritos os Styx, agentes máximos da segurança da Colônia, que são sempre temidos e usam de métodos cruéis a fim de obter respostas às suas perguntas. Considerando que os Styx tem a mesma metodologia da Crosta, por que descrevê-los de maneira tão estranha, como se seus olhos fossem bolas de gude e a estrutura corporal fosse desengonçada? Mas, de qualquer maneira, isso não interfere tanto no livro. O que parece um pouco exagerado aqui é a descrição das aventuras dos protagonistas. Talvez, se eles fossem mais velhos um pouco, tudo seria mais verossímil e seria mais fácil acreditar que Will realmente passou por tudo aquilo.

O livro tem altos e baixos; o começo, na minha opinião, é quase todo cheio de bobagens, que nada acrescetam à estória. A partir do meio, no entanto, a narrativa fica bastante ágil, dando novo fôlego e captando novamente a atenção do leitor. Eu recomendo que o leiam sem expectativas e apenas se não tiver outro livro na lista de leitura. Como muitos dos livros lançados ultimamente, este faz parte de uma série e, ainda que a estória seja suficientemente finalizada ao final desse, a próxima aventura dará continuidade, narrando o passo seguinte dos aventureiros. Talvez eu leia…

Luís

criado por Luís/Renan    07:41:31 — Arquivado em: Livros

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O CLUBE DO FILME

The Film Club, 230 páginas, 2009.

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A primeira coisa que quero que reparem é na beleza da capa, pois foi ela quem me chamou a atenção para o livro. Olhei-o atento, senti o revelo do título e, por fim, li as orelhas: diante das dificuldades com as notas e o crônico desinteresse pela escola, Jesse Gilmour ouve uma proposta bastante tentadora do pai, na qual ele poderia deixar de ir à escola, desde que os dois assistissem juntos a três filmes por semana. Estabelecido tal acordo, o garoto, aos 15 anos, não precisaria pagar aluguel e poderia fazer o que mais quisesse, desde que respeitasse algumas poucas regras.

À primeira vista, pode parecer apenas um relato comum sobre um pai e um filho e a relação existente entre eles, mas o livro muito bem além disso. Não somente é uma amostra cinematográfica como narra com extrema eficiência os problemas pelos quais passam um adulto que não consegue emprego e um adolescente com problemas sentimentais. Logo no primeiro capítulo do livro somos apresentados à objetiva proposta do pai, que rapidamente é aceita por Jesse; nas primeiras páginas já é exibido o primeiro filme, aquele que daria início à jornada de três anos sentados em frente à TV, acomodados em poltronas e no sofá, assistindo aos melhores e, eventualmente, piores filmes já realizados. Para os que tem um bom conhecimento cinematográfico e que tem um pouco de noção sobre o contexto de cada filme, sabendo o que representam (considerando a época em que foram concebidos), já se surpreendem com o segundo filme ao qual David e Jesse assistem: Instinto Selvagem. E o livro todo é assim, uma agradável surpresa.

Em meio às sessões de filmes, há também o problema financeiro de David, devido à crise de desemprego, que não é sanada por boa parte do livro; Jesse, extremamente propenso aos relacionamentos aos quais se entrega densamente, sofre com as diversas experiências românticas, como o namoro com uma garota que consegue seduzir a qualquer um e que ainda o provoca perigosamente. Como se isso tudo não fosse suficiente, há ainda relatos de conversas profundas entre pai e filho, com descrições de certos assuntos e também narrativas a respeito dos problemas que às vezes Jesse criava. Como são narrados três anos, então são muitas as situações narradas nesse livro, como o envolvimento de Jesse com drogas, novas namoradas, a sua inclusão no mundo musical, etc. Mas acredito que haja predomínio dos filmes. São tão bem retratadas algumas cenas de alguns filmes, que se percebe a excelência da arte de assistir a um filme; as descrições feita são às vezes tão detalhadas que pode influenciar aqueles que (ainda) não assistiram às obras citadas, tamanha a precisão que David usa para defini-las. Acho que, sobretudo, esse é um livro dedicado à crítica de filmes, e, se classificado assim, resulta numa obra quase irrepreensível. 

É claro que esse está longe de ser um livro perfeito; ainda que eu goste de relatos de casos reais como esse (porém não como Marley e Eu), ainda mais se somados a outro tópico que também gosto (cinema), não os vejo com a mesma intensidade com a qual vejo os romances. E, em alguns momentos do livro, há passagens meio chatas, que parecem perdidas ali e que poderiam ter sido omitidas; isso, no entanto, não transforma esse livro em algo mediano; tais “erros” não interferem tanto, então o livro, na minha opinião, é muito satisfatório e deve ser lido. Insisto que os melhores momentos são os extremamente descritivos, nos quais David analisa com ênfase as cenas mais impactantes de alguns filmes, acrescentando inclusive diálogos do filme ao livro, como o que vemos logo no início, entre Catherine Trammel (Sharon Stone) e o detetive de Basic Instinct. Não é surpresa imaginar que partes boas como essas haveriam por todo o livro, ainda mais se considerarmos que David exercia a profissão de crítico de cinema para um jornal de grande circulação. O Clube do Filme é agradavelmente surpreendente porque é um misto de documentário sobre cinema, com a inclusão de notas a respeito de algumas obras e suas traduções e uma filmografia no final, com relatos da vida dos personagens reais David, Jesse, Tina, Maggie, etc. Certamente vale a pena lê-lo.

Luís

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criado por Luís/Renan    02:20:33 — Arquivado em: Livros
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