Literatura e Cinema

“Sem correr no corredor, Nancy” - Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O MORRO DOS VENTOS UIVANTES

Wuthering Hieghts, 1847, 390 páginas. Drama.

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O primeiro que quero dizer, antes de começar a falar sobre a obra é: não se detenham a ler o livro somente por causa da data em que foi publicado. Emily Brönte criou não somente uma obra que representa fielmente características humanas que devem existir desde que Adão e Eva foram expulsos do paraíso, mas foi além, limitando qualquer outra obra romântica escrita depois dessa a simplesmente copiar a grandeza de sentimentos que ela, a autora, foi capaz de descrever em seus personagens. Ler esse livro não é como ler um dos romances que somos obrigados a ler quando estamos no colégio, como Senhora, Iracema, Amor de Perdição…

Se pudesse classificar com poucas palavras esse livro, eu diria que é “uma história de amor excepcionalmente cruel”. A história fala sobre a entrada do órfão Heathcliff na vida dos Earnshaw, o que causou alegria à pequena Catherine e incômodo no irmão dela, Hindley. Cada vez mais próximos, Heathcliff e Catherine descobriram-se apaixonados um pelo outro. Ela, no entanto, começou a passar mais tempo com Edgar Linton e sua irmã, Isabel Linton. Entre indas e vindas e também grandes mudanças comportamentais, Catherine acabou casando-se com Edgar, provocando a ira de Heathcliff, que fugiu disposto a voltar para fazê-los se arrepender. Anos depois, com imensa fortuna, retorna à Tempetuosa, casa em habitava junto com Catherine, que agora mora na Granja da Cruz dos Tordos.O irmão de Catherine, Hindley, tornou-se proprietário da casa depois da morte de seu pai e tão logo que sua esposa morreu, caiu no vício do jogo e dedicou-se a bebida, deixando à deriva a criança de seu filho Hareton e tornando a vida de todos que residiam na casa um inferno. Com a volta de Heathcliff, as coisas pioram, já que este “devolve” todas as más gentilezas que Hindley lhe dispusera durante a infância, chegando inclusive a transformar o pobre Hareton Earnshaw num criado. A partir daí, dedica sua vingança a quem realmente quer atingir: Catherine e Edgar Linton.

Não encontro palavras para definir com excelência o que esse livro singifica. Incrível, porém, é pensar que esta é a única obra da inglesa Emily Brönte; escreveu um único livro, que hoje é considerado um clássico da literatura, junto com os livros de Shakespeare! Os seus personagens todos são bem delineados, possuem formas quase humanas, que muitas vezes durante a leitura quase chegam a transpôr às páginas. A caracterização do amor que sentem um personagem pelo outro também é muito boa, ainda que o resultado desse amo não seja bom. Tudo que fazem os personagens, fazem por amor, mas isso chega a ser quase destrutível. Tanto Catherine provoca a dor em Hathcliff como a recíproca também é verdadeira; amam-se mas não se permitem estar juntos: ela por respeito a condição que escolheu (de esposa de outro) e ele por obstinação em vingar-se dos dois que supõe tê-lo traído. Ainda que a ame, não lhe poupa o mal capaz de causar; quanto a Edgar Linton, sua vingança é mais cruel e prologada. A autora não limita sua história a três personagens e isso faz com que leiamos quase um épico: vemos o passar das gerações, vemos os que vieram depois de Heathcliff e Catherine, e ainda acompanhamos a vingança desesperada daquele que foi traído. A passagem do tempo está diretamente associada à perversidade do personagem principal, que num determinado momento já busca destruir a vida de Edgar Linton, Catherine, Hindley, Hareton e Isabel; não obstante, também destrói a vida Linton, seu filho, e Cathy, filha de Catherine.

A história toda é narrada para o Sr. Lockwood pela sra. Ellen Dean, que foi governanta da Tempestuosa quando todos eram crianças e mudou-se com Catherine quando esta se casou para Granja da Cruz dos Tordos. Outro ponto é que a história toda é mostrada pela narrativa de outra personagem que, embora parece dizer somente a verdade, pode aumentar ou diminuir bastante enquanto relata os acontecimentos. Quando o livro começa, é bastante difícil compreender quem é quem com a descrição feita pela autora, mas aos poucos cada personagem ocupa seu lugar no espaço e tempo, permitindo que o leitor não fique perdido ao ler o romance. A edição do que livro que peguei era bastante antiga, provavelmente anterior à decada de 60 e isso fez com que inicialmente eu me espantasse com algumas palavras escrita conforme a grafia regente na época; há no livro, protanto, bastante mesóclises e também há muitas combinações de pronome. Em vez de complicar, eu achei, no entanto, que realçou as característica do livro, que se passa no final do século XVIII. A noção de tempo na história, às vezes, fica meio perdida, já que ao leitor complica tentar colocar os acontecimentos numa linha cronológica, mas, depois, por meio de algumas frases e comentários de Ellen Dean, podemos situar o acontecimento a um determinado ano ou, pelo menos, saber quanto tempo se passou desde que outro evento aconteceteu.

Se puderem ler esse livro, eu realmente recomendo que leiam-no. Não retrata bem somente a sociedade da época, mas limita o espaço geográfico no qual acontecem os eventos, forçando o leitor a estar quase lado a lado com toda a fúria de Heahtcliff, a melancolia de Catherine, o horror de Edgar Linton, as ilusões de Isabel; a proximidade que a autora conseguiu criar é imensa e considerar seu livro como uma obra-prima não é exagero. Acredito que o livro engloba tanto em tão poucas páginas, são tantos sentimentos, tantos acontecimentos, que até me sinto meio vazio depois de lê-lo. Não é à toa que Isabella Swan, da série Crepúsculo, lê tanto esse livro. Não há como negar o quão bom esse livro é nem como parar de lê-lo. E a obra é tão boa que já recebeu quatro adaptações para as telas de cinema entre os anos de 1939 e 1992.

