Literatura e Cinema

“Sem correr no corredor, Nancy” - Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

ANNE HATHAWAY

Clique aqui, para ver o trailer de Alice no País das Maravilhas, próximo filme de Anne Hathaway (com legenda).

Minha admiração por essa atriz começou efetivamente depois que vi O Diabo Veste Prada, que de longe é o filme mais conhecido dela. Por isso, e motivados por um comentário de uma leitora do blog, o Luis e eu decidimos postar aqui mais sobre a vida artística de Anne Jacqueline Hathaway. Mas, antes, segue um pequeno resumo de sua vida antes de se tornar uma grande atriz. Ela nasceu em Nova York, e parecia predestinada ao sucesso, já que sua mãe, Kate McCauley, é uma experiente atriz do teatro e pode ter sido dessa ligação com a arte que veio a idéia para o seu nome: Anne Hathaway é uma homenagem de seus pais à mulher de Willian Shakspeare, que tem o mesmo nome. Seu pai, Gerard é advogado, e tem mais dois irmãos Tom e Michel.

O primeiro filme que assisti dela – e coincidentemente o primeiro que ela fez -  foi “O Diário da Princesa”, quando ela parecia que seria por um bom tempo uma atriz da Disney. Acho que por ser uma obra adaptada do livro homônimo da escritora Meg Cabot, e sendo assim ter o roteiro semi-pronto o filme se tornou bem agradável, não que tenha conteúdo, mas mesmo assim é bom, já que além da estória ser interessante, Anne já se mostrava capaz de divertir seu público, revelando-se uma atriz notável. Ela continuou nos estúdios da Disney por mais um tempo com filmes no mesmo estilo como Uma Garota Encantada e a continuação de O Diário da Princesa, esse não tão bom assim, e vale mais a pena por ter a música Breakway da Kelly Clarkson como tema. Mas apenas em 2005, um ano depois de ter sido lançado O Diário da Princesa 2, ele teve um papel denso em O Segredo de Brokeback Mountain como esposa de um dos cowboys gays. Apesar de pequeno, o papel lhe abriu um grande leque de novas oportunidades além de mostrar para o mundo e para a crítica que ela é uma atriz séria e capaz.

Daí em diante foram sucessões de sucesso um após o outro. Em 2006 ela fez seu filme de maior sucesso O Diabo veste Prada, também adaptado do livro homônimo, filme que concorreu ao Oscar de Melhor Figurino e deu a ela a chance de trabalhar com a experiente Meryl Streep. Acho que esse filme é do gosto de todos, pois tem romance, comédia e até uma pequena parte que esboça um drama no final, e é um daqueles filmes que se pode recomendar sem medo de errar e pra termos noção do sucesso, há vários cartazes de outros filmes com “Do mesmo diretor de O Diabo veste Prada”, ou dos mesmos roteiristas. Novamente vemos Anne Hathaway brilhar para o mundo todo. No ano seguinte ela foi estrela de Agente 86, onde ela mais uma vez diverte seu público, mas sozinha ela não consegue salvar o filme, tornando-o um filme mediano, fato que não desprestigia sua carreira.

O auge de sua carreira foi alcançado em 2008 com O Casamento de Rachel, filme aclamado pela crítica onde interpreta Kym, uma garota que saiu recentemente de uma clínica de recuperação e tem que ir ao casamento de sua irmã. Nesse filme conseguimos ver o tamanho da capacidade de Hathaway, nos provando que ela com certeza ela é uma promessa para o futuro de Hollywood . Ainda nesse filme, ela foi indicada a melhor atriz em vários prêmios importantes como o Oscar, ao lado de Kate Winslet, Meryl Streep , Angelina Jolie e Melissa Leo, também foi indicada ao Globo Ouro, ao SAG Awards e ao Critic’s Choice Awards, esse último ela foi ganhadora, sendo que quem analisa o filme é a própria crítica, o que mostra  o quão boa ela foi. No Oscar 2009 também, pudemos ver mais um pouco de sua capacidade artística, já que Hugh Jackman puxou-a de sua cadeira e dançou com ela, obviamante tudo ensaido, mas essa foi mais uma boa surpresa em relação a essa atriz. Em 2009 também, foi lançado seu atual filme Noivas em Guerra, que comparado a todos os outros que assisti, é o mais fraco dela, mostrando talvez que ela tem dom mesmo para o drama e que dai podem sair mais indicações a premiações importantes e com certeza vitórias nessas indicações. O próximo filme dela é um dos filmes mais aguardados para 2010, Alice no país das Maravilhas é mais um filme da Disney, mas diferente dos outros, esse é um filme do mestre Tim Burton. Ela interpetará a Rainha Branca ao lado dos queridinhos do diretor Johnny Depp e Helena Bonham Carter, e quem sabe ela não vira mais um deles também.

