Literatura e Cinema

“Sem correr no corredor, Nancy” - Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo.

sábado, 10 de outubro de 2009

RESIDENT EVIL - O HÓSPEDE MALDITO

Clique aqui para ver o trailer do filme.

Resident Evil, 2002, 100 minutos. Terror.

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Acredito que Resident Evil seja um dos melhores filmes para entretenimento, pois agrada aos fãs de zumbis, aos fãs de ação e ainda aos fãs do famoso videogame no qual o filme foi inspirado. Para aqueles que não conhecem o filme e nutrem uma pré-opinião negativa acerca dele ou nunca tiveram a oportunidade de saber quem é o elenco, aqui vai uma rápida informação: Milla Jovovich, de O Quinto Elemento e Ultravioleta (que foi lançado bem depois desse), e Michelle Rodriguez, que se tornaria mais conhecida ao interpretar a personagem Ana-Lucia, de LOST, lideram os atores que dão vida ao jogo criado para PlayStations, lançado pela primeira vez em 1996.

Um vírus altamente contagioso é liberado na Colméia, um centro de pesquisas e trabalho localizado a cerca de 800 metros no subsolo da cidade de Racoon City. Como medida preventina, a Rainha Vermelha lacra todo o espaço, impedindo que os que lá trabalham saiam e possam contaminar outras pessoas. Um grupo de agentes precisa ir até lá para descobrir o que desencadeou toda a chacina; para chegar no subsolo, utilizam a entrada de emergência, que é uma mansão afastada da cidade. Junto com eles, vão os dois seguranças, que se passavam por donos da mansão a fim de protegê-la e um policial, que estava lá no momento da invasão à mansão.

Os fãs do game podem achar estranho a história, porque provavelmente não se lembrarão dela. O que é narrado no filme acontece antes do início do jogo, sendo a cena final do filme a cena inicial nos videogames. Eu nunca fui fã desse jogo, especificamente. Eu me entretia muito mais ao passar horas jogando Mortal Kombat, até chegar ao topo da torre e lutar contra o Shao Kan. Porém, eu realmente gosto bastante desse filme, pois, como eu disse, reúne os requesitos para agradar aos mais variados tipos de espectadores. Desde o princípio já somos apresentados a catastrófica ação que ocorre na Colméia e logo em seguidas já vemos a reação ocorrendo em cima, na mansão. O ponto mais positivo do filme é a sua agilidade, o que permite um grande número de cenas de ação sem que estas se caiam na repetição e acabem amontoando o filme com muitos pulos e gritos. Não há também com negar uma certa criatividade, pois há muitas cenas ali que impressionam o espectador não somente pelo que representam, mas também pela maneira diferente como foram feitas. Para exermplificar, cães nunca foram tão assustadores quanto nesse filme. Nem mesmo Cujo, de Stephen King, ou aquele rotweiller de aço conseguiram durante uma produção toda nos assustar tanto quanto aqueles cães descarnados conseguem em três minutos de cena. O que dizer, então, daquela linha azul que simplesmente atravessa uma pessoa - e posteriormente a linha se transforma numa rede -, destruindo-a de maneira bastante eficiente?

Milla Jovovich e Michelle Rodriguez, as duas atrizes conhecidas do grande público, estão a frente do elenco e fazem um excelente trabalho. Rodriguez, intérprete de Rain, tem grande destaque durante o filme, como a durona agente que nunca está para brincadeira. [SPOILER] Curiosamente, a personagem dela é a primeira a ser contaminada - e ao longo do filme ainda leva outras cinco mordidas -, no entanto é a que chega mais próximo de uma possível salvação. Desde o começo, porém, já sabemos qual será o fim de sua personagem, afinal, embora eu tenha dito que o filme é criativo, não pode fugir de algumas regras básicas, como levou-mordida-vira-zumbi. [FIM DO SPOILER] Já Milla Jovovich, de cuja personagem desconhecemos o nome, consegue ministrar bem o drama e a ação, sem se deixar desequilibrar, e isso, somado às diversas outras boas características do filme, faz de Resident Evil uma obra muito interessante. A trilha sonora é bem útil, pois dá a entonação certa a algumas cenas. Há, todavia, um pequeno defeito que me deixou pensativo: em 2002, após a realização dos bons - pelo menos em efeitos especiais - Matrix e Blade, como puderam criar um monstro computadorizado tão falso quanto aquele  que vimos durante o filme? Logicamente poderiam ter tentado deixá-lo mais real. Por “real”, eu quero dizer que poderiam tê-lo feito de maneira que aparentasse realmente que ele estava presente em cena; como dificilmente conseguirei explicar, vou exemplificar sugerindo que vocês se lembrem daquelas famosas cenas do seriado Chaves em que a Chiquinha e a Dona Neves estavam presentes no mesmo cenário. A criatura fica mais ou menos assim em relação aos atores…

Resident Evil é um filme que vale a pena ser visto. Posso caracterizá-lo como o típico filme feito para uma única produção, pois ao final da obra, vemos tudo de maneira tão apocalíptica, que, embora queiramos conhecer os momentos seguintes àqueles que vemos, desejamos não saber a maneira como esses momentos são conduzidos. Se o primeiro filme é válido, o seguinte assume um tom mais sombrio e diferente e o terceiro quase vira X-Men, tamanho o absurdo dos acréscimos que fizeram à história. Assim, com a última cena de RE, temos a certeza de que a hora e quarenta minutos que gastamos em frente à TV valeu a pena.

Luís

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Não sou muito fã de filmes com zumbis, pois, mesmo tendo assistindo pouquíssimos filmes do gênero, logo percebi que tudo é mais ou menos a mesma coisa. Tenho que admitir também que Resident Evil foi uma agradável surpresa, porque achei que odiaria o filme. Não que esteja entre meus filmes favoritos, mas também está longe de ser um filme ruim, diria que está acima da média. Alego ainda minha ignorância sobre o jogo no qual o filme é baseado.

 

O ponto mais favorável ao filme é a premissa do vírus. Há uma explicação. O filme não começa com zumbis andando na cidade sem mais nem menos como se eles tivessem surgido do nada. Nas primeiras cenas há a explicação de que uma substância foi solta propositalmente em uma empresa matando (a primeira vista) todos os funcionários. Já nesse começo vemos cenas muito interessantes como a mulher sendo decapitada quando tentava escapar do elevador. Mais tarde, quando uma equipe vai investigar o que aconteceu na colméia (esse é o nome que eles dão à base que fica no subsolo), eles descobrem que o vírus tornou os funcionários em zumbis.

 

Não sei muito que dizer sobre as atuações. Quando lia sobre esse filme sempre vi as pessoas tratando Milla Jovovich praticamente como uma deusa. Não achei tudo isso. Claro que ela é a melhor atriz ali, mas acho que isso pode ser explicado pela ausência de tempo que os outros personagens têm em cena, pois logo eles estão morrendo, virando zumbis ou esquecidos em um canto. Outra surpresa que tive foi ver Michelle Rodriguez que interpreta a Ana-Lucia de Lost, mas uma vez como uma policial arrogante. Depois de um tempo de filme decorrido comecei a ver que provavelmente ela só fará esse tipo de papel: a policial quase masculinizada que se acha superior aos outros. Ouso a compará-la com a Daniele Winits que, em suas participações nas novelas, sempre acaba fazendo a gostosa burra. Não que eu ache que isso seja incapacidade das atrizes, é apenas um fato. Divagações à parte, outra coisa legal são algumas cenas, e tenho que citar aqui a melhor cena do filme na minha opinião (mesmo que o Luis diga que ela é estranha) que é aquela dos raios lasers pois achei-a muito criativa, original e bem desenvolvida. Há outros pontos que ajudam no filme como o figurino (que permanece o mesmo durante 90% do longa), principalmente quando a maioria está de preto e a personagem de Milla com um vestido vermelho; o espaço onde ocorre a maioria das cena e a fotografia que é bem escura combinando com o clima.

 

Há também um ponto que achei meio forçado . Aquele bicho que os persegue no trem me pareceu meio desnecessário ali, pois eles bem que podiam ter posto mais zumbis escondidos no trem; mas fora isso, como disse acima, o filme se revela bom para as horas que não se requer muito conteúdo. Um bom filme para assistir com os colegas.

 

Renan

criado por Luís/Renan    02:23:56 — Arquivado em: Filmes

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A HORA DO PESADELO

Nightmare on Elm Street. EUA, 1984, 91 minutos.