Luís

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sexta-feira, 15 de maio de 2009

O ALQUIMISTA

O Alquimista, 1988, 247 páginas

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Muitas pessoas falam mal de Paulo Coelho, já ouvi diversas criticas, o que sempre me motivou para não ler nada dele, mas estava sem nada pra ler e comecei a ler “O Alquimista”, e não foi algo que eu tenha me arrependido. Não é o melhor livro que eu li, aliás, nem é um estilo que eu goste muito, beira quase a auta-ajuda, mas o jeito que é escrito o salva de ser um livro chato.

Citei o genero Auto-Ajuda, por conter traços que me lembram muito, como aquel resumo básico: “Siga o que você quer e assim alcaçará o seu sucesso pessoal”. O Alquimista não é tão diferente, mas ao invés desse texto impessoal, tem-se um romance, onde Santiago, (O nome dele só é citado duas vezes no livro, me pergunto o porque disso) um pastor de ovelhas se encontra com uma cigana, onde vai para desvendar um sonho, depois com um velho que se diz rei, e assim por diante, onde cada um o ajuda a ir para o próximo passo para achar sua Lenda Pessoal, que seria mais ou menos o destino para nós, mas que muitas pessoas fogem da sua Lenda Pessoal por diversos motivos, onde o ultimo a ajuda-lo é um Alquimista, que é de extrema importancia para seu crescimento pessoal e para a sua busca por sua Lenda pessoal.  Falando assim parece meio besta, mas com o passar das páginas, a leitura vai se tornando agradavel em muitos momentos. Há até romance no livro, entre Santiago e Fátima, uma mulher que vive em um Oásis, e acaba se tornando um dos motivos para ele querer voltar.

Há muitas frases marcantes no livro, mas escolhi duas, porque gostei mais, uma é “Quando você proucura sua lenda Pessoal, o universo conspira a favor” e a outra é “Tudo que acontece uma vez, pode nunca mais acontecer. Mas tudo que acontece duas vezes, acontecerá certamente uma terceira”. Elas me fizeram pensar bastante, principalmente a primeira, pois as vezes realmente temos a impressão de que as coisas conspiram a nosso favor. Gostei também daquela pequena volta no final, já que ele esteve tão perto do tesouro antes.

Recomendaria este livro sim, tanto para os que estão meio perdido na vida, já que esse livro pode ser uma forma de se encontrar, tanto para aqueles que proucuram apenas uma leitura decente.

Renan

criado por Luís/Renan    15:04:38 — Arquivado em: Livros

sexta-feira, 10 de abril de 2009

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE

Pois bem: chegamos ao final das críticas a respeito dos livros da série Harry Potter. E para isso, a Nivea nos ajudará mais uma vez opinando sobre o que achou do último livro.

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Harry Potter and the Deathly Hallows, 2007, 590 páginas.

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Harry Potter e as relíquias da morte é um livro bem interessante. Em primeiro lugar, dá uma sensação estranha quando se lê, porque é o último livro; mais estranho é ver como tudo se desenrola de um jeito estranho, quando todos estão fora do castelo. Harry tem que sair de casa, e o episódio seria engraçado se a situação não fosse meio caótica. Gui e Fleur se casam e Harry recebe um presente de aniversário especial… Rony, Harry e Hermione têm a amizade e a capacidade testadas; discussões e separações são inevitáveis. Tem um pouco de romance e, óbvio, revelações que certas pessoas nem poderiam imaginar. [SPOILER] As especulações de que Dumbledore voltaria e de que Harry morreria não se tornam exatamente realidade. Depois da tal última batalha, J.K. Rowling fez o favor de matar mais alguns personagens queridos. Resumindo, digamos que o bem prevalece. Talvez você se assuste com o final. Sempre se espera que a frase “alguns anos depois” apareça, mas não que “alguns anos” sejam tantos![FIM DO SPOILER]. Se você estiver lendo o livro pela primeira vez, não leia com a mesma pressa que eu li. Vá com calma, aprecie os detalhes. O fim até que é previsível, mas o desenrolar da história é o que importa.

Nivea

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Ao começar a ler esse livro, é impossível não se sentir tentado a dar umas olhadinhas nas páginas finais ou mesmo querer devorá-lo em apenas um dia a fim de conhecer logo como J.K. Rowling conclui a saga do bruxo mais famoso do mundo. Em contrapartida, dá vontade de lê-lo calmamente, para que cada momento seja absorvido com eficácia e nós possamos prolongar um pouco mais a sutil alegria de lê-lo, uma vez que lido, saberemos que é decididamente o fim. Entre devorá-lo e apreciá-lo, optei pelo segundo e fui lendo parte a parte, com calma, compreendo cada situação exibida. Aos que não leram o livro, atenção: há muitas revelações contidas nos próximos parágrafos.

