Literatura e Cinema

“Sem correr no corredor, Nancy” - Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

NOVOS SELOS

Eu e o Renan tivemos semanas tumultuadas e, devido a isso, não pudemos nos ocupar em decidir os Blogs para os quais indicaríamos os novos selos que ganhamos. Queremos já aproveitar esse espaço para agradecer a todos aqueles que nos reconheceram mais um vez como um bom blog a ponto de nos presentear com esses selos, que agora somam seis.

Vocês podem estranhar alguns de nossos indicados, que nem sequer estão na lista dos favoritos. No entanto, nós andamos pesquisando pela blogosfera e encontramos recentemente mais blog interessantes e alguns deles serão adicionados também à nossa lista. Como o Literatura e Cinema ainda está em expansão social e não querermos retribuir um Blog que nos presentou com o mesmo selo - a fim de que não pareça uma “devolução”, selecionamos alguns Blogs que receberão os selos. Como as regras nós já apresentamos aqui anteriormente, vamos aos fato. 

1) Selo: VALE A PENA FICAR DE OLHO NESSE BLOG

Quem nos indicou: Movie For Dummies. Agradecemos enormemente ao Bruno Pongas que, juntamente com a Leka Marcondes, Roberto Furuya e Lucas Pastore, administra muito bem o blog. Seguem os indicados:

A) Mulherices - Porque Meiga é a Hello Kitty: provavelmente, as donas desse Blog nem sequer conhecem o Literatura e Cinema; nós, no entanto, já entramos no Blog delas e comentamos, porque achamos realmente prazeroso lê-lo. São mulheres cultas, que escrevem muito bem, que nos mostram o humor sutil do cotidiano através de comentários machistas, esteótipos dos quais elas fogem, etc. Vale a pena.

B) I Said TV!: Fernando Gomes aborda os assuntos que vemos na televisão. Seriados, programas de auditório, etc. Para quem busca um bom guia do que ver e o que não ver, o blog dele é perfeito.

C) Café com Notícias: blog jornalístico  em formato de revista eletrônica, cuja proposta é repercutir as principais notícias do jornalismo e trazer discussões sobre assuntos pertinentes à comunicação, cultura, projetos sociais, bastidores da imprensa e opinião crítica sobre os temas pautados pela mídia.

D) Cinema com Brenno Bezerra: ele nos visitou uma vez e, ao conferir o seu Blog, gostamos do que vimos. Assim como o LeC, Brenno não se limita aos chamados filmes bons; ele analisa os filmes de uma maneira geral. Por isso, vale a pena conferi-lo.

E) Minerva Pop: Sandro fala sobre tudo. Música, filmes, bandas de rock, literatura, etc. Procurando por posts mais antigos, li um sobre Stephen King; encontrou o meu ponto fraco e meu apreço pelo Blog aumentou.

F) Fotograma Digital: seis pessoas se uniram para falar sobre cinema, o que fazem bem. Eu e o Renan já os visitamos algumas vezes e espero que as visitas sejam mais frequentes.

G) Pobre Esponja: esse é um blog voltado pro humor, que é negro e, às vezes, muito escrachado. Não quero dizer que todos os posts sejam muito engraçados, mas muitos deles nos fazem rir, como o mais recente sobre o “rock”.

H) Estética Musical: Daniel Silva, jornalista e apaixonado por música, é dono desse blog que reúne ótimas críticas e sugestões sobre a musical, além de bons artigos sobre bandas, sejam elas nacionais ou internacionais. A qualidade do Blog garantiu a indicação.

2) Selo: ESSE BLOG ACERTA EM CHEIO (duplo)

Quem nos indicou:
Cinemótica: não nos lembramos se o Cinemótica nos encontrou ou se nós o encontramos; o fato é que sugriu uma parceira interessante e que tem resultado em bons frutos. Marcelo, dono desse Blog, está se empenhando no Clube Virtual de Filme, ao qual eu e o Renan esperamos ansiosamente para nos associar.
Parada Obrigatória: os games do Leonardo são bem interessantes e ele se ocupa bastante em nos trazer um pouco da história dos atores, resgata alguns nomes que já não fazem mais sucesso e me disse que em breve me faria uma proposta, a qual espero para saber qual é. Surpresas…
Os indicados são:

A) Cineroad - A Estrada do Cinema: Roberto Simões está a frente do interessante Cineroad, que, como o próprio noime sugere, nos faz querer caminhar por essa estrada. Assim como a maioria dos Blogs sobre cinema, as opiniões lá expressas são bastantes pessoais, o que permite divergências. Discordando de ou concondando com o que ele diz, a sua maneira de escrever é muito boa, o que me fez gostar mais do blog. Ao vê-lo, ampliamos também a nossa cultura conhecendo os títulos portugueses que, às vezes são mais interessantes, outras vezes menos interessantes que os nossos.

B) Hollywoodiano: tendo conhecido esse blog há pouco tempo, rapidamente me identifiquei com ele. Somos apresentados aos filmes com o dinamismo interessante de Otavio Almeida, que está por trás do excelente Blog, o qual tenho visitado com frequência.

C) Cinema - Filmes e Seriados: editado pelo Hugo, o Blog contém resenhas rápidas sobre filmes que foram sucessos de época, alguns meio desconhecidos, outros muito famosos. As breves resenhas feitas nos mostram que o principal objetivo do Blog não é analisar meticulosamente cada filme, mas sim compartilhá-los com a blogosfera. Atualizado quase diariamente, o Hugo me faz querer assistir tantos filmes quanto ele…

D) O Cara da Locadora: gostamos bastante do trabalho do Nespoli e do Miojo. Agora, que fizeram um podcast, merecem sem dúvidas esse selo. Parabéns!

3) Selo: BLOG DORADO (duplo)

Quem nos indicou:
Cinemótica;
Cine Dewonny: por influência do Diego, comecei a assistir alguns filmes asiáticos. Não aqueles que ele citou recentemente em seu blog, mas alguns outros, que logo serão comentados aqui - esperamos que o Diego venha dizer sua opinião.
Os indicados:

A) Bit of Everything: conhecemos o blog do Kauê Oliveira há pouquíssimos tempo, mas eu já comecei a abusar dele; numa das próximas resenhas do LeC, fiz várias citações ao BoE e usei algumas listas criadas pelo Kauê. Uma de nossas mais recentes parceiras…

B) Solta o Lalai: o Rafael nos acompanha desde que conheceu o nosso Blog e comentava aqui com uma frequência assustadora; vive reclamando de que não sabe escrever, mas seus textos são muito bem redigidos e cheios de figuras de linguagem eficientes. Devido à problemas com a sua ausência de internet, seu blog está desatualizado há algum tempo - este selo, portanto, é uma menção honrosa.

Então, é isso, pessoal. Esperamos que os blogs indicados peguem seus selos e repassem!
:D

criado por Luís/Renan    01:56:08 — Arquivado em: Outros

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

ANNE HATHAWAY

Clique aqui, para ver o trailer de Alice no País das Maravilhas, próximo filme de Anne Hathaway (com legenda).

Minha admiração por essa atriz começou efetivamente depois que vi O Diabo Veste Prada, que de longe é o filme mais conhecido dela. Por isso, e motivados por um comentário de uma leitora do blog, o Luis e eu decidimos postar aqui mais sobre a vida artística de Anne Jacqueline Hathaway. Mas, antes, segue um pequeno resumo de sua vida antes de se tornar uma grande atriz. Ela nasceu em Nova York, e parecia predestinada ao sucesso, já que sua mãe, Kate McCauley, é uma experiente atriz do teatro e pode ter sido dessa ligação com a arte que veio a idéia para o seu nome: Anne Hathaway é uma homenagem de seus pais à mulher de Willian Shakspeare, que tem o mesmo nome. Seu pai, Gerard é advogado, e tem mais dois irmãos Tom e Michel.

O primeiro filme que assisti dela – e coincidentemente o primeiro que ela fez -  foi “O Diário da Princesa”, quando ela parecia que seria por um bom tempo uma atriz da Disney. Acho que por ser uma obra adaptada do livro homônimo da escritora Meg Cabot, e sendo assim ter o roteiro semi-pronto o filme se tornou bem agradável, não que tenha conteúdo, mas mesmo assim é bom, já que além da estória ser interessante, Anne já se mostrava capaz de divertir seu público, revelando-se uma atriz notável. Ela continuou nos estúdios da Disney por mais um tempo com filmes no mesmo estilo como Uma Garota Encantada e a continuação de O Diário da Princesa, esse não tão bom assim, e vale mais a pena por ter a música Breakway da Kelly Clarkson como tema. Mas apenas em 2005, um ano depois de ter sido lançado O Diário da Princesa 2, ele teve um papel denso em O Segredo de Brokeback Mountain como esposa de um dos cowboys gays. Apesar de pequeno, o papel lhe abriu um grande leque de novas oportunidades além de mostrar para o mundo e para a crítica que ela é uma atriz séria e capaz.