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É realmente difícil acreditar que Freddy Krueger tenha sido uma figura icônica da década de 78. Hoje os filmes que apresentam o personagens são deveras desmoralizados, já que o objetivo principal se perdeu ao longo das várias continuações que a série teve. O tom sombrio deu lugar a um humor inoportuno, predominante no filme como um todo e não somente no personagem, como costumava ser. Assim como o que aconteceu com a franquia Brinquedo Assassino, A Hora do Pesadelo tornou-se cômico, beirando o ridículo, e o espectador deixou de levar a sério o personagem principal. Mas estamos aqui para falar do filme original, datado de 25 anos atrás, concebido por Wes Craven, que havia criado o polêmico Aniversário Macabro e que viria a criar treze anos depois Pânico, outra série bastante cultuada.

Tina chama os amigos para dormir em sua casa depois de não conseguir dormir uma noite inteira por causa de pesadelos que tem. Nancy e Glen, casal de namorados, e Rod, namorado Tina, descobrem que, em comum, tiveram o mesmo pesadelo. Quando Tina é brutalmente assassinada e Rod é considerado culpado, Nancy começa a se sentir pertubada com os pesadelos, que se tornam mais persistentes; conclui que o assassino é o homem dos sonhos, sobre o qual Nancy não sabe nada. A única certeza de que ela tem é: se dormir, poderá não acordar mais.

O filme começa de uma maneira bastante interessante: já vemos um tom escuro e uma perseguição num ambiente bastante inóspito, o que nos faz crer que o filme todo terá aquele mesmo aspecto lúgubre, o que se mostra uma concepção verdadeira, pois há regularidade quanto às características mais marcantes do filme. Em menos de quinze minutos, já vemos uma morte bastante interessante, com uma cena que nos remete a uma cena do supervalorizado Poltergeist, de dois anos antes. Se considerarmos que o filme foi feito numa época em que efeitos especiais computadorizados eram totalmente inconcebíveis, descobriremos que A Hora do Pesadelo nos permite ver boas cenas e uma maquiagem bem elaborada. É claro que há alguns defeitos, um deles fica bastante explícito na cena de morte que citei acima: percebemos claramente que não é uma pessoa que está na cama, mas sim uma boneca. Quando as lâminas rasgam a barriga de Tina, chega a ser risível o fato de percebemos a pele de plástico que aparece. Não posso culpar ninguém por isso, porque acredito que o orçamento não permitia algo mais elaborado e menos caricato. São pouquíssimas cenas toscas assim, somente a primeira e a subentendida última morte.

Heather Langenkamp, bastante jovem e aparentemente inexperiente, faz um excelente trabalho. Antes que receba críticas, quero explicar que a considero realmente eficiente dentro dos padrões do filme. De forma alguma quero dizer que ela é uma atriz top dos filmes de terror. O fato é que ela soube administrar bem os gritos, o tom de voz, os olhares apreensivos e, principalmente por causa dela, considero o filme bom. Amanda Wyss e Jsu Garcia, intérpretes de Tina e Rod, aparecem pouquíssimo, mas a julgar pelo que era aparesentado em filmes do gênero naquela época, a pseudo-interpretação de Wyss, quando está envolta por um saco plástico branco, é convincente e até consegue trazer certo assombro. Já Garcia tem uma ou duas falas e não existe uma grande cena voltada para ele; termina assim como começou: praticamente um figurante. A Hora do Pesadelo, no entanto, nos apresentou uma das figuras mais notáveis do cinema de hoje: Johnny Depp. Pode parecer meio difícil acreditar, mas Depp já estreou num filme sombrio - e durante toda a sua carreira, seria nesses filmes que se destacaria mais. Sua participação é deveras coadjuvante; um pouco mais do que Wyss e Garcia, mas, ainda assim, bem pequena, limitando-se a ouvir as “profecias” de Nancy. Não há muito o que dizer sobre sua interpretação, pois, como disse, é mínima. Uma das mortes mais famosas do cinema, no entanto, é a de seu personagem, Glen: sugado pela cama enquanto dormia, é triturado e cuspido de volta em forma de sangue apenas - muito sangue, no entanto. A cena é, na minha opinião, bem interessante; gostaria de saber como foi realizada.

Acho importante ressaltar que, embora Freddy Krueger seja um personagem central, ele aparece pouco em relação à Nancy, que, definitivamente, é a personagem principal. O caráter sério do filme nos faz aceitá-lo melhor e o fato de o humor negro se limitar a Krueger dá um charme a mais para a produção. Para exemplificar, posso citar a cena em que Nancy corre no corredor e tromba com uma aluna que veste o suéter de Freddy: a maneira como a aluna, que na verdade é Freddy, diz para Nancy não correr no corredor é categórica, além de engraçada. Humor na medida certa, é o que quero ressaltar. Os cenários também são bons, acentuando a seriedade do filme. Logo no início, no sonho de Tina, ou na cena em que Nancy faz sua “pesquisa” enquanto Glen deve vigiá-la e acordá-la no momento certo, as ruas do bairro estão tão desoladas - e ilumadas com uma luz azulada - que por si só já instauram certas expectativas em quem assiste ao filme.

Eu, particularmente, prefiro uma tradução literal do título original: Pesadelo na Rua Elm. O título nacional nos remete a inúmeros outros filmes lançados naquela mesma época que também abordavam monstros maus, crianças com medo, etc. Logicamente, não posso culpar ninguém do filme pelo título que ele recebeu por aqui e ele realmente não interfere na qualidade da produção, pois não revela nada, embora, por uma questão de estilo, eu ainda prefira o outro. A Hora do Pesadelo é definitivamente um filme interessante. Como disse, existem falhas: o roteiro não responde a algumas perguntas que ele mesmo propõe e ficamos em dúvida em relação a certas coisas. A mãe de Nancy, ao contar a história de Freddy, diz algo que sugere que muitos outros jovens estejam passando pelo mesmo que Nancy e seus amigos, mas, por não abordar isso, temos a impressão de que a explicação não explica muito. Com isso, quero dizer que o roteiro não é tão eficiente. A maquiagem, em sua maior parte, é boa, mas existem momentos realmente toscos. A ausência de explicação mais definitiva ao final do filme - que possui um pseudo-final e, por fim, o final de verdade - interfere na qualidade. Mesmo com esses defeitos, o filme consegue entreter e vale a pena ser conferido. Acredito que em companhia seja mais gostoso vê-lo…

Luís

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Nunca tinha assistido nenhum filme do famoso Freddy Krueger, mas claro que já tinha ouvido falar do famoso vilão que tem o poder de aterrorizar e até matar as pessoas em seus tranqüilos sonhos. Em A Hora do Pesadelo, as vitimas são quatro jovens amigos que descobrem que estão tendo os mesmos pesadelos. De maneira geral, recomendo esse filme porque tem um enredo original e, posso dizer, até divertido. Claro que a época de lançamento atrapalha alguns pontos do filme se visto hoje, pois a pobreza de alguns efeitos especiais tornam algumas cenas que foram (e eram pra ser) assustadoras em hilariantes e em alguns casos extremamente exageradas, pois provavelmente tinham o intuito de assusta, algo que já não cola mais hoje.

 

A maior surpresa do elenco é ver Johnny Depp em seu primeiro papel que não abria espaços para podermos ver o ator brilhante que ele seria no futuro. Glen, seu personagem é apenas um coadjuvante mediano como os outros dois. Ele também é namorado de Nancy a heroína de filme que tem como ultima missão tentar acabar com o inferno que está vivendo. Completam o quarteto Tina, que eu pensei que seria a personagem principal e Rod o seu namorado, o delinquente do filme. Daqui para baixo comentarei algumas cenas e na maioria delas há SPOILERS sobre os personagens e sobre o final do filme.

 

Voltando as cenas exageradas que citei acima, tenho que citar a morte mais estranha que já vi que é a de Glen. O absurdo da cena é incrível, pois vemos ali o sague de todos os soldados de uma guerra e não de uma pessoa só, e esse sai com uma pressão enorme, chegando a alcançar o teto todo. Não pude deixar de voltar o filme para ver de novo esse absurdo, e duvido que alguém, mesmo em 1984, tenha acreditado naquilo. De tanto excesso que há na cena, não podemos acabar de vê-la e não rirmos. Outra que chama a atenção é a morte de Tina, a primeira a morrer. O sangue que começa a sair é tão ralo que parece aquela água que limpávamos os pincéis na 3º série, sem falar na barriga dela, que claramente é um plástico; até as bonecas de hoje em dia são mais convincentes, mas perto da cena do Depp, essa parece ser muito bem feita. Por último, mas não menos absurda, temos umas das últimas cenas do filme, na qual a mãe de Nancy é puxada pela mão de Freddy e seu corpo todo passa por um pequeno espaço. Não é possível que alguém acreditou realmente que um corpo humano seria capaz de passar livre por um lugar daqueles.  Obviamente aquilo é um boneco que passa pelo espaço todo duro. Pra tentar aliviar o clima trash do filme citarei uma cena que me deixou com muito nojo que é aquela em que Tina está parada com diversos seres rastejantes em seus pés, e um outro bicho sai de sua boca. Temos também a cena de morte do Rod que é a mais real ali.