Não há dúvidas de que esse é o livro mais adulto da série; não me refiro unicamente aos fatores óbvios, como o fato de os personagens estarem literalmente mais velhos. Refiro-me às situações pelas quais eles passam, pelas provações e pelos sentimentos realmente dolorosos postos em frente aos seus olhos. Uma grande amostra do quanto as escolhas deles são significativas, posso citar a opção de Hermione, aluna extremamente fiel e que põe os estudos a frente de tudo, que desiste de Hogwarts para seguir com Harry numa jornada de descobertas e emoções que certamente interfere em cada segundo de suas vidas. Outro exemplo é a desgastante relação entre o trio principal, que resulta num rompimento brusco; estando sozinhos e com um a menos, Harry e Hermione dependem um do outro para seguir em frente e concluir a promessa que Harry fizera a Dumbledore no livro anterior. Certamente, esse é um livro sobre revelações e relações humanas, apesar de todo o mundo mágico no qual os personagens estão inseridos. É perceptível, por exemplo, a angústia de uma mãe que por anos seguiu um caminho duvidoso, mas que não deseja o mesmo para o filho, como é o caso de Narcisa; vemos uma relação intra-específica de afeto, como é o caso de Dobby e do gigante meio-irmão de Hagrid; é mostrada para nós a resistência daqueles que ficaram e resolveram combater Lord Voldemort de outra maneira e também a relação de fidelidade entre todos aqueles que partilhavam do companheirismo dentro do castelo de Hogwarts.

Acredito que esta seja a terceira vez durante a série que os personagens e, consequentemente os leitores, são postos diantes da morte em si. Embora saibamos que os pais de Harry tenham sucumbido à ira de Lord Voldemort, isso é um fato passado que aconteceu antes de a série se iniciar, cronologicamente (dentro da série) em 1980. A primeira morte que testemunhamos e que afeta diretamente os alunos no tempo em que vivem ocorre no quarto livro, com a morte de Cedrico. No ano seguinte, é a vez de Sirius Black se despedir da série. No entanto, no último ano, inúmeros personagens morrem enquanto outros são gravemente feridos; a respeito de alguns, sabemos o que aconteceu, sobre outros temos que imaginar. Dentre os personagens, pode-se destacar alguns de fundamental importância para a trama, como o trio principal, Luna Lovegood, Ninfadora Tonks, Remo Lupin, as famílias Weasley, Malfoy, Lestrange, os professores de Hogwarts. A respeitos dos últimos, não posso deixar de destacar a minha simpatia por McGonagall que representa o estilo de professor que Hogwarts tem perante uma situação não correspondente às expectativas da escola. No final do livro, ela não somente age com indiferença em relação a influência dos Comensais da Morte Aleto e Amico como também executa feitiços que ajudam os outros a se defender do mal que rodeia a escola. Num dos melhores momentos, Miverna diz ao professor Slughorn (antigo diretor da Sonserina) que os sonserinos precisam se decidir de qual lado estão e caso estejam do lado oposto ao lado em que Hogwarts está, então estaria declarada a guerra. Eu particularmente não vejo a hora de ver esse trecho sendo adaptado e Maggie Smith (intérprete de McGonagall) pronunciando o diálogo com o seu tom austero e firme. Torçamos para que a atriz não morra até o fim da série!!

Acredito que o único ponto negativo de todo o livro é o final. Não me refiro ao final revelador, que mostra aos leitores todas as verdades por trás das ações (e posso caracterizá-lo também como final previsível, concordando com a Nivea); refiro-me aos dezenove anos que se passam desde o fim da guerra mostrada. Além de totalmente desnecessário, é meio frustrante ler o que aconteceu com os personagens; se tivesse terminado antes, nós teríamos chegado à conclusão de que tudo tinha acontecido como é mostrado, ou seja, a forma explícita como está no livro é meio cansativo. Isso sem contar na mexicanização dos nomes dos filhos dos personagens, que soa quase absurdo.

Enfim, o livro é muito interessante. Se você chegou aqui sem entender que o meu ponto de vista é totalmente a favor do livro, então escrevi a toa. Basta esperarmos que J.K. Rowling não ceda à pressão e acabe escrevendo mais um livro; segundo ela mesma, esperará dez anos sem escrever, pois assim saberá se é ou não sensato dar continuidade à série. Esperemos que ela seja sábia!

Luís

criado por Luís/Renan    08:22:06 — Arquivado em: Críticas Especiais, Livros

sábado, 14 de março de 2009

AUTO DA BARCA DO INFERNO

Auto da barca do inferno,  1517,  45 páginas,  Teatro.

Literatura obrigatória na FUVEST e UNICAMP

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O livro trata de diversas pessoas que morrem e tem que “partir”, e é esse o grande problema, já que há duas opções:  a Barca do Diabo (onde vai também seu ajudante) e a Barca do Anjo. Antes de entrar, eles são julagados pelo que fizeram em vida.

O primeiro a aparecer é o Fidalgo (Homem Nobre), que como todos pergunta ao Diabo para onde aquela barca vai e quando tem a resposta fica indignado e vai a proucurar do Anjo, implorando um lugar. Numa passagem muito boa, o Fidalgo diz: que sua mulher vai querer ve-lo na proxima vida e o Diabo zomba com ele, dizendo que as lagrimas dela eram de alegrias e as “lastimas que dizia” foi “sua mãe que lhe ensinou”. Por fim, convencido, ele entra na barca do Diabo:
“Entraremos, pois assim é.
 Ó barco, como és ardente!
 Maldito quem em ti vai”

>>A sentença desse personagem é a condenação da frivolidade, da soberba e da tirania

O segundo a aparecer é o Onzeneiro (Agiota), que pergunta ao Diabo qual o destino da barca, e quando sua pergunta é respondida diz:
“Não vou eu em tal barca
 Estoutra tem avantagem”
Dirigi-se a barca do Anjo, e é rejeitado pelo próprio, que diz que que a ambição é feia, e é filha da maldição. Por fim, rendido, entra na barca do Inferno.
>>A sentença do Onzeneiro é a condenação da usura, da ganância e da avareza