Daí em diante foram sucessões de sucesso um após o outro. Em 2006 ela fez seu filme de maior sucesso O Diabo veste Prada, também adaptado do livro homônimo, filme que concorreu ao Oscar de Melhor Figurino e deu a ela a chance de trabalhar com a experiente Meryl Streep. Acho que esse filme é do gosto de todos, pois tem romance, comédia e até uma pequena parte que esboça um drama no final, e é um daqueles filmes que se pode recomendar sem medo de errar e pra termos noção do sucesso, há vários cartazes de outros filmes com “Do mesmo diretor de O Diabo veste Prada”, ou dos mesmos roteiristas. Novamente vemos Anne Hathaway brilhar para o mundo todo. No ano seguinte ela foi estrela de Agente 86, onde ela mais uma vez diverte seu público, mas sozinha ela não consegue salvar o filme, tornando-o um filme mediano, fato que não desprestigia sua carreira.

O auge de sua carreira foi alcançado em 2008 com O Casamento de Rachel, filme aclamado pela crítica onde interpreta Kym, uma garota que saiu recentemente de uma clínica de recuperação e tem que ir ao casamento de sua irmã. Nesse filme conseguimos ver o tamanho da capacidade de Hathaway, nos provando que ela com certeza ela é uma promessa para o futuro de Hollywood . Ainda nesse filme, ela foi indicada a melhor atriz em vários prêmios importantes como o Oscar, ao lado de Kate Winslet, Meryl Streep , Angelina Jolie e Melissa Leo, também foi indicada ao Globo Ouro, ao SAG Awards e ao Critic’s Choice Awards, esse último ela foi ganhadora, sendo que quem analisa o filme é a própria crítica, o que mostra  o quão boa ela foi. No Oscar 2009 também, pudemos ver mais um pouco de sua capacidade artística, já que Hugh Jackman puxou-a de sua cadeira e dançou com ela, obviamante tudo ensaido, mas essa foi mais uma boa surpresa em relação a essa atriz. Em 2009 também, foi lançado seu atual filme Noivas em Guerra, que comparado a todos os outros que assisti, é o mais fraco dela, mostrando talvez que ela tem dom mesmo para o drama e que dai podem sair mais indicações a premiações importantes e com certeza vitórias nessas indicações. O próximo filme dela é um dos filmes mais aguardados para 2010, Alice no país das Maravilhas é mais um filme da Disney, mas diferente dos outros, esse é um filme do mestre Tim Burton. Ela interpetará a Rainha Branca ao lado dos queridinhos do diretor Johnny Depp e Helena Bonham Carter, e quem sabe ela não vira mais um deles também.

Renan

criado por Luís/Renan    09:20:33 — Arquivado em: Perfis

sábado, 19 de setembro de 2009

MOÇA COM BRINCO DE PÉROLA

Clique aqui para ver o trailer.

Girl with a Pearl Earring, 99 minutos, 2003, Drama.

Indicado a 3 Academy Awards, incluindo Melhor Fotografia.

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O filme conta a estória de como surgiu o quadro Moça com Brinco de Pérolas. O enredo é relativamente simples: Uma moça judia de origem humilde que, diante da dificuldade financeira da família, é mandada para trabalhar na casa de um famoso artista holandês. Apesar da visível delicadeza e ingenuidade (que vemos ir perdendo-se ao longo do filme) sua determinação a faz levantar-se cedo, cuidar da limpeza da casa, aguentar as constantes gestações da patroa e a própria patroa, além das crianças diabólicas.  Quando começa a demonstrar um dom para a arte, desenvolve um nível profundo de contato com o pintor, seu patrão, bem mais profundo que um sentimento de paixão. Até o momento em que o mecenas exige a pintura de um quadro da garota, o que leva a vida dela fora e dentro da casa, a ter complicações maiores.

 

O filme é muito bom e com certeza vale ser visto. A fotografia é incrível, acho que a melhor que eu já vi, e com isso o diretor conseguiu fazer com que muitas cenas realmente parecessem um quadro, como por exemplo, a patroa de Griet com o vestido que foi pintada, o contraste entre o cenário e o vestido produz um efeito muito bom, ou também quando Griet está cortando os alimentos sistematicamente  no começo do filme. Além disso, há o fato de o filme não ter muitas falas, e é ai que entra a capacidade de interpretação dos atores, principalmente da Scarlett Johansson que faz seu papel extremamente bem.  Particularmente não gosto muito da Scarlett pois quando a vejo, ela sempre me lembra uma Barbie com sua pele perfeita e esticada beirando ao plástico, mas como disse antes, ela trabalha muito  bem suas expressões passando emoções diferentes em um jeito de olhar e por ai vai. Outro fator interessante é Griet mostrar o cabelo apenas uma vez (por motivos religiosos), o que instiga a curiosidade de quem assiste.

A melhor cena do filme é quando ele vai pinta-la. Ele manda ela umedecer o lábios repetidas vezes e abrir um pouco a boca, e ela faz isso várias vezes, voltando na mesma posição, e a cena fica bonita mesmo quando ela fica parada por um longo tempo nessa posição, dando a impressão de uma pintura. Ao mesmo tempo que é lindo é poéticamente sensual.

Renan

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Apenas assisti a esse filme porque o Renan e a Joice assistiram e falaram muito bem a respeito. Se não fosse isso, nada chamaria a minha atenção para o filme, pois, definitivamente, nenhum dos atores presentes nele me fazem sentir atraídos por suas atuações. Não vou resumir o filme, porque o Renan o fez na resenha dele, mas concordo com ele a respeito de que a história é realmente muito simples.

 

A característica principal no filme não são os diálogos ou as falas. O filme prima pela imagem: cada cena é tipicamente visual, chama a atenção pelo que vemos, não pelo que ouvimos. E isso é linear, vai do princípio ao fim, sem irregularidades, o que se mostrou um ponto muito positivo na minha opinião. A simplicidade do roteiro também é um ponto a favor, pois devido à sua simplicidade, foi possível abordar com muita eficiência a vida de Griet enquanto criada do pintor. Percebemos como a estadia na casa influenciou as suas atitudes e como ela nutria um desejo pelo patrão, embora isso seja mostrado muito subjetivamente. Não temos uma noção muito exato do tempo, ainda que saibamos que provavelmente mais de dois meses se passam desde que Griet se torna empregada até quando o filme termina; o tempo, de qualquer maneira, não é um fator importante, pois pouco acrescenta.

 

A respeito dos atores, não sei exatamente o que dizer. Eu acho que, de uma maneira geral, Moça com Brinco de Pérola é uma obra boa, mais por causa do roteiro e da fotografia do que pela atuação dos atores. Colin Firth está realmente bonito nesse filme e há um charme nele que não existe em alguns filmes posteriores, como Mamma Mia. Mesmo falando pouquíssimo, Firth compõe bem seu personagem e facilmente compreendemos o porquê do interesse de Griet por ele. Não sei se vão todos concordar comigo, mas há interesse por parte dela e, talvez, dele. Mais um filme com Scarlett Johanssonn a que assisto e ainda não sei se ela é ou não uma boa atriz. Algo que me diz que ela é somente um sorriso muito bonito; nem digo rosto bonito porque há algumas cenas, como naquela em que a vemos sem a touca, em que ela definitivamente não está bonita. Realmente penso que a fotografia acrescentou beleza à atuação da atriz, que, ao ser filmada de alguns ângulos generosos, causa a impressão de que tudo é plena capacidade artística de Johanssonn. A única coisa que pude realmente constatar a respeito dela é que suas mãos são incrivelmente feias.

 

Diferentemente do que o Renan disse na frase enfática dele, eu não acho que Moça com Brinco de Pérolaessa produção seja um grande filme. Creio que Moça com Brinco de Pérola seja somente mais um filme interessante, que garante entretenimento para alguém que deseja ver algo belo. Não nego que a fotografia é impressionante, mas não vou supervalorizá-lo dizendo que ele é muito bom. O ritmo suave do filme agrada, o ótimo uso dos atores coadjuvantes também acrescenta qualidade, mas, no fundo, é só um filme pra se ver num dia qualquer.

Luís

criado por Luís/Renan    08:08:58 — Arquivado em: Filmes

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O CORTIÇO

Aluísio de Azavedo, 1890, 208 páginas (Editora Companhia Nacional)

Pertence ao Realismo-Naturalismo, faz parte da lista integrada FUVEST/UNICAMP - 2010

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Esse é o terceiro livro obrigatório das principais universidades públicas paulistas que postamos e pretendemos comentar mais dois, o próximo será Dom Casmurro com a análise do Luís. Primeiro darei as informações do livro em forma de um resumo tentando abranger a estória como um todo para ajudar aos vestibulando com nós, em seguida darei o meu ponto de vista sobre a obra de Aluísio de Azevedo.