Renan

criado por Luís/Renan    09:20:33 — Arquivado em: Perfis

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

KATE WINSLET

Queria escrever sobre um ator ou uma atriz, mas não sabia com quem era melhor começar. Pensei em comentar sobre aqueles cujas carreiras contêm poucas obras, de fácil análise e que a maioria das pessoas assistem aos filmes dos quais participam. Mas o trabalho seria realmente satisfatório se eu fizesse um artigo sobre uma estrela de quem eu realmente gosto e que, como se não bastasse, é extremamente talentosa. Acredito que eu a escolhi merecidamente para estrear os perfis de atores/atrizes.

Ainda que esse artigo seja dedicado principalmente à crítica acerca da qualidade da atriz, segue-se um pouco sobre a vida de Kate Winslet. Nasceu no dia 05/10/1975 em Reading, Berkshire, Inglaterra, Kate Elizabeth Winslet, que parecia fadada à profissão que seguiria, já que o pai, o tio, o avô já haviam sido atores. Desde pequena dedicou-se à atuação, participando de peças de teatro, tendo interpretado a Virgem Maria ao cinco anos de idade. Aos 11 anos, entrou para uma escola de teatro, que foi paga pela avó e dois anos mais tarde participou de um comercial de cereal na TV. Engordou durante a adolescência, o que lhe rendeu um apelido desagradável: Blubber, que significa “geléia”. Depois, participou de produções para a TV britânica, onde conheceu o roteirista e diretor Stephen Trede, com quem se relacionou por cinco anos. Aos 17 anos, já independente e morando sozinha em Londres, venceu outras 175 garotas e conquistou o papel de Juliet Hulme, no filme Almas Gêmeas. Um ano e meio depois, Kate foi chamada para um pequeno papel em Razão e Sensibilidade, roteirizado pela também atriz Emma Thompson; falou tanto sobre outro papel, o de Marianne, que acabou convencendo a produtora a ceder-lhe o papel. A partir de então, conhecemos a magnífica atriz que ela se tornaria…

Dos cerca de 20 filmes de que Kate participou, eis a lista daqueles a que eu já assisti (em itálico estão as obras por quais ela recebeu uma indicação ao Academy Awards e o asterisco representa as obras pelas quais ganhou):

  1. Razão e Sensibilidade (2005)
  2. Hamlet (1996)
  3. Paixão Proibida (1996)
  4. Titanic (1997)
  5. Contos Proibidos do Marquês de Sade (2000)
  6. Íris (2000)
  7. A Vida de David Gale (2003)
  8. Em Busca da Terra do Nunca (2004)
  9. Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2004)
  10. O Amor Não Tira Férias (2006)
  11. Pecados Íntimos (2006)
  12. O Leitor (2008) *
  13. Foi Apenas Um Sonho (2008)

Vendo os seus filmes, o espectador tem certeza de uma coisa: Kate Winslet é uma das melhores atrizes de sua geração! Ela não somente compõe um personagem com gigante habilidade, mas também nos consegue colocar lado a lado em relação a ele. Pouquíssimas atrizes têm essa capacidade interativa, de incluir quem assiste aos filmes nas diversas cenas. Kate o faz muito bem, não deixa a desejar. Felizmente, ela dificilmente exagera na atuação, não há grandes deslizes em cena e quase sempre nos fazer acreditar na solidez de sua interpretação. Eis uma atriz que não tem medo da nudez. Já declarou inclusive que isso não a incomoda, desde que dê verossimilhança à cena, sem ser vulgar; porém já disse que a partir de agora não fará mais cenas assim, porque as pessoas já viram demais. Já conheci quem a julgasse má atriz por suas cenas sem roupa, mas inegavelmente existe uma diferença esmagadora entre o que ela faz e o que outras atrizes fazem. Para exemplificar, posso citar Demi Moore em Striptease, filme que deturpa qualquer cena sensual. Winslet, num dos primeiros filmes de sua carreira, ousou a aparecer numa crua cena contendo nu frontal; contudo, a essa atuação - e a todo o filme - só tenho elogios.