O terceiro é o Parvo (Bobo), que quando tem a resposta a pergunta que os dois primeiros fizeram ao Diabo, insulta o Diabo de diversas expressões depreciativas (”Furta-cebolas, Excomungado nas igrejas, Filho da grande aleivosa), e quando vai a barca do Anjo,  é o primeiro a ter uma resposta positiva. O Anjo diz:
“Tu passarás, se quiseres
 porque em todos teus fazeres
 por malícia não erraste”

>>A sentença do Parvo é a glorificação da modéstia e da humanidade

O quarto é o Sapateiro, que reclama muito, quando o Diabo diz que não tem escolha se não a de entrar em sua barca. O Sapateiro diz:
“Quantas missas eu ouvi,
 que me hão-de elas prestar?
 (…)E as ofertas, que darão?
 E as horas dos finados?”
Indignado, ele vai ao Anjo, e recebe dele mais uma resposta negativa. Vencido, volta ao Diabo e entra em sua barca, dizendo: “…e levai-me àquele fogo!”
>>A sentença do sapateiro é a condenação da má fé no comércio e da hipocrisia religiosa.

O quarto personagem é o Frade (Padre), que já chega acompanhado de uma namorada chamada Florença. Ele chega cantando e dançando, trazendo também uma espada de esgrima. Como era um religioso, quando houve a proposta do Diabo fica  indignado e vai a barca do Anjo, onde conversa com o Parvo, que diz ao Frade que ele não chegou em uma boa hora. Convencido, ele e Florença vão a barca do Inferno. O frade até diz: “Vamos onde havemos de ir”.
>>A sentença do Frade é a condenação do falso moralismo religioso.

A quinta personagem é uma cafetina, que também se revela feiticeira chamada Brísida Vaz. Mais uma vez, o Diabo faz o convite e ela o recusa, indo na direção do Anjo e tenta convence-lo de que merece ir na barca Celestial, até diz:
“Eu sou apostolada
 angelada e martelada
 e fiz coisas mui divinas”

Rejeitada pelo Anjo, ela se volta ao Diabo e aceita ir na barca dos Renegados.
>>A condenação de Brísida é a prostituição.

O sexto personagem é um Judeu, que chega carregando um bode (simbolo do judaismo). Inicialmente até o Diabo o rejeita, dizendo que não levará nenhum bode em sua barca e o Judeu diz:
“Porque não irá o judeu
 onde vai Brísida Vaz?”

Vai até a barca do Anjo, onde também é rejeitado pelo Parvo. O Judeu volta ao Diabo, e esse o aceita, contudo terá que levar o bode na coleira.
>> A condenação do Judeu é ir contra os principios católicos.

O sétimo e o oitavo personagem é o Corregedor (Juiz), e o Procurador (Advogado), respectivamente. Eles se misturam depois da chegada do Procurador, pois em vida trabalhavam junto. O Procurador até diz ao Corregedor: “Beijo-vo-las mãos, juiz!”. Os dois tentam convencer o Diabo e o Anjo que merecem ir ao Paraiso, e pra isso usam diversas frases em latim. Os dois são criticados pelo Parvo e renegados pelo Anjo, até que só sobra a opção da barca do Inferno para os dois.
>>A sentença dos dois é a condenação da burocracia corrupta e uso do poder em proveito próprio.

O nono personagem é um enforcado. Ele era escrivão em vida  e acusado de ser testa-de-ferro no trabalho. Ele ainda vem com a corda com a qual se matou. Ele discuti com o diabo, defendendo a sua idéia de que deve ir para a barca do  Paraíso. Mas o diabo o convence de que não merece o Paraíso, e o enforcado entra na barca do Diabo, dizendo:
“Entremos, pois que assim vai”
>> A sentença do Enforcado é praticamente a mesma que a so Corregedor e do Procurador.

Por fim, o décimo conjunto de personagem são os 4 cavaleiros que morreram nas Cruzadas em uma região da África. Eles chegam cantando e não perguntam ao Diabo para onde aquela barca vai, o que o espanta. Eles vão direto para a barca do Anjo onde são bem recebidos. O Anjo até diz:
“Ó cavaleiro de Deus
 a vós estou esperando”

>>A sentença deles é a glorificação do ideal das Cruzadas e do ideal do Cristianismo puro.

“E assim, embarcam.”

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Gil Vicente (1465 — 1536) é geralmente considerado o primeiro grande dramaturgo português, além de poeta de renome. A obra vicentina é tida como reflexo da mudança dos tempos e da passagem da Idade Média para o Renascimento, fazendo-se o balanço de uma época onde as hierarquias e a ordem social eram regidas por regras inflexíveis, para uma nova sociedade onde se começa a subverter a ordem instituída, ao questioná-la. Foi, o principal representante da literatura renascentista portuguesa, anterior a Camões, incorporando elementos populares na sua escrita que influenciou, por sua vez, a cultura popular portuguesa.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Gil_Vicente

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Como livro, esse vale a pena, apesar de ser uma leitura extremamente curta, ela é bem cansativa. Recomendo a série “Ler é Aprender” do Estadão, de onde tirei muitas informações aqui presentes. No final do livro há um bom resumo do livro.

criado por Luís/Renan    15:45:33 — Arquivado em: Livros

quinta-feira, 5 de março de 2009

CONVITE PARA UM HOMICÍDIO

A Murder is Announced, 1950, 250 páginas. Romance policial.