O Cortiço foi lançado em 1890 pelo já citado Aluísio de Azevedo e faz parte do Realismo-Naturalismo onde já pelo nome pode-se ter uma base do livro. Naturalismo, pois para o indivíduo sobreviver ele precisa basicamente de três coisas: comida, repouso e pensando na reprodução, sexo. O romance é marcado também pelo determinismo onde o indivíduo pode ser transformado por três fatores: a hereditariedade, o momento e o meio e claramente quem muda os personagens em O Cortiço é o meio em que eles vivem.

Narrador: é narrado em terceira pessoa sendo ele onisciente e seu papel não acaba aí: narrador faz julgamentos das atitudes dos personagens mostrando ao leitor a estória de cada um sendo transformada pelo meio em que vive.

Espaço: o romance se passa em um cortiço do Rio de Janeiro construído pelo Seu João Romão. O cortiço fica ao lado de sua venda e do outro lado do local fica a casa do Seu Miranda. Atrás dele fica a pedreira onde a maioria dos personagens do sexo masculino trabalham. Reparem que tudo fica envolta da estalagem.

Personagens:
● o próprio cortiço é considerado o personagem principal, pois é nele que a maioria das coisas acontecem além de receber características humanas (”Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.”, capítulo III).

● João Romão: é o dono da venda e o personagem que mais aparece no livro, além disso é extremamente pão duro e guarda todo o dinheiro que consegue e não tem planos imediatos para mudar de vida. Todo o dinheiro gasto na redondeza volta a sua mão pois é dono do cortiço e de parte da pedreira, ou seja, ele paga o salário para os empregados e esses tem que pagar o aluguel além de comprar em sua venda. Mais pro final do livro ele começa a querer mudar de vida investindo mais no cortiço depois de um incêndio e até quer se casar com Zulmirinha, a filha de seu rival Miranda. Com ele mora a Bertoleza, uma escrava que pensa ter comprado sua alforria, mas que na verdade foi enganada pelo patrão, quando descobre tudo, na última página do livro, se mata. Em vida é o braço direito de João Romão, ajudando a roubar materiais de construção para a edificação do cortiço, fazendo a comida servida no venda, ou seja, “é a última que dorme e a primeira que acorda”.

● Miranda e família: Miranda é um português de sucesso que mora ao lado do cortiço e não gosta muito do Seu Romão, principalmente, por ter contruído um cortiço ao lado de seu sobrado. Com a mudança de comportamento do seu vizinho, ele acaba se aproximando mais dele e até cedendo a mão de sua filha em casamento. O resto da família é composta por D. Estela, sua esposa infiel que caracteriza uma burguesia ociosa, Henriquinho um garoto que vem morar em sua casa para estudar medicina já que Miranda devia um favor ao pai do garoto e esse que tem um caso com uma mulher do cortiço, Zulmirinha, a filha e o Botelho, agregado que ajuda João Romão a conquistar a filha do Miranda.

Personagens notáveis:
Jerônimo e Piedade: são um casal de portugueses que tem uma filha. Jerônimo vem ao cortiço para trabalhar na pedreira como um funcionário exemplar que até ganha mais que os outros. Sua família, inicialmente, é impecável, todos os respeitam e os tomam como exemplo.

Rita Baiana: é uma mulher que volta ao cortiço de uma longa viagem e volta com seu namorado Firmo. Depois de uma ajuda dela ao Jerônimo, esse fica apaixonado pela Rita e esse evento que acaba em uma briga entre ele e Firmo que por sua vez, termina em um incêndio provocado pela Bruxa. Como vingança, depois de um tempo Jerônimo mata Firmo com ajuda de uns colegas, foge com Rita deixando sua mulher para trás que vira bêbada e começa a ser “deflorada” pelos outros homens do cortiço.

Pombinha: A flor do cortiço como é chamada, é pura, delicada e inocente, mas sofre com a menstruação que não chega e não pode se casar por não ser mulher com 18 anos. Essa é abusada pela madrinha Leonie e depois de um tempo sua menstruação vem e ela pode se casar. Descobrindo como é a vida de casada, e como são os homens, ela abandona tudo e, mais tarde, vira uma prostituta e filha de Jerônimo vira a nova pombinha do cortiço, tornando assim, um ciclo.

● Outros personagens: Leucádia, Machona, Marcina são lavadeiras e ficam por conta delas as fofocas que circulam pelo cortiço, faz parte desse grupo também o Albino, que é considerado uma mulher pelas outras.  A primeira, Leucádia, trai o marido Bruno com Henriquinho, pois o jovem promete dar um coelho em troca do sexo, quando o marido descobre essa é expulsa de casa. Ainda temos Domingos, um caixeiro viajante empregado do João Romão que engravida Florinda, filha de uma das moradoras do cortiço. Ele foge da responsabilidade e ela também foge por medo da mãe, que quando descobre bate muito nela.

Depois do primeiro incêndio causado pela Bruxa, o cortiço é atacado mais uma vez pela loucura da mesma mulher, só que dessa vez, ela faz o serviço completo e João Romão já com sua vida social em ascensão decide construir outro cortiço, só que esse é de um nível mais alto e consequentemente os preços também fazendo com que vários dos antigos moradores tivessem que abandona-lo e mudar para o cortiço vizinho que antes abrigava o Firmo, o Cabeça de Gato. Isso nos mostra a mudança do João Romão é pode-se contruir a linha cronológica do livro mediante a sua vida social, no início, os dois pobres, no final, os dois luxuosos e ricos.

O grande problema em se tentar resumir O Cortiço não é o tamanho do livro, pois é relativamente pequeno, mas sim o grande número de personagens que passam pela estória dando a idéia do dinamismo do local, onde várias e várias vidas passam pelo cortiço e cada vida tem uma estória, fazendo o leitor, as vezes, se perder um pouco. Considero-o uma obra clássica, porém muito chata de se ler pela leitura difícil e recomendo apenas para aqueles que terão a obrigação de lê-lo.

Renan

criado por Luís/Renan    10:44:26 — Arquivado em: Livros

terça-feira, 15 de setembro de 2009

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?

Slumdog Millionaire,  2008, 120 minutos, Drama

Indicado a 10 Academy Awards, ganhador de 8, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor

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Acho que não é muito fácil analisar uma obra vencedora do Oscar de Melhor filme e de tantas outras categorias, pois com certeza, o filme foi julgado por pessoas muito mais capazes que eu.

Pra começar, tenho que dizer que não esperava ver o que vi. Imaginei um filme pesado, no estilo de A Troca, que é o tipo de filme que não se assiste toda semana devida a grande carga emocional. Fiquei surprendido ao ver como o diretor Danny Boyle, conseguiu fazer um filme tranquilo e tão bom. Não pensem, entretanto, que é um filme leve, mas a capacidade da equipe se mostra quando vemos cenas densas tranformadas em cenas extremamente boas e agradáveis. Gostei muito da parte em que  Jamal se joga na merda - literalmente - por um sonho. A primeira vista, pode ate parecer engraçado, mas analisando-a melhor vemos, desde pequeno, um garoto que faz tudo que tiver ao alcance por um sonho, qualidade essa que fica mais clara, nas cenas do programa Quem quer ser um milionário, onde ele parece não dar grande importancia ao dinheiro, pois está ali, não para ficar rico, mas para que  alguem o veja e o espere na estação as 5 da tarde. Outro ponto bom do enredo, é a forma como a estória é contada. Desde o começo Jamal está no programa, e a estória de como ele sabe as respostas do show, que, como um quebra cabeça vai se formando. Todas tem um ponto tocante, mas tenho que citar duas: O fato de ele saber quem está na nota de 100 dolares americanos, já que nessa sentimos grande pesar pelo menino cego que canta, e que pelo tato e olfato consegue integir com o mundo e também como ele sabe que o deus Rama carrega nas mãos um arco e uma flecha, pois quando vemos aquele corpo azul boiando, entendemos perfeitamente porque Jamal diz:
- “Acordo toda manhã rezando para não saber a resposta dessa pergunta”
Acabo de me lembrar do quanto é bonito o final, quando a ultima pergunta é feita, com Jamal se lembrando, e como nos sentimos felizes de Latika estar, e atender o celular.

Outro ponto a favor do filme é o elenco, é bom não ver algum rosto conhecido, pois assim, conhecemos novos atores e atrizes em potencial. Todos, nas tres idades diferentes, conseguem fazer bem seus papeis, e aqui gostaria de dizer que gostei muito da atuação dos três personagens que interpretam Salim, o pequeno principalmente. Há varias partes que demostram o amor que ele tem pelo irmão, amor esse que traz o ciume, e ate o odio de Latika, e há cenas que nos demostram isso como na que ele solta mão de Latika e quando ele vende a foto autografada do irmão, e todos os tres atores souberam dosar esses sentimentos em belissimas atuações. Claro que não podemos desmerecer os atores que interpretaram Jamal e as atrizes que interpretaram Latika, pois todos nos passam a impressão de que um amor real é construido.