 

Como disse acima, recomendo A Hora do Pesadelo, pois podemos ver um pouco do que assustava as pessoas na década de 80, e se não se assustar, renderá, no mínimo algumas cenas engraçadas.

Renan

criado por Luís/Renan    05:32:23 — Arquivado em: Filmes

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O EXTERMINADOR DO FUTURO

The Terminator, 1984, 107 minutos. Ficção Científica.

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Há 25 anos surgiu uma das melhores sagas na minha opinião, que é a luta entre os humanos e os andróides e que, embora se iniciasse no ano de 2028, é em 1984 que está o momento crucial para a sobrevivência dos humanos. Arnold Schwarzenegger é o um exterminador que vem do futuro a fim de impedir que Sarah Connor tenha John Connor, o guerreira que liderá os sobreviventes do massacre das máquinas muitos anos depois. Na tentativa de ajudar a própria mãe, Connor manda o guerrilheiro Kyle Reese ao passado e juntos eles têm que fugir da perseguição imbatível do metálico e cruel exterminador.

Se assistirmos a esse filme hoje, perceberemos uma série de imperfeições; a maioria delas ficam extremamente visíveis quando olhamos o rosto desfigurado do exterminado, que, por ser um cyborg talvez, não tem um nome específico. Afirmo com segurança que a máscara facial usada para compor o rosto deformado dele é a mesma que foi usada em Poltergeist naquela cena ridícula, patética, esdrúxula e risível - permitam-me criar o termo gargalhável -, pois percebemos a maneira grosseira com que a máscara se sobrepõe à pele. Logicamente, há 25 anos, esse feito deveria ser extremamente eficiente para a época, na qual efeitos visuais deviam ser algo realmente surpreendente, por mais medíocre que seja. Porém, não quero subestimar a capacidade que o filme tem de transmitir ao espectador o tom de desespero presente ao longo do filme; percebemos isso com grande intensidade, não somente pelo enredo em si, mas também pelo tom escuro e deveras abandonado que a cidade tem. Logo nas cenas iniciais, pouco após o peladão Schwarzenegger espancar os rapazes por causa da roupa, vemos Kyle chegando e, num beco, começa já a ter problemas; aí já percebemos a diferença gritante entre um e outro: um andróide que não sente dor e forte como uma máquina, porque de fato é uma, e um humano comum, cuja função é manter viva uma pessoa.

Não se pode ser muito exagerado e dizer que a interpretação de Schwarzenegger é fabulosa, uma vez que, devido à limitação de fala e expressão do personagem, ele não poderia fazer diferente. Ele apenas fez o mínimo que podia fazer, tal como qualquer outro ator faria. Embora eu ache que Michael Biehn tenha bons momentos no filme, achei sua interpretação meio falha, parece que ele mesmo põe à prova, através de seus atos, a veracidade das suas afirmações. Linda Hamilton, um pouco tímida a princípio, se solta com o desenrolar do filme e nos mostra com maior densidade sua capacidade, ainda que esteja meio relutante, assim como seu parceiro Michael, em dar créditos à toda a história de viagens no tempo, batalha contra as máquinas, etc. Acredito realmente que os atores estavam se preparando para a sequência que viria 7 anos depois, em 1991; então, nessa primeira parte do que seria uma trilogia - recentemente ganhou a terceira sequência, quarto filme da série -, eles estavam apenas se aquecendo para o que viria a ser uma continuação hipnótica.

Há momentos questionáveis, como os peripaques de Kyle: o cara leva um tiro, fica caído e, enquanto o caminhão vem em direção ao carro capotado, no qual ele e Sarah estão, ele não consegue andar; dois segundos depois, não somente se levanta como corre sem parar. E isso se repete várias, nos permitindo perceber que tal recurso só é utilizado para prolongar as cenas de suspense, nos fazendo sentir aliviados por eles terem escapado com vida. Talvez na época isso fosse novidade, mas quem vê o filme hoje, de tão comum que isso é, acaba sabendo que eles certamente vão sair vivos. Se algo que eu realmente gostei no filme, foi o final, no qual vemos uma Sarah completamente diferente do começo; se antes ela estava receosa, depois se sente livre e disposta a enfrentar o que vier. É aí que tive certeza de que haveria uma saga e que o segundo filme seria muito melhor do que o primeiro.

Definitivamente, O Exterminador do Futuro é uma série que satisfaz os espectadores que querem ação, pois eles a têm do começo ao fim, com ótimas cenas. Também tem uma ótima premissa, que, embora um pouco idealizada na época, pode ser de fato real daqui a alguns anos. Logicamente, eu não poderia deixar de recomendá-lo, porque é um filme muito bom, do mesmo diretor que 13 anos depois dirigiria o também famoso Titanic. O Exterminador do Futuro vale a pena.

Luís

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É interessante vermos O Exterminador do Futuro, um filme de 1984, nos dias atuais, pois assim percebemos a diferença enorme das produções que requerem efeitos especiais dos anos 80 e as de hoje.  Tentando não olhar o filme como alguém que já presenciou outras produções com efeitos especiais incríveis, percebo que O Exterminador do Futuro deve ter sido uma grande revolução para a época, pois usa de todos os recursos para fazer quem assiste acreditar em seu enredo.

Já por alguns nomes do filme podemos esperar algo de, no mínimo, interessante. James Cameron, o diretor, executa muito bem seu papel fazendo todas as categorias do filme se unirem para se fundirem em um só e levando ao telespectador a estória de uma máquina, que por fora se assemelha muito a um humano, que vem do futuro para o presente com a tarefa de executar uma mulher, que em seu futuro terá um filho, e esse filho será um revolucionário contra as máquinas. Junto com ele vem também um protetor com a missão de impedir que a máquina destrua o futuro da mãe do revolucionário, pois ele mesmo é parte do grupo contra as máquinas . Citei o diretor, pois alguns anos depois ele dirigiria um dos maiores fenômenos do cinema que ostenta até hoje, mais de 10 anos depois, a maior bilheteria mundial, Titanic. Temos também Arnold Schwarzenegger como a máquina que vem para acabar com tudo. Não sei avaliar sua interpretação, pois seu papel requer muito pouco de expressão facial e só requer uma voz robótica, o que é compreensível, levando em conta que ele é uma máquina. Tenho que dizer que sei praticamente nada dos outros atores; Linda Hamilton como interprete de Sarah Connor convence como uma mulher com medo por estar no meio dessa bagunça e cresce bastante no decorrer, pois no começo ela era muito água com açúcar. Já o Michael Biehn não convence tanto como herói do filme, de modo que torcemos para a máquina mata-lo.

Falando em matar, achei meio forçado o personagem de Schwarzenegger não morrer. Foram golpes e golpes passando por uma explosão de um caminhão que, aparentemente, tinha líquido inflamável, e mesmo assim, o vilão consegue sobreviver, só morrendo quando a mocinha o mata. Juro que tentei assisti-lo sem levar em conta os recursos da época e considerando-o um filme para o entretenimento, mas é difícil, por isso considero Exterminador do Futuro, um filme razoável para assistir com o pai, como foi o meu caso.

Renan

criado por Luís/Renan    01:38:46 — Arquivado em: Filmes

domingo, 4 de outubro de 2009

MATRIX

Clique aqui para ver o trailer (sem legendas).

The Matrix, 1999, 136 minutos. Ação / Ficção Científica.

Vencedor de 4 Academy Awards: Melhor Edição, Melhores Efeitos Sonoros, Melhores Efeitos Visuais e Melhor Som.

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Há apenas dez anos, surgiu o filme que revolucionaria o quesito efeitos especiais no cinema; não somente modificaria estruturas já caracterizadas das produções do gênero ação como também inspiraria inúmeras outras obras a tentar repetir o seu sucesso estrondoso. Ao longo da década que passou, suas cenas tornaram-se ícones que foram copiados e até mesmo parodiados em diversas películas classificadas nos mais variados gêneros.