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Não tenho dúvidas de que algumas pessoas nasceram para a literatura. Agatha Christie, sem sombras de dúvida, nasceu para escrever romances policiais com intrincadas situações que são belamente solucionadas no final pelos seus eficazes personagens Poirot ou Miss Jane Marple, sendo que essa é a participante desse livro. O que você faria se no jornal local fosse noticiado um convite para que todos os moradores do bairro apareçam em sua casa para participarem de um homicídio? É exatamente isso que acontece e, pensando tratar-se de um brincadeira, Letitia Blacklog recebe alguns de seus vizinhos em sua casa para o tal homicídio. O que era para ser uma brincadeira, no entanto, acaba com dois tiros disparados contra a dona da casa e também a morte do assaltante. s tentativas de assassinato, porém, não param…

É nesse rede de suspeitas que os personagens se encontram e se confrontam. A dúvida paira sobre todos e inclusive sobre os mais fortes, que insistem em permanecer calmos e inalterados. Nunca fui fã de Jane Marple, prefiro muito mais as células cinzentas de Poirot. A velhinha simpática, apesar de muito inteligente, parece sumir junto com os oturos personagens e, preconceito ou não, acho que ela não tem o perfil de velhas que se aventuram em crimes. Enfim, apesar disso, esse é um livro muito bom! Principalmente pelas reviravoltas que surgem conforme a estória vai se desenrolando e mais fatos são apresentados. Há a possível tentativa de matar Letty assim como a possibilidade de ela não ter sido o alvo; depois surge o fato de ela estar prestes a receber uma herança e mais tarde surge a história sobre os gêmeos que receberiam a herança caso Letty morresse. O mais vantajoso de ler esse livro é que ele realmente permite que o leitor treine as suas “capacidades detetivescas”, pois todas as informações contidas na história são fundamentais para o resultado final, sem que nada escape ou surjam furos.

O que há de mais esperto no livro é a forma como pequenos detalhes, que às vezes pensamos serem erros, são de grande importância para que cheguemos às conclusões finais de maneira eficaz. É claro que Agatha Christie não é o tipo de literatura a qual adultos se dedicam; eles preferem coisas mais “cultas”, mas eu ainda acho que AC é o tipo de autora que deixa o leitor mais inteligente e com uma visão mais ampla dos acontecimentos, de uma maneira geral. Aos que duvidam, sugiro que leiam esse livro. E vão descobrir que não reconhecer uma pessoa assim que a vê, pode ser perigoso. Tanto quanto receber visitas em casa, lubrificar portas, gostar de flores…

Eu recomendo totalmente esse livro para aqueles que gostam de aventuras policiais cheias de aventura e suspense e que estão preparados para se surpreender com o final de uma história que começa absurda e termina de maneira bem coerente.

Luís

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terça-feira, 3 de março de 2009

GULA - O CLUBE DOS ANJOS

O Clube dos Anjos, 1998, 132 páginas. Coleção Plenos Pecados.

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Esse é o terceiro livro publicado da coleção Plenos Pecados, que é uma série em que reúne obras de autores convidados a escrever sobre os pecados capitais. Coincidentemente, esse também foi o terceiro livro que li, sendo o primeiro sobre a Inveja e o segundo sobre a Luxúria. O que diferente entre esse livro e os dois primeiros da série é o estilo; O Clube dos Anjos é uma narrativa fictícia.

Um grupo de homens tem se reunido nos último 21 anos, uma vez a cada mês, para que pudesse degustar de seus pratos preferidos num jantar organizado pelo responsável do mês. As sensações, no entanto, já não são como eram quando se reuniam durante a juventude; as mulheres foram introduzidas nesses eventos sociais, eles pareciam ter perdido o apetite e já não se davam bem desde que um deles havia morrido. Num dado momento, Lucídio aparece na vida deles: através de Daniel, o narrador, o homem misterioso consegue reunir os dez integrantes do Clude dos Anjos à mesa, presenteando a cada mês com os seus pratos preferidos, um apetite voraz, felicidade. E também com a morte.

Em relação à minha satisfação do livro, eu diria que foi razoável. O livro não se trata de uma coletânea de casos provavelmente verídicos como é narrado por Zuenir Ventura em Inveja ou João Ubaldo Ribeiro em Luxúria. Isso faz com que percamos parte do interesse pela obra, pois nada se encerra de concreto na gula mostra por Luís Fernando Veríssimo. Não nego que como escritor, ele é bom. Quanto a isso, não posso reclamar. Mas comparado aos outros, torna-se fraco. Não é tão envolvente como “arquivo” de fatos, mas como ficção é bastante interessante, principalmente ao focar um momento eufórico, de extrema felicidade (para os personagens) com uma punição da qual eles não escapam e nem sequer tentam escapar. Como o próprio autor disse ao lançar o livro, a gula talvez seja o pecado que mais causa problemas às pessoas, competindo apenas com a luxúria, se praticada sem camisinha. São interessantes as diversas relações existentes nos livros, principalmente aquelas que misturam a literatura com a gula; para exemplificar, pode-se ver a situação daqueles homens, todos compulsivos e irracionais, comendo pelo prazer incomparado de sentir-se saciado e as diversas citações durante o livro, sendo mais eficaz ao meu exemplo, a frase “O homem é homem porque quer mais”, de Shakespear.

Digo, porém, que omo literaturade suspense, a narrativa fica aquém do esperado. Tudo é tão óbvio que a única coisa que por momentos nos deixa pensativos é o fato de todos os dez homens se entregarem tão deliciosamente à morte sem esboçar qualquer vontade de viver. Não há desenvolvimentos fabulosos nem grandes inesvtigações; a coisa está tão explícita que, curiosamente, foge de qualquer clichê que vimos. Isso não significa que o livro seja muito bom; significa apenas que é um entretenimento interesante, principalmente se você pretende ler todos os livros da série sobre os pecados capitais.