Só pra finalizar…sobre a trilha sonora. Quando ouvi Down to Earth do Peter Gabriel, tinha certeza que iria ganhar, gostei bastante da música, e quando vi o vencedor, simplesmente nãe entendi como aquela música tinha ganhado. Assistindo o filme se ve a eficacia da trilha sonora, que na maior parte do filme tem uma batida pesada, um exemplo do bom uso dela, é a cena, bem no começo, que Jamal e Salim correm do policial. Gostei também do final, com a música Jai Ho ( musica vencedora), com uma parte do elenco dançando. Normalmente acharia tosco, mas nesse filme caiu bem. Confiram “Quem quer ser um milionário” e garanto que não iram se arrepender.

Renan

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criado por Luís/Renan    00:50:18 — Arquivado em: Filmes

domingo, 13 de setembro de 2009

PROVOCAÇÃO

The Door in the Floor, 2004, 111 minutos. Drama.

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Peguei o filme decidido a vê-lo tomando como base apenas o nome, já que eu não conhecia a história, não sabia quem eram os atores principais, nem tinha visto nenhuma imagem sobre ele. Porém, logo nas cenas iniciais, me interessei bastante, principalmente pelo fato de haver uma criança no elenco e também pela presença de Kim Basinger, que, embora não esteja sempre em filmes bons, me dá uma sutil esperança de que ele possa realmente sê-lo.

Um casal está com problemas conjugais e entre eles há as lembranças pesadas do passado, no qual os filhos mais velhos morreram num acidente. Ted é um escritor talentoso que escreve obras infantis e durante um verão aceita Eddie, filho de um colega, na sua casa, a fim de ensinar a ele algumas técnicas acerca da escrita, já que o garoto quer ser escritor. A presença do jovem acaba reacendendo o passado, trazendo novas recordações ao mesmo tempo em que Marion, que ficou profundamente abalada após o acidente, começa a se sentir melhor quando está com o garoto.

A história de Provocação é bastante interessante, criando diversos momentos bons e com qualidade, principalmente a respeito dos relacionamentos dos personagens. A característica que mais impressiona é o fato de o relacionamento entre Ted e Marion comportar inúmeras mentiras disfarçadas, permitindo-os trair sem remorsos e ainda manter um certo elo entre eles; além disso, é tão liberal a relação que parece não haver segredos ou tabus entre a família destruída, já que todos são livres para falar como bem entendem assim como agir conforme querem. Em partes, é essa mesma relação que talvez perturbe a serenidade dos dois, colocando-os à prova e desconstituindo uma normalidade. Quanto às atuações dos atores, são boas e colocaboram para elevar um pouco o filme. Jeff Bridges está muito bem interpretando um marido que tem conhecimento a respeito do relacionamento da esposa com o novo assistente; não só conduz bem a posição de pai protetor e homem da casa como se põe na situação extremamente oposta a essa, quando é apenas o marido traído que consente com tal ato. Kim Basinger tem seus bons momentos no filme e cabe a ela duas das mais potentes cenas, que são aquela em que flagra Eddie homenageando-a com uma masturbação  e quando é flagrada pela filha enquanto transa com o garoto. Jon Foster, intérprete de Eddie, também não deixa a desejar e acredito que se deva à sua caracterização o título nacional. A pequena Ruthie nos remete a alguém que conhecemos há algum tempo: Dakota Fanning. Na verdade, Elle Fanning, intérprete de Ruth, é irmã da outra já famosa atriz! Não há maneiras de repreendê-la em sua atuação, de tão espontânea e carismática que se mostra.

O roteiro tem um fio bastante denso, que poderia ter se tornado um grande drama. Mas há alguns aspectos que foram mal concebidos e o filme não tem um auge estrelar. Talvez a maneira precipitada com a qual os personagens se relacionam não permita um desenvolvimento melhor do que cada um sente. Antes disso, eles já estão nas posições que assumiram ao longo da obra e parece não haver espaço para que se cave mais fundo na emoção de cada um. Então, em vez de evoluir, temos a impressão de que estagnou. A inserção da personagen Sra. Vaughn também não diz muito, ainda assim há momentos que parecem querer dizer alguma coisa; mas como faltou perícia na condução da personagem desde o início do filme, tratamo-na como se fosse apenas uma figurante com fala.

Provocação é uma obra um pouco longa para contar aquilo que poderia ser contado em menos tempo, de uma maneira mais dinânica. Eis um filme com acertos e desacertos em igual proporção, então não há por que vê-lo nem por que não vê-lo. Não acrescentará nada à sua vida nem tirará nada de você, então espero que vocês concluam se devem ou não assistir a esse filme ao ler essa crítica. A seu favor estão as atuações e o roteiro, mas contra ele está a direção aparentemente sem foco, que desperdiçou uma boa história. Decidam!

Luís

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O título “Provocação” pode não chamar muita a atenção de quem está na locadora, pois é mal traduzido, não dá nenhuma idéia do que pode ser o filme, diferente do título original “The door in the floor” que é inteligente e instigante. Deixando as traduções mal feitas de lado o filme se mostra muito capaz de mostrar o drama de um triangulo amoroso complicado.

O enredo, apesar de não ser inovador e brilhante é interessante. No filme temos a história de Ted (um escritor que tem suas obras destinadas ao público infantil) e Marion, um casal com um longo casamento, mas que depois da morte dos dois filhos ficou extremamente desestabilizado e depois disso ainda tiveram a pequena Ruth. No processo de separação onde cada um dorme em uma casa todo dia chega à história Eddie, um adolescente que tem a aspiração de ser escritor e vêm para ser assistente de Ted. Ele logo se apaixona pela mulher de seu mestre. Como disse, nada de inovador, mas está na atuação, na direção e na construção dos personagens os melhores pontos do filme. Os três convivem, não pacificamente, mas relativamente bem sendo que todos conhecem os sentimentos uns dos outros. Marion que vê um dos seus filhos mortos em Eddie começa a ter um relacionamento carnal com ele, mas isso não acontece de repente, mostrando a quem assiste cenas extremamente embaraçosas como o garoto sendo flagrado masturbando-se no quarto dela vendo seu sutiã e sua calcinha. Também temos a construção de Ted, que no início parece se mostrar o mocinho da história, mas ao longo do filme vai se mostrando tão humano quanto os outros dois, sendo que ele tem o hábito de “destruir” a vida das pessoas com desenhos. Outra que se destaca é a interprete de Ruth que apesar da pouca idade parece já ter talento (fato quase natural, levando em conta que sua irmã é a Dakota Fanning) e o mostra em cenas que parecem ser pra chocar quem assiste como a que ela pega a sua mãe e Eddie na cama e grita, mas logo que Marion explica o que está acontecendo, ela sai calmamente e volta a dormir, tornando a cena em algo quase engraçado. Dos personagens principais Marion é a que fica mais apagada ali, mas mesmo assim tem seu charme de quarentona seduzindo um garoto.

Espero que eu tenha dado a entender que o filme não é a melhor coisa que eu assisti, ou seja não é imperdível, mas com certeza vale a indicação para que seja assistido ao menos uma vez.

Renan

criado por Luís/Renan    04:18:43 — Arquivado em: Filmes

sábado, 12 de setembro de 2009

ROTA MORTAL

Rest Stop, 2006, 87 minutos. Terror.

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Anualmente, são lançados alguns filmes do gênero terror que envolvem espíritos e outros filmes do mesmo gênero que envolvem assassinos que perseguem suas vítimas de maneira implacável. Quanto ao primeiro, cito Evocando Espíritos; quando à segunda categoria, cito O Massacre da Serra Elétrica. Há ainda roteiros malucos que envolvem os dois gêneros num só, acrescentando tramas paralelas, momentos indecifráveis e ainda dando amostras de tortura. Rota Mortal pertence a esse grupo de filmes.

Jess e Nicole são namorados; ela fugiu de casa e, juntos, estão indo do Texas para Los Angeles. Após quase sofrerem um acidente na estrada, ela precisa parar e ir ao banheiro. Quando retorna, porém, o namorado e o carro sumiram, deixando-a sozinha num lugar aparentemente abandonado. Aos poucos, um homem que dirige uma caminhonete amarela começa a persegui-la, sem que haja lugares para os quais ela possa fugir; o jeito, então, é refugiar-se no banheiro da parada de descanso. Mas ela descobre que não está totalmente a salvo lá…

A parte boa do filme é que ele vai direto ao ponto. Logo nos primeiros vinte minutos, os personagens já se encontram na posição que ocuparão durante o resto da produção. O namorado sumiu e Nicole nada mais é do que um rato acuado num canto. A interpretação da atriz principal certamente não é a melhor já vista em filmes de terror, mas também não se assemelha a muitos lixos mostrados constantemente. Em alguns momentos, em que há necessidade de um tom mais dramático, a atriz perde o fio da meada e suas expressões acabam se tornando caretas inapropriadas; em outros momentos, porém, ela se comporta tal como eu imagino que uma pessoa se comportaria numa situação como aquela pela qual ela passa. Ainda bem que existem passagens interessantes que mostram com comportamento sensato, no qual a personagem se priva de atitudes idiotas; no entanto, outras vezes, parece incoerente que queira se salvar.