Embora, como eu disse acima, ela seja capaz das mais variadas personagens, eu acredito que ela tenha sido fadada às mulheres de época. Das suas indicações ao Oscar, duas delas são por personagens contemporâneas e as outras quatro são por personagens de séculos anteriores. Por muito tempo, pensei que a Academia fosse subjulgá-la, limitando-a a indicações, sem nunca conceder-lhe a bela estatueta. Em 2009, todavia, em sua sexta indicação, Kate recebeu o troféu dourado pela sua atuação em O Leitor. Já não era sem tempo, afinal, Helen Hunt tirou-lhe das mãos o prêmio quando Kate concorreu por Titanic; dois anos antes, Miro Sorvino, de Poderosa Afrodite, impediu que Kate ganhasse por Razão e Senbilidade. Três anos depois de sua Rose Dewitt Bukarter ter sido preterida, veio sua terceira indicação, ao interpretar a escritora Íris Murdoch, quando era jovem. Perdeu para Jennifer Connely, de Uma Mente Brilhante. Em 2004, contracenou com Johnny Depp e com Jim Carrey nos filmes Em Busca da Terra do Nunca e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, respectivamente. Viu Depp sendo indicado como Melhor Ator e se viu indicada como Melhor Atriz, mas por sua parceria com Jim Carrey. Perdeu, merecidamente na minha opinião, para Hilary Sawnk, de Menina de Ouro. Em sua quinta indicação, em 2007, concorreu com a veterana Meryl Streep e com Judi Dench, que também integrara o elenco de Íris, mas acabou perdendo o prêmio mais uma vez, já que a eleita Melhor Atriz foi Helen Mirren, por A Rainha. Na 81ª Edição do Academy Awards, em 2009, Kate mais uma vez concorreu, disputando com as ótimas Angelina Jolie (A Troca), Anne Hathway (O Casamento de Rachel) e disputou mais uma vez com Meryl Streep. Finalmente, conquistou a tão cobiçada estátua. E como se não bastasse, ainda ganhou os prêmios do Globo de Ouro a que fora indicada; chorando enquanto lhe saudavam vencedora, apressou em dizer quando retomou a fala: “desculpem-me, não estou acostumada a ganhar prêmios!”. Uma declaração bastante franca, que indica certas falhas no mundo cinematográfico… Acho, porém, que ocorreu um pequeno equívoco quanto à escolha que a Academia fez ao indicá-la; deveriam-na ter indicado como Melhor Atriz em 2009 pelo filme Foi Apenas um Sonho e, talvez, como Melhor Atriz Coadjuvante por O Leitor, já que o seu desempenho no primeiro supera o segundo.

Eu pretendo ainda ver as obras das quais ela integra o elenco, pois nunca vi uma produção em que ela não estivesse bem. Logicamente, há atuações mais mornas, mas na maioria das vezes, ela consegue nos impressionar, porque é realmente hábil ao compor a personagem, caracteriza cada mínimo detalhe, sabe nos deixar embargados de emoção nas horas certas. Ainda que,  na minha opinião, seja uma atriz que mais se assimila à alegria do que à tristeza,os diretores gostam de vê-la sofredora e, quando isso não é o suficiente, gostam de matá-la. Não citarei aqui em quais filmes isso aconteceu, para não estragar a surpresa de quem for assistir aos filmes dela. No fundo acredito que ela realmente se destaca mais ao interpretar papéis assim, em que o sofrimento e o pesar se fundem, moldando as atitudes. Se me disserem que uma produção é cheia de efeitos especiais, ou conta uma história interessante, ou tem cenas extremamente fortes e chocantes, talvez eu não me interesse. Porém, se me disserem que Kate Winslet está no elenco, a probabilidade de eu querer vê-la é imensa!