Logo no começo do filme, vemos Thomas Anderson deitado em frente ao computador, que parece interagir com ele, chamando-o pelo nome que ele utiliza quando é um dos mais procurados hackers. Pouco depois, descobre que um grupo de agentes o segue enquanto outro grupo parece tentar ajudá-lo a se afastar. Então, ele é convidado a conhecer um universo novo, do qual não poderá mais sair, caso deseje vê-lo. Então, Morpheu, que acredita ser Neo o Escolhido, e Trinity, começam a mostrar para Neo o que é a Matrix e a principal discussão é a respeito da concepção de realidade, o que pode ou não pode ser controlado, a importância das escolhas, etc.

O primeiro comentário que quero fazer é quanto aos questionamentos filosóficos que o filme propõe, principalmente ao definir para Neo - e, obviamente, para o espectador -  o que é Matrix e o que ela representa. Num entroncamento de várias digressões acerca do significado do mundo paralelo que é representado por um programa, quem vê o filme acompanha a saga de Morpheus, Trinity e Neo em busca da desconstituição de tal programa, que dá título ao filme. Particularmente, eu detesto admitir minha parcial ignorância, mas eu realmente tenho dificuldades em absorver todas as informações dadas e, no fundo, eu sempre tenho a impressão de que não compreendi tudo que deveria ter compreendido. O univerno mostrado é tão imenso e tão metaforizado que muitas vezes eu não consigo assimilar as alusões ao que de fato eles querem explicar. E isso não muda, mesmo que assista muitas vezes ao filme, pois já o vi três vezes; parece sempre haver algo novo para ser entendido. Uma vez, durante uma aula de filosofia, o professor fez excelentes comentários em relação à maneira como o filme é conduzido, mostrando aspectos filosóficos interessantes quanto à criação dos mundos mostrados: aquele em que as são tal como são e aquele em que as pessoas são submissas à programação Matrix.

Eu não entendi o que os irmãos Wachowski viram nos apáticos Laurence Fishburne e Keanu Reeves a ponto de colocá-los como protagonistas. É claro que não posso fazer grandes críticas aos dois nesse filme, pois os efeitos especiais suprem a inexpressividade que eles costumam apresentar, mas é inegável que se contássemos somente com a capacidade dos atores, Matrix provavelmente seria um fracasso quanto à atuação, pois somente Carrie-Anne Moss consegue dar o tom certo à sua personagem, da qual sempre me lembro primeiro quando é este o filme mencionado. Podemos perceber que durante todas as passagens, do início ao fim, o “Sr. Anderson” está com a mesma expressão de dúvida, parecendo que põe em questionamento qualquer elemento em cena, inclusive ele próprio. Eu, particularmente, não gosto do tom soberbo que Fishburne deu ao seu personagem Morpheus. Na verdade, acho que esses atores foram escolhidos como caráter experimental a fim de mudá-los no próximo filme, mas como o sucesso foi tanto, acabaram ficando. Pelo menos, esse seria o motivo pelo qual eu os contrataria.

Logicamente que eu não posso simplesmente não o sugerir, pois será clássico um dia - talvez já o seja! O filme é recomendável, apresenta técnicas completamente novas (para a época), possibilitando que o espectador viaje junto com os personagens entre os universos Matrix e o mundo real, ainda que a realidade seja o principal tópico que discussão aqui. Tamanho o sucesso do filme e o seu impacto visual resultaram nas várias intertextualidades que vemos entre outras produção sejam elas de comédia, animação, etc. Assim, há cenas que para sempre serão recordadas por quem as vê, como o salto em que Trinity pára no ar, flutuando antes de executar o seu golpe, e a cena em que Neo se desvia das balas. Confiram-no e tentem depreender todas as possíveis interpretações mostradas ao decorrer do longa-metragem. As duas horas passam bem rápido…

Luís

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Considero Matrix, praticamente, um clássico moderno. Clássico pois esse filme marcou nossa época e depois dele começamos a adjetivar filmes “no estilo Matrix”. O longa consegue juntar a inteligência de um roteiro brilhante e inovador com a diversão que sobra nas lutas. Por isso Matrix se tornou um filme tão bom e conhecido e com certeza recomendável.

Já no roteiro temos uma surpresa. O mundo que vivemos não é real. Tudo que presenciamos, desde o nosso nascimento até o momento que eu estou digitando essa análise, é uma seqüência de programação, ou seja, isso não existe, é como se eu estivesse sonhando e enquanto isso eu estou fornecendo energia para que as máquinas funcionem no mundo real. O que todos nós estamos vivendo é a matrix. É nesse cenário que Neo vive com sua vida normal, até que consegue o contato com Morpheu e com a ajuda desse, descobre ser O Escolhido, que é aquele que salvará a vida humana contra a dependência das máquinas.  Já tinha assistido a esse filme quando era mais novo, mas foi só re-assistindo a poucos dias que entendi o quão (ouso a dizer) glorioso que é o filme. Outro ponto a favor que o filme tem são os atores que parecem ter nascido para seus respectivos papeis, principalmente Carrie-Anne Moss, que nos mostra uma das personagens femininas mais legais de todos os tempos, além dela há o Keanu Reeves e o Laurence Fishburn, este último também está incrivelmente bem, aliás, todos estão bem.

Mas o que mais marcou esse filme, provavelmente foram as seqüências de lutas juntamente com os efeitos especiais que revolucionaram a maneira como vemos cenas de lutas. A partir dele nos acostumamos a ver balas em câmera lenta, golpes incríveis e por ai vai. Sobre as lutas, ficamos maravilhados em ver a belíssima coreografia que é perfeita onde todos os golpes muito rápidos além de serem bem elaborados. Outro ponto que satisfaz os telespectadores que gostam de violência é o constante uso de armas e tiros, aliás, uma das cenas mais famosas do filme tem em seu conteúdo vários e vários tiros.

Não há como não recomendar Matrix, pois é um tipo de filme que conquista a todos, tanto aqueles que gostam de um roteiro bem elaborado quanto aqueles que gostam de ver efeitos na tela.

Renan

criado por Luís/Renan    05:03:03 — Arquivado em: Filmes

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

PIRATAS DO CARIBE: A MALDIÇÃO DO PÉROLA NEGRA

Clique aqui para ver o trailer (sem legendas).

Pirates of the Caribbean - The Curse of the Black Pearl. EUA, 2003, 143 minutos. Ação / Fantasia.

Recebeu 5 indicações ao Oscar, nas seguintes categorias: Melhor Ator (Johnny Depp), Melhor Maquiagem, Melhor Som, Melhor Edição de Som e Melhores Efeitos Especiais.

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Em 2003, surgiu uma das franquias que faria exatamente o que outros filmes em série fizeram: renderia muito dinheiro, arrastaria muita gente pro cinema, marcaria o espectador com personagens - ou pelo menos um - marcantes, faria com que os cinélifos apreciassem o filme e o resto gostasse dele. De uma forma geral, o que não me agrada dizer, Piratas do Caribe tonrou-se modinha: quem não entende de filme, assistia e ele e diz que gosta; quem entende, também gosta; os fãs do gênero o cultuam e até a Academia se rendeu aos encantos do filme - que deve admitir que é bom! - e indicou-o a cinco categorias, uma delas principal.

Precisávamos, de qualquer maneira e com urgência, de um filme que não fosse mais um remake, característica frequente logo no começo da década. Misturando um pouco de cada elemento e somando todos os gêneros, os roteiristas conseguiram nos trazer algo realmente cativante e, sobratudo, criativo. Há algum tempo que eu não via filmes sobre piratas sendo contados de uma maneira interessante; aqueles dos quais eu me lembrava eram tipos comuns, cujo enfoque é única e exclusivamente nas atitudes dos piratas, impostos como completamente maus. Aqui há romance - em pouca dose, o que me agradou bastante -, há muito humor - o que me agradou mais ainda! -, há um tom sombrio que combina perfeitamente com tudo o que é mostrado a nós e, de um modo geral, a fotografia é extremamente bonita, o que acentua todo e qualquer aspecto que citei anteriormente, inclusive aqueles que não citei. Melhor eu fazer uma breve descrição do filme antes de continuar…

A vida do pirata Capitão Jack Sparrow vira de cabeça para baixo depois do grande castigo. O astuto Capitão Barbossa rouba seu navio, o Pérola Negra, e ataca a cidade de Porto Royal, raptando Elizabeth, a linda filha do governador. Num ato heróico para resgatá-la e recuperar o Pérola Negra, Will Turner, amigo de infância de Elizabeth, junta forças com Jack. O que Will não sabia é que uma antiga maldição condenou Barbossa e sua tripulação a viverem para sempre como mortos-vivos. - fonte: cineplayers.com