O roteiro explica algumas coisas, mas deixa outras tantas sem explicações. Em um determinado momento, ocorre ênfase no assassino que está encurralando Nicole, numa cena bem construída, na qual a moça lê vários recados deixados na porta do banheiro. Várias datas estão ali marcadas, mostrando que a fome por mortes do cara da caminhonete amarela é voraz e há anos ele ataca as pessoas. Porém, logo na cena de abertura, percebemos que ele não pode simplesmente ser um homem comum; depois ele parece tão palpável quanto qualquer um de nós. Em meio ao cenário no qual está inserida Nicole, há um trailer que parece abandonado, mas que posteriormente percebemos que não é. Na minha opinião, a inclusão desse elemento parece uma cópia de O Massacre da Serra Elétrica, que tem aquela gorda e aquela esquisita. Em Rota Mortal, há também uma família estranha semelhante a do outro filme que eu citei. Para mim, é somente um sutil plágio. Segundo soube, o segundo filme contém explicações que não vemos nesse, então, vou assisti-lo para conferir.

Eu acho que esse não é um dos melhores filmes do gênero, mas vale a pena assistir. É um  entretenimento satisfatório para uma noite chuvosa qualquer na companhia de alguém agradável… O filme tem altos e baixos, mas, se for visto sem grandes expectativas, torna-se uma trama densa, com cenas de tortura, bastante sangue. Em contrapartida, há uma sensação de que algo não foi explicado. Mas, enfim, vejam-no. Tão logo que eu assistir ao segundo filme, comento-o aqui.

Luís

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Não sou muito fã de terror, pois se é pra ficar com medo prefiro muito mais o suspense, além disso, a tentativa de passar medo com filmes de terror muitas vezes saem falhas nos causando apenas um profundo desconforto em algumas cenas e no resto só sentimos raiva dos personagens por serem tão obtusos. Isso é Rota Mortal. Nicole foge de casa com o namorado Jesse, no meio da estrada eles têm um desentendimento e depois ela pede ao namorado que pare para ela ir ao banheiro, só que como eles estão em uma estrada vazia eles só encontram um camping com um banheiro praticamente no meio do mato abandonado e vazio (obviamente). Depois de fazer suas necessidades Nicole volta e descobre que seu namorado não está mais lá e mais tarde descobre também que está sendo perseguida por um serial killer.

 

O primeiro ponto que achei absurdo nesse filme é a burrice da personagem principal. Há cenas que ela parece ser desprovida de massa cefálica como na que ela - perece que – percebe que o vídeo que está vendo é o vídeo de sexo que ela e seu namorado fizeram e não relaciona nada com nada. Outra cena que parece ser incoerente é quando ela espera a pseudo–ajuda, mas ao invés de ficar escondida que é o que qualquer um faria, ela bebe, sai do trailer, passeia um pouco, volta ao banheiro, ou seja, ela parece que quer ser pega. Outro ponto falho do filme é a tentativa de dramatizar algumas partes e quem assiste fica se perguntando o que é aquilo, vemos o filme esperando, no mínimo, um pouco de sangue e, no entanto vemos a garotinha chorar dizendo que ama o namorado, relembrando os bons tempos deles….Quanto a atuação acho realmente que não tenho nada a comentar pois temos uma personagem principal tosquinha e um serial killer que não aparece, portanto a melhor atuação fica para a camionete que dá um show em cima dos outros. Mas o filme não é só feito de cenas ruins, e acho que as melhores ficam por conta do serial killer mordendo o dedo da garotinha e cortando a língua do Jesse. Há uma sequencia boa do filme também que é aquela que Nicole entra naquele trailer em movimento e descobre uma família muito estranha e se há boas atuações, essas ficam por conta da mãe que a xinga de vadia por ter entrado naquele quarto e do pai que enquanto a mulher xinga Nicole ele dá um sermão religioso.

 

Não consigo recomendá-lo, pois duvido que em uma olhada a mais na locadora ou em uma dica de um amigo você não consiga achar algo melhor, mas se não achar nada, Rota Mortal pode ser um bom guia do que não fazer no caso de um serial killer te perseguir.

Renan

criado por Luís/Renan    16:53:04 — Arquivado em: Filmes

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

FIM DOS TEMPOS

The Happening, 2008, 91 minutos. Drama.

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Esse filme do diretor M. Night Shyamalan repercutiu bastante: alguns o vêem como um interessante filme acerca dos resultados da falta de escrúpulos do homem, outros simplesmente vêem uma construção absurda e patética. Após muito tempo que o filme saiu das sals de cinema, eu acabei conferindo tardiamente a esse filme, cuja história é mais ou menos essa: várias mortes acontecem nas grandes cidades do nordeste dos Estados Unidos; são absurdamente chocantes pois acontecem inesperadamente, como se todos decidem suicidar-se coletivamente. Elliot e Alma decidem fugir o mais rapidamente do local onde os eventos estão acontecendo; juntam-se a Júlian, amigo de Elliot, e tentam ir para a casa da mãe dele.

A primeira coisa que tenho a dizer que é o pôster e o título sugerem algo que esse filme definitivamente não é! Pela imagem acima, temos a impressão de que veremos uma obra extremamente caótica, que mostra a destruição de maneira brutal e sanguinolenta e que a única certeza que se tem é que realmente é o fim dos tempos. Porém, as cenas de maior choque em relação à brutalidade que apresentam são um acidente de carro e um homem que decide morrer sendo triturado por um cortador de gramas. Fora essas que citei, não há outras grandes cenas. Diferentemente de outras boas obras de Shyamalan, como O Sexto Sentido, aqui temos uma obra meio irregular, com altos e baixos, que interessam o espectador num minuto para logo em seguida desanimá-lo. Acredito que o grande problema quanto ao roteiro é a maneira como dá a entender que o evento - que seria a tradução literal e pouco comercial desse filme - aconteceu. Muitas pessoas simplesmente o repugnaram; não achei ruim o ataque das plantas, só não acho que seja razoável mostrar daquela maneira. Temos a impressão de que todas as plantas se uniram, como numa conspiração silenciosa, para atacar os humanos com as suas toxinas. Seria mais fácil se acontecesse numa região isolada, onde as agressões à vegetação fosse frequente e o grupo ao qual se dirigem os ataques venenosos fosse específico, assim seria mais fácil assimilar com as explicações feitas ao longo do drama a respeito da capacidade de defesa das plantas.

Mark Wahlberg certamente não deu o melhor de si, mas a sua atuação é satisfatória. Não interfere no filme de maneira significativa, nem o piora nem o melhora. Mas Zooey Deschanel, também presente no recente Sim Senhor!, com Jim Carrey, parece completamente perdida; desde o início, vemos a atriz sem saber exatamente o que fazer, com o olhar confuso. Talvez seu maior problema seja o roteiro, que não deixa exatamente claro qual a personalidade da personagem, tornando-a introspectiva, romântica, carinhosa, agressiva, etc. Incoerente, de uma maneira geral. Eu diria que praticamente não há atores coadjuvantes, afinal os que existem participam tão pouco que eu os considero figurantes com fala. O personagem de John Leguizamo poderia ter sido bem mais aproveitado, porém é descartado nos primeiros trinta minutos, já que o diretor acreditou que a relação entre Alma, personagem de Zooey, criaria bons momentos maternais com a pequena Jess, filha de Júlian, o que não acontece. Acredito também que há pouco desenvolvimento de assuntos importantes para caracterizar o filme como um drama, não somente alusões a problemas que o casal apresenta e uma jornada rumo à salvação. Os distúrbios entre Elliot e Alma deixam a desejar, assim como a inserção de Jess nas preocupações do casal, entre outras coisas colcaboram para enfraquecer a impressão do espectador.

Ainda que possua muitas irregularidades, não é um filme abominável e conferi-lo pode ser um passatempo interessante, pois a estrutura narrativa não é ruim e inclui alguns bons momentos, como as mortes iniciais, o percurso na rodovia, a tentativa de entrar numa casa e, por fim, a estadia na casa da Sra. Jones. Este filme está longe de ter qualquer aspecto considerado bom, mas também não é tão ruim a ponto de ser indicado a quatro Framboesas de Ouro…

Luís

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Comecei assistindo esse filme com muito preconceito, já que tinha ouvido falar muito, mas muito mal dele. Graças a isso tive uma agradável surpresa ao vê-lo. Não que ele seja o melhor filme que já vi, aliás, passa bem longe disso, mas também não é o pior.