Luís

criado por Luís/Renan    06:55:37 — Arquivado em: Livros — Tags:

sábado, 21 de fevereiro de 2009

SE HOUVER AMANHÃ

If Tomorrow Comes, 1986, 402 páginas. Drama / Aventura.

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Quando postei aqui o livro Quem Tem Medo de Escuro?, eu disse que Sidney Sheldon era um dos meus autores preferidos e que era um mestre na arte de criar heroínas fantásticas. E em Se Houver Amanhã nós somos apresentados a Tracy Whitney, uma mulher cuja mãe se matou depois de um mafioso roubar a sua empresa, levá-la ao prejuízo e depois devolvê-la à pobre mulher. Numa tentativa frustrada de arrancar um confissão do mafioso, Tracy acaba sendo acusada de assalto a mão armada e roubo de um quadro no valor de meio milhão. Enganada pelo seu próprio advogado e julgada por um juiz corrupto, a bela jovem é mandada para a prisão, onde deverá ficar por 15 anos. Na prisão, sofre os abusos das outras presas, mas ao mesmo tempo começa a planejar a sua vingança contra todos que a puseram naquele lugar e todos aqueles que se negaram a ajudá-la, incluindo o ex-noivo. Após sair da prisão, Tracy tem que lidar com duas coisas importantes: sua vingança e recomeçar a sua vida. Sem dinheiro e em dificuldades, já que ninguém queria empregar um ex-presidiária, ela se sujeita a um roubo e logo se torna a ladra mais procurada do mundo, sendo perseguida inclusive pela Interpol.

Essa é uma obra de ficção, mas não pensamos em nenhum momento que não possa ser, ou que não tenha sido, uma história real. Da mesma forma que Eva Duarte, que viria a se tornar Eva Perón, saiu do nada e em apenas sete anos tornou-se primeira-dama argentina, líder espiritual e solidária à causa dos “descamisados”, Tracy Whitney fez o mesmo: a garota bonita foi pra prisão, permanecendo no anonimato, saiu de lá disposta a se vingar e meses depois já confrontava a polícia internacional com seus disfarces e técnicas de roubo. A única diferença entre elas é que a primeira realmente existiu. Apesar da atitude estúpida com a qual Tracy inicia o livro, não podemos deixar de ficar do seu lado e apoiá-la, e torcer por ela, e querer vê-la feliz. O que é realmente interessante nesse livro é a sua estrutura em relação à narrativa e à disposição dos personagens. Quanto a esses, são na maioria coadjuvantes; até mesmo Jeff Stevens, que virá a ter grande importância a partir do meio do livro, não aparece muito, embora haja alguns capítulos dedicados somente a ele. Personagens como Perry Pope, Juiz Lawrence, Tony Orsatti e Ernestine são figuras de extrema importância para a história, embora apareçam pouco também.

Quanto a estrutura do livro em relação à narrativa, o ponto mais acertado é o autor não focar todos os acontecimentos na vingança que Tracy planeja. Tanto é que antes da metade do livro, ela já se vingou de todos que queria se vingar e está preparada para a segunda coisa mais importante: recomeçar sua vida. E é a partir desse momento que Tracy tem que recorrer aos mais variados métodos para conseguir dinheiro, sendo quase sempre expulsa dos empregos pela seu passado. A única coisa que faz e que dá certo é cometer um roubo, que depois de quase sair errado, Tracy contorna o problema duas vezes e sai ilesa, causando nela a sensação de euforia que há muito não sentia. Percebe então um talento natural e começa a viajar o mundo cometendo crimes e quase sempre se deparando com Jeff Stevens, outro ladrão tão bom quanto ela. Rapidamente, surge entre os dois uma disputa que parece infindável, pois um precisa provar ao outro que é muito mais esperto em relação aos roubos que planejam. Os itens roubados não são os mais básicos; pelo contrário. Eles vão desde pequenas jóias de grande valor, são também diamantes bem protegidos e chegam a ser inclusiva quadros famosos nos museus mais bem preparados contra roubo. Em meio a tudo isso, temos a incansável perseguição de um detetive de aparência horrenda por Tracy Whitney. Ele está obsessivo por ela e se vê em pensamentos conflitantes, entre querer-lhe para o prazer e vê-la presa, o que também lhe causaria prazer.

Enfim, o livro é interessante do começo ao fim. Tracy é mais uma das fabulosas personagens que Sheldon escreveu e aposto que será lembrada sempre pelos leitores que são fãs das obras desse autor. A forma como ele a constrói impede que qualquer um que leia o livro se sinta pressionado a querer-lhe o mal, já que Tracy Whitney possa ser identificada em cada um de nós, como uma mulher que adora o desafio, é uma vítima do acaso e ainda assim dá a volta por cima, “corrigindo” alguns pequenos erros que há no mundo, unicamente em relação àqueles que têm muito e ainda assim querem mais. E apesar de já ser rica após alguns roubos, Tracy continua suas façanhas não pelo dinheiro, mas pelo prazer que cada momento em que ela tem que usar a inteligência proporciona a ela. Então, quem começa a ler Se Houver Amanhã só para quando o livro termina e ainda sente aquele gostinho de continuação (que infelizmente nunca virá) na boca. Eu sei que é patético e que a maioria das adaptações cinematográfica de obras acabam ficando aquém do esperado, mas esse é um livro que eu gostaria de ver nas telas do cinema. Até imagino a Jolie interpretando Tracy. Quanto ao ator que interpretaria Jeff Stevens, eu realmente não sei. Clive Owen, talvez. Mas, enfim, o livro é totalmente recomendável. Os personagens são adoráveis. As situações são as melhores. E o fim não deixa a desejar. O próprio título do livro, corretamente traduzido, é extremamente racional comparado a tudo que acontece no livro e a todo o perigo que os personagens se arriscam. Não há incoerências, o livro não perde o fôlego conforme chega ao final e é decididamente uma obra que vale a pena (e deve) ser lida.