Não acredito que outro ator poderia criar um personagem tão carismático quanto Jack Sparrow. Johnny Depp, ator por quem nutro profunda admiração, uma vez que ele não somente tem aquele charme que poucos conseguem ter, como também já provou que sua carreira não é limitada por personagens típicos. Acredito que o alicerce da carreira de Depp é a interpretação de personagens excêntricos, desde homens com mãos de tesoura como donos de fábricas esquisitos. Considerando a aptidão que o ator tem em transformar homens estranhos em homens aceitáveis, cabia unicamente a ele o papel de Sparrow, que, por muito tempo serviu - e ainda serve - de inspiração para bailes a fantasia. O público admitir a grandeza da atuação de um ator é uma coisa; a Academia considerá-lo apto para uma indicação é outra coisa muito diferente e o surpreendente a respeito desse filme é que Depp foi indicado na categoria Melhor Ator, entrando, com muito estilo, no hall dos reconhecidos pelo seu trabalho cinematográfico. Os trejeitos de Jack Sparrow são realmente muito distintos: ele é um homem que sabe como lidar com as situações de maneira extremamente categórica, não se limitando a clichês bobos. O seu jeito de falar é extremamente engraçado, porque conta, principalmente, com um humor incondizente com a situação na qual se encontra; a maneira como anda, como gesticula e como luta traz um ar muito jovial ao personagem. Este é o único filme a que assisto do início ao filme em que Orlando Bloom esteja presente. Como não conheço sua carreira e, a me embasar nesse filme, acredito que seja um ator satisfatório. Sua presença no filme traz uma preesença de peso, porque tudo fica bem mais interessante quando Sparow e Will Turner, personagem de Bloom, estão juntos em cena, seja lutando, seja um ao lado do outro - lutando, de qualquer maneira. A terceira ponta do triângulo é Keira Knightely, que, com Piratas do Caribe, alavancou sua carreira. Eu realmente não a acho uma atriz talentosa; acredito simplesmente que a beleza traz comodidade às interpretações, já que ela [a beleza] se projeta com mais eficiência do que sua capacidade artística. Como Elizabeth Swann é a típica heroína, Keira conseguiu interpretá-la bem. Inclusive encontrei charme em sua atuação, coisa que nunca aconteceu antes, devido à minha antipatia - com razão, acredito - pela atriz. Sobre esse filme, devo dar meu braço a torcer: ela completa a tríade demaneira muito satisfatória.

Ainda penso que o roteiro seja o que mais dá créditos ao filme, pois é realmente bom, nos permitindo ver com muito entretenimento diversos momentos heróicos, muitas paisagens exuberantes e sombrias, ótimas justificativas para as atitudes mostradas. Somando isso à qualidade técnica do filme, com ótimo efeito visual, excelente maquiagem e boa direção, temos diante de nós uma obra digna de ser vista e revista, consumida ao máximo. Não é à toa que rendeu tanto nas bilheterias e repercutiu de tal maneira estrondosa. O resultado final é extremamente positivo! Meu maior elogio vai para Johnny Depp, que está fantástico e, sem sombras de dúvida merecia a indicação. Considerando que perdeu o Oscar para Sean Penn - um ator pateticamente inexpressivo -, foi uma injustiça com Depp, que construiu um excelente personagem, do qual nos lembraremos por muitos anos. Vale a pena conferir Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra!

Luís

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Piratas do Caribe é um emaranhado de gêneros, e foi essa mistura (que tinha tudo para dar errado, pois não estamos acostumados a ver um pirata engraçado) que deu enorme sucesso ao primeiro filme, fez os produtores ganharem muito dinheiro, e deram a eles motivos de sobra para fazerem mais duas continuações já lançadas sendo que a segunda parte Piratas do Caribe: O baú da morte está na terceira posição das maiores bilheterias da história do cinema.

Como disse acima, a graça do filme está na diversidade que ele traz. Jack Sparrow é um pirata. Mas não aquele pirata que abriga na nossa imaginação com um tapa olho e uma garra no lugar da mão. Por vezes Johnny Depp é extremamente engraçado, com uma interpretação impecável e com expressões faciais ótimas, assim, ele ganha a admiração do espectador fazendo que nós nos simpatizemos com suas escolhas, com seu caráter duvidoso e com suas piadinhas que não tem a intenção de serem engraçadas, mas que no fundo são. Os que completam o trio são Keira Knightely e Orlando Bloom com seus personagens Elizabeth e Will Turner respectivamente. Ambos trabalham bem como coadjuvantes dando o tom do romance que o filme pede, nada meloso, porém conseguimos absorver o sentimento dos dois, ou seja, na medida exata. Claro que suas atuações nem chegam perto do companheiro de cena Depp, mas com certeza, eles dão um toque a mais. Outro acerto do filme é o uso dos efeitos especiais que conseguem trazer mais diversidade a trama, sendo que esses são muito bem feitos, seja com esqueletos escalando barcos e lutando contra homens de carne e osso ou com grandes explosões entre dois barcos rivais. Falando em lutas, em Piratas do Caribe temos belas demonstrações de lutas bem ensaiadas, que dão um fôlego a mais no longa.

Tenho que citar também a maquiagem, forçada, que deixa a impressão de desleixo para o capitão Sparrow, mas que como disse o Luis virou marca nos bailes a fantasia, a fotografia que nos mostra a claridade de cenários belíssimos e a escuridão das batalhas noturnas e o figurino muito bem desenvolvido, categorias essas que completam com maestria o filme.

Quem gosta de aventura, lutas, romance, efeitos especiais, humor e tudo isso com um ligeiro toque épico, certamente se entreterá com Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra como eu me entretive.

Renan

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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

OUTUBRO - MÊS TEMÁTICO

Tendo idéias para dinamizar o blog, nós decidimos fazer um mês temático aqui no Literatura e Cinema como primeiro experimento. Escolhemos dois temas para dividir o mês, cada tema com sete análises diferentes totalizando, no final do mês, quatorze críticas.

Os dias pares da primeira semana serão dedicados aos primeiros filmes de franquias famosas que por vez nos fizeram sentir vontade de sair pilotando carros a velocidades incíveis ou pegarmos outro meio de trasporte como um barco cheio de piratas. Tentamos diversificar bastante os títulos para podermos abranger diversos gêneros e, por sua vez, os fâs deles. Confira os filmes que serão postados:

- Matrix
- Resident Evil
- O Exterminador do Futuro
- Piratas do Caribe - A Maldição do Pérola Negra
- A Hora do Pesadelo
- Velozes e Furiosos
- Indiana Jones

As duas ultimas semanas terão como tema os clássicos do cinema. Filme que mudaram gerações e influenciaram nossos pais, e que ainda hoje nos impressionam com a sua beleza simples, com a profundeza de algumas frases que lembramos até hoje e em alguns casos com o charme do preto e branco. Nesse tema, esperamos convidar a todos para conhecer um pouco dos antecessores dos filmes que costumamos a ver hoje. Segue abaixo a programação dessa segundo tema:

- Casablanca
- Bonequinha de Luxo
- A Malvada
- Cleópatra
- Aconteceu naquela Noite
- Dr. Jivago
- O Pecado mora ao lado

Apresentações feitas, esperamos que gostem dessa pequena novidade aqui no Literatura e Cinema, além de conferindo, comentando.

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terça-feira, 29 de setembro de 2009

FECHAMENTO DO MÊS

Eu e o Renan decidimos nos organizar quanto aos filmes a que assistimos e, considerando os nossos gostos pelos filmes, decidimos criar um ranking, para compartilhar com os leitores com maior precisão a nossa preferência. As notas que demos aos filmes resultaram da média das pontuações e  garantiu a cada filme uma posição no TOP. Não vou me prolongar mais. Vamos logo ao que interessa.

1º lugar - O LABIRINTO DO FAUNO. Nota: 9,1

Somente consegui assistir a esse filme nesse mês, embora já tivesse tentando uma ou duas vezes antes. Plenamente decidido, cheguei ao fim e me deparei com uma obra interessante, da qual gostei bastante. Vale o primeiro lugar! Para ver a resenha, clique aqui.

2º lugar - AS HORAS. Nota: 9,0.

Na minha opinião, um dos melhores da década. O trabalho realmente denso das atrizes e a direção eficiente de Stephen Daldry fez com que As Horas se tornasse um filme digno de ser visto, revisto, revirado, dissecado. Em breve, uma resenha estará aqui.

3º lugar - PEQUENA MISS SUNSHINE. Nota: 8,75.

Essa foi a minha agradável surpresa. Esperava um filminho qualquer, com humor exagerado típico de comédias estadunidenses. Então, vi um filme inteligente, que diverte sem cair no caricato e se revela um referencial para as comédias. Em breve, faremos a resenha.

4º lugar - RIO CONGELADO. Nota: 8,75.