 

O filme no todo é muito problemático. Podemos começar com a escolha dos atores que não foi muito boa, Mark Whalberg que faz um papel bem legal como “o-marido-que-busca-vingança-pela-morte-da-mulher” em  Max Payne, aparece totalmente apagado como Elliot, e parece não saber fazer uma piadinha como na cena em que ele diz que quase comprou remédios porque a mulher da farmácia era linda, ou não passa nenhuma emoção quando vai encontrar sua mulher na cabana, correndo risco de ser “morto” pelas plantas. Falando da mulher dele, Zooey Deschanel, como Alma, também está meio perdida ali, e não consegue passar nenhuma emoção que o filme pede. Seu pseudo-caso com Joey fica esquecido e logo ficamos com raiva da personagem, não por ter quase traído seu marido, mas pela interpretação sonsa e sem sal. Pra fechar o trio principal na maior parte do filme há a garotinha, filha de Julian, que parece ter colocada ali porque o diretor devia favores ao pai dela. Ela não fala, não chora, só anda, e devagar atrasando o casal principal. Não estou contando o pai dela como um dos principais embora ele seja de longe um dos melhores ali. Outro ponto que poderia ter ficado melhor foi o enredo: plantas começam a soltar toxinas que induzem as pessoas a cometerem suicídio. De verdade, não achei tão ruim assim, foge um pouco dos padrões das estórias que vemos por ai, e seria interessante se o roteirista não tivesse colocado ali um alerta ambiental, ou seja, as plantas soltam as toxinas como forma de demonstrar sua infelicidade com o caos ambiental hoje? Além disso, há outros pontos que defendem o verde no filme, como a aula de Elliot no começo do filme. Poderiam ter ficado sem essa e colocado as plantas matando os outros por puro prazer de exterminar a raça humana.

 

Com tudo isso, ainda resta pontos positivos no filme como os vários suicídios, onde as pessoas usam o objeto mais próximo para seu fim, e aqui gostaria de destacar a cena da arma, onde um policial se mata com a própria arma, outro vem, a pega e se mata, e assim por diante, ou a cena em que Julian morre, não propriamente ele, mas em um momento vemos o carro andando normalmente, ele para, e com uma acelerada, ele vai direto pra uma árvore. Não há como não citar também a Sra Jones, a melhor atriz do filme todo, fazendo uma senhora louca e perturbada, praticamente com transtorno bipolar. Considero um filme válido para ser assistido se alguém te emprestar, mas eu não gastaria meu dinheiro alugando-o.

 

Renan

criado por Luís/Renan    02:16:07 — Arquivado em: Filmes

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

VIDAS SECAS

Graciliano Ramos, 1938, 126 páginas mais 28 páginas de análise (Editora Record).

Pertencente ao Modernismo, faz parte da lista integrada FUVEST/UNICAMP - 2010.

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Antes de mais nada, explicarei como estruturarei a minha análise: primeiro descreverei o assunto abordado nos capítulos de maneira geral, sem me aprofundar muito nem ser muito superficial; depois comentarei a minha opinião sobre o livro e a partir daí será como as críticas usuais que eu e o Renan fazemos. Nós optamos por nos dividirmos para comentar os livros, logo eu me responsabilizei por Vidas Secas e ele, daqui a uma semana, apresentará O Cortiço, de Aluízio de Azevedo.

Resumo: Vidas Secas narra a história de cinco personagens, que são Fabiano, Sinhá Vitória, os dois meninos filhos do casal e Baleia, a cachorra. Os cinco, que não têm uma casa própria, atravessam o sertão em busca de um lugar onde possam ficar durante a seca, para não morrer de fome.
Narrador: narrado em terceira pessoa, sendo o narrador onisciente.
Estrutura: dividido em treze capítulos que, numa linha cronológica, estão fragmentados; isso quer dizer que o um capítulo não é exatamente uma continuação imediata do anterior. Eu não sei se é uma comparação muito boa, mas é como se vários quadros fossem colocados à nossa frente; cabe a nós, portanto, dar o conectivo à história contada (isso fica bastante fácil de compreender quando passamos do terceiro para o quarto capítulo).
Importância da obra: relatar os problemas sociais principais que devastam o sertão brasileiro, impondo famílias - representadas pelos personagens do livro - a uma vida de subsistência e subserviência. Alguns consideram que o autor tenha querido representar a desolação que afeta todo o país, impedindo um melhor desenvolvimento e fazendo surgir um Brasil-pobre dentro de um Brasil maior, com qualidade de vida superior em outras regiões.
Explicados esses aspectos básicos, vou me ocupar agora de resumir de maneira satisfatórias os capítulos:

1 - Mudança: o capítulo narra a mudança que a família faz através do sertão em busca de um lugar pra se estabelecer. Sabemos que caminham há muito tempo por causa das descrições a respeito do cansaço que sentem os personagens. Nesse capítulo, já somos apresentados às muitas características dos personagens: a rudimentar maneira de Fabiano, a obediência que as crianças têm pelos pais, o companheirismo de Baleia. É revelado que, além dos cinco, havia também o papagaio, que foi morto a fim de alimentar a família, para que ela também não morresse. Depois de caminhar mais, Baleia encontra preás e os preda, levando-os à família que depois encontra uma casal aparentemente abandonada, na qual se instala. Surgem, então, os primeiros resquícios de esperança.

2 - Fabiano: somos apresentados a uma análise que Fabiano faz de si mesmo, definindo-se não como homem, mas como bicho, completamente apegado à ignorância e cujas principais habilidades estão a de domar os bichos bravos. A família já está instalada na casa e Fabiano já conheceu o homem que é proprietário daquelas terras; à família foi concedida a estadia, desde que Fabiano cuidasse dos animais e da fazenda. Somos apresentados às lembranças de seu Tomás da bolandeira, um homem a quem todos os personagens admiram por causa da habilidade de falar bem e por causa da humildade e sofisticação dele. Fabiano começa a ter esperanças de um dia não será como um bicho, mas sim um homem, assim como seu Tomás da bolandeira; decide conversar com Sinhá Vitória acerca da educação dos filhos, que estão muito curiosos.

3 - Cadeia: Fabiano vai à cidade em busca de alguns mantimentos para que a família possa se abastecer, como queronese. Receoso, ele acha que todos na cidade querem roubar-lhe o dinheiro e que sempre se aproveitam do fato de ele não saber contar para aumentar valores. Depois de tomar pinga num butequim, ele é convidado por um soldado amarelo - policial - para uma partida de trinta-e-um, a qual acaba perdendo. Indignado, se levanta para sair da mesa e já está a andar na rua, quando o soldado amarelo aparece, mandando o povo se afastar. Alegando que Fabiano não pagou sua dívida, ele é levado pra prisão, onde apanha com um facão e acaba passando a noite.

4 - Sinhá Vitória: a esposa da Fabiano enconmtra-se irritada, principalmente por causa da cama de varas que os dois tê; o que ela quer mesmo é uma cama como a de seu Tomás da bolandeira, de lastro de couro. Ocupa-se das tarefas domésticas enquanto o texto retrata suas lembranças de Tomás. Ao se lembrar de que Fabiano lhe dissera que parece um papagaio sobre saltos quando os usa, Sinhá Vitória sentira-se ofendida e ao mesmo tempo relembrara o animal que comeram a fim de sobreviver.

5 - O Menino Mais Novo: o filho mais novo do casal, influenciado pela admiração que tem pelo pai, decide reproduzir os atos dele. Primeiro conta à Baleia o ato heroico do pai; como a cachorra o ignora, ele conta ao irmão, que faz o mesmo. Por sua própria conta, obe num morro e se joga sobre um bode arisco, que sacoleja o garoto e depois o joga contra o chão. O menino mais novo se irrita com o irmão mais velho, que ri, e com Baleia, que desaprova suas ações. Conclui que um dia os dois hão de admirar por ele ser como o pai.

6 - O Menino Mais Velho: o filho mais velho ouve Sinha Terta, uma vizinha, dizendo a palavra “inferno”. Ocupa-se em descobrir o que a palavra significa e a mãe limita-se a dizer que significa “coisa ruim”. A partir de então, o garoto começa a analisar o que pode ser ruim, pois em sua opinião nada é ruim; não entende como uma palavra tão bonita seja algo tão feio, nem como assimilaram a figura do diabo as coisas do cotidiano.