Kate, típica atriz-camaleoa, funciona bem com qualquer parceiro em cena. Embora já em 1995 ela tenha se destacado ao lado de Emma Thompson, foi somente dois anos depois, ao lado de Leonardo DiCaprio, que ela começou a ser notada pelo grande público. Já esteve junto com Kevin Spacey, Johnny Depp, Jim Carrey, Patrick Wilson, Geofrey Rush e em nenhum momento ela se apagou notavelmente em relação ao parceiro. Não posso me esquecer de dizer que ela e DiCaprio formaram um dos casais mais famosos do cinema, Jack e Rose, no filme Titanic, que eu acredito ser um clássico. Anos depois, reencontraram-se numa atuação que causa ainda mais prazer nos espectadores. Dias atrás, numa conversa no msn com o grupo da comunidade Filme Dublado É Filme Morto, falávamos sobre essa atriz e eu a comparei com Meryl Streep, gerando algumas discórdias. Acho que é só uma questão de tempo até que Kate se aproxime da qualidade de Streep. Talvez venha a ser a nova recordista de indicações, afinal em 30 anos, Streep conseguiu quinze indicações; em 15 anos, Kate já conseguiu seis!

Eu realmente não consigo escolher um filme entre os que ela fez, pois vejo beleza em cada nova atuação. Ela não se repete, não atua tal como atuara num filme anterior: sempre tem algo novo a mostrar, algo que ainda não vimos, nem mesmo na atuação de outras atrizes. Muitos não gostam dela, não sei por que: linda, talentosa e, aparentemente, simpática. Espero um dia conhecê-la pessoalmente, apertar-lhe a mão, dar-lhe um abraço e dizer: Kate, eu sou seu fã! Contudo, quem sabe isso demore mais do que eu imagino, então, por enquanto, me contento em apreciá-la no cinema, lugar a que definitivamente pertence.

Luís

criado por Luís/Renan    00:29:58 — Arquivado em: Perfis

sábado, 7 de março de 2009

BATMAN

  1. Batman, 1989, 126 minutos.
  2. Batman - O Retorno, 1992, 126 minutos.
  3. Batman Eternamente, 1995, 122 minutos.
  4. Batman e Robin, 1997, 130 minutos. 

 

     Eis a primeira versão do famoso morcego-herói, por vezes confundido como vilão, que nós conhecemos. No não tão longíquo ano de 1989, vinte anos atrás, surgiu o filme com grandes nomes, que hoje já não estão mais frequentes nas telas, como Michael Keaton e Kim Basinger. O primeiro veio de um único filme anterior e também participou da sequência do blockbuster que Batman se tornou; já Basinger era uma atriz conhecida, principalmente ao protagonizar o dicionário erótico cinematográfico chamado 9 e 1/2 Semanas de Amor, no exibia suas belas curvas e também fazia exibições extremamente sensuais na cama, no chão, na rua e na chuva com Mikey Rourke. E como se não bastasse, Batman, sob o comando do diretor Tim Burton, foi um dos filmes que iniciaram a liberação de grandes verbas para a produção do filme.

     Divagando mais um pouco, os vinte anos não fazem de um velho tampouco o deixam indigno de ser assistido. Muitas obras são velhíssimas e ainda assim são grandes clássicos do cinema e são obras que não conseguiram ser substituidas ou repostas por remakes; os clássicos, esses nem sequer são cogitados para remakes, pois uma atualização da obra levaria a uma perda da qualidade estutural que foi usada no original, como A Malvada Aconteceu Naquela Noite. Ambas as obras, dois clássicos do cinema, jamais foram recriadas pois não há dúvidas de que seria um erro; um erro tão grande quanto tentar recriar o filme Titanic. Outras produções receberam remakes recentes, como O Massacre da Serra Elétrica, que foi lançado originalmente em 1974 e contava com uma verba baixíssima; sua atualização, lançada há cerca de 4 anos, equiparou-se ao original e ainda apresentou as novidades que a tecnologia da época (década de 70) não permitia. Outros filmes simplesmente recebem continuações, que se tornam infindáveis e, na maioria das vezes, abaixo da qualidade do filme original, como é o caso das sequências de Sexta-feira 13, A Hora do Pesadelo e, inclusive!, o próprio Batman, cuja quarta sequência, entitulada Batman e Robin (só para se ter uma ideia, o filme foi indicado em 10 categorias do Framboesa de Ouro!) foi um verdadeiro fracasso. Então, em 2005, veio um remake desse filme. O filme recebeu uma atualização, foi estrelado por novos atores, um desenvolvimento diferente para alguns pontos na história… Mais para frente vocês compreenderão o porquê dessas minhas palavras.