Concorreu ao Oscar esse ano e deu um up na carreira de Melissa Leo, que se mostrou muito talentosa liderando um elenco. A temática do filme é densa e as atuações são realmente interessantes. Uma das melhores descobertas de 2009. Em breve, haverá uma resenha.

5º lugar - O LUTADOR. Nota: 8,5.

Mikey Rourke e Marisa Tomei concorreram ao Oscar esse ano por esse filme. Eu e o Renan não podemos nos furtar de dizer que esse filme trouxe humanidade a um tema que poderia facilmente se tornar pedante. Pela beleza da obra, mereceu uma posição no ranking. Para ver a resenha, clique aqui.

6º lugar - CASABLANCA. Nota: 8,5.

Um clássico que retrata o amor de duas pessoas que se reencontram na época da segunda guerra mundial. Protagonizado por Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, cheio de frases marcantes, o filme parou no tempo e continua belo, mesmo que o tempo passe. Em outubro, quando faremos um mês temático, Casablanca será avaliado.

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Ao total, 39 filmes foram visto em setembro. No entanto, como são elegíveis somente aqueles que foram vistos tanto por mim quanto pelo Renan, apenas 19 filmes serão relacionados. Abaixo, seguem todos que não entraram no TOP:

7) O Jardineiro Fiel -  Nota: 8,4
8] Matrix - Nota: 8,23
9) Moça com Brinco de Pérola - Nota: 7,5
10) Vicky Cristina Barcelona - Nota: 7,5
11) Foi Apenas um Sonho - Nota: 7,25
12) Resident Evil - Nota: 7,0
13) Provocação - Nota: 6,5
14) O Exterminador do Futuro - Nota: 6,25
15) Velozes e Furiosos - Nota: 5,75
16) Autópsia de um Crime - Nota: 5,25
17) Vinhas da Ira - Nota: 5,25
18] Fim dos Tempos - Nota: 4,75
19) Rota Mortal - Nota: 4,25

Alguns desses filmes já foram comentados aqui; outros deles, como Matrix e O Exterminador do Futuro, serão comentados no mês seguinte, já que, como citei acima, criamos um mês temático, direcionado especialmente para as franquias famosas e os filmes clássicos. Considerando que o encerramento do mês foi concluído hoje, um dia antes de o mês realmente acabar, qualquer filme visto amanhã será contado como se tivesse sido visto no mês seguinte. Como os posts não acontecem todos nos mesmos dias (em dias pares em alguns meses, em ímpares em outros), pode coincidir ou não de o mês se encerrar com o fechamento que passaremos a fazer.

Se concordarem com ou discordarem de alguma nota, deixe o seu comentário aqui.
:)

Obrigado, pessoal.

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domingo, 27 de setembro de 2009

CAPITÃES DA AREIA

Jorge Amado, 1937, 269 páginas (Editora Companhia das Letras)

Pertence ao Modernismo, faz parte da lista integrada FUVEST/UNICAMP - 2010

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Capitães da Areia é o penúltimo livro nacional de leitura obrigatória na FUVEST/UNICAMP que traremos aqui no blog. O próximo será Dom Casmurro com a análise do Luís, e aqui, continuarei da forma que estamos fazendo nos últimos livros. Capitães da Areia traz como tema principal, uma crítica social: os garotos de rua.

Narrador: A história é contada em 3º pessoa por um narrador onisciente, que é aquele que sabe de tudo, pois além de narrar o presente dos garotos, o narrador conhece o passado deles. O tempo é o presente, dando a impressão que as ações estão acontecendo no mesmo momento da leitura.

Espaço: Todas as ações acontecem em Salvador – BA em sua maioria nas ruas das cidades, onde os garotos furtam pra viver, além da rua há outros espaços como as casas que eles analisam antes de roubar ou o trapiche em que eles dormem. A data em que ocorre o romance é imprecisa, mas pesquisando, vi que parece ser algo entre de 1928 e 1932, pois em 1917 eclodiram as greves operárias, na qual o pai de Pedro Bala morreu.

Personagens:Pedro Bala: É um jovem loiro de 15 anos que tem como característica física, um corte no rosto. Durante a 90% do livro, ele foi o chefe dos Capitães da Areia, retirando do poder Raimundo, o antigo líder. Ágil, esperto e  sabendo respeitar a todos, ele se consolida no poder. Bem no final do livro, depois da morte de Dora sai do grupo para organizar e comandar os Índios Maloqueiros, outro grupo de meninos de rua em Aracaju, deixando Barandão, outro do Capitães da Areia como líder. Depois disso ficou muito conhecido por organizar várias greves inspirado no seu pai, que morreu em uma.

Dora: Personagem mais importante, depois do Bala. Chega no meio do romance com treze para quatorze anos e era a única mulher do grupo e se adaptou bem a ele. Depois da primeira impressão onde todos queriam estuprá-la; conquistou facilmente o grupo. Seus pais haviam morrido de alastrine (varíola) e ela ficou sozinha no mundo com seu irmão pequeno. Tentou arrumar emprego, mais ninguém queria empregar filha de bexiguento. Aí ela encontrou João Grande e professor que a chamaram para morar no Trapiche, e logo ela já era considerada por todos como uma mãe, irmã e para Bala uma noiva. Ela participava dos roubos com os outros meninos. Morreu queimando de febre, não antes de se entregar para o verdadeiro amor, Pedro Bala

Professor: O único parcialmente estudado do grupo, pois era o único que sabia ler.  Era um garoto magro, inteligente e calmo. No seu tempo como um do grupo ele contava diversas histórias para os garotos divertindo-os, além de ler notícias, principalmente para o Volta Seca. Além disso, ele ajudava a arquitetar os planos de roubo. O professor era quem planejava os roubos dos Capitães da Areia. Depois de muito tempo aceitou um convite e foi pintar no Rio de Janeiro.

Gato: O mais bonito e o que mais se dava bem com as mulheres mais velhas,em especial Dalva, uma prostituta, que era sua companhia permanente, dando a esse personagem a marca do “malandro”. Na última parte do livro, ele vaipara Ilheús tentar a sorte.

Volta-Seca: Imitador de pássaros e afilhado de Lampião; era mulato e sertanejo. Na última parte vai em busca do padrinho, onde é recebido e mais tarde tratado como um dos mais impiedosos matadores do grupo.

Sem Pernas: De longe o melhor personagem do grupo. Seu apelido advém de uma deficiência na perna que o torna coxo, além de ser agressivo e individualista. Ele penetrava nas casas abusando da boa vontade das pessoas para descobrir onde estavam os objetos de valores. Era roubando que se vingava da sociedade. O único caso que ele se sentiu mal foi o de ter roubado Dona Ester que o acolheu como o filho que tinha perdido. Seu final foi suicidar-se quando a polícia corria atrás dele, tendo assim, sua última vingança contra a sociedade.

João Grande: Negro, mais alto e mais forte do bando, porém o menos dotado de inteligência. Desde o começo foi um dos líderes do grupo e os outros o respeitavam por ele ter a força física e também por ser bom com os outros. Além disso, gostava muito de Querido-de-Deus, com quem, juntamente com outros membros, aprendia capoeira. No final, ele embarcou como marinheiro, num navio de carga do Lloyd.

Pirulito: Era magro e muito alto, além de ser o único do grupo que tinha vocação religiosa apesar de pertencer aos Capitães da Areia. Quando parou de roubar, para sobreviver vendia jornais, seu destino foi ajudar o padre José Pedro numa paróquia distante.

Boa Vida: Era o mais malandro do grupo, pois não participava dos roubos e para contribuir, roubava alguns objetos repassando para o líder, Pedro Bala. Seu destino foi virar um malandro da cidade, que vivia a andar pelos morros compondo sambas.

 

Outros Personagens: ●João-de-Adão: Estivador, negro fortíssimo e antigo grevista, era temido e amado em toda a estiva. Através dele, Pedro Bala soube de seu pai, pois este também era um estivador grevista. Segundo ele, a mãe de Pedro falecera quando ele tinha seis meses.

Don’aninha: Mãe de santo, sempre os ajudava em caso de doença ou necessidade.

Padre José Pedro: Introduzido no grupo pelo Boa-Vida, conhecia o esconderijo dos capitães, além de ajudar Pirulito com a sua vocação.

Querido-de-Deus: Pescador, juntamente com João- de- Adão tinham a confiança dos meninos, que, por sua vez, não mediam esforços para recompensar esse apoio.

Enredo: O livro é dividido em quatro partes: “Cartas à redação” constituída de supostas cartas a redação em respostas a uma matéria sobre os capitães da areia. Nas respostas há pessoas que defendem e outras que acusam o grupo. “Sob a lua num velho trapiche abandonado” e “Noite da grande paz, da grande paz dos teus olhos” são os trechos intermediários. “E por final há Canção da Bahia, canção da liberdade”, parte que define o futuro dos personagens.