7 - Inverno: a família reúne-se em torno do pequeno enquanto conversa por pequenas frases e palavras monossilábicas. Fabiano relata aventuras passadas, mas, como não conhece muitas palavras e usa muitos gestos, a escuridão não permite que todos o compreendam bem. As intromissões dos filhos deixam Fabiano bravo, porque ele acha que estão sendo audaciosos. Enquanto isso, a cheia provoca um alagamento, o que os preocupa, pois, se a cheia persistir, a água chegará até a casa, desabrigando-os.

8 - Festa: Fabiano compra tecidos para que Sinha Terta faça roupas novas pra família, porque vão a missa na cidade. Desacostumados com trajes mais justos, Fabiano e Sinhá Vitória têm dificuldades para caminhar. A cachorra Baleia segue a família e quando finalmente chegam à cidade, Fabiano se vê receoso, pois tem muita gente e ele - assim como toda a família - está acostumado à solidão. Fabiano bebe demais após a missa e começa a procurar pelo soldado amarelo e querendo brigar. Envergonhada, Sinhá Vitória e os meninos se escondem entre as pessoas; Fabiano acaba dormindo na rua, atrás de uma barraca.

9 - Baleia: a cachorra já está para morrer; a pele está coberta de feridas que acumulam mosquitos, os pêlos se distribuem escassamente pelo corpo da cachorra, que mal podiam comer por causa das chagas e inchaços que circundavam a boca. Fabiano decide matá-la, então. Entristecido, pois Baleia é com um membro da família, Fabiano pega a espingarda e seuge o animal, que, percebendo que algo ruim vai acontecer, tenta se esconder. Por engano, o primeiro tiro acerta a perna da cachorra, que se rasteja sangrando; depois, Fabiano por fim a mata.

10 - Contas: Fabiano rece a quarta parte na partilha dos bezerros, mas, ao receber a quantia, admitiu estarem erradas as contas do patrão. O capítulo dedica-se à exposição dos pensamento de Fabiano, que acredita que por ser rudimentar, as pessoas acham que ele não merecem justiça. Aspira a conseguir juntar dinheiro suficiente para que a família possa se mudar e ter um lugar próprio. Relembra da época em que criara porcos a fim de vendê-los e que, ao tentar fazê-lo, foram cobrados impostos pela venda; concluiu que o governo sempre se metia naquilo que não devia e que era por isso que não havia prosperidade na região.

11 - O Soldado Amarelo: Fabiano está na vereda, cuidando de uma égua e acaba encontrando o soldado amarelo que o levou preso um ano antes. Sente-se tentado a matar o homem; impulsivamente, levanta o facão e abaixa-o em direção à cabeça do soldado. Pára e observa a fraqueza do homem que, estando tão distante da cobertura do governo, não consegue fazer nada a não ser tremer. Se no capítulo segundo, Fabiano concluíra que era um bicho, aqui concluiu que o outro é um bicho; ele é um homem, pois decide não matar alguém que apenas serve a outra pessoa. Acaba apontando a direção na qual o soldado amarelo deve seguir e volta ao que fazia antes, sentindo-se melhor.

12 - O Mundo Coberto de Penas: Sinhá Vitória concluiu que as arribações (nome das aves) vão acabar matando o gado. A príncipio, Fabiano pensa que a mulher está louca, depois concluiu que as aves podem matar o gado porque as arribações beberiam toda a água do bebedouro e os gados, consequentemente, morreriam de sede.  Fabiano vai até o morro e começa a atirar nas aves; algumas caem mortas, as penas cobrem todo o chão. Fabiano chega à conclusão de que a seca está voltando e é necessário que eles andem de novo, seguindo adiante; leva as aves, das quais a família se alimenta. A situação remete Fabiano à morte de Baleia, cujos olhos eram comidos por urubus e também à submissão em relação ao soldado amarelo no capítulo anterior.

13 - Fuga: a fazenda se despovoou, os animais morreram. Restavam à família apenas dar continuidade à viagem; assim, Sinhá Vitória salga a carne das arribações e todos seguem, afastando-se da fazendo, indo na direção da cidade mais próxima, longe da área rural. Embora esteja em silêncio, o casal espera que haja conversa. Por fim, começam a divagar sobre o futuro dos filhos; Sinhá Vitória os imagina em vidas completamente diferente das dos pais e a sua perspectiva agrada Fabiano e a família segue viagem, caminhando mais uma vez entre os juazeiros, mandacarus, à espera de água e de uma vida melhor.

Agora que já apresentei o assunto abordado nos treze capítulos, vou falar o que achei sobre o livro. Confesso que não me anima muito ler essas obras obrigatórias, pois elas normalmente são extremamente maçantes e o leitor leva horas para ler pequenos trechos, o que o cansa a ponto de adiar interminavelmente a leitura de um livro que, se não fosse pelo rebuscamento e pelo ritmo lento, seria lido em três dias. Vidas Secas, considerando o número de páginas, poderia ser lido num único dia. O que me deixou realmente feliz quanto a essa obra é o fato de que o rebuscamento que citei acima não existe: a linguagem é bastante simples, típica da região, descrevendo com eficiência o cenário, mas sem se prolongar infinitamente com assuntos que pouca relevância têm para a história. O maior problema em relação à obra de Graciliano Ramos certamente é alguns substantivos específicos que o autor usa a fim de descrever com a maior eficácia possível. Assim, muitas palavras deixam o leitor meio confusa e outras tantas obrigam-no a procurar no dicionário - que muitas vezes não possui descrição para o nome - o significado de palavras como alpercata, aió, etc.

Inquestionavelmente, o autor faz uso do livro para explicitar uma imensa crítica à situação na qual as pessoas da região vivem. Não somente aborda aspectos dos quais não se pode fugir, como o ciclo natural da seca, como também narra o abuso que muitas pessoas sofrem por serem como Fabiano e sua família. Isso se evidencia nas passagens do capítulo décimo. E ainda há uma crítica maior, que a que fica exposta nos momentos em que Fabiano se vê abusado por aquele que detém o poder e que, por causa disso, se vê no dinheiro se maltratar aqueles que perceptivelmente encontram-se numa degrau social inferior. Algumas figuras de linguagem são bastante usadas durante a obra e eu evidencio primeiramente a hipérbole, presente em muitos momentos, como quando Fabiano se considera a pessoa mais infeliz do mundo e quando diz que, de tão vazio, o estômago é um buraco. Há também metáforas e antíteses, estas muito mais frequentes. Sugere-se que o próprio título seja antitético, afinal, vida é uma alusão à plenitude enquanto a secura contrapõe o substantivo.

De todos os livros de vestibular da lista, acredito realmente que Vidas Secas seja um dos mais fáceis para ler e entender; a leitura de Dom Casmurro - que apresentarei ao final do mês - é bem mais gostosa que a de Vidas Secas, mas, ainda assim, se todos os livros fossem como esse, nós vestibulandos seríamos pessoas realmente felizes. Logicamente que digo àqueles que gostam de literatura modernista para ler esse livro; àqueles que não gostam, se não precisam prestar vestibular, sugiro que abstenham-se de lê-lo e apenas o façam quando realmente sentirem vontade. Mas eu realmente tenho que admitir que há passagens excelentes, principalmente aquelas que mostram os pensamentos de Baleia, o que dá um tom de humor a uma obra séria e faz com que o leitor relaxe um pouco, se descontraindo e retomando com mais curiosidade a leitura. Não há diálogos em quantidade muito considerável aqui; desde o começo fica claro que a família é caipira, não sabe falar como seu Tomás da bolandeira. Logo, os assuntos são descritos pelo narrador e, quando há falas, normalmente se repetem, numa clara alusão ao enxuto vocabulário que a família possui. Embora bem curta, eu acredito que essa seja uma obra bastante completa e - para quem a analisa profundamente, não com eu acabei de fazer - deve ser bastante complexa também.

;)

Luís

criado por Luís/Renan    07:15:23 — Arquivado em: Livros

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

DÚVIDA

Clique para ver o trailer (com legendas).

Doubt, 104 minutos, 2008. Drama.

Indicado a 5 Academy Awards nas categorias Melhor Atriz (Meryl Streep), Melhor Atriz Coadjuvante (Viola Davis e Amy Adams), Melhor Ator Coadjuvante (Philip Seymour Hoffman) e Melhor Roteiro Adaptado.

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Em Dúvida (filme adaptado da peça de teatro homônima) temos o enredo no qual freira Aloysius começa a desconfiar do afeto particular que o padre Flynn tem com um garoto (problemático, quieto, que apanha do pai, e que é o primeiro aluno negro) da escola.