 

     Há exatos 20 anos, surgiu o primeiro de uma série que renderia 4 filmes e o surgimento de uma franquia que daria um fim à história começada em 1989 e recomeçaria tudo a partir do ponto zero. Além dos astros já citados no primeiro parágrafo, há também outro ator de grande importância e, curiosamente, o que mais funciona nesse filme: Jack Nicholson, que interpreta o sádico Curinga. O filme rendeu bastante dinheiro, embora eu não saiba a que creditar todo esse mérito, uma vez que o filme está longe deser uma grande obra, como a história de outros super-heróis viriam a se tornar. Esse primeiro filme é um aglomerado de falhas e inexpressividades, assim como mal aproveitamento dos atores. Para começar, já é destoante o perfil de Michael Keaton para o papel do morcego, considerando que Keaton é praticamente um anti-Batman, considerando todos os seus trejeitos, expressões e caracteríticas; a aparência, para que comecemos simpatizando com o personagem é fundamental, e o ator que dá vida ao herói é tão fosco que se torna muito difícil acreditar que o seu alter-ego seja defensor de Gotham City. A acerca da caracterização de Gotham, não se pode negar que, para um filme da década de 80, a cidade foi muito bem definida e nós realmente temos a impressão sombria a respeito da cidade, a iluminação escura também ajuda bastante no clima do filme, principalmente ao contrastar com as tomadas bem claras, como as do escritório em que Knox e Vale trabalham. Vicky Vale, personagem de Kim Basinger, é a amostra clara de que um roteiro que desenvolve mal um personagem impede completamente o ator de torná-lo carismático: Vale só da gritinhos, faz poses, anda pra lá e pra cá, é perseguida pelo Curinga e salva pelo Batman. Em duas horas de filme, isso é tudo que Basinger faz (e nem sequer fica nua, para relembrar os saudosistas da sua maratona sexual com Rourke). Como disse anteriormente, o destaque fica por conta da boa interpretação de Nicholson, que desenvolveu bem o seu Curinga. As piadas são de extremo humor negro, assim como as suas atitudes, mas isso também acaba comprometido por causa do roteiro, que mostra algumas situações bem estranhas e incabíveis, como o fato de o assassinato dos pais de Wayne ter sido cometido pelo Curinga e também a explicação bem ridícula que eles dão para explicar a maquiagem do personagem. Outro grande problema do filme, é a ausência de realidade na maioria das cenas. Algumas são extremamente patéticas de tão exageradas e falsas, como quando o Curinga frita literalmente um homem após cumprimentá-lo com um aperto de mão. Enfim: o roteiro é cheio de furos, os coadjuvantes nem sequer chegam a ser coadjuvantes, o Batman é um anti-Batman e nada, com exceção do corpo de Kim Basinger, consegue provocar a simpatia do espectador.

 

     Curiosamente, o filme fez muito sucesso, rendendo uma continuação três anos depois e com a inserção de novos personagens para confrontar o morcego. Na primeira sequência, temos a Mulher-Gato, magnificamente interpretada por Michelle Pfeifer e Pinguim, um ser deformado que foi abandonado nos boeiros e vive no esgoto. No papel principal, mais uma vez Michael Keaton em sua mesma performance razoável do primeiro filme, que felizmente conta com uma presença feminina de extrema força e carisma. Os aspectos técnicos continuam os mesmos do filme anterior e eu diria inclusive que os filmes se equiparam bastante, pois, embora haja uma personagem com quem simpatizamos (Mulher-Gato), há todos os outros para que nós nos cansemos de vê-los em suas interpretações, principalmente Danny DeVitto, como Pinguim, um ser bastante medíocre que não causa nenhum sentimento nos espectadores a não ser cansaço. Já Christopher Walken, intérprete de Max Shrek, é extremamente irritante. O que quero dizer é que sua interpretação é irritante e não que havia necessidade de que seu personagem o fosse. Considerando tudo o que acontece no filme, não se pode deixar de elogiar a caracterização perfeita de Michelle Pfeifer, irrepreensível naquela roupa apertada e em suas falas deliciosas. O que salva o leitor do cansaço em alguns momentos é a aparição divertida da Mulher-Gato, com toda a sua flexibilidade, agilidade e também sensualidade. Cabe à Michelle Pfeifer duas das melhores cenas do filme, sendo que uma delas a realidade é incrível; são elas: o empurrão, seguido de queda, na meia hora inicial e a destruição do seu próprio apartamento, momentos depois de sobreviver à queda e momentos antes de vira a felina bandida. Esse filme deu carreira solo à gata, que doze anos depois ganharia o seu próprio filme, entitulado Mulher-Gato; ironicamente, o péssimo filme é interpretado pela ótima Halle Berry e a história da felina é um pouco modificada. Os personagens do primeiro filme não são resgatados nesse segundo, logo Kim Basinger e Jack Nicholson não reaparecem; a primeira simplesmente some dessa continuação e o segundo morreu no filme anterior, justificando assim a sua ausência. O filme, embora razoavelmente mais interessante do que o primeiro, ainda se perde em situações pra lá de maçantes, diálogos inúteis e personagens que parecem não ter finalidade alguma e, no caso de alguns, realmente não têm! Mesmo assim, veio a segunda continuação da série e o terceiro filme com o personagem Batman…