São aproximadamente quarenta meninos de todas as cores, entre nove e dezesseis anos, maltrapilhos e sujos que dormiam nas ruínas do velho trapiche, e liderados por Pedro Bala eles roubam para sobrevive, e desde muito joves já bebiam e fumavam Além desses pequenos expedientes, os Capitães da Areia praticavam roubos maiores, o que os tornou conhecidos, temidos e procurados pela polícia, que estava em busca do esconderijo e do chefe dos capitães. Esses meninos se pegos, seriam enviados para o Reformatório de Menores, visto pela sociedade como um estabelecimento modelar para a criança em processo de regeneração, com trabalho, comida ótima e direito a lazer. No entanto, esta não era a opinião dos menores infratores. Sabendo que lá estariam sujeitos a todos os tipos de castigo, preferiam as agruras das ruas e da areia à essa falsa instituição.

Um dia, Salvador foi assolada pela epidemia de varíola. Como os pobres não tinham acesso à vacina, muitos morriam, isolados no lazareto. Almiro, o primeiro do grupo a ser infectado, ali morreu. Já Boa-Vida teve outra sorte; saiu de lá, andando.  A confusão, causada pela presença de Dora no armazém, foi contornada por Pedro. Os meninos aceitaram-na no grupo e, depois de algum tempo, vestida como um deles, participava de todas as atividades e roubos do bando. Pedro Bala considerava Dora mais que uma irmã; era sua noiva. Ele que não sabia o que era amor, viu-se apaixonado; o que sentia era diferente dos encontros amorosos com as negrinhas ou prostitutas no areal.

Quando roubavam um palacete de um ricaço na ladeira de São Bento, foram presos. Parte do grupo conseguiu fugir da delegacia, graças à intervenção de Bala que acabou sendo levado para o Reformatório. Ali sofreu muito, mas conseguiu fugir. Em liberdade, preparou-se para libertar Dora. Um mês no Reformatório feminino foi o suficiente para acabar com a alegria e saúde da menina que, ardendo em febre, se encontrava na enfermaria.  Após invadirem o reformatório, Pedro, Professor e Volta-Seca fugiram, levando Dora consigo. Infelizmente, não resistindo, ela morreu na manhã seguinte. Don’aninha embrulhou-a em uma toalha de renda branca e Querido-de-Deus levou-a em seu saveiro, jogando-a em alto mar. Dali pra frente, cada um seguiu seu rumo na vida.

Tive uma agradável surpresa lendo Capitães da Areia, pois diferente dos outros livros, esse é extremamente agradável de ler, por isso recomendaria para qualquer pessoa, vestibulando ou não, esse livro. Em algumas partes, as comparações com outros livros como Robin Hood e Peter Pan são inevitáveis, mas claro, isso são opiniões pessoais. Gostaria de agradecer também um site que eu pesquisei muitas informações e alguns trechos foram pegos de lá, mas infelizmente não guardei o link para postar aqui.

Renan

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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O LUTADOR

Clique para ver o trailer (com legendas).

The Wrestler, 2008, 115 minutos. Drama.

Indicado a dois Academy Awards nas categorias Melhor Ator (Mickey Rourke) e Melhor Atriz Coadjuvante (Marisa Tomei).

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O Lutador fala sobre Randy “O Carneiro”, um lutador profissional cuja vida dá uma guinada após uma parada cardíaca, impossibilitando-o de voltar à carreira. Tendo em vista a luta com Ayatolá, outro lutador que o venceu vinte anos atrás, Randy tem que retomar sua vida pacata, à procura de horas extras num açougue a fim de poder pagar o aluguel; paralelamente, tem um sutil envolvimento com uma dançarina que tenta ajudá-lo no seu problemático relacionamento com a filha.

Mickey Rourke, na minha opinião, não é um ator ruim. Mas os filmes dos quais ele participa nem sempre são sinônimos de boa qualidade. O último a que assisti, Domino, me deixou meio frustrado. Porém é em O Lutador que ele supera qualquer vestígio de boa atuação; aqui ele se mostra realmente competente na arte de atuar e transformar o seu personagem brutamontes num ser humano completamente frágil que, embora coberto por uma camada de brutalidade, tem essência gentil e amorosa. Ver Rourke atuando é extremamente válido, pois acredito ser a primeira vez em que sua capacidade artística é realmente revelada. E a Academia também concorda, pois essa foi a primeira indicação que ele recebeu, após muitos anos na carreira cinematográfica. Evan Rachel Wood, que vi num único filme, Aos Treze, participa pouquíssimo no filme, porém suas cenas como a filha de Randy são extremamente densas, caracterizando não somente o ápice da potencial restituição familiar, mas também o auge da raiva incontida. Marisa Tomei é uma atriz com uma longa carreira e por esse filme recebeu sua terceira indicação como Melhor Atriz Coadjuvante; porém, algo não saiu de minha cabeça: ela fez de sua mínima participação algo absurdamente excepcional - e eu não consegui ver isso - ou a Academia não conseguiu encontrar atuações que realmente merecessem estar na lista e acabou acrescentando Tomei somente para completá-la? O fato é que Cassidy, sua personagem, aparece pouquíssimo mesmo; talvez um pouco mais do que Viola Davis em Dúvida, que também recebeu uma indicação. Há pouquíssimas cenas envolvendo a personagem, embora eu nutra profundo respeito por Tomei, que, embora caia de cabeça de produções porcarias, como O Guru do Sexo, sabe atuar realmente bem e tem um carisma que poucas atrizes consegue ter; compreenderão isso quando virem os seus sorrisos no filme, sempre tão sinceros, radiantes e, ao mesmo tempo, tímidos. Acredito - porque é a única crença que se pode ter - que sua indicação se deve às duas cenas em que as falas da atriz não se resumam a gemidos; aproveitando a brecha, é necessário elogiar o físico da atriz (que é bem visível, afinal, ela é uma stripper) que, aos 44 anos, supera o de muitas atrizes mais novas, como, por exemplo, Kate Winslet em O Leitor. Sua participação em O Lutador é pequena e notável, porém eu não a indicaria a um Academy Award.

O roteiro do filme desde o começo deixa claro que o tópico a ser abordado é o “agora” e não o passado; dessa maneira, conhecemos a história de Randy sem que haja flashbacks, longas narrativas ou monólogos maçantes retomando a trajetória dele. Isso pode fazer com que alguns espectadores achem que o filme não dá o enfoque necessário à complicada situação entre Randy e sua filha; mas é extremamente importante ater-se àquilo que disse: o filme aborda o tempo presente. Embora vejamos pouco aprofundamento no relacionamento entre Cassidy e Randy, duas cenas nos mostram com perfeição qual sentimento nutrem um pelo outro e por que há a dificuldade em assumir isso de maneira mais explícita. O Lutador não é o típico filme que se vê lendo as entrelinhas, mas é fundamental esforçar para compreender os porquês de cada ação dos personagens, assim você não enxergará absurdos ou possibilidades onde não há. O final é um ápice: vemos que em meio a todas as adversidade, Randy está onde quer estar e está fazendo tudo por sua própria escolha e, embora seu caminho pareça incerto, é o que ele deseja seguir. Os ângulos, a iluminação - enfim, a cena em si - promovem a grandiosidade do personagem e fecha o filme de maneira extremamente satisfatória, sem expor, porém, como se concluem os relacionamentos a partir daquele momento. Sempre o presente, se lembram? Nem passado nem futuro.

Recomendo totalmente esse filme, porque é extremamente satisfatório. Não é um filme para chorar, nem para gargalhar; é um filme sobre temática humana, explorando acertos e erros, sem ser caricato. O final está sujeito à interpretações e eu, tendenciosamente pessimista, optei por acreditar num fim mais dramático - e confesso que até agora estou pensamento como seria a interpretação de Marisa Tomei na cena seguinte à cena final de O Lutador. Talvez pela cena que eu imagino sua indicação seria justificável…

Luís

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O Lutador é um filme brilhante, não consigo enxergar um erro grave ali. Aos que pensam que vão ver algo com muita luta no estilo Rock, engana-se. Claro que o a luta está ali, mas apenas como pano de fundo e como pretexto para o filme nos levar ao drama da vida de Randy. Randy é um lutador decadente, que fez muito sucesso nos anos 80, porém essa parte não nos é mostrada. Somos apresentados a uma versão mais velha, acabada, pobre, sem família, que mal consegue pagar o aluguem, e para o fazer, precisa ir ao ringue em lutas da “2º divisão”, e mesmo assim precisa trabalhar e fazer hora extra para completar sua renda. O que é mostrado também, é que a salvação da vida de Randy são as lutas, pois mesmo tanto tempo lutando não o fizeram perder o amor que sente pela sua profissão. Tudo isso muda quando ele descobre um problema com o coração o força a aposentadoria, lutando contra ela, ele tenta se reaproximar de sua filha, tenta conquistar uma dançarina, e rejeitado por tudo, ele decide enfrentar o ringue mais uma vez.