Não entendi a indicação de Viola Davis ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. A única cena em que ela aparece é bastante densa, tem muito conteúdo. Ali vemos que ela não importa se os boatos do padre pedófilo são verdades ou não (e isso nos choca um pouco), ela apenas se interessa pela felicidade do filho e quer que alguém cuide e se importe com ele. Temos também uma revelação sobre a “índole” do garoto. Quando a Irmã Aloysius diz que “Ele [o padre] está na sua escola e quer os meninos” a Sra. Miller reponde que “Talvez alguns meninos o queiram também”, mas não achei o suficiente para ser comparada a Amy Adams, que interpreta a Irmã James e também foi indicado ao Oscar na mesma categoria. Ela passa a quem assite o cúmulo da inocência e pureza e serve, na ‘disputa’ entre a Irmã Aloysius e o Padre Flynn, como um juiz. Os dois tentam defender o seu lado, e ela fica no meio absorvendo as informações, decidindo em qual dos dois ela acredita, e é uma pena que ela suma da estória, e só vola última cena para ver o quanto a Irmã Aluysius está em dúvida. Falando ainda das atuações, foi muito bom ver Meryl Streep ali. Embora não tendo ganhado o Oscar (justo, já que as atuações de Kate Winslet ou ainda Angelina Jolie são melhores) ela nos mostra uma feira rígida e até com uma pitada de humor negro, que defende sua certeza, mesmo que não tenha provas contra isso. Além disso, é bom vê-la como uma senhora de idade e com rugas. Nos ajuda a limpar da mente suas personagens em O Diabo veste Prada e Mamma Mia que são tão diferentes dessa. E pra finalizar vemos Philip Seymour Hoffman em uma atuação belíssima, principalmente em seus sermões, que completa o filme. No geral há cenas muito boas, como o paradoxo entre o almoço dos padres e das freiras, nos mostrando a imponência da Irmã Aloysius, ou a discussão entre a mesma e a Sra. Miller, ou a maioria das cenas em que Amy Adams aparece e por ai vai.

No final, não espere uma resposta, o filme nos põe para pensar. Particularmente acho que o padre é inocente, e há várias suspeitas disso, mas ao mesmo tempo ficamos pensando em porque ele reagiu tão mal quando a Irmã disse que tinha falado com uma freira e não com o pároco de sua antiga igreja?  Assita, vale a pena o dinheiro gasto.

Renan

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“A dúvida pode ser um elo tão forte e duradouro quanto a certeza” - Padre Flynn.

É com essa frase que eu quero começar a escrever a minha opinião acerca desse filme, pois é ela que embasa todas as ações mostradas, conduzindo tantos os personagens quanto os espectadores às terríveis considerações, que - não delatadas pela certeza - ficam em nossas, se insinuando cruelmente, nos pondo a par de uma cruel sensação: nem sempre sabemos realmente o que fazemos.

Não vou ser repetitivo e reescrever a sinopse, pois acredito que o Renan o tenha feito bem; vou direto ao ponto a que quero chegar. Dúvida é, na minha opinião, um dos melhores filmes a que assisti esse ano. Embora tenha visto outros bons filmes, como O Leitor e A Troca, eu realmente me identifiquei mais com esse, pois o tema abordado é algo a que todos estamos sujeitos e a maneira abrangente - e tão particularmente específica - como John Patrick Shanley, o diretor, soube introduzir as perspectivas tornou Dúvida uma obra esplendorosa. Importante ressaltar como os personagens são ao mesmo tempo fortes e fracos e sua semoções são grandes colossos e simultaneamente pequenos cristais; a cada momento as supostas verdades interferem na grandiosidade da certeza, tornando-a flexível, modificando assim a maneira de enxergar as coisas. Isso se torna perfeitamente visível na personagem Irmã James, que a princípio desconfia do padre e, ainda com desconfiança, começa a ver o que há além de suas próprias opiniões, que talvez nem sejam realmente próprias. Outras duas variáveis são brilhantemente mostradas: a afirmação que nada prova e a crença imutável; a primeira cabe ao Padre Flynn e a segunda à Irmã Aloysius. Ainda que ambos se choquem bruscamente ao longo do trama por razões diferentes, o único degrau no qual estão é o da certeza e logo lutam a troco de um vitória improvável de ser considerada como tal. As palavras dele não a convenceriam mesmo que ela desistisse nem ele daria credibilidade às sensações dela mesmo que ela estivesse certa. Assim, prolongam uma batalha aparentemente infindável cujas armas são palavras e sentimentos que se adaptam a vários contextos, impedindo-os - e a nós também - de descobrir quem tem a razão, portanto. Outro ponto excelente da trama é a maneira como as transformações na personalidade são exibidas e podemos ver isso na Irmã James, que se recusa a tornar-se aquilo que Irmã Aloysius é, mas passa a questionar se o método rígido e absurdamente restrito dela não é a melhor forma de portar-se diante das adversidades. É por isso que digo que não é somente uma personagem que sente a dúvida, mas é a dúvida a principal personagem da obra, existindo e se revelando não somente nas relações de Aloysius e Flynn, mas durante todos os momentos. O espectador pode ficar meio perdido em relação às cenas, já que elas permitem dupla interpretação: confirmam a certeza da diretora ou confirmam a versão do pároco. Particularmente, eu achei muito bem construídosa os ângulos de filmagens, pois possibilitam que o espectador veja a cena de várias maneiras. Os olhares trocados entre o Padre Flynn e Donald Miller transcrevem algo que definitivamente não se limita ao simples companheirismo; podemos perceber que há amor ali. Aíe stá a chave que abre as portas para as diversas dúvidas. Não conseguimos depreender exatamente se é amor carnal ou paternal e depois que descobrimos, segunda a mãe do menino diz, que “talvez alguns meninos queiram ao padre”, se torna ainda mais difícil decifrar esse enigma, pois não sabemos se os olhares admirados são desejo, por parte do garoto, e ternura paterna, por parte do padre, ou vice-versa, ou ainda se é atração recíproca. É esse o auge do filme: a maneira abrangente como isso tudo nos é mostrado.

Pois bem, cinco indicações ao Oscar e nenhum prêmio. Porém, admito que todas as indicações me pareceram justas, já que os atores realmente estavam ali a fim de ruir o espectador. Durante a apresentação da cerimônia do Oscar, alguns críticos tivesse o despropósito de comentar que Meryl Streep exagerou ao atuar nesse filme; nada me resta senão discordar imensamente, dizendo que sua presença no filme é extremamente fundamental para que tudo se desenrole com tamanha verossimilhança. A construção de sua personagem é fabulosa, permitindo-a ser amarga e ao mesmo tempo chamar a atenção para a sua sensatez equilibrada, a ponto de fazer alguns acreditarem em sua certeza inexorável. O seu contraponto é Philip Seymour Hoffman, que dá ao Padre Flynn um aspecto totalmente charmoso e terno, nos fazendo balançar entre a crença de que ele é assim porque deseja as criança ou se é assim porque irremediavelmente é um homem voltado para Deus e segue fielmente a determinação de amar ao próximo como a si mesmo. A grande revelação, porém, foi Amy Adams, que, na minha opinião, superou grandiosamente os já experientes Streep e Hoffman. Sua interpretação é toda feita com cuidado especial, não tornando sua personagem um resquício de cenário; pouco a pouco, ganha tamanha importância na trama que cabe a ela os melhores momentos e os mais densos diálogos, que são aqueles no escritório, quando dá sua opinião acerca dos métodos extremamente severos de Irmã Aloysius e quando conversa com o padre no jardim e há entre os dois uma cumplicidade que, embora aparentemente confiável, tem seu alicerce na desconfiança. A introspecção da personagem ganha extraordinária estupidez quando ela se pergunta se vale ou não a pena ser gentil com seus alunos e depois, chegando finalmente à certeza em relação à sua natureza doce, compreende que nada pode mudar. Diferentemente do que o Renan disse, não acho que foi ruim o fato de ela ter sido posta de lado com o passar da história, afinal, ela participou o suficiente para mostrar ao espectador tudo aquilo que ele precisa conhecer e em todas as cenas em que aparece está magnífica. Já a indicação de Viola Adams me surpreendeu, afinal há uma única passagem em que a personagem aparece. Isso, logicamente, não é motivo para não ser indicada, pois Judi Dench já ganhou um Oscar por uma participação de seis minutos. O grande problema está no exagero do ato, principalmente porque, ainda que de suma importância, sua participação é comparável à de Adams, por exemplo.

Quem for assistir ao filme, não espere respostas às perguntas, pois este é um filme aberto à interpretação, permitindo que várias facetas sejam expostas e embora muito fechadas, direcionando-os a uma única - e suposta - verdade, no final haverá muito mais do que uma possibilidade de escolha. Eu, particularmente, cheguei à várias inconclusões e, por fim, decidi que, considerando tudo o que eu vi, Padre Flynn realmente tinha aliciado o garoto e se arrependia disso, embora fosse como um vício e fazê-lo-ia novamente e tantas vezes quanto pudesse. Mas logicamente é só uma interpretação…

Luís

criado por Luís/Renan    01:46:23 — Arquivado em: Filmes
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