   

     Depois de dois filmes, o Batman recebeu um intérprete mais adequado: Val Kilmer. Talvez ele tenha sido o ator que mais combina com o personagem da antiga cronologia. O filme, no entanto, perdeu todo o chame que poderia ter, pois em vez de abordar a relação complicada entre Batman e Gothan, que não sabe se o considera um herói um um vilão, e resolveu dar uma característica mais humorística a todos os vilões, sem que se mantivesse a essência ruim deles. O resultado é no mínimo broxante, pois Jim Carrey, O Charada, atua como se estivesse em um de seus filmes de comédia, e Tommy Lee Jones está insurportalvemente patético como o Duas Caras; outra fato curioso é a forma como eles ignoraram “detalhes” dos filmes anteriores e o Harvey Dent Duas Caras não é mais negro, como no primeiro filme, ele agora é branco! Branco e púrpura! E extremamente caricato! Mas quanto a isso, todos os personagens são. Nem mesmo a pobre Nicole Kidman, absurdamente bonita, consegue dar um ar mais digno ao filme, que certamente não é de todo ruim, mas está longe de ser o Batman que a maioria dos espectadores espera ver. É na terceira produção envolvendo o herói que conhecemos o parceiro que participaria de maneira efetiva e também estaria presente no título: Robin. São, portanto, dois heróis combatendo dois vilões. E os quatro não acrescentam ao filme; se Nicole Kidman ou Drew Barrymore talvez, tivessem ficado nuas… Val Kilmer, aliás, usa uma roupa que é mais apertada do que a roupa da Mulher-Gato no filme anterior! E, como se não bastasse, esse filme ainda usa um artifício que definitivamente não combina com as histórias do morcego: o tom colorido.  Morcegos não combinam com azul, vermelho, amarelo, discoteca, holofotes, etc. Combina com escuridão. Uma curiosidade é que Carrey quebrou parte da mobíla do trailer treinando o rodopio d’O Charada; eu simplesmente não enxerguei esse rodopio! Nunca o vi, aposto que devo ter piscado - provavelmente em todas as cenas que O Charada aparecia. Não resta dúvidas de que o Batman, que já não era grande coisa em 1989, havia declinado bastante 6 anos depois. Mas a bomba ainda estaria por vir.

     Em 1997, para desespero dos fãs, surge Batman e Robin, ilme que enterraria por quase dez anos o morcego, o seu fiel ajudante e toda a galera que vilões que se reunia para destruir o herói. Curiosamente, não só é o pior como também o maior filme! Essa obra que eu poderia chamar de fossa reúne todos os erros dos três primeiros filmes: os vilões são extremamente caricatos, excesso de cores em todas as tomadas, a enorme quantidade de furos no roteiro, a maneira desesperadora como Joel Schumacher dirige, o acréscimo de mais uma heroína, enfim tudo é falho nesse filme. Principalmente se considerarmos que seja um filme do Batman! Não me surpreende quetena recebido praticamente todas as possíveis indicações para o Framboesa de Ouro. E quem achou que George Clooney seria bom para o papel? Não nego que ele tenha charme, mas não como o morcego! Temos que convir que somente num filme ruim da sessão da tarde poderíamos ter a seguinte junção : Arnold Schwarzenegger com vilão, árvores que crescem com um pedido, um monstro musculoso e sem cérebro, Alicia Silverstone (sim, essa mesma… uma das Patricinhas de Beverly Hills) no mesmo nível do Batman. Nem há muito o que comentar a respeito desse filme, porque comentá-lo certamente é mais desrespeitoso do que assisti-lo. O resultado final: Batman some das telas por oito anos.