 

Não consigo ver outro ator para Randy do que Mickey Rourke…não conheço bem a história do ator, só sei que esse filme o trouxe de volta para o estrelato e o trouxe de forma única. Mickey, ao mesmo tempo que tem que passar por um lutador forte e destemido no ringue, mostra também um cara simpático, carismático, que faz piadas com sua situação, que brinca com os garotos da rua. Sua colega de cena também faz um ótimo trabalho. Marisa Tomei também está ótima ali, interpretando uma dançarina quarentona, embora não tenha ganhado o Oscar (merecidamente) ela faz um belíssimo trabalho.

 

Há cenas que parecem ser simples, mas que nos mostram muita coisa, principalmente o paradoxo entre o novo e o velho, como quando Randy convida o garotinho pra jogar Nintendo, um vídeo game ultrapassado segundo a criança, mas que Randy continua a jogar por poder jogar com si mesmo, nos mostrando o quanto ele está preso ao seu passado. Mostra-se também a decadência dos lutadores naquela feirinha, uns estão dormindo com próteses, outros com cadeiras de roda,e também a decadência de Cassidy, sendo rejeitada por vários homens por ser velha demais ou ter a “idade pra ser a mãe deles”. Outra cena muito boa é a que ela bebe metade da cerveja de uma vez só e diz ‘Uma cerveja’, acho que foi a parte que ela ficou mais sexy no filme todo.

 

Mais o melhor do filme é o final, que tem a chance de ser estragado, mas graças a Deus não é. Toda aquela preparação, antes feita na academia, clínica de bronzeamento, cabeleireiro, foi feita em casa, e quando Randy entra no ringue ao som de Gun’s Roses com Sweet Chlid O’ Mine  tudo fica melhor. A última cena é inteligente e emocionante. Não tenho como não recomendar “O Lutador”. Assistam!

Renan

criado por Luís/Renan    10:46:15 — Arquivado em: Filmes

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

AUTÓPSIA DE UM CRIME

Clique aqui para ver o trailer do filme.

Pathology, 2008, 94 minutos. Suspense.

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“- Você o matou.
- Ele ia morrer de qualquer jeito.
- Todos nós vamos morrer de qualquer jeito.”

Eis um filme cuja sinopse intriga o espectador e o faz acreditar que essa é uma obra bastante inteligente e com qualidade acima da média. Eu mesmo pensei que esse era o típico filme bom lançado entre os inúmeros ruins e que acabam sendo tomados como semelhantes, sempre esquecidos nas prateleiras da locadora. Então, eu e a Luiza - que já esteve aqui presente comentando Kill Bill volume 2 -, assistimos a essa obra para conferi-la. Um grupo de residentes estudam cadáveres, descobrindo o que levou às pessoas à morte. Dotados de um humor extremamente duvidoso, eles decidem demonstrar que são capazes de cometer um crime perfeito, que outro patologista não seja capaz de descobrir ou que sua dedução acerca do causa da morte seja deturpada. Assim, como num clube, eles se reúnem para cometer assassinatos inteligentes, expondo o corpo para que o grupo o verifique, fazendo análises e diagnósticos.

A sinopse é realmente interessante e me remeteu a bons filmes do gênero suspense, como Cálculo Mortal, Caçadores de Mentes, etc. Porém, a descrição do filme (tal qual eu a fiz) não corresponde honestamente à abordagem do roteiro, que é muito mais expansivo e enfoca inúmeras outras coisas bem diferentes do que é sugerido na sinopse. Milo Ventimiglia, Peter Petrelli de Heroes, encabeça o elenco, mas acaba tão coadjuvante quanto os outros. Seu personagem, logo no começo, é chamado para trabalhar com o grupo de residentes num hospital que lhe trará maior prestígio na carreira; Grey, seu personagem, é completamente hostilizado pelos outros, mas rapidamente se integra a eles, mesmo em meio à maneira hostil como é tratado. Se fosse mostrado de outra forma, talvez fosse mais crível aquele envolvimento rápido, mas no filme parece simplesmente incoerente. É como se eles resolvessem diminuir a duração e cortassem um pedaço do desenvolvimento; infelizmente, isso acontece muitas outras vezes durante Autópsia de um Crime. Outro problema do filme, como citei acima, é a abrangência da história, que destaca momentos absurdamente não importantes e, às vezes, como nas cenas de sexo, as enfatiza à exaustão. Aliás, quanto às cenas de sexo, elas não são bem realiazadas. Começam a se repetir incansavelmente e numa delas, o ângulo é tão medíocre, que quase é possível ver o ânus do ator.

As atuações não são ótimas, mas não são ruins também. Podemos considerá-las estáveis em relação aos atores principais, que são os intérpretes de Dr. Grey, Dr. Gallo e Dra. Juliette; acho que o grande problema dos atores, na verdade, se deve à edição, que, como eu disse acima, cortou umas cenas do filme. Temos que considerar que, como não é um filme de grande porte, os atores atuam como podem, embora Milo Ventimiglia seja bem melhor do que essa sua atuação morna. O desenrolar dessa trama está bem distante da suposta inteligência que pensei haver, mas não é ruim por causa disso. Há boas cenas e muitos momentos em que a loucura dos personagens se tornam cômicas; há também alguns diálogos de impacto e momentos interessantes de tensão.

Lembra-se do que disse no primeiro parágrafo? Pois bem, ao terminar de vê-lo, cheguei à conclusão de que embora tenha comprado um produto, não foi o mesmo produto que recebi. Mas, ainda assim, me entretive com o filme e achei-o uma boa pedida para quem está sem expectativas quanto ao que quer ver. Bom para as segundas-feiras à noite.

Luís

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Gostei bastante desse filme, mais do que eu poderia pensar. Ao ver o título, pode-se pensar que é mais um filme com um tema ligado a medicina como Awake – A Vida por um fio, mas diferente disso Autópsia de Crime se mostra um filme que trata além disso, pois o seu verdadeiro tema é a corrupção do indivíduo mediante o meio em que ele vive. Nesse contexto temos o Dr. Grey que é mandado para outra cidade para fazer sua residência médica e lá encontra o restante do grupo e esses se mostram, inicialmente, extremamente hostis, e é nesse momento que ele começa a se envolver mais seriamente com eles, mostrando a corrupção do ser humano. Corrupção porque, fora do expediente, as ações do grupo são bem condenáveis, para ser mais claro, eles matam pessoas aleatórias para os próprios fazerem a autópsia, ou apenas por prazer mesmo, e aqui tenho que dizer que o título nacional ficou muito melhor que o original, pois Autópsia de um Crime é ambíguo e sem dúvida mais inteligente do que Pathology. Mesmo tendo vários personagens importantes para a estória como a noiva de Teddy e o resto do grupo de residentes, claramente os principais são o Dr. Grey e o Dr. Gallo, o primeira marcado, inicialmente, pela bondade e o segundo beirando quase a loucura.

 

É interessante também, vermos várias cenas sobre as autópsias que ficaram muito bem feitas, com todos aqueles corpos sendo abertos para determinar as causas das mortes, e o incrível é que não sentimos nada vendo aquilo, pelo tom profissional e frio que o filme mostra, sendo que a melhor, sem dúvida, é quando o Dr. Grey tem que analisar sua noiva, morta por vingança. Contrapondo a isso a uma cena claustrofobica e extremamente ruim de ser vista que causa ânsia em que vê, que é quando o Dr. Gallo leva o seu colega para uma espécie de bordel onde tem aquela mulher muito nojenta na cama. E mudando de assunto o filme é bom também para quem leu livros nesse estilo, como Desaparecidas e O Pecador, pois ilustra com clareza e realidade o trabalho de um médico patologista. O final também é interessante, quase surpreendente, e mais uma vez o roteiro prova a minha teoria da mudança do homem.

 

Não pensem, porém que o filme é imperdível e tem que ser a sua primeira escolha quando for à locadora, pois não é, é apenas um filme bom que com certeza vale a pena ser visto e que eu me surpreendi vendo por todos os motivos citados acima.

 

Renan

criado por Luís/Renan    10:44:45 — Arquivado em: Filmes
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