Luís

criado por Luís/Renan    18:24:41 — Arquivado em: Livros — Tags:

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

DEPOIS DO FUNERAL

After the Funeral, 1953, 250 páginas. Romance policial.

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Desde que li o primeiro livro de Agatha, que eu nem sequer me lembro qual foi, comecei uma jornada pelo mundo dessa autora e suas mais diversas histórias: crimes por amor, por ódio, pela simples obessessão, pelo desafio, pela inveja, etc. Estórias boas, de uma maneira geral. E embora eu tenha me irritado com um ou dois livros dela, os outros são muito bons! Depois do Funeral, em suma, faz parte do grupo dos livros que valem a pena ser lidos.

Logo após o funeral, todos os parentes de Richard estão na sala reuindos, quando Cora, a irmã do falecido, prgunta infantilmente se ele não tinha sido assassinado. Todos pensam tratar-se de uma brincadeira, já que Cora sempre teve o hábito de falar bobagens fora de hora. É claro que a rase permanecena cabeça de todos e a sensação de que aquilo pudesse ser verdade se acentua quando Cora, no dia seguinte, é brutalmente assassinada a golpes de machadinha. E, então, que uma dúvida cruel do advogado da família coloca Poirot - o detetive belga - na história, para que ele possa dizer a todos o que realmente aconteceu.

Os personagens do livro são muito bem construídos, o que agra a quem lê. Os grandes fã de Poirot, que esperam 100% de participação do detetive, devem saber que ele não participa efetivamente da história, mas sua participação é extremamente importante, pois cabe a ele aquela explicação genial sobre tudo o que vínhamos lendo e que nos levaria a solução de um crime. Dentre todos os personagen, os que mais são carismáticos são Helen Abernethie, cunhada do morto; Susan, sobrinha do morto, com seu jeito jovial e suas palavras de impacto; Rosamund, outra sobinha, que se destaca na parte final do livro; srta. Gilchrist, senhora que acompanhava Cora até sua morte. Não há dúvidas de que o ponto alto do livro não são os personagens, e sim a trama que os envolve e, principalmente, a forma como tudo começa a se revelar. E também o livro relata muito bem a forma com certas características permanecem numa pessoa e como são capazes de marcá-las para sempre. Às vezes, uma pessoa não é reconhecível a não ser por pequenos atos ou maneirismos, que acabam precendo na lembrança.

Uma coisa, no entanto, me pareceu bastante falha na história, embora isso não comprometa a estrutura ou a sensação final que o livro proporciona. [SPOILER] No final, é revelado que srta. Gilchrist é a assassina e que ela se fez passar por Cora, que nunca esteve no funeral. Como todos não a viam há mais de 20 anos ninuém poderia saber com certeza como ela estava agora, o que possibilitou a Gilchrist vestir as roupas de Cora, usar uma franja falsa e se passar por ela, copiando os seus maneirimos. Quanto a isso não há nenhum problema. No entanto, quando “Cora” fez a tal pergunta constrangedora, Helen notou que havia algo errado e no fim é explicado que Cora sempre inclinava a cabeça para um lado, mas naquele momento, Cora inclinou para o outro lado. E Helen descobriu isso quando se olhava de frente para o espelho e se viu como se outra pessoa a estivesse olhando, considerando que é o acontece quado olhamos no espelho, que mostra o lado oposto. Concluiu, então, que Cora trocara uma característica que era sua desde pequena ou aquela mulher não era Cora. E Helen estava certa quanto a Cora não ser Cora. Mas se ela era tão capaz de se lembrar da outra, não é estranho que ela não conseguisse reconhecer um único traço do que Cora era antes, percebendo logo que aquela mulher era uma farsante? E mesmo não percebendo isso no começo, não deveria perceber assim que visse a srta. Gilchrist que ela tinha a mesma aparência da  que Helen vira no funeral? Convenhamos: uma franja e um vestido sobre alguns travesseiros para engordar não deixam uma pessoa irreconhecível! Helen, portanto, perceberia que Gilchrist ra extremamente parecida com Cora ou mesmo que Cora não era Cora rapidamente. Isso, obviamente, estragaria o final do livro. Então, Helen, uma mulher bastante astuta, foi capaz de se lembrar da cunhada pelos maneirismos e não por ela mesma. [FIM DO SPOILER]

Não há dúvidas de que eu recomende esse livro. São apenas 250 páginas e com uma trama muito boa, que prende o leitor ao livro. Eu mesmo o li em um dia, embora já o tivesse lido antes. Mas resolvi voltar a ler Agatha Christie. Saudade de tramas bem construídas como as que a autora proporciona aos leitores que gostam de romances policiais.

Luís

criado por Luís/Renan    22:21:51 — Arquivado em: Livros

sábado, 14 de fevereiro de 2009

QUEM TEM MEDO DE ESCURO?

Are You Afraid of the Dark?, 2004, 375 páginas.