 

     Depois de se revear um belo fracasso de bilheterias e também frustar muitos fãs do herói, que esperavam ver algo bem melhor, não havia outra solução senão matar definitivamente toda a velha série e dar início a uma nova. Não fazendo do novo film um remake do antigo, mas sim desenvolvendo um novo projeto, trabalhando nele para que pudesse ter ao mesmo tempo o melhor em questão de tecnologia e também os acertos (que foram poucos) da cronologia antiga. O surpreendente resultado veio em 2005, num filme que daria início e novo fôlego às produções do herói. Adota-se atualmente a seguinte cronologia:

  1. Batman Begins, 2005, 134 minutos.
  2. Batman - O Cavaleiro das Trevas, 2008,  142 minutos.

  

     Batman, pela primeira vez, é mostrado como um anti-herói e não como a rapazinho simpático e cheio de virtudes como em todos os filmes da cronologia anterior. Aqui ele comete erros, faz burradas e, o mais interessante, não submete as suas vontades ao que é justo! Pois bem, nós conhecemos como foi a formação do Batman e compreendemos cada processo que o levou a ser o que é em vez de simplesmente vê-lo já pronto, preparado para lutar. Aliás, parte do primeiro filme é dedicada exclusivamente ao desenvolvimento dos conhecimentos do personagem e também dedicada a estrutura do caráter de Bruce antes de virar Batman, o que não podemos ver na cronologia estrelado pelos atores Keaton/Kilmer/Clooney. Gotham City é uma cidade sombria, perigosa e definitivamente não tem todo o “charme” que existe na mesma cidade dos filmes anteriores; os personagens, todos em sua maioria, sao bem interpretados por atores que estão seguros em seus papéis. Acho que as principais modificações foram: 1) as características na personalidade do Batman, que inclusive parou de ter uma namoradinha por filme, 2) a fotografia escura e sombria da cidade e, por fim, 3) os vilões, que estão definitivamente mais insanos, cruéis, realistas e também divertidos. A diversão, no entanto, não é o tipo que danifica o filme, transformando em comédia o que deveria ser eletrizante; é a diversão que causa a simpatia do espectador por algum personagem em específico, como é o caso do Curinga, que faz de sua instabilidade psicológica um fator extremamente útil ao filme.

 

     É óbvio que novos personagens ainda serão acrescentados ao elenco assim como outro abandonarão a série, como já vimos, num momento bem triste do segundo filme, esse acontecimento. Curiosamente, Katie Holmes, intérprete de Rachel no primeiro filme, preferiu não continuar no blockbuster, fazendo, então, com que Maggie Gyllenhall fosse contratada, assumindo a personagem no segundo e último filme dela; é claro que posteriormente poderá reaparecer em flashbacks, mas de maneira efetiva Rachel Dawes está fora dos próximos filmes. O Curinga de Heath Ledger sem sombras de dúvida superou o de Jack Nicholson e não há como negar isso! Embora o segundo seja um gênio da interpretação, o primeiro equiparou-se à sua qualidade técnica e o superou no carisma usado para compor o personagem. Agora, precisamos esperar para ver quais serão os próximos acontecimentos na vida do herói: ainda tem a Mulher-Gato, Pinguim, Charada… E felizmente o filme tem se mantido fiel à própria ordem cronológica de forma que personagens antes brancos não se tornem negros, figuras antes sorridentes não fiquem subitamente estranhas sem motivo, etc. Espero também que Christian Bale seja o personaem-titulo até o final, pois de longe é o mais eficiente e convincente. Acredito que o Batman deva ser o personagem dos quadrinhos que mais mereça respeito, porque convenhamos: o cara vai na raça. E para aqueles que discordam, vamos analisar. O Homem-Aranha usa seus poderes, lança teias, sobe nas paredes; o SuperMan, como é bem explicado por Bill no segundo volume de Kill Bill, já nasceu com poderes e é o Homem de Aço; a Mulher-Gato reviveu por intermédio de forças sobrenaturais; os X-Men dispensam comentários. Mas o Batman é um homem com habilidades e equipamentos que lhe proporcionam capacidade de lutar contra o crime! Merece ou não respeito? 

Para finalizar este post, por que não tomar emprestadas as palavras de um grande personagem? Pois o farei:
“Por que tão sério? Vamos pôr um sorriso nesse rosto…”.
E é exatamente com um belo sorriso que se deve assistir ao Herói Mascarado!

Luís

criado por Luís/Renan    01:01:17 — Arquivado em: Perfis — Tags:
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://literaturaecinema.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.