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Sidney Sheldon é um dos meus autores preferidos. A narrativa de sues livros me impressiona e faz com que eu seja um fã de suas obras, tendo inclusive lido quase todas as que foram publicadas. Em Quem Tem Medo de Escuro?, Sidney Sheldon nos apresenta quatro mortes misteriosas: uma mulher que se suicidou na banheira, um homem que pulou da Torre Eifel, um piloto cujo avião chocou-se contra uma montanha e outro homem que foi morto por mafiosos. Para Kelly Harris, mulher do homem que se jogou da Torre, e Diane Stevens, esposa do homem morto pela máfia, suas mortes são fatos muito estranhos, mas por sorte elas contam com a ajuda de Tanner Kingsley, dono da empresa para qual os seus maridos trabalhavam. Envolvidos num projeto secreto e altamente perigoso, as mortes pretendiam manter o silêncio, mas tudo muda quando Kelly e Diane descobrem que sabem mais do que deveriam.

Sidney Sheldon constrói mais duas grande heroínas para se juntar ao grande time de mulheres fortes, como Jennifer Parker, Tracy Whitney e Jill Castle. Não há dúvidas a respeito da sólida forma como as personagens Diane Stevens e Kelly Harris foram criadas; o leitor se apaixona por cada uma delas, seja pelo lado positivo ou pelo negativo, já que vemos que elas são quase opostos e ao mesmo tempo tão iguais. Uma é racional, fria e sarcástica, sempre muito lógica; a outra é mais sentimental, contagiante e mais preocupada com a situação, pendendo para um lado amoroso que se funde às suas crenças religiosas. Mas não há dúvidas de que as duas têm muita inteligência e são capazes de muitas coisas pelo instinto de sobrevivência. As páginas iniciais se preocupam em nos dar informações sobre as personagens para depois envolvê-las na ação; primeiro conhecemos a essência de cada uma, para depois vê-las como animais, fugindo de seringas hipodérmicas, explosões de carro, tiros, apartamentos-bomba entre outras coisas.

Li esse livro duas vezes. Na primeira achei meio estúpido o “projeto secreto”, [SPOILER] que consiste numa máquina superavançada capaz de controlar o clima em qualquer parte do mundo [SPOILER]. Mas é claro que não há nada estúpido nisso, considerando o que os supercomputadores são capazes de fazer e a forma como as potências mundiais os usam. Numa segunda leitura, percebi que é bastante coerente a situação em relação a todo o inferno pelo qual fazem Diane e Kelly passarem. E todos os personagens, bons ou maus, são bem construídos. Mas esse aspecto positivo não se limita aos personagens. A história em si é muito boa, com vários momentos de ação e vários outros em que vemos a densidade moral e psicológica de cada personagem; cada trecho é coerente, cada momento é único e no final, percebemos que não há ponto sem nó, tudo foi muito bem conectado. Temos, portanto, começo, meio e fim completamente sólidos. É um livro de ação como poucos conseguem ser, pois lê-lo é como assistir filmes como O Procurado ou Controle Absoluto.

É óbvio que recomendo esse livro, pois Sidney Sheldon se mostra realmente hábil ao conduzir essa história eletrizante de duas mulheres que se unem por acaso e que juntas precisam sobreviver até poder revelar o que vem acontecendo. Não há como ler e não gostar da história! Recomendo que leiam esse livro e vários outros de Sidney Sheldon.

Luís

criado por Luís/Renan    11:25:19 — Arquivado em: Livros

domingo, 8 de fevereiro de 2009

ECLIPSE

Eclipse, 446 páginas, 2009. Romance.

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Bom…depois que teminei de ler Lua Nova, aproveitei e comecei a ler Eclipse e Amanhecer (Breaking Dawn) na versão PDF mesmo, mas isso não foi obstáculo para que lê-lo novamente. Novamente começamos pela capa, que apesar de ser a mais simples da série é tão bonita quanto as outras. Mais uma vez Stephenie Meyer não muda muito sua narrativa, continuando no mesmo estilo de Crepúsculo e Lua Nova, deixando toda a parte de ação para o final e durante todo o livro temos o romance meloso entre Edward e Bella, mas que todo mundo gosta.

Apesar disso Eclipse é um dos melhores livro da série (talvez perdendo apenas para “Amanhecer”), é nele que vemos muito mais o âamoroso entre Edward, Bella e Jacob, com muitas reviravoltas mas não com indecisões. Voltamos a ver Victoria  (mais efetiva dessa vez) e junto com ela um exército de recém-nascidos e também uma pequena parte dos Volturi, que fazem uma pequena aparição. Tudo isso junto traz muito mais conteúdo e deixa a estória mais excitante, fazendo que nós, mais uma vez “devoremos” o livro.

Outra coisa interessante são que as histórias de Rosalie e Jasper são contadas por eles mesmos, mostrando aos leitores mundos e épocas diferentes nas quais eles viveram. Apesar da história de Rosalie ser bem triste, é a mais legal também e faz com que o leitor consiga entender um pouco mais porque ela tem tanto “receio” de Bella. [SPOILER] É nesse volume que Bella começa a amadurecer para a vida sexual (Obs: Eles não fazem nada de mais) e para os desejos que certamente um (a) adolescente tem, e eu senti pena dela na hora em que é rejeitada. É aqui também que ela aceita o pedido de casamento de Edwad mostrado no 4º livro. [FIM DO SPOILER] Só achei uma coisa estranha: não traduziam “impriting” (para impressão como fizeram em PDF) E como nos outros também há o primeiro capítulo do próximo livro.

Do resto você pode esperar mais ou menos a mesma fórmula dos outros: bastante romance, juras de amor e etc, que para mim foi o elemento principal para o sucesso do livro. Bom… o filme também já foi confirmado e deve sair em 2011 ou 2012. Leia. Vale muito a pena.

Renan

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criado por Luís/Renan    07:20:11 — Arquivado em: Livros
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